Deir Ezzoir como novo eixo do avanço legalista

Por: César A. Ferreira

Após a vitória estrondosa na cidade de Palmira, e na localidade de Quraytayn, os olhos do mundo passam a acompanhar a campanha do Exército Árabe da Síria em direção ao sítio de Deir Ezzoir, isto, devido ao fato de ser Deir Ezzoir um alvo óbvio a partir de Palmira, ainda que esteja a uma distância considerável, e o Exército Árabe da Síria a exibir alguns sinais de exaustão após a pesada batalha para a libertação de Palmira.

No tocante à exaustão, uma pausa pode restabelecer o status combativo das unidades, entretanto, o tempo pode vir a ser um fator primordial para os combatentes e civis sitiados em Deir Ezzoir, portanto, uma pausa para reagrupamento deve ser medida com extremo cuidado e tempo justo. O fato é que a luta no vasto deserto sírio mostrou-se desgastante, e a resistência das unidades combatentes do Estado Islâmico, percebeu-se, foi pesada, evidenciando a presença de combatentes experimentados o que acabou por valorizar a vitória legalista. O ambiente, severo, impôs severos desgaste nos equipamentos e rebaixou o status combativo das unidades, a infantaria também sofreu com o escaldante deserto, vindo a sofrer baixas operacionais de monta, boa parte delas não sendo alusivas as operações de combate, mas ao clima extremo, ocasionando uma pressão extra ao sistema logístico e sanitário das unidades legalistas.

Como visto no avanço à Palmira, o avanço em direção de Deir Ezzoir deverá se dar em função da estrada que liga as cidades. E tal como antes, o avanço para conquistar os trechos da autopista e garantir o fluxo logístico exige muito do Exército Árabe da Síria, que vê-se obrigado, como lição de guerra, a estender o corredor de proteção deserto adentro e a ocupar qualquer elevação que por ventura exista no campo de visão. As onipresentes viaturas pick up, com metralhadoras pesadas ou canhões de tiro rápido geminados de 23mm não são uma escolha casual, constituem-se na parte integrante da estratégia de interdição de vias de suprimentos por parte do Estado Islâmico, visto que permitem reides, ações rápidas de destruição e evasão acelerada. Foi por se mostrar antes incapaz de defender as estradas, artérias logísticas indispensáveis, que as forças legalistas acabaram por recuar e abandonar Palmira e Raqqa, e ver-se cercadas em Aleppo e Deir Ezzoir. O abandono das posições no deserto profundo deu-se em razão da opção lógica de defender Damasco e as províncias costeiras, onde se encontram 80% da população síria.

O exemplo maior das dificuldades de manter segura uma autoestrada foi o combate realizado em torno da estrada de Khanasser, onde o avanço foi obstado por contra-ataques do Estado Islâmico que além de cobrarem pesado tributo em baixas, evitou as operações que visavam o cerco das suas unidades combatentes ao permitir a fuga e posterior reagrupamento. A luta em um eixo logístico não oferece ao atacante muitas opções táticas, visto que a estrada por si já é o indicativo óbvio do eixo de ataque.

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Helicópteros de ataque Ka-52 em ação no deserto sírio. Imagem: internet

Estas dificuldades, no entanto, são superadas com o vasto apoio aéreo, não só efetuado pela Força Aérea Árabe da Síria, como pelos helicópteros de ataque, notadamente russos, caso dos novos Mi-28N e Ka-52, que estrearam a pouco no conflito sírio varrendo posições dos extremistas no eixo de Palmira.

O combate em um eixo óbvio de ataque pode parecer inglório, mas o ambiente é inóspito para ambos contendores e se avanço há, isto se dá pela existência de alvos identificados. O Estado Islâmico não pode se furtar a defender os povoados e localidades por ele ocupados pois deles defende o fundamento do seu poder, que é o domínio territorial, razão última para a autodenominação de “Estado”. Ademais, depende em demasia da comercialização do petróleo produzido na província de Raqqa, razão pela qual mantém nas localidades de Tabaqa e Sukhanah grandes formações de combatentes. Tabaqa e Sukhanah são obstáculos consideráveis no eixo de Deir Ezzoir e por isto se tornaram alvos óbvios. O uso de artilharia, de ogivas termobáricas dos foguetes de saturação de área além do apoio aéreo aproximado se farão presentes quando chegar a hora.

As palavras de um líder

Por: Ho Chi Minh
Fonte: Esquerda Tradicionalista

Nota de introdução: o pensamento de um líder nacional, na forma de relato, é precioso documento histórico. Através dele é possível entendermos o desenvolvimento do entendimento de mundo deste líder, como personagem dinâmico, bem como da maneira deste interagir com o contexto que o rodeava. Desta forma, o depoimento abaixo do líder revolucionário Ho Chi Minh se reveste de importância fulcral, dado que Ho Chi Minh foi dentre os líderes das revoluções anticoloniais do século passado aquele cujas ações desembocaram na vitória de maior repercussão, a mais simbólica, algo que, aliás, não viu concretizar totalmente em vida. Ho Chi Minh foi um líder que sempre cultivou uma independência própria no campo ideológico, nunca se curvando a pressões e por isto um contumaz causador de “dores de cabeças” em lideranças revolucionárias chinesas. Entretanto, sempre manteve um perfil discreto e prático, quase pragmático, algo convencional em comunistas, diga-se. Era fã declarado de Lênin, como o eram quase todas as lideranças revolucionárias anticolonialistas do século XX.  Nascido como Nguyen Singh Cung, em 19 de maio de 1890, adotou Ho Chi Minh para nomear o seu alter ego revolucionário. Faleceu em 2 de setembro de 1969.

Disse Ho Chi Minh:

“Após a Primeira Guerra Mundial, eu levava minha vida em Paris, ora como retocador de fotografias, ora como pintor de ‘antiguidades chinesas’ (feitas na França). Também distribuía panfletos denunciando os crimes cometidos pelos colonizadores franceses no Vietnã.

Naquele tempo, eu apoiava a Revolução de Outubro apenas por intuição, não tendo em mente ainda toda sua importância histórica. Eu amava e admirava Lênin porque ele era um grande patriota que libertara seus compatriotas; até então, eu não havia lido nenhum de seus livros.

A razão para eu ter me unido ao Partido Socialista Francês foi porque essas ‘damas e cavalheiros’ – como eu chamava meus camaradas na época – demonstraram sua simpatia por mim, pela luta dos povos oprimidos. Mas eu não entendia o que era um partido, um sindicato, nem mesmo socialismo ou comunismo.

Discussões acaloradas aconteciam nos comitês do Partido Socialista sobre a dúvida de se deveríamos continuar na Segunda Internacional, se deveria ser fundada uma Segunda Internacional e Meia ou se o Partido deveria se juntar à Terceira Internacional de Lênin. Eu comparecia aos encontros com frequência, duas ou três vezes por semana, e ouvia atentamente a discussão. No início, eu não conseguia entender o assunto por completo. Por que os debates eram tão acalorados? Seja com a Segunda, a Segunda e Meia ou a Terceira Internacional, a revolução poderia ser alcançada. Qual o objetivo de discutir sobre isso? E a Primeira Internacional, o que aconteceu com ela?

O que eu mais queria saber – e o que justamente não era debatido nos encontros – era: qual Internacional está do lado dos povos das colônias?

Eu levantei essa dúvida – a mais importante em minha opinião – no encontro. Alguns camaradas responderam: é a Terceira Internacional, não a Segunda. E um camarada me deu para ler a “Tese sobre as questões nacionais e coloniais” de Lênin, publicadas pela L’Humanité.

Havia termos políticos difíceis de entender nessa tese. Mas por meio do esforço de lê-la e relê-la pude finalmente apreender a maior parte deles. Que emoção, entusiasmo, esclarecimento e confiança essa obra provocou em mim! Eu me regozijava em lágrimas. Embora estivesse sentado sozinho em meu quarto, eu gritei fortemente, como se me dirigisse a grandes multidões: ‘Caros mártires compatriotas! É disso que precisamos, este é o caminho para nossa libertação’!

A partir dali, tive plena confiança em Lênin e na Terceira Internacional.

Formalmente, durante os encontros no comitê do Partido, eu apenas escutava a discussão; tinha uma crença vaga de que tudo era lógico, e não conseguia diferenciar quem estava certo de quem estava errado. Mas a partir daquele momento, passei a me envolver nos debates e a discutir com fervor. Ainda que me faltassem palavras em francês para expressar todas as minhas ideias, eu rebatia energicamente os ataques feitos a Lênin e a Terceira Internacional. Meu único argumento era: “Se vocês não condenam o colonialismo, se vocês não estão alinhados com a população das colônias, que tipo de revolução vocês estão buscando”?

Eu não apenas participava dos encontros do meu comitê do Partido, mas também ia às reuniões dos outros comitês para reafirmar ‘minha posição’. Devo dizer que mais uma vez meus camaradas Marcel Cachin, Vaillant-Couturier, Monmousseau e muitos outros me ajudaram a expandir meu conhecimento. Por fim, no Congresso de Tours, eu votei junto com eles por nossa adesão a Terceira Internacional.

Em primeiro lugar, foi o patriotismo, e não o comunismo, que me levaram a acreditar em Lênin e na Terceira Internacional. Aos poucos, durante a luta e enquanto estudava o marxismo-leninismo paralelamente às minhas participações nas atividades práticas, eu me dei conta de forma gradativa de que somente o socialismo e o comunismo poderiam libertar as nações oprimidas e o povo trabalhador ao redor do mundo da escravidão.

Existe uma lenda, tanto em nosso país como na China, sobre o milagroso ‘Livro da sabedoria’. Ao se deparar com grandes dificuldades, pode-se abrir o livro e encontrar a solução. O leninismo não é apenas um milagroso ‘livro da sabedoria’, um compasso para nós revolucionários e cidadãos vietnamitas: é também o fulgurante sol iluminando nosso caminho para a vitória final, ao socialismo e ao comunismo”.

Palmyra já vê combates em sua zona urbana

Por: César A. Ferreira

Neste exato momento forças do Exército Árabe da Síria adentraram nos subúrbios da cidade de Palmyra, isto após terem capturado as ruínas da cidade antiga em meio a feroz combate, onde, para infelicidade da humanidade, estragos extensos foram causados naquele fantástico patrimônio histórico da humanidade. O ataque a cidade realizado através de um movimento de mão, ao norte, o que desequilibrou as unidades do Estado Islâmico posicionadas para defesa, visto que estas esperavam o assalto provindo do oeste. Em seguida, outro movimento de gancho, desta vez direcionado ao sul, acabou por submeter às forças legalistas a base aérea local.

O combate na referida cidade está sendo renhido, motivo pelo qual avolumam baixas de ambos os lados. Neste contexto histórias de coragem se sobressaem, caso dos advisors russos, responsáveis por marcarem no solo os alvos para as aeronaves russas, que foram descobertos por combatentes do Estado Islâmico e cercados, motivo pelo qual direcionaram os ataques da VKS diretamente sobre eles (consequentemente dos inimigos que os cercavam). O número de soldados das Forças Especiais russas mortos e reivindicados como tais pelo Estado Islâmico, até a este presente momento, somam cinco (5) combatentes.

A situação para os combatentes do Estado Islâmico tende para insustentabilidade, visto que a operação visa cercar a cidade, conta com vasto apoio aéreo, que inclui a presença de helicópteros de ataque Mi28N, visto nos combates, e artilharia de campanha, onde os temidos TOS-1 “Buratino” se fazem presentes.

Nas últimas 24 horas as Forças Aeroespaciais da Federação Russa efetuaram apenas na área de Palmyra 40 saídas para missões de ataque, com 158 objetivos terroristas engajados, com ao menos quatro (4) Carros de Combate destruídos, cinco (5) caminhões de suprimentos igualmente destruídos, quatro (4) depósitos de munição incinerados e três (3) peças de artilharia eliminadas. Cerca de 100 combatentes foram mortos nestes ataques, que não contabilizam as missões de ataque realizadas pela Força Aérea Árabe da República da Síria.

Fontes do Ministério da Defesa da Rússia anunciou que o destino de Palmyra, que já conta com combates em sua zona urbana neste presente momento, deva se desfechar nas próximas 72 horas, isto no seu mais tardar. Para o Exército árabe da Síria esta batalha tem um sentido especial, simbólico, pois em 2014, o soldado capturado da desbastada 93ª Brigada de Infantaria, Adnan Yahia al Shoghri, instado a poupar sua vida pelos captores bastando para isso bradar vida eterna ao Estado Islâmico, berrou ao invés “nós vamos acabar com vocês”! Adnan e outros prisioneiros foram executados logo após o seu brado.

Grampolândia on-line

Por: César A. Ferreira

Enquanto os brasileiros, de parca inteligência, ficam indignados com as conversações íntimas, de conteúdo anódino, interceptadas e divulgadas de maneira ilegal, o mundo continua a girar, e em matéria de revelações a se preocupar com assuntos de maior relevância, como os e-mails da Senhora Hillary Clinton,  que para o mundo muito mais interessantes e elucidativos o são.

O e-mail transcrito abaixo, presente no site de divulgação bruta Wikileaks, é de uma importância fulcral, pois revela o modo de agir, de fazer política, dos EUA, além iluminar aos leitores a matriz do pensamento reinante naqueles que operam os departamentos e secções, relativos à política externa e de inteligência daquela nação. Não há muito que ser dito, o e-mail é autoexplicativo, basta entender que onde moram os interesses, dá-se a intervenção. Para o bom entendedor não é preciso uma palavra sequer…

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Hillary Clinton, descontraída, fotografada para capa da Revista Harper’s Bazaar.

CONFIDENCIAL: 17 de fevereiro de 2010

Por: Hillary

De: Sid

Re: Irã, Arábia Saudita

Jantei ontem (terça-feira, 16 de fevereiro) com Joschka Fischer. Tivemos uma conversa interessante sobre o Irã e a Arábia Saudita, entre outras coisas. (Como você sabe Fischer é agora diretor do projeto do gasoduto Nabucco.) O Irã, hostil, alvo de sanções que são absolutamente necessárias, mas são mais eficazes diplomaticamente quando apresentadas  juntamente com uma oferta para negociar. O punho de ferro na abordagem de uma luva de veludo atinge vários objetivos: de acordo com a inteligência de Fischer, Ahmanijehad desejou antes negociar o acordo, mas foi bloqueado. O regime tem divisões no seu estrato superior. Talvez seja verdade, talvez não. Mas constantemente empurrar as negociações ao lado de uma pressão adicional de sanções coloca em xeque as divisões internas, sejam elas quais forem. Estendendo a mão aberta enquanto se brandi uma vara, fecha-se o espaço diplomático e político de manobra para o Irã. Sua recusa em aceitar a mão aberta justificará a aplicação da vara. Mesmo quando as sanções são aplicadas sempre continua a ser útil dizer de que outra maneira é uma opção aberta. O dano feito ao Irã, portanto, é o resultado de sua própria escolha. Esta abordagem também ajuda a oposição. Uma estratégia de sanções puramente digna pode contribuir à vontade do regime em punir e reprimir. Claro, falando de mudança de regime, prejudica a causa da mudança de regime. É um presente para o regime. A oposição é um novo fator na equação do Irã que deve ser tido em conta a nível político e moral. Empurrado para a parede, o regime pode se sentir obrigado a reprimir, que pode resultar em milhares ou dezenas de milhares de assassinatos políticos. Na Arábia Saudita, Fischer salienta que se o Irã desenvolve armamento nuclear os sauditas já tem sua própria bomba. Os sauditas investiram no armamento nuclear do Paquistão, em parte para esta eventualidade; Esta é sua bomba reservada.

Abaixo a versão original do afamado e-mail:

CONFIDENTIAL February 17, 2010

For: Hillary

From: Sid

Re: Iran, Saudi

Had dinner last night (Tuesday, February 16) with Joschka Fischer. We had an interesting conversation on Iran and Saudi Arabia, among other things. (As you know Fischer is now director of the Nabucco pipeline project.) On Iran, harsh, targeted sanctions are absolutely necessary, but are most effective diplomatically when always coupled with an offer to negotiate. The iron fist in the velvet glove approach achieves several objectives: According to Fischer’s intelligence, Ahmanijehad wished some negotiated settlement but was blocked. The regime has splits at the top. Perhaps true, perhaps not. But constantly pushing negotiations alongside sanctions puts additional pressure on internal divisions, whatever they are. Extending an open hand while brandishing a stick closes diplomatic and political room to maneuver for Iran. Its refusal to accept the open hand justifies application of the stick. Even when sanctions are enforced it always remains useful to say another way is open. The damage done to Iran is therefore the result of its own choice. This approach also aids the opposition. A purely condign sanctions strategy can contribute to the regime’s will to punish and tighten repression. Talking of regime change, of course, undermines the cause of regime change. It is a gift to the regime. The opposition is a new factor in the Iran equation that must be taken into account on the political and moral level. Pushed to the wall, the regime may feel compelled to repress, which might involve thousands or tens of thousands of politica,killings. On Saudi Arabia, Fischer points out that if Iran develops nuclear weaponry the Saudis already have their own bomb. The Saudis invested in Pakistan’s nuclear weaponry partly for this eventuality; that’s their bomb in reserve.

Fonte do e-mail acima transcrito: Wikileaks.

Para ter acesso aos arquivos de e-mails da Senhora Hillary Clinton, divulgados pelo site Wikileaks, basta clicar aqui.

Ucrânia: tudo, ou nada

Ucrânia deve partir para o tudo, ou nada no Donbass.

Por: César A. Ferreira

Certa vez um conhecido, venerador de Rock’n’Roll, detinha um passe para os camarins, bastidores, de um show da afamada banda de Hard Rock, Deep Purple. Por serem raras as tournées por estas bandas, mesmo adoentado, pois consta que estava com pneumonia, foi ao referido show… Sua situação se agravou de tal forma que a morte não o levou devido à juventude. Após o suplício, questionado por todos que o cercavam, justificou-se: “mas… Eu me sentia forte, o bastante”.

Sentir-se forte o bastante, este é o pior sentimento que pode acometer às nações. A Alemanha de Hitler sentia-se insuperável, portanto, invadir a Rússia não seria uma temeridade… Quem ousaria duvidar das capacidades da imponente Marinha Imperial do Japão? Ninguém, certamente… Não estava o Vietminh praticamente derrotado? Vamos testar, então a sua vontade e derrotá-los de vez em Dien Bien Phu… Bom, a vontade foi testada e prevaleceu, mas, não foi a dos franceses, por certo…

As lições da história costumam ser caras para aqueles que possuem atenção, não parece, entretanto, ser este o caso de Poroshenko. Não se sabe se por vaidade, arrogância ou falta de perspectiva para governar uma nação que cai aos pedaços, procura o dignitário ucraniano escalar o conflito até então congelado do leste ucraniano, na região do Donbass. Convenhamos que uma guerra sempre seja uma forma de unir um povo ao seu líder, apesar da guerra no Donbass não servir exatamente para isso, pois a população tem deste conflito a ideia que o mesmo não passa de um sorvedouro de vidas e recursos.

Mas, Poroshenko sente-se forte, agora. Esperava-se que lançasse uma ofensiva no verão passado, não o fez. No inverno subsequente, para surpreender, também não o fez. Todavia, mesmo com a economia nacional em franca decadência, vem estocando munições, deslocando formações, produzindo blindados, isto quando não os ganha de presente das nações aliadas, EUA e Alemanha (que forneceu cerca de 30 obuseiros PzH 2000). Neste momento, observadores de campo das milícias do Donbass, informam que “as formações ucranianas tomam postos para ofensiva, os seus estoques de combustível, lubrificantes e munição, faz prever o inicio de uma ofensiva para breve, assim que as condições meteorológicas melhorarem”.

Dado o fato que as armas ucranianas em conjunto com os fanáticos neonazistas abrigados na Guarda Nacional conseguiram apenas derrotas uníssonas, tal como os cercos de Illovaisk, Gorlovka e a perda do Aeroporto de Donetsk apontam, é de se espantar a vontade de Poroshenko em ir à guerra. Talvez ele não tenha outra coisa a fazer, afinal, a Ucrânia afunda economicamente, e as situações desesperadas são típicas para atos desprovidos de proporção. A Rússia, o vizinho poderoso, entende o conflito no Donbass como mais uma peça do jogo geopolítico e não deixará os milicianos ao desabrigo. Acreditar em uma Rússia, que acaba de obter uma vitória geopolítica de peso no conflito sírio, como anêmica e distante quanto ao conflito no Donbass, que se desenrola justamente na sua fronteira, é viver em um mundo de ilusão, onde o coelhinho da páscoa existe, a fada do dente também, isto sem falar no Papai Noel…

Mas… Poroshenko sente-se forte, e nada mais tem a fazer…

MiG-29 KR realizam voos

Por: César A. Ferreira

Fato observado por periodistas russos do portal informativo Eysk.Info, dão conta de voos efetuados pelos novos caças navais russos MiG-29KR, que deverão substituir a dotação atual de caças Su-33 do porta-aviões Kuznetsov, normalmente alocado junto a Frota Norte, em Murmansk.

Três aeronaves foram vistas em voo, duas delas monoplances, com indicativos “32” azul, e “34” azul, e uma terceira, biplance, com indicativo “52” azul. Tendo sido observados junto ao aeroporto de Yeisk, acredita-se que estejam estes caças operando já em função de emprego de armamentos e treinamento de combate aéreo e que estes elementos avistados façam parte do recém-criado 100º Regimento de Aviação Naval de Combate.

MiG29KR
Mig-29 KR aproximando-se para pouso. Foto: internet.

Especula-se, se estas aeronaves já deverão compor, ou não, a dotação do porta-aviões Kuznetsov em sua viagem programada para o Mediterrâneo. Isto, por se considerar a nova aeronave superior àquela que visa substituir, o Su-33. Vale lembrar, que este modelo foi adotado pela Marinha Indiana, para compor o grupo naval responsável pela dotação do Porta-aviões Vikramaditya.

Ucrânia depois da Euromaidan

Por: César A. Ferreira

Não é uma opinião, tampouco uma perspectiva marcada por posição ideológica que seja, mas uma mera constatação: todas as nações detentoras de grandes reservas energéticas e de minerais estratégicos, ou que exibam posição geográfica essencial para o tráfego destas riquezas extraídas, sofreram em graus variados intervenções estrangeiras, que foram da desestabilização política à guerra civil, isto quando os eventos não envolveram pura e simplesmente a invasão direta por forças armadas das potências agressoras, estas, invariavelmente, oriundas da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN.

Em 21 de novembro de 2013, embalados pela sensação sufocante de que todos os problemas existentes na Ucrânia proviam da corrupção que grassava no país, iniciou-se o processo que se conhece como revolução da Praça Maidan, ou Euromaidan. O estopim fora a recusa do então presidente, Yanukovich, de pactuar com a União Europeia, preferindo a oferta superior, muito mais substancial, de realizar uma união aduaneira com a Rússia, cuja proposta, além das vantagens de aduana, perfazia a compra de títulos da dívida ucraniana no valor de quinze bilhões de dólares americanos, além do fornecimento em taxas preferências de gás russo ao mercado ucraniano. Dado o fato de que a proposta da União Europeia era muito mais tímida, pois se tratava de um empréstimo de apenas setecentos milhões de euros, aliado a um status de parceiro comercial preferencial, mas sem adesão formal à união aduaneira, é de se espantar a existência da rejeição popular à proposta russa, absurdamente superior a sua contraparte europeia, venha a ser apontada como o estopim para a revolta generalizada.

Fato é que a Ucrânia exibia uma posição geoestratégica clara, pois é através do seu território que se encontram a maioria absoluta dos gasodutos, pelos quais trafega o gás provindo da Rússia destinado à Europa. Ademais a Crimeia, então parte integrante da república ucraniana era o território sede da importantíssima base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da Federação Russa. Não surpreende, portanto, a descoberta do financiamento clandestino efetuado pela legação diplomática dos Estados Unidos da América aos grupos opositores que cavalgaram politicamente a insatisfação pública dos manifestantes ucranianos, caso dos partidos de extrema direita e neonazistas, ambos desprovidos de densidade política, visto que invariavelmente permaneciam no patamar de 6% do eleitorado, inferiores ao Partido Comunista, que alcançava o dobro, cerca de 12%…

Todavia a mídia ucraniana, toda ela em posse de oligarcas locais, postou-se como crítica, uníssona, ao governo, favorável a pantomima dos estudantes, estes inflados pela ONG Students Of Liberty –  ONG cuja ligação com a CIA é para lá de notória, aponto de ser, antes, folclórica. De fato, no campo ucraniano ver-se-ia o aporte por parte dos EUA, por meio da CIA e do Departamento de Estado, do valor reportado de cinco bilhões de dólares para os eventos que culminaram com a Euromaidan.

O resultado é bem conhecido, após a ocorrência de disparos feitos por atiradores escalados pelas agências de inteligência do ocidente, que vitimaram tanto os policiais da Força Berkut (baixas encobertas pela mídia, não noticiadas), como os manifestantes (mortos e feridos amplamente cobertos pela mídia), mas cuja autoria de chofre foi jogada às costas do governo ucraniano; Yanukovich empreendeu uma fuga quixotesca em direção à Federação Russa objetivando a busca de refúgio, sendo sucedido por uma junta, cuja legalidade sempre foi questionada, até mesmo quando da eleição do atual dignitário, Poroshenko. A Ucrânia perdeu a rica península da Criméia, que optou por se juntar à Federação Russa e viu-se enredada em um conflito custoso no Donbass, que lhe impôs reveses militares múltiplos, de caráter verdadeiramente desmoralizante, caso dos cercos de Illovaysk e Gorlovka, ou da batalha pela posse do aeroporto de Donetsk. Mas, isto não representa tudo, ou todos os males.

Homens de verde
A Federação Russa agiu rápido e impôs a ordem na estratégica e rica península da Crimeia, com o uso do efetivo militar da Base de Sebastopol. Imagem: internet.

A Ucrânia, ao empreender o afastamento da Rússia, com a qual mantinha laços de cunho acadêmico, industrial e comercial de monta, em virtude de uma retórica vitimizante, de cunho nacionalista e hostil ao vizinho, de evidente carga ideológica, acabou por colher perdas econômicas desastrosas, como o encolhimento de 80% da produção da sua base industrial de Defesa, cujo símbolo é a empresa aeronáutica Antonov, imersa em dificuldades, incapaz de encontrar clientes para o belo mais dispendioso projeto An-70, cujo cliente de lançamento seria justamente a Força Aeroespacial da Federação Russa. A área de Petróleo e Gás também apresentou retração, agravado pelo aumento do dispêndio relacionado à compra desta commodity energética, agora adquirida da EU com preços majorados em 30%, quando comparados àqueles praticados pela Federação Russa, estes custos, por sua vez se agravam quando se percebe que a moeda ucraniana desvalorizou-se demasiado, cerca de 350% em comparação ao dólar norte-americano. Ademais, o rompimento com os laços financeiros havidos com a Federação Russa privou a Ucrânia de recursos da ordem de nove bilhões de dólares, anuais, na forma de remessas dos ucranianos viventes na Rússia, então o maior investimento direto obtido pela república.

A ladeira abaixo experimentada pela Ucrânia não se restringe ao setor industrial, afeta de maneira equivalente o setor agropastoril, cuja atividade também sofreu retração. Das empresas deste setor, acredita-se que quatro a cada cinco estejam falidas, ou em estágio falimentar. Apenas 72 empresas agropastoris estão credenciadas a exportar para a Europa Unida, sendo que destas 36 já excederam a sua cota anual. O FMI estima que o país, para honrar os termos acertados com o Fundo, ver-se-á obrigado a comprometer 50% da sua arrecadação até o longínquo ano de 2041, contanto que consiga exibir uma taxa de crescimento anual de… 4% ao ano!  Mágica, diga-se, um tanto inacreditável, principalmente quando se considera o fato de que a população ucraniana sofreu um rebaixamento, nesta aventura de orgia ideológica, de 50% no seu padrão de vida, queda imposta pela retração do produto interno bruto, que caiu 6,8% em 2014 e 7,5% em 2015.

Entende-se o motivo de Poroshenko ter hoje uma popularidade muito abaixo daquela que Yanukovich detinha, exibindo notáveis 77 % de rejeição, todavia, observa-se, não há contra Poroshenko nenhuma Maidan… “Revolução” que quando estava no seu auge, exibiu o apoio declarado de apenas 45% da população, notadamente daqueles do oeste, enquanto o Donbass, Criméia e a região de Odessa, opunham-se ao movimento desestabilizador.

Portanto, que se tenha em mente: qualquer semelhança, com eventos análogos que estejam a ocorrer, ou que venham a ocorrer, em qualquer parte do mundo onde hajam reservas a serem exploradas de Petróleo e Gás, não será, jamais, uma mera coincidência…

Estado Islâmico ameaçado: tropas governamentais se acercam de Palmyra

Por: Renato Velez

Fonte: Al Masdar News

Adaptação: César A. Ferreira

Há pouco o Exército Árabe da Síria (EAS) capturou três pontos chaves, a colina 800, a colina al – Amdan e a colina al – Thar na antiga pedreira , periferia ocidental de Palmira. Desde a semana passada, as tropas do governo moveram-se centenas de metros por dia para a antiga cidade de Palmyra, que está ainda sob a ocupação do Estado Islâmico. Agora, menos de uma milha separa os soldados sírios dos primeiros blocos de edifícios dos distritos a oeste da cidade. No entanto, o Estado Islâmico está disposto a tudo, menos a ceder Palmyra, uma vez que a cidade está situada no coração da Síria. Enquanto alguns consideram que a cidade de Palmira, como um simples troféu, você pode dizer que representa a ligação mais importante entre ricos poços de petróleo do leste e a densamente povoada Costa oeste da Síria.

É por isso que continua a ser vital para o Estado Islâmico manter o controle desta cidade. Em caso de perda, poderia causar um efeito dominó e a eventual derrota do califado em si. Todavia, o governo sírio está mais determinado do que nunca para capturar Palmyra. Como resultado, Damasco mobilizou as Forças Tigre, a 18ª Divisão Blindada, a Brigada “Falcões do Deserto”, juntamente com a milícia iraquiano EDI Imam Al – Ali. Por outro lado, combatentes do Hezzbollah estão em processo de implantação em toda a área adjacente a Palmyra, enquanto a Força Aérea da Rússia realiza dezenas de ataques aéreos contra a cidade todos os dias. Hoje, as forças do governo também capturaram vários pontos estratégicos ao redor da cidade, aproximando-se da área arqueológica ao oeste de Palmyra.

Neste momento, uma grande batalha acontece no “Castelo de Palmyra”, que está localizado sobre a montanha de Jabal Qassoun que domina a cidade do oeste. A histórica cidade de Palmyra, que foi capturada pelo EI em maio de 2015, durante uma ofensiva relâmpago, tem testemunhado a 4000 anos de civilização e sobreviveu a inúmeras batalhas ao longo dos séculos. Mas, infelizmente, o Estado Islâmico demoliu vários dos importantes sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO dentro da cidade.

Ao longo prazo, captura de Palmira permitirá o empurrão do Exército Árabe da Síria para Deir Ezzor e romper o cerco imposto pelo Estado Islâmico nos distritos restantes detidos pelo governo dentro da cidade. No entanto, há muitos quilômetros do território ainda por ser arrebatando aos  combatentes do EI para que se possa atingir este objetivo.

Sobrinho de JFK sobre a Síria: O ISIS é um produto da intervenção dos EUA por petróleo

Por: Claire Bernish

Fonte: The Free Thought Project

Tradução: J. Junker

Robert F. Kennedy Jr. escreveu um astuto artigo a respeito da verdade por trás da presença dos EUA no Oriente Médio – a sua subserviência ao bem mais precioso da indústria de combustíveis fósseis: o petróleo.

“À medida que nos concentramos no crescimento do ISIS e da busca pela origem da selvageria que levou tantas vidas em Paris e San Bernardino, podemos querer olhar para além das explicações convenientes de religião e ideologia e focar nas lógicas mais complexas da história e petróleo, que em sua maioria apontam o dedo da culpa do terrorismo de volta para os campeões do militarismo, o imperialismo e o petróleo aqui em nossas próprias costas”, Kennedy escreveu em um editorial para o EcoWatch.

O olhar crítico de Kennedy sobre a história dos Estados Unidos de intromissão, intervencionismo, e da hegemonia – quase exclusivamente para manter o fluxo de petróleo – torna evidente o seu papel na desestabilização de todo o Oriente Médio, especialmente na Síria. Na verdade, mais de cinquenta anos de intercessão violenta – em última análise, no interesse da indústria de combustíveis fósseis – tem alimentado enormes ressentimentos. Essencialmente, o corporativismo geoestratégico americano – sob o disfarce da manutenção da paz armada – criou o violento jihadismo islâmico contra quem os EUA agora lutam suas batalhas.

A partir da administração Eisenhower, a soberania árabe e a neutralidade das nações do Oriente Médio na Guerra Fria foram percebidas como ameaças para o acesso americano ao petróleo.

Em primeiro lugar na ordem do dia para a Presidência de Eisenhower estava o primeiro líder eleito do Irã em 4000 anos de história, o presidente Mohammed Mosaddegh. O desejo de Mosaddegh de renegociar contratos de petróleo desfavoráveis ​​ao Irã com a British Petroleum levou a um golpe fracassado da inteligência britânica – a quem ele prontamente expulsou do país. Apesar de parecer favorável aos EUA, a quem Mosaddegh via como um modelo de democracia que ele procurou empregar no Irã – Eisenhower, com a ajuda do notório diretor de inteligência Allan Dulles, derrubou o líder. A “Operação Ajax” depôs Mosaddegh e o substituiu pelo Shah Reza Pahlavi – um líder cujo reinado sangrento culminou na revolução islâmica de 1979, “que tem atormentado a nossa política externa por 35 anos”, escreveu Kennedy.

Talvez uma das maiores ameaças maiores sobre a Síria fosse a relutância dela para aprovar a Trans Arabian Pipeline – destinada a atravessar a Síria a fim de conectar o petróleo saudita com os portos do Líbano. Quando o democraticamente eleito e secular presidente sírio negou o plano, a CIA armou um golpe em uma tentativa de substituí-lo.

“O plano da CIA foi de desestabilizar o governo sírio, e criar um pretexto para uma invasão pelo Iraque e pela Jordânia, cujos governos já estavam sob controle da CIA”, explicou Kennedy. Não funcionou. Uma falha surpreendente, motins e violência anti-americana irromperam por toda a região. A Síria barrou vários adidos americanos, e, em seguida, expôs e executou todos os funcionários que abrigavam algum sentimento pró-americano. Na verdade, os EUA quase provocaram uma guerra com a Síria pelo incidente.

As repercussões da tentativa de golpe – bem como parcelas de maior êxito dos regimes fantoches em outros lugares – continuam a desempenhar um papel na política externa e relações geopolíticas no presente. A mais “bem sucedida” remoção de um líder e sua subsequente substituição envolveu um nome que todos nos EUA estão familiarizados: Saddam Hussein.

Depois de várias tentativas para depor o líder do Iraque falharam, a CIA, em última instância instalou Hussein e o Partido Baath no poder. Como Kennedy observou, o ministro do Interior Said Aburish disse sobre a trama: “Nós chegamos ao poder em um trem chamado CIA”. James Critchfield, o chefe do posto da CIA responsável tanto pelo golpe bem sucedido quanto pelo fracassado, mais tarde disse que a CIA tinha “essencialmente criado Saddam Hussein” – também lhe fornecendo armas, inteligência, além de armas químicas e biológicas.

“Ao mesmo tempo, a CIA estava a fornecer ilegalmente ao inimigo de Saddam – o Irã – milhares de mísseis anti-tanque e anti-aéreos para combater o Iraque, um crime que ficou famoso durante o escândalo Irã-Contras … A maioria dos americanos não estão cientes das muitas maneiras que essa reação de erros anteriores da CIA ajudou a criar a crise atual”.

Enquanto os americanos amplamente acreditam na grande imprensa e na narrativa governamental que o papel atual dos EUA na Síria eleva-se a objetivos humanitários, começando com a Primavera Árabe em 2011, “Em vez disso, começou em 2000, quando o Qatar propôs construir um gasoduto de 1,5 mil quilômetros e US$10bi através de Arábia Saudita, Jordânia, Síria e Turquia”, Kennedy explicou.

“O gasoduto proposto teria ligado o Qatar diretamente para mercados europeus de energia através de terminais de distribuição na Turquia que embolsariam grandes taxas de trânsito. O gasoduto Qatar-Turquia teria dado os reinos sunitas uma dominação decisiva do Golfo Pérsico em mercados de gás natural pelo mundo e fortalecido o Qatar, aliado mais próximo dos Estados Unidos no mundo árabe”.

A UE recebe atualmente 30 por cento de seu gás da Rússia, Kennedy observou, e “A Turquia, segundo maior cliente de gás da Rússia, estava particularmente ansiosa para acabar com sua dependência de sua antiga rival, além de posicionarem-se como um centro de transporte lucrativo dos combustíveis asiáticos para os mercados da UE. O gasoduto do Qatar teria beneficiado a monarquia conservadora sunita da Arábia Saudita, dando-lhes uma posição de dominação sobre os xiitas”.

Os cabos diplomáticos revelados pelo Wikileaks mostram que desde 2006 o Departamento de Estado dos EUA, a pedido do governo israelense, vinha propondo uma parceria entre Turquia, Qatar e Egito para fomentar uma guerra civil sunita na Síria, para enfraquecer o Irã. O propósito declarado, de acordo com o telegrama secreto, foi para incitar (o presidente sírio, Bashar al- Assad) uma brutal repressão da população sunita da Síria.

“Como previsto, a reação exagerada de Assad à crise fabricada no estrangeiro – lançando bombas de barril em redutos sunitas e matando civis – polarizou uma divisão xiita-sunita da Síria e permitiu aos responsáveis ​​políticos vender aos americanos a ideia de que  a luta pelo gasoduto era uma guerra humanitária”.

O contexto histórico e longo de Kennedy para o imbróglio atual merece uma leitura minuciosa. Sua mensagem inequívoca deve servir como um lembrete importante que o governo dos Estados Unidos e seu porta-voz da grande imprensa  –  tão convincente quanto eles podem parecer  –  nunca estão contando toda a história.

Barack Obama diz que David Cameron permitiu que a Líbia se tornasse um “show de merda”

Em ataque sem precedentes, Presidente dos EUA afirma que Reino Unido foi “distraído”.

Por: Tim Walker, Nigel Morris.

Fonte: The Independent

Tradução: J.Junker

Barack Obama criticou duramente David Cameron e o papel do Reino Unido fazendo com que a Líbia se tornasse um “show de merda”, após a queda do ditador Muammar Gaddafi, em um ataque sem precedentes a um líder britânico por um presidente em exercício dos Estados Unidos.

Obama disse que, após uma intervenção militar bem sucedida para ajudar os rebeldes durante a revolta da Primavera Árabe de 2011, a Líbia foi deixada em uma espiral fora de controle – em grande parte devido à falta de ação dos aliados europeus da América.

Em uma franca entrevista à uma revista dos EUA, Obama disse: “Quando eu penso lá atrás, eu me pergunto o que deu errado… Há espaço para crítica, porque eu tinha mais fé nos europeus, dada a proximidade da Líbia, que estariam envolvidos na sequência”.

Recordando o primeiro-ministro britânico, ele sugeriu que Mr. Cameron tinha deixado de se preocupar com a Líbia depois de ter-se “distraído por uma série de outras coisas”.

Cameron e Nicolas Sarkozy,  presidente francês, fizeram força pelos bombardeios contra as forças do coronel Gaddafi, que levaram à sua queda, mas desde 2011 a Líbia afundou ainda mais na violência e na guerra civil, e posteriormente tornou-se um ponto base do ISIS no Norte da África.

Obama continuou: “Nós realmente executamos este plano melhor do que eu poderia ter esperado: Nós tínhamos um mandato da ONU, nós construímos uma coligação, custou US$1 bilhão – que, quando se trata de operações militares, é muito barato. Nós evitamos mortes de civis em larga escala, o que impediu que quase certamente virasse um prolongado e sangrento conflito civil. E apesar de tudo isso, a Líbia está uma bagunça”.

Referindo-se a essa confusão em privado, Obama supostamente usou um termo mais colorido, “shit show”.

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Bombeiro líbio defronte à tancagem de uma planta de refino líbia em Ras Lanouf, norte da Líbia, fevereiro, após incêndios ocasionados por ataques lançados por extremistas do Estado Islâmico. Imagem: AP.

Um bombeiro da Líbia está na frente de um tanque de armazenamento de petróleo em uma instalação de petróleo na região Ras Lanouf norte da Líbia, em fevereiro, depois que foi incendiado seguindo ataques lançados por jihadistas do ISIS (AP)

Os comentários são um grave constrangimento ao Mr. Cameron, que tem sido muitas vezes forçado a defender o envolvimento britânico na Líbia com o fundamento de que a intervenção ocidental ajudou a evitar um banho de sangue. Eles também colocam pressão sobre a aliança transatlântica como as posições das forças de coalizão em alvos do ISIS na Síria e no Iraque.

A porta-voz de Cameron disse que frequentemente deixou claro que ele ainda acreditava que a ação militar na Líbia era “absolutamente a coisa certa a fazer” e sublinhou que o Governo tinha posto o suporte ao país na ordem do dia quando o Reino Unido organizou uma reunião de líderes do G8 em 2013.

Ela disse: “Eu acho que compartilhamos a avaliação do Presidente dos Estados Unidos de que existem desafios reais na Líbia, e é por isso que nós estamos continuando a trabalhar forte com nossos parceiros internacionais para apoiar um processo na Líbia que coloque no lugar um governo que possa trazer estabilidade a esse país e porque estamos a falar de como podemos apoiar tal governo no futuro”.

Falando amplamente para a The Atlantic, Obama revelou que o primeiro-ministro arriscava danificar a “relação especial” dos países, atrasando um aumento nos gastos de defesa para atender o alvo da OTAN de dois por cento do PIB. Aludindo à lentidão do Mr. Cameron, Obama disse: “aproveitadores me enfurecem” (“Free riders aggravate me”).

Quando os dois ficaram cara a cara na cimeira do G7 em Junho de 2015, Obama disse a Cameron: “Você tem que pagar o a sua parte”. No mês seguinte, o chanceler George Osborne incluiu no Orçamento um aumento de gastos com defesa.

Obama também disse que as falhas do Mr. Cameron tinham afetado sua decisão de não impor uma “linha vermelha” sobre o uso de armas químicas do presidente Bashar al-Assad, durante a guerra civil síria. O Presidente tinha planejado um ataque contra as forças de Assad em agosto de 2013, na sequência de um ataque com gás sarin pelo regime contra civis em um subúrbio de Damasco. O ataque foi cancelado no último instante. Um “fator importante” na decisão, o presidente disse, “foi o fracasso de Cameron em obter o consentimento de seu Parlamento” para a ação militar.

Durante seu mandato na Casa Branca, Obama explicou, ele tentou encorajar outras nações a agir em questões internacionais sem esperar que os EUA para assumissem sempre a liderança.

“Foi precisamente para evitar que os europeus e os Estados árabes ‘segurem em nossos casacos’ enquanto nós lutamos por eles, que por princípio, insistimos” que liderar a intervenção na Líbia, disse ele, descrevendo a estratégia como “parte da campanha anti-aproveitadores”.

Obama também disse Sarkozy, que deixou o cargo no ano seguinte à intervenção na Líbia, tinha se esforçado para “fazer alarde” do envolvimento da França. A Casa Branca permitiu-lhe levar crédito desproporcional nos ataques aéreos, assim, “[comprando o] envolvimento da França de uma forma que tornasse menos caro e menos arriscado para nós”, disse Obama.

O “Quarto Poder” e o controle da opinião pública (2° Parte)

Desde que pensadores como John Locke apontaram para a importância dos jornais na educação da população, muitos intelectuais e cientistas se dedicaram à compreensão do funcionamento da mídia de massa para estabelecer técnicas precisas de controle por meio de uma elite. O “Quarto Poder” é uma expressão utilizada com conotação positiva de que a Mídia (meios de comunicação de massa) exerce tanto poder e influência em relação à sociedade quanto os Três Poderes nomeados em nosso Estado Democrático (Legislativo, Executivo e Judiciário).

Por: Cristian Derosa
Fonte: Mídia Sem Máscara

Engenharia do consentimento

Edward Bernays trabalhou para o presidente norte-americano Woodrow Wilson e foi o responsável pela legitimação pública que o governo teve para entrar na guerra contra a Áustria, em 1917.

Então com apenas 27 anos, o exitoso assessor ficou a imaginar que resultados teriam estas técnicas de controle da opinião pública se aplicados em tempos de paz. Foi então que Bernays, retornando aos EUA, passou a trabalhar para grandes empresas na profissão que ele mesmo inventara. Assim, o jovem assessor criou grande parte da cultura que conhecemos, ao desvincular o consumo da necessidade, ligando-o aos desejos humanos expressados na esfera simbólica, a partir da aplicação massiva das teorias do seu tio Freud. Um ano após o lançamento do livro de Lippmann, coube a Bernays a tarefa de criar a profissão de relações públicas, o profissional encarregado de fomentar agendas públicas consonantes com objetivos políticos de seus assessorados. A profissão surgiu a partir do livro “Cristallizing Public Opinion”, de 1923, a partir das técnicas já utilizadas por Bernays.

A liberdade de expressão, dizia Bernays em seu artigo célebre “A engenharia do consentimento”, “expandiu a carta de direitos americanos para incluir o direito à persuasão”. Este foi o resultado da inevitável expansão da mídia e da livre expressão, como ele afirmou. “Qualquer um de nós pode, por meio dessas mídias, influenciar as atitudes e ações de nossos companheiros cidadãos”, diz Bernays. E recomenda: “o conhecimento de como usar esse enorme sistema de amplificação torna-se uma preocupação primária para aqueles interessados em uma ação socialmente construtiva”.

Baseado então nos pressupostos de Lippmann, Bernays pensa ser possível desenvolver técnicas de persuasão apoiadas no conhecimento da psicologia humana. Embora os resultados dos estudos de Bernays tivessem sido usados por Joseph Goebbels, o famoso publicitário do nazismo, segundo ele próprio admitira, os objetivos de Bernays estavam em consonância com os princípios democráticos, como se vê:

“A engenharia do consentimento é justamente a essência do processo democrático, a liberdade de persuadir e sugestionar. As liberdades de expressão, imprensa, petição e reunião, as liberdades que fazem a engenharia do consentimento possível, estão entre as mais celebradas garantias da Constituição dos Estados Unidos”.

Através do processo educacional, assegura Bernays, os governos devem conceder ao seu público um entendimento sobre os problemas para tomarem suas decisões. Mas a engenharia do consentimento, alerta ele, não deve confundir-se com o sistema educacional, pois deve completá-lo e ir além dele, já que se direciona à ação e não simplesmente à compreensão de determinadas situações. A engenharia do consentimento deve, portanto, suprir as lacunas do sistema educacional na determinação de ações.

Bernays alerta para os perigos de que suas técnicas sejam subvertidas e usadas para fins antidemocráticos. Por isso, “o líder responsável, de modo a realizar objetivos sociais, deve estar constantemente alerta às possibilidades de subversão”. Ironicamente, um exemplar bastante conhecido deste “líder responsável”, assessorado por um de seus discípulos involuntários, levou o povo alemão a bater continência para as atrocidades de Hitler.

Apesar do relativo sucesso da campanha nazista nos meios de comunicação da época (campanha até hoje considerada erroneamente pioneira na propaganda), Bernays salienta que a persuasão encontra o seu terreno fértil nas democracias liberais, “onde a livre comunicação e a competição de ideias no mercado são permitidas”. As democracias, portanto, funcionam bem à persuasão já que são as suas garantidoras por natureza. Estes sistemas, portanto, que constituem a base da política ocidental, se tomados como valores em si, servem a uma variada gama de objetivos, incluindo aqueles contra os quais o sistema mesmo busca ser uma defesa. Basta que a palavra democracia seja esvaziada do seu significado, que é substituído por outro, tática bastante simples e usual, para que mudem os propósitos a que essas técnicas servirão.

Seguindo o próprio curso liberal capitalista, se as ideias socialistas estão vencendo a concorrência das ideias, é para lá que se dirige o fluxo de dinheiro e esforços para campanhas políticas e publicitárias, o que explica a hegemonia de discursos ecológicos e socialistas na totalidade dos partidos e de campanhas publicitárias de empresas capitalistas ocidentais.

As teorias da comunicação, especificamente as ligadas ao jornalismo, têm estudado exaustivamente o comportamento da imprensa e dos jornalistas, em busca de uma lógica na circulação de notícias, como mostram os estudos de agendamento da mídia. Mas são insuficientes se não levarem em conta a evolução dos estudos no campo da publicidade e das técnicas de consentimento e controle da opinião pública usada há mais de um século por agências de inteligência, órgãos governamentais e institutos de pesquisas como o Instituto Tavistock, mantido por fundações internacionais. Hoje o consentimento político de caráter nacional ou empresarial deu lugar ao global e a criação de um discurso único que, por trás de todas as causas, trabalha para a acumulação de poder dos grupos ligados às Nações Unidas e sua agenda. Não deixa de ser estranho afirmar que aqueles estudos financiados por instituições como Rockefeller, Ford, entre outras, tinham somente uma curiosidade científica e nenhum interesse em descobrir técnicas de controle. Ainda mais ingênua nos parece essa afirmação se constatarmos que estas instituições hoje comandam os altos executivos das maiores empresas de mídia do mundo.

Os intelectuais globalistas, que como dissemos no início, são herdeiros daquela pequena burguesia revolucionária, órfã e saudosa do poder estatal, hoje controlam a opinião pública conduzindo-a como bem entendem e para os fins que deseja, sem que ninguém se oponha de forma eficiente nos mesmos termos, isto é, por influência simétrica na opinião pública. Neste sentido, a compreensão das suas técnicas e o seu reconhecimento na realidade deveria ser a primeira etapa para qualquer reação às campanhas de consentimento, já que elas atuam muitas vezes em terrenos simbólicos e até subliminares de significação.

Afinal, como afirmou Bernays, “a manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder do nosso país”.

Cristian Derosa é jornalista.

Quarto Poder, 1ª Parte.

O retorno do Exército Árabe Síria

Por: Valentin Vasilescu

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Rede Voltaire | Bucareste (Roménia) | 05 de março de 2016

Tendo que enfrentar durante os primeiros quatro anos da guerra, mal treinados, mas muito bem armados mercenários estrangeiros, em um fluxo substancial, o Exército Árabe Sírio, que desde 2005 não conseguia manter o estado técnico das suas armas, se faz retornar. Graças à formação por parte do Irã, da presença de membros da milícia popular e depois de receber material bélico moderno da Rússia, o Exército Árabe da Síria é agora capaz de recuperar o terreno perdido. A partir de dois meses de combate, com constante avanço das tropas.

Após cinco meses de ataques aéreos garantidos pelo grupo aéreo russo, com cerca de 70 aeronaves implantadas na Síria, muitos analistas militares, por ter o Exército Árabe da Síria se mostrado capaz apenas de recuperar uma pequena parte dos territórios ocupados pelos maravilhosos jihadistas, criticaram-no. Tais especialistas estabelecem uma comparação, totalmente inadequada, com o Exército dos EUA, que conseguiu ocupar o Iraque em quarenta e dois dias… Mas, com 1.800 aeronaves e 380.000 soldados.

O que motivou a baixa capacidade de combate do Exército Árabe Síria?

Durante os cinco anos desta guerra na Síria, entre 100.000 e 250.000 mercenários islâmicos recrutados e armados pela Arábia Saudita, Qatar, Estados Unidos e Turquia vem a penetrar o território sírio através das fronteiras desse país com a Turquia, Jordânia e Israel. Estes mercenários abriram várias frentes, forçando as unidades do Exército Árabe da Síria a se dispersar em pequenos grupos por todo o país.

Nesta primeira fase, as ações dos radicais islâmicos envolveram a realização de ataques surpresa contra instalações do Exército Árabe da Síria e da polícia. A reação do Exército Árabe da Síria foi lenta e inadequada, usando apenas as tropas da 104ª Brigada  da Guarda Republicana e da 4ª divisão mecanizada. O sucesso desta primeira fase de ataques dos chamados “rebeldes”, resultou em uma  propagação em cascata, principalmente devido a um perfeito conhecimento das fraquezas do Exército Árabe da Síria.  O Planejamento desses ataques tiveram como responsáveis os instrutores militares turcos das forças especiais (conhecidos como Bordo Bereliler, referência a boina vermelha escura usadas) e dos seus equivalentes da Arábia Saudita.

Durante os três primeiros anos da guerra, o Exército Árabe da Síria, cuja preparação focava uma guerra convencional a ser travada contra os seus vizinhos e não para a guerra assimétrica, mostrou apenas o básico em termos de disposições táticas, adotando-as de maneira inadequada, sem espaços entre dispositivos, cobertura de tiros entre os elementos destes mesmos dispositivos, sem técnicas de identificação para distinguir amigos de inimigos, etc. Os jihadistas, em contraste, detinham disponível, em grande quantidade, material de construção, importado anteriormente, tal como o equipamento que lhes permitia escavar túneis muito rapidamente, enquanto o Exército Árabe Sírio não possuía nenhuma forma de detectar a existência de tais túneis. Isto permitiu que as operações dos extremistas islâmicos agregar ao seu favor o fator surpresa contra as tropas sírias, incapazes de reagir à infiltração maciça de terroristas, e conseguir ocupar numerosas bases militares e depósitos de armas e munições. Portanto, o Exército Árabe Sírio não poderia mesmo garantir as medidas básicas de combate (e prevenção), ou prever o melhor momento para se preparar e planejar a guerra.

Os aviões de reconhecimento remotamente pilotados (UAV) Shahed-129, fornecido pelo Irã, ajudou a melhorar os procedimentos táticos dos grupos de assalto do Exército Árabe da Síria e seu uso bem sucedido, resultando na realização de manobras muito rápidas. A Rússia apoiou o governo sírio desde o início, tanto política e diplomaticamente, com embarques esporádicos de armas e cursos de formação. Mas no outono de 2015, a ajuda russa tornou-se uma ajuda à la carte, aumentando exponencialmente. O Exército Árabe da Síria viu-se rapidamente equipado com novas armas. Neste momento, chegou ao fim o período durante o qual o Exército Árabe da Síria resignou-se a sacrificar territórios e a se confinar, exclusivamente, para proteger sua população civil contra os extremistas da jihad.

Armas individuais e equipamentos de proteção

Em um primeiro momento, o Exército Árabe da Síria estava equipado apenas com os capacetes chineses QGF-02. Alguns soldados da Guarda Republicana e forças especiais tinham coletes blindados TAT-BA-7. As armas individuais consistiam de AK-47, como fuzis de assalto (ou a sua variante chinesa Type 56). A ausência de dispositivos de visão noturna, infravermelho e/ou binóculos com sistemas com intensificação de luz residual constitui uma séria limitação.

Embora a Síria tenha optado em 2005 por um projeto de equipamentos individual moderno, projeto russo conhecido como “Soldado do Futuro” (Ratnick) , no momento do início da guerra civil, tais equipamentos não tinham sido adquiridos, devido ao embargo imposto como resultado da suspeita de que seria a Síria aquela responsável pela organização do assassinato de Rafic Hariri (ex-primeiro-ministro do Líbano). Este equipamento individual inclui visores noturnos Baighis, nível 6 e o ​​fuzil de assalto AK-74M. Com a chegada dos instrutores russos, a maioria das unidades do Exército Árabe Sírio foram equipadas com os coletes balísticos 6B45, capacetes Kevlar 6b7 e fuzis de assalto AK-74M, ou AK-104, com o dispositivo lançador de granadas, GP-30. O Exército Árabe Sírio equipados com equipamentos russos de visão noturna moderna, lançadores de granadas termobáricas AGS-17, lançadores de granadas 6G30 (40 mm).

Shilkas
O combate urbano travado na Síria permitiu ver o retorno das veneráveis Shilkas, agora, na função de apoio de fogo aproximado. Os sensores sofisticados foram retirados, mas a mira óptica, então mero back up, foi mantida. Imagem: internet.

O retorno do exército sírio

Os reservistas

Durante estes cinco anos de guerra, o Exército Árabe da Síria sofreu pesadas baixas, superiores aquelas sofridas durante as guerras contra Israel, perda superior em termos de material bélico,  destruído, ou capturado pelos jihadistas, estando muitas cidades permanecendo sob o controle destes elementos, cuja ocupação se caracteriza pela posse 75% do território sírio geográfico, bem como pela execução cruel de soldados capturados e os civis favoráveis ​​à República Árabe Síria. Isso, por óbvio, dificultou a substituição do grande número de tropas que o Exército Árabe da Síria havia perdido, num processo que se tornou muito mais difícil do que o previsto nos planos de mobilização originalmente planejados em tempos de paz. Temendo por suas vidas, 130.000 reservistas não compareceram quando convocados, de modo que há apenas 270.000 combatentes. Dada a esta circunstância, o Exército Árabe da Síria recorreu à criação de subunidades formadas com voluntários mais idosos do que o esperado, calcadas na maior parte do tempo no princípio da territorialidade. Principalmente naquelas áreas atacadas pelos rebeldes, estes grupos de defesa locais sem coordenação alguma com as unidades do exército profissional, mal armados, destituídos  de treinamento físico adequado, desprovidos de treinamento de tiro, sem comandantes capacitados em escolas militares que por ventura fossem dotados de um mínimo de conhecimento aplicável em uma situação de combate, acabaram por sofrer baixas significativas, pois baseavam-se, unicamente, no seu entusiasmo patriótico

Com a melhoria da situação e a transição para o exército ofensivo, o Exército Árabe da Síria empreendeu com estes grupos de defesa locais treinamentos táticos intensivos, centradas em temas de guerrilha urbana com prática de tiro real, marchas e noções de engenharia e pirotecnia. Uma ponte aérea entre Damasco e Teerã foi implementada, proporcionando que voluntários sírios fossem treinados pela Bassidji iraniana, que recebe e continua recebendo combatentes do Hezbollah. Pela primeira vez, os iranianos treinam não só os xiitas, mas também os sunitas e os cristãos.

As operações especiais

As forças especiais sírias foram formadas e treinadas pelo exército egípcio, durante a década de sessenta (1960-1969), de acordo com um programa de comandos britânicos, focado em unidades de infantaria ligeira, bem como nos militares capacitados como paraquedistas. No início desta guerra, o Exército Árabe da Síria tinha seis batalhões independentes de forças especiais e outro batalhão de paraquedistas, que é a 104ª Brigada da Guarda Republicana.

Um grupo de Comandos, denominado “Leões Protetores”, subordinado 4ª Divisão Mecanizada, que opera no norte da Síria, foi estabelecido como tal em maio de 2014. No início desta guerra, equipamento das forças especiais sírias era tão pobre quanto aquele de outras forças do Exército Árabe da Síria e os Comandos não detinham mais a experiência em combate urbano, ou de combate anti-inssurrecional, adquirida em Beirute, em 1982. Naquela época,  unidades de Comandos sírios foram equipados com lançadores RPG-7, sistemas de mísseis anticarro 9K111 e Milan-1, que tinha causado enorme devastação entre os blindados israelenses.

A situação obteve significativa melhora quando da chegada na Síria da Força al-Quds, provinda do Irã, bem equipados e bem treinados, e dos combatentes do Hezzbollah libanês com grande experiência em guerra urbana. É interessante a lembrança que as forças especiais iranianas foram criadas e moldadas como espelho das suas equivalentes americanas e britânicas (Special Boat Service-SBS), nos tempos do Xá Mohammad Reza Pahlavi. Os comandos do Hezzbollah libanês, por sua vez, apresentaram-se armados com modernos mísseis anti-carro (9M113 KONKURS, 9M131 Metis-M e 9M133 Kornet-E) e lançadores de granadas RPG 7V e RPG-29, adquiridos em 2006, provados em uma experiência de combate sólida, com táticas assimétricas e de guerra urbana contra os Carros de Combate Merkava do exército israelense. E eles têm aperfeiçoado novas técnicas de combate anti-tanque extremamente eficazes.

Com a chegada de elementos Spetsnaz [1], além de instrutores russos, tudo que havia acabou por ser analisado e revisto de acordo com princípios de ação e regras claras. Apesar de o Irã ter investido fortemente no equipamento das forças especiais, tal equipamento não era de última geração, como dos russos. Fotos recentes de membros das forças especiais sírias apresentam-nos equipados exatamente como os russos, tecido de proteção térmica, camuflagem tipo MultiCam, com capacetes Fast Ops-Core que possuem um sistema optrônico integrado à prova de bala, dispositivos de visão noturna, colete com capuz e botas de qualidade, fuzis equipados com mira telescópica, padrão de precisão britânico AWM, com silenciadores, ou armados com fuzis de assalto AK-74M, equipado com um telêmetro a laser Alpha 7115, lançador de granadas automático AGS-30, ou de metralhadora.

O progresso havido no treinamento e equipamento dos Comandos sírios com armamento moderno pode ser visto na operação recente, que visou a recuperação da estrada Khanasser-Ithriyah,  única maneira de fornecer comunicação efetiva (logística) para as forças pró-governo na província de Aleppo.

Os Snipers

Lutas em áreas urbanas não podem ser concebidas sem o uso de muitos atiradores de elite, treinados e equipados com armamento moderno. No início da guerra, devido a ausência de pontos de observação, principalmente nas partes superiores dos edifícios e da presença de  franco-atiradores, os “homens-bomba” poderam facilmente escolher seus alvos e se explodir, ou penetrar veículos em postos de controle do Exército Árabe da Síria. Este último possuía alguns snipers e tinha apenas antigos modelos de rifles com miras telescópicas, como o Dragunov SVD e DRM (fuzil da NORINCO, empresa chinesa que produz uma copia do velho M-14 norte-americano). Posteriormente, o Exército Árabe da Síria dotou-se de cópias iranianas do fuzil austríaco Steyr HS.50 com mira telescópica, dos russos vieram os modernos Orsis T-5000 (7,62 milímetros), também com uma mira telescópica, e metralhadora KSVK com mira telescópica (12,7 mm).

Por iniciativa iraniana e russa criou-se uma escola na Síria para atiradores do exército, com instrutores libaneses (Hezzbollah), iranianos e russos. Os atiradores russos são considerados os melhores do mundo, graças aos seus centros de preparação, armas, camuflagem e formação. O foco para os atiradores sírios está exemplificado na máxima: “tornar-se invisível e ver sem ser visto”.

Kontact-5
CC T-72 equipado com blindagem reativa Kontact-5. As blindagens ERA mostraram-se muito efetivas no conflito sírio. Imagem: internet.

Viaturas blindadas e os corpos mecanizados

Quando foi empregado durante a Segunda Guerra Mundial, a finalidade do tank era de atacar, quebrar as barreiras e as linhas de defesa do inimigo graças à proteção de sua armadura, do poder de fogo e da alta mobilidade. No nosso tempo, unidades equipadas com sistemas de mísseis antitanques são muito menos caros do que as unidades de tanques, cuja ação é difícil em um ambiente hostil saturado com armas antitanque. Os blindados enviados para restaurar a ordem, sem um exame aprofundado do âmbito de ação, desprovidos do apoio da infantaria e forçados a operar no meio das aldeias, acabaram por cair em emboscadas sob o fogo de lança-granadas portáteis e mísseis antitanque. Dezenas de milhares de sistemas de mísseis antitanque BGM-71 TOW, norte-americanos, Milan-2, franco-alemão, bem como do croata lança – foguetes M-79 Osa, foram introduzidos secretamente na Síria pelos serviços de inteligência da Turquia, Arábia Saudita, França e dos Estados Unidos.

Os blindados sírios não exibiam proteção ativa, como as  placas ERA, montado na parte frontal e na parte superior da torre, ou sistemas coletores que permitem cegar e confundir a orientação dos mísseis antitanque, ou sistemas de proteção ativa, com sensores que ativam a intercepção dos mísseis antitanque e possa destruí-los antes que eles atinjam o escudo (ERA). Devido a estas deficiências, perderam-se Carros de Combate por  miudezas,  perfurados que foram com um golpe direto. E vendo-os destruídos, ou danificados às centenas, o Exército Árabe da Síria teve que se adaptar, empreendendo soldas de  chapas de aço e montagem de placas para incorporar ERA com o intuito de neutralizar os impactos cumulativos.

Após a sua chegada à Síria, os instrutores militares russos também descobriram que um dos maiores erros que o Exército Árabe da Síria havia cometido era o abandono do blindado danificado. Os russos perceberam que a maioria dos que foram abandonados foram reparados por militares turcos especialistas em blindados, que os levaram até aos jihadistas, ou que foram usados ​​como baterias de artilharia fixa para fortificar posições capturadas. Portanto, o Exército Árabe Síria aumentou o número de subunidades de reboque e prontificou a  evacuação dos blindados danificados, bem como levantou e equipou oficinas de reparos.

No início de 2016, os russos forneceram aos sírios, para uso do seu  exército cerca de 20 tanques T-72B3 e T-90S, que têm uma proteção reativa eficaz contra  os mísseis antitanque norte-americanos BGM-71 TOW. O tanque T-90S tem sido utilizada na composição de destacamentos avançados para quebrar as defesas das jihadistas, como foi visto em fevereiro de 2016, durante a ofensiva para liberar a cidade de Kuweires, junto de Aleppo. Embora tenham sido integrados no Exército Árabe Sírio, os tanques T-90S foram pagos pelo Irã e estão sendo usados ​​por tripulações iranianas.

A Artilharia

Além dos blindados capturados ao Exército Árabe da Síria, os extremistas islâmicos receberam lotes de caminhões equipados com artilharia, metralhadoras pesadas, lançadores de foguetes, metralhadoras leves e armas de pequeno calibre, o que lhes permite exibir uma grande mobilidade e, assim, a possibilidade de explorar o efeito de surpresa de maneira contumaz. Para neutralizar essas metas, então dispostas em uma área limitada seriam necessárias munições inteligentes, algo que o Exército Árabe da Síria não dispunha. Os russos forneceram o “PRP-4A Argus” para a artilharia expedicionária, que determina as coordenadas dos sistemas de artilharia para o fogo de contra-bateria (artilharia inimiga), blindados de reconhecimento inimigos, bem como a posição dos grupos isolados de franco atiradores, com a marcação fornecida de forma automática por telêmetros lasers conjugados. Além desses equipamentos, o Exército Árabe Sírio recebeu lançadores de mísseis dotados de ogivas termobáricas (220 mm) TOS-1 “Buratino”, que apresenta uma taxa de fogo de 24 rodadas em 7, ou 15 segundos. Uma salva de TOS-1 abrange uma área de dispersão de fogo de aproximadamente 200 metros por 400 metros.

Com a chegada dos instrutores da Rússia para a Síria o padrão foi elevado para o conceito de feixe laser dentro do Exército Árabe da Síria, com o uso dos mísseis  guiados KM-2 Krasnopol. Este sistema precisa de um operador para o dispositivo LTD (laser designador de alvo) que ilumina o alvo com o laser de um veículo blindado. Abrangendo a área de 2 quilômetros de comprimento por 1,6 km de largura, ao redor do alvo, o sistema de orientação de mísseis Krasnopol é direcionado para o alvo iluminado pelo laser.

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Su-34 sendo abastecido para mais uma surtida. A Força Expedicionária Russa mostrou-se vital para a virada da maré do conflito. Imagem: internet

Aviação de combate

Até a chegada do contingente russo, a força aérea síria não dispunha de sistemas para orientação de armas destinadas ao ataque com alta precisão, capazes, por isso,  de garantir um apoio para as tropas terrestres. Por essa razão, a aviação síria utilizava principalmente foguetes não guiados de  57mm e bombas convencionais dos modelos FAB-50 e FAB-100, por sua vez lançadas em mergulhos na altitude compreendida entre 1 500 e 3 000 metros. Portanto, as aeronaves sírias operavam dentro da faixa que as tornavam vulneráveis ​​ao fogo das peças de artilharia de 23 e 30 mm, em poder dos islamistas e bem dentro do alcance dos mísseis portáteis terra-ar (MANPAD), o que explica as numerosas perdas de aeronaves por parte da aviação síria.

Enquanto isso, 21 bombardeiros Su-24MK sírios foram modernizados na Fábrica No. 514 ARZ em Rzhev, Rússia, subindo de nível para o padrão Su-24M2, equipados com sistemas de navegação e de guiamento para armas de precisão (PNS-M), tal como os modelos russos desdobrados para a Base Aérea Hmeymim. Em 2015, a Rússia entregou motores aeronáuticos e aviônicos, dentre outras peças para modernizar 64 MiG-23 MLD, trazendo-os ao nível MiG-23-98. O MiG-23 tem os sistemas OLS-M, da classe LANTIRN para navegação noturna, detecção de infravermelho dos alvos terrestres e orientação voltada para vários tipos de armas inteligentes, tais como aqueles usados ​​por bombardeiros táticos russos instalados na Síria.

Os Su-24 e MiG-23 da Força Aérea da Síria, podem agora executar os bombardeio de precisão necessários, dia e noite, a partir de altitudes em que estão fora do alcance dos mísseis terra-ar portáteis. Então, conseguem, por exemplo, destruir postos de comando subterrâneos que jihadistas haviam construído em todos os lugares com o uso de bombas dotadas de ogivas de penetração. Para atingir as tropas terrestres inimigas, ao contrário do ano anterior, já não se faz mais necessário o uso de barris explosivos (bombas barril) largados de helicópteros, que de qualquer forma seriam (os helicópteros) alvos passíveis de serem destruídos por sistemas antiaéreos do tipo MANPAD.

Valentin Vasilescu

[1] Spetsnaz: é um apelo genérico, nascido na antiga URSS, que continua hoje a designação de grupos de intervenção ou forças especiais de vários órgãos ou serviços armadas russas do Ministério do Interior e Justiça, ao FSB e as diferentes ramos das forças armadas. Nota pela Rede Voltaire.

Documento reservado da OTAN destaca que a Rússia é superior às forças da Aliança na Síria

Por: Josef Hufelschulte

Fonte: Focus

Tradução: J.Junker

Sábado: 05.03.2016

Desde setembro, a Força Aérea Russa está voando e atacando na Síria. Na imprensa, há denuncias de que os repetidos bombardeiros de Putin mataram centenas de civis. Ironicamente, no entanto, a OTAN elogia a Rússia em seu relatório: Ela está bombardeando “com precisão e eficiência”, ele diz – e teria um efeito muito maior do que o uso do armamento da OTAN.

O relatório da Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN) certifica que a Força Aérea Russa, implementada na Síria, alcançou um alto nível de profissionalismo. Isto foi relatado pela Focus, citando uma análise confidencial da OTAN, feita em Bruxelas.

Embora os aviões de combate das forças armadas russas são claramente inferiores aos jatos da aliança ocidental numericamente, os pilotos do Kremlin obtiveram, em operações contra a rede terrorista EI e outros grupos rebeldes, um impacto total maior. Isto foi devido à maior frequência de ataques aéreos russos, a Focus relata, citando o documento secreto.

Assim, cerca de 40 máquinas russas estacionados na Latakia voam até 75 missões por dia. Os ataques aéreos são executados “com precisão e eficiência”. A frota da OTAN conta com um total de 180 máquinas, que diariamente atacam apenas 20 alvos no solo. O Presidente Vladimir Putin, Comandante Supremo das forças russas, pretende aumentar, em futuro próximo, para até 140 aviões na Síria. Recentemente, a OTAN se sentiu constrangida pelo desdobramento de quatro caças multipropósito Sukhoi Su-35 na Latakia. O Su-35 é superior à maioria dos aviões de produção ocidental, de acordo com especialistas.

EI demonstra força no chão

De acordo com a OTAN, até agora apenas 20 por cento dos ataques russos foram contra terroristas, sendo a maioria contra milícias anti-Assad, algumas delas apoiadas pelo Ocidente. A forte presença dos terroristas e seus ganhos de terreno podem ser explicados pela dispersão dos rebeldes, por medo de ataques aéreos em suas posições.

Ao atacar, os pilotos do Kremlin usam informações de reconhecimento aéreo sírio. Além disso, as forças e espiões russos marcam instalações estrategicamente importantes. Sobre civis mortos nos ataques de aliados e da Força Aérea Russa não há nenhuma informação no documento secreto. De acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos mais de 1700 civis morreram desde Setembro de 2015 nos ataques aéreos russos, incluindo 423 crianças.

Nota do Editor: o que é conhecido como “Observatório Sírio para os Direitos Humanos” não passa de um simples ativista, comprometido ideologicamente, que mora acima de uma tecelagem em Londres. Vê-se, portanto, ao baixo nível no qual a grande imprensa é capaz de chegar no seu afã de desinformar. A credibilidade da grande imprensa não passa de miragem, fantasia, ou algo parecido.

Hillary Assobrada pela Líbia

Por: Eric Margolis 

Fonte: Eric Margolis.com

Adaptação: César A. Ferreira

No corrente ano de 1987 desloquei-me até a Líbia para entrevistar seu homem-forte, Muammar Khadaffi. Vivenciamos um entardecer conversando na sua colorida tenda beduína ao lado dos Quartéis Bab al-Azizya em Trípoli que haviam sido bombardeados um ano antes pelos EUA em uma tentativa de matar o altivo líder líbio.

Khadaffi preveniu-me que caso fosse derrubado, a Líbia dividir-se-ia em três partes, tornando-se novamente presa do domínio ocidental. Seus esforços para tirar o mundo árabe e a África Ocidental da subserviência e do atraso findar-se-iam, anteviu.

Correto estava o líder líbio. Hoje, após sua morte, a Líbia se fragmenta em regiões hostis. Os EUA, França e Egito expandem sua influência pela Líbia, por último tendo-se  juntado a Itália, governante colonial da Líbia no passado. Instalaram o conjunto habitual de serviçais para cumprir suas ordens. Velhos hábitos são difíceis de morrer.

Vamos ouvir muito sobre a Líbia após as  vitórias grandiosas de Hillary Clinton e Donald Trump nas primárias da última Super Terça.

A ex-secretária de estado Hillary Clinton logo enfrentará o retorno de uma grande ameaça que a persegue desde 2012 – o ataque de extremistas da jihad contra o consulado americano em Trípoli, Líbia e a subsequente chacina a do embaixador americano Christopher Stevens e seus seguranças.

Os republicanos vêm tentando jogar a culpa por Benghazi sobre Clinton. Até agora não tem sido bem-sucedidos. Mas o boca de trapo Donald Trump com certeza hostilizará Hillary por Benghazi, seu registro como Secretária de Estado que nada fez e os problemas legais advindos. E mais, a autêntica história da falsa “libertação” da Líbia pode finalmente vir à tona.

Nem os democratas, ou republicanos até agora ousaram revelar o que realmente se deu em Benghazi. A chamada “revolução popular” de 2011 na Líbia foi um elaborado complô da França, Grã-Bretanha e EUA, ajudados pelos Emirados do Golfo e Egito, para derrubar Khadaffi, homem-forte da Líbia por quatro décadas, e assim assumir o controle de seu petróleo de alta-qualidade.

A inteligência ocidental e ONGs semi-governamentais utilizaram as mesmas táticas de subversão na Líbia que haviam empregado nas bem-sucedidas “revoluções coloridas” na Geórgia, Ucrânia e Síria, porém fracassadas no Irã e na Rússia.

Os franceses desejavam derrubar Khadaffi, pois ele afirmava ter ajudado a financiar a eleição do ex-presidente Nicholas Sarkozy. Este negou a acusação. Os árabes do Golfo queriam Khadaffi morto porque ele continuava acusando-lhes de roubar a riqueza árabe e serem fantoches das potências ocidentais. Elementos operativos da inteligência francesa tentaram assassinar Khadaffi nos anos 80. O MI6 da Grã-Bretanha procurou matar o líder líbio com uma massiva explosão de um carro-bomba em Benghazi.

A operação de mudança de regime pelos EUA, França e Grã-Bretanha começou em 2011 com os protestos populares engendrados em Benghazi. Logo foram seguidos por uma operação militar clandestina liderada por forças especiais ocidentais contra o esfarrapado exército de Khadaffi, seguido por pesados ataques aéreos. A mídia ocidental amestrada, de boa vontade fechou os olhos a esta intervenção militar ocidental, saudando-a  de “revolução popular” na Líbia.

Após Khadaffi ter sido derrubado e assassinados (reportadamente por agentes da inteligência francesa), enormes estoques de armas tornaram-se disponíveis. A secretária de estado Clinton, que patrocinara a derrubada de Khadaffi, decidiu armar a mais nova “revolução colorida” do Ocidente, os rebeldes anti-Assad da Síria.

A maioria das armas líbias estava estocada em Benghazi, foram transportadas via aérea para o Líbano, ou Jordânia, então sendo contrabandeadas para os rebeldes na Síria. O embaixador americano Stevens estava supervisionando as transferências de armas do consulado em Benghazi. Ele foi morto por jihadistas anti-americanos combatendo a ocupação da Líbia e não por “terroristas”.

Hillary Clinton, financiada por neocons importantes, arca com a responsabilidade principal por duas calamidades: a deposição de Khadaffi e a terrível guerra civil da Síria. Khadaffi estava contendo numerosos grupos jihadistas norte-africanos. Depois de sua derrocada, eles despejaram-se para o sul, no Sahel e regiões subsaarianas, ameaçando os governos dominados pelo Ocidente.

Também descobrimos que o Departamento de Estado de Clinton deu luz verde para mais de US$ 150 bilhões em vendas de armas para dezesseis nações repressivas que doaram grandes somas para a Fundação Clinton – uma espécie de governo no exílio para o Clinton Clan.

Todos os negócios sórdidos. Não é de se admirar que tantos americanos exibam fúria para com a sua classe política. Um bocado de munição para Donald Trump.

TOW-2A VS. T-90: análise detalhada do evento

Por: Viktor Murakhovsky.

Fonte Original : Gazeta.ru  

Adaptação: César A. Ferreira

A Síria tem visto muitos tipos de mísseis anti-tanque, armas guiadas (ATGMs) e armas anti-tanque leves, que estão sendo utilizados no seu território. Há aqueles da era soviética como da série de mísseis FAGOT/ FAKTORIYA e KONKURS, bem como o KORNET , mais moderno, dentro da dotação do EAS – Exército Árabe da Síria. Do outro lado temos o  TOW-2A, fabricado nos EUA, que foi e provavelmente está sendo neste momento entregue para a chamada “oposição moderada”, pelos EUA, e também pela Turquia e Qatar, em favor dos grupos islamitas. Há também os ATGMs chineses e iranianos, que são utilizados por militantes, as forças do governo e combatentes curdos. O RPG-7, leve, é mais amplamente usado pela infantaria em armas, incluindo as suas cópias chinesas e iranianas, além do descartável RPG-22.

Os mísseis TOW-2A, de origem norte americana são sem dúvida alguma, uma das armas mais perigosas usadas contra tanques sírios. Aqueles que são utilizados na Síria proveem de vários lotes de fabricação. Alguns dos anos 90, outros muito mais recentes, exibindo marcações de 2012-2013. Destes, quase todos são da moderna variante TOW-2A dos quais várias dezenas de milhares foram fabricados nos EUA e exportados para vários países. Todos são guiados por fio, exceto a versão Aero-RF orientada por rádio-comando, que não foi vista na Síria. Os insurgentes tendem a filmar o emprego em combate do míssil  TOW como prova, para receber as recompensas oferecidas pela destruição de equipamentos sírios.

O míssil é guiado utilizando um dispositivo de visão optrônica comum. A mira é colocada em alças, o míssil é lançado, e o operador continua a manter a mira no alvo. O dispositivo de vista contém um chamado coordenador, que acompanha o traçado (trajetória) do míssil por uma lâmpada de xenon e um emissor infravermelho, localizado na cauda do míssil. Dependendo do nível de desvio em relação à linha de visada, o coordenador gera correções que são transmitidos através do fio. O carretel de fio situa-se no próprio míssil. Muitos mísseis usam de princípios semelhantes, incluindo aqueles da era soviética. Não há necessidade alguma de iluminar o alvo, ou de marca-lhe a distância. TOW-2A faixa máxima é 3.750 m, que abrange a uma velocidade subsônica de 250-260 metros/s.

O TOW porta um conjunto de carga, na forma de uma ogiva. O nariz exibe uma protuberância, na forma de uma antena que possui a função detonar a blindagem reativa, presente no alvo como elemento de proteção. A carga principal é 152 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 6 kg, o que permite uma penetração da ordem de 850-900 mm de uma blindagem homogênea  aço atrás da proteção reativa.

O TOW-2A foi usado para destruir um helicóptero Mi-8 danificado, isto durante a operação de resgate ao piloto do Su-24M2 abatido pela THK. O míssil pode ser usado contra vários tipos de alvos, incluindo helicópteros voando baixo. Os ATGMs contemporâneos, incluindo os russos, possuem rastreadores automáticos de alvos o que permitem ao operador não precisar se preocupar sobre o acompanhamento manual do alvo. Carros de Combate T-72B3 russos, que pode lançar mísseis guiados, têm desses rastreadores. A destruição do alvo na forma de um Carro de Combate é praticamente garantida se ele for atingido por um míssil deste na lateral, ou na parte traseira. Na parte frontal o Carro de Combate, em geral, possui suficiente proteção para suportar tais acertos.

O que vemos no vídeo? Vemos um modelo de 1992 do T-90 com uma torre cast. Isto é muito evidente a partir da presença de Shtora e a forma da escotilha do artilheiro. Os Carros de Combate T-90 do modelo 2004 tem uma torre soldada com um nível mais elevado de proteção. O Carro de Combate é protegido pela Kontakt-5, uma blindagem reativa. A sua aparência e espaço é demandada pela proteção da blindagem disposta em camadas. Pode-se ver que o míssil atingiu “o rosto” da torre, na dianteira esquerda, provocando a detonação da Kontakt-5, mas, aparentemente, não conseguiu penetrar a armadura principal.

A tripulação do tanque havia negligenciado os seus deveres no campo de batalha: as escotilhas estavam abertas, o Shtora não estava ligado. Isto sugere que a tripulação não tenha sido muito bem treinada. Têm-se informações sugerindo que as tripulações sírias não são treinadas na Rússia, mas no local. Há especialistas russos na Síria, mas eles trabalham como instrutores na base Ithriyah. A explosão de uma ogiva 6 kg naturalmente causou explosão considerável pressão que penetrou na escotilha aberta, o que levou o artilheiro atordoado para saltar para fora do tanque. Caso a escotilha estivesse fechada, ele não teria sofrido com o excesso de pressão. A proteção frontal do Carro de Combate é várias vezes maior do que a proteção lateral. Os tanques soviéticos e russos são projetados para suportar acessos por maioria de munições a partir do aspecto frontal, em outras palavras, dentro do arco de 60 graus à frente.

A tripulação do Carro de Combate exibiu falta de treino, e a forma como o tanque estava sendo utilizado deixa muito a desejar. Carros de Combate devem ser parte de equipes de armas combinadas e a operar próximo do apoio proporcionado pela infantaria. Como se pode perceber, a tripulação não detectou o lançamento do míssil. Se, ao menos três tanques, ou um pelotão, estivessem operando em conjunto, mutuamente interligados em seus campos de visão e fogo, e se a infantaria realizasse reconhecimento armado à frente dos tanques, a tripulação míssil teria sido destruída imediatamente após o lançamento. O tanque também não faz nenhuma tentativa para manobrar. Um único Carro de Combate, isolado, como quem está sentado, é um alvo ideal.

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Ilustração de como aparece o míssil no visor, quando do ataque com um míssil  de orientação beam rider. Imagem: Gazeta.ru

O vídeo foi filmado em Sheikh-Akil noroeste de Aleppo, onde os “Falcons” da montanha Zaviya estão operando como parte do 5º Corpo do Exército Livre da Síria. Deu-se um reconhecimento vigoroso por combatentes Khazaras e Afegãos. Houve a tentativa de capturar Sheikh-Akil, mas foram repelidos a toda volta. Os  vídeos posteriores da mesma cidade não mostram o T-90 destruído, embora haja vídeos que mostram a retirada das tropas e dos equipamentos. Isso significa que o tanque permaneceu no campo de batalha, ou dele foi evacuado, retirado. Em termos pessoais creio que o tanque permaneceu móvel e a tripulação tenha sobrevivido, embora seja possível que alguns de seus dispositivos de observação tenham sido danificados.

O Shtora-1 é equipamento padrão em um Carro de Combate T-90. Os dois projetores montados na torre emitem radiação modulada nas partes ópticas e no campo infra-vermelho do espectro. O sistema suprime os coordenadores optrônicos dos ATGM a uma distância de 2-2,5km. Os sistemas de rastreamento dos ATGM recebem sinais falsos dos emissores do Shtora de tal maneira que os mísseis passam a receber correções de curso inadequadas, o que os levam a voar para o lado, ou simplesmente deixar de funcionar. O Shtora tem uma probabilidade de sucesso de cerca de 80-90% contra um ATGM. É muito eficaz contra mais velhos, caso MILAN, HOT, TOW, FAGOT, KONKURS, e outros. Mas o TOW-2A exibe não só uma lâmpada de xénon, mas também um emissor de infra-vermelho, que emite um sinal codificado, fazendo com que o Shtora se torne menos eficaz contra este modelo do míssil. É por isso que Shtora não foi incluído nos modelos mais recentes da Rússia, por exemplo, o modernizado T-90SM ou o T-72B3.

Existem sistema de detecção de lançamento de mísseis modernos que operam no espectro UV, que podem ser instalado em UAVs e em veículos terrestres, mas até agora eles são experimentais. Tais sistemas detectam a pluma de um motor foguete. Podem emitir avisos de lançamento, permitindo que a tripulação aponte as armas do tanque em relação à fonte do lançamento e ejete uma tela de aerossol capaz de esconder o tanque de sistemas de detecção ópticos e de infravermelhos.

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CC T-72 destruído por uma arma guiada anti-carro. Imagem: Gazeta.ru

Os veículos mais modernos, como o Armata, estão equipados com defesas ativas que podem abater o míssil em aproximação, a partir de distâncias da ordem de 3-5 m. Enquanto na luta contra a Síria têm-se visto modelo  T-90 de 1992, há no inventário russo  o modelo de 2004, o T-90A. Os T-72s são mais vulneráveis ​​contra ATGMs com ogivas em tandem. Eles podem ser modernizados utilizando kits applique  desenvolvidos pela Uralvagon, o que lhes aumenta a capacidade de sobrevivência.

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CC T-55 do Exército Árabe da Síria equipado com jameador optrônico de fabricação local. Imagem> Gazeta.ru

Deve-se acrescentar que os Carros de Combate do Exército Árabe Sírio e outros veículos blindados às vezes são equipados com “dazzlers”, ou sistemas desenvolvidos internamente com função semelhante ao Shtora, com a exceção de que fornecem um campo de proteção polivalente. Dado o fato de terem agora os sírios em sua posse vários TOW-2A capturados, podem desenvolver jammers capazes de funcionar contra esses mísseis, pelo fato de se saber as frequências e a variação do espectro na qual estão calibrados os rastreadores do referido ATGM.

A presença de T-90s, ou Su-35s não irá por si trazer um grande avanço na luta, no entanto, se os tanques forem usados ​​com habilidade, em estreita cooperação com outras armas e de forma concentrada, em massa, a eficácia de suas operações irá aumentar.