O ataque americano: a noite do golpe do mestre dos tolos

Autor:  Thomas Flichy de La Neuville
Tradutor: Alexey Thomas Filho
Fonte: Post Skriptum

Sabe-se que um exército frequentemente ataca hangares vazios, a fim de alcançar a calma na política. A Rússia,  cujo sistema de defesa poderia parar o ataque, foi avisada. Isto significa que os sírios foram avisados.

Exércitos muitas vezes atacam os hangares vazios, a fim de apaziguar as ações  políticas. Para Trump, era uma questão de aproveitar as alavancas do poder.

  1. Ataque americano demonstra o retorno dos neoconservadores no aparelho de Estado americano. Eles competiram com os isolacionistas, mas conseguiram vencer por eliminação: Mike Flynn e Steve Bennona. Donald Trump deu-lhes um presente simbólico ontem à noite. Desta forma, ele vai conhecer os lobistas da indústria de defesa, que tem medo do fim das guerras americanas. Ele também está satisfeito com Israel, que ainda mais se aproxima dos Estados Unidos. Golpe que finalmente acalma o eleitorado americano, confundido por rumores sobre a proximidade de Trump e Rússia. Isso cria para ele (o eleitorado) a ilusão de que os Estados Unidos ainda são fortes e independentes (do sistema financeiro).
  2. Trump, apesar do fato de que é um presidente eleito, ainda não tem realmente as alavancas do poder. Contra ele está a mídia, e a assistência jurídica e financeira. Por isso, detém não mais do que 2-3% do aparelho de Estado. A política externa não é atualizada. Ela está paralisada. É por isso que hoje, a China tem medo que Trump inicie um conflito de baixa intensidade na Ásia. Desde o início de março, há manobras importantes envolvendo americanos na Coreia do Sul. A Coreia do Sul mobilizou 300 mil pessoas. Agora, a guerra permite que o presidente venha a tomar as alavancas do governo. Os chineses estavam certos em geral, mas eles cometeram um erro com o teatro de operações militares.
  3. O golpe não tem consequências militares. Ele sofreu com a distância das principais frentes. Ele não vai mudar o equilíbrio de poder na Síria. Sabe-se que um exército frequentemente ataca os hangares vazios, a fim de alcançar a calma na política. Russos, cujo sistema de defesa poderia parar o ataque, foram avisados. Isto significa que os sírios foram avisados. Caso contrário, não teriam tão poucas baixas. Podemos imaginar as consequências do impacto de 50 mísseis de cruzeiro com “munições químicas” em depósito?
  4. O ataque à Rússia desempenha uma mão que está interessada, além dos protestos rituais para salvar a face e Trump, ter o poder real. Putin pode ajudar a espalhar a ilusão de Trump que a América tem o seu ponto de apoio na Síria.
  5. O ciclo de vida de mísseis Tomahawk é limitado e é bem mais barato lança-los do que destruí-los. Ao lançar 50 mísseis Trump flexiona os seus músculos sem muito risco para si mesmo. No entanto, o fato de que Putin ser engolido, pode não permanecer sem consequências. Sem dúvida, você deve esperar que eles venham a ocorrer onde ninguém espera: Ucrânia.

 

Nota do Editor do Blog DG: o autor, Thomas Flichy de La Neuville, é professor na renomada Escola Militar Especial de Saint-Cyr.

Turquia força violação do cessar fogo na Síria

Por: César A. Ferreira

A Turquia, movido pelo desespero frente ao desabar dos seus interesses em território sírio, perdeu todo o pudor possível passou a apoiar, de modo franco, a invasão da Síria a partir do seu território por extremistas da international jihad filiados ao Estado Islâmico. A ação se deu na data de 28 de fevereiro ultimo. Aproximadamente 100 dos combatentes do terror invadiram o território  fronteiriço curdo, especificamente a cidade de Kobane, palco de intensos combates entre 2014/2015, formando uma pinça que visava a cidade pelo norte e sul, com apoio de fogo de artilharia de campanha (155 mm) provindo da Turquia, fornecido, por óbvio, pelo exército turco.

O referido ataque foi sustado pelos defensores, resultando em aproximadamente 70 extremistas mortos, segundo informantes curdos. Apesar de a incursão ter sido dominada, ela ganha importância por ser um ataque de militantes do EI efetuado com explícito apoio turco contra um bastião do YPG/YPJ, grupo armado curdo que conta com apoio dos EUA. A artilharia turca faz com constância fogo contra localidades fronteiriças sírias, caso de Kobane, Tel Abyad e proximidades de Az’ az, portanto, percebe-se, que para ser alvejada uma determinada localidade, o critério único adotado pelos turcos é estar esta mesma localidade em mãos dos combatentes curdos. Todos os demais fatores são secundários.

O apoio da artilharia de campanha turca foi denunciado pelo Chefe do Centro Russo Para Reconciliação de Beligerantes, Tenente-General Sergei Kuralenko, segundo este oficial, a informação do apoio de fogo da artilharia turca os insurgentes provindos da Turquia foi verificada e confirmada através de vários canais, inclusive por “representantes das forças democráticas da Síria”. Segundo outro informante, Redura Khelil, representante curdo para contatos com a imprensa, os defensores curdos “foram capazes de repelir o ataque, sendo os agressores cercados e destruídos”. Não houve citação alguma sobre baixas curdas.