Yuri Dolgoruky realiza com sucesso teste com míssil R-30 Bulava

Fonte: Agência Tass

Moscou, 26 de junho, Agência TASS:

O cruzador de mísseis subaquáticos Yuri Dolgoruky, conhecido como Projeto 955, pertencente à Frota do Norte da Marinha da Federação Russa, testou com sucesso um dos seus mísseis R -30 Bulava, no Mar de Barents,  atingindo todos os alvos designados no campo de treinos de Kura, em Kamchatka, informou o Ministério da Defesa da Federação Rússa nesta segunda-feira.

“O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos do projeto 955 Borey, Yuri Dolgoruky, realizou lançamento bem sucedido de um míssil balístico intercontinental R-30 Bulava, da área designada no Mar de Barents para o campo de prática balística de Kura, em Kamchatka. O lançamento foi efetuado a partir de posição submersa, em conformidade com o plano de treinamento de combate”. Assim declarou o Ministério da Defesa da Federação Russa.

“Os parâmetros da trajetória de voo do míssil balístico intercontinental Bulava foram praticados em regime normal. De acordo com os dados confirmados do equipamento de registro, as ogivas do míssil balístico intercontinental realizaram um ciclo completo de voo e atingiram com êxito os alvos designados na Faixa de Prática”, afirmou o Ministério da Defesa.

O lançamento anterior de um míssil R-30 Bulava deu-se em 27 de setembro último, quando o mesmo submarino, Yuri Dolgoruky, realizou o lançamento de uma salva experimental com dois ICBMs no Mar Branco em direção ao alcance da Prática de Kura, no extremo oriente russo. As ogivas do primeiro míssil realizaram um ciclo completo do programa de voo e atingiram com sucesso os alvos designados no intervalo de prática. O segundo míssil, todavia, se autodestruiu após realizar a primeira etapa do programa de voo.

O submarino Yuri Dolgoruky é a belonave que lidera o Projeto 955, Classe Borey. O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos está armado com um conjunto de mísseis balísticos intercontinentais lançados pelo mar, R-30 Bulava, bem como com torpedos pesados. O submarino pode ser também armado com mísseis de cruzeiro. Possui um deslocamento total de 24.000 toneladas, com dimensões aproximadas de 160 metros de comprimento e de 13 metros de diâmetro.

O Míssil Bulava R-30 é um vetor balístico de propulsor sólido, desenvolvido especialmente para os submarinos do Projeto 955. Ele pode entregar 10 ogivas de 150 kilotons a uma distância de 10.000 quilômetros.

Fotografia: Lev Fedoseyev/TASS

A Rússia e o seu entorno

Por: César A. Ferreira

É difícil explicar para os leitores desacostumados com matérias afeitas aos assuntos sobre geopolítica e de defesa, sobre os interesses da Rússia , suas ações e o modo de agir do seu dignitário, dado o fato que estes mesmos leitores são bombardeados, cotidianamente, por matérias ditas “jornalísticas”, publicadas rotineiramente na chamada mídia-empresa, ou grande impressa como é mais comumente denominada no Brasil, que retratam a Rússia como nação agressiva, como se fosse uma espécie de nova “Alemanha Nazista”, liderada por um novo ser diabólico: Vladimir Putin.

Uma forma fácil de entender é esquecer o potencial russo no campo da dissuasão nuclear, incomparável, cujo espelho, único no globo, repousa no arsenal equivalente dos EUA. Focando-se na capacidade econômica e nas armas convencionais, percebe-se, que a Rússia apresenta-se como uma potencia regional, sendo a sua capacidade de intervenção e resposta é mais forte quanto mais próximo estiver o alvo das ações das suas fronteiras. Entende-se, pois, o motivo das pressões intensas dos EUA sobre a França, no tocante aos navios multipropósito da classe Mistral, cuja construção havia sido contratada pelo Ministério da Defesa da República da Rússia junto ao estaleiro STX, DCNS, em contrato então aquiescido e endossado pelo governo francês. Tais navios ampliariam consideravelmente a capacidade de projeção da Marinha da Rússia, e certamente estariam sendo por agora utilizados no chamado “Expresso de Damasco”.

O espaço pós-soviético é o campo óbvio das atenções russas, e ao contrário do que se possa pensar, não é na Europa, mas na Ásia Central, onde a Rússia devota as suas energias. Percebe-se, pois, que os russos perceberam já a algum tempo que o futuro tem morada no Oriente. Este espaço teve a influência ocidental revertida, com muita paciência e trabalho intenso no campo diplomático, de inteligência, bem como no econômico. A exceção notável permanece sendo o Azerbaijão, seduzido que é até a presente data, pelo prometido mercado europeu ao seu gás, que seria viabilizado pelo gasoduto Nabuco… No tocante ao Cáucaso, segue a dor de cabeça no Daguestão, vizinho da Chechênia, agora estabilizada. O Cáucaso e a Ásia Central explicam em grande parte o esforço russo na Síria, dado que lá se dá combate aos mesmos terroristas da jihad que praticam o terror nas republicas da Federação Russa, portanto, a luta na Síria evita que os terroristas “subam a estrada”…

No tocante ao espaço do Oriente Próximo, o apoio ao Governo Sírio, reforça a influência russa na mesma medida que faz declinar a influência turca e saudita. Não se faz necessária, sequer, a vitória completa sobre os terroristas, bastando apenas que a sobrevivência do Governo Sírio seja assegurada, como de fato é o que se observa. No Mar Negro, a espetacular incorporação da península da Criméia fala por si. Espetacular não apenas pelo deslocamento rápido dos efetivos, que subiram em questão de dias para o limite de 32.000, mas, pelas consequências: a Rússia toma posse das reservas de gás do Mar Negro, adjacentes à orla da Criméia, reservas estas que estão ainda por serem exploradas. A ocupação da península presenteou a Rússia com a posse definitiva da Base Naval de Sebastopol, e por extensão, do domínio efetivo do Mar Negro, algo que reflete sobre as demais nações que são banhadas pelo referido mar. Com a posse da península a Rússia garante a segurança das suas linhas de gasodutos que provém do Cáucaso em direção à fronteira ucraniana.

A Ucrânia é um caso aparte. Ela se revela como um desafio proposto pela OTAN desde o golpe da Praça Maidan. Como nação, por si, a Ucrânia não se revela como ameaça, dado que se desmantela, perde capacidade industrial e econômica a olhos vistos desde o rompimento, forçado, dos laços com o complexo industrial russo, seu maior cliente. É por entender o conflito na região do Donbass como uma isca, que a Rússia congelou o mesmo com o Minsk-2, retirando assim o fantasma de ter-se de desdobrar em duas frentes, uma na Síria e outra na sua fronteira ocidental. Não é que seja o conflito ucraniano visto como se fosse de menor importância, mas a sua evolução não se mostra atrativa ao governo da Federação Russa, por representar ganhos relativamente pequenos. Desta maneira, congelado, a Rússia pode armar e treinar os elementos nativos do Donbass com vagar, com um custo menor, podendo sempre que necessário plantar efetivos do outro lado da fronteira para dissuadir o governo ucraniano de tentar algo mais efetivo do que as trocas de fogos de bateria.

Os olhos da Rússia repousam no Oriente, como bem demonstra o acordo amplo feito com a China, no campo energético e de Defesa. Espera-se que os volumes contratados por Pequim venham a gerar algo em torno de 400 bilhões de dólares em 10 anos, o que é uma quantia salutar. A China também é contratante de volumes de gás das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e acaba por dividir influência com Moscou nestas repúblicas, mas no tocante ao aspecto de segurança é a Federação Russa a garantidora da paz nestes espaços geográficos, seja pela manutenção de bases com efetivos militares, ou por acordos de cúpula.

Por isto é falsa a ideia plantada de que seja a Federação Russa uma potencia expansiva, dado que se observa apenas uma reocupação de um espaço geoestratégico. Expansão se verifica por parte da OTAN, que avança sobre a fronteira russa e não o contrário. A Rússia exercita o seu papel de potência regional sem se iludir com o domínio global, bastando para si neste momento em alcançar o objetivo clássico acalentado por todo e qualquer coração russo: a segurança das suas fronteiras.

O esforço russo na Síria

Por: César A. Ferreira

Muito se escreve, mundo afora, sobre o esforço depreendido pela Federação Russa em apoio a República Árabe da Síria em favor do governo local, reconhecido como representante legal, em meio a guerra civil. Poucos, no entanto, detalham este esforço. Vamos então aos detalhes deste movimento russo.

Primeiro devemos perceber que  as ações se dividem em  contingente expedicionário, logístico e meios estratégicos. A Força expedicionária russa consiste de meios da VKS, fuzileiros navais, regimentos de artilharia de campanha e de defesa aérea. Os meios logísticos empregados são tanto uma frota que perfaz a rota Sebastopol – Latakia/Tartus, como aeronaves de transporte, que descarregam na base aérea de Bassel Al-Assad.  É interessante notar que as rotas utilizadas para o suprimento aéreo, contornam totalmente a Ucrânia e a Turquia, mas atravessam o espaço aéreo da Bulgária e da Grécia. Outra rota utilizada corta o mar Cáspio e passa pelo norte do Irã, nesta rota os transportes geralmente contam com a cobertura de escoltas de caças F-14, ou F-4, por parte da IRIAF.

Os meios aéreos desdobrados para a Base Aérea Bassel Al-Assad compreendem 8 aeronaves SU-24M, e 3 aeronaves SU-24M2, 10 SU-25 SM, 2 SU-25 UM, 4 SU-30 SM, 4 SU-34, 12 helicópteros de ataque modelo Mi-24P e 3 Mi-8 AMTsh. Esta força destacada contém com a proteção dos Fuzileiros Navais da Frota do Mar Negro, que contam com o apoio de 6 Carros de Combate T-90S, 26 BTR-82A, 2 Gaz-2975 “Tigr”, 2 M-65 Lynx, 2 UAZ-469, 1 Kamaz 6350, 10 Kamaz 4350, 10 Gaz-66, 6 peças de artilharia (152mm) 2ª65 MSTA-B, rebocadas por outros 6 caminhões Kamaz 6350. Contam ainda com a proteção de meios de interferência eletrônica e de baterias antiaéreas para defesa de ponto e longo alcance, sendo os meios antiaéreos compostos por uma bateria S-400, protegida por 03 veículos do sistema Pantsyr S-1.

O dispositivo de artilharia antiaérea da Força Expedicionária da Federação Russa, sem sombra de dúvida é a estrela maior, alvo de todas as polêmicas posteriores ao evento com a emboscada aérea ao Su-24M2 (designativo 83). Trata-se do decantado S-400, sistema que cobre com facilidade o raio de 250 km (míssil 48N6). Os seus componentes são 01 viatura mãe para o radar 92N6E, cuja função é o controle de fogo e orientação dos mísseis do sistema, 01 veículo portador do radar de varredura de campo, banda UHF, Kasta 2E1 (radar de varredura, componente do sistema Pantsyr S-1, cada veículo com 12 mísseis 57E6), uma bateria com 04 veículos Pantsyr S-1 (unidades de proteção do sistema S-400), 01 veículo base para o radar 3D de aquisição de alvos 96L6E, 01 posto de comando 55K6E, 01 veículo supridor 22T6E2, 04 veículos lançadores múltiplos 5P85 (quatro lançadores cada, para mísseis 48N6). Além destes componentes temos 01 radar VHF 2D 1RL131, destinado ao controle de tráfego aéreo, mas que como o Kasta é capaz de varrer e captar caças com desenho stealth, 01 radar altímetro 1RL132 (complementa o 1RL131), cobertos pelo sistema de contra-medidas eletrônicas Krasukha-4 (01).

Ponte aérea e bombardeiros estratégicos

O esforço russo, no entanto, não se restringe à sua Força Expedicionária, havendo missões com a força bombardeiros estratégicos, provindos de Engels (Base Aérea), bem como com a montagem de uma ponte aérea, contando com transportadores An-124, Il-76 e até mesmo o improvável Il-62. O Na-124 foi o responsável pela entrega do S-400 em questão de horas após o affair SU-24M2.  As rotas desta ponte aérea contornam a Ucrânia em sua totalidade, como evitam também o espaço aéreo turco, todavia sobrevoam a Polônia, Bulgária e a Grécia, nações da OTAN, mas que nem por isso se mostram hostis à rota de suprimento. Outra rota dá-se pelo mar Cáspio e sobrevoa o Irã. Em geral, nestes voos há escoltas da IRIAF com caças F-14A e F-4E, idem para as missões de bombardeio, onde os transportadores russos receberam escoltas dos iranianos, notadamente com os caças F-14A. As missões de bombardeiro, sobejamente divulgadas na mídia marcaram o batismo de fogo do Tu-160, precisamente no dia 17 de novembro ultimo. 02 duas aeronaves tomaram a missão, o mesmo se deu nos dias subsequentes, sempre com um elemento  (duas aeronaves), os demais bombardeiros envolvidos foram  12 Tu-22M3, tanto no dia 17, como nos dias 18 e 19, e o venerável Tu-95MS, 3 no dia 17 e dois no dia 19.  No ataque efetuado no dia 20, foram escalados 12 Tu-22M3, 8 SU-34, 01 Tu-95MS, 02 Tu-160, sendo supridos por dois reabastecedores Tu-78M. Esta formação recebeu escolta de caças da IRIAF composta por 04 F-14A e 04 F-4E e F-4D. As escoltas da VKS foram proporcionadas por caças 04 Su-27 SM3 e 04 SU-30SM.

Ropucha Land Class Ship
Transportador militar russo dirige-se para a Síria. O navio em questão, primeiro plano, é um Project 775 “Ropucha”. Foto: internet.

Atividade Naval

A Força Expedicionária da Federação Russa na Síria, ainda que bastante limitada, exige um apoio logístico de monta, que não pode apenas depender da ponte aérea. Por isso, uma intensa atividade naval, um verdadeiro “Expresso Damasco” se dá em direção à costa síria. Notadamente fazem parte os navios de desembarque de Carros de Combate. Dentre destacam-se aqueles do Project 775, mais conhecidos como “Ropucha Class”, construídos na Polônia. Estes navios podem abrigar até 24 veículos blindados ou transportar pouco mais de uma centena de infantes. Outro transportador que faz a linha para Tartus e Latakia é o Project 1171 Tapir, mas conhecido pelo nome código da OTAN, “Alligator”. É capaz de transportar uma vintena de Carros de Combate, ou 350 infantes completamente equipados. Da classe Project 775 foram avistados os seguintes vasos: 031-Aleksander Otrakovaskiy; 130-Korolev; 142-Novocherkassk; 151-Azov; 127-Minsk; 158-Cesar Kunikov; este último protagonista de uma nota de protesto da chancelaria turca, devido a presença de um infante com um MANPAD, enquanto da travessia no Mar de Mármara. Da classe Tapir: 150-Saratov e 152-Nikolay Filchenkov. Somam-se aos transportadores militares uma série de navios auxiliares e cargueiros civis.

O efetivo militar marinho, afora os transportadores, constam presentes na Esquadra do Mediterrâneo os seguintes vasos: 121-Moskva (Classe Slava, Cruzador Lança-Mísseis), 810-Smetlivy (Classe Kashin, Destroyer), 808-Pytlivy (Classe Krivak, Fragata); 801-Ladny (Classe Krivak, Fragata), além do submarino convencional, project 636 Rostov-On-Don, que recentemente disparou uma salva de mísseis 3M-54 Kalibr. Da flotilha do Mar Cáspio, afamadas por terem lançado salvas de mísseis de cruzeiro Kalibr, participaram e participam das ações as covertas: 021- Grad Sviyazhsk, 106-Veliki Ustyug e 022-Uglich (Classe Buyan-M), além da fragata leve da classe Gepard, 693-Dagestan.

Em meio aos esforços russos, percebem-se no outro lado da fronteira algumas forças turcas desdobradas, com o intuito de proteger o trânsito de insurgentes turcomanos e da Al-nusra, presentes na região, são eles 10 Carros de Combate M-60 (Sabra), e uma unidade de guerra eletrônica HX 77 Koral. A Turquia enviou estes meios após o evento por ela mesmo desencadeado, quando realizou uma invasão do espaço aéreo sírio com o intuito de emboscar um elemento de Su-24M2, que resultou no abate e morte do Tenente=Coronel Peshkov.

Abaixo o infográfico com as informações desta matéria:

Infográfico