A loucura do Império aproxima a Rússia da Alemanha

Por: Pepe Escobar

Tradução: coletivo de tradutores da Vila Vudu.

Com Orwelliana maioria de 99%, que encheria de orgulho a dinastia Kim na Coreia do Norte, o Capitólio da “democracia representativa” passou como trator e aprovou o mais recente pacote de sanções da Câmara/Senado, que visa principalmente a Rússia, mas também atira contra Irã e Coreia do Norte.

O anúncio pela Casa Branca – no final da tarde da 6ª-feira – em pleno verão – de que o presidente Trump aprovou e assinará a lei acabou literalmente soterrado no ciclo do noticiário tomado completamente, 24h/dia, sete dias por semana, pela histeria relacionada ao chamado “russiagate”

Trump terá de justificar por escrito, ao Congresso, qualquer iniciativa para suavizar as sanções contra a Rússia. E o Congresso pode iniciar revisão automática de qualquer iniciativa dessa natureza.

Tradução: já soou o dobre de Finados de qualquer possibilidade de a Casa Branca vir a reiniciar melhores relações com a Rússia. O Congresso de fato está só ratificando a campanha em curso de demonização da Rússia, orquestrada pelo establishment do estado profundo neoconservador e neoliberal/Partido da Guerra.

Já há guerra econômica declarada contra a Rússia há, pelo menos, três anos. A diferença é que esse mais recente pacote também declara guerra econômica contra a Europa, especialmente a Alemanha. As sanções estão centradas no front da energia, demonizando a implantação do gasoduto Nord Stream 2 e forçando a União Europeia a comprar gás natural dos EUA.

Que ninguém se engane. A liderança da União Europeia revidará. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia disse-o até bem gentilmente: “‘EUA em primeiro lugar’ não pode significar que os interesses da Europa ficam em último”.

No front da Rússia, o que o Império das Sanções está conseguindo não pode ser visto nem como vitória rasa. Kommersant já noticiou que Moscou, dentre outras ações, retaliará com banir do mercado russo todas as empresas norte-americanas de Tecnologia da Informação e todos os produtos da agricultura dos EUA; também deixará de exportar titânio para a empresa Boeing (30% do titânio com o qual a Boeing trabalha é importado da Rússia).

No front da parceria estratégica Rússia-China, tentar limitar os negócios de energia Rússia-União Europeia só levará a maisswaps [trocas de moeda] entre o rublo e o yuan – plataforma chave para o mundo multipolar pós-dólar.

E há também o grande fator que possivelmente alterará todo o jogo: o front alemão.

O(s) louco(s) na colina [The Fools on the Hill*]

Mesmo sem considerar o recorde histórico sideral de número de vezes em que Washington não apenas interferiu, mas bombardeou vastas porções do planeta, para mudar regimes – do Iraque e Líbia até as atuais ameaças contra Irã, Venezuela e Coreia do Norte –, a histeria do russiagate em torno de a Rússia ter/não ter interferido na eleição presidencial de 2016 nos EUA é antinotícia, e hoje já completamente desmoralizada.

O xis da questão é, mais uma vez, as guerras de energia.

Segundo uma fonte norte-americana no setor de energia, com base no Oriente Médio e que não é refém do consenso da Av. Beltway, “a mensagem nessas sanções é que a União Europeia não teria futuro a menos que compre o gás natural dos EUA, para expulsar a Rússia. Negar à Rússia o mercado de gás natural da União Europeia sempre foi o objetivo por trás da guerra que os EUA acabam de perder na Síria, para implantar o gasoduto Qatar-Arábia Saudita-Síria-Turquia-União Europeia e abrir o Irã para um gasoduto Irã-Iraque-Síria-Turquia-União Europeia. Nenhum desses planos dos EUA funcionaram”.

A fonte acrescenta como prova, a guerra de preços do petróleo de 2014 contra a Rússia, orquestrada pelo “poder que o superávit de petróleo ou as próprias reservas garantem aos Estados do Golfo, para fazer dumping no mercado mundial. Depois que nada disso conseguiu dobrar a Rússia, tornou-se prioridade nacional para os EUA destruir o mercado russo de gás natural”.

No pé em que estão as coisas, 30% de todas as importações de petróleo e de gás natural da União Europeia vêm da Rússia. Paralelamente, a parceria Rússia-China de energia vai sendo progressivamente fortalecida. A Rússia já está posicionada para aumentar todas as exportações de petróleo e gás para China e para toda a Ásia.

A liderança em Berlim está agora convencida de que Washington está pondo em perigo a diversificação e a segurança energéticas da Alemanha, com essa guerra de sanções. O gás natural e o petróleo russos são protegidos em rotas terrestres e não dependem de transporte por oceano, o qual, como insiste minha fonte, “já não está sob controle dos EUA. Se a Rússia, em resposta à beligerância dos EUA, deixar cair uma Cortina de Ferro sobre a Europa, e redirecionar todas as suas exportações de gás natural e petróleo para China e Ásia, a Europa ficará condenada a depender de fontes instáveis e não seguras de gás natural e de petróleo, como o Oriente Médio e a África”.

E isso nos leva à possibilidade “nuclear” que há no horizonte: um alinhamento Alemanha-Rússia, num Tratado de Resseguro [ing. Reinsurance Treaty] como firmado pela primeira vez por Bismarck. A Think-tankelândia ligada à CIA discute hoje ativamente essa possibilidade.

Outra fonte ativa no business e na política dos EUA, também ativo praticante da arte de pensar fora da caixa do Departamento de Estado, destaca que “é disso que se trata. Esse sempre foi o verdadeiro objetivo da Rússia, e os EUA caíram na armadilha. Os EUA estão fartos de Alemanha e consideram fazer dumping contra produtos alemães nos EUA, com manipulação da moeda. Agora estão ameaçando a Alemanha com sanções, e não há o que a Alemanha possa fazer, com a União Europeia às suas costas enfrentando vetos da Polônia, que outra vez causam problemas aos alemães. Os doidos no Congresso estão mesmo à caça da Alemanha. E com isso estão jogando a Alemanha nos braços da Rússia”.

EUA, a nova Cartago

Uma possível aliança Alemanha-Rússia, como já escrevi, consuma a entente China/Rússia/Alemanha capaz de reorganizar toda a Eurásia continental.

A parceria estratégica Rússia-China, que facilita o acesso via Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) é extremamente atraente para obusiness alemão. Segundo minha fonte business/política, “Os EUA estão em guerra com China e Rússia (mas não Trump, nosso presidente), e a Alemanha está reconsiderando a situação em que ficará, de bucha de canhão nuclear para os EUA. Discuti isso na Alemanha, e eles estão pensando em renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia. Ninguém confia nesse Congresso dos EUA. É visto como um hospício, casa de doidos. Merkel pode ser convidada para a liderança na ONU, e nesse caso o tratado será assinado. Sacudirá o mundo e porá fim a qualquer ideia que reste sobre os EUA como potência global, que já não são”.

A fonte acrescenta, em tom de quase euforia, que “achamos que Brzezinski morreu por efeito da pressão de compreender o que se aproximava e de ver que todo o trabalho dele, uma vida dedicada a tentar destruir a Rússia por causa do ódio que tinha à Rússia, estava começando a ser desfeito”.

Assim, em certo sentido, “bem-vindos aos anos 1930s outra vez, e ao crescimento do nacionalismo na Europa. Dessa vez, a Alemanha não cometerá os erros de 1914 e 1941, mas se posicionará contra seus tradicionais inimigos anglo-saxões. Os EUA realmente se converteram na Cartago de hoje. A desordem no Congresso norte-americano reflete estupidez idêntica à que se viu em Cartago, quando os exércitos cartagineses provocavam Roma. Os políticos cartagineses minaram o seu próprio gênio, Aníbal, assim como os políticos dos EUA estão minando o maior presidente que os EUA já tiveram desde Andrew Jackson. Como Sófocles escreveu em Antígona, ‘Os deuses primeiro enlouquecem àqueles a quem querem destruir'” O Congresso dos EUA enlouqueceu.

Nota dos tradutores: (*) Há um trocadilho intraduzível com “hill” [colina, como na canção dos Beatles] e “Hill”[que designa a específica colina do Capitólio, com Senado e Câmara de Representantes dos EUA]. E na canção dos Beatles trata-se de um específico doido, no singular; no subtítulo de Pepe Escobar, são vários doidos, plurais (NTs).

Yuri Dolgoruky realiza com sucesso teste com míssil R-30 Bulava

Fonte: Agência Tass

Moscou, 26 de junho, Agência TASS:

O cruzador de mísseis subaquáticos Yuri Dolgoruky, conhecido como Projeto 955, pertencente à Frota do Norte da Marinha da Federação Russa, testou com sucesso um dos seus mísseis R -30 Bulava, no Mar de Barents,  atingindo todos os alvos designados no campo de treinos de Kura, em Kamchatka, informou o Ministério da Defesa da Federação Rússa nesta segunda-feira.

“O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos do projeto 955 Borey, Yuri Dolgoruky, realizou lançamento bem sucedido de um míssil balístico intercontinental R-30 Bulava, da área designada no Mar de Barents para o campo de prática balística de Kura, em Kamchatka. O lançamento foi efetuado a partir de posição submersa, em conformidade com o plano de treinamento de combate”. Assim declarou o Ministério da Defesa da Federação Russa.

“Os parâmetros da trajetória de voo do míssil balístico intercontinental Bulava foram praticados em regime normal. De acordo com os dados confirmados do equipamento de registro, as ogivas do míssil balístico intercontinental realizaram um ciclo completo de voo e atingiram com êxito os alvos designados na Faixa de Prática”, afirmou o Ministério da Defesa.

O lançamento anterior de um míssil R-30 Bulava deu-se em 27 de setembro último, quando o mesmo submarino, Yuri Dolgoruky, realizou o lançamento de uma salva experimental com dois ICBMs no Mar Branco em direção ao alcance da Prática de Kura, no extremo oriente russo. As ogivas do primeiro míssil realizaram um ciclo completo do programa de voo e atingiram com sucesso os alvos designados no intervalo de prática. O segundo míssil, todavia, se autodestruiu após realizar a primeira etapa do programa de voo.

O submarino Yuri Dolgoruky é a belonave que lidera o Projeto 955, Classe Borey. O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos está armado com um conjunto de mísseis balísticos intercontinentais lançados pelo mar, R-30 Bulava, bem como com torpedos pesados. O submarino pode ser também armado com mísseis de cruzeiro. Possui um deslocamento total de 24.000 toneladas, com dimensões aproximadas de 160 metros de comprimento e de 13 metros de diâmetro.

O Míssil Bulava R-30 é um vetor balístico de propulsor sólido, desenvolvido especialmente para os submarinos do Projeto 955. Ele pode entregar 10 ogivas de 150 kilotons a uma distância de 10.000 quilômetros.

Fotografia: Lev Fedoseyev/TASS

Tudo que você precisa saber para entender a força-tarefa naval russa ao largo do litoral sírio

Autor: The Saker,

Fonte original: Unz Review e The Vineyard of the Saker.

Fonte em português: Oriente Mídia

Data da publicação original: 25.10.2016

Tradução: Coletivo de tradutores da Vila Vudu.

 

A máquina de propaganda do Império Anglo-sionista, codinome “mídia-empresa”, enfrentou graves dificuldades para decidir o que devia publicar sobre a força-tarefa naval russa enviada para a Síria.

Afinal, os norte-americanos decidiram manifestar o desprezo de sempre por qualquer coisa que sugira Rússia e descreveram essa força como se construída em torno do porta-aviões “geriátrico” Almirante Kuznetsov; os britânicos optaram por descrevê-la como uma formidável “armada” a ponto de dar cabo, para sempre, dos terroristas moderados que há na Síria.

Meu amigo Alexander Mercouris recentemente escreveu análise soberba, explicando que, na realidade, essa força-tarefa não é nem geriátrica nem formidável. Em vez de repetir tudo aqui, prefiro escrever o que entendo que possa ser uma ‘atualização’ daquele excelente artigo, com uns poucos detalhes acrescentados. Primeiro passo: desmontar algumas concepções básicas erradas.

Comecemos pelo porta-aviões russo.

O “Cruzador Pesado Porta-aviões Almirante da Frota Soviética Kuznetsov”

Fiquem sabendo que os russos sequer chamam o Almirante Kuznetsov de porta-aviões. A designação oficial do Kuznetsov é “Cruzador Pesado Porta-aviões”. É importante entender por quê.

O que, na opinião de vocês, é um porta-aviões? Ou, dito de outro modo: por que os EUA mantêm uma força de 10-12 porta-aviões pesados? A acreditar-se no que dizia Ronald Reagan, seria para “posicionar adiante” [ing. “forward deploy”] e levar a guerra aos sovietes (essa era, então, a justificativa para haver 600 navios de guerra e porta-aviões dos EUA no Atlântico Norte). Nada poderia ser mais distante da verdade. De fato, porta-aviões de EUA, britânicos e franceses são ferramenta para impor o mando colonial. Você estaciona um ou dois grupos de combate naval em torno de um porta-aviões a umas poucas milhas de colônia desobediente, e bombardeia até cansar, ou até que a colônia se renda. Essa é, de fato, a única justificativa para tais descomunais estruturas. A beleza da coisa é que você pode ameaçar todo o planeta e que você não depende de aliados que concordem com sua missão. Assim sendo, pode-se dizer que porta-aviões dos EUA e de outros países ocidentais são uma projeção de capacidade de poder de longo alcance usados contra países pobres e fracamente defendidos.

Por que pobres e por que fracamente defendidos?

Aqui se chega ao feio segredo que todos sabem: porta-aviões não podem ser defendidos de ataque de inimigo sofisticado. Se a Guerra Fria tivesse esquentado, os soviéticos teriam atacado simultaneamente qualquer porta-aviões que vissem pela frente em todo o Atlântico norte, com um combo de:

Mísseis cruzadores lançados do ar;

Mísseis cruzadores lançados de submarinos;

Mísseis cruzadores lançados de navios de superfície;

Torpedos lançados de submarinos.

Kuznetsov lança um SU-33

O cruzador de combate movido a energia nuclear Pedro O Grande

Granit P-700 (3M45) de 7 toneladas

Esse é força da pesada e atualmente é a nave de guerra mais pesadamente armada de todo o planeta. Nem vou entrar em detalhes aqui. Os interessados encontram aqui uma lista de armas ali transportadas. Basta dizer que esse cruzador de combate pode fazer de tudo: antiaéreo, antinavios, antissubmarino. Está armado com sensores top de linha e comunicações avançadas. Sendo a nave madrinha da Frota do norte, é, na verdade, a nave madrinha de toda a Marinha Russa. Por último, mas não menos importante, o Pedro O Grande transporta carga formidável de 20 mísseis anti-superfície Granit (antinavios). Vejam, por favor, que o poder de fogo combinado dos mísseis antinavios Granit do Kuznetsov e do Pedro O Grande é 12+20, num total de 32. Adiante explicarei por que isso é importante.O restante da força-tarefa é composta de duas Grandes Naves Antissubmarino (“destroieres”, na terminologia ocidental), mais o Vice-almirante Kulakov e o Severomorsk, mais vários navios de apoio. O Kulakov e o Severomorsk são baseados no design Udaloy e são naves de combate modernas e de alta capacidade. Todas essas naves logo serão reunidas numa força, incluindo dois pequenos navios mísseis (corvetas, na terminologia ocidental) armados com os famosos mísseis cruzadores Kalibr especializados em ataques a navios de superfície. Por fim, embora nada disso venha a ser anunciado, creio que essa força-tarefa incluirá dois submarinos nucleares de ataque da classe Akula; um submarino míssil cruzador Oscar-II (armado com outros 12 mísseis cruzadores Granit) e vários submarinos elétricos-a-diesel da classe Kilo.Em resumo, o que ficou dito até aqui.A força-tarefa naval russa é tentativa, pelos russos, de reunir vários navios que jamais foram projetados para operar como uma única força-tarefa naval muito longe de território russo. Se quiserem, foi “sacada” muito esperta dos russos. Eu diria também que é sacada muito bem-sucedida, dado que essa força-tarefa é toda ela muito impressionante. Não, não pode ‘dar conta’ de toda a OTAN, sequer da Marinha dos EUA, mas pode fazer muitas coisas com muita efetividade.

Agora, a grande pergunta: O que a força-tarefa naval russa na Síria pode realmente fazer?

Antes de considerarmos o grande quadro, há um detalhe que acho que merece ser mencionado aqui. Praticamente tudo que leio sobre o míssil cruzador Granit diz que é míssil cruzador antinavios. Também escrevi isso, para manter as coisas em nível bem simples. Mas agora tenho de dizer que o Granit provavelmente sempre teve um modo “B” (B de beregovoy ou, se preferirem, modo “costeiro” ou “de terra”). Não sei se esse modo existiu sempre, desde o primeiro dia, ou se foi acrescentado depois, mas hoje já é absolutamente certo que o Granit tem esse modo. Foi provavelmente uma capacidade bem minimalista, sem auto-orientação e outros truques (que o Granit tem em seu modo principal antinavios), mas os russos revelaram recentemente que os Granits atualizados têm agora capacidade *real* (“complexa”) de ataque em terra. E isso exige que se reexamine o que essa novidade significa para essa força-tarefa. Eis o que sabemos do Granit novo e aprimorado (ao qual os russos referem-se como 3M45):

Resumindo tudo isso: o Kuznetsov é ótimo transportador de aviões que ainda assim reflete uma filosofia de projeto datada, que jamais considerou projetar o poder russo para longas distâncias, como acontece com os porta-aviões ocidentais, especialmente dos EUA.Agora, consideremos o restante da força-tarefa naval russa.O restante da força-tarefa naval russa em torno do Kuznetsov. Um grande nome imediatamente se destaca: o Cruzador Pesado Movido a Energia Nuclear Pedro O Grande.

Não posso provar o que digo a seguir, mas posso dar o testemunho de incontáveis amigos nas forças armadas dos EUA, inclusive vários que serviram em porta-aviões dos EUA, e todos eles compreendiam claramente que os porta-aviões dos EUA jamais sobreviveriam a ataque soviético de saturação, e que em caso de guerra de verdade teriam de ficar bem longe de litorais soviéticos. Acrescento apenas que os chineses, ao que parece, desenvolveram mísseis balísticos especializados, projetados para destruir grupos de combate de porta-aviões. Isso há tempos, no início dos anos 1990s. Hoje, até países como o Irã já começam a desenvolver capacidades para enfrentar e destruir com sucesso porta-aviões dos EUA.Os soviéticos jamais construíram qualquer verdadeiro porta-aviões. Tinham “cruzadores” com capacidade muito limitada para transportar aeronaves de decolagem vertical e, claro, helicópteros. Esses cruzadores tinham dois principais objetivos: ampliar o alcance das defesas aéreas soviéticas e apoiar o desembarque de força vinda do mar. Um traço muito especial desses cruzadores para transporte de aviões é que transportam mísseis cruzadores muito grandes (4,5-7 toneladas) projetados para atacar naves inimigas de alto valor, inclusive porta-aviões dos EUA. Podem ler aqui sobre o cruzador “da classe Kiev” para transporte de aeronaves. Outra característica chave desses cruzadores soviéticos transportadores de aeronaves é que transportavam uma aeronave cheia de problemas, a Yak-38 que seria alvo fácil para os F-14, F-15, F-16 ou F-18 dos EUA. Por essa razão, as defesas aéreas de classe-Kiev centraram-se em seus mísseis terra-ar, não no complemento de outras aeronaves. Quando o Kuznetsov foi construído, os soviéticos haviam desenvolvido aeronaves que eram no mínimo iguais, se não superiores, às contrapartes ocidentais: o MiG-29 e, especialmente, o SU-27. E isso deu a alguns soviéticos a ideia de construírem um porta-aviões “de verdade”.A decisão de construir o Kuznetsov foi extremamente controversa e enfrentou muita oposição. Os ‘pontos de venda’ do Kuznetsov eram a plataforma de defesa aérea muito superior; o fato de que podia transportar aeronaves muito superiores e por fim, mas não sem importância, que podia competir, em termos de prestígio, com os pesados porta-aviões norte-americanos, especialmente o planejado mas jamais construído porta-aviões movido a energia nuclear de uma geração futura. Considero esse argumento completamente não convincente; hoje já confio que a maioria dos planejadores da força naval russa concordariam comigo: a Rússia não precisa de porta-aviões de estilo norte-americanos, e se precisar de porta-aviões, mesmo de outro tipo, eles terão de ser projetados segundo padrões russos, para missões concebidas pelos russos, não como cópia dos norte-americanos.[Barra lateral: Eu adoraria pegar minha canastrinha de ideias e contar a vocês tudo que penso, de ruim, sobre porta-aviões em geral, e por que penso que a Marinha Russa devia ser centrada em submarinos e fragatas, mas isso tomaria todo meu espaço. Direi só que sempre preferirei ter muitas fragatas ou corveta, a ter uns poucos cruzadores pesados].

Assim o Kuznetsov acabou por ser uma mega concessão e, em matéria de concessão, uma bastante interessante. Pensem: transporta 12 mísseis massivos antinavios da classe Granit, e tem também, potencialmente, um complemento em aeronaves maior que o francês Charles de Gaulle (50 contra 40). Inicialmente, o Kuznetsov transportava 12 ar-ar puros SU-33, mas agora foram gradualmente substituídos por 20 MiG-29K muito mais modernos e seus 24 helicópteros Ka-27 serão substituídos pelos helicópteros de reconhecimento e ataque mais avançados do planeta hoje, o Ka-52K. O Kuznetsov mesmo assim tem dois grandes pontos fracos: uma propulsão sem dúvida datada (vejam o artigo de Mercouris) e a falta a bordo de um sistema AWACs. Esse último ponto fraco é consequência da filosofia de projeto do Kuznetsov, que nunca foi pensado para operar a distâncias acima de 500-1.000km das fronteiras russas (mais uma vez, a filosofia de planejamento da força russa, sempre para menos de 1.000km).

Massa: 7 toneladas;

Velocidade: Mach 1,5-2;

Alcance: 500-600 km; e

Ogiva: 750 kg (pode ser convencional e nuclear).

O Granit também é capaz de coisas muito avançadas, inclusive um míssil (destacado) que voa a 500m ou mais, para detectar o alvo e o restante da salva que parte rasante sobre a superfície ao mesmo tempo em que recebe dados daquele que voa acima. Esses mísseis também são capazes de atacar automaticamente de diferentes direções, para desnortear as defesas. Podem voar baixo, a 25m; e alto, a mais de 17 mil metros. Tudo isso significa que estes mísseis Granits são vetores de alta capacidade tático-operacional. E considerando que há, no mínimo, 32 desses na força-tarefa russa (46, se houver ali um submarino classe Oscar-II), significa que a força-tarefa tem poder tático para tiros de míssil similar ao de uma brigada completa de foguetes! Se as coisas ficarem realmente feias, essa força-tarefa pode não só ameaçar seriamente qualquer nave de superfície da Marinha dos EUA/OTAN a 500 km de distância da Síria, mas, também, qualquer cidade ou base militar nessa distância. Muito me surpreende que os doidos-por-guerras ocidentais tenham deixado passar esse detalhe, porque, sim, é coisa para assustar a OTAN muito, muito mesmo :-)Para ser honesto, alguns especialistas têm manifestado muitas dúvidas sobre as capacidades do Granit para ataque em terra. Todos sabem que são mísseis relativamente velhos e muito caros, mas ninguém sabe a quantidade de trabalho investido para modernizá-los. Mas ainda que tenham capacidades muito mais reduzidas do que foi anunciado, o fato de haver entre 32 e 46 desses mísseis ali perto, ao largo da costa da Síria, é formidável fator de contenção, porque ninguém jamais saberá o que esses mísseis podem fazer, até que tenham já feito.

Assim sendo,

As capacidades combinadas da força-tarefa naval russa e dos mísseis S-300/S-400 dispostos na Síria dão aos russos capacidade de defesa aérea de categoria mundial. Se preciso, os russos podem até lançar em combate os A-50 AWACs a partir da Rússia protegidos por MiG-31BMs. O que a maioria dos observadores não percebem é que aquele SA-N-6 “Grumble” que constitui o núcleo duro do Pedro O Grande é um S-300FM, a variante naval modernizada do S-300. Também é capaz de velocidade considerável (Mach 6), tem alcance de 150 km, capacidade acrescentada de um terminal infravermelho, um sistema de míssil-guia que lhe permite atacar mísseis balísticos e altitude ‘envelope’ de 27km. Além disso, adivinhem – o Pedro O Grande tem 48 desses mísseis (em 20 plataformas de lançamento) o equivalente a 12 baterias S-300 (considerando quatro lançadores por bateria).

Uma das maiores fragilidades da força que os russos alocaram na Síria é o número relativamente baixo de mísseis que podem ser disparados ao mesmo tempo. As forças de EUA/OTAN podem simplesmente saturar as defesas russas com grande número de mísseis. É verdade que, sim, continuam a poder fazer isso. Mas agora a coisa está muito, muito mais difícil.

Os russos podem fazer parar um ataque dos EUA contra a Síria?

Provavelmente, não.

Mas podem torná-lo muito mais difícil e dramaticamente menos efetivo.

Primeiro, logo que os EUA disparem os russos verão o disparo e alertarão as forças sírias e russas. Dado que os russos têm meios para rastrear todos e quaisquer mísseis dos EUA, podem passar os dados para todas as suas tripulações de defesa, que estarão a postos quando os mísseis chegarem. Além disso, quando os mísseis estiverem próximos, os russos com certeza derrubarão vários deles, obrigando os norte-americanos a calcular (do espaço) os danos e re-atacar os mesmos alvos muitas e muitas repetidas vezes.

Segundo, com tecnologia stealth [invisíveis aos radares] ou sem, não acredito que a Marinha dos EUA ou a Força Aérea dos EUA se arriscarão a voar para dentro de espaço aéreo controlado pelos russos ou, se se arriscarem, será experimento de vida curta. Acredito que a presença dos russos na Síria tornará qualquer ataque contra a Síria um ataque “de um só míssil”. A menos que os norte-americanos derrubem as defesas aéreas russas – o que só conseguirão fazer se quiserem iniciar a 3ª Guerra Mundial, a aviação norte-americana terá de se manter fora dos céus sírios. E isso significa que (i) os russos terão implantado, basicamente, sua própria zona aérea de exclusão sobre a Síria, e que (ii) toda e qualquer ‘no fly zone’ dos EUA tornou-se empreitada impossível de concretizar.

Na sequência, o Kuznetsov terá, saindo do forno, um número de aeronaves (asas fixas e rotatórias) incluindo helicópteros 15-20 Ka-27 e Ka-52K, e 15-20 SU-33K e MiG-29K (acho que não se divulgaram números oficiais). O que os russos disseram foi que as aeronaves de asas fixas serão upgraded para poderem atacar alvos em solo. Fará alguma diferença? Talvez sim, marginalmente. Sem dúvida ajudará a lidar com o fluxo esperado de terroristas moderados vindos de Mosul (cortesia da operação dos EUA para encaminhá-los para a Síria), mas os russos podem simplesmente ter movido mais SU-25 ou até SU-34 para Khmeimin ou Irã, a custo muito mais baixo. Assim, em termos de asas, concordo integralmente com Mercouris – será mais ocasião para treino em condições de luta real, não alguma oportunidade para virar o jogo.

Conclusão

Esse deslocamento de forças é altamente não típico do que os russos sempre treinaram para fazer. Basicamente encontraram um meio para reforçar o contingente russo na Síria, especialmente contra o pesadelo da tal “no fly zone” de Hillary. Mas também é caso de extrair proveito da necessidade: a operação na Síria sempre foi distante demais da fronteira russa, e a força russa na Síria sempre foi pequena para sua tarefa. Além do mais, esse deslocamento não é sustentável no longo prazo, e os russos sabem disso. Conseguiram impor com sucesso sobre a Síria uma “zona aérea de exclusão de ianques” por tempo suficiente para que os sírios retomassem Aleppo, e para que os norte-americanos elegessem o próximo presidente.

Depois disso, ou a coisa melhorará dramaticamente (com Trump), ou piorará dramaticamente (com Hillary). De um modo ou de outro, a situação seguinte requererá dos russos estratégia completamente diferente.

The Saker

PS: Sei do anúncio semioficial dos russos, sobre planos para construir um moderno porta-aviões, provavelmente nuclear, com catapultas e tal. Valha o que valer o meu parecer, sou fortemente contra essa ideia, que me parece perdulária e sem qualquer conexão profunda com a doutrina russa de defesa. Mas a nova geração de submarinos russos (SSNs e SLBMs), essa, aplaudo de pé.*****

Nota do Editor do Blog DG: Saker é o pseudônimo de um analista de sistemas de Defesa e politica do leste europeu, cujos serviços foram, e ainda o são, aproveitados pelos órgãos de inteligência dos EUA. Aqui, faço repercutir a versão do seu texto publicado primeiramente pelo veículo Oriente Mídia, traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu, que foi por este editor mantido em sua integridade, tanto nos hiperlinks, quanto no uso dos negritos, havendo apenas pequeninas adaptações aos jargões militares, dado que o coletivo de tradutores, certamente, não tem o convívio necessário com tais termos. Por fim, fiz a opção da foto pelo Pyotr Velikiy,  pelo fato único de ser ele o elemento da frota de real peso.

A geopolítica da Rússia e as relações com o Egito

Fonte: Southfront

Autores:  J.Hawk, Daniel Deiss, Edwin Watson

Tradução adaptação: César A. Ferreira

As relações em rápido desenvolvimento entre a Rússia e o Egito foram ofuscadas por aquelas mais chamativas entre a Rússia e a Síria, bem como aquelas entre a Rússia e o Irã. No entanto, a relação Rússia-Egito merece um exame minucioso, posto que, ao contrário de relações do país (Rússia) com os outros dois poderes do Oriente Médio (Síria e Irã), trata-se de um país (Egito) que até então parecia estar definitivamente na órbita ocidental. A mudança abrupta de seu vetor geopolítico em direção a Eurásia representa, portanto, uma enorme mudança para a região, maior que o apoio bem sucedido da Rússia ao governo sírio legítimo,  ou a estreita relação com a República Islâmica do Irã, ambos os quais reiterados figurantes da  “lista de inimigos do Ocidente ” por décadas. As razões para esta mudança são duas, e tem a ver com a forma como as potências ocidentais interagem com as potências do Oriente Médio, em um contexto de crise econômica sistêmica, além da maneira como a Rússia demonstra a sua atratividade como um aliado.

A crise sistêmica do Ocidente claramente transformou o modo como as potências ocidentais visualizam aquelas não-ocidentais. Dado o fato de que o “fim da história”, como retórica globalizante sugeria uma utopia pós-soberania em que os poderes fracos e fortes interagiriam em condições de igualdade em um mundo sem fronteiras, observou-se na prática, que esta retórica era um ardil para convencer potências não ocidentais baixar a guarda e permitirem-se penetrar por empresas ocidentais e instituições financeiras,  indo a perder qualquer possibilidade de traçar o seu próprio curso independente. Infelizmente, do ponto de vista ocidental, a assimilação dos  “mercados emergentes” ainda é a pedra angular da política econômica, o único programa de crescimento econômico. Considerando que, durante a década de 1990 essa assimilação tomou forma de maneira relativamente benigna; 9/11 entretanto,  teve o efeito de permitir que inicialmente os EUA viessem a adotar uma postura muito mais agressiva, a ponto de realizar  invasões militares ostensivas. Enquanto isso a EU (União Europeia), inicialmente, não seguia o exemplo, mas, a gravidade dos próprios problemas internos da UE levaram-na a saltar no movimento de “mudança de regime”, como se verifica no caso da Líbia, da Síria e da Ucrânia.

O Egito, aliado ocidental de longa data, desde o final da década de 1970, inesperadamente encontrou-se no fim da fila das predatórias políticas ocidentais que assumiram a forma da “revolução colorida” da Praça Tahrir , movimento este que levou à vitória eleitoral a Irmandade Muçulmana, que por sua por sua vez, caiu frente a um golpe militar,  na medida em que o perigo de haver a queda do país em uma guerra civil tornou-se por demais aparente. O fato de que Irmandade Muçulmana foi financiada pelos EUA e os estados aliados do Golfo Pérsico, fez o Egito ciente de que também foi alvo de jihadismo patrocinada pelo Estado, e que os EUA eram incapazes,  ou não queriam forçar os seus aliados na região para que se abstivessem de atacar o Egito. Enquanto a Síria é apenas uma preocupação periférica para o Egito, a guerra civil na Líbia, onde as formações islamitas, incluindo ISIS desfrutam de apoio árabe do Golfo, representam uma ameaça imediata para o Egito por várias razões:  o país pode ser usado como uma plataforma para lançar ataques ao Egito, tornar-se um santuário contra retaliação e, a longo prazo, ter o seu governo tornando-se uma marionete controlada pelas potências do Golfo, insidiosamente hostis, cujo objetivo a longo prazo é o controle do Egito e do canal de Suez , isto significa que o Cairo se faz muito interessado em influenciar o resultado desta guerra.

Rússia desta forma mostrou-se, assim, como um parceiro atraente por causa de sua história de não-envolvimento na política interna das nações vizinhas (com uma falha, dado que a restrição unilateral levou à revolução da Praça Maidan, na Ucrânia), porque ela (Rússia) pode preencher o vazio de segurança deixada pela fraqueza ocidental, e, por último mas não menos importante, porque pode defender fisicamente integridade política e territorial do Egito contra todas as ameaças possíveis, uma habilidade que está atualmente sendo demonstrada na Síria. Egito parece estar aproveitando estas capacidades. A cooperação inclui agora a possibilidade de se estabelecer uma base aérea russa no Egito, visitas de paraquedistas russos ao Egito, e tropas de operações especiais que ministram formação aos seus homólogos egípcios. O Egito também está mudando os seus planos de aquisições militares em relação à Rússia. Os dois navios da classe Mistral que foram adquiridos pelo Egito receberão a suíte eletrônica russa originalmente planejada e irão levar os helicópteros russos (Ka-52); há discussões de vendas caça MiG para o Egito, e o país recebeu um barco lança mísseis da classe Molniya.

Do ponto de vista da Rússia o Egito representa ainda uma outra barreira de segurança contra a invasão ocidental, uma resposta simétrica para a expansão da OTAN, “Parceria Oriental”, e revoluções coloridas. Combinado com a presença militar na Síria, orientação pró-russa geral de Chipre, e a neutralização da Turquia, que também foi facilitada por uma abortada tentativa de golpe pró – ocidente, a adoção de bases egípcias acabaria por transformar o Mediterrâneo Oriental em um “lago russo.” Por último, mas não menos importante, estas bases e alianças poderiam servir como uma plataforma de lançamento para a projeção de poder em outras áreas instáveis do Oriente Médio e, se o controle do Canal de Suez por conta do Egito se faz garantido por armas russas, esta garantia dota ambos os países com um meio muito eficaz de pressionar Ocidental e as monarquias árabes do golfo.

 

O Iêmen e o “Game Of Thrones” da Arábia

Fonte: Katehon – 23.08.2016 –  Arábia Saudita

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

A Arábia Saudita sofre, no momento,  uma derrota esmagadora no Iêmen. O conflito parece ser apenas pouco promissor para eles. Os Houthis e as tropas leais ao ex-presidente Saleh seguram firmemente o Iêmen do Norte e estão a conduzir operações militares na província de Najran em pleno território saudita. O Iêmen do Sul está ocupado e controlado por um entrelaçar de tropas da coligação Arábia Saudita/EAU, Península Árabe al-Qaeda, ISIS, e separatistas do sul do Iêmen. Recentemente, representantes do movimento Houthi anunciaram a criação de um governo que irá incluir membros do seu próprio partido “Ansar Allah”, o partido “Congresso Geral do Povo” do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, bem como membros de outros partidos e organizações. Ao mesmo tempo, tentativas similares por parte dos sauditas para criar algum tipo de governo interino em Aden foram completamente fracassadas. O presidente Hadi, apoiado pelos sauditas e seus aliados, e seu governo são baseadas em Riyadh (Riad). Em Najran, na região de fronteira com o Iêmen, tribos locais árabes lançaram uma rebelião contra as autoridades oficiais da Arábia Saudita.

Recordemos que 2015 foi marcado pela invasão em larga escala da coalizão Árabe liderada pelo sauditas no Iêmen. Além dos sauditas, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Jordânia, Kuwait e Paquistão têm participado nesta guerra contra o Iêmen. Este último se juntou apenas formalmente a coalizão, mas não tem envolvimento real no conflito. O principal impacto da guerra é suportado pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também foi derrotada na Síria. Ela não conseguiu derrubar Bashar Al – Assad e desde a reorientação da Turquia em relação à Rússia e o Irã, a posição da Arábia Saudita tornou-se mais precária. O chamado grupo de oposição sírio em Riyadh foi em grande parte controlado pelos turcos. A alavancagem dos sauditas sobre o processo da Síria em Riyadh está ficando menor. A realização de duas campanhas militares de uma só vez – a guerra aberta no Iêmen e a guerra por procuração na Síria –  está cada vez mais difícil. Este é o entendimento por aliados próximos dos sauditas, caso dos Estados Unidos. Assim, os EUA reconhecem a futilidade da campanha militar no Iêmen, como foi noticiado que os Estados Unidos devem retirar o seu grupo de planejamento do país que forneceu a  inteligência necessária para os sauditas. O grupo agora tem sido baseado no Bahrein.

A intervenção no Iêmen e a guerra na Síria são largamente projetos de uma disputa (pelo menos algumas fontes estão tentando apresentá-las desta forma). Deve ser entendido que a Arábia Unido enfrenta agora uma luta feroz entre suas elites. O rei reinante Salman está gravemente doente. Após a sua morte, deverá ser passado o poder para os membros da segunda geração da dinastia saudita. É mais provável que o príncipe Mohammed ibn Salman (Ministro da Defesa) e príncipe Mohammed Ibn Nayef Al Saud deverão confrontar-se em uma luta pelo poder no futuro próximo.

Mohammed Ibn Nayef é conhecido como sendo aquele mais influente dentre os membros mais intimamente ligados aos EUA na elite saudita. A aventura síria é considerada um projeto pelo seu grupo que coordena estreitamente as suas atividades com os Estados Unidos. Em sua juventude, Ibn Naif estudou nos EUA e até mesmo treinos em cursos especiais da FBR.. De acordo com as memórias de ex-funcionários da CIA, o príncipe sempre foi leal para com  os EUA e ativamente cooperou com as agências de inteligência dos EUA . Os EUA percebem-no como o candidato mais desejável para o trono saudita, embora estejam preocupados com a sua saúde.

Por sua vez, Mohammed ibn Salman, que tem apenas 31 anos de idade, é bastante ambicioso e procura a todo o custo a assumir o trono de seu pai. Alguns analistas ainda preveem um golpe suave após a morte do rei Salman dado que o seu filho é o segundo na linha de sucessão ao trono após seu tio Muhammad ibn Naif. Para os EUA, ele é um jogador muito novo. A guerra no Iêmen foi uma iniciativa deste Salman. Com a ajuda de uma guerra vitoriosa, ele procura aumentar seu próprio prestígio e status, mas calculou mal.

Assim, existem dois grupos opostos na Arábia Saudita: uma é completamente pró-americana; o outro é bastante agressivo e expansionista, mas sem apoio suficiente por parte dos Estados Unidos, cujo projeto e iniciativa política externa deverá falhar primeiramente na determinada vontade quem ganhar este presente árabe “Game of Thrones”.

Mohammed ibn Salman visitou periodicamente Rússia, aparentemente em busca de apoio do lado russo. Recentemente, o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, o  Vice – Ministro russo das Relações Exteriores Mikhail Bogdanov, reuniu-se com ele. Estes contatos acabam por explicar a crescente importância da Rússia no Oriente Médio tendo como pano de fundo a operação bem sucedida e consistente na Síria. A Rússia também é aguardada no Iêmen. O ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh afirmou ontem que a Rússia está pronta para guarnecer portos e bases oferecidos para o estacionamento de soldados russos. Controlar o Iêmen significa ter controle sobre a mais importante artéria de transporte: o caminho do Oceano Índico e do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho e Mediterrâneo.

A Rússia não está, naturalmente, interessada em uma vitória da Arábia Saudita no Iêmen. E isso é impossível. No entanto, existe a possibilidade de que a Rússia venha a poder ajudar a coalizão  da Arábia Saudita a alcançar uma “derrota honrosa”, iniciar o processo de paz, e, assim, permitir que Muhammad ibn Salman venha a sair da sua aventura no Iêmen com uma perda mínima de face (prestígio pessoal). Por outro lado, as ações da Rússia na Síria podem minar a posição daqueles que se opõem a ele. Enquanto isso, o Iêmen ver-se-á livre da influência e da ocupação das forças sauditas.

 

Exxon em Angola: a moral relativa da geopolítica do petróleo

Por:  André Araújo

Fonte: Jornal GGN

A Exxon celebrou um grande acordo com a Sonangol, a estatal angolana do petróleo, para exploração das reservas em águas profundas do litoral angolano. Enquanto a Petrobras está sendo processada pelo Departamento de Justiça dos EUA por casos de corrupção no Brasil, o mesmo Departamento não vê nada demais na empresa americana, símbolo da era do petróleo, se associar com uma estatal que em termos de corrupção conhecida tem poucos competidores no mundo.

Onde está o “compliance” da Exxon? Com a Sonangol não tem problema em assinar contratos? O Departamento de Justiça não vê nada demais? Acho que não, a Sonangol nunca foi investigada ou processada nos EUA. A lógica das leis americanas é bem flexível, o interesse dos EUA em primeiro lugar. Que coisa!

A Presidente do Conselho da Sonangol, Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, há 37 anos no poder, está numa revista americana, a Forbes, como a mulher mais rica da África. De onde vem sua fortuna?

A imprensa econômica da Europa relata um desaparecimento de 32 a 50 bilhões de dólares dos cofres da Sonangol.

(http://www.portugaldigital.com.br/economia/ver/20103540-presidente-da-so…).

 O caso não tem paralelo no planeta em termos de valor. Enquanto Angola se torna uma das potencias médias do petróleo mundial, toda sua produção é girada por petrolíferas americanas, a Petrobras tentou entrar em Angola e foi rechaçada.

Enquanto isso as condições de vida da população são péssimas, falta saneamento básico em Luanda, no interior nem se fala, falta tudo, enquanto Ministros do MPLA são bilionários, um deles, bem conhecido, tem apartamento na Av. Vieira Souto, no Rio.

Uma companhia com esse currículo é bem vinda ao se associar a Exxon, enquanto em Washington uma pesada artilharia legal criminaliza a Petrobras. É verdade que com apoio que vem do Brasil, numa acusação ilógica, a Petrobras é vitima e não autora e os atos ocorreram fora da jurisdição da lei americana. Se aos americanos a corrupção faz arrepiar e eles se propõem a ter jurisdição mundial para combatê-la, como se explica que fechem os olhos para o que acontece em Angola?

Atrevo-me a uma explicação: todo petróleo de Angola exportado, quase 2 milhões de barris/dia, mais que a Venezuela, vai para os EUA, um fornecedor importante e confiável. Então vamos deixar o moralismo para os brasileiros, antigo e tradicional aliado dos EUA, vamos processar e impor pesadas multas a nossos amigos, puni-los com apoio de brasileiros puros, prejudicando esse Pais que lutou a nosso lado na Segunda Guerra e que fornece mais que qualquer outro tropas para nossas missões de paz pelo mundo.

Pode-se alegar que a Exxon Mobil é uma empresa privada que faz os contratos que quiser. Negativo. Todas as atividades de empresas petrolíferas dos EUA pelo mundo são monitoradas pelo Departamento de Energia e nenhuma empresa assina contratos no exterior sem o visto do DE e do Departamento de Estado.

http://corporate.exxonmobil.com/en/company/worldwide-operations/locations/angola

Enquanto isso os EUA viram parceiros de cama, mesa e banho de um regime outrora marxista-terrorista e guerrilheiro contra o qual lutaram através da UNITA financiada pela CIA. Outrora visceralmente anti-americano, apoiado pela URSS e aparelhado por 25.000 soldados cubanos, o Movimento Popular de Libertação de Angola,  continua sendo o partido oficial que governa Angola. Hoje é íntimo parceiro e sócio dos EUA, que ironia da História. Dos tempos da aliança com a URSS ficou para Jose Eduardo dos Santos uma bonita lembrança, Isabel dos Santos, sua filha e de sua primeira esposa russa, atual Presidente do Conselho da SONANGOL.

A Guerra Fria produziu bons frutos hoje cotados em dólar.

 

A Rússia desafia os EUA na Síria

Autor: Yusuf Fernandez

Tradução: César A. Ferreira

Fonte: Al Manar

O envio do sistema S-300VM (SA-23 Gladiator terminologia da OTAN) para a  Síria, provocou a ira dos Estados Unidos  que expressou alarme a uma medida deste tipo apesar do fato de que a mídia dos EUA haver afirmado pouco antes, que  Washington estava considerando “as opções militares “contra a Rússia no tocante à crise síria. A última ameaça levou a Rússia a tomar as suas próprias medidas, incluindo a implantação do sistema acima, capaz de abater aeronaves e mísseis de cruzeiro, e reforçar a sua frota no Mediterrâneo.

A Rússia indicou, entretanto, que a S-300VM é um sistema defensivo e disse não entender por que os EUA estão a  expressar tais alarmes.

Os EUA têm-se queixado sobre os ataques russos na Síria contra a Frente  Al-Nusra e outros grupos terroristas e clamando pela imobilização das aeronaves da Rússia e Síria, de uma maneira que evidencia ainda  mais o seu apoio ao terrorismo. A implantação do S-300 VM é irrelevante contra a Frente Al-Nusra, que não tem poder aéreo, mas é uma parede contra possíveis ataques dos Estados Unidos ou os seus aliados contra a Síria.

Na verdade a ameaça contra a Rússia e a Síria é real. Os EUA afirmaram que não irão mais  realizar esforços diplomáticos na Síria, enquanto culpam a Rússia pelo seu próprio fracasso em respeitar os compromissos assumidos no conflito sírio. Ao que tudo indica, nunca tiveram real intenção em respeitar…

A próxima reunião do Conselho de Administração, que inclui os secretários de Estado e de Defesa, o chefe do Estado-Maior Conjunto, bem como o diretor da CIA, deverá examinar várias políticas de ação midiática e militar na Síria. Uma das proposta sobre a mesa é atacar as pistas dos aeroportos militares sírios com mísseis de cruzeiro e outras armas disparados de aeronaves de longo alcance e de navios, além de outras ações militares.

Seria, portanto, uma agressão militar aberta contra outro país sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Portanto, um oficial militar dos EUA, citado pelo Washington Post, disse que os ataques seriam realizados “dissimuladamente ou sem reconhecimento público.”

Na verdade, apenas os EUA, frente aos seus aliados ocidentais deitam a falar de “opções militares”, já que parece difícil pensar que os aliados europeus aceitem o risco de uma guerra com a Rússia para proteger a Frente Al-Nusra, uma organização ligada à Al Qaeda.

O reforço da frota mediterrânica e o envio do sistema  S-300 VM sugerem, fortemente,  que a Rússia está ciente de tais planos agressivos dos EUA e que decidiu portar-se altivamente na Síria. Em contraste, a reação histérica de Washington sugere que eles estão a perder uma posição militar estratégica, daí  correr o risco de um ataque deste tipo num momento em que a Rússia aumentou as suas defesas na Síria.

A política dos EUA na Síria representa uma ameaça para a própria Rússia e faz parte das tentativas de Washington para circundar este país. Uma bem sucedida operação de mudança de regime na Síria seria em seguida constituída de uma  intervenção dos EUA na Rússia, na forma do envio de terroristas financiados pela CIA para as repúblicas russas do Cáucaso para alimentar um movimentos separatistas latentes por lá. Um regime fantoche em Damasco ajudaria a canalizar tais forças, treinadas no campo de batalha da Síria, para dentro do solo da Rússia,  realizando uma campanha para desestabilizar e, finalmente, desmembrar a Federação Russa.

Nota do Editor: O sistema S-300VM (Antey 2500) possui como alvos primários misseis de cruzeiro, bem como os mísseis balísticos táticos de curto e médio alcance. De forma subsidiária pode ser utilizado para neutralizar aeronaves e outras ameaças aéreas. O seu alcance é de 200 km e caso a informação de que seria postado em Tartus, ou seja, junto a costa, isto significa que as formações de combatentes em Deir Ez Zoir e Aleppo não contariam com a proteção deste referido sistema, algo que já acontecia com sistema S-400 postado em Latakia.

A capacidade do sistema é a de vetorar até 24 alvos, sendo 4 por unidade de vetoramento por vez. Isto significa que a bateria, isolada, pode vir a ser saturada, não é por outro motivo que o conceito russo de Defesa Antiaérea prevê uma distribuição em camadas, ou seja, com proteção convergente de cada sistema por sobre o outro. Espera-se, portanto, que o sistema S-300VM tenha o seu complemento como segurança crítica na forma de uma bateira do sistemas Pantsyr S-1.

 

Washington tenta quebrar os BRICS: começa o estupro do Brasil

Autor: F. William Engdahl

Fonte: NEO – New Eastern Outlook

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

(…) Um dia depois que a Câmara de Deputados aprovou o impeachment da presidenta eleita do Brasil, em abril, um alto membro do partido PSDB, aliado do PMDB de Temer, senador Aloysio Nunes, viajou a Washington, em missão organizada pela empresa de lobby da ex-secretária de Estado Madeline Albright, o Albright Stonebridge Group. Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil, várias vezes pregou que o Brasil se aproximasse mais, outra vez, de uma aliança com EUA e Reino Unido.

Madeline Albright, diretora de um dos principais think-tanks nos EUA, o Council on Foreign Relations, também é presidenta da mais ativa ONG a serviço do governo dos EUA, especializada em promover “revoluções coloridas”, o National Democratic Institute (NDI). Interessante, não? Nunes foi a Washington para conjurar apoio para Temer e para os atores principais do golpe que já estava em curso para derrubar a presidenta Rousseff.

O ator chave a serviço de Washington, e o efetivo carrasco político de Rousseff foi, mais uma vez, o vice-presidente Joe Biden, o “Dick Cheney”, operador-sujo-em-chefe, no governo Obama.

Fatídica visita de Biden ao Brasil

Em maio, 2013, o vice-presidente dos EUA Joe Biden fez uma fatídica visita ao Brasil, para reunir-se com a presidenta Rousseff. Em janeiro de 2011, Rousseff substituíra seu mentor do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula, que completara o segundo mandato consecutivo que a Constituição lhe permitia. Biden foi ao Brasil, para discutir petróleo com a nova presidenta. As relações entre Lula e Washington haviam gelado quando Lula apoiou o Irã contra sanções dos EUA e aproximou-se mais, economicamente, da China.

No final de 2007,  a Petrobrás havia descoberto o que se estimava que fosse uma reserva monstro de petróleo de alta qualidade na plataforma continental do Brasil, na Bacia de Santos. No total, a plataforma continental territorial do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, o que transforma o país na maior potência mundial de petróleo e gás. Imediatamente Exxon & Chevron, as gigantes norte-americanas do petróleo, puseram-se em campo para conquistar o controle daquela riqueza recém descoberta.

Em 2009, segundo telegramas diplomáticos dos EUA publicados por Wikileaks, o Consulado dos EUA no Rio de Janeiro escreveu que Exxon e Chevron estavam tentando, sem sucesso, alterar uma lei encaminhada ao Congresso pelo mentor e predecessor da presidenta Rousseff, o presidente Lula. Essa lei de 2009 tornava a empresa estatal Petrobrás a principal operadora de todos os blocos do petróleo do pré-sal no Brasil. Washington e as gigantes norte-americanas do petróleo absolutamente não gostaram de perder o controle sobre o que parece ser a maior nova reserva de petróleo descoberta em décadas.

Lula não só tirou ExxonMobil e Chevron da posição de controladoras, em favor da estatal Petrobrás; ele também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses, desde 2009 principais parceiros, dentro do grupo BRICS, de Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Em dezembro de 2010, num de seus últimos atos como presidente, Lula supervisionou a assinatura de um contrato entre a empresa de petróleo Repsol, espanhola-brasileira, e a estatal chinesa Sinopec. Sinopec formou uma joint venture, Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de $7,1 bilhões na Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado a formação da empresa Sinopec International Petroleum Service of Brasil Ltd., parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil.

Em 2012, em perfuração de exploração conjunta, as empresas Repsol Sinopec Brasil, Norway’s Statoil e Petrobrás fizeram outra grande descoberta, no poço batizado “Pão de Açúcar”, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui os poços de Seat e Gávea, esse uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. Nenhuma das majors norte-americanas e britânicas do petróleo aparecia nesse cenário.

A missão de Biden era sondar a presidenta que sucederia Lula, Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de ela reverter a exclusão das grandes do petróleo dos EUA em favor da Chinesa. Biden também se reuniu com as principais empresas de energia do país, inclusive a Petrobrás.

A notícia praticamente não apareceu na mídia-empresa brasileira, mas Rousseff recusou-se a reverter a lei do petróleo de 2009 e a convertê-la em qualquer coisa que agradasse a Biden, a Washington e às majors do petróleo dos EUA. Dias depois da visita de Biden surgiram as revelações feitas por Edward Snowden de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA também espionara Rousseff e altos funcionários da Petrobrás. A presidenta Rousseff denunciou a operação em sua fala na Assembleia Geral da ONU, por violação da lei internacional. E, em protesto, cancelou uma viagem marcada para Washington. Depois disso, as relações EUA-Brasil naufragaram de vez.

Ao final dessa visita, em maio de 2013, Biden claramente deu à presidenta do Brasil o beijo da morte: o destino dela estava selado.

Antes da vinda de Biden em maio de 2013, a presidenta Rousseff gozava do apoio de 70% da população brasileira. Menos de duas semanas depois que Biden deixou o Brasil, começaram os protestos de rua, ‘animados’ por um grupo conhecido como Movimento Passe Livre, que protestava contra aumento nominal de 10 centavos no preço do passe de ônibus, que acabaram por fazer o país parar quase completamente e, a partir de certo ponto tornaram-se muito violentos. Os protestos tinham todas as características da típica “Revolução Colorida” ou da desestabilização social acionada por mídias sociais como Twitter ou Facebook que parecem seguir Biden pelo mundo, onde quer que apareça. Em poucas semanas, o apoio da população ao governo Dilma despencou para 30%.

Washington claramente enviara um sinal de que ou Rousseff mudava de rota, ou enfrentaria problemas graves. A máquina de mudança de regime de Washington – com todas as suas armas de guerra financeira, desde o vazamento de auditorias realizadas na Petrobrás, até a ação da agência de Wall Street, de avaliação de créditos, Standard & Poors, que degradou a dívida pública do Brasil ao nível de papel podre, em setembro de 2015 – entrou em ação a pleno vapor para derrubar Rousseff, apoiadora chave do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e de uma estratégia de desenvolvimento nacional independente para o Brasil.

Vender as joias da Coroa

O homem que chegaria à presidência do Brasil, num perfeito arremedo de ‘legalidade’, corrupto condenado e então vice-presidente, Michel Temer, serviu em tempo integral como informante da embaixada dos EUA em Brasília. Em documentos distribuídos por Wikileaks, revelou-se que Temer já servira como informante da inteligência dos EUA desde, pelo menos, 2006, por telegramas que a Embaixada dos EUA no Brasil classificou como “sensíveis” e “para exclusivo uso oficial”.

Homem de Washington no Brasil, Temer não perdeu tempo para iniciar as reverências aos seus patrões em Wall Street. Ainda como presidente interino em maio, Temer nomeou Henrique Meirelles para o cargo de ministro das Finanças e da Seguridade Social. Meirelles, formado em Harvard [de fato, participou de um treinamento de Advanced Management Program (AMP) da Harvard Business School que prepara altos executivos de bancos (NTs)] e ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi presidente do BankBoston nos EUA até 1999, e ainda trabalhava no banco em 1985, quando o banco foi multado por não reportar transferência ilegal de $1,2 bilhão em dinheiro, para bancos suíços.

Meirelles está agora na função de supervisor da liquidação planejada das “joias da Coroa” do Brasil a investidores estrangeiros, movimento que visa a minar qualquer poder que o estado brasileiro tenha na economia. Outro dos conselheiros econômicos chaves de Temer é Paulo Leme, ex-economista do FMI e hoje Diretor de Gestão de Pesquisa de Goldman Sachs. Wall Street está ativamente integrada ao processo de estupro econômico do Brasil ‘liderado’ por Temer.

Dia 13 de setembro, o governo Temer divulgou um programa massivo de privatizações, com um comentário cínico e enganador do próprio Temer: “É claro que o setor público não poderá fazer avançar esses projetos sozinho. Contamos com o setor privado.” Não explicou que por “setor privado” referia-se aos seus próprios patrões.

Temer revelou planos para consumar a maior privatização no país, em décadas. Convenientemente, a privatagem está planejada para estar concluída no final de 2018, pouco antes do fim do mandato de Temer. O influente US-Brasil Business Council detalhou a lista das empresas a serem privatizadas, em sua página na Internet (“Economia do Brasil depois do Impeachment”, ing.). Esse US-Brasil Business Council foi fundado há 40 anos por Citigroup, Monsanto, Coca-Cola, Dow Chemicals e outras multinacionais norte-americanas.

As licitações para a primeira rodada de privatizações serão lançadas antes do final do ano. Incluirão quatro aeroportos e dois terminais portuários, todos a serem leiloados no primeiro trimestre de 2017. Outras concessões incluem cinco rodovias, uma ferrovia, vários pequenos blocos de petróleo e uma rodada final de leilões, adiante, para os grandes blocos de petróleo a serem desenvolvidos, a maioria de reservas submarinas. O governo também selecionará reservas atualmente controladas pelo Departamento de Pesquisas Minerais do Brasil, mais seis distribuidoras de energia e três instalações para tratamento de água.

O coração dessa privatização planejada está – nada surpreendentemente –, nas empresas que Joe Biden cobiça, de petróleo e gás, além de fatias da empresa brasileira de energia, Eletrobrás. Temer planeja obter $24 bilhões nessa liquidação de patrimônio público. 11 bilhões devem sair da venda das empresas estatais chaves de petróleo e gás.

Claro que, quando patrimônio estatal dessa magnitude é liquidado e entregue a interesses estrangeiros, no que é uma muito evidente venda ‘combinada’, trata-se de negócio de soma zero: um lado ganha tudo, o outro perde tudo. Projetos de petróleo, gás e energia elétrica geram fluxos continuados de renda muito superiores a quaisquer ganhos que se possam auferir da venda em processo de privatização. O lado que perde necessariamente tudo e sempre, nesses negócios de privatização, é a economia do Brasil: os bancos de Wall Street e as multinacionais ganham tudo, conforme o planejado, em todos os casos.

Dias 19-21 de setembro, segundo o website do US-Brasil Business Council, os ministros chaves para a infraestrutura, do atual governo do Brasil, dentre os quais o ministro da infraestrutura, Moreira Franco; Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia; e Mauricio Quintella Lessa, de Transportes, Portos e Aviação Civil, estariam [estiveram] em New York City para reunião com “investidores em infraestrutura” de Wall Street.

É o modus operandi de Washington, exatamente como operam os Deuses do Mercado em Wall Street, título de um dos meus livros. Primeiro, destroem qualquer projeto de genuíno desenvolvimento nacional concebido por lideranças nacionais, como Dilma Rousseff. Na sequência, põe no lugar dele um regime subalterno disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive liquidar as joias da Coroa do próprio país, gente que faça como Anatoli Chubais na Rússia nos anos 1990, durante a “terapia de choque” de Boris Yeltsin. Como paga pelo que fez, Chubais tem lugar assegurado hoje no Conselho de Administração do banco JP MorganChase. Ainda não se sabe o que Temer e sócios obterão em troca do empenho que têm demonstrando na liquidação do patrimônio brasileiro.

Por enquanto, Washington conseguiu quebrar um dos países BRICS que realmente ameaçava a hegemonia global das empresas norte-americanas. Se a história recente ensina alguma coisa, não obterá sucesso duradouro.

 

Por que eventos recentes na Síria mostram que o governo Obama está em confusa agonia terminal

Autor: Saker.

Fonte: The Vineyard Of The Saker

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu. – Fonte em português: Blog do Alok

Os mais recentes desenvolvimentos na Síria não são, creio eu, resultado de algum plano deliberado pelos EUA para ajudar seus “terroristas moderados” aliados em campo, mas sintoma de algo talvez pior: os EUA parecem ter perdido completamente o controle sobre a situação na Síria e, possivelmente, também em outros pontos. Permitam recapitular o que acaba de acontecer:

Primeiro, depois de dias e dias de intensas negociações, o secretário Kerry dos EUA e o ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia finalmente chegaram a um acordo sobre um cessar-fogo na Síria que teria potencial para pelo menos “congelar” a situação em campo, até as eleições presidenciais nos EUA e a troca de governo (esse é agora o evento mais importante no futuro próximo; assim sendo, nenhum plano de nenhum tipo estende-se além daquela data.

Foi quando a Força Aérea dos EUA, com mais alguns ‘parceiros’, bombardeou uma unidade do Exército Árabe Sírio, que não estava nem em movimento nem engajada em operações intensas, que simplesmente cobria um setor chave do front. O ataque norte-americano foi seguido por ofensiva massiva dos “terroristas moderados” que acabou por ser contida, com dificuldade, por militares sírios e as Forças Aeroespaciais Russas. Desnecessário dizer que, depois de tal provocação, o cessar-fogo morreu.

Os russos manifestaram total desagrado e indignação contra o ataque e começaram a dizer abertamente que os norte-americanos são “недоговороспособны“. A palavra significa literalmente “[gente, pessoa] incapaz para acordos” ou sem as competências mínimas para firmar um acordo e, na sequência, honrar o que assinou. É expressão polida, mas mesmo assim extremamente forte, porque implica, mais do que fingimento deliberado, a ausência da capacidade, dos meios morais necessários para respeitar a própria assinatura. Por exemplo, os russos têm dito com frequência que o governo de Kiev é “incapaz para acordos”, o que faz sentido, considerando-se que a Ucrânia ocupada pelos nazistas é, na essência, estado fracassado.

Mas dizer que uma superpotência nuclear mundial é “incapaz para acordos” é diagnóstico extremo e terrível. Significa basicamente que os norte-americanos enlouqueceram e perderam os meios morais mínimos necessários para firmar acordos, qualquer tipo de acordo. Afinal, governo que descumpra o que prometa ou tente burlar, mas o qual, pelo menos em teoria, conserve a capacidade para respeitar a própria assinatura em acordos não seria descrito como “incapaz para acordos”. É expressão que só é usada para descrever entidade que sequer tem condições mínimas indispensáveis para merecer a confiança necessária para que alguém possa iniciar negociações, porque não cumprirá o que for acordado. É diagnóstico absolutamente devastador.

Na sequência, vem a cena antiprofissional, patética, da embaixadora Samantha Powers embaixadora dos EUA na ONU que simplesmente levantou-se e saiu de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU quando o representante russo estava falando. Mais uma vez, os russos enfureceram-se, não pela tentativa infantiloide de ofender, mas pela absoluta falta de profissionalismo que Powers manifestou, como diplomata. Do ponto de vista dos russos, se uma superpotência levanta-se e sai da sala quando outra superpotência está falando sobre assunto crucialmente importante é, para começar, atitude irresponsável; mais uma vez, sinal de falta das competências mínimas indispensáveis para ser parte de qualquer negociação ou acordo.

Por fim, a coroação: o ataque ao comboio de ajuda humanitária na Síria, que os EUA, claro, atribuíram à Rússia. Mais uma vez, os russos mal acreditaram nos próprios olhos. Primeiro, porque foi flagrante (e sinceramente, de nível de jardim de infância) tentativa para ‘mostrar’ que “os russos também erram” e que “os russos mataram o cessar-fogo”. Segundo, apareceu aquela declaração cômica, dos norte-americanos, de que só duas forças aéreas poderiam ser autoras do ataque – ou os russos ou os sírios (como os norte-americanos supuseram que enganariam alguém, naquele espaço aéreo super controlado pelos radares russos, é questão que ultrapassa a minha capacidade de análise!). Sabe-se lá como, os norte-americanos “esqueceram” de mencionar a que força aérea dos EUA também está ativa na região, além de forças aéreas de vários aliados dos EUA. Mais importante: esqueceram de mencionar que, naquela noite, drones Predator norte-americanos armados voavam diretamente sobre aquele comboio.

O que aconteceu na Síria é dolorosamente óbvio: o Pentágono sabotou o acordo firmado entre Kerry e Lavrov; e quando o Pentágono foi acusado de ser responsável pelo ataque, rapidamente montaram (mal montado) um ataque sob falsa bandeira, e tentaram culpar os russos.

Tudo isso mostra que o governo Obama está em estado terminal de confusa agonia. A Casa Branca aparentemente está em tal estado de pânico ante a provável vitória de Trump em novembro, que perdeu, basicamente, o controle de toda sua política exterior em geral, e especialmente, na Síria. Os russos estão literalmente cobertos de razão: o governo Obama é realmente “incapaz para acordos”.

Claro: o fato de os norte-americanos estarem agindo como crianças malcriadas frustradas não implica que a Rússia tenha de se rebaixar. Já vimos Lavrov voltar sempre e sempre tentar negociar com Kerry. Não porque os russos sejam ingênuos, mas precisamente porque, diferente dos colegas norte-americanos, os diplomatas russos são profissionais que sabem que negociação e linhas de comunicação mantidas abertas sempre são, e por definição, preferíveis a dar as costas e sair da sala, sobretudo quando se negociar com uma superpotência. Os observadores que criticam a Rússia por ser “fraca” ou “ingênua” só fazem projetar sobre a Rússia o seu próprio modo de ser e agir, quase todo modelado pelos norte-americanos. E nem percebem que russos não são norte-americanos: pensam de modo diferente e agem de modo diferente.

Para começar, os russos não se incomodam com ser vistos como “fracos” ou “ingênuos”. De fato, preferem ser vistos desse modo, se essa percepção faz avançar seus objetivos e confundem o oponente sobre suas reais intenções e capacidades. Os russos sabem que não construíram o maior país do planeta por serem “fracos” ou “ingênuos” e não têm interesse em ‘lições’ que lhe venham de países mais jovens que muitos dos prédios russos.

O paradigma ocidental quase sempre é o seguinte: crise sempre leva a rompimento de negociações; em seguida vem o conflito. O paradigma russo é completamente diferente: crise leva a mais negociações que são mantidas até o último segundo, tentando impedir que irrompa o conflito.

Há duas razões para isso: primeiro, insistir em negociar até o último segundo possibilita procurar o mais possível por uma via pela qual sair do confronto; e, segundo, negociações nas quais se insista até o último momento possibilitam que o negociador aproxime-se o mais possível de pôr a seu favor a surpresa estratégica, no caso de ter de atacar. Assim, exatamente, a Rússia agiu na Crimeia e na Síria – sem absolutamente nenhum sinal ou, ainda menos, sem exibições propagandeadas de poder como meio para intimidar alguém (intimidação também é estratégia política ocidental, que os russos nunca usam).

Assim sendo, Lavrov continuará a negociar, não importa o quão ridículas ou inúteis pareçam essas negociações. O próprio Lavrov provavelmente jamais pronunciará publicamente a palavra “недоговороспособны”, mas a mensagem ao povo russo e aos aliados sírios, iranianos e chineses da Rússia sempre será clara: os russos, hoje, já perderam qualquer esperança de obter negociações proveitosas ou confiáveis com o atual governo dos EUA.

Obama & Co. estão assoberbados de trabalho, tentando esconder as reais condições de saúde e os problemas de caráter de Hillary e, no momento, provavelmente só conseguem pensar numa coisa: como sobreviver ao debate Hillary-Trump [2ª-feira, 26/9, na Hofstra University em Hempstead, N.Y.]. O Pentágono e o Departamento de Estado estão ocupados, sobretudo, em combater um contra o outro por causa da Síria, Turquia, curdos e Rússia. A CIA parece estar em guerra contra ela mesma, mas não se pode afirmar com certeza.

O mais provável é que algum tipo de acordo continuará a ser anunciado, por Kerry e Lavrov, se não hoje, então amanhã ou depois. Mas, francamente, concordo integralmente com os russos: norte-americanos são realmente “incapazes para acordos”, e nesse momento, os dois conflitos, na Síria e o da Ucrânia, estão congelados. Não digo “congelados”, isso sim, no sentido de “situação em que não há grandes desdobramentos possíveis”. Ainda haverá combates, especialmente agora que os aliados wahhabistas e nazistas dos EUA sentem que o chefe não está muito atento no comando, ocupado com eleições e conflagração racial quase generalizada nos EUA, mas dado que não há solução militar possível para nenhuma dessas guerras, os confrontos e ofensivas táticos não levarão a resultado estratégico.

Com exceção de algum ataque sob falsa bandeira dentro dos EUA, como o assassinato ou de Hillary ou de Trump por um “pistoleiro solitário”, as guerras na Ucrânia e Síria prosseguirão sem possibilidade de qualquer tipo de negociação significativa. E com Trump ou Hillary na Casa Branca, um grande “reset” acontecerá no início de 2017.  Trump provavelmente quererá encontrar Putin para uma grande sessão de negociações que envolva todos os temas chaves entre EUA e Rússia. Se Hillary e seus neoconservadores chegarem à Casa Branca, nesse caso será quase impossível impedir algum tipo de guerra entre Rússia e EUA.

[assina] The Saker.

PS: Alguns especialistas militares russos estão dizendo que o tipo de dano que se vê nas fotos e vídeos do ataque ao comboio humanitário não é consistente com ataque aéreo, sequer com ataque por artilharia; o que se vê parece ser resultado da explosão de vários IEDs [Dispositivos Explosivos Improvisados]. Se isso se confirmar, também não implica a Rússia, mas aponta para forças de “terroristas moderados” que controlam aquela locação. Ainda assim poderia ser ataque sob falsa bandeira ordenado pelos EUA ou, se não for isso, será prova de que os EUA perderam o controle sobre seus aliados wahhabitas em campo.*****

Os submarinos russos devem dominar o Pacífico em breve

09 de agosto de 2016

Por: Rakesh Krishnan Simha

Fonte: RBTH

Uma nova geração de  silenciosos submarinos, mais rápidos e  letais está prestes a entrar em serviço para reforçar as unidades da Marinha russa.

Os submarinos russos voltaram a operar no oceano Pacífico, de onde se ausentaram por mais de uma década. Pela primeira vez desde a Guerra Fria, a Frota russa do Pacífico está operando submarinos mais silenciosos, armados e poderosos.

De acordo com um estudo intitulado “O reequilíbrio asiático da Rússia” pelo Instituto Lowy de Política Internacional da Austrália, a transposição do foco da Rússia para a Ásia provocou uma renovação em grande escala da sua Frota do Pacífico, que durante a próxima década irá atingir o seu valor mais elevado em meios navais.

“Foram atribuídos a esta frota novos submarinos portadores de mísseis balísticos e caçadores/assassinos (submarinos nucleares de ataque), o que dará um grande impulso para as aspirações do potencial,  de projeção de poder de Moscou na região”, diz o estudo.

De acordo com o analista militar russo Dmitri Gorenburg, “a frota do Pacífico poderia tornar-se a maior frota de Rússia durante a próxima década devido à crescente importância geopolítica da região e à concentração de poderes navais nesta área”.

Mudança de foco

Durante a Guerra Fria, a Marinha soviética era conhecido por suas armas poderosas, como o submarino classe Typhoon (termo adotado pela OTAN, para os soviéticos e seus herdeiros, o nome da classe é Akula).

Com um deslocamento de 48.000 toneladas, foi quase tão grande quanto um porta-aviões e eclipsando o maior submarino da Marinha dos EUA por uma margem de 20.000 toneladas. Este leviatã soviético poderia jogar 200 ogivas nucleares contra cidades e instalações militares do inimigo em um único ataque.

Agora a prioridade é expandir a frota, especialmente com os submarinos da classe Borei. Embora tenha metade do tamanho do Typhoon, o Borei é um grande avanço em relação à escola soviética de construção de submarinos. A classe Borei representa a nova geração de submarinos russos extremamente silenciosos. É mais barato e exige uma tripulação bem menor. Ao mesmo tempo, não nada em termos de potencial de ataque, pois é capaz de lançar entre 16 e 20 mísseis nucleares com até oito ogivas orientadas de forma independente.

A Rússia espera substituir seus submarinos (SSBN) da Guerra Fria, com um total de 12 submarinos de mísseis balísticos da classe Borei indica Gorenburg.

Potencial e projeção

O aumento de tamanho, poder de fogo e gama dos submarinos russos, estão em sintonia com o novo boom  (crescimento) da Rússia. Durante a Guerra Fria, a Marinha dos EUA ostentava submarinos muito mais silenciosos, algo que o governo soviético reservadamente nunca se preocupou em refutar.

No entanto, com a abertura da Rússia, eles estão descobrindo as verdadeiras capacidades dos seus submarinos. A tripulação de submarinos russos muitas vezes contam histórias sobre como eles chegaram quase a arranhar a barriga dos navios dos EUA sem que os americanos soubessem deles. Tais histórias podem estar mais perto da verdade do que os especialistas acreditam (ou gostariam).

Almirante Mark Ferguson, comandante das Forças Navais dos EUA na Europa, disse à CNN que “(…) a Rússia está implantando submarinos de combate (SSN) e mísseis (SSBN) a um ritmo difícil de seguir para os Estados Unidos. Moscou criou novos submarinos que são mais difíceis de controlar e detectar pela Marinha dos Estados Unidos”.

“(…) Eles são mais silenciosos, mais bem armados e têm um alcance maior”, disse Ferguson. “Vemos que os russos têm sistemas de armas mais avançados, sistemas de mísseis que podem atacar as áreas terrestres a longa distância e também ver que o seu funcionamento e capacidade está a melhorar à medida que se afastam das suas águas”.

O almirante reformado James Stavridis, ex-comandante da OTAN, acrescentou: “Nós não podemos ter 100% de certeza sobre a atividade subaquática da Rússia, hoje”.

Perspectivas para o futuro

Atualmente, existe um plano para desenvolver um submarino nuclear de uma classe multiuso , a fim de construir algo mais barato e de menor tamanho do que a classe Yasen. Este seria submarino nuclear de ataque cujo armamento seria ao menos comparável aos mísseis presentes na classe Virginia dos EUA. A Marinha russa espera começar a construção destes submarinos o mais rápido possível, já  em 2016, e tem como objetivo construir um total entre 16 e 18 unidades.

Enquanto isso, a Marinha dos EUA tem um estoque de 53 submarinos, mas devido a decisões de desativação e corte no orçamento, este número cairá para 41 unidades no final da década de 20 (2020-2029).

Gato e rato

Durante décadas, os submarinos soviéticos, depois russos e norte-americanos brincaram de gato e rato sob os oceanos do mundo. Agora, parece que quaisquer que sejam os submarinos silenciosos da Marinha dos Estados Unidos, os russos os pegam o tempo todo e em todos os lugares.

Em um relatório da Stratege Page de 18 de Fevereiro de 2015 afirma: “No início de 2014 especialistas em detecção de submarinos da Marinha dos Estados Unidos ficaram alarmados quando um navio de reconhecimento electrónico russo da classe Vishnya foi avistado por várias vezes a distância junto a costa leste da Flórida, perto de várias bases aeronavais e de submarinos”.

O Vishnya avistado na Flórida foi acompanhado por um rebocador. Ambos os navios seguiram para reabastecer portos cubanos. Os dois navios estavam a ser visto pela primeira vez em Cuba, em fevereiro do corrente ano.

“O que mais assustou os tripulantes de sonar, de detecção submarina, foi dar-se conta que os computadores se tornaram poderosos e baratos o suficiente para detectarem submarinos por sinais fracos, como as ligeiras alterações nas superfície das águas, causadas pelos seus navios. Sabiam da existência desses sinais por décadas, bem como a possibilidade de que com aparelhos poderosos e sensíveis o bastante, este método poderia ser utilizado para rastrear submarinos em tempo real”.

Durante a Guerra Fria, a maior parte do potencial dissuasivo dos submarinos soviéticos no Pacífico constituiu-se de submarinos de ataque (SSN e SSK). Projetado para encontrar e destruir submarinos inimigos, suas principais tarefas eram para evitar que submarinos de mísseis balísticos inimigos viessem a lançar um ataque nuclear, além de destruir submarinos inimigos ataque antes que estes encontrassem um dos submarinos lançadores de mísseis soviéticos (SSBN). No teatro de operações submarinas do século, a frota do Pacífico será mais poderosa e terá uma proporção maior de submarinos de mísseis balísticos, o suficiente para manter em alerta a poderosa USNAVY.

SSBN (do inglês: Ship Submersible Ballistic missile Nuclear powered ).

SSN: (do inglês: Ship Submersible Nuclear powered).