A geopolítica da Rússia e as relações com o Egito

Fonte: Southfront

Autores:  J.Hawk, Daniel Deiss, Edwin Watson

Tradução adaptação: César A. Ferreira

As relações em rápido desenvolvimento entre a Rússia e o Egito foram ofuscadas por aquelas mais chamativas entre a Rússia e a Síria, bem como aquelas entre a Rússia e o Irã. No entanto, a relação Rússia-Egito merece um exame minucioso, posto que, ao contrário de relações do país (Rússia) com os outros dois poderes do Oriente Médio (Síria e Irã), trata-se de um país (Egito) que até então parecia estar definitivamente na órbita ocidental. A mudança abrupta de seu vetor geopolítico em direção a Eurásia representa, portanto, uma enorme mudança para a região, maior que o apoio bem sucedido da Rússia ao governo sírio legítimo,  ou a estreita relação com a República Islâmica do Irã, ambos os quais reiterados figurantes da  “lista de inimigos do Ocidente ” por décadas. As razões para esta mudança são duas, e tem a ver com a forma como as potências ocidentais interagem com as potências do Oriente Médio, em um contexto de crise econômica sistêmica, além da maneira como a Rússia demonstra a sua atratividade como um aliado.

A crise sistêmica do Ocidente claramente transformou o modo como as potências ocidentais visualizam aquelas não-ocidentais. Dado o fato de que o “fim da história”, como retórica globalizante sugeria uma utopia pós-soberania em que os poderes fracos e fortes interagiriam em condições de igualdade em um mundo sem fronteiras, observou-se na prática, que esta retórica era um ardil para convencer potências não ocidentais baixar a guarda e permitirem-se penetrar por empresas ocidentais e instituições financeiras,  indo a perder qualquer possibilidade de traçar o seu próprio curso independente. Infelizmente, do ponto de vista ocidental, a assimilação dos  “mercados emergentes” ainda é a pedra angular da política econômica, o único programa de crescimento econômico. Considerando que, durante a década de 1990 essa assimilação tomou forma de maneira relativamente benigna; 9/11 entretanto,  teve o efeito de permitir que inicialmente os EUA viessem a adotar uma postura muito mais agressiva, a ponto de realizar  invasões militares ostensivas. Enquanto isso a EU (União Europeia), inicialmente, não seguia o exemplo, mas, a gravidade dos próprios problemas internos da UE levaram-na a saltar no movimento de “mudança de regime”, como se verifica no caso da Líbia, da Síria e da Ucrânia.

O Egito, aliado ocidental de longa data, desde o final da década de 1970, inesperadamente encontrou-se no fim da fila das predatórias políticas ocidentais que assumiram a forma da “revolução colorida” da Praça Tahrir , movimento este que levou à vitória eleitoral a Irmandade Muçulmana, que por sua por sua vez, caiu frente a um golpe militar,  na medida em que o perigo de haver a queda do país em uma guerra civil tornou-se por demais aparente. O fato de que Irmandade Muçulmana foi financiada pelos EUA e os estados aliados do Golfo Pérsico, fez o Egito ciente de que também foi alvo de jihadismo patrocinada pelo Estado, e que os EUA eram incapazes,  ou não queriam forçar os seus aliados na região para que se abstivessem de atacar o Egito. Enquanto a Síria é apenas uma preocupação periférica para o Egito, a guerra civil na Líbia, onde as formações islamitas, incluindo ISIS desfrutam de apoio árabe do Golfo, representam uma ameaça imediata para o Egito por várias razões:  o país pode ser usado como uma plataforma para lançar ataques ao Egito, tornar-se um santuário contra retaliação e, a longo prazo, ter o seu governo tornando-se uma marionete controlada pelas potências do Golfo, insidiosamente hostis, cujo objetivo a longo prazo é o controle do Egito e do canal de Suez , isto significa que o Cairo se faz muito interessado em influenciar o resultado desta guerra.

Rússia desta forma mostrou-se, assim, como um parceiro atraente por causa de sua história de não-envolvimento na política interna das nações vizinhas (com uma falha, dado que a restrição unilateral levou à revolução da Praça Maidan, na Ucrânia), porque ela (Rússia) pode preencher o vazio de segurança deixada pela fraqueza ocidental, e, por último mas não menos importante, porque pode defender fisicamente integridade política e territorial do Egito contra todas as ameaças possíveis, uma habilidade que está atualmente sendo demonstrada na Síria. Egito parece estar aproveitando estas capacidades. A cooperação inclui agora a possibilidade de se estabelecer uma base aérea russa no Egito, visitas de paraquedistas russos ao Egito, e tropas de operações especiais que ministram formação aos seus homólogos egípcios. O Egito também está mudando os seus planos de aquisições militares em relação à Rússia. Os dois navios da classe Mistral que foram adquiridos pelo Egito receberão a suíte eletrônica russa originalmente planejada e irão levar os helicópteros russos (Ka-52); há discussões de vendas caça MiG para o Egito, e o país recebeu um barco lança mísseis da classe Molniya.

Do ponto de vista da Rússia o Egito representa ainda uma outra barreira de segurança contra a invasão ocidental, uma resposta simétrica para a expansão da OTAN, “Parceria Oriental”, e revoluções coloridas. Combinado com a presença militar na Síria, orientação pró-russa geral de Chipre, e a neutralização da Turquia, que também foi facilitada por uma abortada tentativa de golpe pró – ocidente, a adoção de bases egípcias acabaria por transformar o Mediterrâneo Oriental em um “lago russo.” Por último, mas não menos importante, estas bases e alianças poderiam servir como uma plataforma de lançamento para a projeção de poder em outras áreas instáveis do Oriente Médio e, se o controle do Canal de Suez por conta do Egito se faz garantido por armas russas, esta garantia dota ambos os países com um meio muito eficaz de pressionar Ocidental e as monarquias árabes do golfo.

 

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O Iêmen e o “Game Of Thrones” da Arábia

Fonte: Katehon – 23.08.2016 –  Arábia Saudita

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

A Arábia Saudita sofre, no momento,  uma derrota esmagadora no Iêmen. O conflito parece ser apenas pouco promissor para eles. Os Houthis e as tropas leais ao ex-presidente Saleh seguram firmemente o Iêmen do Norte e estão a conduzir operações militares na província de Najran em pleno território saudita. O Iêmen do Sul está ocupado e controlado por um entrelaçar de tropas da coligação Arábia Saudita/EAU, Península Árabe al-Qaeda, ISIS, e separatistas do sul do Iêmen. Recentemente, representantes do movimento Houthi anunciaram a criação de um governo que irá incluir membros do seu próprio partido “Ansar Allah”, o partido “Congresso Geral do Povo” do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, bem como membros de outros partidos e organizações. Ao mesmo tempo, tentativas similares por parte dos sauditas para criar algum tipo de governo interino em Aden foram completamente fracassadas. O presidente Hadi, apoiado pelos sauditas e seus aliados, e seu governo são baseadas em Riyadh (Riad). Em Najran, na região de fronteira com o Iêmen, tribos locais árabes lançaram uma rebelião contra as autoridades oficiais da Arábia Saudita.

Recordemos que 2015 foi marcado pela invasão em larga escala da coalizão Árabe liderada pelo sauditas no Iêmen. Além dos sauditas, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Jordânia, Kuwait e Paquistão têm participado nesta guerra contra o Iêmen. Este último se juntou apenas formalmente a coalizão, mas não tem envolvimento real no conflito. O principal impacto da guerra é suportado pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também foi derrotada na Síria. Ela não conseguiu derrubar Bashar Al – Assad e desde a reorientação da Turquia em relação à Rússia e o Irã, a posição da Arábia Saudita tornou-se mais precária. O chamado grupo de oposição sírio em Riyadh foi em grande parte controlado pelos turcos. A alavancagem dos sauditas sobre o processo da Síria em Riyadh está ficando menor. A realização de duas campanhas militares de uma só vez – a guerra aberta no Iêmen e a guerra por procuração na Síria –  está cada vez mais difícil. Este é o entendimento por aliados próximos dos sauditas, caso dos Estados Unidos. Assim, os EUA reconhecem a futilidade da campanha militar no Iêmen, como foi noticiado que os Estados Unidos devem retirar o seu grupo de planejamento do país que forneceu a  inteligência necessária para os sauditas. O grupo agora tem sido baseado no Bahrein.

A intervenção no Iêmen e a guerra na Síria são largamente projetos de uma disputa (pelo menos algumas fontes estão tentando apresentá-las desta forma). Deve ser entendido que a Arábia Unido enfrenta agora uma luta feroz entre suas elites. O rei reinante Salman está gravemente doente. Após a sua morte, deverá ser passado o poder para os membros da segunda geração da dinastia saudita. É mais provável que o príncipe Mohammed ibn Salman (Ministro da Defesa) e príncipe Mohammed Ibn Nayef Al Saud deverão confrontar-se em uma luta pelo poder no futuro próximo.

Mohammed Ibn Nayef é conhecido como sendo aquele mais influente dentre os membros mais intimamente ligados aos EUA na elite saudita. A aventura síria é considerada um projeto pelo seu grupo que coordena estreitamente as suas atividades com os Estados Unidos. Em sua juventude, Ibn Naif estudou nos EUA e até mesmo treinos em cursos especiais da FBR.. De acordo com as memórias de ex-funcionários da CIA, o príncipe sempre foi leal para com  os EUA e ativamente cooperou com as agências de inteligência dos EUA . Os EUA percebem-no como o candidato mais desejável para o trono saudita, embora estejam preocupados com a sua saúde.

Por sua vez, Mohammed ibn Salman, que tem apenas 31 anos de idade, é bastante ambicioso e procura a todo o custo a assumir o trono de seu pai. Alguns analistas ainda preveem um golpe suave após a morte do rei Salman dado que o seu filho é o segundo na linha de sucessão ao trono após seu tio Muhammad ibn Naif. Para os EUA, ele é um jogador muito novo. A guerra no Iêmen foi uma iniciativa deste Salman. Com a ajuda de uma guerra vitoriosa, ele procura aumentar seu próprio prestígio e status, mas calculou mal.

Assim, existem dois grupos opostos na Arábia Saudita: uma é completamente pró-americana; o outro é bastante agressivo e expansionista, mas sem apoio suficiente por parte dos Estados Unidos, cujo projeto e iniciativa política externa deverá falhar primeiramente na determinada vontade quem ganhar este presente árabe “Game of Thrones”.

Mohammed ibn Salman visitou periodicamente Rússia, aparentemente em busca de apoio do lado russo. Recentemente, o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, o  Vice – Ministro russo das Relações Exteriores Mikhail Bogdanov, reuniu-se com ele. Estes contatos acabam por explicar a crescente importância da Rússia no Oriente Médio tendo como pano de fundo a operação bem sucedida e consistente na Síria. A Rússia também é aguardada no Iêmen. O ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh afirmou ontem que a Rússia está pronta para guarnecer portos e bases oferecidos para o estacionamento de soldados russos. Controlar o Iêmen significa ter controle sobre a mais importante artéria de transporte: o caminho do Oceano Índico e do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho e Mediterrâneo.

A Rússia não está, naturalmente, interessada em uma vitória da Arábia Saudita no Iêmen. E isso é impossível. No entanto, existe a possibilidade de que a Rússia venha a poder ajudar a coalizão  da Arábia Saudita a alcançar uma “derrota honrosa”, iniciar o processo de paz, e, assim, permitir que Muhammad ibn Salman venha a sair da sua aventura no Iêmen com uma perda mínima de face (prestígio pessoal). Por outro lado, as ações da Rússia na Síria podem minar a posição daqueles que se opõem a ele. Enquanto isso, o Iêmen ver-se-á livre da influência e da ocupação das forças sauditas.

 

Exxon em Angola: a moral relativa da geopolítica do petróleo

Por:  André Araújo

Fonte: Jornal GGN

A Exxon celebrou um grande acordo com a Sonangol, a estatal angolana do petróleo, para exploração das reservas em águas profundas do litoral angolano. Enquanto a Petrobras está sendo processada pelo Departamento de Justiça dos EUA por casos de corrupção no Brasil, o mesmo Departamento não vê nada demais na empresa americana, símbolo da era do petróleo, se associar com uma estatal que em termos de corrupção conhecida tem poucos competidores no mundo.

Onde está o “compliance” da Exxon? Com a Sonangol não tem problema em assinar contratos? O Departamento de Justiça não vê nada demais? Acho que não, a Sonangol nunca foi investigada ou processada nos EUA. A lógica das leis americanas é bem flexível, o interesse dos EUA em primeiro lugar. Que coisa!

A Presidente do Conselho da Sonangol, Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, há 37 anos no poder, está numa revista americana, a Forbes, como a mulher mais rica da África. De onde vem sua fortuna?

A imprensa econômica da Europa relata um desaparecimento de 32 a 50 bilhões de dólares dos cofres da Sonangol.

(http://www.portugaldigital.com.br/economia/ver/20103540-presidente-da-so…).

 O caso não tem paralelo no planeta em termos de valor. Enquanto Angola se torna uma das potencias médias do petróleo mundial, toda sua produção é girada por petrolíferas americanas, a Petrobras tentou entrar em Angola e foi rechaçada.

Enquanto isso as condições de vida da população são péssimas, falta saneamento básico em Luanda, no interior nem se fala, falta tudo, enquanto Ministros do MPLA são bilionários, um deles, bem conhecido, tem apartamento na Av. Vieira Souto, no Rio.

Uma companhia com esse currículo é bem vinda ao se associar a Exxon, enquanto em Washington uma pesada artilharia legal criminaliza a Petrobras. É verdade que com apoio que vem do Brasil, numa acusação ilógica, a Petrobras é vitima e não autora e os atos ocorreram fora da jurisdição da lei americana. Se aos americanos a corrupção faz arrepiar e eles se propõem a ter jurisdição mundial para combatê-la, como se explica que fechem os olhos para o que acontece em Angola?

Atrevo-me a uma explicação: todo petróleo de Angola exportado, quase 2 milhões de barris/dia, mais que a Venezuela, vai para os EUA, um fornecedor importante e confiável. Então vamos deixar o moralismo para os brasileiros, antigo e tradicional aliado dos EUA, vamos processar e impor pesadas multas a nossos amigos, puni-los com apoio de brasileiros puros, prejudicando esse Pais que lutou a nosso lado na Segunda Guerra e que fornece mais que qualquer outro tropas para nossas missões de paz pelo mundo.

Pode-se alegar que a Exxon Mobil é uma empresa privada que faz os contratos que quiser. Negativo. Todas as atividades de empresas petrolíferas dos EUA pelo mundo são monitoradas pelo Departamento de Energia e nenhuma empresa assina contratos no exterior sem o visto do DE e do Departamento de Estado.

http://corporate.exxonmobil.com/en/company/worldwide-operations/locations/angola

Enquanto isso os EUA viram parceiros de cama, mesa e banho de um regime outrora marxista-terrorista e guerrilheiro contra o qual lutaram através da UNITA financiada pela CIA. Outrora visceralmente anti-americano, apoiado pela URSS e aparelhado por 25.000 soldados cubanos, o Movimento Popular de Libertação de Angola,  continua sendo o partido oficial que governa Angola. Hoje é íntimo parceiro e sócio dos EUA, que ironia da História. Dos tempos da aliança com a URSS ficou para Jose Eduardo dos Santos uma bonita lembrança, Isabel dos Santos, sua filha e de sua primeira esposa russa, atual Presidente do Conselho da SONANGOL.

A Guerra Fria produziu bons frutos hoje cotados em dólar.

 

A Rússia desafia os EUA na Síria

Autor: Yusuf Fernandez

Tradução: César A. Ferreira

Fonte: Al Manar

O envio do sistema S-300VM (SA-23 Gladiator terminologia da OTAN) para a  Síria, provocou a ira dos Estados Unidos  que expressou alarme a uma medida deste tipo apesar do fato de que a mídia dos EUA haver afirmado pouco antes, que  Washington estava considerando “as opções militares “contra a Rússia no tocante à crise síria. A última ameaça levou a Rússia a tomar as suas próprias medidas, incluindo a implantação do sistema acima, capaz de abater aeronaves e mísseis de cruzeiro, e reforçar a sua frota no Mediterrâneo.

A Rússia indicou, entretanto, que a S-300VM é um sistema defensivo e disse não entender por que os EUA estão a  expressar tais alarmes.

Os EUA têm-se queixado sobre os ataques russos na Síria contra a Frente  Al-Nusra e outros grupos terroristas e clamando pela imobilização das aeronaves da Rússia e Síria, de uma maneira que evidencia ainda  mais o seu apoio ao terrorismo. A implantação do S-300 VM é irrelevante contra a Frente Al-Nusra, que não tem poder aéreo, mas é uma parede contra possíveis ataques dos Estados Unidos ou os seus aliados contra a Síria.

Na verdade a ameaça contra a Rússia e a Síria é real. Os EUA afirmaram que não irão mais  realizar esforços diplomáticos na Síria, enquanto culpam a Rússia pelo seu próprio fracasso em respeitar os compromissos assumidos no conflito sírio. Ao que tudo indica, nunca tiveram real intenção em respeitar…

A próxima reunião do Conselho de Administração, que inclui os secretários de Estado e de Defesa, o chefe do Estado-Maior Conjunto, bem como o diretor da CIA, deverá examinar várias políticas de ação midiática e militar na Síria. Uma das proposta sobre a mesa é atacar as pistas dos aeroportos militares sírios com mísseis de cruzeiro e outras armas disparados de aeronaves de longo alcance e de navios, além de outras ações militares.

Seria, portanto, uma agressão militar aberta contra outro país sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Portanto, um oficial militar dos EUA, citado pelo Washington Post, disse que os ataques seriam realizados “dissimuladamente ou sem reconhecimento público.”

Na verdade, apenas os EUA, frente aos seus aliados ocidentais deitam a falar de “opções militares”, já que parece difícil pensar que os aliados europeus aceitem o risco de uma guerra com a Rússia para proteger a Frente Al-Nusra, uma organização ligada à Al Qaeda.

O reforço da frota mediterrânica e o envio do sistema  S-300 VM sugerem, fortemente,  que a Rússia está ciente de tais planos agressivos dos EUA e que decidiu portar-se altivamente na Síria. Em contraste, a reação histérica de Washington sugere que eles estão a perder uma posição militar estratégica, daí  correr o risco de um ataque deste tipo num momento em que a Rússia aumentou as suas defesas na Síria.

A política dos EUA na Síria representa uma ameaça para a própria Rússia e faz parte das tentativas de Washington para circundar este país. Uma bem sucedida operação de mudança de regime na Síria seria em seguida constituída de uma  intervenção dos EUA na Rússia, na forma do envio de terroristas financiados pela CIA para as repúblicas russas do Cáucaso para alimentar um movimentos separatistas latentes por lá. Um regime fantoche em Damasco ajudaria a canalizar tais forças, treinadas no campo de batalha da Síria, para dentro do solo da Rússia,  realizando uma campanha para desestabilizar e, finalmente, desmembrar a Federação Russa.

Nota do Editor: O sistema S-300VM (Antey 2500) possui como alvos primários misseis de cruzeiro, bem como os mísseis balísticos táticos de curto e médio alcance. De forma subsidiária pode ser utilizado para neutralizar aeronaves e outras ameaças aéreas. O seu alcance é de 200 km e caso a informação de que seria postado em Tartus, ou seja, junto a costa, isto significa que as formações de combatentes em Deir Ez Zoir e Aleppo não contariam com a proteção deste referido sistema, algo que já acontecia com sistema S-400 postado em Latakia.

A capacidade do sistema é a de vetorar até 24 alvos, sendo 4 por unidade de vetoramento por vez. Isto significa que a bateria, isolada, pode vir a ser saturada, não é por outro motivo que o conceito russo de Defesa Antiaérea prevê uma distribuição em camadas, ou seja, com proteção convergente de cada sistema por sobre o outro. Espera-se, portanto, que o sistema S-300VM tenha o seu complemento como segurança crítica na forma de uma bateira do sistemas Pantsyr S-1.

 

Washington tenta quebrar os BRICS: começa o estupro do Brasil

Autor: F. William Engdahl

Fonte: NEO – New Eastern Outlook

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

(…) Um dia depois que a Câmara de Deputados aprovou o impeachment da presidenta eleita do Brasil, em abril, um alto membro do partido PSDB, aliado do PMDB de Temer, senador Aloysio Nunes, viajou a Washington, em missão organizada pela empresa de lobby da ex-secretária de Estado Madeline Albright, o Albright Stonebridge Group. Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil, várias vezes pregou que o Brasil se aproximasse mais, outra vez, de uma aliança com EUA e Reino Unido.

Madeline Albright, diretora de um dos principais think-tanks nos EUA, o Council on Foreign Relations, também é presidenta da mais ativa ONG a serviço do governo dos EUA, especializada em promover “revoluções coloridas”, o National Democratic Institute (NDI). Interessante, não? Nunes foi a Washington para conjurar apoio para Temer e para os atores principais do golpe que já estava em curso para derrubar a presidenta Rousseff.

O ator chave a serviço de Washington, e o efetivo carrasco político de Rousseff foi, mais uma vez, o vice-presidente Joe Biden, o “Dick Cheney”, operador-sujo-em-chefe, no governo Obama.

Fatídica visita de Biden ao Brasil

Em maio, 2013, o vice-presidente dos EUA Joe Biden fez uma fatídica visita ao Brasil, para reunir-se com a presidenta Rousseff. Em janeiro de 2011, Rousseff substituíra seu mentor do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula, que completara o segundo mandato consecutivo que a Constituição lhe permitia. Biden foi ao Brasil, para discutir petróleo com a nova presidenta. As relações entre Lula e Washington haviam gelado quando Lula apoiou o Irã contra sanções dos EUA e aproximou-se mais, economicamente, da China.

No final de 2007,  a Petrobrás havia descoberto o que se estimava que fosse uma reserva monstro de petróleo de alta qualidade na plataforma continental do Brasil, na Bacia de Santos. No total, a plataforma continental territorial do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, o que transforma o país na maior potência mundial de petróleo e gás. Imediatamente Exxon & Chevron, as gigantes norte-americanas do petróleo, puseram-se em campo para conquistar o controle daquela riqueza recém descoberta.

Em 2009, segundo telegramas diplomáticos dos EUA publicados por Wikileaks, o Consulado dos EUA no Rio de Janeiro escreveu que Exxon e Chevron estavam tentando, sem sucesso, alterar uma lei encaminhada ao Congresso pelo mentor e predecessor da presidenta Rousseff, o presidente Lula. Essa lei de 2009 tornava a empresa estatal Petrobrás a principal operadora de todos os blocos do petróleo do pré-sal no Brasil. Washington e as gigantes norte-americanas do petróleo absolutamente não gostaram de perder o controle sobre o que parece ser a maior nova reserva de petróleo descoberta em décadas.

Lula não só tirou ExxonMobil e Chevron da posição de controladoras, em favor da estatal Petrobrás; ele também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses, desde 2009 principais parceiros, dentro do grupo BRICS, de Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Em dezembro de 2010, num de seus últimos atos como presidente, Lula supervisionou a assinatura de um contrato entre a empresa de petróleo Repsol, espanhola-brasileira, e a estatal chinesa Sinopec. Sinopec formou uma joint venture, Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de $7,1 bilhões na Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado a formação da empresa Sinopec International Petroleum Service of Brasil Ltd., parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil.

Em 2012, em perfuração de exploração conjunta, as empresas Repsol Sinopec Brasil, Norway’s Statoil e Petrobrás fizeram outra grande descoberta, no poço batizado “Pão de Açúcar”, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui os poços de Seat e Gávea, esse uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. Nenhuma das majors norte-americanas e britânicas do petróleo aparecia nesse cenário.

A missão de Biden era sondar a presidenta que sucederia Lula, Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de ela reverter a exclusão das grandes do petróleo dos EUA em favor da Chinesa. Biden também se reuniu com as principais empresas de energia do país, inclusive a Petrobrás.

A notícia praticamente não apareceu na mídia-empresa brasileira, mas Rousseff recusou-se a reverter a lei do petróleo de 2009 e a convertê-la em qualquer coisa que agradasse a Biden, a Washington e às majors do petróleo dos EUA. Dias depois da visita de Biden surgiram as revelações feitas por Edward Snowden de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA também espionara Rousseff e altos funcionários da Petrobrás. A presidenta Rousseff denunciou a operação em sua fala na Assembleia Geral da ONU, por violação da lei internacional. E, em protesto, cancelou uma viagem marcada para Washington. Depois disso, as relações EUA-Brasil naufragaram de vez.

Ao final dessa visita, em maio de 2013, Biden claramente deu à presidenta do Brasil o beijo da morte: o destino dela estava selado.

Antes da vinda de Biden em maio de 2013, a presidenta Rousseff gozava do apoio de 70% da população brasileira. Menos de duas semanas depois que Biden deixou o Brasil, começaram os protestos de rua, ‘animados’ por um grupo conhecido como Movimento Passe Livre, que protestava contra aumento nominal de 10 centavos no preço do passe de ônibus, que acabaram por fazer o país parar quase completamente e, a partir de certo ponto tornaram-se muito violentos. Os protestos tinham todas as características da típica “Revolução Colorida” ou da desestabilização social acionada por mídias sociais como Twitter ou Facebook que parecem seguir Biden pelo mundo, onde quer que apareça. Em poucas semanas, o apoio da população ao governo Dilma despencou para 30%.

Washington claramente enviara um sinal de que ou Rousseff mudava de rota, ou enfrentaria problemas graves. A máquina de mudança de regime de Washington – com todas as suas armas de guerra financeira, desde o vazamento de auditorias realizadas na Petrobrás, até a ação da agência de Wall Street, de avaliação de créditos, Standard & Poors, que degradou a dívida pública do Brasil ao nível de papel podre, em setembro de 2015 – entrou em ação a pleno vapor para derrubar Rousseff, apoiadora chave do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e de uma estratégia de desenvolvimento nacional independente para o Brasil.

Vender as joias da Coroa

O homem que chegaria à presidência do Brasil, num perfeito arremedo de ‘legalidade’, corrupto condenado e então vice-presidente, Michel Temer, serviu em tempo integral como informante da embaixada dos EUA em Brasília. Em documentos distribuídos por Wikileaks, revelou-se que Temer já servira como informante da inteligência dos EUA desde, pelo menos, 2006, por telegramas que a Embaixada dos EUA no Brasil classificou como “sensíveis” e “para exclusivo uso oficial”.

Homem de Washington no Brasil, Temer não perdeu tempo para iniciar as reverências aos seus patrões em Wall Street. Ainda como presidente interino em maio, Temer nomeou Henrique Meirelles para o cargo de ministro das Finanças e da Seguridade Social. Meirelles, formado em Harvard [de fato, participou de um treinamento de Advanced Management Program (AMP) da Harvard Business School que prepara altos executivos de bancos (NTs)] e ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi presidente do BankBoston nos EUA até 1999, e ainda trabalhava no banco em 1985, quando o banco foi multado por não reportar transferência ilegal de $1,2 bilhão em dinheiro, para bancos suíços.

Meirelles está agora na função de supervisor da liquidação planejada das “joias da Coroa” do Brasil a investidores estrangeiros, movimento que visa a minar qualquer poder que o estado brasileiro tenha na economia. Outro dos conselheiros econômicos chaves de Temer é Paulo Leme, ex-economista do FMI e hoje Diretor de Gestão de Pesquisa de Goldman Sachs. Wall Street está ativamente integrada ao processo de estupro econômico do Brasil ‘liderado’ por Temer.

Dia 13 de setembro, o governo Temer divulgou um programa massivo de privatizações, com um comentário cínico e enganador do próprio Temer: “É claro que o setor público não poderá fazer avançar esses projetos sozinho. Contamos com o setor privado.” Não explicou que por “setor privado” referia-se aos seus próprios patrões.

Temer revelou planos para consumar a maior privatização no país, em décadas. Convenientemente, a privatagem está planejada para estar concluída no final de 2018, pouco antes do fim do mandato de Temer. O influente US-Brasil Business Council detalhou a lista das empresas a serem privatizadas, em sua página na Internet (“Economia do Brasil depois do Impeachment”, ing.). Esse US-Brasil Business Council foi fundado há 40 anos por Citigroup, Monsanto, Coca-Cola, Dow Chemicals e outras multinacionais norte-americanas.

As licitações para a primeira rodada de privatizações serão lançadas antes do final do ano. Incluirão quatro aeroportos e dois terminais portuários, todos a serem leiloados no primeiro trimestre de 2017. Outras concessões incluem cinco rodovias, uma ferrovia, vários pequenos blocos de petróleo e uma rodada final de leilões, adiante, para os grandes blocos de petróleo a serem desenvolvidos, a maioria de reservas submarinas. O governo também selecionará reservas atualmente controladas pelo Departamento de Pesquisas Minerais do Brasil, mais seis distribuidoras de energia e três instalações para tratamento de água.

O coração dessa privatização planejada está – nada surpreendentemente –, nas empresas que Joe Biden cobiça, de petróleo e gás, além de fatias da empresa brasileira de energia, Eletrobrás. Temer planeja obter $24 bilhões nessa liquidação de patrimônio público. 11 bilhões devem sair da venda das empresas estatais chaves de petróleo e gás.

Claro que, quando patrimônio estatal dessa magnitude é liquidado e entregue a interesses estrangeiros, no que é uma muito evidente venda ‘combinada’, trata-se de negócio de soma zero: um lado ganha tudo, o outro perde tudo. Projetos de petróleo, gás e energia elétrica geram fluxos continuados de renda muito superiores a quaisquer ganhos que se possam auferir da venda em processo de privatização. O lado que perde necessariamente tudo e sempre, nesses negócios de privatização, é a economia do Brasil: os bancos de Wall Street e as multinacionais ganham tudo, conforme o planejado, em todos os casos.

Dias 19-21 de setembro, segundo o website do US-Brasil Business Council, os ministros chaves para a infraestrutura, do atual governo do Brasil, dentre os quais o ministro da infraestrutura, Moreira Franco; Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia; e Mauricio Quintella Lessa, de Transportes, Portos e Aviação Civil, estariam [estiveram] em New York City para reunião com “investidores em infraestrutura” de Wall Street.

É o modus operandi de Washington, exatamente como operam os Deuses do Mercado em Wall Street, título de um dos meus livros. Primeiro, destroem qualquer projeto de genuíno desenvolvimento nacional concebido por lideranças nacionais, como Dilma Rousseff. Na sequência, põe no lugar dele um regime subalterno disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive liquidar as joias da Coroa do próprio país, gente que faça como Anatoli Chubais na Rússia nos anos 1990, durante a “terapia de choque” de Boris Yeltsin. Como paga pelo que fez, Chubais tem lugar assegurado hoje no Conselho de Administração do banco JP MorganChase. Ainda não se sabe o que Temer e sócios obterão em troca do empenho que têm demonstrando na liquidação do patrimônio brasileiro.

Por enquanto, Washington conseguiu quebrar um dos países BRICS que realmente ameaçava a hegemonia global das empresas norte-americanas. Se a história recente ensina alguma coisa, não obterá sucesso duradouro.

 

HSV-2 dos EAU é colocado à pique pelo Ansarullah

Belonave produzida na Austrália pelos estaleiro Incat e que já foi operada pela USNAVY, encontrou o seu fim na costa do Yemen.

Por: César A. Ferreira

No dia 30 de setembro último, as forças de defesa do Yemen obtiveram um sucesso estrondoso: o afundamento espetacular do vaso de alta velocidade, em inglês High Speed Vessel, HSV-2, navio de apoio logístico da Marinha dos Emirados Árabes Unidos.

A belonave em questão operava em apoio as operações de combate na região costeira adjacente à cidade portuária de Mokha, onde intensos combates são travados, sabe-se, ao menos, da presença de 22 fuzileiros dos EAU, dado que este número foi contabilizado como de baixas em combate. Em imediato houve um comunicado emitido pelas forças conjuntas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita negando o ocorrido, que foi seguido, após as evidências em imagens incontestáveis da vitória iemenita, de que a belonave em questão encontrava-se em “missão humanitária”, isto, conforme visto, em uma área costeira onde se travam combates intensos…

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Colagem de frames do vídeo disponibilizado na internet. Fonte: Al-Masdar News.

O vetor para o ataque realizado contra o vaso logístico não foi anunciado, todavia, acredita-se que tenha sido um míssil anti-navio C-802, de fabricação chinesa, ou a sua versão produzida no Irã, o “míssil “Noor”. Portanto, o ataque evidencia a capacidade de emprego de vetores com alto grau de tecnologia agregada. Não foi veiculado de qual plataforma partiu o vetor, se de uma bateria costeira, ou de uma embarcação rápida.

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Míssil iraniano Noor, versão iraniana do afamado C-802 sino, disparado de uma bateria de artilharia de costa. Imagem: internet.

A embarcação destruída pelos combatentes da milícia Ansarullah era um catamarã, capaz de navegar a 45 nós em emergência e de perfazer um cruzeiro a 30 nós. Suas dimensões eram de 98 metros de comprimento, 27 metros de largura e um calado de apenas 3,50 metros. A tripulação usual era a de 35 oficiais e marinheiros, e sua capacidade de transporte era a de mais de 100 fuzileiros armados e seus complementos.