Washington tenta quebrar os BRICS: começa o estupro do Brasil

Autor: F. William Engdahl

Fonte: NEO – New Eastern Outlook

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

(…) Um dia depois que a Câmara de Deputados aprovou o impeachment da presidenta eleita do Brasil, em abril, um alto membro do partido PSDB, aliado do PMDB de Temer, senador Aloysio Nunes, viajou a Washington, em missão organizada pela empresa de lobby da ex-secretária de Estado Madeline Albright, o Albright Stonebridge Group. Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil, várias vezes pregou que o Brasil se aproximasse mais, outra vez, de uma aliança com EUA e Reino Unido.

Madeline Albright, diretora de um dos principais think-tanks nos EUA, o Council on Foreign Relations, também é presidenta da mais ativa ONG a serviço do governo dos EUA, especializada em promover “revoluções coloridas”, o National Democratic Institute (NDI). Interessante, não? Nunes foi a Washington para conjurar apoio para Temer e para os atores principais do golpe que já estava em curso para derrubar a presidenta Rousseff.

O ator chave a serviço de Washington, e o efetivo carrasco político de Rousseff foi, mais uma vez, o vice-presidente Joe Biden, o “Dick Cheney”, operador-sujo-em-chefe, no governo Obama.

Fatídica visita de Biden ao Brasil

Em maio, 2013, o vice-presidente dos EUA Joe Biden fez uma fatídica visita ao Brasil, para reunir-se com a presidenta Rousseff. Em janeiro de 2011, Rousseff substituíra seu mentor do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula, que completara o segundo mandato consecutivo que a Constituição lhe permitia. Biden foi ao Brasil, para discutir petróleo com a nova presidenta. As relações entre Lula e Washington haviam gelado quando Lula apoiou o Irã contra sanções dos EUA e aproximou-se mais, economicamente, da China.

No final de 2007,  a Petrobrás havia descoberto o que se estimava que fosse uma reserva monstro de petróleo de alta qualidade na plataforma continental do Brasil, na Bacia de Santos. No total, a plataforma continental territorial do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, o que transforma o país na maior potência mundial de petróleo e gás. Imediatamente Exxon & Chevron, as gigantes norte-americanas do petróleo, puseram-se em campo para conquistar o controle daquela riqueza recém descoberta.

Em 2009, segundo telegramas diplomáticos dos EUA publicados por Wikileaks, o Consulado dos EUA no Rio de Janeiro escreveu que Exxon e Chevron estavam tentando, sem sucesso, alterar uma lei encaminhada ao Congresso pelo mentor e predecessor da presidenta Rousseff, o presidente Lula. Essa lei de 2009 tornava a empresa estatal Petrobrás a principal operadora de todos os blocos do petróleo do pré-sal no Brasil. Washington e as gigantes norte-americanas do petróleo absolutamente não gostaram de perder o controle sobre o que parece ser a maior nova reserva de petróleo descoberta em décadas.

Lula não só tirou ExxonMobil e Chevron da posição de controladoras, em favor da estatal Petrobrás; ele também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses, desde 2009 principais parceiros, dentro do grupo BRICS, de Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Em dezembro de 2010, num de seus últimos atos como presidente, Lula supervisionou a assinatura de um contrato entre a empresa de petróleo Repsol, espanhola-brasileira, e a estatal chinesa Sinopec. Sinopec formou uma joint venture, Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de $7,1 bilhões na Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado a formação da empresa Sinopec International Petroleum Service of Brasil Ltd., parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil.

Em 2012, em perfuração de exploração conjunta, as empresas Repsol Sinopec Brasil, Norway’s Statoil e Petrobrás fizeram outra grande descoberta, no poço batizado “Pão de Açúcar”, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui os poços de Seat e Gávea, esse uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. Nenhuma das majors norte-americanas e britânicas do petróleo aparecia nesse cenário.

A missão de Biden era sondar a presidenta que sucederia Lula, Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de ela reverter a exclusão das grandes do petróleo dos EUA em favor da Chinesa. Biden também se reuniu com as principais empresas de energia do país, inclusive a Petrobrás.

A notícia praticamente não apareceu na mídia-empresa brasileira, mas Rousseff recusou-se a reverter a lei do petróleo de 2009 e a convertê-la em qualquer coisa que agradasse a Biden, a Washington e às majors do petróleo dos EUA. Dias depois da visita de Biden surgiram as revelações feitas por Edward Snowden de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA também espionara Rousseff e altos funcionários da Petrobrás. A presidenta Rousseff denunciou a operação em sua fala na Assembleia Geral da ONU, por violação da lei internacional. E, em protesto, cancelou uma viagem marcada para Washington. Depois disso, as relações EUA-Brasil naufragaram de vez.

Ao final dessa visita, em maio de 2013, Biden claramente deu à presidenta do Brasil o beijo da morte: o destino dela estava selado.

Antes da vinda de Biden em maio de 2013, a presidenta Rousseff gozava do apoio de 70% da população brasileira. Menos de duas semanas depois que Biden deixou o Brasil, começaram os protestos de rua, ‘animados’ por um grupo conhecido como Movimento Passe Livre, que protestava contra aumento nominal de 10 centavos no preço do passe de ônibus, que acabaram por fazer o país parar quase completamente e, a partir de certo ponto tornaram-se muito violentos. Os protestos tinham todas as características da típica “Revolução Colorida” ou da desestabilização social acionada por mídias sociais como Twitter ou Facebook que parecem seguir Biden pelo mundo, onde quer que apareça. Em poucas semanas, o apoio da população ao governo Dilma despencou para 30%.

Washington claramente enviara um sinal de que ou Rousseff mudava de rota, ou enfrentaria problemas graves. A máquina de mudança de regime de Washington – com todas as suas armas de guerra financeira, desde o vazamento de auditorias realizadas na Petrobrás, até a ação da agência de Wall Street, de avaliação de créditos, Standard & Poors, que degradou a dívida pública do Brasil ao nível de papel podre, em setembro de 2015 – entrou em ação a pleno vapor para derrubar Rousseff, apoiadora chave do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e de uma estratégia de desenvolvimento nacional independente para o Brasil.

Vender as joias da Coroa

O homem que chegaria à presidência do Brasil, num perfeito arremedo de ‘legalidade’, corrupto condenado e então vice-presidente, Michel Temer, serviu em tempo integral como informante da embaixada dos EUA em Brasília. Em documentos distribuídos por Wikileaks, revelou-se que Temer já servira como informante da inteligência dos EUA desde, pelo menos, 2006, por telegramas que a Embaixada dos EUA no Brasil classificou como “sensíveis” e “para exclusivo uso oficial”.

Homem de Washington no Brasil, Temer não perdeu tempo para iniciar as reverências aos seus patrões em Wall Street. Ainda como presidente interino em maio, Temer nomeou Henrique Meirelles para o cargo de ministro das Finanças e da Seguridade Social. Meirelles, formado em Harvard [de fato, participou de um treinamento de Advanced Management Program (AMP) da Harvard Business School que prepara altos executivos de bancos (NTs)] e ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi presidente do BankBoston nos EUA até 1999, e ainda trabalhava no banco em 1985, quando o banco foi multado por não reportar transferência ilegal de $1,2 bilhão em dinheiro, para bancos suíços.

Meirelles está agora na função de supervisor da liquidação planejada das “joias da Coroa” do Brasil a investidores estrangeiros, movimento que visa a minar qualquer poder que o estado brasileiro tenha na economia. Outro dos conselheiros econômicos chaves de Temer é Paulo Leme, ex-economista do FMI e hoje Diretor de Gestão de Pesquisa de Goldman Sachs. Wall Street está ativamente integrada ao processo de estupro econômico do Brasil ‘liderado’ por Temer.

Dia 13 de setembro, o governo Temer divulgou um programa massivo de privatizações, com um comentário cínico e enganador do próprio Temer: “É claro que o setor público não poderá fazer avançar esses projetos sozinho. Contamos com o setor privado.” Não explicou que por “setor privado” referia-se aos seus próprios patrões.

Temer revelou planos para consumar a maior privatização no país, em décadas. Convenientemente, a privatagem está planejada para estar concluída no final de 2018, pouco antes do fim do mandato de Temer. O influente US-Brasil Business Council detalhou a lista das empresas a serem privatizadas, em sua página na Internet (“Economia do Brasil depois do Impeachment”, ing.). Esse US-Brasil Business Council foi fundado há 40 anos por Citigroup, Monsanto, Coca-Cola, Dow Chemicals e outras multinacionais norte-americanas.

As licitações para a primeira rodada de privatizações serão lançadas antes do final do ano. Incluirão quatro aeroportos e dois terminais portuários, todos a serem leiloados no primeiro trimestre de 2017. Outras concessões incluem cinco rodovias, uma ferrovia, vários pequenos blocos de petróleo e uma rodada final de leilões, adiante, para os grandes blocos de petróleo a serem desenvolvidos, a maioria de reservas submarinas. O governo também selecionará reservas atualmente controladas pelo Departamento de Pesquisas Minerais do Brasil, mais seis distribuidoras de energia e três instalações para tratamento de água.

O coração dessa privatização planejada está – nada surpreendentemente –, nas empresas que Joe Biden cobiça, de petróleo e gás, além de fatias da empresa brasileira de energia, Eletrobrás. Temer planeja obter $24 bilhões nessa liquidação de patrimônio público. 11 bilhões devem sair da venda das empresas estatais chaves de petróleo e gás.

Claro que, quando patrimônio estatal dessa magnitude é liquidado e entregue a interesses estrangeiros, no que é uma muito evidente venda ‘combinada’, trata-se de negócio de soma zero: um lado ganha tudo, o outro perde tudo. Projetos de petróleo, gás e energia elétrica geram fluxos continuados de renda muito superiores a quaisquer ganhos que se possam auferir da venda em processo de privatização. O lado que perde necessariamente tudo e sempre, nesses negócios de privatização, é a economia do Brasil: os bancos de Wall Street e as multinacionais ganham tudo, conforme o planejado, em todos os casos.

Dias 19-21 de setembro, segundo o website do US-Brasil Business Council, os ministros chaves para a infraestrutura, do atual governo do Brasil, dentre os quais o ministro da infraestrutura, Moreira Franco; Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia; e Mauricio Quintella Lessa, de Transportes, Portos e Aviação Civil, estariam [estiveram] em New York City para reunião com “investidores em infraestrutura” de Wall Street.

É o modus operandi de Washington, exatamente como operam os Deuses do Mercado em Wall Street, título de um dos meus livros. Primeiro, destroem qualquer projeto de genuíno desenvolvimento nacional concebido por lideranças nacionais, como Dilma Rousseff. Na sequência, põe no lugar dele um regime subalterno disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive liquidar as joias da Coroa do próprio país, gente que faça como Anatoli Chubais na Rússia nos anos 1990, durante a “terapia de choque” de Boris Yeltsin. Como paga pelo que fez, Chubais tem lugar assegurado hoje no Conselho de Administração do banco JP MorganChase. Ainda não se sabe o que Temer e sócios obterão em troca do empenho que têm demonstrando na liquidação do patrimônio brasileiro.

Por enquanto, Washington conseguiu quebrar um dos países BRICS que realmente ameaçava a hegemonia global das empresas norte-americanas. Se a história recente ensina alguma coisa, não obterá sucesso duradouro.

 

Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina

Fonte:Jornal GGN

Pela primeira vez país firma acordo de exportação do material produzido pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina alimentar um reator nuclear na cidade de Lima. O acordo firmado prevê a venda inicial de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio produzida pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) num contrato de US$ 4,5 milhões.

Será a primeira vez que, oficialmente, o Brasil exportará urânio enriquecido. Apesar do acordo ter sido assinado em junho a entrega começará a ser feita apenas no final deste ano, pois o produto precisará passar pela autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do qual a INB está vinculada, e também da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

O Brasil é um dos poucos países no mundo que tem tecnologia para o enriquecimento de urânio, ao todo são 12 nações no mundo inteiro, incluindo França, Irã e Estados Unidos. A tecnologia utilizada pela usina da INB, localizada em Resende (RJ) é totalmente nacional, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nuclear do Cnen. O contrato com a Argentina não envolve a concessão da tecnologia brasileira, mas há um outro acordo envolvendo os dois países no desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro. Brasil e Argentina possuem acordos na área nuclear desde a década de 1960.

Agência Brasil

Brasil exportará urânio enriquecido pela primeira vez 

A empresa brasileira Indústrias Nucleares do Brasil (INB) exportará urânio enriquecido pela primeira vez. A empresa, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, firmou acordo com a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar), que prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato, no valor de US$ 4,5 milhões, foi assinado em junho.

Enriquecido na fábrica da INB em Resende (RJ), o produto ainda precisa de autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do ministério e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para completar o processo de exportação, o que deve ocorrer até o fim deste ano. As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.

Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, autarquia gerida administrativa e tecnicamente pela Cnen.

Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.

O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.

Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.

O urânio é um mineral com propriedades físicas de emitir partículas radioativas, a radioatividade. Sua principal aplicação comercial é na geração de energia elétrica, como combustível para os reatores nucleares de potência.

Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.

A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.

 

A multa-bomba de 7 bilhões

Autor: Mauro Santayana

Fonte: maurosantayana.com

(Revista do Brasil) – Finalmente, depois de meses de pressão desumana, gestapiana, sobre o empresário Marcelo Odebrecht, o juiz Sérgio Moro levou-o a julgamento, condenando-o – baseado não em provas de sua participação direta, mas na suposição condicional de que um empresário que comanda uma holding com mais de 180 mil funcionários e que opera em mais de 20 países tem a obrigação de saber de tudo que ocorre nas dezenas de empresas que a compõem – a 19 anos e quatro meses de prisão.

Não satisfeito com a pena, e com a chantagem, que prossegue – já que o objetivo é quebrar a moral do réu – um dos poucos que não se dobraram à prepotência e ao arbítrio – com o aceno ao preso da possibilidade de “fazer delação premiada a qualquer momento”, os responsáveis pela Lava-Jato, na impossibilidade de provarem propinas e desvios, ou a existência de superfaturamento da ordem dos bilhões de reais alardeados aos quatro ventos desde o princípio da operação, pretendem impor ao grupo Odebrecht uma estratosférica multa “civil” que pode chegar a R$ 7 bilhões – mais de 12 vezes o lucro da empresa em 2014 – que, pela sua magnitude, se cobrada for, deverá levá-lo à falência, ou à paralisação destrutiva, leia-se sucateamento, de dezenas de obras e de projetos, a maior parte deles essenciais, estratégicos, para o futuro do Brasil nos próximos anos.

Com a imposição dessa multa, absolutamente desproporcional, da ordem de 30 vezes as quantias que a sentença afirma terem sido pagas em propina pela Odebrecht, por meio de subsidiárias situadas no exterior, a corruptos da Petrobras que já estão, paradoxalmente, soltos, o juiz Sérgio Moro – e seus colegas do Ministério Público de uma operação que deveria se chamar “Destrói a Jato” – prova que não lhe importam, em nefasto efeito cascata, nem as dezenas de milhares de empregos que ainda serão eliminados pelo grupo Odebrecht, no Brasil e no exterior, nem a quebra de milhares de acionistas e fornecedores do grupo, nem a paralisação das obras com que a empresa se encontra envolvida neste momento, nem o futuro, por exemplo, de projetos de extrema importância para a defesa nacional, como os submarinos convencionais e o submarino nuclear brasileiro que estão sendo fabricados pela Odebrecht em parceria com a DCNS francesa, ou o míssil ar-ar A-Darter, que está sendo construído por sua controlada Mectron, em conjunto com a Denel sul-africana, além de outros produtos como softwares seguros de comunicação estratégica, radares aéreos para os caças AMX e produtos espaciais.

Considerando-se que se trata de uma decisão meramente punitiva, ao fazer isso o juiz Moro age, no comando da Operação Lava Jato, como agiria o líder de uma tropa de sabotadores estrangeiros que colocasse, diretamente, com essa sanção – e uma tremenda carga de irresponsabilidade estratégica e social – centenas de quilos de explosivos plásticos no casco desses submarinos, ou nos laboratórios onde ficam os protótipos desse míssil, sem o qual ficarão inermes os 36 aviões caça Gripen NG-BR que estão sendo desenvolvidos pelo Brasil com a Saab sueca.

Que não tenha ele a ilusão de que essa sua sanha destrutiva esteja agradando às centenas de técnicos envolvidos com esses projetos, ou aos almirantes da Marinha e brigadeiros da Aeronáutica que, depois de esperar décadas pela aprovação desses programas, estão vendo-os sofrer a ameaça de serem destruídos técnica e financeiramente de um dia para o outro.

Como um inútil, estúpido, sacrifício, um absurdo e estéril tributo da Nação – chantageada e manipulada por uma parte antinacional da mídia, que não tem o menor compromisso com o futuro do país – a ser realizado no altar da vaidade de quem parece pretender colocar toda a República de joelhos, até que alguém assuma a responsabilidade de impor, com determinação, bom senso e respeito à Lei e à Constituição Federal, limites à sua atuação e à implacável, imparável, destruição, de alguns dos principais projetos e empresas nacionais.

Enquanto isso, para ridículo do país e divertimento de nossos concorrentes externos, nos congressos, nos governos, na área de inteligência, nas forças armadas de outros países, milhares de tupiniquins vibram, nos bares, na conversinha fiada do escritório, nos comentários que agridem e insultam a inteligência nas redes sociais, com a destruição de um dos principais grupos empresariais do Brasil, deleitando-se com a perda de negócios e empregos, e com a sabotagem e incompreensível inviabilização de algumas de nossas maiores obras de engenharia e de defesa, mergulhados em uma orgia de desinformação, hipocrisia, manipulação e mediocridade.

Mesmo que Marcelo Odebrecht venha a aceitar, eventualmente, fazer um acordo de delação premiada, nenhum jurista do mundo reconheceria, moralmente, a sua legitimidade.

Não se pode pressionar ninguém, a fazer acordos com a Justiça, para fazer afirmações que dependerão da produção de provas futuras. Assim como não se pode confundir o combate à corrupção – se houver corruptos que sejam julgados com amplo direito de defesa e encaminhados exemplarmente à cadeia, estamos cheios de gente com contas na Suíça solta e sem contas na Suíça atrás das grades – com a onipotente destruição do país e de milhares de empregos e bilhões de reais em investimentos.

A pergunta que não quer calar é a seguinte: se a situação fosse contrária, e um juiz norte-americano formado no Brasil e “treinado” por autoridades brasileiras, a quem propôs, por mais de uma vez, sua “cooperação”, estivesse processando um almirante envolvido com o programa nuclear norte-americano, e influindo no destino de todo um programa de submarinos, da construção de um novo submarino atômico, e do desenvolvimento de um míssil ar-ar para a US Air Force, a ponto de a empresa norte-americana responsável por ele ter de ser provavelmente vendida a estrangeiros, ele teria chegado, à posição em que chegou, em nosso país, o juiz Sérgio Moro?

Ou já não teria sido denunciado por pelo menos parte da imprensa dos Estados Unidos, e chamado à razão, em nome da segurança e dos interesses nacionais, por autoridades – especialmente as judiciais – dos Estados Unidos?

O único consolo que resta, nesta nação tomada pela loucura – lembramos por meio destas palavras, que quem sabe venham a ser transportadas, em bits, para o amanhã – é que, sob o olhar do tempo, que para todos passará, inexorável, a História, magistrada definitiva e atenciosa, criteriosa e implacável, vigia, registra e julga.

E cobrará caro no futuro.

A prática geopolítica brasileira no após golpe

Por: César A. Ferreira

Agora que o pedido de impeachment está entregue e deverá tramitar no Senado Federal, casa onde o governo de Dilma Vana Rousseff não possui os votos necessários, dado que hoje, com segurança, não exibe o governo mais do que 20 votos, fica a pergunta que interessa a uma página que discute geopolítica: como será a política externa vindoura? Para que lado penderá Temer?

Para se poder entender a visão de mundo que deverá assumir, basta perceber o rol especulativo sobre os titulares da área econômica. O nome mais citado é o de Armínio Fraga, isto sugere uma opção por colaboração estreita com o mercado de capitais. Portanto, por extensão, maior influência dos EUA, que nunca foi pouca, diga-se. Se levarmos em consideração a presença brasileira no bloco BRICS, que já frutificou iniciativas importantes como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, em inglês – Asian Infrastructure Investiment Bank, AIIB; do qual o Brasil se configura como sócio fundador, teremos uma interessante mudança de orientação externa, visto que apesar de jamais comentado, sabe-se, que os EUA consideram como maior ameaça ao seu status quo a proeminência financeira da China, que não esconde a sua intenção de fazer do Yuan (Renmibi) uma moeda de referência. Os norte-americanos tomam as iniciativas chinesas como um desafio ao dólar, o que de fato é. Para se ter uma ideia da tensão havida basta lembrar que o pivô desencadeante da invasão ao Iraque não foi outra coisa do que a decisão de Saddam Hussein de aceitar euros e ouro, além do dólar, como pagamento pelas cotas permitidas pela ONU para exportação de petróleo.

O alinhamento com Wall Street poderá resultar em mudanças substanciais, tal como a revisão do regime de extração das reservas petrolíferas do Pré-Sal, que podem mudar do regime de partilha para o de concessão de área, afrouxamento das leis de proteção do trabalho e de telecomunicações. O protagonismo do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social deverá minguar, principalmente os financiamentos para projetos fora das fronteiras brasileiras, o que deverá afetar diretamente a influência do Brasil perante aos seus vizinhos, sul-americanos e da América Central, alvos prioritários na projeção das empresas brasileiras exportadoras de serviços de engenharia. A operação judicial-midiática Lava-Jato, apesar de não poder ser apontada diretamente como responsável é de fato o evento determinante para o recuo que já se observa, visto que atinge diretamente o polo econômico a ser beneficiado pela expansão: as grandes construtoras brasileiras. Por isto, não será surpresa alguma que os nichos de mercados sejam ocupados por chineses, na África; norte-americanos e canadenses na América Latina.

Por fim, no campo militar, um maior alinhamento com os EUA e demais nações da OTAN é mais do que esperado, mesmo porque este alinhamento sempre perdurou. Poucas foram as iniciativas em busca de fornecedores extra-OTAN, que podem ser contadas nos dedos: helicópteros de ataque Mi-35M, misseis MANPAD 9K38 Igla, além de material bélico sueco, que para todos os efeitos não configura um fornecedor “politicamente hostil” aos EUA. Acredita-se, portanto, que se o governo Dilma Rousseff por algum motivo não assinar o contrato para a aquisição das anunciadas três baterias dos sistema anti-aéreo Pantsyr S-1, nos dias próximos, este jamais será assinado. É uma especulação, sem dúvida alguma, mas como tudo que se observa nestes dias é o que pode ser feito na falta de algo melhor do que uma bola de cristal.

O CARGUEIRO E AS HIDRELÉTRICAS

Por: Mauro Santayana (08 de abril de 2016).

Fonte: Mauro Santayna.com

(Jornal do Brasil) – O céu era “de brigadeiro”.

Mas, para a maior parte da mídia passou em brancas nuvens a apresentação do novo cargueiro militar KC-390 da EMBRAER à Presidente da República, ao Ministro da Defesa, Aldo Rebelo, e ao Ministro da Aeronaútica, Nivaldo Luiz Rossato, após viagem de Gavião Peixoto à Capital Federal, nesta semana, na Base Aérea de Brasília.

E, no entanto, tratava-se apenas da maior aeronave já construída no Brasil, com capacidade de transporte de blindados, de brigadas de paraquedistas, de operar como avião-tanque para reabastecimento aéreo de caças, ou como unidade de salvamento, em um projeto que custou 7 bilhões de reais, em grande parte financiado pelo Governo Federal, que teve também  participação minoritária de outros países, como Portugal, Argentina e a República Tcheca, destinada a substituir, no mercado internacional, nada menos que o Hércules C-130 norte-americano.

A mesma indiferença, para não dizer, desprezo, ou deliberada desinformação, ocorreu com o início do processo de geração da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a terceira maior do mundo, com capacidade de 11.000 megawatts, na semana passada.

jirau
Usina de Jirau quando em construção. Imagem: internet

Ou com a hidrelétrica de Santo Antônio, situada no Rio Madeira, em Rondônia, a quarta maior do país, que colocou em operação sua 39ª turbina geradora há alguns dias.

Como sempre se dá com os grandes projetos erguidos nos últimos 13 anos neste país – e põe obra nisso – escolheu-se dar atenção, prioridade e divulgação preferencial a aspectos negativos, discutíveis e polêmicos como eventuais “estouros” de orçamento, atrasos ou suspeita de corrupção, do que às próprias obras.

Projetos que, depois de prontos, passarão a pertencer, inexoravelmente, ao patrimônio nacional e ao domínio do concreto, da realidade – e que, querendo ou não seus detratores – continuarão, agora e no futuro, beneficiando o país com mais empregos, mais energia, melhora no nível tecnológico de nossa indústria bélica e aeroespacial e da capacidade de defesa da Nação.

Bom mesmo, para essa gente, deve ter sido o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, que, segundo o Banco Mundial, conseguiu encolher o PIB e a renda per capita do Brasil em dólares nos oito anos em que permaneceu à frente do Palácio do Planalto, aumentou a carga tributária em vários pontos percentuais e duplicou a relação dívida líquida-PIB, além de deixar uma dívida de dezenas de bilhões de dólares o FMI, sendo obrigado a racionar energia por falta de investimentos na geração de eletricidade – além de deixar que desaparecessem empresas como a ENGESA, sem forjar um simples parafuso para as forças armadas.

usina-de-jirau-2
Usina de Jirau em plena operação. Imagem: internet.

Naquele tempo não se discutia a suspeita de irregularidades na construção de usinas, refinarias, plataformas de petróleo, gigantescos sistemas de irrigação e saneamento, ferrovias, tanques, submarinos – até mesmo atômicos – usinas nucleares, estádios, aviões, mísseis, porque não se fazia quase nada disso em nosso país, e, quando havia encomendas, poucas, eram para o exterior, e não para aqui dentro.

Aludia-se, sim – muito timidamente com relação ao que se faz hoje – à possibilidade da existência de irregularidades na compra da emenda da reeleição no Congresso; e na sabotagem, esquartejamento, destruição, por exemplo, de grandes empresas nacionais, algumas delas centenárias, a maioria estratégicas, para sua entrega, a preço de banana, para estrangeiros, com financiamento farto, subsidiado, do BNDES.

Lembrando George Orwell – em seu inesquecível e cada vez mais atual “1984” – o Ministério da Verdade, ou Miniver, em “novilíngua” – formado pela parte mais seletiva, parcial, ideologicamente  engajada e entreguista da mídia brasileira – pode fazer o que quiser – um diário chegou a trocar a foto de Dilma na cabine do KC-390, por outra, menos “favorável”, em pleno processo de impressão da tiragem do dia seguinte ao fato – que não se conseguirá derrubar  obras como Belo Monte, Telles Pires,  Santo Antônio, ou Jirau, ou o novo trecho da ferrovia norte-sul, que já leva soja de Anápolis ao Porto de  Itaqui, no Maranhão, ou paralisar – com a desculpa de que vão dar ou deram prejuízo (prejuízo contábil, virtual, não interessa, afinal, dinheiro se necessário, como fazem os EUA, se fabrica), como se não bastassem o 1 trilhão e 500 bilhões de reais em reservas internacionais que o Brasil possui – a construção da Transposição do São Francisco ou a expansão da refinaria Abreu e Lima, que já está processando, em sua primeira fase, cerca de 100.000 barris de petróleo  por dia.

As obras e as armas construídas, para o Brasil, como os fuzis de assalto IA-2, ou os radares SABER, ou o Sistema Astros 2020 – até mesmo porque as Forças Armadas não vão permitir que esses programas venham a ser destruídos e sucateados – vão ficar, por mais que muitos queiram que elas desapareçam em pleno ar, em uma nuvem de fumaça ou nunca venham a ser vistos em um livro de história.

Et latrare canes caravanis transit – ouviu, certa vez um romano, em um ponto qualquer da rota da seda, entre as dunas do deserto do Saara.

O calendário da pátria não se mede com o ponteiro fugaz das vaidades humanas.

O que importa para o Brasil é o que fica.

No futuro, o povo saberá datar essas conquistas – separando o joio do trigo – no tempo e nas circunstâncias.

 

 

O discurso de Marco Antônio no funeral de César

Autor: William Shakespeare

Adaptação: César A. Ferreira

Nota de introdução: um espaço dedicado aos assuntos de geopolítica não pode se furtar aos eventos internos, pois a prática política e suas idiossincrasias marcam a atuação externa de uma nação. Todavia, melhor cobertura existe em blogs, jornais e revistas dedicados aos assuntos políticos, por força da especialização destes, ademais, a prática opinativa, tão em voga, não satisfaz os critérios deste editor. Pois, ao visitar o perfil de um amigo numa rede social, dei-me conta deste clássico de Willian Shakespeare, parte central do drama Julio César, que para olhos atentos, afeitos à reflexão, muito explica e sugere. Daí a decisão de publicar O Discurso de Marco Antônio no Funeral de César, pois, não raro é em torno da destruição deliberada de lideranças carismáticas em função de ambições políticas pautadas pelo imediatismo e oportunismo míope, que nascem os dissensos e conflitos civis responsáveis por dilacerar nações por gerações, e gerações.

O discurso de Marco Antônio no funeral de César:

Amigos, romanos, cidadãos escutai-me!

Vim para enterrar Cesar, não para louvá-lo. O mal que os homens fazem a eles sobrevive. O bem que se faz é sepultado com ossos, que seja assim com Cesar.

O nobre Brutus lhes disse que Cesar era ambicioso. Se verdade que o era, a falta era muito grave, e Cesar pagou com a vida, aqui, pelas mãos de Brutus e dos demais. Pois Brutus é um homem honrado, e assim são todos eles; todos homens de honra.

Venho para falar no funeral de Cesar. Ele era meu amigo, fiel e justo para comigo. Mas Brutus diz que ele era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Trouxe muitos prisioneiros para Urbes que, para serem libertados, encheram os cofres de Roma. Isto lhes parece uma atitude ambiciosa de Cesar? Quando os pobres sofriam Cesar pranteava. Ora, a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Brutus diz que Cesar era ambicioso. E Brutus é um homem honrado.

Todos vocês viram que nas Lupercais, eu, por três vezes, ofereci-lhe uma coroa real, a qual ele por três vezes a recusou. Isto era ambição? Mas, Brutus lhes diz que era ambicioso, e Brutus, todos o sabemos, é um homem honrado.

Não venho aqui para discordar da retórica de Brutus. Mas, tenho de lhes falar daquilo que sei. Vocês todos já o amaram e tinham razões para amá-lo. Qual a razão que os impede, agora, de render-lhe homenagem na morte?

O julgamento! Foste para o meio dos brutos animais, tendo os humanos perdido o uso da razão. Perdoai-me; mas tenho o coração, neste momento, no ataúde de César; é preciso calar até que ele ao peito me volte.

Ontem, a palavra de Cesar seria capaz de prevalecer neste mundo, agora, jaz aqui morta. Ah! Se eu estivesse disposto a levar os seus corações e mentes para o motim e a violência, mal falaria de Brutus e de Cassius, os quais, como sabem, são homens honrados. Deles não vou falar mal.

Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens honrados. Mas, eis aqui, um pergaminho com o selo de Cesar. Eu o achei no seu armário. É o seu testamento. Quando os pobres lerem o seu testamento, porque, perdoem-me, não pretendo o ler, se arrojarão para beijar os ferimentos de Cesar, molhar os seus lenços em seu sagrado sangue.

Tenham paciência amigos, pois não devo lê-lo. Vocês não são de madeira ou ferro, e sim humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de Cesar vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de Cesar! Pois se souberem… O que vai acontecer? Vocês vão me obrigar a ler o testamento de Cesar? Então façam um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes César morto, aquele que escreveu este testamento.

Cidadãos! Se vocês lágrimas possuem, preparem-se para vertê-las. Todos vocês conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a faca de Cassius penetrou. Através deste outro rasgão, Brutus, tão querido de Cesar, enfiou-lhe a faca, e, quando ele arrancou a sua maldita lâmina do ferimento, vejam como jorrou o sangue de Cesar.

Brutus, como vocês sabem, era o anjo de Cesar. Oh! Deuses, como Cesar o amava! O golpe de Brutus foi, de todos, o mais brutal e perverso. Pois, quando o nobre Cesar viu que Brutus o apunhalava, a ingratidão, mais do que a força da traidora punhalada, parou o seu coração.

Oh! Que queda brutal meus concidadãos. Então, eu e vocês, todos nós também tombamos, enquanto esta sanguinária traição florescia sobre nós.

Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele. Boas almas.Choram ao ver o manto do nosso Cesar despedaçado.

Bons amigos, queridos amigos; não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são honrados. Quais queixas e interesses particulares os levaram a fazer o que fizeram, não sei. Mas são sábios e honrados e tenho certeza que apresentarão a vocês as suas razões.

Eu não vim para roubar seus corações. Eu não sou um bom orador como Brutus. Sou um homem simples e direto, que ama os seus amigos.

Aqui está o testamento, com o selo de Cesar! A cada cidadão ele deixou 75 dracmas. Mais, para vocês lhes deixou os seus bens. Seus sítios deste lado do Tibre, com suas árvores, seu pomar, para vocês e para os herdeiros de vocês,  para todo o sempre.

Este era Cesar. Quando aparecerá outro como ele?

 

A Operação Mani Pulite e a Lava Jato

Por: Edu Pessoa

A Operação Mãos Limpas (em italiano, Mani Pulite) tem diferenças e semelhanças com a Lava Jato brasileira, embora ambas tenham sido criadas com o intuito de desestabilizar a política dos dois países – Itália e Brasil – criando um novo arranjo político-institucional.

Di Pietro e Moro

Di Pietro e Moro são os concurseiros com a cara do golpismo moderno. Di Pietro estudou Direito na Universidade dos Estudos de Milão e em 1981 se tornou juiz da comarca de Bergamo (região norte da Itália), após aprovação em concurso público. Quatorze anos depois, Moro, hoje o titular da Lava Jato, também se forma em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, fundada por seu pai, Dalton Moro, e se torna juiz federal da 4ª região (Paraná) em 1996, após aprovação em concurso público de 4 fases.

Origem da (operação) Mãos Limpas

A Mãos Limpas, Mani Pulite, começou na cidade de Milão, nos anos 90, com 4 juízes e 2 procuradores atuando na operação. O juiz titular da Operação era Antonio Di Pietro. Coincidência (ou não) o juiz titular da Operação Lava Jato também tem um sobrenome de origem italiana: Sergio Moro. Mãos Limpas seria um prosseguimento da investigação contra o Banco Ambrosiano, instituição financeira privada criada por padres italianos, acusada de realizar operações ilegais da Loja Maçônica P2, do Banco do Vaticano e da máfia. As operações ilegais do banco podem estar por trás da estranha morte do Papa João Paulo I (que queria aprofundar as investigações nas finanças do Banco do Vaticano).

O banco também foi usado pelos norte-americanos contra o Contras da Nicarágua e o Sindicato Solidariedade da Polônia, como forma de patrocinar conflitos e golpes nesses países (em virtude da ascensão dos governos de esquerda e a “guerra” contra o comunismo).

A semelhança do (Banco) Ambrosiano com o Banestado

Muito parecido com o Ambrosio é o caso do Banestado, banco público paranaense (depois privatizado no governo FHC), usado para lavar dinheiro e levar recursos para paraísos fiscais. Moro também foi o juiz responsável pela operação judicial que investigava a ida ilegal de dinheiro para o exterior, através das contas CC5. Os recursos ilegais foram fruto das privatizações e acordos espúrios, ocorridas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique.

A caça aos nomes nacionalistas

Enquanto hoje, Moro caça Odebrecht, Pessoa e outros nomes da engenharia nacional, Di Pietro, no seu tempo, prendeu o engenheiro e membro do Partido Socialista Italiano (PSI), Mario Chiesa. Chiesa, preso e torturado por Di Pietro, revelou um suposto esquema de uso de contas na Suíça para desvio de recursos públicos.

É ou não é a cara da história do Triplex do Lula e do suposto uso de “offshores” pelo ex-presidente? Falando em Triplex, a operação italiana também representou uma verdadeira caçada a líderes de esquerda em todo o país, incluindo Bettino Craxi, líder do PSI. O PSI ganhou eleições importantes, como as de Roma e vinha crescendo na preferência do eleitorado.

É possível traçar (guardadas as proporções entre os sistemas político-eleitorais italiano e brasileiro) um paralelo com a ascensão do PT após 2003, cujas vitórias sucessivas culminaram em um conjunto de ações midiáticas e judiciais para tirá-lo do poder.

A caçada da Mani Pulite contra Craxi (que morreu durante as investigações) é a mesma que fazem hoje contra Lula, perseguido politicamente por Moro et caterva de forma implacável.

 Di Pietro, Moro e a Opinião Publica

O apoio da imprensa foi fundamental para que a população italiana apoiasse as ações guiadas de Di Pietro. Prova disso foram as pesquisas de sondagem, feitas durante a operação, que mostravam o juiz com mais de 80% de aprovação, o que pavimentou seu caminho para a política. Recebeu tratamento da mídia italiana e da opinião pública de “herói”, com direito a cartazes, faixas penduradas nas sacadas dos prédios e até “brindes”.

Mais uma vez podemos traçar um paralelo com Moro, alçado pela opinião pública nacional e internacional, com apoio da velha mídia brasileira (e da mídia norte-americana), à condição de herói. Uma publicação norte-americana retrata Moro com a roupa dos “caça fantasmas”, sugerindo seu “combate à corrupção”. PHA mostrou que a revista tem FHC no conselho editorial, mas a mídia tupiniquim escondeu esse (importante) detalhe.

No Brasil, Moro é admirado pela velha mídia e pelos coxinhas. Da Globo, recebeu o prêmio “Faz a Diferença”, prêmio também recebido por Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, pelos serviços prestados à Casa Grande. Dos coxinhas, recebe flores, tira fotos e posa de “popstar” nos poucos lugares em que apareceu publicamente. E não só: usa palestras, mobilizando a classe média para legitimar o golpe institucional via Judiciário.

 As Estatais do Petróleo

Muito se fala do rearranjo político, promovido pela Mãos Limpas (Di Pietro largou a magistratura para se dedicar a política e fundar um partido), mas pouco se fala das consequências dessa operação para a estatal de petróleo daquele país: a AGIP. Criada em 1953 (mesmo ano da Petrobrás), a AGIP (sigla para Azienda Generale Italiana Petroli ou Empresa Pública Italiana de Petróleo) era uma estatal do ramo do petróleo, com capital 100% público e controlada pelo governo italiano. O envolvimento da estatal na operação, supostamente usada para desviar recursos para financiamento ilícito de partidos políticos, acabou gerando como consequência política sua privatização, em 1995, adquirida pelo grupo ENI, da qual manteve apenas o antigo logotipo (o cão com 6 patas que cospe fogo sob o fundo amarelo e letras na cor preta).

A Petrobrás, do mesmo ano da AGIP, também foi alvo de ações semelhantes na Lava Jato, ao ter sido colocado no olho do furacão, acusada de ser usada para financiar campanhas eleitorais de Dilma Rousseff, através da irrigação em contas dos empreiteiros nacionais.

As acusações envolvendo a estatal brasileira vão além de um mero combate à corrupção, mas servem de base para ações contra o PT no TSE, promovidas pelo PSDB, e álibi para justificar sua privatização. É comum ouvir da boca de parlamentaristas oposicionistas de que a Petrobrás está sob “má gestão”, “corrupção”, “rapina”, etc. Qualquer semelhança com a AGIP não é mera coincidência…

Os EUA e os Partidos de Esquerda

A guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética (atual Rússia) nos anos 50-80, foi o pano de fundo para uma caça a partidos e líderes identificados com as ideias de esquerda.

A Mãos Limpas isentou o Partido Comunista Italiano (PCI). O partido capitalizou politicamente com a Mãos Limpas e vários de seus líderes aproveitaram a investigação para blindar do sentimento anticomunista, garantido assim apoio popular com a veiculação de discursos e trechos de seus líderes, a favor da investigação (um pouco como o que o PSDB faz hoje com a Lava Jato). Prova disso é que o PCI, anos 70, foi considerado o maior partido de esquerda da Europa. Dentro da Itália, fez contraponto à Democracia Cristã, principal força política do país até então.

Com uma visão próxima da social-democracia (hoje praticada pelo PT), Enrico Berlinguer, então presidente do partido (PCI), propôs um “compromisso histórico” dos comunistas com os cristãos, a fim de unir o país. Mas o acordo acabou não se concretizando, por causa da morte do líder cristão e ex-primeiro ministro Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas.

E onde os EUA entram nisso? Ora, a morte de Moro pelos Brigadas Vermelhas foi patrocinada pelos EUA, através de grupos clandestinos situados na OTAN, chamados “Stay Behind”. Na Itália o nome do grupo era Gladio, supervisionado pela CIA. A morte de Moro foi exatamente impedir a ascensão e a vitória dos comunistas no poder.

No Brasil, a coisa anda de um jeito diferente: a Lava Jato não é capitalizada pelo partido de esquerda no governo, o PT, mas sim pela oposição, capitaneada pelo PSDB e que sofre com a falta de propostas, militância política e votos e identificação dos eleitores (principalmente os mais humildes) com suas plataformas privatizantes. Contudo, o objetivo da Lava Jato é o mesmo da morte de Aldo: enfraquecer o PT no poder e minar qualquer possibilidade de união entre as forças antagônicas nacionais, fortalecimento da soberania nacional e crescimento do nosso processo econômico.

As pegadas norte-americanas apareceram através de investigação de blogueiros, mostrando a relação entre empresas donas do Triplex em Parati com a Monsak Fonsesa, offshore que financia golpes e atentados terroristas no mundo todo, sob coordenação do governo norte-americano.

O resultado político da Mani Pulite e as lições da Lava Jato.

Não sabemos ainda as consequências da Lava Jato para o futuro do país, mas alguns indícios mostram que ela produziu efeitos catastróficos na economia: queda do PIB, redução dos contratos de grandes obras, desemprego nas áreas de engenharia pesada, entre outros. Na Operação Mãos Limpas, uma das principais consequências foi a pavimentação da carreira política de Di Pietro.

Em 1997, abandonou de vez a magistratura e assume a carreira política. Primeiro pelo centro, mas recebeu convites da direita (como do empresário e político Silvio Berlusconi). Três anos depois, DI Pietro funda o “Itália de Valores”, classificado como um partido autônomo, com orientação “nem de esquerda, nem de direita”.

Estranho, mas a Rede lembra-me muito esse (partido) Itália de Valores?

Não sabemos ainda se Moro irá galgar carreira política após a Lava Jato. O fato concreto é que além da privatização da estatal de petróleo, a Mani Pulite acabou rachando politicamente o país. Hoje, os italianos amargam PIBs negativos, como resultado da vinculação à política neoliberal norte-americana, em muito fruto desse racha e do enfraquecimento de suas estatais, por força da operação judicial.

A lição para a Lava Jato é a seguinte: sair do ciclo vicioso requer diálogo e consenso para superar a crise política e econômica. Com a prisão de Lula hoje, será que o Moro ajudou a “rachar” o país, como a morte do outro Moro, o ex-premier italiano?

A conferir…

Nota do Editor: pode parecer estranho para o leitor uma postagem sobre um assunto que versa sobre política nacional em um espaço dedicado a assuntos de geopolítica e defesa. Todavia, a política interna de qualquer país faz parte da abordagem geopolítica, como bem ilustra esta matéria sobre a Operação Mani Pulite. Tida como um exemplo, tal operação demonstra como é possível manipular o sistema judiciário de uma nação para enfraquecê-la. Isto é uma característica dos sistemas abertos, impossível de se ver nos totalitários, pois o regime representativo apresenta idiossincrasias plausíveis de serem percebidas por atores externos que delas se aproveitam para fazerem com que os atores internos de uma determinada nação ajam em função dos seus interesses, crentes que realizam “o melhor” para a nação, dentro das suas convicções. É por este motivo que os EUA promovem a “democracia” como crença ideológica, pois a característica deste tipo de regime permite injunções e manipulações, como as afamadas “revoluções coloridas”, com maior facilidade.

Nota do Editor 2: a matéria que se segue era antes um comentário postado no blog do jornalista Luis Nassif, ao vê-lo, de pronto indaguei se o autor autorizaria a publicação neste blog. Antes da resposta, pude observar que o jornalista Luís Nassif havia elevado o comentário para a posição destacada de post, prática alvissareira que deveria ser imitada pelo maior número de espaços.

Nota do Editor 3: Gládio é o nome da organização clandestina montada pelo próprio Estado Italiano, com anuência e apoio do Vaticano, sob patrocínio da OTAN, para atender o conceito de resistência nacional no caso de uma vitoriosa invasão soviética – conceito Stay Behind. Em termos práticos resultou em um grupo clandestino, de cunho ideológico fascista, que praticava atos espúrios de violência em favor dos estratos conservadores da sociedade italiana, bem como aos serviços de inteligência da península e dos EUA. Hoje, atribui-se o assassinato de Aldo Moro ao grupo Gládio, quando antes se atribuía aos sequestradores das Brigadas Vermelhas, pois sabe-se, agora, que o terrorista das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti era agente do grupo Gládio infiltrado. Mario Moretti foi o elemento principal para convencer os seus pares a realizarem o sequestro de Aldo Moro, quando desejavam sequestrar Giulio Andreotti, bem como o assassino deste proeminente líder político da Democracia Cristã.

Aleppo, a ira de um Bispo

Por: Marco Tosatti (La Stampa).

Tradução: Gercione Lima (Fratre In Unum).

Durante a “Noite dos testemunhos”, organizada anualmente pela “Ajuda à Igreja que Sofre”, o Arcebispo grego-melquita de Aleppo, Dom Jean-Clément Jeanbart, depois de descrever a situação dramática dos aleppinos, falou aos jornalistas que vieram para ouvir. A tradução do original de Boulevard Voltaire.

“Os meios de comunicação europeus continuam a distorcer o cotidiano dos que sofrem na Síria e também estão usando isso para justificar o que está acontecendo em nosso país sem jamais checar essas informações”. Assim o bispo deu início ao seu discurso, descendo o chicote nas fontes usadas pela imprensa durante a guerra e que continuam a ser usadas por muitas agências de notícias. Entre elas, “instrumentos da oposição armada, como é o caso do Observatório Sírio de Direitos Humanos, a fonte indiscutível usada pelos meios de comunicação ocidentais”.

“É preciso compreender que entre o Estado islâmico e o governo Sírio, a nossa escolha é feita rapidamente. Nós podemos condenar o regime por algumas coisas, mas vocês nunca tentaram ser objetivos”, acusou ainda. Quando lhe foi perguntado se ele poderia explicar sua posição para as autoridades francesas, Dom Jeanbart disse que tinha tentado, antes de lhe terem dito que ele deveria ser “menos crítico”.

Para ele, no entanto, o Ocidente continuou a se calar sobre as atrocidades cometidas pela oposição armada, enquanto denigrem o governo Sírio e seu presidente. “Bashar Assad tem muitas falhas, mas saibam que tem também qualidades”, explicou ele, “as escolas eram gratuitas, os hospitais, mesquitas e igrejas não pagavam nenhum imposto, mas que outros governos na região fazem essas coisas? Sejam honestos! Lembrem-se também que, se nós preferimos apoiar o governo hoje, é porque nós tememos o estabelecimento de uma teocracia sunita que nos privaria do direito de viver em nossa terra”.

Ele continuou: “Sim, eu tentei dizer todas essas coisas às autoridades francesas, mas o que você espera de um Fabius Laurent que pensa que é o Todo-Poderoso para decidir quem merece ou não a viver nesta Terra?” Ele respondeu, aparentemente cansado (Laurent Fabius disse que Assad não merece estar sobre essa terra). “É possível que a França – que eu amo e que me educou através de comunidades religiosas que  tinham se estabelecido na Síria – tenha mudado tanto? É possível que os seus interesses e seu amor ao dinheiro tomaram precedência sobre valores que outrora defendia”? Continuou o arcebispo amargamente.

Sobre os bispos franceses, Dom Jeanbart disse: “Se a Conferência dos Bispos da França tivesse confiado em nós, teria sido melhor informada. Por que os seus bispos se calam diante de uma ameaça que agora é vossa também? Porque os vossos bispos são como todos vocês, acostumado ao politicamente correto! Mas Jesus nunca foi politicamente correto, era politicamente justo!”, bradou.

“A responsabilidade de um bispo é ensinar e usar a sua influência para transmitir a verdade. Os vossos bispos, por que eles têm medo de falar? Naturalmente que serão criticados, mas igualmente lhes será dada uma chance de se defender e de defender esta verdade. Devemos lembrar que a o silêncio às vezes é um sinal de assentimento”.

E até mesmo a política de migração dos países ocidentais foi criticada pelo arcebispo: “O egoísmo e os interesses servis defendidos por seus governantes, no fim, acabarão por assassinar até mesmo vocês. Abram os olhos, pois não viram o que aconteceu recentemente em Paris?”, acrescentou o Arcebispo, antes de concluir com uma súplica: “Precisamos que vocês nos ajudem a viver e permanecer em nossa casa […], eu não posso aceitar ver nossa Igreja de dois mil anos desaparecer. Eu prefiro morrer do que ter que ver isso”.

LAR – Lancha de Ação Rápida

A presente matéria foi por mim redigida e originalmente publicada no site Portal Defesa, na data de 01.05.2015; local onde permanece com maior riqueza de imagens.

LAR – Lancha de Ação Rápida

Por: César A. Ferreira

No campo informativo, sobre aquilo que versa sobre Defesa, as armas como mísseis, aeronaves supersônicas, submarinos e carros de combate são aqueles que galvanizam a atenção do público em geral, devido ao desempenho superlativo desses sistemas, impositivo no campo de batalha, além da impressão de poder que transmitem.  Entretanto, cada teatro operacional traz consigo particularidades, por vezes únicas, que exigem a concepção de meios simples, porém essenciais, para que se possa travar o combate e levar temor ao inimigo. Este é o caso do meio fluvial, do conflito ribeirinho, onde lanchas se fazem tão necessárias como a água, ou o pão…

Tendo em mente as condições amazônicas, a Marinha do Brasil concebeu e produziu nas instalações da Base Naval Val de Cães, Organização Militar da Marinha do Brasil subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval, sediada em Belém (PA), a LAR – Lancha de Ação Rápida, com o objetivo de proporcionar aos fuzileiros navais e demais forças da nação de um meio capaz de levar adiante grupos de combate em braços de rios e ribeirões. Dotada de um casco planador em alumínio naval, possui resistência e uma autonomia para operar a 200 milhas de sua base. É capaz de levar além do oficial náutico, outros 14 combatentes armados, que graças a facilidade para abicagem da LAR, podem desembarcar com presteza e agilidade, minimizando desta maneira as possíveis baixas por fogo inimigo.  A motorização escolhida é Volvo Penta KAD-43P/ DP, com  230 hp, a diesel, proporcionando a embarcação 35 nós em perseguição e 25 nós em cruzeiro com carga plena.

012
LAR – Lancha de Ação Rápida, modelo de cabine fechada. Foto: R7.

A LAR possui duas versões: cabine aberta e fechada. A versão de cabine fechada possui proteção balística para todos os ocupantes, sendo a sua concepção voltada para o trabalho de policiamento, fiscalização naval e disciplinamento do tráfego fluvial realizado por meio de vistorias nas embarcações fluviais, que recebem ordem de parada para abordagem. Dado que em algumas abordagens de embarcações suspeitas podem resultar em disparos repentinos por parte dos meliantes, contrabandistas e outros que se veem desnudados da sua “cobertura civil”, a Marinha do Brasil, pensando na proteção dos seus tripulantes e combatentes projetou uma cabine fechada revestida de blindagem à base de polímero, no caso, de polietileno de ultra-elevado peso molecular (UHMWPE), que oferece proteção de nível III, e atende a norma ABNT NBR 15000. Assim protegidos pela estrutura da lancha, que possui seteiras, os combatentes impõem uma situação de pronta resposta, imunes que estão a uma ação de surpresa por parte do revistado, evitando assim uma ação de inopino da parte deste, garantindo a realização da missão da melhor maneira possível.

A versão fechada possui o posto do condutor da lancha à frente, com os combatentes dispostos atrás, em fileiras, dotadas de blindagem transparente e seteiras. A Marinha do Brasil dispôs desta lancha no Lago de Itaipu, Rio Paraná, onde se fez presente em operações do Ministério da Defesa e em outras ações em favor do Ministério da Justiça, tais como “Fronteira Sul”, “Ágata” e “Sentinela”. Já a versão de cabine aberta, anterior, exibe extrema agilidade e é vocacionada para o assalto ribeirinho, dado a velocidade e o baixíssimo calado, típico do casco hidrodinâmico planador, que proporcionam, também, grande manobralidade e estabilidade, necessárias para os combatentes embarcados efetuarem fogo contra o inimigo.

6
LAR, modelo de cabine aberta, dedicada ao assalto. A lancha da imagem está dotada de uma metralhadora frontal. Foto: R7.

As características da LAR, são as que seguem:

Comprimento (total):  7,55 metros.

Boca (Máxima): 2,30 metros.

Calado: 40 centímetros. Com a Bolina, 60 centímetros.

Deslocamento (padrão): 3 toneladas.

Deslocamento (leve): 1,3 toneladas.

Tonelagem bruta de registro: 3,2 toneladas.

Tanque de Óleo Diesel: 500 litros.

Velocidade máxima: 35 nós.

Velocidade de cruzeiro: 25 nós.

Raio de ação: 200 milhas.

Autonomia: 1 dia distante da base (24 horas).

Extensão máxima de percurso: 400 milhas.

Motor: (1) Volvo Penta KAD-43/DP.

Potência: 230 hp.

Equipagem: 1 piloto náutico e 14 combatentes, ou dois tripulantes e 13 combatentes.

Radar de Vigilância BRADAR SABER M60

Esta matéria foi redigida originalmente para o site Portal Defesa e publicada na data de 08.09.2014.

Por: César Antônio Ferreira

A Embraer Defesa & Segurança, por meio da sua subsidiária, BRADAR, demonstrou na última mostra BID BRASIL o seu carro – chefe: o radar de vigilância de campo contra incursões de baixa altura BRADAR M60. O radar em questão é desmontável, capaz de ser transportado por veículos off-road leves, caso do Agrale Marruá AM-21 (3/4 ton), pois o peso total do conjunto é pouco maior do que 364 kg, ocupando 15 minutos de trabalho de uma equipe de três especialistas para ser montado. O radar é capaz de ser montado em qualquer tipo de terreno e opera sobre severas condições climáticas, exibindo flexibilidade e robustez.

A importância de dotar o Exército Brasileiro de um radar de vigilância e varredura de alvos aéreos, notadamente incursores de baixa altura, está refletida na recente cadeia de eventos do leste ucraniano, onde a Força Aérea da Ucrânia sofreu baixas exorbitantes entre as suas aeronaves de ataque disponíveis em rampa, devido a insistência em ataques à baixa altura, contra uma força dotada de um respeitável estoque de MANPADS e de canhões de tiro rápido. O radar de vigilância avisa aos artilheiros a direção da ameaça, preparando-os para o combate. Esta é a função do radar SABER M60.

tecnologia310501MCN
Antena rotativa do Radar Saber M60, desdobrada no Campo. Foto: internet.

O SABER M60 é um radar 3D, ou seja, é tridimensional, de estado sólido, modular e Pulso Doppler, possui a capacidade de rastreio de até 40 alvos, simultâneos, que por ventura estejam dentro do seu alcance de detecção. O cilindro que representa o seu alcance de detecção compreende um raio de 60 km de distância, com altura de até 5 km. Opera na Banda L (Frequência de 950 MHz a 1450 MHz, com Comprimento de Onda de 23 cm), sendo capaz de distinguir se a ameaça é um vetor de asas fixas (caça – bombardeiro), ou rotativas (helicóptero).

O processamento dos sinais é digital, e a interface do sistema é amigável, baseada que é em arquitetura aberta (Linux), portanto, adaptável às necessidades e requerimentos dos clientes, passível de ser instalado em computadores portáteis, exibindo a notável robustez do software. A transmissão se dá por cabo, ou conexão segura de rádio. Estes dados são enviados, recebidos e trabalhados por um COAAe – Centro de Operações de Artilharia Antiaérea, que é um módulo transportável, equipado com equipamentos de radiocomunicação, comando e controle, interceptação e monitoramento, que permite ao operador uma centralização de dados em vista de facilitar a consciência operacional. O COAAe dispõe de facilidades como telas de LCD, computadores, roteadores e ar-condicionado, entre outros.

Especificações Técnicas

Características físicas

Peso Total: 364,25 kg.

Comprimento Total em Operação: 3,20 m.

Largura Total em Operação: 3,20 m.

Altura Total em Operação: 2,85 m.

Alimentação do Sistema

Bateria: 28V, CC.

Comercial: 90-230V, CA, 50-60 Hz.

Gerador: Customizado (orgânico).

Radar

Alcance: 60 km.

Teto Máximo Aproximado: 5000 m.

Rotação da Antena: 7,5 ou 15 RPM.

Transmissor

Tipo: Estado Sólido; Pulso Doppler.

Frequência:Banda L.

Potência Média: 50 W.

Potência de Pico: 500 W.

Processamento de Sinais

MTI: Digital.