A geopolítica da Rússia e as relações com o Egito

Fonte: Southfront

Autores:  J.Hawk, Daniel Deiss, Edwin Watson

Tradução adaptação: César A. Ferreira

As relações em rápido desenvolvimento entre a Rússia e o Egito foram ofuscadas por aquelas mais chamativas entre a Rússia e a Síria, bem como aquelas entre a Rússia e o Irã. No entanto, a relação Rússia-Egito merece um exame minucioso, posto que, ao contrário de relações do país (Rússia) com os outros dois poderes do Oriente Médio (Síria e Irã), trata-se de um país (Egito) que até então parecia estar definitivamente na órbita ocidental. A mudança abrupta de seu vetor geopolítico em direção a Eurásia representa, portanto, uma enorme mudança para a região, maior que o apoio bem sucedido da Rússia ao governo sírio legítimo,  ou a estreita relação com a República Islâmica do Irã, ambos os quais reiterados figurantes da  “lista de inimigos do Ocidente ” por décadas. As razões para esta mudança são duas, e tem a ver com a forma como as potências ocidentais interagem com as potências do Oriente Médio, em um contexto de crise econômica sistêmica, além da maneira como a Rússia demonstra a sua atratividade como um aliado.

A crise sistêmica do Ocidente claramente transformou o modo como as potências ocidentais visualizam aquelas não-ocidentais. Dado o fato de que o “fim da história”, como retórica globalizante sugeria uma utopia pós-soberania em que os poderes fracos e fortes interagiriam em condições de igualdade em um mundo sem fronteiras, observou-se na prática, que esta retórica era um ardil para convencer potências não ocidentais baixar a guarda e permitirem-se penetrar por empresas ocidentais e instituições financeiras,  indo a perder qualquer possibilidade de traçar o seu próprio curso independente. Infelizmente, do ponto de vista ocidental, a assimilação dos  “mercados emergentes” ainda é a pedra angular da política econômica, o único programa de crescimento econômico. Considerando que, durante a década de 1990 essa assimilação tomou forma de maneira relativamente benigna; 9/11 entretanto,  teve o efeito de permitir que inicialmente os EUA viessem a adotar uma postura muito mais agressiva, a ponto de realizar  invasões militares ostensivas. Enquanto isso a EU (União Europeia), inicialmente, não seguia o exemplo, mas, a gravidade dos próprios problemas internos da UE levaram-na a saltar no movimento de “mudança de regime”, como se verifica no caso da Líbia, da Síria e da Ucrânia.

O Egito, aliado ocidental de longa data, desde o final da década de 1970, inesperadamente encontrou-se no fim da fila das predatórias políticas ocidentais que assumiram a forma da “revolução colorida” da Praça Tahrir , movimento este que levou à vitória eleitoral a Irmandade Muçulmana, que por sua por sua vez, caiu frente a um golpe militar,  na medida em que o perigo de haver a queda do país em uma guerra civil tornou-se por demais aparente. O fato de que Irmandade Muçulmana foi financiada pelos EUA e os estados aliados do Golfo Pérsico, fez o Egito ciente de que também foi alvo de jihadismo patrocinada pelo Estado, e que os EUA eram incapazes,  ou não queriam forçar os seus aliados na região para que se abstivessem de atacar o Egito. Enquanto a Síria é apenas uma preocupação periférica para o Egito, a guerra civil na Líbia, onde as formações islamitas, incluindo ISIS desfrutam de apoio árabe do Golfo, representam uma ameaça imediata para o Egito por várias razões:  o país pode ser usado como uma plataforma para lançar ataques ao Egito, tornar-se um santuário contra retaliação e, a longo prazo, ter o seu governo tornando-se uma marionete controlada pelas potências do Golfo, insidiosamente hostis, cujo objetivo a longo prazo é o controle do Egito e do canal de Suez , isto significa que o Cairo se faz muito interessado em influenciar o resultado desta guerra.

Rússia desta forma mostrou-se, assim, como um parceiro atraente por causa de sua história de não-envolvimento na política interna das nações vizinhas (com uma falha, dado que a restrição unilateral levou à revolução da Praça Maidan, na Ucrânia), porque ela (Rússia) pode preencher o vazio de segurança deixada pela fraqueza ocidental, e, por último mas não menos importante, porque pode defender fisicamente integridade política e territorial do Egito contra todas as ameaças possíveis, uma habilidade que está atualmente sendo demonstrada na Síria. Egito parece estar aproveitando estas capacidades. A cooperação inclui agora a possibilidade de se estabelecer uma base aérea russa no Egito, visitas de paraquedistas russos ao Egito, e tropas de operações especiais que ministram formação aos seus homólogos egípcios. O Egito também está mudando os seus planos de aquisições militares em relação à Rússia. Os dois navios da classe Mistral que foram adquiridos pelo Egito receberão a suíte eletrônica russa originalmente planejada e irão levar os helicópteros russos (Ka-52); há discussões de vendas caça MiG para o Egito, e o país recebeu um barco lança mísseis da classe Molniya.

Do ponto de vista da Rússia o Egito representa ainda uma outra barreira de segurança contra a invasão ocidental, uma resposta simétrica para a expansão da OTAN, “Parceria Oriental”, e revoluções coloridas. Combinado com a presença militar na Síria, orientação pró-russa geral de Chipre, e a neutralização da Turquia, que também foi facilitada por uma abortada tentativa de golpe pró – ocidente, a adoção de bases egípcias acabaria por transformar o Mediterrâneo Oriental em um “lago russo.” Por último, mas não menos importante, estas bases e alianças poderiam servir como uma plataforma de lançamento para a projeção de poder em outras áreas instáveis do Oriente Médio e, se o controle do Canal de Suez por conta do Egito se faz garantido por armas russas, esta garantia dota ambos os países com um meio muito eficaz de pressionar Ocidental e as monarquias árabes do golfo.

 

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O Iêmen e o “Game Of Thrones” da Arábia

Fonte: Katehon – 23.08.2016 –  Arábia Saudita

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

A Arábia Saudita sofre, no momento,  uma derrota esmagadora no Iêmen. O conflito parece ser apenas pouco promissor para eles. Os Houthis e as tropas leais ao ex-presidente Saleh seguram firmemente o Iêmen do Norte e estão a conduzir operações militares na província de Najran em pleno território saudita. O Iêmen do Sul está ocupado e controlado por um entrelaçar de tropas da coligação Arábia Saudita/EAU, Península Árabe al-Qaeda, ISIS, e separatistas do sul do Iêmen. Recentemente, representantes do movimento Houthi anunciaram a criação de um governo que irá incluir membros do seu próprio partido “Ansar Allah”, o partido “Congresso Geral do Povo” do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, bem como membros de outros partidos e organizações. Ao mesmo tempo, tentativas similares por parte dos sauditas para criar algum tipo de governo interino em Aden foram completamente fracassadas. O presidente Hadi, apoiado pelos sauditas e seus aliados, e seu governo são baseadas em Riyadh (Riad). Em Najran, na região de fronteira com o Iêmen, tribos locais árabes lançaram uma rebelião contra as autoridades oficiais da Arábia Saudita.

Recordemos que 2015 foi marcado pela invasão em larga escala da coalizão Árabe liderada pelo sauditas no Iêmen. Além dos sauditas, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Jordânia, Kuwait e Paquistão têm participado nesta guerra contra o Iêmen. Este último se juntou apenas formalmente a coalizão, mas não tem envolvimento real no conflito. O principal impacto da guerra é suportado pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também foi derrotada na Síria. Ela não conseguiu derrubar Bashar Al – Assad e desde a reorientação da Turquia em relação à Rússia e o Irã, a posição da Arábia Saudita tornou-se mais precária. O chamado grupo de oposição sírio em Riyadh foi em grande parte controlado pelos turcos. A alavancagem dos sauditas sobre o processo da Síria em Riyadh está ficando menor. A realização de duas campanhas militares de uma só vez – a guerra aberta no Iêmen e a guerra por procuração na Síria –  está cada vez mais difícil. Este é o entendimento por aliados próximos dos sauditas, caso dos Estados Unidos. Assim, os EUA reconhecem a futilidade da campanha militar no Iêmen, como foi noticiado que os Estados Unidos devem retirar o seu grupo de planejamento do país que forneceu a  inteligência necessária para os sauditas. O grupo agora tem sido baseado no Bahrein.

A intervenção no Iêmen e a guerra na Síria são largamente projetos de uma disputa (pelo menos algumas fontes estão tentando apresentá-las desta forma). Deve ser entendido que a Arábia Unido enfrenta agora uma luta feroz entre suas elites. O rei reinante Salman está gravemente doente. Após a sua morte, deverá ser passado o poder para os membros da segunda geração da dinastia saudita. É mais provável que o príncipe Mohammed ibn Salman (Ministro da Defesa) e príncipe Mohammed Ibn Nayef Al Saud deverão confrontar-se em uma luta pelo poder no futuro próximo.

Mohammed Ibn Nayef é conhecido como sendo aquele mais influente dentre os membros mais intimamente ligados aos EUA na elite saudita. A aventura síria é considerada um projeto pelo seu grupo que coordena estreitamente as suas atividades com os Estados Unidos. Em sua juventude, Ibn Naif estudou nos EUA e até mesmo treinos em cursos especiais da FBR.. De acordo com as memórias de ex-funcionários da CIA, o príncipe sempre foi leal para com  os EUA e ativamente cooperou com as agências de inteligência dos EUA . Os EUA percebem-no como o candidato mais desejável para o trono saudita, embora estejam preocupados com a sua saúde.

Por sua vez, Mohammed ibn Salman, que tem apenas 31 anos de idade, é bastante ambicioso e procura a todo o custo a assumir o trono de seu pai. Alguns analistas ainda preveem um golpe suave após a morte do rei Salman dado que o seu filho é o segundo na linha de sucessão ao trono após seu tio Muhammad ibn Naif. Para os EUA, ele é um jogador muito novo. A guerra no Iêmen foi uma iniciativa deste Salman. Com a ajuda de uma guerra vitoriosa, ele procura aumentar seu próprio prestígio e status, mas calculou mal.

Assim, existem dois grupos opostos na Arábia Saudita: uma é completamente pró-americana; o outro é bastante agressivo e expansionista, mas sem apoio suficiente por parte dos Estados Unidos, cujo projeto e iniciativa política externa deverá falhar primeiramente na determinada vontade quem ganhar este presente árabe “Game of Thrones”.

Mohammed ibn Salman visitou periodicamente Rússia, aparentemente em busca de apoio do lado russo. Recentemente, o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, o  Vice – Ministro russo das Relações Exteriores Mikhail Bogdanov, reuniu-se com ele. Estes contatos acabam por explicar a crescente importância da Rússia no Oriente Médio tendo como pano de fundo a operação bem sucedida e consistente na Síria. A Rússia também é aguardada no Iêmen. O ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh afirmou ontem que a Rússia está pronta para guarnecer portos e bases oferecidos para o estacionamento de soldados russos. Controlar o Iêmen significa ter controle sobre a mais importante artéria de transporte: o caminho do Oceano Índico e do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho e Mediterrâneo.

A Rússia não está, naturalmente, interessada em uma vitória da Arábia Saudita no Iêmen. E isso é impossível. No entanto, existe a possibilidade de que a Rússia venha a poder ajudar a coalizão  da Arábia Saudita a alcançar uma “derrota honrosa”, iniciar o processo de paz, e, assim, permitir que Muhammad ibn Salman venha a sair da sua aventura no Iêmen com uma perda mínima de face (prestígio pessoal). Por outro lado, as ações da Rússia na Síria podem minar a posição daqueles que se opõem a ele. Enquanto isso, o Iêmen ver-se-á livre da influência e da ocupação das forças sauditas.

 

Por que eventos recentes na Síria mostram que o governo Obama está em confusa agonia terminal

Autor: Saker.

Fonte: The Vineyard Of The Saker

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu. – Fonte em português: Blog do Alok

Os mais recentes desenvolvimentos na Síria não são, creio eu, resultado de algum plano deliberado pelos EUA para ajudar seus “terroristas moderados” aliados em campo, mas sintoma de algo talvez pior: os EUA parecem ter perdido completamente o controle sobre a situação na Síria e, possivelmente, também em outros pontos. Permitam recapitular o que acaba de acontecer:

Primeiro, depois de dias e dias de intensas negociações, o secretário Kerry dos EUA e o ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia finalmente chegaram a um acordo sobre um cessar-fogo na Síria que teria potencial para pelo menos “congelar” a situação em campo, até as eleições presidenciais nos EUA e a troca de governo (esse é agora o evento mais importante no futuro próximo; assim sendo, nenhum plano de nenhum tipo estende-se além daquela data.

Foi quando a Força Aérea dos EUA, com mais alguns ‘parceiros’, bombardeou uma unidade do Exército Árabe Sírio, que não estava nem em movimento nem engajada em operações intensas, que simplesmente cobria um setor chave do front. O ataque norte-americano foi seguido por ofensiva massiva dos “terroristas moderados” que acabou por ser contida, com dificuldade, por militares sírios e as Forças Aeroespaciais Russas. Desnecessário dizer que, depois de tal provocação, o cessar-fogo morreu.

Os russos manifestaram total desagrado e indignação contra o ataque e começaram a dizer abertamente que os norte-americanos são “недоговороспособны“. A palavra significa literalmente “[gente, pessoa] incapaz para acordos” ou sem as competências mínimas para firmar um acordo e, na sequência, honrar o que assinou. É expressão polida, mas mesmo assim extremamente forte, porque implica, mais do que fingimento deliberado, a ausência da capacidade, dos meios morais necessários para respeitar a própria assinatura. Por exemplo, os russos têm dito com frequência que o governo de Kiev é “incapaz para acordos”, o que faz sentido, considerando-se que a Ucrânia ocupada pelos nazistas é, na essência, estado fracassado.

Mas dizer que uma superpotência nuclear mundial é “incapaz para acordos” é diagnóstico extremo e terrível. Significa basicamente que os norte-americanos enlouqueceram e perderam os meios morais mínimos necessários para firmar acordos, qualquer tipo de acordo. Afinal, governo que descumpra o que prometa ou tente burlar, mas o qual, pelo menos em teoria, conserve a capacidade para respeitar a própria assinatura em acordos não seria descrito como “incapaz para acordos”. É expressão que só é usada para descrever entidade que sequer tem condições mínimas indispensáveis para merecer a confiança necessária para que alguém possa iniciar negociações, porque não cumprirá o que for acordado. É diagnóstico absolutamente devastador.

Na sequência, vem a cena antiprofissional, patética, da embaixadora Samantha Powers embaixadora dos EUA na ONU que simplesmente levantou-se e saiu de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU quando o representante russo estava falando. Mais uma vez, os russos enfureceram-se, não pela tentativa infantiloide de ofender, mas pela absoluta falta de profissionalismo que Powers manifestou, como diplomata. Do ponto de vista dos russos, se uma superpotência levanta-se e sai da sala quando outra superpotência está falando sobre assunto crucialmente importante é, para começar, atitude irresponsável; mais uma vez, sinal de falta das competências mínimas indispensáveis para ser parte de qualquer negociação ou acordo.

Por fim, a coroação: o ataque ao comboio de ajuda humanitária na Síria, que os EUA, claro, atribuíram à Rússia. Mais uma vez, os russos mal acreditaram nos próprios olhos. Primeiro, porque foi flagrante (e sinceramente, de nível de jardim de infância) tentativa para ‘mostrar’ que “os russos também erram” e que “os russos mataram o cessar-fogo”. Segundo, apareceu aquela declaração cômica, dos norte-americanos, de que só duas forças aéreas poderiam ser autoras do ataque – ou os russos ou os sírios (como os norte-americanos supuseram que enganariam alguém, naquele espaço aéreo super controlado pelos radares russos, é questão que ultrapassa a minha capacidade de análise!). Sabe-se lá como, os norte-americanos “esqueceram” de mencionar a que força aérea dos EUA também está ativa na região, além de forças aéreas de vários aliados dos EUA. Mais importante: esqueceram de mencionar que, naquela noite, drones Predator norte-americanos armados voavam diretamente sobre aquele comboio.

O que aconteceu na Síria é dolorosamente óbvio: o Pentágono sabotou o acordo firmado entre Kerry e Lavrov; e quando o Pentágono foi acusado de ser responsável pelo ataque, rapidamente montaram (mal montado) um ataque sob falsa bandeira, e tentaram culpar os russos.

Tudo isso mostra que o governo Obama está em estado terminal de confusa agonia. A Casa Branca aparentemente está em tal estado de pânico ante a provável vitória de Trump em novembro, que perdeu, basicamente, o controle de toda sua política exterior em geral, e especialmente, na Síria. Os russos estão literalmente cobertos de razão: o governo Obama é realmente “incapaz para acordos”.

Claro: o fato de os norte-americanos estarem agindo como crianças malcriadas frustradas não implica que a Rússia tenha de se rebaixar. Já vimos Lavrov voltar sempre e sempre tentar negociar com Kerry. Não porque os russos sejam ingênuos, mas precisamente porque, diferente dos colegas norte-americanos, os diplomatas russos são profissionais que sabem que negociação e linhas de comunicação mantidas abertas sempre são, e por definição, preferíveis a dar as costas e sair da sala, sobretudo quando se negociar com uma superpotência. Os observadores que criticam a Rússia por ser “fraca” ou “ingênua” só fazem projetar sobre a Rússia o seu próprio modo de ser e agir, quase todo modelado pelos norte-americanos. E nem percebem que russos não são norte-americanos: pensam de modo diferente e agem de modo diferente.

Para começar, os russos não se incomodam com ser vistos como “fracos” ou “ingênuos”. De fato, preferem ser vistos desse modo, se essa percepção faz avançar seus objetivos e confundem o oponente sobre suas reais intenções e capacidades. Os russos sabem que não construíram o maior país do planeta por serem “fracos” ou “ingênuos” e não têm interesse em ‘lições’ que lhe venham de países mais jovens que muitos dos prédios russos.

O paradigma ocidental quase sempre é o seguinte: crise sempre leva a rompimento de negociações; em seguida vem o conflito. O paradigma russo é completamente diferente: crise leva a mais negociações que são mantidas até o último segundo, tentando impedir que irrompa o conflito.

Há duas razões para isso: primeiro, insistir em negociar até o último segundo possibilita procurar o mais possível por uma via pela qual sair do confronto; e, segundo, negociações nas quais se insista até o último momento possibilitam que o negociador aproxime-se o mais possível de pôr a seu favor a surpresa estratégica, no caso de ter de atacar. Assim, exatamente, a Rússia agiu na Crimeia e na Síria – sem absolutamente nenhum sinal ou, ainda menos, sem exibições propagandeadas de poder como meio para intimidar alguém (intimidação também é estratégia política ocidental, que os russos nunca usam).

Assim sendo, Lavrov continuará a negociar, não importa o quão ridículas ou inúteis pareçam essas negociações. O próprio Lavrov provavelmente jamais pronunciará publicamente a palavra “недоговороспособны”, mas a mensagem ao povo russo e aos aliados sírios, iranianos e chineses da Rússia sempre será clara: os russos, hoje, já perderam qualquer esperança de obter negociações proveitosas ou confiáveis com o atual governo dos EUA.

Obama & Co. estão assoberbados de trabalho, tentando esconder as reais condições de saúde e os problemas de caráter de Hillary e, no momento, provavelmente só conseguem pensar numa coisa: como sobreviver ao debate Hillary-Trump [2ª-feira, 26/9, na Hofstra University em Hempstead, N.Y.]. O Pentágono e o Departamento de Estado estão ocupados, sobretudo, em combater um contra o outro por causa da Síria, Turquia, curdos e Rússia. A CIA parece estar em guerra contra ela mesma, mas não se pode afirmar com certeza.

O mais provável é que algum tipo de acordo continuará a ser anunciado, por Kerry e Lavrov, se não hoje, então amanhã ou depois. Mas, francamente, concordo integralmente com os russos: norte-americanos são realmente “incapazes para acordos”, e nesse momento, os dois conflitos, na Síria e o da Ucrânia, estão congelados. Não digo “congelados”, isso sim, no sentido de “situação em que não há grandes desdobramentos possíveis”. Ainda haverá combates, especialmente agora que os aliados wahhabistas e nazistas dos EUA sentem que o chefe não está muito atento no comando, ocupado com eleições e conflagração racial quase generalizada nos EUA, mas dado que não há solução militar possível para nenhuma dessas guerras, os confrontos e ofensivas táticos não levarão a resultado estratégico.

Com exceção de algum ataque sob falsa bandeira dentro dos EUA, como o assassinato ou de Hillary ou de Trump por um “pistoleiro solitário”, as guerras na Ucrânia e Síria prosseguirão sem possibilidade de qualquer tipo de negociação significativa. E com Trump ou Hillary na Casa Branca, um grande “reset” acontecerá no início de 2017.  Trump provavelmente quererá encontrar Putin para uma grande sessão de negociações que envolva todos os temas chaves entre EUA e Rússia. Se Hillary e seus neoconservadores chegarem à Casa Branca, nesse caso será quase impossível impedir algum tipo de guerra entre Rússia e EUA.

[assina] The Saker.

PS: Alguns especialistas militares russos estão dizendo que o tipo de dano que se vê nas fotos e vídeos do ataque ao comboio humanitário não é consistente com ataque aéreo, sequer com ataque por artilharia; o que se vê parece ser resultado da explosão de vários IEDs [Dispositivos Explosivos Improvisados]. Se isso se confirmar, também não implica a Rússia, mas aponta para forças de “terroristas moderados” que controlam aquela locação. Ainda assim poderia ser ataque sob falsa bandeira ordenado pelos EUA ou, se não for isso, será prova de que os EUA perderam o controle sobre seus aliados wahhabitas em campo.*****

Os submarinos russos devem dominar o Pacífico em breve

09 de agosto de 2016

Por: Rakesh Krishnan Simha

Fonte: RBTH

Uma nova geração de  silenciosos submarinos, mais rápidos e  letais está prestes a entrar em serviço para reforçar as unidades da Marinha russa.

Os submarinos russos voltaram a operar no oceano Pacífico, de onde se ausentaram por mais de uma década. Pela primeira vez desde a Guerra Fria, a Frota russa do Pacífico está operando submarinos mais silenciosos, armados e poderosos.

De acordo com um estudo intitulado “O reequilíbrio asiático da Rússia” pelo Instituto Lowy de Política Internacional da Austrália, a transposição do foco da Rússia para a Ásia provocou uma renovação em grande escala da sua Frota do Pacífico, que durante a próxima década irá atingir o seu valor mais elevado em meios navais.

“Foram atribuídos a esta frota novos submarinos portadores de mísseis balísticos e caçadores/assassinos (submarinos nucleares de ataque), o que dará um grande impulso para as aspirações do potencial,  de projeção de poder de Moscou na região”, diz o estudo.

De acordo com o analista militar russo Dmitri Gorenburg, “a frota do Pacífico poderia tornar-se a maior frota de Rússia durante a próxima década devido à crescente importância geopolítica da região e à concentração de poderes navais nesta área”.

Mudança de foco

Durante a Guerra Fria, a Marinha soviética era conhecido por suas armas poderosas, como o submarino classe Typhoon (termo adotado pela OTAN, para os soviéticos e seus herdeiros, o nome da classe é Akula).

Com um deslocamento de 48.000 toneladas, foi quase tão grande quanto um porta-aviões e eclipsando o maior submarino da Marinha dos EUA por uma margem de 20.000 toneladas. Este leviatã soviético poderia jogar 200 ogivas nucleares contra cidades e instalações militares do inimigo em um único ataque.

Agora a prioridade é expandir a frota, especialmente com os submarinos da classe Borei. Embora tenha metade do tamanho do Typhoon, o Borei é um grande avanço em relação à escola soviética de construção de submarinos. A classe Borei representa a nova geração de submarinos russos extremamente silenciosos. É mais barato e exige uma tripulação bem menor. Ao mesmo tempo, não nada em termos de potencial de ataque, pois é capaz de lançar entre 16 e 20 mísseis nucleares com até oito ogivas orientadas de forma independente.

A Rússia espera substituir seus submarinos (SSBN) da Guerra Fria, com um total de 12 submarinos de mísseis balísticos da classe Borei indica Gorenburg.

Potencial e projeção

O aumento de tamanho, poder de fogo e gama dos submarinos russos, estão em sintonia com o novo boom  (crescimento) da Rússia. Durante a Guerra Fria, a Marinha dos EUA ostentava submarinos muito mais silenciosos, algo que o governo soviético reservadamente nunca se preocupou em refutar.

No entanto, com a abertura da Rússia, eles estão descobrindo as verdadeiras capacidades dos seus submarinos. A tripulação de submarinos russos muitas vezes contam histórias sobre como eles chegaram quase a arranhar a barriga dos navios dos EUA sem que os americanos soubessem deles. Tais histórias podem estar mais perto da verdade do que os especialistas acreditam (ou gostariam).

Almirante Mark Ferguson, comandante das Forças Navais dos EUA na Europa, disse à CNN que “(…) a Rússia está implantando submarinos de combate (SSN) e mísseis (SSBN) a um ritmo difícil de seguir para os Estados Unidos. Moscou criou novos submarinos que são mais difíceis de controlar e detectar pela Marinha dos Estados Unidos”.

“(…) Eles são mais silenciosos, mais bem armados e têm um alcance maior”, disse Ferguson. “Vemos que os russos têm sistemas de armas mais avançados, sistemas de mísseis que podem atacar as áreas terrestres a longa distância e também ver que o seu funcionamento e capacidade está a melhorar à medida que se afastam das suas águas”.

O almirante reformado James Stavridis, ex-comandante da OTAN, acrescentou: “Nós não podemos ter 100% de certeza sobre a atividade subaquática da Rússia, hoje”.

Perspectivas para o futuro

Atualmente, existe um plano para desenvolver um submarino nuclear de uma classe multiuso , a fim de construir algo mais barato e de menor tamanho do que a classe Yasen. Este seria submarino nuclear de ataque cujo armamento seria ao menos comparável aos mísseis presentes na classe Virginia dos EUA. A Marinha russa espera começar a construção destes submarinos o mais rápido possível, já  em 2016, e tem como objetivo construir um total entre 16 e 18 unidades.

Enquanto isso, a Marinha dos EUA tem um estoque de 53 submarinos, mas devido a decisões de desativação e corte no orçamento, este número cairá para 41 unidades no final da década de 20 (2020-2029).

Gato e rato

Durante décadas, os submarinos soviéticos, depois russos e norte-americanos brincaram de gato e rato sob os oceanos do mundo. Agora, parece que quaisquer que sejam os submarinos silenciosos da Marinha dos Estados Unidos, os russos os pegam o tempo todo e em todos os lugares.

Em um relatório da Stratege Page de 18 de Fevereiro de 2015 afirma: “No início de 2014 especialistas em detecção de submarinos da Marinha dos Estados Unidos ficaram alarmados quando um navio de reconhecimento electrónico russo da classe Vishnya foi avistado por várias vezes a distância junto a costa leste da Flórida, perto de várias bases aeronavais e de submarinos”.

O Vishnya avistado na Flórida foi acompanhado por um rebocador. Ambos os navios seguiram para reabastecer portos cubanos. Os dois navios estavam a ser visto pela primeira vez em Cuba, em fevereiro do corrente ano.

“O que mais assustou os tripulantes de sonar, de detecção submarina, foi dar-se conta que os computadores se tornaram poderosos e baratos o suficiente para detectarem submarinos por sinais fracos, como as ligeiras alterações nas superfície das águas, causadas pelos seus navios. Sabiam da existência desses sinais por décadas, bem como a possibilidade de que com aparelhos poderosos e sensíveis o bastante, este método poderia ser utilizado para rastrear submarinos em tempo real”.

Durante a Guerra Fria, a maior parte do potencial dissuasivo dos submarinos soviéticos no Pacífico constituiu-se de submarinos de ataque (SSN e SSK). Projetado para encontrar e destruir submarinos inimigos, suas principais tarefas eram para evitar que submarinos de mísseis balísticos inimigos viessem a lançar um ataque nuclear, além de destruir submarinos inimigos ataque antes que estes encontrassem um dos submarinos lançadores de mísseis soviéticos (SSBN). No teatro de operações submarinas do século, a frota do Pacífico será mais poderosa e terá uma proporção maior de submarinos de mísseis balísticos, o suficiente para manter em alerta a poderosa USNAVY.

SSBN (do inglês: Ship Submersible Ballistic missile Nuclear powered ).

SSN: (do inglês: Ship Submersible Nuclear powered).

As mulheres na infantaria – a perspectiva de um soldado norte-americano

Por: Scott M.

Tradução: Clermont.                                 

Fonte: FDB

“Eu sei que isso já foi discutido, de novo e de novo.

Mas aqui está uma opinião de um soldado no Iraque. Eu queria ler o que ele tinha a dizer, portanto presumi que vocês também.

Eu mencionei, por acaso, para minha filha de 16 anos (que foi criada assistindo ‘Buff, a Caça-Vampiros’, ‘Stargate SG-1’, várias reencarnações de ‘Jornada nas Estrelas’, ‘Lara Croft’ e outras séries de ação que mostram garotas metendo a porrada) que não se permitem mulheres em unidades de combate das Forças Armadas dos EUA. Ela ficou ultrajada. Indignada. Ela quase gritou ‘POR QUÊ NÃO’! Eu fiz o melhor que pude para explicar as razões ‘oficiais’, as não-oficiais como eu as entendia, minhas objeções pessoais e como a linha entre ‘combatente’ e ‘não-combatente’ está cada vez mais obscurecida, mas ela não se convenceu.

Isso não é uma ordem por escrito, mas eu estaria muito interessado em sua opinião nesse assunto e suas experiências com fêmeas da espécie militar”.

A resposta do Soldado no Iraque:

Sim, é verdade, mulheres não podem estar na infantaria.

O tópico de mulheres na infantaria é muito cheio de armadilhas e é a única coisa em minha filosofia de vida pessoal sobre a qual sou um sexista. Eu vejo que existem duas razões por que mulheres não são permitidas na infantaria (ou na maioria das outras armas de combate). O “grunt” médio está bem de acordo com sua personalidade primordial e, sendo assim, geralmente só quer saber de duas coisas: trepar e brigar, nessa ordem. E a principal razão porque eles brigam é para serem durões para poder atrair mais mulheres, com as quais eles podem conseguir satisfazer o seu desejo por trepar. Tão logo existam mulheres à distância de uma cuspida, a diretriz número um primordial, chuta tudo o mais, especialmente a disciplina do serviço, direto para o inferno. Qualquer um que ache isso uma estupidez está certo, mas também é um retardado se acha que isso irá, algum dia, mudar. “Grunts” são “grunts”. O homem pensante encontra significados através de alguma espécie de objetivo mais elevado. O “grunt” acha significados só em trepar. E se ele puder lutar no intervalo das trepadas, ótimo.

A segunda razão porque mulheres não estão (e não devem estar) na infantaria é, igualmente, baseada no lado primário da existência humana como a primeira. Mulheres não podem fazer um trabalho digno de um “grunt”, de jeito nenhum. Eu gostaria de estar errado sobre isso porque vai contra todas as minhas noções de igualdade entre os sexos, mas é a verdade. Eu já treinei com mulheres em muitas ocasiões e eu posso dizer que elas alteram, completamente, o ambiente de treinamento. Não apenas os sujeitos ficam distraídos pela Razão Número Um, mas também o nível de intensidade do treinamento vai pras cucuias. A mulher mediana não se empenhará em treinamento do jeito que um homem faz. Eu já vi sujeitos se empenharem no treinamento até morrer, literalmente. Eu vi um sujeito acabar um teste físico, uma corrida de quatro quilômetros, então desmaiar e morrer de uma ruptura da aorta. Eu vi um sujeito marchar no sol até desmaiar pela insolação e ficar com danos cerebrais. Eu vi sujeitos marchando apesar de ossos quebrados, juntas deslocadas e ruptura de ligamentos. Morrer treinando é uma burrice, mas é um testemunho do grau em que um soldado está disposto a se empenhar. Em todas as minhas experiências com mulheres, o gene do bom-senso (que os sujeitos parecem carecer, para a felicidade das forças armadas) se rebela e diz a elas: “foda-se isso, não vá se matar fazendo essas coisas.”

Eu sei que há mulheres lá fora, que provavelmente, se esforçariam do mesmo modo, mas numa sociedade onde homens foram criados para se desempenharem devido à incrível força da pressão de seus pares machos, eles são mais fáceis de serem encontrados do que mulheres desejosas de fazer o mesmo. E eu ainda não entrei no fato de que o homem mediano é muito mais forte fisicamente do que a mulher mediana. E, ainda que fêmeas humanas fossem tão fortes fisicamente quanto os homens e desejosas de se empenharem no mesmo grau, haveria a Razão Um. Existem, na minha pequena base, quatro soldados mulheres. Na outra noite que a força de reação rápida teve de se mover, não conseguimos encontrar três dos nossos sujeitos. Acabamos por deixá-los para trás, inclusive um atirador de metralhadora calibre .50 pol. Ao voltar, descobrimos que estavam dormindo no quarto com uma das soldados que servem próximo a área de estacionamento da QRF (Quick Reaction Force). [nota: a área de estacionamento da QRF teve de ser realocada.

De qualquer modo, eu sei que essa é, provavelmente, a última coisa que sua filha queria ouvir. Talvez haja um tempo em que tais fatores não importem tanto e mulheres possam estar na infantaria. Enquanto isso, elas sempre podem servir na PM, que eles chamam de “a infantaria das cachorras”. Em combate, elas terminam fazendo a maior parte das coisas que a infantaria de verdade faz; ao menos, elas estão fazendo isso no Iraque.

Outros problemas com mulheres na infantaria:

– menstruação e saúde vaginal: as condições de vida podem ser muito duras e ter de lidar com uma, digamos, infecção por fungos na vagina enquanto se está sem chuveiros por vários meses, pode ser difícil de se imaginar.

– estupro (especialmente, se for capturada).

– gravidez: sem tempo para atendimento pré-natal em campanha.

– peitinhos: se eles foram grandes o bastante para ficarem no caminho dos equipamentos, blindagem corporal etc; ou de ações como rastejamento furtivo e outras atividades físicas da soldadesca, você se torna totalmente ineficaz como um “grunt”.

Eu gostaria de ter mais coisas positivas para dizer sobre mulheres na infantaria, mas há tantas coisas que fazem isso não ser uma boa idéia. Mulheres merecem oportunidades iguais, mas igualdade em certas funções de combate pode não fazer sentido tático.

Espero não ter esmagado as esperanças de sua filha, ou ter dado a impressão excessiva de ser um babaca sexista.

A resposta de Scott e um adendo:

Soldado escreveu: Agora o tópico de mulheres na infantaria é muito cheio de armadilhas…

Tem toda a razão.

Soldado escreveu: e essa é a única coisa em minha filosofia de vida pessoal na qual sou sexista.

Tenho de concordar. Bem, talvez uma ou duas coisas…

Soldado escreveu: Ao voltar, descobrimos que estavam dormindo no quarto com uma das soldados que servem próximo a área de estacionamento da QRF.

Todos eles? Porra! Meus amigos da Marinha contam-me histórias sobre as putas da Califórnia que se alistavam na Reserva Naval para conseguirem faturar à bordo dos navios durantes as instruções. As garotas tinham audiência cativa, especialmente, no mar, e uma fila se formava na porta do alojamento.

O que aconteceu com seus extraviados fodedores, depois disso? Disciplinarmente, quero dizer. Isso é contra o regulamento, não é? [nota: para registro, não havia nenhum Calígula obrigando ninguém, senão eles teriam clamado isso.]

Soldado escreveu: eu sei que essa é, provavelmente, a última coisa que sua filha queria ouvir.

Obrigado por sua honestidade. Eu concordo com a maioria de suas premissas. Realmente, minha filha precisa ouvir essas coisas ou ser surpreendida de forma rude e desagradável. Também, suas palavras carregam mais peso do que as minhas sobre o assunto.

Minhas objeções são menos fundamentais, e também difíceis de manter o passo com a visão mundial de estrito igualitarismo.

  1. Os jovens, fortes e saudáveis fazem os melhores soldados. Mulheres são os únicos seres humanos que podem gerar filhos. Uma mulher é muito mais do que um útero, mas nós, realmente, queremos pôr nossas mais jovens, fortes e saudáveis geradoras de bebês na linha de fogo? (vejam a curta história “Down Among The Dead Men” por John Campbell.) É verdade que não é exclusiva responsabilidade de uma mulher criar as crianças, mas eu penso que o bem-estar dos dependentes deveria ser uma prioridade mais elevada do que, digamos, promoção na carreira.

Há um garoto que vai a nossa igreja cujo único responsável, sua mãe, acabou de passar por um ano de treinamento e está, agora, na Alemanha. Ele está morando com outra família da igreja. Ele é um garoto feliz e brilhanto, mas também é, pateticamente, desesperado por atencão e aprovação. Nós damos a ele todo o amor e apoio que podemos, mas eu penso – sem pai e com a mãe desperdiçando a pré-adolescência dele, desdobrada no além-mar; será um milagre se isso não foder com a personalidade dele.

  1. A história nos diz que mulheres podem lutar, bem e ferozmente, mas no instante que uma unidade mista sofre baixas de mulheres, os homens (ao menos, os ocidentais) recuam. É a coisa fundamental novamente; o dever impregnado de proteger as mulheres (quando você não as está fodendo, quero dizer). Se “GI Jane” receber um mínimo ferimento, “GI Joe” sente-se como se fosse um fracassado (e age, e luta de acordo). Nada bom.

O único modo de superar isso seria criando uma sociedade, e por conseqüencia um exército, onde os homens fosse tolerantes ao sofrimento e morte de mulheres como são às mortes de outros homens. Não apenas eu não iria querer viver numa sociedade assim, como iria resistir, ativamente, à sua criação.

  1. E, é claro, o elefante na sala quando se trata de mulheres-em-combate tem de ser escrito em letras maiúsculas: ESTUPRO.

O abuso sexual de mulheres em tempo de guerra é uma história triste e antiga. No Ocidente, nós saímos do “luxúria, saque e bebida são o pagamento do soldado” para tornar o estupro em tempo de guerra um crime capital sob o UCMJ (código unificado de justiça militar das forças armadas americanas). Ainda acontece, mas torná-lo um crime maior, é um progresso.

Naturalmente, antiga é a palavra-chave na sentença acima: a maioria das culturas com as quais estaremos “interagindo” no futuro previsível são culturas tribais onde o abuso sexual de mulheres do inimigo são uma rotineira, se não compulsória, maneira de demonstrar o poder de alguém ao humilhar este inimigo. (quero dizer, que espécie de animal iria sodomizar uma mulher inconsciente com uma pélvis fraturada?) (*) E mais, eu aposto que as únicas garotas loiras que “GI Achmed” já viu estavam em algum tipo de revista pornô… (“Mas Coronel, a vadia infiel provavelmente estava gostando!”)

Enquanto escrevo, me ocorre que a chance – neste momento – de uma mulher soldado ser estuprada por um colega militar americano é, de fato, mais alta do que a chance dela ser capturada e estuprada por pessoal inimigo. Por outro lado, se ela for capturada, sua chance de ser estuprada é de cerca de 100 %. Suponho que seja problema dela se ela quis se voluntariar para isso, mas…

Eu me lembro de uma piloto de helicóptero de evacuação médica da primeira Guerra do Golfo, que foi abatida, capturada e molestada, repetidas vezes, apesar de estar com os dois braços quebrados. (O praça chefe dos tripulantes continuou tentando protegê-la e continuo sendo espancado por isso. Já que estava sendo violentada de qualquer jeito, ela teve de lhe dar ordem para parar de tentar protegê-la porque temia que eles acabassem matando-o.) Ela foi libertada e continuou servindo. Ela não foi à TV ou escreveu um livro; suponho que tenha contado para seu marido, seu capelão e fechou-se em si mesma, mas a história não se tornou pública até que ela foi forçada a testemunhar numa comissão do Congresso.

Como Lawrence da Arábia descobriu (para seu pesar, estou certo) os otomanos e seus assemelhados não se sentem constrangidos em abusar de cativos masculinos, mas isso não é de modo algum certo e, em qualquer caso, é assunto para outro debate.

À propósito, “infantaria das cachorras”, hein? Eu também me lembro que a senhora capitão que foi condecorada por bravura, no Panamá, era uma PM.

Obrigado pelos tiros no alvo.

Arábia Saudita vê-se humilhada

Por: César A. Ferreira

As armas do Reino da Arábia Saudita, equipadas com aquilo que o dinheiro pode comprar de melhor, encontram-se frente a uma encruzilhada. Tendo o reino iniciado um conflito com um vizinho, pobre, lacerado por um conflito interno e com meios militares muito inferiores, naquilo que compete ao equipamento, veem o agressores, por agora, o inimigo a avançar fronteira adentro, tomando franjas da fronteira comum.

Sem dúvida alguma uma humilhação sem par, que afeta sobremaneira o Reino, consumidor que é das melhores armas que o mundo ocidental pode prover (48 bilhões de dólares em importações bélicas no ano de 2015).

A ofensiva lançada pela milícia Houthi, aliançada come forças do Exército Nacional do Iêmen, possui como objetivo declarado a cidade de Narhan, e se dá em quatro eixos: Najran Damn, Nahuka, Saqam e Shufa. Para prevenir o pior, as forças do reino formaram uma linha defensiva em torno da cidade fronteiriça de Najran. Seguindo a ofensiva é possível constatar o número imenso de veículos e munições abandonados pelas forças do Reino em retirada.

De fato, a velha máxima militar que versa sobre a incapacidade árabe de manter uma guerra de movimento vem à baila, o problema no tocante a isto é a constatação que as forças iemenitas, que são árabes, vencem justamente por praticarem a guerra de movimento, atacando o inimigo através de reides em seus pontos fracos, cercando e minando os seus pontos fortes.

Não adianta comprar as melhores armas que o mercado pode oferecer, se o material humano não corresponder. Não se percebe nas forças do Reino competência, tanto no comando como no efetivo combatente. Tanto, que a coalizão, visto que nesta guerra também faz parte o Qatar, não se fez de rogado e contratou forças mercenárias. Os mercenários, apesar de profissionais da guerra, não obtiveram o sucesso esperado.

Como contraponto se observa o comportamento da aliança iemenita: soldados motivados, aguerridos e altamente móveis, que exploram a característica do terreno, árido, montanhoso, fraturado. Isto, aliado a um comando sensato, que procura não expor, ou desperdiçar as suas forças frente a um inimigo com nítida superioridade aérea. A Força Aérea do Reino da Arábia Saudita, é bom lembrar, se esforça em apoiar as tropas no solo, mas pouco consegue fazer, notabilizando pelos ataques na capital iemenita, onde destrói com impunidade os hospitais e escolas, vez por outra localizando depósitos de munições das forças do Iêmen.

É interessante ver como se comporta o Reino perante ao quadro catastrófico por ele criado. A guerra iniciada apenas provoca danos aos sauditas, visto que ela lhes rouba projeção e importância, afinal, uma potência regional não pode ser derrotada por uma nação paupérrima, dilacerada por um conflito interno. Ampliar o conflito mediante a uma “Guerra Nacional”, por meio de conscrição não parece ser a solução, pois o serviço militar nunca foi popular na Arábia Saudita, que tradicionalmente incorporava nas suas fileiras voluntários do… Iêmen. Daí a pergunta que não quer calar: se o serviço militar em tempo de paz não cala fundo na alma da população, como seria a convocação para uma guerra feroz?

O Reino se encontra em um atoleiro, no Iêmen, bem como nas guerras movidas por procuração no Iraque e na Síria, todavia a resposta para o dilema é tipicamente saudita: prevê-se um gasto da ordem de 52 bilhões de dólares em 2019, Superior aquilo que reservam os orçamentos militares de potências de fato como a França e a Rússia.

Boeing C-17, Shashi Kant Sharma, & Contabilidade

Fonte: Security Wise. Publicado em 19 de agosto de 2016.
Autor: Bharat Karnad.

Tradução: J. Junker.

É curioso que a imprensa mainstream indiana e os meios de comunicação levantam o inferno quando se trata de algo de errado com equipamento militar de procedência russa mas ficam estranhamente silenciosos e falham em relatar o mesmo com as conclusões da Controladoria e Contabilidade Geral (CAG, a CGU indiana) sobre problemas com equipamentos e plataformas ocidentais, de procedência estadunidense. A maior parte dos mais de US$13 bilhões em compras de defesa dos EUA durante a última década foram feitas de aviões de transporte de alto valor – o C-17 Globemaster III, aviões de longo alcance, pesados, e o mais versátil C-130J Hercules ambos aeronaves de transporte, que também pode desdobrar-se para missões expedicionárias. Um acordo gov-a-gov foi assinado em Junho de 2011 para uma ordem inicial de 10 C-17 avaliados em mais de US$ 4,120,000,000 (Rs 18,645.85 crore).

É uma coisa muito boa que a Força Aérea Indiana (IAF) finalmente priorize a capacidade logística distante e adquira os C-17 que pode, em teoria, entregar 70 toneladas de carga útil à mais de 4.200km, ou 40ton em 9.000km. Por enquanto, tudo bem. Agora aqui é onde as falhas começam. Um certo número de condições precursoras eram necessárias para a obtenção destes aviões fosse executada otimamente ao serviço da IAF. Um simulador de treinamento do C-17 deveria ser configurado e ativado antes da entrega dos aviões, de modo que os pilotos do 81st Squadron da IAF, baseado em Hindan AFB, teriam adquirido familiaridade com os sistemas de bordo, procedimentos operacionais e protocolos, e alcançasse um certo nível de perícia, de conhecimento e proficiência antes de levá-los ao ar. Na verdade, é obrigatório que cada grupo tenha 1.700 horas por ano no simulador para a qualificação inicial, certificação trimestral, e “instrução de missão e apuramento em operações especiais”.

A IAF, como observa o relatório da CAG, queria um simulador instalado e funcionando em um mínimo de três meses meses “antes da entrega” do primeiro C-17. De acordo com o contrato de offset (junho de 2011), os serviços de simulador na Índia deveriam ser disponibilizado até julho de 2013 para os aviões entreges no período de junho de 2013-dezembro de 2014. A auditoria observou que a Boeing “ainda estava para instalar” o simulador através do seus parceiros indianos de offset – a Mahindra Sistemas de Defesa e Tata Consultancy Services, com valor total de compensações relativas a equipamentos no valor de US$ 135.080.000 (Rs 611.92 crore) para simulador de treinamento de manutenção de voo e simulador de treinamento em voo. A falta destas instalações foram sendo compostas pelos pilotos do 81st Squadron como “pilotos de roteamento para o treinamento em simulador” com a Força Aérea dos Estados Unidos, “com vagas liberadas pelo Governo dos EUA”.

Ótimo. Então, há realmente um incentivo para a IAF para não fazer um barulho ou o CO, 81 Sqdn, para não reclamem para o estabelecimento da (falta de) simuladores no país, porque as tripulações e o pessoal de manutenção agora começam a fazer a sua formação nos Estados Unidos, e se este for para a vida útil da aeronave, qual a melhor? Quem pode opor-se a um arranjo tão agradável?? Certamente ninguém na IAF!!!

Da mesma forma, a infraestrutura terrestre “especializada” que custa US$ 152,75 milhões (Rs 723,27 crore), deveria ser criada pela Boeing com o programa executado, para fins de controle de qualidade, pelo Army Corps of Engineers, nomeados por Washington (presumivelmente, juntamente com o parceiro de offset indiano, L&T), antes da chegada da aeronave em junho de 2013. Enquanto em setembro de 2015, apenas 54% do trabalho tinha sido concluído, “a conclusão da infraestrutura” era, diz a CAG, prevista para dezembro de 2015. Se este trabalho foi concluído, o relatório da CAG não diz. Talvez, como parte da infraestrutura, pistas de alta qualidade com número de classificação de pavimento especificado (PCN) de 75 são necessários para o C-17 para fazer valer a sua carga máxima de 70 toneladas. Novamente, isso precisava estar em vigor antes da indução desse meio na IAF, em todas as bases que se planejava para sediar esta aeronave – além de Hindan, Sirsa, Sarsawan, Jammu, Pathankot, Udhampur, e mais quatro aeródromos do Ocidental Air Cmd sofreria avaliação para atualização de PCN – entre eles Awantipur, Chandigarh e Thoise.

As falhas da IAF, segundo a CAG, por não avaliar a “adequação de suas pistas antes da indução”, resultaram na pura “subutilização da capacidade de carga útil”, com C-17 transportando menos de 17 toneladas em missões e média em torno de 26-35 toneladas. “Assim, um bem nacional caro, adquiridos para transporte de cargas pesadas não estava sendo utilizado de acordo com a sua capacidade.” O desperdício criminoso de Vayu Bhavan, a atitude chalauu kaam, reflete-se na sua explicação, em abril de 2016 para a CAG: que o C-17 “é capaz de operar em pistas com menor valor de PCN no caso de que a situação exiga tal operação” e que esta avaliação “detém boa parte relativamente a 14 aeródromos” encontrados “inadequado para operação” por causa de “valores PCN baixos e requisitos de terra de manobra”. em outras palavras, a IAF foi preparada, com capacidade de carga para além do subutilizado, e uma mais rápida degradação dos próprios C-17 por operarem a partir de pistas sub-par.

A infra-estrutura deficiente incluí, é claro, a ausência do equipamento de terra, tais como equipamentos de assistência em escala (empilhadeiras) e para “paletização” e manipuladores especialmente treinados para eles permitam “reduzir tempo em terra de um ativo estratégico, cujo principal objectivo é a rápida implantação”. Tudo o que havia para agilizar a carga / descarga é um forklifter de 13 toneladas ocupando 35% do espaço de carga disponível a ser transportado a bordo de todos os C-17. Isso requer um par de saídas para o mesmo destino, onde apenas um teria sido suficiente. As penalidades de custo são enormes considerando o custo por hora de voo é Rs 43.19 lakh, o que a CAG considera “imprudente”.

Então, como é que a IAF e seus C-17 estão nessa confusão? O Relatório da CAG acusa claramente o fato de que “embora o cronograma de pagamento trimestral ao Governo dos EUA foi definido na LOA (Carta de Oferta e Aceitação), não havia nenhuma condição estipulada para a imposição de penalidades por atraso no fornecimento / prestação de serviços de infra-estrutura. “Em outras palavras, existe uma obrigação para a Boeing ser paga no tempo certo e o Governo dos EUA em entregar as aeronaves, mas não há obrigação para a Boeing entregar os serviços e infraestrutura contratadas relacionadas com operações eficientes desta aeronave. Legalmente, a Boeing e o USG não precisam fornecer a infraestrutura até perto do fim da vida útil da aeronave! Não que a IAF se importe!

Mas aqui está o cerne de toda a questão. Como é que este contrato substantivamente falho e deficiente passou pelo Ministério da Defesa, e quem é responsável por isso? Bem, o diretor-geral de aquisições, no ministério da defesa, em junho de 2013, quando a LOA foi assinado era Shashikant Sharma, IAS (Indian Administrative Service) e, portanto, diretamente responsável por aceitar este contrato. Sharma foi demitido do cargo de DG de aquisições no mês seguinte (em julho de 2013), mas não antes de concluir o negócio de helicópteros VVIP com a Augusta-Westland – lembram-se desse embuste? – Para o qual ele foi recompensado com um posto de secretário de Defesa, aposentando-se com essa capacidade, e nomeado à CAG pelo governo Partido do Congresso de Manmohan Singh. E é com a CAG que agora ele tem o desplante de se pronunciar sobre as deficiências do contrato do C-17, o qual ele foi originalmente o responsável, em primeiro lugar. Muito bom.

Conforme indicado em blogs anteriores, Shashikant Sharma em sua aposentadoria como controlador da CAG em 2017, precisa ser investigado por seu papel no esquema Agusta, mas também pelo fiasco dos C-17. Um começo foi feito pelo CBI HC Gupta (IAS, aposentado) o ex-secretário de carvão, no mesmo ministério durante os anos Manmohan. Há razões mais importantes, a segurança nacional, para investigar Shashikant Sharma e prendê-lo com uma sentença dura. Ela terá um enorme efeito sobre burocratas. A menos que a responsabilidade se torne a norma, o atual sistema fenomenalmente relaxado, em última análise, de má gestão de recursos financeiros, irá persistir e a Índia voluntariamente será reduzida, por seus governantes, a condição de um mendigo.

Nota do Editor: este texto foi retirado do Fórum Defesa Brasileira, onde fora publicado na sua forma original, em inglês, bem como com a presente tradução para o português, realizada por Junker. 

 

A Rússia e o seu entorno

Por: César A. Ferreira

É difícil explicar para os leitores desacostumados com matérias afeitas aos assuntos sobre geopolítica e de defesa, sobre os interesses da Rússia , suas ações e o modo de agir do seu dignitário, dado o fato que estes mesmos leitores são bombardeados, cotidianamente, por matérias ditas “jornalísticas”, publicadas rotineiramente na chamada mídia-empresa, ou grande impressa como é mais comumente denominada no Brasil, que retratam a Rússia como nação agressiva, como se fosse uma espécie de nova “Alemanha Nazista”, liderada por um novo ser diabólico: Vladimir Putin.

Uma forma fácil de entender é esquecer o potencial russo no campo da dissuasão nuclear, incomparável, cujo espelho, único no globo, repousa no arsenal equivalente dos EUA. Focando-se na capacidade econômica e nas armas convencionais, percebe-se, que a Rússia apresenta-se como uma potencia regional, sendo a sua capacidade de intervenção e resposta é mais forte quanto mais próximo estiver o alvo das ações das suas fronteiras. Entende-se, pois, o motivo das pressões intensas dos EUA sobre a França, no tocante aos navios multipropósito da classe Mistral, cuja construção havia sido contratada pelo Ministério da Defesa da República da Rússia junto ao estaleiro STX, DCNS, em contrato então aquiescido e endossado pelo governo francês. Tais navios ampliariam consideravelmente a capacidade de projeção da Marinha da Rússia, e certamente estariam sendo por agora utilizados no chamado “Expresso de Damasco”.

O espaço pós-soviético é o campo óbvio das atenções russas, e ao contrário do que se possa pensar, não é na Europa, mas na Ásia Central, onde a Rússia devota as suas energias. Percebe-se, pois, que os russos perceberam já a algum tempo que o futuro tem morada no Oriente. Este espaço teve a influência ocidental revertida, com muita paciência e trabalho intenso no campo diplomático, de inteligência, bem como no econômico. A exceção notável permanece sendo o Azerbaijão, seduzido que é até a presente data, pelo prometido mercado europeu ao seu gás, que seria viabilizado pelo gasoduto Nabuco… No tocante ao Cáucaso, segue a dor de cabeça no Daguestão, vizinho da Chechênia, agora estabilizada. O Cáucaso e a Ásia Central explicam em grande parte o esforço russo na Síria, dado que lá se dá combate aos mesmos terroristas da jihad que praticam o terror nas republicas da Federação Russa, portanto, a luta na Síria evita que os terroristas “subam a estrada”…

No tocante ao espaço do Oriente Próximo, o apoio ao Governo Sírio, reforça a influência russa na mesma medida que faz declinar a influência turca e saudita. Não se faz necessária, sequer, a vitória completa sobre os terroristas, bastando apenas que a sobrevivência do Governo Sírio seja assegurada, como de fato é o que se observa. No Mar Negro, a espetacular incorporação da península da Criméia fala por si. Espetacular não apenas pelo deslocamento rápido dos efetivos, que subiram em questão de dias para o limite de 32.000, mas, pelas consequências: a Rússia toma posse das reservas de gás do Mar Negro, adjacentes à orla da Criméia, reservas estas que estão ainda por serem exploradas. A ocupação da península presenteou a Rússia com a posse definitiva da Base Naval de Sebastopol, e por extensão, do domínio efetivo do Mar Negro, algo que reflete sobre as demais nações que são banhadas pelo referido mar. Com a posse da península a Rússia garante a segurança das suas linhas de gasodutos que provém do Cáucaso em direção à fronteira ucraniana.

A Ucrânia é um caso aparte. Ela se revela como um desafio proposto pela OTAN desde o golpe da Praça Maidan. Como nação, por si, a Ucrânia não se revela como ameaça, dado que se desmantela, perde capacidade industrial e econômica a olhos vistos desde o rompimento, forçado, dos laços com o complexo industrial russo, seu maior cliente. É por entender o conflito na região do Donbass como uma isca, que a Rússia congelou o mesmo com o Minsk-2, retirando assim o fantasma de ter-se de desdobrar em duas frentes, uma na Síria e outra na sua fronteira ocidental. Não é que seja o conflito ucraniano visto como se fosse de menor importância, mas a sua evolução não se mostra atrativa ao governo da Federação Russa, por representar ganhos relativamente pequenos. Desta maneira, congelado, a Rússia pode armar e treinar os elementos nativos do Donbass com vagar, com um custo menor, podendo sempre que necessário plantar efetivos do outro lado da fronteira para dissuadir o governo ucraniano de tentar algo mais efetivo do que as trocas de fogos de bateria.

Os olhos da Rússia repousam no Oriente, como bem demonstra o acordo amplo feito com a China, no campo energético e de Defesa. Espera-se que os volumes contratados por Pequim venham a gerar algo em torno de 400 bilhões de dólares em 10 anos, o que é uma quantia salutar. A China também é contratante de volumes de gás das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e acaba por dividir influência com Moscou nestas repúblicas, mas no tocante ao aspecto de segurança é a Federação Russa a garantidora da paz nestes espaços geográficos, seja pela manutenção de bases com efetivos militares, ou por acordos de cúpula.

Por isto é falsa a ideia plantada de que seja a Federação Russa uma potencia expansiva, dado que se observa apenas uma reocupação de um espaço geoestratégico. Expansão se verifica por parte da OTAN, que avança sobre a fronteira russa e não o contrário. A Rússia exercita o seu papel de potência regional sem se iludir com o domínio global, bastando para si neste momento em alcançar o objetivo clássico acalentado por todo e qualquer coração russo: a segurança das suas fronteiras.

A Rússia sente-se confortável

Por: César A. Ferreira

Neste exato momento caças-bombardeiros Su-34, recentemente desdobrados para o território sírio, reiniciam a campanha de bombardeio em Aleppo contra as posições da Frente Al-Nusra, vaporizando desta forma as unidades deste grupo terrorista, que se viu reforçado pela trégua proposta por Washington.

A Rússia retorna com força plena à Síria a despeito do que se diga no Pentágono, ou no Departamento de Estado. Independe das vontades alheias, e isto devido a um fato muito simples: fracassaram as tentativas de isolamento diplomático e econômico da gigantesca nação. Sobraram, apenas, a constantes e conhecidas provocações da OTAN, que quando respondidas, sejam por sobrevoos, ou escoltas, revelam o ridículo das argumentas desabridas dos prepostos da Aliança Atlântica… Mas, isto, convenhamos, pouco importa (para eles).

A Rússia possui seis fusos horários, é a nação com as mais extensas fronteiras políticas do globo, possui um território riquíssimo em termos de minérios ainda por ser explorado, reservas petrolíferas e de gás que estão por ser avaliadas, enfim… Não necessita e não ambiciona o controle de reservas de terceiros, diferentemente dos EUA e dos seus associados da OTAN, que dormem, sonham, com outra coisa que não seja o domínio completo das nações produtoras, bem como das rotas da commoditie energética de uso global.

O xadrez africano, onde se destaca como jogador de peso a chancelaria chinesa, e do qual o nosso novo, augusto e magnânimo chanceler fez questão de nos retirar, não possui a Rússia como potência interessada, visto que dos recursos futuros do continente africano pouco ou nada necessita, deixando assim este continente, com vastíssimas áreas ainda por serem exploradas, entregues a sanha dos EUA e das antigas potências coloniais, que rivalizam com o dragão chinês a primazia pela conquista dos corações e mentes africanas.

Por isso, tendo uma nação focada, uníssona na perspectiva de que é um povo capaz de escolher, manter o equilíbrio e desafiar quem lhe tente pressionar, a Rússia sente-se confortável para intervir no seu entorno próximo, congelar, ou acelerar conflitos na qual por ventura esteja envolvida, pois a sua proteção, ou seja, a proteção das suas fronteiras, estão bem resolvidas pelas armas entregues pelo complexo industrial militar, que herdado da URSS foi modernizado em todos os quadrantes possíveis, bem como pela elevação do padrão de prontidão das forças nacionais, objetivo perseguido e alcançado enquanto a OTAN se desgastava no Afeganistão…  Em outras palavras, a Rússia fez o que se deve: aproveitou-se de todas as oportunidades para crescer e fortalecer as suas forças armadas, tidas como esteio da soberania nacional, além de braço de crescimento tecnológico e industrial…

A Rússia, agora, sente-se confortável, apesar da inquietude vez por outra imposta pelas provocações infantis da OTAN… Uma lição que não será aproveitada por um sonolento gigante do sul, agora também grande produtor de petróleo, pois se encontra enredado pela miragem da grama mais verde do vizinho do norte.

Pena. A Rússia é uma lição breve de como construir uma verdadeira soberania.

MD Indiano: Negócio de torpedo Black Shark para a Marinha cancelado

Autor: Vivek Raghuvanshi

Tradução e Adaptação: Luiz Medeiros

Fonte em português: Plano Brasil 

Fonte original: Defense News

NOVA DÉLHI – Os planos para adquirir torpedos Black Shark para a Marinha Indiana pela WASS, uma subsidiária da Leonardo-Finmeccanica, foram cancelados na semana passada, um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou com a Defense News.

A decisão surge na sequência de acusações de corrupção envolvendo outra subsidiária da Italiana Leonardo-Finmeccanica, a AgustaWestland, e o partido político Congresso Nacional Indiano.

“A decisão foi tomada na semana passada e o processo de cancelamento está em andamento, e as alternativas estão sendo trabalhadas”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa Nitin Wakankar.

A Marinha buscou torpedos Black Shark para montá-los para os seis submarinos Scorpene que começam a ser introduzidos este ano.

Depois de cancelar um contrato de helicópteros com AgustaWestland em janeiro de 2014, o novo governo, após sua chegada ao poder em Maio de 2014, emitiu uma proibição parcial contra Leonardo-Finmeccanica e suas controladas. Contratos em curso continuaram, enquanto novos acordos foram proibidos.

Embora a licitação de mais de US$ 200 milhões para a compra de 98 torpedos Black Shark esteja agora cancelada, não houve nenhuma decisão sobre uma alternativa.

Nenhum funcionário Ministério da Defesa diria como a Marinha indiana vai adquirir os muito necessário torpedos. De acordo com o analista de defesa Nitin Mehta, a Marinha provavelmente vai lutar para se recuperar rapidamente do cancelamento.

O ministro da Defesa Indiano Manohar Parrikar disse que a empresa italiana será penalizada na Índia, na sequência de denúncias de que foram oferecidos subornos para ganhar um contrato € 560 milhões para helicópteros da Força Aérea da Índia em 2010.

Como os soviéticos roubaram um F-86 Sabre em 1951

Fonte: War History On Line

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Na data de 06 de outubro de 1951, o então Segundo Tenente Bill N. Garret, em missão de patrulha, deu-se de frente contra a 324ª IAD (Istrevitenye Avia Divizya , Fighter Aviation Division – ing. Divisão de Aviação de Caça), composta por pilotos dotados dos maiores escores dentre aqueles que lutaram a Segunda Grande Guerra. Atingido, Garret retirou-se em direção à base enquanto o resto da sua patrulha continuou a combater, naquele momento nenhum dos dois lados queria arriscar a ter um dos seus jatos capturado pelo inimigo, daí o fato de Garret ter obedecido a regra imposta.

No caminho de volta, no entanto, ele encontrou uma patrulha de quatro jatos MiG-15, encabeçados pelo capitão Konstantin Sheberstov. De acordo com sua entrevista na Mir Aviatsii (um diário aviação russa), o F-86 Sabre de Garret deixava um rastro de fumaça preta ao realizar uma descida controlada.

Shebertsov  ganhou altura, subindo para 3.300 pés, e quando colimou o norte-americano entre  975 e 1.150 pés, disparou seus canhões. Eles atingiram o Sabre atrás do cockpit, danificando seu motor J-47 e também atingindo-o logo atrás do assento de ejeção do piloto.

Incapaz de responder ao fogo, Garret começou a realizar manobras evasivas, mas perdeu altitude, enquanto Shebertsov continuava  a segui-lo. O capitão soviético sabia que seu governo queria um Sabre, por isso ele foi confrontado com um dilema.

Os soviéticos não estavam  autorizados a voar em território ocupado pelas Nações Unidas, ou seja, na Coreia do Sul. Eles também não poderiam atacar aviões inimigos de perto para evitar a identificação. A União Soviética não participava oficialmente na Guerra da Coreia, afinal de contas, tanto é assim,  que os seus pilotos usavam uniformes da Coreia do Norte. Estas regras foram tão rigorosamente aplicadas que, quando um piloto soviético era alijado sobre o mar, os seus companheiros pilotos metralhavam a ele e ao seu avião para evitar a captura e sua posterior  identificação.

Então para Shebertsov era necessário forçar Garret ir para baixo antes de o americano atingir o espaço aéreo da ONU, mas ele não poderia destruir o Sabre, isto é, caso pudesse evitá-lo. A descida lenta de Garret foi exatamente o que ele precisava, portanto. Ele, Garret, poderia vir ao solo sem muito dano.

O Sabre apontou em direção à costa do Mar Amarelo, tentando aproximar-se do território amigo, tanto  quanto fosse possível. Garret também sabia que os soviéticos queriam seu avião, então desejava,  desesperadamente,  dele se livrar na água. Ele finalmente alcançou à costa, mas não conseguiu fazê-lo no Mar Amarelo. Quase colidiu com a praia, quando um piloto de resgate o encontrou, momento em que pulou para fora; mas o avião era outra questão. Este ficou preso nas piscinas de lama. Os norte-coreanos dispararam contra ele, então Garret e os seus salvadores fugiram.

Nos céus, a batalha se desenrolava com os MiGs lutando para reclamar o seu prêmio, enquanto Sabres tentavam combatê-los. Em seguida, a maré começou a entrar, subir. Centenas de chineses e norte-coreanos se esforçavam para desmontar o Sabre antes de o mar o engolir completamente, mas eles eram constantemente alvejados por aviões americanos e por navios da Marinha dos EUA que navegam ao largo da costa.

Apesar de perder sete dos seus MiGs, os soviéticos obtiveram o seu prêmio e o levaram, juntamente com assuas peças de volta para a União Soviética, em um comboio de caminhões. Eles tiveram que viajar durante a noite porque os americanos os tinham seguido para a China, atacando, inclusive, um caminhão isca cheio de chumbo, que logrou escapar. Com pilotos soviéticos e chineses a perseguir os norte-americanos, as peças fizeram o seu caminho de volta à Rússia. Dias depois, em 24 de outubro, eles capturaram mais um Sabre.

Desesperados, os americanos estenderam a  Operação Moolah para a China e a Coreia do Norte, transmitindo a sua oferta no rádio, bem como por alijamento folhetos de aviões. Valeu a pena. Em 21 de setembro de 1952, Tenente Sênior Sem Kum Sok desertou para a Coréia do Sul, enviando o  seu MiG-15 norte-coreano para a Base da Força Aérea, em Kimpo.

A Coréia do Norte não é um problema

Por: César A. Ferreira

Após mais um teste com o seu submarino lançador de mísseis balísticos, algo que vem a ser um dos pilares dissuasivos do regime norte-americano, diga-se, houve na impressa brasileira, que acompanha a mídia ocidental, um mar de notas sobre a Coréia do Norte e a sua postura “agressiva” contra a sua rival do sul da península. Estas considerações midiáticas, invariavelmente, apontavam para o risco de conflito, que seria iniciado, segundo tais fontes, necessariamente pela república nortista.

Pode-se respeitar a tais análises, mas dar-lhes crédito será uma tarefa mais difícil, pois qualquer um que se tenha debruçado sobre assuntos militares, de defesa, saberá que a formação de um arsenal nuclear tem uma função dissuasiva, e que esta é por injunção lógica natural a sua função primária. De fato, até ao advento dos testes de ogivas atômicas pela república norte-coreana, o que se tinha era uma concentração absurda de pesadas peças de artilharia na fronteira, com vista a obliterar os subúrbios de Seul, caso houvesse a abertura das hostilidades.

A razão da Coreia do Norte buscar sofregamente um meio dissuasivo nuclear tem a ver com a necessidade de o regime tem em conservar-se no poder. A nação voltou a exibir taxas de crescimento, e pretende mantê-la via introdução de capital estrangeiro. O que faz o cenário de conflito algo indesejável. Todavia, o que se vê é justamente o cenário não desejado, porém não recusado, dado que o regime norte-coreano é por demais altivo quando se trata de enfrentar a maior potência do planeta. O arsenal nuclear assume, desta maneira, a salvaguarda do regime, no tocante a sua soberania, como um símbolo de conquista tecnológica, e sem distinção acaba por ensejar uma questão afeita ao debate.

O regime colhe agora um momento econômico favorável, quando comparado com as décadas passadas e não busca suicidar-se em um conflito, que não lhe seria favorável hoje. A Coréia do Sul exibe uma pujança militar a qual o regime de Pyongyang demonstra grave dificuldade em acompanhar. A defasagem é notória no campo aéreo, menor no terrestre e naval, mas lá está, é persistente e pior, crescente. Por isso, a troca de acusações, rotineiras, está afeita ao comportamento de salvar a face, que basicamente pode ser entendido pelos ocidentais como a necessidade de dar a última palavra. O arsenal nuclear, portanto, compreendido no esforço de miniaturização das ogivas, bem como pela concepção de um vetor de lançamento submarino, tem como função assegurar a existência do regime, pautar negociações futuras e questionar a desenvoltura do rival sulista por um custo razoável.

O conflito sírio segue em sua brutalidade sem fim

Por: César A. Ferreira

O conflito sírio segue sem perspectiva alguma de chegar ao seu final, em que pese as retomadas de territórios por parte das armas nacionais sírias, que advém, porém, sempre ao custo de perdas, algo sensível em um conflito onde a infantaria é a força primordial, a qual, diga-se, não consegue se recompletar no nível adequado à saúde das formações. Um problema antigo e que apenas faz valer ainda mais a coragem dos contingentes sírios, costumeiramente postos à prova.

É inegável o fato, por muitos já observado, de que a insurgência motivadora do conflito é uma obra de interesses escusos de grandes potências, ocidentais por óbvio, sendo as forças jihadistas apenas os combatentes por procuração. O pudor, no entanto, perdeu-se a muito, tanto que o próprio Wall Street Journal informou a presença ao norte do território sírio de 250 soldados do US ARMY, declaradamente com a função de operacionalizar uma zona de segurança: (…) “will oversee the implementation of a safe-zone in the northern countryside”, em português, implementar uma zona de segurança em uma zona rural ao norte. Resta saber, apenas, que zona de segurança é essa, para quê, ou para quem, em vista do conflito que rasga a Síria… Não seria melhor apoiar o governo laico da Síria, em vista de ser o governo constituído aquele que realmente combate e obtém vitórias contra os jihadistas do Estado Islâmico? A resposta é óbvia e não precisa ser dita, afinal o mundo girou e a Frente Nusra, braço armado da Al-Qaeda no levante, é reconhecida por ser municiada e equipada pela CIA, bem como pela Casa de Saud; o mundo dá voltas, mas nada muda.

A guerra prossegue, todavia. Duas divisões do Exército Árabe da Síria, a 11ª e a 18ª, pressionam os jihadistas no eixo de Al-Bardeh, travando combates iniciados sábado último em Al-Qaryatayn. Outras formações sírias avançam no intuito de capturar as elevações de Baridah, proteção necessária para o avanço em direção aos campos de gás de Arak, bem como a estação de bombeio de gás T3.  Na madrugada do dia 24, na cidade de Aleppo, mais precisamente na parte sul da cidade, no bairro suburbano de Al-Assad, verificou-se provindo das edificações do distrito de Al-Rashiddeen o maior ataque direto já visto em meses, isto se deu exatamente às 03:00. O vigoroso ataque foi repelido com violentas baixas. As formações dos atacantes respondiam pelas bandeiras dos grupos extremistas Frente Al-Nusra, Jaish Al-Mujahideen, Ahrar Al-Sham, ELS-Exército Livre Sírio (ing. Free Syrian Army-FSA), Jabhat Al-Shamiya, e Nouriddeen Al-Zinki. Os extremistas foram “convidados” para uma emboscada ao atacar uma posição aparentemente débil do Exército Árabe da Síria. O ardil foi completado por uma chuva de morteiros na linha de avanço rebelde, que resultou em mais de 100 casualidades. A maioria dos mortos pertenciam ao grupo Nouriddeen Al-Zinki (cerca de 25). Todos estes grupos, segundo a CIA, são formados por muçulmanos honrados, merecedores das melhores armas que o mundo ocidental puder conceber…

Enquanto isso, segue o apoio russo ao governo sírio. A cidade antiga de Palmyra foi declarada livre de minas explosivas, totalmente desminada pelos sapadores russos. É preciso lembrar que a ofensiva em direção à cidade histórica foi efetuada com suporte dos helicópteros de ataque russos, com todos os modelos presentes realizando missões (Mi-24P, Mi-35M, Mi-28N e Ka-52). Não se pode deixar de notar o contraste imenso entre as intervenções norte-americanas e russas. Enquanto os primeiros se contorcem para justificar o apoio dado a extremistas, explicitado no ridículo rótulo de “rebelde moderado”, como se fosse possível a rebeldia compor-se de moderação, os segundos simplesmente apoiam um governo constituído, reconhecido diplomaticamente. E lá estão a convite.

O CARGUEIRO E AS HIDRELÉTRICAS

Por: Mauro Santayana (08 de abril de 2016).

Fonte: Mauro Santayna.com

(Jornal do Brasil) – O céu era “de brigadeiro”.

Mas, para a maior parte da mídia passou em brancas nuvens a apresentação do novo cargueiro militar KC-390 da EMBRAER à Presidente da República, ao Ministro da Defesa, Aldo Rebelo, e ao Ministro da Aeronaútica, Nivaldo Luiz Rossato, após viagem de Gavião Peixoto à Capital Federal, nesta semana, na Base Aérea de Brasília.

E, no entanto, tratava-se apenas da maior aeronave já construída no Brasil, com capacidade de transporte de blindados, de brigadas de paraquedistas, de operar como avião-tanque para reabastecimento aéreo de caças, ou como unidade de salvamento, em um projeto que custou 7 bilhões de reais, em grande parte financiado pelo Governo Federal, que teve também  participação minoritária de outros países, como Portugal, Argentina e a República Tcheca, destinada a substituir, no mercado internacional, nada menos que o Hércules C-130 norte-americano.

A mesma indiferença, para não dizer, desprezo, ou deliberada desinformação, ocorreu com o início do processo de geração da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a terceira maior do mundo, com capacidade de 11.000 megawatts, na semana passada.

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Usina de Jirau quando em construção. Imagem: internet

Ou com a hidrelétrica de Santo Antônio, situada no Rio Madeira, em Rondônia, a quarta maior do país, que colocou em operação sua 39ª turbina geradora há alguns dias.

Como sempre se dá com os grandes projetos erguidos nos últimos 13 anos neste país – e põe obra nisso – escolheu-se dar atenção, prioridade e divulgação preferencial a aspectos negativos, discutíveis e polêmicos como eventuais “estouros” de orçamento, atrasos ou suspeita de corrupção, do que às próprias obras.

Projetos que, depois de prontos, passarão a pertencer, inexoravelmente, ao patrimônio nacional e ao domínio do concreto, da realidade – e que, querendo ou não seus detratores – continuarão, agora e no futuro, beneficiando o país com mais empregos, mais energia, melhora no nível tecnológico de nossa indústria bélica e aeroespacial e da capacidade de defesa da Nação.

Bom mesmo, para essa gente, deve ter sido o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, que, segundo o Banco Mundial, conseguiu encolher o PIB e a renda per capita do Brasil em dólares nos oito anos em que permaneceu à frente do Palácio do Planalto, aumentou a carga tributária em vários pontos percentuais e duplicou a relação dívida líquida-PIB, além de deixar uma dívida de dezenas de bilhões de dólares o FMI, sendo obrigado a racionar energia por falta de investimentos na geração de eletricidade – além de deixar que desaparecessem empresas como a ENGESA, sem forjar um simples parafuso para as forças armadas.

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Usina de Jirau em plena operação. Imagem: internet.

Naquele tempo não se discutia a suspeita de irregularidades na construção de usinas, refinarias, plataformas de petróleo, gigantescos sistemas de irrigação e saneamento, ferrovias, tanques, submarinos – até mesmo atômicos – usinas nucleares, estádios, aviões, mísseis, porque não se fazia quase nada disso em nosso país, e, quando havia encomendas, poucas, eram para o exterior, e não para aqui dentro.

Aludia-se, sim – muito timidamente com relação ao que se faz hoje – à possibilidade da existência de irregularidades na compra da emenda da reeleição no Congresso; e na sabotagem, esquartejamento, destruição, por exemplo, de grandes empresas nacionais, algumas delas centenárias, a maioria estratégicas, para sua entrega, a preço de banana, para estrangeiros, com financiamento farto, subsidiado, do BNDES.

Lembrando George Orwell – em seu inesquecível e cada vez mais atual “1984” – o Ministério da Verdade, ou Miniver, em “novilíngua” – formado pela parte mais seletiva, parcial, ideologicamente  engajada e entreguista da mídia brasileira – pode fazer o que quiser – um diário chegou a trocar a foto de Dilma na cabine do KC-390, por outra, menos “favorável”, em pleno processo de impressão da tiragem do dia seguinte ao fato – que não se conseguirá derrubar  obras como Belo Monte, Telles Pires,  Santo Antônio, ou Jirau, ou o novo trecho da ferrovia norte-sul, que já leva soja de Anápolis ao Porto de  Itaqui, no Maranhão, ou paralisar – com a desculpa de que vão dar ou deram prejuízo (prejuízo contábil, virtual, não interessa, afinal, dinheiro se necessário, como fazem os EUA, se fabrica), como se não bastassem o 1 trilhão e 500 bilhões de reais em reservas internacionais que o Brasil possui – a construção da Transposição do São Francisco ou a expansão da refinaria Abreu e Lima, que já está processando, em sua primeira fase, cerca de 100.000 barris de petróleo  por dia.

As obras e as armas construídas, para o Brasil, como os fuzis de assalto IA-2, ou os radares SABER, ou o Sistema Astros 2020 – até mesmo porque as Forças Armadas não vão permitir que esses programas venham a ser destruídos e sucateados – vão ficar, por mais que muitos queiram que elas desapareçam em pleno ar, em uma nuvem de fumaça ou nunca venham a ser vistos em um livro de história.

Et latrare canes caravanis transit – ouviu, certa vez um romano, em um ponto qualquer da rota da seda, entre as dunas do deserto do Saara.

O calendário da pátria não se mede com o ponteiro fugaz das vaidades humanas.

O que importa para o Brasil é o que fica.

No futuro, o povo saberá datar essas conquistas – separando o joio do trigo – no tempo e nas circunstâncias.

 

 

Deir Ezzoir como novo eixo do avanço legalista

Por: César A. Ferreira

Após a vitória estrondosa na cidade de Palmira, e na localidade de Quraytayn, os olhos do mundo passam a acompanhar a campanha do Exército Árabe da Síria em direção ao sítio de Deir Ezzoir, isto, devido ao fato de ser Deir Ezzoir um alvo óbvio a partir de Palmira, ainda que esteja a uma distância considerável, e o Exército Árabe da Síria a exibir alguns sinais de exaustão após a pesada batalha para a libertação de Palmira.

No tocante à exaustão, uma pausa pode restabelecer o status combativo das unidades, entretanto, o tempo pode vir a ser um fator primordial para os combatentes e civis sitiados em Deir Ezzoir, portanto, uma pausa para reagrupamento deve ser medida com extremo cuidado e tempo justo. O fato é que a luta no vasto deserto sírio mostrou-se desgastante, e a resistência das unidades combatentes do Estado Islâmico, percebeu-se, foi pesada, evidenciando a presença de combatentes experimentados o que acabou por valorizar a vitória legalista. O ambiente, severo, impôs severos desgaste nos equipamentos e rebaixou o status combativo das unidades, a infantaria também sofreu com o escaldante deserto, vindo a sofrer baixas operacionais de monta, boa parte delas não sendo alusivas as operações de combate, mas ao clima extremo, ocasionando uma pressão extra ao sistema logístico e sanitário das unidades legalistas.

Como visto no avanço à Palmira, o avanço em direção de Deir Ezzoir deverá se dar em função da estrada que liga as cidades. E tal como antes, o avanço para conquistar os trechos da autopista e garantir o fluxo logístico exige muito do Exército Árabe da Síria, que vê-se obrigado, como lição de guerra, a estender o corredor de proteção deserto adentro e a ocupar qualquer elevação que por ventura exista no campo de visão. As onipresentes viaturas pick up, com metralhadoras pesadas ou canhões de tiro rápido geminados de 23mm não são uma escolha casual, constituem-se na parte integrante da estratégia de interdição de vias de suprimentos por parte do Estado Islâmico, visto que permitem reides, ações rápidas de destruição e evasão acelerada. Foi por se mostrar antes incapaz de defender as estradas, artérias logísticas indispensáveis, que as forças legalistas acabaram por recuar e abandonar Palmira e Raqqa, e ver-se cercadas em Aleppo e Deir Ezzoir. O abandono das posições no deserto profundo deu-se em razão da opção lógica de defender Damasco e as províncias costeiras, onde se encontram 80% da população síria.

O exemplo maior das dificuldades de manter segura uma autoestrada foi o combate realizado em torno da estrada de Khanasser, onde o avanço foi obstado por contra-ataques do Estado Islâmico que além de cobrarem pesado tributo em baixas, evitou as operações que visavam o cerco das suas unidades combatentes ao permitir a fuga e posterior reagrupamento. A luta em um eixo logístico não oferece ao atacante muitas opções táticas, visto que a estrada por si já é o indicativo óbvio do eixo de ataque.

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Helicópteros de ataque Ka-52 em ação no deserto sírio. Imagem: internet

Estas dificuldades, no entanto, são superadas com o vasto apoio aéreo, não só efetuado pela Força Aérea Árabe da Síria, como pelos helicópteros de ataque, notadamente russos, caso dos novos Mi-28N e Ka-52, que estrearam a pouco no conflito sírio varrendo posições dos extremistas no eixo de Palmira.

O combate em um eixo óbvio de ataque pode parecer inglório, mas o ambiente é inóspito para ambos contendores e se avanço há, isto se dá pela existência de alvos identificados. O Estado Islâmico não pode se furtar a defender os povoados e localidades por ele ocupados pois deles defende o fundamento do seu poder, que é o domínio territorial, razão última para a autodenominação de “Estado”. Ademais, depende em demasia da comercialização do petróleo produzido na província de Raqqa, razão pela qual mantém nas localidades de Tabaqa e Sukhanah grandes formações de combatentes. Tabaqa e Sukhanah são obstáculos consideráveis no eixo de Deir Ezzoir e por isto se tornaram alvos óbvios. O uso de artilharia, de ogivas termobáricas dos foguetes de saturação de área além do apoio aéreo aproximado se farão presentes quando chegar a hora.