Yuri Dolgoruky realiza com sucesso teste com míssil R-30 Bulava

Fonte: Agência Tass

Moscou, 26 de junho, Agência TASS:

O cruzador de mísseis subaquáticos Yuri Dolgoruky, conhecido como Projeto 955, pertencente à Frota do Norte da Marinha da Federação Russa, testou com sucesso um dos seus mísseis R -30 Bulava, no Mar de Barents,  atingindo todos os alvos designados no campo de treinos de Kura, em Kamchatka, informou o Ministério da Defesa da Federação Rússa nesta segunda-feira.

“O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos do projeto 955 Borey, Yuri Dolgoruky, realizou lançamento bem sucedido de um míssil balístico intercontinental R-30 Bulava, da área designada no Mar de Barents para o campo de prática balística de Kura, em Kamchatka. O lançamento foi efetuado a partir de posição submersa, em conformidade com o plano de treinamento de combate”. Assim declarou o Ministério da Defesa da Federação Russa.

“Os parâmetros da trajetória de voo do míssil balístico intercontinental Bulava foram praticados em regime normal. De acordo com os dados confirmados do equipamento de registro, as ogivas do míssil balístico intercontinental realizaram um ciclo completo de voo e atingiram com êxito os alvos designados na Faixa de Prática”, afirmou o Ministério da Defesa.

O lançamento anterior de um míssil R-30 Bulava deu-se em 27 de setembro último, quando o mesmo submarino, Yuri Dolgoruky, realizou o lançamento de uma salva experimental com dois ICBMs no Mar Branco em direção ao alcance da Prática de Kura, no extremo oriente russo. As ogivas do primeiro míssil realizaram um ciclo completo do programa de voo e atingiram com sucesso os alvos designados no intervalo de prática. O segundo míssil, todavia, se autodestruiu após realizar a primeira etapa do programa de voo.

O submarino Yuri Dolgoruky é a belonave que lidera o Projeto 955, Classe Borey. O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos está armado com um conjunto de mísseis balísticos intercontinentais lançados pelo mar, R-30 Bulava, bem como com torpedos pesados. O submarino pode ser também armado com mísseis de cruzeiro. Possui um deslocamento total de 24.000 toneladas, com dimensões aproximadas de 160 metros de comprimento e de 13 metros de diâmetro.

O Míssil Bulava R-30 é um vetor balístico de propulsor sólido, desenvolvido especialmente para os submarinos do Projeto 955. Ele pode entregar 10 ogivas de 150 kilotons a uma distância de 10.000 quilômetros.

Fotografia: Lev Fedoseyev/TASS

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Rússia anuncia novo torpedo autocavitante (supercavitante)

Por: César A. Ferreira

Federação russa anuncia um novo torpedo autocavitante (também denominado como supercavitante), desenvolvido para substituir o mítico VA – 111 Shkval, presente nos arsenais da arma submarina russa desde a década de setenta…

Anunciou-se o desenvolvimento por parte da Federação Russa da arma que deverá substituir o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, arma sem par no mundo. Este tipo de arma distingue-se pela sua velocidade, incapaz de ser igualada pela tecnologia clássica dos torpedos pesados, visto que possui dispositivos capazes de formar à frente da arma uma bolha de gás, reduzindo de maneira drástica o atrito com o ambiente fluido.

A nova arma deverá apresentar performance em muito superior ao atual VA-111 Shkval, arma que jamais teve análogos desenvolvidos com sucesso no ocidente, dado que todas as tentativas resultaram em fracassos estruturais, ou de desempenho. Sabe-se que as marinhas dos EUA, Alemanha e Coréia do Sul desenvolveram, com graus variados de sucesso, versões análogas ao Shkval, entretanto, como revelado, sem alcançar o status de desempenho e operacionalidade da arma russa. Vale lembrar que o VA-111 Shkval começou a ser desenvolvido em plena década de sessenta, entrando em operação em 1977, o que faz dele um torpedo com quase quarenta anos de serviço!

Esta arma, o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, recebe críticas de alguns analistas de armas ocidentais, que afirmam ser tal torpedo uma arma sem aplicação prática, além de ser dispendioso de manter. Isto, por ser um vetor de uso direto, unidirecional, desprovido de método de guiamento. Todavia, tais análises não levam em conta o conceito operacional dedicado ao vetor pela então marinha soviética. Os soviéticos esperavam equipar seus submarinos nucleares de ataque, e mesmo os convencionais, com uma arma de ação extremamente rápida, que impusesse ao inimigo um tempo de resposta mínimo, quando não inexistente, com o intuito de protegerem os seus Submarinos Lançadores de Mísseis Balísticos, em suas áreas de lançamento, notadamente o “Mar Branco”, bem como ao largo da península de Kamtchathka. O fato de poder ser equipado com uma ogiva nuclear evidencia o papel defensivo desta arma.

Concebido para ser lançado de um tubo lança-torpedos de 533mm, o VA-111 apresenta um comprimento da ordem de 8,2 metros, cerca de 2.700 kg, velocidade acima de 500 km/h e propulsão por motor foguete de combustível sólido, características estas que deverão ser mantidas, ou superadas pelo novo modelo cujo desenvolvimento foi anunciado.

Tudo que você precisa saber para entender a força-tarefa naval russa ao largo do litoral sírio

Autor: The Saker,

Fonte original: Unz Review e The Vineyard of the Saker.

Fonte em português: Oriente Mídia

Data da publicação original: 25.10.2016

Tradução: Coletivo de tradutores da Vila Vudu.

 

A máquina de propaganda do Império Anglo-sionista, codinome “mídia-empresa”, enfrentou graves dificuldades para decidir o que devia publicar sobre a força-tarefa naval russa enviada para a Síria.

Afinal, os norte-americanos decidiram manifestar o desprezo de sempre por qualquer coisa que sugira Rússia e descreveram essa força como se construída em torno do porta-aviões “geriátrico” Almirante Kuznetsov; os britânicos optaram por descrevê-la como uma formidável “armada” a ponto de dar cabo, para sempre, dos terroristas moderados que há na Síria.

Meu amigo Alexander Mercouris recentemente escreveu análise soberba, explicando que, na realidade, essa força-tarefa não é nem geriátrica nem formidável. Em vez de repetir tudo aqui, prefiro escrever o que entendo que possa ser uma ‘atualização’ daquele excelente artigo, com uns poucos detalhes acrescentados. Primeiro passo: desmontar algumas concepções básicas erradas.

Comecemos pelo porta-aviões russo.

O “Cruzador Pesado Porta-aviões Almirante da Frota Soviética Kuznetsov”

Fiquem sabendo que os russos sequer chamam o Almirante Kuznetsov de porta-aviões. A designação oficial do Kuznetsov é “Cruzador Pesado Porta-aviões”. É importante entender por quê.

O que, na opinião de vocês, é um porta-aviões? Ou, dito de outro modo: por que os EUA mantêm uma força de 10-12 porta-aviões pesados? A acreditar-se no que dizia Ronald Reagan, seria para “posicionar adiante” [ing. “forward deploy”] e levar a guerra aos sovietes (essa era, então, a justificativa para haver 600 navios de guerra e porta-aviões dos EUA no Atlântico Norte). Nada poderia ser mais distante da verdade. De fato, porta-aviões de EUA, britânicos e franceses são ferramenta para impor o mando colonial. Você estaciona um ou dois grupos de combate naval em torno de um porta-aviões a umas poucas milhas de colônia desobediente, e bombardeia até cansar, ou até que a colônia se renda. Essa é, de fato, a única justificativa para tais descomunais estruturas. A beleza da coisa é que você pode ameaçar todo o planeta e que você não depende de aliados que concordem com sua missão. Assim sendo, pode-se dizer que porta-aviões dos EUA e de outros países ocidentais são uma projeção de capacidade de poder de longo alcance usados contra países pobres e fracamente defendidos.

Por que pobres e por que fracamente defendidos?

Aqui se chega ao feio segredo que todos sabem: porta-aviões não podem ser defendidos de ataque de inimigo sofisticado. Se a Guerra Fria tivesse esquentado, os soviéticos teriam atacado simultaneamente qualquer porta-aviões que vissem pela frente em todo o Atlântico norte, com um combo de:

Mísseis cruzadores lançados do ar;

Mísseis cruzadores lançados de submarinos;

Mísseis cruzadores lançados de navios de superfície;

Torpedos lançados de submarinos.

Kuznetsov lança um SU-33

O cruzador de combate movido a energia nuclear Pedro O Grande

Granit P-700 (3M45) de 7 toneladas

Esse é força da pesada e atualmente é a nave de guerra mais pesadamente armada de todo o planeta. Nem vou entrar em detalhes aqui. Os interessados encontram aqui uma lista de armas ali transportadas. Basta dizer que esse cruzador de combate pode fazer de tudo: antiaéreo, antinavios, antissubmarino. Está armado com sensores top de linha e comunicações avançadas. Sendo a nave madrinha da Frota do norte, é, na verdade, a nave madrinha de toda a Marinha Russa. Por último, mas não menos importante, o Pedro O Grande transporta carga formidável de 20 mísseis anti-superfície Granit (antinavios). Vejam, por favor, que o poder de fogo combinado dos mísseis antinavios Granit do Kuznetsov e do Pedro O Grande é 12+20, num total de 32. Adiante explicarei por que isso é importante.O restante da força-tarefa é composta de duas Grandes Naves Antissubmarino (“destroieres”, na terminologia ocidental), mais o Vice-almirante Kulakov e o Severomorsk, mais vários navios de apoio. O Kulakov e o Severomorsk são baseados no design Udaloy e são naves de combate modernas e de alta capacidade. Todas essas naves logo serão reunidas numa força, incluindo dois pequenos navios mísseis (corvetas, na terminologia ocidental) armados com os famosos mísseis cruzadores Kalibr especializados em ataques a navios de superfície. Por fim, embora nada disso venha a ser anunciado, creio que essa força-tarefa incluirá dois submarinos nucleares de ataque da classe Akula; um submarino míssil cruzador Oscar-II (armado com outros 12 mísseis cruzadores Granit) e vários submarinos elétricos-a-diesel da classe Kilo.Em resumo, o que ficou dito até aqui.A força-tarefa naval russa é tentativa, pelos russos, de reunir vários navios que jamais foram projetados para operar como uma única força-tarefa naval muito longe de território russo. Se quiserem, foi “sacada” muito esperta dos russos. Eu diria também que é sacada muito bem-sucedida, dado que essa força-tarefa é toda ela muito impressionante. Não, não pode ‘dar conta’ de toda a OTAN, sequer da Marinha dos EUA, mas pode fazer muitas coisas com muita efetividade.

Agora, a grande pergunta: O que a força-tarefa naval russa na Síria pode realmente fazer?

Antes de considerarmos o grande quadro, há um detalhe que acho que merece ser mencionado aqui. Praticamente tudo que leio sobre o míssil cruzador Granit diz que é míssil cruzador antinavios. Também escrevi isso, para manter as coisas em nível bem simples. Mas agora tenho de dizer que o Granit provavelmente sempre teve um modo “B” (B de beregovoy ou, se preferirem, modo “costeiro” ou “de terra”). Não sei se esse modo existiu sempre, desde o primeiro dia, ou se foi acrescentado depois, mas hoje já é absolutamente certo que o Granit tem esse modo. Foi provavelmente uma capacidade bem minimalista, sem auto-orientação e outros truques (que o Granit tem em seu modo principal antinavios), mas os russos revelaram recentemente que os Granits atualizados têm agora capacidade *real* (“complexa”) de ataque em terra. E isso exige que se reexamine o que essa novidade significa para essa força-tarefa. Eis o que sabemos do Granit novo e aprimorado (ao qual os russos referem-se como 3M45):

Resumindo tudo isso: o Kuznetsov é ótimo transportador de aviões que ainda assim reflete uma filosofia de projeto datada, que jamais considerou projetar o poder russo para longas distâncias, como acontece com os porta-aviões ocidentais, especialmente dos EUA.Agora, consideremos o restante da força-tarefa naval russa.O restante da força-tarefa naval russa em torno do Kuznetsov. Um grande nome imediatamente se destaca: o Cruzador Pesado Movido a Energia Nuclear Pedro O Grande.

Não posso provar o que digo a seguir, mas posso dar o testemunho de incontáveis amigos nas forças armadas dos EUA, inclusive vários que serviram em porta-aviões dos EUA, e todos eles compreendiam claramente que os porta-aviões dos EUA jamais sobreviveriam a ataque soviético de saturação, e que em caso de guerra de verdade teriam de ficar bem longe de litorais soviéticos. Acrescento apenas que os chineses, ao que parece, desenvolveram mísseis balísticos especializados, projetados para destruir grupos de combate de porta-aviões. Isso há tempos, no início dos anos 1990s. Hoje, até países como o Irã já começam a desenvolver capacidades para enfrentar e destruir com sucesso porta-aviões dos EUA.Os soviéticos jamais construíram qualquer verdadeiro porta-aviões. Tinham “cruzadores” com capacidade muito limitada para transportar aeronaves de decolagem vertical e, claro, helicópteros. Esses cruzadores tinham dois principais objetivos: ampliar o alcance das defesas aéreas soviéticas e apoiar o desembarque de força vinda do mar. Um traço muito especial desses cruzadores para transporte de aviões é que transportam mísseis cruzadores muito grandes (4,5-7 toneladas) projetados para atacar naves inimigas de alto valor, inclusive porta-aviões dos EUA. Podem ler aqui sobre o cruzador “da classe Kiev” para transporte de aeronaves. Outra característica chave desses cruzadores soviéticos transportadores de aeronaves é que transportavam uma aeronave cheia de problemas, a Yak-38 que seria alvo fácil para os F-14, F-15, F-16 ou F-18 dos EUA. Por essa razão, as defesas aéreas de classe-Kiev centraram-se em seus mísseis terra-ar, não no complemento de outras aeronaves. Quando o Kuznetsov foi construído, os soviéticos haviam desenvolvido aeronaves que eram no mínimo iguais, se não superiores, às contrapartes ocidentais: o MiG-29 e, especialmente, o SU-27. E isso deu a alguns soviéticos a ideia de construírem um porta-aviões “de verdade”.A decisão de construir o Kuznetsov foi extremamente controversa e enfrentou muita oposição. Os ‘pontos de venda’ do Kuznetsov eram a plataforma de defesa aérea muito superior; o fato de que podia transportar aeronaves muito superiores e por fim, mas não sem importância, que podia competir, em termos de prestígio, com os pesados porta-aviões norte-americanos, especialmente o planejado mas jamais construído porta-aviões movido a energia nuclear de uma geração futura. Considero esse argumento completamente não convincente; hoje já confio que a maioria dos planejadores da força naval russa concordariam comigo: a Rússia não precisa de porta-aviões de estilo norte-americanos, e se precisar de porta-aviões, mesmo de outro tipo, eles terão de ser projetados segundo padrões russos, para missões concebidas pelos russos, não como cópia dos norte-americanos.[Barra lateral: Eu adoraria pegar minha canastrinha de ideias e contar a vocês tudo que penso, de ruim, sobre porta-aviões em geral, e por que penso que a Marinha Russa devia ser centrada em submarinos e fragatas, mas isso tomaria todo meu espaço. Direi só que sempre preferirei ter muitas fragatas ou corveta, a ter uns poucos cruzadores pesados].

Assim o Kuznetsov acabou por ser uma mega concessão e, em matéria de concessão, uma bastante interessante. Pensem: transporta 12 mísseis massivos antinavios da classe Granit, e tem também, potencialmente, um complemento em aeronaves maior que o francês Charles de Gaulle (50 contra 40). Inicialmente, o Kuznetsov transportava 12 ar-ar puros SU-33, mas agora foram gradualmente substituídos por 20 MiG-29K muito mais modernos e seus 24 helicópteros Ka-27 serão substituídos pelos helicópteros de reconhecimento e ataque mais avançados do planeta hoje, o Ka-52K. O Kuznetsov mesmo assim tem dois grandes pontos fracos: uma propulsão sem dúvida datada (vejam o artigo de Mercouris) e a falta a bordo de um sistema AWACs. Esse último ponto fraco é consequência da filosofia de projeto do Kuznetsov, que nunca foi pensado para operar a distâncias acima de 500-1.000km das fronteiras russas (mais uma vez, a filosofia de planejamento da força russa, sempre para menos de 1.000km).

Massa: 7 toneladas;

Velocidade: Mach 1,5-2;

Alcance: 500-600 km; e

Ogiva: 750 kg (pode ser convencional e nuclear).

O Granit também é capaz de coisas muito avançadas, inclusive um míssil (destacado) que voa a 500m ou mais, para detectar o alvo e o restante da salva que parte rasante sobre a superfície ao mesmo tempo em que recebe dados daquele que voa acima. Esses mísseis também são capazes de atacar automaticamente de diferentes direções, para desnortear as defesas. Podem voar baixo, a 25m; e alto, a mais de 17 mil metros. Tudo isso significa que estes mísseis Granits são vetores de alta capacidade tático-operacional. E considerando que há, no mínimo, 32 desses na força-tarefa russa (46, se houver ali um submarino classe Oscar-II), significa que a força-tarefa tem poder tático para tiros de míssil similar ao de uma brigada completa de foguetes! Se as coisas ficarem realmente feias, essa força-tarefa pode não só ameaçar seriamente qualquer nave de superfície da Marinha dos EUA/OTAN a 500 km de distância da Síria, mas, também, qualquer cidade ou base militar nessa distância. Muito me surpreende que os doidos-por-guerras ocidentais tenham deixado passar esse detalhe, porque, sim, é coisa para assustar a OTAN muito, muito mesmo :-)Para ser honesto, alguns especialistas têm manifestado muitas dúvidas sobre as capacidades do Granit para ataque em terra. Todos sabem que são mísseis relativamente velhos e muito caros, mas ninguém sabe a quantidade de trabalho investido para modernizá-los. Mas ainda que tenham capacidades muito mais reduzidas do que foi anunciado, o fato de haver entre 32 e 46 desses mísseis ali perto, ao largo da costa da Síria, é formidável fator de contenção, porque ninguém jamais saberá o que esses mísseis podem fazer, até que tenham já feito.

Assim sendo,

As capacidades combinadas da força-tarefa naval russa e dos mísseis S-300/S-400 dispostos na Síria dão aos russos capacidade de defesa aérea de categoria mundial. Se preciso, os russos podem até lançar em combate os A-50 AWACs a partir da Rússia protegidos por MiG-31BMs. O que a maioria dos observadores não percebem é que aquele SA-N-6 “Grumble” que constitui o núcleo duro do Pedro O Grande é um S-300FM, a variante naval modernizada do S-300. Também é capaz de velocidade considerável (Mach 6), tem alcance de 150 km, capacidade acrescentada de um terminal infravermelho, um sistema de míssil-guia que lhe permite atacar mísseis balísticos e altitude ‘envelope’ de 27km. Além disso, adivinhem – o Pedro O Grande tem 48 desses mísseis (em 20 plataformas de lançamento) o equivalente a 12 baterias S-300 (considerando quatro lançadores por bateria).

Uma das maiores fragilidades da força que os russos alocaram na Síria é o número relativamente baixo de mísseis que podem ser disparados ao mesmo tempo. As forças de EUA/OTAN podem simplesmente saturar as defesas russas com grande número de mísseis. É verdade que, sim, continuam a poder fazer isso. Mas agora a coisa está muito, muito mais difícil.

Os russos podem fazer parar um ataque dos EUA contra a Síria?

Provavelmente, não.

Mas podem torná-lo muito mais difícil e dramaticamente menos efetivo.

Primeiro, logo que os EUA disparem os russos verão o disparo e alertarão as forças sírias e russas. Dado que os russos têm meios para rastrear todos e quaisquer mísseis dos EUA, podem passar os dados para todas as suas tripulações de defesa, que estarão a postos quando os mísseis chegarem. Além disso, quando os mísseis estiverem próximos, os russos com certeza derrubarão vários deles, obrigando os norte-americanos a calcular (do espaço) os danos e re-atacar os mesmos alvos muitas e muitas repetidas vezes.

Segundo, com tecnologia stealth [invisíveis aos radares] ou sem, não acredito que a Marinha dos EUA ou a Força Aérea dos EUA se arriscarão a voar para dentro de espaço aéreo controlado pelos russos ou, se se arriscarem, será experimento de vida curta. Acredito que a presença dos russos na Síria tornará qualquer ataque contra a Síria um ataque “de um só míssil”. A menos que os norte-americanos derrubem as defesas aéreas russas – o que só conseguirão fazer se quiserem iniciar a 3ª Guerra Mundial, a aviação norte-americana terá de se manter fora dos céus sírios. E isso significa que (i) os russos terão implantado, basicamente, sua própria zona aérea de exclusão sobre a Síria, e que (ii) toda e qualquer ‘no fly zone’ dos EUA tornou-se empreitada impossível de concretizar.

Na sequência, o Kuznetsov terá, saindo do forno, um número de aeronaves (asas fixas e rotatórias) incluindo helicópteros 15-20 Ka-27 e Ka-52K, e 15-20 SU-33K e MiG-29K (acho que não se divulgaram números oficiais). O que os russos disseram foi que as aeronaves de asas fixas serão upgraded para poderem atacar alvos em solo. Fará alguma diferença? Talvez sim, marginalmente. Sem dúvida ajudará a lidar com o fluxo esperado de terroristas moderados vindos de Mosul (cortesia da operação dos EUA para encaminhá-los para a Síria), mas os russos podem simplesmente ter movido mais SU-25 ou até SU-34 para Khmeimin ou Irã, a custo muito mais baixo. Assim, em termos de asas, concordo integralmente com Mercouris – será mais ocasião para treino em condições de luta real, não alguma oportunidade para virar o jogo.

Conclusão

Esse deslocamento de forças é altamente não típico do que os russos sempre treinaram para fazer. Basicamente encontraram um meio para reforçar o contingente russo na Síria, especialmente contra o pesadelo da tal “no fly zone” de Hillary. Mas também é caso de extrair proveito da necessidade: a operação na Síria sempre foi distante demais da fronteira russa, e a força russa na Síria sempre foi pequena para sua tarefa. Além do mais, esse deslocamento não é sustentável no longo prazo, e os russos sabem disso. Conseguiram impor com sucesso sobre a Síria uma “zona aérea de exclusão de ianques” por tempo suficiente para que os sírios retomassem Aleppo, e para que os norte-americanos elegessem o próximo presidente.

Depois disso, ou a coisa melhorará dramaticamente (com Trump), ou piorará dramaticamente (com Hillary). De um modo ou de outro, a situação seguinte requererá dos russos estratégia completamente diferente.

The Saker

PS: Sei do anúncio semioficial dos russos, sobre planos para construir um moderno porta-aviões, provavelmente nuclear, com catapultas e tal. Valha o que valer o meu parecer, sou fortemente contra essa ideia, que me parece perdulária e sem qualquer conexão profunda com a doutrina russa de defesa. Mas a nova geração de submarinos russos (SSNs e SLBMs), essa, aplaudo de pé.*****

Nota do Editor do Blog DG: Saker é o pseudônimo de um analista de sistemas de Defesa e politica do leste europeu, cujos serviços foram, e ainda o são, aproveitados pelos órgãos de inteligência dos EUA. Aqui, faço repercutir a versão do seu texto publicado primeiramente pelo veículo Oriente Mídia, traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu, que foi por este editor mantido em sua integridade, tanto nos hiperlinks, quanto no uso dos negritos, havendo apenas pequeninas adaptações aos jargões militares, dado que o coletivo de tradutores, certamente, não tem o convívio necessário com tais termos. Por fim, fiz a opção da foto pelo Pyotr Velikiy,  pelo fato único de ser ele o elemento da frota de real peso.

MD Indiano: Negócio de torpedo Black Shark para a Marinha cancelado

Autor: Vivek Raghuvanshi

Tradução e Adaptação: Luiz Medeiros

Fonte em português: Plano Brasil 

Fonte original: Defense News

NOVA DÉLHI – Os planos para adquirir torpedos Black Shark para a Marinha Indiana pela WASS, uma subsidiária da Leonardo-Finmeccanica, foram cancelados na semana passada, um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou com a Defense News.

A decisão surge na sequência de acusações de corrupção envolvendo outra subsidiária da Italiana Leonardo-Finmeccanica, a AgustaWestland, e o partido político Congresso Nacional Indiano.

“A decisão foi tomada na semana passada e o processo de cancelamento está em andamento, e as alternativas estão sendo trabalhadas”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa Nitin Wakankar.

A Marinha buscou torpedos Black Shark para montá-los para os seis submarinos Scorpene que começam a ser introduzidos este ano.

Depois de cancelar um contrato de helicópteros com AgustaWestland em janeiro de 2014, o novo governo, após sua chegada ao poder em Maio de 2014, emitiu uma proibição parcial contra Leonardo-Finmeccanica e suas controladas. Contratos em curso continuaram, enquanto novos acordos foram proibidos.

Embora a licitação de mais de US$ 200 milhões para a compra de 98 torpedos Black Shark esteja agora cancelada, não houve nenhuma decisão sobre uma alternativa.

Nenhum funcionário Ministério da Defesa diria como a Marinha indiana vai adquirir os muito necessário torpedos. De acordo com o analista de defesa Nitin Mehta, a Marinha provavelmente vai lutar para se recuperar rapidamente do cancelamento.

O ministro da Defesa Indiano Manohar Parrikar disse que a empresa italiana será penalizada na Índia, na sequência de denúncias de que foram oferecidos subornos para ganhar um contrato € 560 milhões para helicópteros da Força Aérea da Índia em 2010.

MiG-29 KR realizam voos

Por: César A. Ferreira

Fato observado por periodistas russos do portal informativo Eysk.Info, dão conta de voos efetuados pelos novos caças navais russos MiG-29KR, que deverão substituir a dotação atual de caças Su-33 do porta-aviões Kuznetsov, normalmente alocado junto a Frota Norte, em Murmansk.

Três aeronaves foram vistas em voo, duas delas monoplances, com indicativos “32” azul, e “34” azul, e uma terceira, biplance, com indicativo “52” azul. Tendo sido observados junto ao aeroporto de Yeisk, acredita-se que estejam estes caças operando já em função de emprego de armamentos e treinamento de combate aéreo e que estes elementos avistados façam parte do recém-criado 100º Regimento de Aviação Naval de Combate.

MiG29KR
Mig-29 KR aproximando-se para pouso. Foto: internet.

Especula-se, se estas aeronaves já deverão compor, ou não, a dotação do porta-aviões Kuznetsov em sua viagem programada para o Mediterrâneo. Isto, por se considerar a nova aeronave superior àquela que visa substituir, o Su-33. Vale lembrar, que este modelo foi adotado pela Marinha Indiana, para compor o grupo naval responsável pela dotação do Porta-aviões Vikramaditya.

Beringov Proliv, vaso quebra – gelo da classe MPSV 06

Por: César A. Ferreira

Em um momento de tensões, onde a Europa acompanha a sanha de Washington em hostilizar a Rússia, deu-se, para o espanto de alguns e riso sardônicos de outros, o hastear do pavilhão eslavo no Quebra – Gelos Beringov Proliv, navio da classe MPSV06, construído na Alemanha pelo Nordic Yards Wismar GmbH (Estaleiro Nordic).  Estes quebra –  gelos fazem parte de um programa extenso da federação russa em equipar-se com uma frota renovada deste tipo de vaso, em vista das obrigações russas no tocante ao Ártico, que não são poucas.

O navio quebra-gelos Beringov Proliv (Estreito de Bering) é o segundo da classe MPSV06, e foi encomendado a um estaleiro estrangeiro, Estaleiro Nordic, no caso sediado na Alemanha, Wismar, algo que em virtude do estado de tensão política entre os membros da Europa Unida e a Rússia possui um significado tremendo. Talvez por isso, quando do hasteamento do pavilhão nacional (18.12.2015), contou-se com comitiva governamental de peso, esta composta pelo  Vice-Presidente do Governo da Federação da Rússia, Arkadiy Dvorkovich, do Governador das Ilhas Sakhalinas, Oleg Kozhemuako, do Ministro dos Transportes da Federação Russa, Maksim Sokolov, e do Deputado Victor Olersky. Nesta cerimônia houve a leitura de um cabograma do Presidente Wladimir Putin, onde este enfatizou que a construção, em tempo record desta unidade, em conjunto com uma terceira, Murman, representa um exemplo notável de cooperação entre fornecedores russos dos equipamentos elétricos, de resgate e navegação, com os estaleiros germânicos, contribuindo desta maneira para o reforço mútuo das relações entre empresas de ambos os países. e

A entrega oficial da embarcação ao cliente, Federação Russa, deu-se diretamente ao Ministério dos Transportes da Federação Russa, e não ao Ministério da Defesa, por ser tratar de um navio multipropósito, com função primária de salvamento/resgate. O primeiro navio da série, Spasatel Petr Gruzinski (Guarda Marinha Pedro Gruzinski),  foi construído na planta de estaleiros Amur, em Komsomolsk-on-Amur, Rússia; a terceira e a quarta embarcação desta classe ficaram a cargo Nordic Yards.

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Quebra-gelo com funções de salvamento e resgate, esta é a característica dos vasos da classe MPSV 06, da qual faz parte o Beringov Proliv. Observar os guindastes e o formato da popa. Foto: internet.

Dentre as características de classe está o nível de rompimento de gelo (classe 6), banquisas de até 1,5 metros, a disponibilidade de grandes guindastes, uma plataforma para helicópteros à vante do passadiço e uma câmara de descompressão para mergulhadores (mergulhos profundos, 300 metros). O navio dispõe, igualmente, da capacidade de operar sobmarinos remotos. Manobrável, conta com sistema bow thruster (duas hélices na proa) e eixos de propulsão azimutal. A embarcação é preparada para dar combate à incêndios, assistência médica (instalações hospitalares capazes de realizar cirurgias de emergência e reanimação), identificação e retirada de camada superficial de óleo no mar, busca e salvamento, além do reboque de embarcações, mesmo em condições adversas de mar. As atribuições destas embarcações estão listadas da seguinte maneira:

Operações de busca e salvamento; Apoio técnico em região de navegação perigosa (aúxílio à navegação em áreas de gelo); Auxílio às atividades marinhas de extração de Petróleo e Gás; Prestação de socorro médico em áreas sinistradas; Evacuação de áreas de risco (ilhas e embarcações abandonas e à deriva) e abrigo de náufragos resgatados; Reboque de embarcações, salvamento de náufragos, seres e objetos, no mar e/ou em banquisas de gelo; Salvamento de embarcações independente das condições de mar; Abertura de canais trafegáveis em portos congelados, quando das banquisas com espessuras de até 1,5 metros; Assistência em operações de mergulho, 60, 120 e 300 metros (dependendo dos equipamentos embarcados a bordo); Serviços técnicos subaquáticos; Limpeza de cascos; Levantamento de sub-solo marinho, observação direta e resgate de equipamentos até à profundidade de 3.000 metros; Combate ao fogo em embarcações e ao óleo em combustão na superfície.

Ao custo de 75.000.000 €, por unidade, os vasos de resgate da classe MPSV 06 deverão compor uma parte importante do dispositivo de segurança à navegação da Rota Norte. Esta rota, que encurta consideravelmente o tempo de transporte de cargas marítimas de centros exportadores asiáticos, China, Japão e Coréia do Sul, em direção aos mercados europeus, ganha ano, após ano, maior frequência de embarcações e como consequência óbvia um trafego marítimo mais intenso; como exemplo da importância desta denominada Rota Norte, temos a distância havida entre o porto russo de Murmansk, do seu equivalente japonês em Yokohama, através do Canal de Suez: 12.000 milhas náuticas, ou pouco mais de 22 mil quilômetros, aproximadamente. Este mesmo percurso, junto à Rota Norte resulta em 5.700 milhas náuticas, ou cerca de 10,5 mil quilômetros. O Beringov Proliv deverá ser designado para guarnecer o tráfego naval das Ilhas Sakhalinas e do extremo oriente.

Características gerais da classe MPSV 06:

Deslocamento: 5.217 tons.

Comprimento: 86 metros.

Boca: 19,1 metros.

Calado: 8,5 metros.

Espessura máxima de banquisas de gelo: 1,5 metros.

Propulsão: Diesel elétrica, acionada por dois eixos azimutais (2×3.500 kW).

Propusão auxiliar: Bow thruster (2x 1.4 MW).

Velocidade máxima: 15 nós.

Velocidade de cruzeiro: 11 nós.

Capacidade volumétrica de carga: 800 metros cúbicos.

Tripulação: 26 oficiais e marinheiros.

Técnicos e especialistas: 12.

Médicos: 2.

Sinistrados: 95 (náufragos, sobreviventes).