Turquia força violação do cessar fogo na Síria

Por: César A. Ferreira

A Turquia, movido pelo desespero frente ao desabar dos seus interesses em território sírio, perdeu todo o pudor possível passou a apoiar, de modo franco, a invasão da Síria a partir do seu território por extremistas da international jihad filiados ao Estado Islâmico. A ação se deu na data de 28 de fevereiro ultimo. Aproximadamente 100 dos combatentes do terror invadiram o território  fronteiriço curdo, especificamente a cidade de Kobane, palco de intensos combates entre 2014/2015, formando uma pinça que visava a cidade pelo norte e sul, com apoio de fogo de artilharia de campanha (155 mm) provindo da Turquia, fornecido, por óbvio, pelo exército turco.

O referido ataque foi sustado pelos defensores, resultando em aproximadamente 70 extremistas mortos, segundo informantes curdos. Apesar de a incursão ter sido dominada, ela ganha importância por ser um ataque de militantes do EI efetuado com explícito apoio turco contra um bastião do YPG/YPJ, grupo armado curdo que conta com apoio dos EUA. A artilharia turca faz com constância fogo contra localidades fronteiriças sírias, caso de Kobane, Tel Abyad e proximidades de Az’ az, portanto, percebe-se, que para ser alvejada uma determinada localidade, o critério único adotado pelos turcos é estar esta mesma localidade em mãos dos combatentes curdos. Todos os demais fatores são secundários.

O apoio da artilharia de campanha turca foi denunciado pelo Chefe do Centro Russo Para Reconciliação de Beligerantes, Tenente-General Sergei Kuralenko, segundo este oficial, a informação do apoio de fogo da artilharia turca os insurgentes provindos da Turquia foi verificada e confirmada através de vários canais, inclusive por “representantes das forças democráticas da Síria”. Segundo outro informante, Redura Khelil, representante curdo para contatos com a imprensa, os defensores curdos “foram capazes de repelir o ataque, sendo os agressores cercados e destruídos”. Não houve citação alguma sobre baixas curdas.

Anúncios

Campo de batalha na Síria, relatório, 26.02.2016

Fonte: Warfiles

Adaptação: César A. Ferreira

 O cessar-fogo na Síria está para começar nesta meia-noite.  A força aérea síria está distribuindo panfletos sobre áreas ocupadas pelo inimigo, onde consta instruções especiais para os comandantes rebeldes sobre aquilo que devem preencher, para então se transferirem ao centro de cessar-fogo de Hmeimim.

Moscou anunciou que os ataques aéreos contra as posições rebeldes continuará até às 10 horas do horário moscovita, o que corresponde à meia-noite, no tempo de Damasco. Eastern Guta, Homs norte, e Aleppo ocidental experimentaram os mais pesados ​​ataques aéreos do dia.

Província de Aleppo

O EAS – Exército Árabe Sírio, liberou totalmente a localidade de Hanasser. Antes da libertação, as forças sírias destruíram um grupo de rebeldes na aldeia de Rasm an-Nafal.

O EI – Estado Islâmico não dormiu muito na noite passada, uma vez que foi continuamente bombardeado por aviões russos que voaram em mais de 30 missões no apoio às tropas sírias.

Após libertar Hanasser, as Forças Tigre,  uma força de comandos, começou a libertar outras cidades ao longo da vitalmente  e importante rota de abastecimento para Aleppo. A brigada de elite apoiada por equipas das Forças Gueopardo 03 e 06, bem como as unidades da Guarda Republicana, do Hezbollah, e das Forças de Defesa Nacional, conseguiram libertar cinco aldeias ao longo destes dois últimos dias.

Nesta manhã, tropas sírias de operações especiais expulsaram o inimigo das aldeias Shilallah al-Saghira, Minaya e Jokhah em operações (de ataque) relâmpago. O eixo de progressão partiu de aldeias recentemente libertadas.

Em seguida, as unidades de elite lançaram um ataque contra Hawaz cuja captura levará à ocupação das elevações existentes no entorno de Raheep. O contra-ataque rebelde contra El-Hammam falhou. Também foi relatado que os últimos vilarejos ao longo da rota Hanasser-Aleppo foram libertados, abrindo assim a estrada que permite o fluxo de abastecimento para Aleppo. O inimigo foi forçado a recuar a partir de Raheeb, Rawahayb, Rasm al-Tineh e Muntar. As formações sírias começaram a varredura para limpar a estrada secundária Sheiha Hilal-Ithriyah, até então bloqueada pelos militantes.

Dá-se que as forças dp EI remanescentes na área poderiam vir a cair em uma armadilha. Eles possuem apenas uma única rota de fuga,  estreita, que os leva para Raqqa, via esta que pode ser cortada a qualquer momento. Se eles estão propensos a sobreviver, terão de recuar, caso contrário, serão mortos pela combinação das armas: de unidades de elite sírias e aeronaves de ataque russas.

A troca de tiros é contínua na própria cidade de Aleppo. Os confrontos mais graves ocorreram nos distritos de Beni-Zeid e Han al-Asal.

00074
Carro de Combate T-72, do EAS, promove apoio à infantaria. Fonte: Warfiles.

Província de Hama

Não foram realizadas grandes operações terrestres. Aeronaves de ataque sírias lançaram ataques contra a Al-Qaeda (Jabhat al-Nusra) concentrações de militantes perto de Wadi al-Azib, destruindo uma série de posições fortificadas e peças várias de equipamento.

Província de Deir ez-Zor

Os terroristas continuam a sondar as defesas da base aérea. Houve confrontos perto da aldeia de Beit-Dhem e o posto de controle ao sul.

Houve confrontos breves na capital provincial perto de al-Afri e ad-Jbeil. Os terroristas sofreram perdas graves após uma coluna de abastecimento ter sido emboscado.

Província de Homs

Os ataques aéreos sírios atingiram três sedes de militantes, destruindo um número considerável de veículos em Palmira. Jaysh al-Fath (entidade terrorista) foi bombardeada perto de Telbis onde vieram a perder um posto de comando.

Na capital da província ocorreram  escaramuças breves, registradas nos distritos de Al- Arfi e Hell Jbeil . Aqui, os terroristas sofreram perdas severas, especialmente quando foi feito fogo sobre os comboios de abastecimento, então emboscados.

Províncias de Latakia e Idlib

A 103ª Brigada da Guarda Republicana do Exército Árabe Sírio, calaram as últimas resistências nas áreas da fronteira com a província de Idlib. Ain al-Baida, localizada nas montanhas curdas foi libertada na parte da manhã. Os Comandos, desta maneira, acabaram por penetrar no território da província de Idlib, com isto,  as forças sírias avançaram 3 km em direção à fronteira com a Turquia. Os islamitas estão controlando apenas uma pequena área, uma franja de poucos quilômetros quadrados próximo a Kobane e al-Sirmaniyah.

As aeronave da Força Aérea da Síria bombardearam várias bases da Jabhat al-Nusra, destruindo muito da infra-estrutura dos terroristas, além de vários equipamentos (material rodante).

 

 

Os segredos por trás dos avanços sírios

Por: César A. Ferreira

Não se pode atribuir apenas ao poder aeroespacial russo as recentes vitórias das armas sírias, pois a vitória depende, sempre, da infantaria, necessária para ocupar o terreno.

Pode-se perguntar e seria justo fazê-lo, do motivo que levou uma força em retraimento, que cedia terreno frente à pressão inimiga, passar de uma hora, para outra, em uma força em progressão, vitoriosa, cujo moral se eleva a cada metro conquistado. Pois, isto se deu com o Exército Árabe Sírio, cuja desagregação era prevista por alguns “especialistas” para as calendas de outubro de 2015, mas que, no entanto, exibe-se hoje robustecido e aguerrido. Os motivos para isso são muitos, complexos, mas compreensíveis e uma análise rápida permitirá ao leitor formar um panorama capaz de desvendar os segredos por trás desta nova dinâmica combativa do EAS.

Antes do suporte russo

O Exército Árabe Sírio começou a guerra como toda força preparada para combates contra equivalentes regulares em campo aberto. Isto é interessante observar, pois o Exército Árabe Sírio contou em sua história com a utilização do ambiente urbano como um elemento vital para o sucesso do  combate travado contra as forças invasores da IDF no Vale do Bekaa em 1982. Todavia, nesta presente “guerra civil”, que então se iniciava, o EAS viu-se surpreendido, e respondeu com erros clássicos, tal como o uso isolado de Carros de Combate em vielas estreitas, com edificações altas, portanto, propícias à emboscadas, que ocorriam com certa frequência dado que a experiência dos combatentes insurgentes neste tipo de combate era muita, pois não pouco deles serem oriundos da Chechênia, ou seja, veteranos dos confrontos contra o Exército da Federação Russa.

A presença de instrutores iranianos da Guarda Revolucionária Islâmica ajudou aos sírios a recompor suas formações, reciclar e rever a formação de comandantes de campo, focando no aprimoramento dos oficiais de patente mediana, tenentes e capitães, além da adoção de conceitos que premiavam as decisões advindas do aprendizado provindo do combate, algo que diferia, em muito, da verticalidade típica do comando de estilo soviético, ainda muito presente e apreciado nas armas sírias.

Apesar dos esforços dos instrutores da Força Quds, o problema do treinamento entre os infantes sírios persistia. Pouco além dos elementos da Guarda Republicana, Forças Especiais ou das Divisões Blindadas mais tradicionais eram capazes de exibir coordenação tática com a Força Aérea e a artilharia de campo. As ocorrências de deserções se avolumavam, bem como as reclamações constantes sobre soldo e material, reveladoras de uma moral declinante. Ainda assim, o regime conseguiu manter a linha costeira, Holms e Damasco, mesmo que subsistisse um foco ao sul da capital, bem como a perda da fronteira no sul, junto ao Golan, cedido para Frente Nusra devido ao providencial auxílio da artilharia da IDF.

O quadro desolador, todavia, detinha alguns fatores que permitiam observar o desenrolar dos eventos futuros com alguma esperança: a entrada no conflito de combatentes experientes do Hezzbollah, primeiramente na franja da fronteira libanesa, o comportamento da Força Aérea Síria, de extrema fidelidade, e da decisão curda (YPG/YPJ) de vir a dar combate a toda e qualquer facção extremista islâmica na Síria.

Buratino-resultado
A imagem reflete uma pira funerária, não é possível haver sobreviventes nesta barragem efetuada pelas baterias de foguetes TOS-1 Buratino. Imagem: internet.

O suporte russo

Como é bem sabido foi a partir de um comunicado do General Soleimani aos seus equivalentes russos, informando que as estradas para a costa estavam agora abertas, a partir da queda de Salma, bem como pela perda das elevações ao norte da província de Latakia para os rebeldes turcomanos, que se deu a decisão russa de enviar uma força expedicionária (grupo aéreo). Os turcomanos, é importante dizer, são uma minoria que até então se mantivera fiel, ou neutra no conflito, mas que fora armada pelos serviços secretos turcos e tomara posição contra o regime. Informado, Putin ordenou a intervenção russa, composta pelo efetivo aéreo, bastante limitado, e um grupo de fuzileiros navais, estes responsáveis pela defesa da base.

A presença russa na base de Hmeimeem é a parte visível deste apoio, mas não menos vital, porém não noticiado é o suporte logístico fornecido não só ao grupo militar presente, mas à Republica Árabe da Síria, como nação, representado na recuperação de estruturas de manutenção e reparo de blindados, então inoperantes, do envio de peças para manutenção e aumento da disponibilidade em rampa dos vetores da Força Aérea Síria, de armas como obuses e suas respectivas munições, em grande quantidade, o mesmo para bombas aéreas, cuja carência forçava a adoção de improvisações extremas, como a confecção de “bombas barril”. Soma-se ao suporte logístico o envio de derivados de petróleo, combustíveis e lubrificantes, vitais para um exercito em campanha, e acima de tudo, de equipamento para infantes, de coletes e capacetes balísticos a armas leves e munições. Forças Spetnaz, como elementos de ligação e designação em solo de alvos, também foram vistos, além da instalação de um centro de coordenação na Base Aérea de Hmeimeem. Os russos fizeram-se acompanhar por instrutores, visto que a desagregação do EAS, relatada por Soleimani não era de todo desconhecida pela vasta representação diplomática russa mantida na Síria, mas, a opinião deste diferia um tanto, pois pautados pela própria experiência na Chechênia, concluíram os russos que o problema do EAS era, sobretudo, moral, e que isto poderia ser resolvido se adotadas as medidas urgentes para fortalecer a arma necessária em uma campanha onde o combate urbano se faz presente: a infantaria.

A infantaria síria foi premiada com novos equipamentos individuais, como citado, formação mais acurada e severa, preparação psicológica, inclusive, para aceitação de baixas em combate, inevitáveis no confronto urbano, restabelecimento e aumento na capacidade de atendimento aos feridos, com ampliação das alas médicas/hospitalares e da regularização dos insumos médicos (remédios, bandagens e outros equipamentos), preparação específica dos médicos militares e civis, para focar além dos traumas, observando, também os atendimentos de ordem psicológica, respiratória e do trato gastrointestinal, males recorrentes em combates em ambientes urbanos.

Em relação à tropa em si, o reforço na qualificação do comando de pequenas frações, fraqueza já observada pelos iranianos, foi abordada como prioridade, bem como a elevação geral da capacidade do combatente sírio com reforço na disciplina e incentivo ao julgamento individual (iniciativa). Os melhores recrutas sempre são destinados às formações de elite do EAS, as quais frequentemente estão na linha de frente, ademais, atenção especial é focalizada na formação de elementos de ligação e designação de alvos, comunicação e sinalização, visto que suporte aéreo aproximado é tido como necessário, quando não fundamental. Outra constatação é a mimetização da flexibilidade das formações insurgentes pelo EAS, de tal maneira que a utilização de motocicletas, hoje, é tida como mais eficiente entre os combatentes governamentais do que entre os insurgentes. O uso de caminhonetes com canhões ZU/2 (23mm) montados na carroceria é comum, isto, sem abandonar a ação cirúrgica dos canhões de 30mm dos veículos blindados, apoiados pelas peças de 125mm dos Carros de Combate (T-72, T-90), que fazem uso de munição HE de maneira recorrente. Outra arma muito vista, é o uso das veneráveis “Shilkas” (ZSU-23/4), desprovidas de sensores e utilizadas como apoio a infantaria. Costumam ser mortais contra snipers, devido a precisão da plataforma e a mira secundária, óptica, mantida nos veículos.

TOS-1Buratino
TOS-1 Buratino em lançamento. Imagem: Sputnik News.

Refletindo a experiência russa na Chechênia, passaram os sírios, quando de fronte a um ponto forte no perímetro urbano, que por ventura não pode ser contornado, a varrer com canhões de tiro rápido os andares intermediários das construções, isto, quando tal edificação não é de maneira prévia um alvo visitado pelos bombardeiros russos, ou sírios. O uso do míssil Kornet contra fortificações é comum, devido ao fato desta arma conter uma versão com cabeça de guerra termobárica específica para este uso/alvo.  A coordenação com o efetivo aéreo é enfatizada, o que reflete, mês a mês, na melhoria do suporte aéreo aproximado (Close Air Suport –CAS, ing), em geral proporcionado por helicópteros de ataque Mi-24P/Mi-35M, ou por aeronaves Su-25. O reforço da Rainha das Batalhas, ou seja, a artilharia, nas formações sírias também se impôs como uma das chaves do sucesso. Veículos Lança – Foguetes BR-21 Grad e TOS-1 Buratino (terríveis contra forças dispersas e sem abrigo no campo, visto que realizam fogo de saturação de área) são visto com constância nos combates, o mesmo para obuses, devido a presença dos MSTA-B (2A65, 152mm, rebocado), o que elevou sobremaneira a capacidade dos grupos de artilharia de campanha do Exército Árabe Sírio.

Há muito que fazer. No tocante a infantaria faz-se necessário a elevação da qualidade combatente de uma maneira geral, dentro das formações, para se evitar a dependência constante do socorro fornecido pelas unidades de elite, estas de comprovada qualidade e experiência de combate, caso, por exemplo, da 103ª Brigada de Infantaria da Guarda Republicana, 4ª Divisão Mecanizada ou da Força Tigre. Um número maior de Carros de Combate T-90 seria desejável, bem como do reforço dos esquadrões de helicópteros de ataque. Entretanto, compreende-se, que o tesouro russo não é infinito, e que a guerra síria deverá ser ganha pelo seu povo, na forma do Exército Árabe Sírio, com o devido valor pago em sangue. Isto, aliás, explica o real motivo do exército turco em não entrar profundamente no território sírio: o terreno entrecortado, com a presença de vales e elevações favorece a um defensor determinado, caso do Exército Árabe Sírio, que agora se encontra bem dotado de armas ATGW…  Ou seja, a possibilidade de imobilização e destruição de colunas blindadas é real, e isto seria uma humilhação desnecessária para aquele que é em números o maior exército da OTAN.

USAF reflete sobre sucessor do F-35

Por: César A. Ferreira

A Força Aérea dos EUA (USAF-ing); concluiu dia 18 último um estudo que versa sobre o domínio do ar para a década de trinta e além, deste século. O estudo prevê as bases conceituais, bem como as armas que deverão compor a nova família de aeronaves de caça, isto, segundo o informante da Agência Reuters, um “Oficial Sênior” da referida Força Aérea, creditado como Tenente General Mike Holmes1 (“Vice Chefe”2 do Estado Maior da Força Aérea dos EUA), em matéria de autoria de Andrea Shalal, com edição de Leslie Adler . O estudo em questão, é importante dizer, precede as análises formais de alternativas, que por sua vez antecede aquelas dedicadas para aquisição de novos vetores. A ser apresentado no próximo mês aos principais pares da USAF, este estudo, por si, revela-se uma “saia justa”.

Dá-se que este estudo aborda, de fato, aquele que será o substituto do F-35, produto da Lockheed Martin Corp., cujo desenvolvimento, marcado por custos astronômicos acabou-se de ultimar. Esta aeronave encontra-se em produção, estando suas primeiras unidades entregues aos seus esquadrões por agora, após 15 anos de desenvolvimento, todavia, os avanços em tecnologia de detecção, por parte da Rússia e da China, forçaram a liderança militar dos EUA a pensar toda uma nova geração de aeronaves de combate para além daquilo que o F-35 representa.

“It won’t be just one airframe that comes out of it. It’ll be a family of systems that helps us make sure we can guarantee the air superiority that the joint force depends on”, afirmou o Tenente General Holmes, após discurso proferido na Air Force Association.

O militar informante deixou escapar que havia a intenção de explorar todo o potencial pertinente às capacidades de guerra eletrônica, como parte do esforço geral na concepção da nova família de aeronaves de caça/ataque. Ora, isto é uma espécie de “revolução” dado que a partir da adoção do perfil “Stealth” em suas aeronaves, o pensamento da USAF era a da penetração passiva, ou seja, sem emissão alguma de frequências, dado que a confiança recaia sobre os perfis antirreflexivos. Agora, maior atenção será dada à guerra eletrônica, justamente o pensamento dominante à leste dos montes Urais…

A matéria de Andrea Shalal traz outras informações. Segundo o oficial informante, a USAF planeja adquirir 62 helicópteros UH-1N, produto da Bell Helicopter (Textron Inc)., para comporem o sistema de segurança dos silos dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM-ing) Minuteman III (LGM-30), bem como para servir ao transporte VIP.

Notas
1 : “Lieutenant General Mike Holmes”.

2: Segundo em Comando.

O “Quarto Poder” e o controle da opinião pública (1° Parte)

Desde que pensadores como John Locke apontaram para a importância dos jornais na educação da população, muitos intelectuais e cientistas se dedicaram à compreensão do funcionamento da mídia de massa para estabelecer técnicas precisas de controle por meio de uma elite. O “Quarto Poder” é uma expressão utilizada com conotação positiva de que a Mídia (meios de comunicação de massa) exerce tanto poder e influência em relação à sociedade quanto os Três Poderes nomeados em nosso Estado Democrático (Legislativo, Executivo e Judiciário).

Por: Cristian Derosa

A palavra propaganda, na sociologia e na política, nos remete às técnicas empregadas por Joseph Goebbels a serviço de Hitler, cujos crimes normalmente nos trazem à memória o que acreditamos ser o pior e mais devastador genocídio que já houve. Ocorre, porém, que nem Goebbels é idealizador da propaganda nazista e nem o nazismo seria merecedor do status de maior causa de mortes na história humana. Mas por que então palavras como esta e tantas outras nos remetem a ideias sobre as quais manifestamos opiniões de apoio ou repulsa quase que imediatamente?

O uso que Goebbels fez das técnicas de propaganda foi somente uma articulação possível dentre as diversas possibilidades desenvolvidas, na verdade, por Edward Bernays, o pai da profissão de relações públicas e uma das maiores mentes da propaganda no século XX. A inovação trazida por ele foi justamente a associação de palavras e ideias a determinadas emoções, tornando possível o controle dos sentimentos do público e, com isso, de suas ações.

Ao longo do século passado, essas técnicas foram usadas para suscitar repulsa a determinadas ideias, paixões por outras, desejos e até dependências psicológicas a conceitos ou produtos comerciais de clientes específicos. Puderam transferir a culpa de crimes a inocentes mediante exposições na mídia, assim como transformar heróis em bandidos e vice-versa.

Bernays pode ser considerado o idealizador de grande parte da cultura de massa do século passado, do consumismo e da cultura sentimental que vemos hoje. Foi inspirador de Goebbels e deu à propaganda o nome mais genérico e menos agressivo de relações públicas. Com técnicas ligadas à psicanálise, ele empreendeu uma das maiores e mais decisivas mudanças na mente do cidadão comum ao transferir o interesse do consumo da necessidade prática ao desejo simbólico.

Junto aos trabalhos de outros pesquisadores de comunicação social anteriores e posteriores, as técnicas de Bernays foram utilizadas amplamente por institutos de pesquisa social e empresas interessadas em controlar a opinião pública. Este interesse foi crescendo a partir do que era visto como uma necessidade desde o século anterior: a do controle social por meio de uma elite esclarecida. Vejamos como essa necessidade veio a se formar para compreendermos então o papel de Bernays e dos resultados perceptíveis à nossa volta.

O primeiro mito a se desfazer é o de que ideias de controle social são oriundas de mentalidades ligadas a regimes totalitários. Estes regimes só aperfeiçoaram e deram caráter mais técnico a uma necessidade dos próprios regimes democráticos de caráter liberal. A prova disso é que essas ideias surgem da mente de liberais interessados no progresso das ideias e das liberdades. Em muitos aspectos, ideias totalitárias são decorrentes de uma hipertrofia de ideias profundamente democráticas. Afinal, a democracia para funcionar deve contar com o consentimento total. Isso não quer dizer que a democracia seja o problema, mas pode significar que a sua defesa meramente ideológica ou instrumental tem grandes chances de se transfigurar em uma campanha fascista. E gênios ideólogos souberam utilizar muito bem este potencial.

Desde que pensadores como John Locke apontaram para a importância dos jornais na educação da população, muitos intelectuais e cientistas se dedicaram à compreensão do funcionamento da mídia de massa para estabelecer técnicas precisas de controle por meio de uma elite. A própria ideia de democracia liberal exige um tipo de legitimação que vai além da mera defesa teórica de seus pressupostos, mas passa pela necessidade de se gerar um consentimento público ou o que Karl Mannheim chamaria de “democracia militante”. A existência de propostas de caráter controlador e totalitário, portanto, se deve ao tipo de intelectualidade que acabou ocupando lugar de destaque neste processo. A passagem da ideia de controle indireto da opinião pública para um processo de controle estatal da mídia propriamente, está diretamente ligado à ascensão de um tipo de elite, a socialista fabiana, que se origina das classes pequeno-burguesas historicamente carentes de atenção estatal.

A proeminência das classes intelectuais na opinião pública, a partir do processo de crescimento da circulação de jornais políticos desde o século XVIII, culminou, no final do século XIX, com o florescimento das ideologias massivas, herdeiras e saudosas dos “avanços” da Revolução Francesa. O puritanismo da classe burguesa (influenciado pelo protestantismo), aliado às crenças no poder redentor das revoluções populares, trouxe a idealização de um tipo de proletariado defensor de seus direitos e participativo nas lutas políticas. Esta expectativa, porém, existente só na mente dessa pequena burguesia, não se efetivou na prática, pois o povo proletário do final do século XIX não se interessava por política nem por revoluções, já que as próprias condições de trabalho não pioravam como tentara demonstrar Marx. Isso trouxe certa desilusão no poder popular transformador, por parte dos intelectuais. Marx foi um dos responsáveis pela confusão entre o proletariado e a pequena burguesia insatisfeita ao usar dados do proletariado inglês e cruzá-los com as suas supostas consequências, às revoluções de 1848. Ocorre que estas revoluções foram levantes provocados pela pequena burguesia alfabetizada e insatisfeita, não por operários.

O resultado deste processo psicológico, muito bem descrito por Emmanuel Todd em seu livro “O louco e o proletário – filosofia psiquiátrica da história” (1951), foi o estabelecimento de um poder paralelo dos herdeiros dessa recalcada burguesia intelectual, cuja expressão mais clara está na atual elite globalista que já no início do século XX estava no comando da intelectualidade mundial.

O início do século XX, portanto, foi marcado por pesquisas de opinião pública de caráter normativo, a chamada escola funcionalista, que tinha como principal objetivo o conhecimento de técnicas para a manutenção da ordem pública, objetivo de uma classe científica de escola positivista. Os institutos de pesquisa social, como Rockefeller e Tavistock, inspirados na antiga confraria de pesquisadores de Wellington House, dedicaram-se ao estudo do processo cognitivo e os seus resultados práticos para a política.

Mais tarde, porém, percebeu-se que as agendas políticas deviam ser trabalhadas no campo cultural, o que trouxe maior margem de ação a estes pesquisadores. Hoje, nomes como Edward Bernays, Kurt Lewin, Walter Lippmann, entre outros, são referências em matéria de opinião pública e psicologia das massas, apesar de seus estudos serem vistos como meras investigações sem funções práticas. Lippmann, em seu livro “Opinião Pública” (1922), revolucionou os estudos de mídia ao relacionar as decisões dos cidadãos às imagens do mundo em suas mentes, cuja construção caberia a uma elite de esclarecidos que tivessem o controle dos meios de comunicação. Suas conclusões foram derivadas das descobertas de Ivan Pavlov sobre o condicionamento cognitivo das ações e dos comportamentos dos animais aplicados ao homem. Assim, Lippmann salienta a importância dos diversos mecanismos de censura como condição para a construção social, e sua função de barreira necessária entre o público e os eventos para a construção dos pseudo-ambientes.

Lippman – importante fonte de estudos em comunicação hoje – argumentava que a democracia representativa não poderia funcionar sem uma “organização especializada e independente que torne os fatos invisíveis inteligíveis àqueles que tomam as decisões”. Ele concluia o primeiro capítulo dizendo: “Minha conclusão é que, para serem adequadas, as opiniões públicas precisam ser organizadas para a imprensa e não pela imprensa”.

Estando o público distanciado dos eventos reais por meio de barreiras naturais ou artificiais, este terá, portanto, como única imagem destes fatos o que é passado por meio da mídia, das notícias diárias. “O único sentimento que alguém pode ter acerca de um evento que ele não vivenciou é o sentimento provocado por sua imagem mental daquele evento”, diz Lippmann. Entre os seres humanos e o ambiente real, há a presença marcante dos pseudo-ambientes dos quais o comportamento é uma resposta. Este comportamento-resposta, porém, se é uma ação, não opera evidentemente no mundo dos pseudo-ambientes onde foi estimulado, mas no ambiente real onde de fato as ações acontecem.

Em termos práticos, isso quer dizer que, de posse do controle das notícias, pode-se determinar em grande parte as respostas dos cidadãos, por meio da geração destes pseudo-ambientes. Para determinar ações ou sentimentos específicos nos indivíduos, portanto, basta ater-se à forma como é construída a imagem do objeto e torná-lo socialmente válido. Ou seja, se as ações fossem respostas à realidade, seria muito difícil determinar ações, pois é impossível mudar os fatos dos quais as ações são a resposta. Esta é como se vê uma explicação lógica da mentira sistematizada.

Lippman foi membro da Sociedade Fabiana na juventude até se desiludir com o socialismo por não concordar com a ideia da luta de classes, embora aceitasse a sua existência na realidade. A imagem mental da ideia de luta de classes fomentaria o caos e a desordem, coisa tida como inevitável para os socialistas. Ele queria que a sociedade fosse controlada para a democracia e a ordem e via no marxismo ortodoxo um entrave à paz, apesar de concordar com a doutrina marxista quanto à economia. Não é a toa que Lippmann é um dos honoráveis fundadores do Council of Foreign Relations (CFR), em 1919, uma das mais atuantes entidades de influência da opinião pública no mundo. Com o CFR, o sonho de Lippmann e de muitos intelectuais fabianos estava mais perto de ser realizado.

— Cristian Derosa é jornalista.

*Continuação do artigo – O “Quarto Poder” e o controle da opinião pública (2° Parte) – com o subtítulo:Engenharia do consentimento.

*Titulo original deste artigo: Edward Bernays e o controle da opinião pública – Publicado em Midia Sem Mascara.

 

Severodvinsk: o cabeça da classe Yasen

Por: César A. Ferreira

O submarino nuclear Severodvinsk é o cabeça da nova classe de submarinos de ataque da Marinha da Federação Russa, que o comissionou na data de 30 de dezembro de 2013, do calendário gregoriano, sendo, por óbvio, o primeiro da classe Yasen, ou Projeto 885, que recebe da OTAN a denominação Graney.

Submarino cuja construção iniciou-se em 1993 nos estaleiros Sevmash, foi lançado ao mar no dia 15 de junho de 2010, e iniciou os seus testes de aceitação em 12 de setembro de 2011. Os seus ensaios duraram mais do que 100 dias de mar, no qual se verificou a ocorrência de mais do que 2000 defeitos a serem solucionados. Estes foram variados, envolvendo do desempenho acústico do submarino, aos sistemas de armas. Durante os esforços para solução, executou o submarino um período de ensaios de lançamento subaquático de mísseis de cruzeiro. O Severodvinsk realizou três campanhas de lançamento de mísseis, uma delas resultou em falha, as demais, em sucesso, sendo o alvo móvel naval destruído.

Em conjunto com torpedos pesados e minas, o K-329 Severodvinsk é capaz de portar até 24 mísses P-800 Oniks, também conhecidos como Yakhont (OTAN: SS-N-26), ou Kalibr, também conhecidos como 3M54 Klub (OTAN: SS-N-27). Ambos possuem um alcance da ordem de 300 km, sendo o Oniks consideravelmente mais pesado (3000 kg, contra 2300 kg do Klub), além de mais veloz, com uma velocidade de 2,7 Mach. O Kalibr possui uma velocidade de cruzeiro subsônica, sendo a fase terminal realizada em velocidade supersônica na sua versão 3M54-1. Além destas armas, fazem parte do seu arsenal possível, o afamado torpedo auto-cavitante VA-111 Shkval. Esta arma de 8,2 metros de comprimento e 533 mm de diâmetro, detém a velocidade recorde de 200kts para uma arma subaquática, e atinge alvos distantes até 13.000 metros, sendo a sua cabeça de guerra de 210 kg.

A belonave carrega uma tripulação de 90 especialistas, 58 marinheiros e 32 oficiais. O seu deslocamento, submerso, é da ordem de 13.800 toneladas, e capaz de submergir até a profundidade de 600 metros, as suas dimensões são as de 119 metros de comprimento, boca de 9,4 metros, vela de 4,1 metros (13,5 metros do diâmetro com a vela). Dispõe de eixo único e sua unidade propulsora é um reator de água pressurizada KPM, de 200 MW de potência. No tocante a sensores, além de radares para uso na superfície, exibe um sonar esférico de baixa frequência (MGK-500), grandes sonares de flanco de ultra baixa frequência, além de um sonar rebocado.

O segundo e terceiros submarinos desta classe, Yasen, denominados como Kazan e Novosibirsk, estão em construção, e o total planejado é de oito submarinos, todavia as unidades contratadas somam quatro. Concebido para ser um caçador/destruidor, tanto de submarinos como de belonaves de alto valor militar, apresentando taxas de discrição baixíssimas, possuem sensores extremamente sensíveis. A classe acaba por exibir, todavia, um custo tido como proibitivo, devido à alta exigência e sofisticação, por isso pretendem os executores russos a adoção de uma classe intermediária, mais simples, ainda que menos capaz.

Síria: as próximas horas podem ser cruciais

Por: César A. Ferreira

Com o avanço das forças curdas, após a tomada da base aérea de Menagh, em direção à Az’az, o desespero abateu-se sobre as lideranças turcas: sem cerimônia alguma fizeram fogo de bateria contra as posições curdas e do Exército Árabe da Síria, que respondeu fazendo fogo de contra-bateria.  As ações curdas, após a conquista da Base Aérea de Menagh foram rápidas, dado que de imediato assaltaram Kafr Khashir e dirigem-se, agora, para Kafr Kalbeen, enquanto que ao norte de Az’az, assaltaram Qastal Jindu com o eixo em direção à Salameh. Caso haja inflexão dos eixos de progressão haverá um cerco a cidade fronteiriça de Az’az, importante entroncamento das vias de comunicação entre a Turquia e a Síria, portanto, importante base logística das espoliadas forças do Exército Livre Sírio e da Frente Nusra. A queda de Az’az significaria a eliminação virtual destes dois grupos insurgentes na frente de Aleppo, restando para combater apenas o EI, o qual, diga-se de passagem, foi obrigado a abandonar a Central Termoelétrica de Aleppo Oriental frente ao avanço da Força Tigre, tropa de elite do EAS.

Não deixa de ser sintomático, que hospitais tenham sido atacados, com a culpa, era de se esperar, sendo debitada aos russos. Não fosse o fato de que o pequeno grupamento aéreo da Rússia não ter seu histórico ataques contra a infraestrutura civil da Síria, com a exceção notável dos campos de exploração de petróleo em mãos do EI, poder-se-ia acreditar, no entanto, em meio ao visível estado de aflição histriônica demonstrada pela Turquia, bem como pela associada Arábia Saudita, com a eminente derrota dos grupos jihadistas ao norte de Aleppo, isto aliado ao anunciado aporte de bombardeiros da Força Aérea do Reino em Incirlik, faz com que este escriba tome para si a suspeição, forte, de que a responsabilidade dos ataques aos hospitais deveram recair com maior propriedade sobre as asas da Força Aérea da Turquia, ou dos aliados próximos, USAF e KSAF (Força Aérea do Reino da Arábia Saudita – ing); ademais, é bom lembrar, que a cidade de Aleppo, e adjacências, tivera a sua infraestrutura atacada anteriormente pela coalizão ocidental, caso da estação de captação e tratamento de água, cuja destruição obrigou os moradores a buscarem o recurso diretamente no Eufrates, com o risco de contraírem o bacilo da Cólera, caso venham a ingerir sem dar-se à fervura das águas retiradas do rio.

A exasperação turca dá-se por conta da concretização da agenda curda, pois o avanço curdo possui a intenção explícita de viabilizar um corredor territorial entre Kobane e Sarrin, ou seja, do oeste ao leste. Ainda que o nascimento de um estado curdo na região não faça parte dos planos de Assad para a Síria, dado que este nasceria à custa do Estado Sírio, prevê-se a concessão de uma autonomia ampla, algo que por certo se dará. Isto é entendido por Ancara como um embrião de um processo inexorável, que nas mentes turcas resultará na criação do Curdistão como estado nacional, que levará todo o leste da Turquia. Convenhamos, quando líderes nacionais deixam-se levar em suas mentes por fantasias tenebrosas, em meio ao desabar do seu castelo de cartas na forma das suas ambições territoriais, boas coisas, com certeza, não podem sair. Compreende-se, pois, o aviso emitido hoje, 16 de fevereiro de 2016, de que nas próximas 24 horas a Turquia realizará a invasão territorial da Síria. Basta esperar para ver se não se trata de um blefe.

Blefe, ou não, tomam os russos as suas medidas. Tendo constatado que quase todo o 2º Exército Turco se encontra estacionado junto à fronteira, formando não menos que 18.000 homens, valor de uma Divisão, como tropas operacionais, isto é, sem contar com o efetivo de apoio logístico, apontado para o eixo de Az’az, realizaram os eslavos uma verdadeira ponte aérea através da rota do Mar Cáspio, onde dois dos imensos cargueiros AN-124 foram avistados, descarregando material bélico na Base Aérea de Hmeimeem. Outro meio cuja presença não pode deixar de ser notado é composto pela aeronave SIGINT Tu-214R. Este avião para coleta de dados eletrônicos, de comunicações e de emissões, reflete que o comando russo espera uma mudança brusca do patamar do confronto havido na Síria, de um conflito contra forças insurgentes, portanto irregulares, contra uma força treinada e dependente de coordenação centralizada, portanto, emissora de sinais, comandos, caso de uma força regular, em suma de um Exército Nacional. A aeronave, de maneira elucidativa, não só seguiu a rota do Mar Cáspio, como fez também um desvio, sobrevoando boa parte do território iraquiano, afastando-se ao máximo da fronteira turca, adotando desta forma uma rota previdente contra a possibilidade de uma emboscada área por parte da THK (Força Aérea da Turquia – tur). Ademais, os porta-vozes das forças armadas sírias deixaram bem claro que, caso haja penetração na fronteira, darão combate às forças turcas as quais irão considerar, com razão, como forças invasoras. Vê-se claramente que as próximas horas serão decisivas para o desenrolar do drama de Aleppo. Para os expectadores resta aguardar.

Avakov teria sido recrutado em prisão italiana

Por: César A. Ferreira

Segundo entrevista cedida por Igor Marlov ao Moskovsky Komsomolets, o Ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, é um agente estrangeiro recrutado, no caso, pelos serviços de inteligência italianos. Isto teria se dado quando Avakov esteve preso, por breve período em prisões italianas. Markov afirma com propriedade, que a Ucrânia é manipulada “cegamente” pelos italianos, dado que o “Chefe” do Ministério do Interior da Ucrânia tem o costume de recorrer, constantemente, à sua amizade com o seu homólogo italiano: “Que saiba, o Ministro do Interior, Arsen Avakov, é de fato um cidadão italiano. Ele lá está como grande empresário, proprietário de grandes empresas. Investidor sério com recursos roubados do povo da Ucrânia; Ele comprou uma enorme planta de processamento de laticínios e uma casa no valor de € 14 milhões. Aparentemente ele está a preparar um refúgio para migrar em uma emergência”.  

Fato é que Avakov, tendo sido detido em solo italiano permaneceu encarcerado por menos de duas semanas. O delator, Markov, afirma que isto se deu devido ao recrutamento de Avakov pelos serviços italianos, que por sua vez seguiam instruções dos seus congêneres norte-americanos. Ademais, Avakov, pessoa sem formação jurídica alguma, recebeu como presente político o Ministério do Interior da Ucrânia, onde exerce o seu poder ministerial via… Facebook.  Pode parecer estranho, mas é desta forma que Avakov administra o cotidiano ministerial. O seu desempenho abaixo da crítica, dentre outros fatos escandalosos que o envolve, como molestamento de menores, atestam, segundo o denunciante, um apoio externo a Avakov, algo crível em vista da fragilidade e dependência da Ucrânia como Estado Nacional.

O pouco empenho de Avakov em fazer valer o “Império da Lei”, pelo menos naquilo que foge aos seus interesses imediatos, aliado ao modo caricato de agir, em que exige alinhamento automático indissoluto aos seus postulados políticos, apresenta claramente a característica ambiciosa dos arrivistas. Independente disto, Avalov demonstra pouco tato, mais parecendo um chefe mafioso dado a atos de comicidade explícita, tal como o famoso comunicado via Facebook onde reprimia o uso das fitas de São Jorge por parte dos funcionários públicos:

 “Eu recebi um vídeo mostrando em Lugansk um carro-patrulha com a fita colorida. Fizemos uma verificação. Recebi o relatório do chefe distrital da polícia: ‘Realizamos uma inspeção a todos os carros de serviço. Quem quiser usar outros símbolos, além dos símbolos nacionais nos uniformes e nos veículos, foi convidado a abandonar a polícia e a pendurar suas fitas sem limitações’(.)”.

O denunciante aponta Avakov como corrupto, uma acusação corriqueira, diga-se, para todos os oligarcas ucranianos, acusando ser de origem ilícita todos os recursos que formaram a fortuna de Avakov, avaliada em cerca de US$ 189,000,000.00 em 2014. Uma quantia modesta em termos de oligarcas ucranianos, predadores econômicos vorazes. Paira, também sobre o Ministro do Interior, que na divisão administrativa ucraniana é responsável pela aplicação da justiça, a acusação de ter planejado a morte de um correligionário político, no caso a pessoa de Alexander Muzychko. Isto após a sua conta de e-mail ter sido revelada pela Cyberberkut. Alexander Muzychko foi morto em uma operação policial, e como moeda de troca política, Avakov prometeu “a cabeça” dos policiais envolvidos na ação ao líder político do Setor Direita, Dmitri Yarosh.

Ao leitor pode parecer estranho que uma agência de inteligência tenha se esmerado em recrutar um ser tão caricato e violento, que exibe dentre acusações até a de abuso sexual de menor. Todavia, entre os senhores do poder na Ucrânia isto é comum. O uso da força, se não é legitimado por leis o é pela prática. De qualquer maneira, agência de inteligência alguma deste mundo se pauta por razões morais, mas sim pela praticidade, e recrutar políticos influentes em nações alvo faz parte do manual de qualquer uma digna de ser reconhecida como tal. Além disto, Avakov não é o único político ucraniano de expressão sobre o qual paira a suspeita de ter sido recrutado por uma agência estrangeira.  Igor Kolomoisky, cuja transliteração do seu nome pode também resultar em Ihor Kolomoyskyi, cuja fortuna é avaliada em US$ 1.280.000.000,00, tem sobre sua cabeça a suspeita de ter sido recrutado por uma agência estrangeira: o Mossad. A suspeita recai devido aos extensos contatos que possui em Israel, onde adquiriu imóveis e internou parte de sua fortuna.

Como se vê muitos interesses são atendidos em terras ucranianas, destes quase nenhum, para não dizer absolutamente, versam sobre as demandas populares. Assim, de farsa, em farsa, segue a Ucrânia como “nação independente”.

Aleppo, a ira de um Bispo

Por: Marco Tosatti (La Stampa).

Tradução: Gercione Lima (Fratre In Unum).

Durante a “Noite dos testemunhos”, organizada anualmente pela “Ajuda à Igreja que Sofre”, o Arcebispo grego-melquita de Aleppo, Dom Jean-Clément Jeanbart, depois de descrever a situação dramática dos aleppinos, falou aos jornalistas que vieram para ouvir. A tradução do original de Boulevard Voltaire.

“Os meios de comunicação europeus continuam a distorcer o cotidiano dos que sofrem na Síria e também estão usando isso para justificar o que está acontecendo em nosso país sem jamais checar essas informações”. Assim o bispo deu início ao seu discurso, descendo o chicote nas fontes usadas pela imprensa durante a guerra e que continuam a ser usadas por muitas agências de notícias. Entre elas, “instrumentos da oposição armada, como é o caso do Observatório Sírio de Direitos Humanos, a fonte indiscutível usada pelos meios de comunicação ocidentais”.

“É preciso compreender que entre o Estado islâmico e o governo Sírio, a nossa escolha é feita rapidamente. Nós podemos condenar o regime por algumas coisas, mas vocês nunca tentaram ser objetivos”, acusou ainda. Quando lhe foi perguntado se ele poderia explicar sua posição para as autoridades francesas, Dom Jeanbart disse que tinha tentado, antes de lhe terem dito que ele deveria ser “menos crítico”.

Para ele, no entanto, o Ocidente continuou a se calar sobre as atrocidades cometidas pela oposição armada, enquanto denigrem o governo Sírio e seu presidente. “Bashar Assad tem muitas falhas, mas saibam que tem também qualidades”, explicou ele, “as escolas eram gratuitas, os hospitais, mesquitas e igrejas não pagavam nenhum imposto, mas que outros governos na região fazem essas coisas? Sejam honestos! Lembrem-se também que, se nós preferimos apoiar o governo hoje, é porque nós tememos o estabelecimento de uma teocracia sunita que nos privaria do direito de viver em nossa terra”.

Ele continuou: “Sim, eu tentei dizer todas essas coisas às autoridades francesas, mas o que você espera de um Fabius Laurent que pensa que é o Todo-Poderoso para decidir quem merece ou não a viver nesta Terra?” Ele respondeu, aparentemente cansado (Laurent Fabius disse que Assad não merece estar sobre essa terra). “É possível que a França – que eu amo e que me educou através de comunidades religiosas que  tinham se estabelecido na Síria – tenha mudado tanto? É possível que os seus interesses e seu amor ao dinheiro tomaram precedência sobre valores que outrora defendia”? Continuou o arcebispo amargamente.

Sobre os bispos franceses, Dom Jeanbart disse: “Se a Conferência dos Bispos da França tivesse confiado em nós, teria sido melhor informada. Por que os seus bispos se calam diante de uma ameaça que agora é vossa também? Porque os vossos bispos são como todos vocês, acostumado ao politicamente correto! Mas Jesus nunca foi politicamente correto, era politicamente justo!”, bradou.

“A responsabilidade de um bispo é ensinar e usar a sua influência para transmitir a verdade. Os vossos bispos, por que eles têm medo de falar? Naturalmente que serão criticados, mas igualmente lhes será dada uma chance de se defender e de defender esta verdade. Devemos lembrar que a o silêncio às vezes é um sinal de assentimento”.

E até mesmo a política de migração dos países ocidentais foi criticada pelo arcebispo: “O egoísmo e os interesses servis defendidos por seus governantes, no fim, acabarão por assassinar até mesmo vocês. Abram os olhos, pois não viram o que aconteceu recentemente em Paris?”, acrescentou o Arcebispo, antes de concluir com uma súplica: “Precisamos que vocês nos ajudem a viver e permanecer em nossa casa […], eu não posso aceitar ver nossa Igreja de dois mil anos desaparecer. Eu prefiro morrer do que ter que ver isso”.

Sistema S-500 preocupa o Pentágono

Por: César A. Ferreira

O Sistema de Artilharia Anti – Aérea S-500, cujo desenvolvimento deverá ultimar-se neste presente ano, segundo o membro do conselho de peritos da Comissão Industrial-Militar do Ministério da Defesa da Federação Russa, Viktor Murakhoviski, preocupa enormemente os analistas do Pentágono devido as suas características anunciadas, isto segundo o especialista Dave Majumdar, colunista do veículo The National Interest.

De fato, espera-se que o sistema S-500 venha a superar o atual S-400, cujo desempenho já é superlativo. Enquanto este é capaz de negar o espaço aéreo em um raio entre 250 e 400 km, a depender da ameaça, com tempo de resposta de 10 segundos e salvas de seis mísseis simultâneos, o S-500 deverá exibir alcance de até 600 km, salvas de 10 mísseis por vez e tempo de resposta inferior, ou igual a 4 segundos, além da capacidade de interceptar ogivas no período terminal, de reentrada, com velocidades de até 7 km/s (25.000 km/h) em uma atitude situada entre 185 ~ 200 km.

S-400_Triumf-VK
S-400 “Trimph”. Foto: Vitaly V. Kuzmin

O sistema deverá ser capaz de operar integrado a toda uma gama de sensores, além daqueles que devem compor a unidade orgânica da bateria, o que equivale dizer se capaz de receber, interpretar/traduzir as informações advindas de sensores diversos, alguns destes, possivelmente, radares operantes nas bandas VHF/UHF (função anti-stealth). O colunista Dave Majumdar relata que os sensores agregados ao sistema serão os seguintes: 91N6A(M) como radar principal, varredura e gerenciamento de batalha, 96L6-TSP, radar de aquisição e engajamento multímodo; 76T6 ABM e/ou 77T6, radar de engajamento. Os dados apresentados, no entanto, são públicos, presentes na Wikipédia, bem como nos trabalhos do analista C. Kopp, o que lhes confere certo grau especulativo, visto que não partem de uma fonte oficial do Ministério de Defesa da Federação Russa, ademais, os engenheiros russos costumam desenvolver sensores específicos para cada novo sistema concebido, e quando não o fazem de imediato, integram um novo, pouco tempo após iniciada a cadência de produção do sistema recém-introduzido.

Aleppo: ponto de inflexão da guerra Síria?

Por: César A. Ferreira

A atitude do ocidente, encimados pelos lamentos da Chanceler germânica Angela Merkel, é elucidativa, lamentos pela iminente derrota das forças insurgentes em Aleppo, disfarçada de preocupação para com os refugiados, preocupação, diga-se, inexistente nos anos anteriores. Em outras palavras, prova maior do alinhamento ocidental com os insurgentes não poderia haver… Independente disto segue a guerra, pessimamente coberta pela mídia do ocidente, brasileira inclusa, omissa quanto aos esforços sírios e russos, em prol da existência da Síria, como nação.

Ao que parece, mesmo em meio ao desespero que a perda de Aleppo possa significar, ou seja, a perda de uma cidade que é um nó logístico vital para o norte e centro da Síria,  baixou nas mentes ocidentais um discernimento mínimo. A proposta ventilada de invasão turca da Síria, parece ter sido substituída por uma invasão terrestre de tropas dos Emirados Árabes Unidos e do Reino da Arábia Saudita. Com isto, evita-se o problema quase incontornável de se ter um membro da OTAN adentrando a um campo de batalha onde vetores russos estão presentes e atuantes. Ademais, pode-se dizer com toda certeza, que os insurgentes são, antes de tudo, uma obra do CCG – Conselho de Cooperação do Golfo…

Não deixa de ser interessante, entretanto, que tanto a Arábia Saudita, quanto os Emirados, atolados no confronto contra o paupérrimo Iêmen, onde suas forças regulares demonstram péssima prontidão e desempenho, se prestem a enviar efetivos superiores a 150.000 combatentes para a Síria, para enfrentar um exército calejado, e suportado pelo atuante grupo aéreo russo. É algo para se pensar, afinal, o contingente árabe, caso enviado, certamente iria engrossar, sem que isso viesse a surpreender qualquer um dos atores da guerra síria, as forças insurgentes. Isto seria o álibi perfeito para que o Irã pudesse enfrentar os sauditas abertamente, ou seja, o envio de forças regulares do reino saudita se refletiria na concretização de uma resposta persa, na forma do envio dos Pasdarán (Guarda Revolucionária Iraniana). Em suma, um agravamento do conflito, que arrastaria os dois contendores regionais: Arábia Saudita e o Irã; é uma impressão minha, ou isto não seria o sonho dourado dos fabricantes de armas, do mercado de petróleo e afins?

00000
Combatentes curdos do YPG/YPJ dentro de Dayr Jamal. Imagem: internet.

Independente disto, o Exército Árabe da Síria não perde tempo, em conjunto com os seus aliados, a milícia libanesa Hezzbolah e as forças curdas do YPG/YPJ, dão combate sistemático aos insurgentes, sem trégua, nos limites das suas forças.  Ao norte de Aleppo o avanço curdo culminou na conquista da importante localidade de Dayr Jamal, importante entroncamento viário, cuja tomada forçou os insurgentes a se dirigirem do entorno de Kiffin, para Kafr Nayah. Kiffin já é um alvo das tropas do Exército Árabe da Síria, que persegue este destino provindo do sul. Dar combate em Kiffin não é para os insurgentes uma posição confortável, posto que estão desequilibrados pela sombra dos combatentes curdos em Dayr Jamal. Assentar-se em Kafr Nayah, como linha de resistência, tampouco, posto que o eixo subsequente do avanço das formações do YPG/YPJ aponta, justamente, em direção de Taall Rifat, localidade de grande importância e mais distante. Postar-se em Kafr Nayah seria uma posição de custosa defesa, visto que poderia sofrer um acosso por eixos diferentes: Khirbat al Hayat e Dayr Jamal.

Outra localidade capturada e de grande importância tática é Maraanaz, que juntamente com as também recentemente capturadas Al Alqamiyeh e Ajar, permitiriam uma mudança do eixo ofensivo, infletindo as forças provindas de Al Alqamiyeh/Ajar, aquelas de Maraana em um ponto convergente: a base aérea de Minaq (Menagh). É importante lembrar que o encontro das forças do EAS – Exército Árabe da Síria, com aquelas da milícia Hezzbolah, havido na captura das localidades de Niblo (também traduzida como Nubbol, Nubbal, ou Nübel) e Zahran (também nominada como Al-Zahraa, Zaharan, ou az-Zakhra), que se deu dias atrás, foi o ponto nevrálgico desta ofensiva, pois cortou a via de acesso logístico que ligava a Turquia à Aleppo. Neste presente momento, o EAS e o Hezzbolah, alargam o corredor compreendido entre Niblo e a cidade industrial de Sheik Najjar, enquanto avançam no eixo de Kafr Nayah.

O eixo do avanço em direção a Kiffin, desequilibra a posição insurgente em Kafr Nayah, abrindo caminho para Taall Rifat, que seria, então, um objetivo perseguido por duas frentes, a do exército, provindo do sul e do YPG/YPJ, que se lançaria a partir de Dayr Jamal. O objetivo final seria Azaz, nodo logístico importante para o abastecimento de todas as frentes insurgentes ao norte de Aleppo.

Na região próxima a Aleppo, propriamente, espera-se a formação de dois pequenos cercos, um deles formado a partir da conquista da base de Kuweires, com uma ponta Barlehiyah e a outra pinça provinda de Shamir, ambas convergindo em Suran. Esta ofensiva deverá ocorrer nas próximas horas…

Outra, cuja execução seria de extremar dificuldade, necessitaria da conquista de Ard Al Mallah, tendo o ponto de convergência em Kafr Hamra, com a outra pinça partindo da cidadela de Aleppo… Percebe-se, pois, a dificuldade da execução, pois a pinça que partisse de Ard Al-Mallah teria o seu flanco muito exposto, e a aqueles da cidadela de Aleppo teriam uma frente urbana marcada por edifícios destruídos, ou semi-destruídos, como obstáculo defensivo a ser vencido ante a arrancada. Em suma, o mapa lhe diz uma coisa, o terreno outra.

Entende-se o desespero ocidental…

Atenção: entre a redação desta matéria e a publicação deu-se a queda de Kiffin. A localidade foi capturada por ação empreendida pela 154ª Brigada do Exército Árabe da Síria, em conjunto com a 4ª Divisão Mecanizada, ambas as formações apoiadas por infantes da milícia Hezzbolah. A 4ª Divisão Mecanizada é uma formação histórica do EAS, com um histórico de combates que vai do Líbano ao Golan. Além disto, a ação que visa o cerco a partir de Barlehiyah, já se iniciou.

LAR – Lancha de Ação Rápida

A presente matéria foi por mim redigida e originalmente publicada no site Portal Defesa, na data de 01.05.2015; local onde permanece com maior riqueza de imagens.

LAR – Lancha de Ação Rápida

Por: César A. Ferreira

No campo informativo, sobre aquilo que versa sobre Defesa, as armas como mísseis, aeronaves supersônicas, submarinos e carros de combate são aqueles que galvanizam a atenção do público em geral, devido ao desempenho superlativo desses sistemas, impositivo no campo de batalha, além da impressão de poder que transmitem.  Entretanto, cada teatro operacional traz consigo particularidades, por vezes únicas, que exigem a concepção de meios simples, porém essenciais, para que se possa travar o combate e levar temor ao inimigo. Este é o caso do meio fluvial, do conflito ribeirinho, onde lanchas se fazem tão necessárias como a água, ou o pão…

Tendo em mente as condições amazônicas, a Marinha do Brasil concebeu e produziu nas instalações da Base Naval Val de Cães, Organização Militar da Marinha do Brasil subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval, sediada em Belém (PA), a LAR – Lancha de Ação Rápida, com o objetivo de proporcionar aos fuzileiros navais e demais forças da nação de um meio capaz de levar adiante grupos de combate em braços de rios e ribeirões. Dotada de um casco planador em alumínio naval, possui resistência e uma autonomia para operar a 200 milhas de sua base. É capaz de levar além do oficial náutico, outros 14 combatentes armados, que graças a facilidade para abicagem da LAR, podem desembarcar com presteza e agilidade, minimizando desta maneira as possíveis baixas por fogo inimigo.  A motorização escolhida é Volvo Penta KAD-43P/ DP, com  230 hp, a diesel, proporcionando a embarcação 35 nós em perseguição e 25 nós em cruzeiro com carga plena.

012
LAR – Lancha de Ação Rápida, modelo de cabine fechada. Foto: R7.

A LAR possui duas versões: cabine aberta e fechada. A versão de cabine fechada possui proteção balística para todos os ocupantes, sendo a sua concepção voltada para o trabalho de policiamento, fiscalização naval e disciplinamento do tráfego fluvial realizado por meio de vistorias nas embarcações fluviais, que recebem ordem de parada para abordagem. Dado que em algumas abordagens de embarcações suspeitas podem resultar em disparos repentinos por parte dos meliantes, contrabandistas e outros que se veem desnudados da sua “cobertura civil”, a Marinha do Brasil, pensando na proteção dos seus tripulantes e combatentes projetou uma cabine fechada revestida de blindagem à base de polímero, no caso, de polietileno de ultra-elevado peso molecular (UHMWPE), que oferece proteção de nível III, e atende a norma ABNT NBR 15000. Assim protegidos pela estrutura da lancha, que possui seteiras, os combatentes impõem uma situação de pronta resposta, imunes que estão a uma ação de surpresa por parte do revistado, evitando assim uma ação de inopino da parte deste, garantindo a realização da missão da melhor maneira possível.

A versão fechada possui o posto do condutor da lancha à frente, com os combatentes dispostos atrás, em fileiras, dotadas de blindagem transparente e seteiras. A Marinha do Brasil dispôs desta lancha no Lago de Itaipu, Rio Paraná, onde se fez presente em operações do Ministério da Defesa e em outras ações em favor do Ministério da Justiça, tais como “Fronteira Sul”, “Ágata” e “Sentinela”. Já a versão de cabine aberta, anterior, exibe extrema agilidade e é vocacionada para o assalto ribeirinho, dado a velocidade e o baixíssimo calado, típico do casco hidrodinâmico planador, que proporcionam, também, grande manobralidade e estabilidade, necessárias para os combatentes embarcados efetuarem fogo contra o inimigo.

6
LAR, modelo de cabine aberta, dedicada ao assalto. A lancha da imagem está dotada de uma metralhadora frontal. Foto: R7.

As características da LAR, são as que seguem:

Comprimento (total):  7,55 metros.

Boca (Máxima): 2,30 metros.

Calado: 40 centímetros. Com a Bolina, 60 centímetros.

Deslocamento (padrão): 3 toneladas.

Deslocamento (leve): 1,3 toneladas.

Tonelagem bruta de registro: 3,2 toneladas.

Tanque de Óleo Diesel: 500 litros.

Velocidade máxima: 35 nós.

Velocidade de cruzeiro: 25 nós.

Raio de ação: 200 milhas.

Autonomia: 1 dia distante da base (24 horas).

Extensão máxima de percurso: 400 milhas.

Motor: (1) Volvo Penta KAD-43/DP.

Potência: 230 hp.

Equipagem: 1 piloto náutico e 14 combatentes, ou dois tripulantes e 13 combatentes.

Avanços sírios impõem aos turcos opções desesperadas

Por: César A. Ferreira

O desenrolar das ações do Exército Árabe da Síria ao norte do país, com vigorosa assistência do grupo aéreo russo, retira, uma a uma as opções turcas no tocante à guerra por procuração que move na Síria, com os seu agentes turcomanos e coligados da al-Qaeda, leia-se al-Nusra, Exército Livre Sírio e Estado Islâmico. A queda das cidades de Nublo e Zahran, trazem grandes consequências para as forças insurgentes, afora o contexto simbólico desta vitória, posto que eram cidades perdidas há mais de três anos. As forças insurgentes, mais uma vez, sofreram revezes de monta, onde fez-se decisiva a presença dos ataques aéreos demandados pelo agrupamento russo e pela Força Aérea Árabe da Síria.

Estas cidades, agora firmemente em mãos governamentais, vedam mais um corredor para abastecimento logístico para Aleppo, onde a cada dia que passa se enfraquecem as posições insurgentes frente àquelas do governo reconhecido da Síria. O foco, agora, dá-se no entorno de Azaz, justamente por ser um entroncamento importante para o abastecimento de Aleppo. Comboios turcos são sistematicamente bombardeados nas estradas próximas e caso haja a queda da localidade, restará apenas os corredores de Reyhanli e Idlib. É desnecessário dizer que quanto menores forem as rotas logísticas, mais fácil será a tarefa do poder aéreo russo na região, que é a de estrangular o esforço logístico dos grupos insurgentes na fronteira norte da Síria.

A Turquia vê com o avanço das forças do Exército Árabe da Síria, e dos grupamentos curdos do YPG/YPJ, junto aos entroncamentos viários da fronteira sírio-turca como o golpe mortal na sua propalada “zona de segurança para refugiados”. Além do mais, vê-se obrigada a assistir que contendores com os quais jogava, caso dos EUA e da Rússia, venham agora a abastecer os combatentes curdos, nas franjas fronteiriças, sem que tenha voz ativa contra tal movimento.

No tocante aos EUA, estes cumprem com o seu plano, não divulgado, mas à vista de todos, de fragmentar a Síria, onde um estado curdo teria o seu lugar natural, enquanto os russos passaram a apoiar um aliado interessado em dar combate aos insurgentes que lhe são hostis, cuja sobreposição de interesses ganhou um impulso grande, quando da atitude turca de abater o bombardeiro Su-24M2. Grandes consequências de um gesto impensado, visto que desde tal abate não houve outra coisa que não fosse o acelerar do avanço governamental. O fato de armar, largamente, os combatentes do YPG/YPJ, vir a constituir na concretude de um estado nacional curdo, parece ser nos cálculos russos e sírios como algo aceitável, em vista do combate mortal com os insurgentes, onde a necessidade extrema de infantes torna-se imperiosa.

Para a Turquia, pouco resta…

Dado que agora, existe uma bateria do Sistema S-400, na base aérea de Hmeymim , além de dois elementos de caças Su-35S, equipados com mísseis R-73E, R-27ET, além do novíssimo RVV-SD, restam aos turcos a atitude do confronto aberto com a invasão do território sírio, posto que a guerra por procuração entra em colapso, bem como a sonhada “no fly zone”, algo que de concreto pode-se dizer que existe, mas com as cores russas…

O desespero turco acentua-se, justamente, com a corrida das forças curdas para o oeste. Caso haja o sucesso do YPG/YPJ em liberar Marea, restará à Turquia a ligação logística através de Bab al-Hawa e de Idlib, mas estas, como dito antes, submetidas à interdição aérea russa.  Que não haja enganos, o discurso está pronto: salvar a minoria étnica turca, os “turcomanos” da Síria, contra o “massacre” perpetrado pelos curdos, “facínoras”, coadjuvados pelos odientos russos. Compra quem quiser.

O cenário está montado, portanto, para um confronto de forças convencionais. Entende-se, pois, a retórica saudita, de “estarem prontos” para participar de uma eventual invasão terrestre da Síria, quando se encontram atolados no Iêmen, para dar cabo do “Estado islâmico”. Ora, ora, existem tolos tão tontos assim? A invasão, sabem até os mais parvos, servirá para pavimentar a fragmentação da Síria e garantir, dentre os novos estados a nascer desta quebra, os chamados “Sunistões”, a existência. A questão é: a Síria vale à pena? Vale a ponto de levar o mundo a assistir a um confronto direto entre a OTAN e a Rússia, o que equivale dizer a um confronto nuclear? As respostas estão com o tempo… Um professor rigoroso.

Irã: Nova China?

Por: Pepe Escobar
Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

Fonte original: Telesur
Fonte em português: Oriente Mídia

Se o Irã engajar-se com sucesso num programa de desenvolvimento econômico de estilo chinês, ampliará sua significação e o próprio status geopolítico

Hoje, já praticamente se tem de sortear na moedinha, para indicar qual o trabalhador mais ativo e empenhado nos negócios da geopolítica: se Xi Jinping da China, ou Hassan Rouhani do Irã.

As respectivas rotas cruzaram-se espetacularmente semana passada em Teerã, quando Xi e Rouhani firmaram uma parceria estratégica crucial. As duas nações decidiram aumentar o comércio bilateral entre elas para $600 bilhões ao longo da próxima década. Em termos geoestratégicos, como já comentei, foi jogada de mestre(s).

Pequim vê o Irã, não só para o Sudoeste Asiático mas para toda a Eurásia, como o eixo essencial de qualquer movimento que vise a fazer frente ao muito propagandeado “pivô para a Ásia” centrado na hegemonia naval dos EUA. Não surpreende que Xi tenha deixado bem claro que o Irã será integrado à Organização de Cooperação de Xangai (OCX) como membro pleno, ainda durante 2016.

Parceria estratégica implica pleno apoio de Pequim ao renascimento econômico-político-diplomático do Irã em todo o arco que se estende do Golfo Persa ao Cáspio – e além. O arco também cobre todas as cruciais Novas Rotas da Seda marítimas e terrestres, vitalmente importantes para a projeção global do sonho chinês cunhado por Xi.

E então, poucos dias depois, Rouhani já estava em Roma, em afetuoso encontro a portas fechadas com o Papa Francisco, depois de ter assinado $17 bilhões em vários negócios.

Essa atividade frenética pós-sanções só faz ressaltar, em perspectiva, o absurdo que foi a crise nuclear iraniana integralmente fabricada em Washington. Realismo geopolítico na Europa e na Ásia não pode ignorar uma nação localizada na intersecção dos quatro mundos – mundo árabe, mundo turco, mundo indiano e mundo russo – ainda subestimada em seu papel de ponto de entrada e saída para o vasto conjunto Cáucaso-Ásia Central, que também inclui o Afeganistão.

000-0-J-10A-IRIAF
Imagem meramente especulativa sobre como seria um caça J-10A nas cores da IRIAF. Imagem: internet.

Geostrategicamente, como derradeiro entroncamento eurasiano, o Irã é imbatível, conectando o Oriente Médio, o Cáucaso, a Ásia Central, o subcontinente indiano e o Golfo Persa; entre três mares – Cáspio, Golfo Persa e Mar de Omã; relativamente próximo do Mediterrâneo e da Europa; e junto à porta de entrada para a Ásia.

Xi nem teve de falar sobre política explícita em Teerã; bastou-lhe assinar negócio depois de negócio, que já deixou impressão profunda também no campo político. A tendência de longo prazo, inevitavelmente, é a da visão chinesa de Um Cinturão, uma Estrada, que preencherá o hiato rumo a uma liderança sino-russa em toda a Eurásia, e que se traduz, na prática, em ir deixando de lado o continuum imperial britânico-norte-americano. Ao mesmo tempo, Itália e França, durante o tour europeu de Rouhani, mantiveram-se mutuamente ocupadíssimas brincando de pega-pega.

Quando Khamenei vira Deng

A cena frenética desse Irã pós-sanções afinal interrompe a incansável demonização obrada pelo ocidente e lança as bases para o desenvolvimento econômico em todas as esferas. A República Islâmica do Irã enfrentou tremenda dificuldade ao longo dos últimos 36 anos – tão terrível, que teria partido a espinha dorsal de sociedade menos bem servida de recursos.

Nos últimos dez anos, as sanções custaram ao Irã pelo menos 480 bilhões de euros; equivale a um ano inteiro do PIB iraniano. Em mundo no qual não reinassem os suspeitos de sempre da oligarquia financeira, Teerã teria bases jurídicas e morais para levar Washington aos tribunais, e arrancar-lhe a frio todos os dentes.

Quanto ao meme da “agressão iraniana” – o qual, por falar dele, persiste –, não passa de sórdida piada imperial. O Irã gasta 3,9% do PIB na Defesa; compare com os 10,3% dahacienda de petróleo que é a Casa de Saud. No total, o Irã gasta sete vezes menos em Defesa que as petromonarquias do Golfo, que não sobrevivem sem receber armas de (principalmente) EUA, Grã-Bretanha e França.

A estrada à frente, para o Irã, será cheia de obstáculos. Graves problemas dentre os quais corrupção, burocratas incompetentes e setores econômicos reservados para interesses especiais, ou fechados a qualquer investimento estrangeiro. Setores da elite no poder – como as bonyads (em persa, “fundações religiosas”) e o pasdaran (em persa, o Corpo de Guardas Revolucionários da República Islâmica) – não dão sinais de interesse em abandonar o controle que têm sobre setores vitais da economia nacional. A abertura econômica do Irã acelerará inevitavelmente a transformação social do país.

O que acontecer na sequência dependerá muito das cruciais eleições de fevereiro – que elegerão um novo Majlis (Parlamento) e uma nova Assembleia dos Sábios encarregada de escolher o próximo Supremo Líder.

O Irã é caso geopolítico único – de república cuja legitimidade advém simultaneamente do Islã e do voto universal. Pode não ser a democracia parlamentar ocidental clássica, mas tampouco é variante do autoritarismo nu e cru da Arábia Saudita. Há em ação um sistema complexo de pesos e contrapesos, que envolve a presidência, o Parlamento, o Conselho dos Guardiões, a Assembléia dos Sábios e diferentes corpos como o Conselho do Discernimento e o Conselho de Segurança Nacional.

O Supremo Líder Aiatolá Khamenei deixou muito claro que dedicará atenção especial às consequências de uma abertura econômica que pode debilitar a ideologia revolucionária da República Islâmica. Certo é que o Supremo Líder – como árbitro – preservará o cuidadoso equilíbrio das forças políticas no Irã.

Significa na prática que a Equipe Rouhani não será liberada para extrair ilimitado capital político da abertura econômica, ao mesmo tempo em que a transformação social e cultural do país não será sinônimo de invasão cultural pelo ocidente.

O acordo nuclear firmado em Viena no verão passado foi nada menos que evento geopolítico sísmico no Irã. Internamente, selou um consenso entre a máquina de estado de Teerã e a maioria da população, que desejava que o país voltasse a ser nação “normal”.

Agora vem a parte mais difícil. O cenário mais provável parece ser uma República Islâmica do Irã engajada num programa de desenvolvimento à moda chinesa. Uma espécie deremix persa de “enriquecer é glorioso”, sob estrito controle político.

Aí, há uma pergunta inescapável: estamos todos preparados para o novo papel do Supremo Líder, como um Deng Xiaoping iraniano?

Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Iêmen: notícias breves de uma guerra esquecida

Por: César A. Ferreira

Enquanto as atenções do mundo se dirigem à Síria, não sem razão, segue uma guerra, igualmente importante, porém esquecida: a agressão da Arábia Saudita no Iêmen. Melhor seria dizer, escondida, não lembrada pela mídia. O motivo para tanto seria a humilhação, agora difícil de esconder daquela que é a grande aliada dos EUA na região, a Arábia Saudita, pois, a Casa de Saud, riquíssima, capaz de comprar o que de melhor pode ser produzido nos arsenais da OTAN, vê-se incapaz de vencer um povo pobre, cujos soldados, não raro, calçam sandálias…

O termo “humilhação” é correto, devido não só ao impasse imposto pelos iemenitas, mas pela constatação que estes se mostram capazes de ações defensivas, como também de realizações ofensivas, com incursões território adentro da Arábia Saudita. É o que se deu nesta quarta-feira, quando tropas do exército iemenita, acompanhada de milicianos houthis, tomaram em um golpe de mão uma base militar saudita, localizada na região de Asir, sudoeste do reino.  A ação resultou em mortes não especificadas do exército do reino, destruição de veículos militares, igualmente não especificados, bem como da destruição de dois arsenais na cidade Al Jurma. O interessante do relato iemenita desta ação é a referência ao uso de artilharia, isto surpreende quando se sabe que o domínio do espaço aéreo é total por parte dos sauditas.

O relato das ações iemenitas prossegue com a destruição da “torre de vigia de mísseis” Al-Dukhan, localizada na região de Jizan, e da consequente destruição da base Malhama, então submetida a fogo de artilharia. Capturado nos combates realizados na região de Jizan, o soldado saudita identificado como bin Metib Awad al-Maliki, informou que o comandante da empresa de mercenários Academi, ex Blackwater, foi morto em combate.

O uso do sistema balístico Tochka, de efeitos devastadores, deu-se contra a base aérea da coalizão saudita de Al-Anad, ação ocorrida em 31.01.2016, na provícia de Lahy, segundo o Coronel das forças iemenitas, Sharaf Luqman. Segundo este oficial, foi comprovada a destruição de helicópteros de ataque “Apache”, caças Typhoon, depósito de combustível e munição. A coalizão saudita, percebe-se, sofre reveses sem fim nesta guerra de atrito. Por exemplo, na região de Rabu’a, província de Asir, sudoeste da Arábia Saudita, quatro veículos militares foram emboscados e destruídos, dentre eles um Carro de Combate M-1 Abrams. Desta maneira, os iemenitas fazem com que os avanços coalizão sejam abortados e conseguem fôlego, além da moral necessária, para as incursões ofensivas.

Tochka-lançado
Lançamento de um míssil Tochka. Imagem: internet.

O uso do sistema Tochka é singular nesta guerra. Míssil balístico transportável, de grande mobilidade, apresenta-se como ideal para a Guarda Republicana assentar os seus golpes nas forças do reino saudita, que parecem muito apegadas a bases estáticas, favorecendo as ações iemenitas. O Tochka foi empregado por ao menos cinco ocasiões: 20.08.2015, contra concentração de tropas sauditas na fronteira; 04.09.2015, disparado contra concentração saudita em Marib; 14.12.2015, ataque contra a base saudita em Bab Al Mandab; 16.01.2016, disparo contra a base saudita em Al Bairaq; 31.01.2016, ataque contra a base aérea em Al-Anad, Lahy. O Tochka, cuja variante mais utilizada é a variante “U”, possui uma ogiva de HE de 482 kg, alcance na variante “U” de 120 km. O míssil ganhou o designativo de 9K79, e o sistema de lançamento, OTR-21.  O erro circular provável (cuja sigla em inglês é CEP), na variante “U” é inferior a 90m.