Um retrato da intervenção russa na Síria

Autor: Pedro Paulo Rezende

Fonte: Arsenal – Geopolítica e Defesa

É inegável o impacto da intervenção russa, aprovada pelo Parlamento em Moscou no dia 30 de setembro de 2015, na Guerra Civil da Síria. Quando o processo teve início, em 1º de outubro de 2015, o regime sírio de Bashar Al Assad, de caráter laico, controlava pouco mais de 25% do território do país. O Estado Islâmico da Síria e do Levante dominava cerca de 30% e o restante estava dividido entre 12 grupos do que o Ocidente batizou de “oposição democrática”, formado, em sua enorme maioria, por facções religiosas sunitas bancadas financeiramente pelas monarquias absolutistas do Golfo Pérsico e apoiados por uma coalizão chefiada pelos Estados Unidos.

Hoje, 29 meses depois, os últimos focos de resistência nas proximidades de Damasco, a capital, foram eliminados no dia 21 de maio. Graças a acordos entre governo e opositores, os rebeldes são transportados por ônibus para uma faixa de 20% do território mantida, junto às fronteiras iraquiana e turca, graças ao suporte militar de Washington. A presença norte-americana tornou-se ainda mais problemática com a recente intervenção ordenada pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, colocando em campos contrários os interesses de dois dos maiores integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Os focos de resistência opositores sob o alcance do regime sírio caem aos poucos em ações de cerco e o governo de Assad, legal e legítimo, controla a quase totalidade dos grandes centros econômicos do país.

É importante ressaltar que estes avanços ocorreram com o uso de forças extremamente limitadas. O contingente russo no país resume-se a 10 mil homens, a grande maioria, cerca de 8 mil, envolvido na proteção do porto de Tartus e do aeródromo de Khmeimim, bases que atuam no suprimento logístico e no suporte aéreo das operações militares.

Autossuficiência

Quando o processo de intervenção teve início, a pedido do governo sírio, os especialistas ocidentais garantiram que a Federação Russa não teria condições de manter o volume inicial de operações, devido às sanções econômicas determinadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia como punição pela reincorporação da Crimeia, ocorrida em 2015.

A avaliação não levou em conta o potencial industrial e agrícola herdado da União Soviética. O país, hoje, retomou o crescimento, caminha para a autossuficiência e apresenta um índice de desemprego de apenas 5%. Além disto, ao manter uma presença limitada no Levante, a Rússia diminuiu o impacto da intervenção militar em sua economia. Para isto, investiu na reconstrução do Exército Árabe da Síria.

O primeiro passo envolveu a reposição dos equipamentos perdidos durante as ofensivas mantidas pelo Exército Islâmico e pelos grupos rebeldes. Foram transportadas mais de 4.000 unidades, que totalizaram 1.608.000 toneladas de carga, por meio de 342 navios e 2.278 voos. Unidades russas de manutenção e reparação instalaram a infraestrutura necessária para apoiar, manter e corrigir deficiências ou mau funcionamento nos equipamentos em instalações na base aérea de Khmeimim e no porto de Tartus.

Para reconstruir o potencial combativo do Exército Árabe da Síria, a Rússia entregou sistemas de ponta, como os carros de combate T-90U — que resistiram a impactos diretos de mísseis antitanques ocidentais como o MILAN, francês, e o TOW norte-americano — e o lança-foguetes TOS-1A Buratino, que emprega munições termobáricas. Ao mesmo tempo, deslocou especialistas para servirem de consultores às unidades sírias. Hoje, os comandantes de brigadas do país árabe contam com apoio direto de oficiais russos que auxiliam, em tempo real, no processo de tomada de decisões. Para isto, dispõem do apoio de aeronaves remotamente pilotadas e com pequenas unidades das melhores forças especiais da inteligência russa, equivalentes aos SEALS da Marinha estadunidense, que trabalham de forma independente em campo.

Com estas medidas simples e de certa forma baratas, o governo sírio conseguiu retomar o moral para lançar novas ofensivas contando com apoio aéreo efetivo oferecido pela Força Aérea e pela Marinha da Federação Russa. É preciso ressaltar que a oposição conta com fluxo constante de material ocidental e de origem soviética. Em reportagem publicada pelo jornal búlgaro Trud, a jornalista Dilyana Gaytandzhieva comprovou, por meio de documentos, o envio de armas búlgaras, tchecas e romenas para os rebeldes usando 350 voos classificados como mala diplomática. O equipamento, segundo a documentação, teria como destino o Arsenal de Picatinny, nos Estados Unidos.

Outro ponto ajudou o processo de reconstrução do Exército Árabe da Síria: a atuação desastrosa da chamada “oposição democrática” nas áreas que manteve sob seu controle. A imposição da Lei Islâmica, a Sharia, com a imposição do uso de véu às mulheres, ações agressivas contra minorias religiosas muçulmanas (alauíta, sufi e xiita) e cristã, como assírios e coptas, terminaram por minar o apoio popular e por favorecer o fluxo de voluntários dispostos a lutar por Bashar Al Assad, mas é óbvio que o fator predominante para a virada na Síria foi a eficiência do apoio aéreo oferecido pelos russos.

Apoio Aéreo

Empregando aviões, helicópteros e mísseis de cruzeiro, cerca de 40 mil missões foram realizadas desde o início da intervenção. A lista de equipamentos testados é extremamente abrangente e envolve, praticamente, todos os modelos de aviões de combate empregados pela Força Aérea e pela Marinha da Federação Russa. Neste processo, 215 diferentes tipos de armamentos modernos e avançados foram empregados durante a operação, inclusive o novíssimo caça furtivo Sukhoi Su-57. Capacidades foram reveladas surpreendendo o Ocidente. Quando pequenas corvetas de 500 toneladas de deslocamento que operam no Mar Cáspio atingiram, com mísseis de cruzeiro Kalibr, alvos na Síria, a Marinha dos Estados Unidos retirou temporariamente seu porta-aviões do Golfo Pérsico.

A Marinha, empregando, além das pequenas corvetas, submarinos convencionais e fragatas, disparou mais de 100 Kalibr. Ela também executou missões a partir do porta-aviões Almirante Kuznestsov, as primeiras da história da Rússia, atingindo 1.252 alvos terroristas.

Um ponto importante, pouco destacado pela mídia ocidental, foi o emprego de aeronaves remotamente pilotadas. O jornal israelense Haaretz destacou em um artigo, publicado em 2016, que um aparelho de pequeno porte invadiu, durante 30 minutos, o território das Colinas de Golan. Para neutralizá-lo foram disparados dois mísseis Patriot de fabricação norte-americana, que falharam. Um caça F-16 decolou e tentou engajar o alvo, que realizou manobras de evasão, aparentemente com o uso de inteligência artificial, e retornou incólume ao território sírio.

A intervenção utilizou bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160 e Tu-22M3 armados com mísseis Kh-101; caças-bombardeiros Sukhoi Su-24, Su-30 e Su-34; aviões de ataque Su-25 e helicópteros de ataque Mil Mi-35, Mi-28 e Kamov Ka-52. O total de perdas, menos de dez aeronaves e cerca de 200 homens (incluindo combatentes de terra), foi reduzido diante do volume de operações envolvido.

As unidades russas também enfrentaram desafios novos. As forças de oposição usaram enxames de drones armados com pequenas bombas explosivas para atacarem Khmeimim e o porto de Tartus. Nenhum deles atingiu o alvo. De um total de 14, oito foram derrubados por mísseis PANTSIR S-2. Usando sistemas de interferência, a defesa tomou o controle de seis drones, capturando-os. Ao acessarem os dados, verificaram, com surpresa, que estavam programados para atingirem milimetricamente, com a ajuda de GPS, alvos valiosos, como aviões de combate, o que prova o envolvimento de potências estrangeiras.

Para evitar problemas como os enfrentados pela OTAN durante a invasão de Kosovo, quando os estoques de armas inteligentes da Coalizão praticamente se esgotaram, os pilotos russos treinam para usar armas convencionais com grande precisão. Este approach tem dado certo e o total de baixas colaterais se assemelha ao verificado em ataques com equipamentos guiados realizados pela Aliança Ocidental na Síria, uma prova de que o homem pode superar a máquina.

Nota do Editor do Blog DG:  Pedro Paulo Rezende é um veterano jornalista, especializado em Defesa e Geopolitica.

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Marinha do Brasil incorpora novos rebocadores de alto-mar

Por: César A. Ferreira

A Marinha do Brasil incorporou três novos rebocadores de alto-mar, designados pela força como Navios de Apoio Oceânico, na data de 9 de julho em cerimônia realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Os navios foram batizados como “Mearim”, “Iguatemi” e “Purus” e consistem em navios da classe AHTS (Anchor Handling Tug Supply) adquiridos em 2017 da empresa norueguesa Deep Sea Shipowing, então batizados como “Sea Stoat”, “Sea Vixen” e “Sea Fox”.

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G-151 “Iguatemi”. Fotografia: internet.

Pelas próprias características os navios são vocacionados para resgate, busca/salvamento e apoio logístico, consistem, portanto, de vetores valorosos para qualquer marinha.

Os Navios de Apoio Oceânico (NApOc) ganharam os seguintes designativos: G-150 (“Mearim”), 5º Distrito Naval; G-151 (“Iguatemi”), 4º Distrito Naval e G-152 (“Purus”), 1º Distrito Naval.

As embarcações foram revisadas e retrofitadas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, onde ganharam armamentos orgânicos na forma de reparos para duas metralhadoras 12,7mm (.50) e para duas metralhadoras 7,62mm, bem como uma máquina de reboque (com Bollard Pull) de 90 t.

Característica dos Navios de Apoio Oceânico:

Comprimento Total: 63,40 m;

Comprimento Entre Perpendiculares: 56,53 m;

Boca Moldada: 15,80 m;

Pontal: 6,80 m;

Deslocamento Carregado: 1.943 t;

Calado de Navegação: 5,5 m;

Velocidade Máxima:13,5 nós.

As “causas universais” contra o Estado Nacional

Por: André Araújo
Fonte: Jornal GGN

Foram os EUA que, ao fim da Primeira Guerra Mundial, inauguraram a Era das causas universais, contra a soberania dos Estados Nacionais, poupando desse combate seu próprio Estado.

Em artigo especifico sobre esse tema tratei do papel do Presidente Woodrow Wilson na propagação desse principio de “causas” contra “Estados”. Wilson foi o primeiro Presidente “politicamente correto” dos Estados Unidos e seu ativismo missionário foi um desastre completo de politica externa, podendo-se dizer que ele foi um dos que plantaram as sementes da Segunda Guerra através de seu idealismo tosco e tolo, sua visão fantasiosa da Historia e seu iluminismo mal colocado e mal aplicado. Wilson foi o grande maestro do Tratado de Versalhes, o pior acordo diplomático da História contemporânea, tão ruim que sequer o Congresso do seu próprio País o ratificou. Compare-se o Tratado de Versalhes de 1919, que durou formalmente 20 anos, mas efetivamente deixou de ser aplicado após 1933, portanto sua vigência real foi de 12 anos, após 1933 sua validade foi enfrentada pelo nazismo, com outro grande acordo histórico, a Paz de Viena de 1815, que durou 99 anos, obra de magistrais realistas da verdadeira politica, o Príncipe de Metternich e o Principe de Talleyrand, estadistas de berço e escol que sabiam operar a História e não viviam de ilusões moralistas.

As Causas e os Estados Nacionais

Uma “causa” moral é fundamentada na ética e seus ativistas a consideram acima da politica.

Para eles a causa tem um valor superior à noção de Estado e assim deve ser entendida e aplicada. Wilson, por exemplo, entendia que os “protocolos secretos” nos tratados diplomáticos não deveriam existir e que todos os artigos e disposições de um tratado deveriam ser revelados aos cidadãos. É uma grande estupidez, há inúmeros temas em negociações diplomáticas que devem permanecer secretos para sua própria eficácia.

Wilson abraçava a “causa da transparência”, uma virtude sempre benéfica para ele.

Wilson criou imensos problemas nas suas desastrosas intervenções na Conferência de Versalhes e a conta dessa fantasia explodiu em Setembro de 1939. A marca de ação de Wilson foi a prevalência das “causas” sobre o realismo politico, que Wilson considerava corrupto e imoral, ele achava que os europeus praticavam uma politica de safadezas e engodos resultante da decadência moral que vinha de longe enquanto que ele, Woodrow Wilson, representava a pureza dos peregrinos que formaram os Estados Unidos.

Por isso pode-se considerar Woodrow Wilson o pai da doutrina politica das causas universais que tem um valor superior às soberanias que, segundo Wilson, são a fonte do mal que levou à Grande Guerra de 1914. Conquanto a Doutrina Wilson possa ser considerada altruísta em termos filosóficos, ela sempre foi desligada da realidade geopolítica, e a tentativa de introdução de modelos não realistas produz resultados muito piores do que os pecados que visa extirpar, a luta pela causa produz mais males do que o mal primitivo.

O Estado Nacional e as suas Razões Não Morais

Desde a criação dos Estados Nacionais entre 1460 e 1610, esses entes aéticos usam de todos os instrumentos de poder à sua disposição, como usavam os nobres e senhores feudais antecessores dos Estados em suas intermináveis lutas por territórios e riquezas. Um Estado não sobrevive a partir de purezas e bondades neutras, contra o que há a razão de Estado.

Os Estados grandes usam a espionagem como instrumento de poder e essa ação na sua origem e pratica envolve largamente a corrupção pelo Estado, os espiões são subornados em beneficio de um Estado que geralmente não é o seu. Os Impérios foram formados em grande medida por compras de lealdades nos territórios a conquistar, assim a Inglaterra conquistou a India, o “Raj”, aliciando os marajás e rajás, foi mínima a ação militar no subcontinente, valia a adesão comprada e assim foi até a Independência em 1947, na China a influencia britânica no período entre a Guerra dos Boers e a fundação da Republica em 1911 foi financiada com venda de opio aos “warlords”, territórios e concessões eram compradas, como Hong Kong, como negocio, a área de soberania extra territorial de Shangai era a própria confissão da compra.

Em tempos modernos como encarar a soltura do maior chefe mafioso dos EUA, Lucky Luciano,(Salvatore Lucania) muito mais importante que Al Capone, cumprindo pena de 50 anos na penitenciaria de Sing Sing, a pedido da Inteligência Naval americana, para que o mafioso fosse um “batedor” na invasão da Sicília, pelas suas rede de ligações na sua terra natal. Como guia, Luciano pouparia vidas de soldados ao aliciar colaboradores por trás das linhas alemãs, servindo como “abre alas” das tropas do General Patton. Soltar Luciano era absolutamente imoral, mas RAZÕES DE ESTADO prevaleceram sobre a logica do sistema judiciário, um interesse maior de Estado se sobrepunha. Luciano prestou os serviços para os quais foi contratado pela Marinha e foi pago com a comutação da pena em 1948, assinada pelo Governador Dewey, de Nova York, com a condição de não mais voltar aos EUA. Luciano livre depois da Guerra teve ainda grande atividade criminosa como chefe de uma das cinco famílias e teve tempo para montar a grande rede de casinos em Cuba que controlou até a Revolução Castrista, morrendo de morte natural em Nápoles em 1962. O arranjo do Estado americano com Luciano foi absolutamente imoral e aético, mas prevaleceram as razões de Estado.

A Campanha Anti-Corrupção na América Latina

Um caso clássico do confronto entre “causas” e razões de Estado. Instala-se uma Associação Ibero Americana de Ministérios Públicos, declarando ser a união de 21 MPs de países do Continente e abre campanha internacional anti-corrupção, com aceitação de denuncias e troca de informações entre Ministérios Públicos. É um confronto absoluto entre “causas” e razões de Estado. Vamos ao exemplo da “reapolitik”. O Governo Brasileiro tem em um país vizinho um Chefe de Estado alinhado com os interesses do Estado Brasileiro. Esse Presidente dá preferencia a empreiteiras brasileiras para seu grande programa de obras publicas. O Estado brasileiro tem todo o interesse na permanência desse Presidente porque ele atende aos interesses do Brasil. Mas sai do Ministério Publico brasileiro documentação colaborativa que pode criar condições para um impeachment desse Presidente de pais vizinho por ter recebido doação de campanha de empreiteira brasileira. Para o Governo brasileiro a queda de um Presidente aliado vai contra os interesses do Estado brasileiro, essa “colaboração” do MP brasileiro com seus colegas do País vizinho vai contra as razões de Estado do Brasil, não pode acontecer porque o Brasil NADA GANHA com a queda desse Presidente, só perde e muito.

Essa seria uma situação de “realpolitik”, mas não está sendo operada pelo Brasil como Estado.

O MP brasileiro colaborou para derrubada ou desgate de Presidentes e políticos de países vizinhos e da África alinhados com os interesses do Estado brasileiro, grave erro de geopolítica.

O que o Brasil GANHOU em colaborar para a derrubada de políticos amigos? Absolutamente nada. Então porque fez? Porque o Estado brasileiro perdeu completamente o controle de sua projeção de poder geopolítico, permitindo o desgaste e, portanto, o enorme prejuízo de desmonte de posições politicas e econômicas em grande numero de países, conquistadas por suas empreiteiras e marqueteiros políticos operando em aliança para apoiar eleição de presidentes alinhados ao Brasil, um modelo engenhoso que foi implodido em nome da “causa’ universal anti-corrupção mas com enorme perda para os interesses estratégicos do Brasil.

Um Estado patrocina interesse nacional e não causas universais, que JAMAIS SÃO NEUTRAS, as causas servem como arma politica a todo tempo, não importa a intenção inicial de seus patrocinadores, causas podem atingir alvos imprevistos pelas suas boas intenções iniciais.

As causas “anti-corrupção” são as menos neutras entre todas porque seus efeitos POLITICOS são imediatos e concretos, mudam as peças do jogo do poder e com isso mudam o resultado da disputa politica no mundo real, o manejo dessa causa gera imenso poder politico, a causa nunca é neutra mesmo que essa seja a intenção de seus patrocinadores.

No Brasil os beneficiários dessa causa foram em larga medida os Estados Unidos e seu arco de interesses geopolíticos, financeiros e corporativos, o enfraquecimento da PETROBRAS se deu por causa da escandalização dos desvios e não por causa da corrupção, essa sempre existiu na Petrobras como em quase todas as estatais petrolíferas do mundo, mas essa falha moral já estava precificada pelos mercados. A super escandalização provocou ações de acionistas minoritários nos EUA e uma serie de multas e indenizações ainda não terminadas, esses processos custarão muito mais que as propinas, incluindo a colocação de monitores americanos do Departamento de Justiça dentro da Petrobras, a perda de independência da empresa é absoluta, para todos os efeitos práticos a Petrobras é governada de fora.

O pior resultado da campanha de “causas morais” foi a preparação de condições para duas grandes operações de desmonte do Estado e do sistema econômico brasileiro: a “privatização branca” da Petrobras pela venda de ativos sem licitação e contra a logica estratégica, provocando a DESINTEGRAÇÃO da petroleira, sendo a integração o padrão da concorrência e em segundo lugar venda de grandes blocos do PRE-SAL perdendo o Brasil a garantia de auto suficiência em petróleo, uma vez o petróleo extraído dos blocos vendidos pertencem a seus novos donos e poderá ser comercializado no mercado internacional, perdendo o Brasil sua garantia de abastecimento QUE ERA A RAZÃO DO PROJETO PRE SAL, desenvolvido desde o inicio pela técnica e esforço de pesquisa da Petrobras para suprir o Brasil de petróleo.

Ao lado desses prejuízos notórios há muitos outros. A quebra ou inviabilização de grandes construtoras e estaleiros, a transferência para o exterior de todas as encomendas de equipamento da Petrobras, na linha “preferencia pelo estrangeiro” em qualquer compra de qualquer natureza, toda uma visão esquizofrênica anti-brasileira e pro-estrangeiro DERIVADA DA IDEIA ANTI-CORRUPÇÃO cuja resultante foi a colocação de um notório privatista na sua presidência, como resposta à campanha de estigmatização da empresa.

Os Estados na lavagem de dinheiro

Grandes estados com interesse geopolítico global operam fundos encobertos para pagar operações especiais. A celebre operação IRÃ-CONTRAS no segundo Governo Reagan foi um complicado negocio envolvendo venda de armas ao Irã, que estava sob embargo resultante da invasão da Embaixada americana e o produto da venda destinado aos “contras”, milicianos que lutavam contra o domínio sandinista na Nicarágua, operação organizada pelo NSC, o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, toda a operação clandestina do começo ao fim, sem passar pelo orçamento dos EUA, mas sob controle da Casa Branca.

A invasão da Baia dos Porcos em 1961 em Cuba, foi financiada com dinheiro de origem mafiosa numa operação organizada pela CIA, invasão que fracassou. Os mafiosos americanos controlavam o jogo e a prostituição em Cuba e se aliaram a CIA para uma tentativa de retomada de Cuba, o Estado americano aliado a grupos criminosos como na Sicília em 1943.

Mas a maior operação de lavagem de dinheiro praticada pelo Governo americano foi o financiamento do Vaticano no final da Segunda Guerra e nas três décadas seguintes.

Com o conflito na Itália entre 1943 e 1945, no quadro maior da Segunda Guerra, o Estado do Vaticano perdeu sua renda imobiliária que mantinha sua estrutura, no final da guerra em maio de 1945 a Itália, especialmente no Norte, viu um grande crescimento do Partido Comunista Italiano, o maior do Ocidente. Os Estados Unidos se preocupavam com a hipótese da Itália cair sob domínio comunista e somente o prestigio da Igreja poderia enfrentar essa ameaça. Allen Dulles, então chefe do OSS, escritório antecessor da CIA, arquitetou com o Vaticano a criação do Partido Democrata Cristão, que se tornaria o maior da Itália e a barreira contra o crescimento do PCI. Para financiar esse projeto, a CIA montou um esquema de financiamento do Vaticano e deste para o Partido Democrata Cristão que começava na Arquidiocese de Chicago destinando doações para o Vaticano, os recursos na realidade vinham de fundos da CIA. Para operar o sistema foi criado o IOR-Instituto de Obras Religiosas, conhecido como o “Banco do Vaticano”, sob a direção do Arcebispo Marcinkus, da Arquidiocese de Chicago e foi esse o canal financeiro que construiu o partido que governou a Itália por boa parte da segunda metade do Século XX.

Outra operação com dinheiro de origem não oficial organizada pela CIA foi o financiamento da Organização Gehlen, um vasta rede de espionagem dentro da antiga URSS herdada do serviço de inteligência do Exercito alemão e chefiada pelo general do Terceiro Reich Reinhard Gehlen, com mais de 1.000 agentes operando na União Soviética. O financiamento vinha de fundos secretos da CIA, sem registro e durou por boa parte do período da Guerra Fria.

Operações com dinheiro encoberto foram usadas em larga escala na invasão e ocupação do Iraque pelos serviços de inteligência americanos, conforme já relatei aqui em artigos específicos quando foram usados intensamente bancos de Beiruth e tradings polonesas como dutos de recursos para pagamentos dentro do Iraque.

O desastre brasileiro no acordo de cooperação judiciária com os EUA

Um dos atos governamentais mais desastrosos da Historia brasileira foi a assinatura pelo governo FHC de um “acordo” judiciário com os EUA, em 2001. Pode-se dizer sem chance de erro que esse acordo é o ninho da cruzada moralista e por tabela a semente da liquidação da PETROBRAS e da alienação do pre-sal. O enfraquecimento da PETROBRAS, submetida a extorsões sob pretextos de prejuízo a acionistas americanos, infringência a leis americanas anti-corrupção e outras sangrias sem fim já na casa dos bilhões de dólares, mais a colocação de “monitores” americanos, indicados pelo Departamento de Justiça em Washington, DENTRO da Petrobras para controlar suas operações, tudo isso ocorreu com base nesse fatídico Acordo de 2001, guarda chuva da cruzada moralista anti-corrupção, na realidade uma operação de grande porte disfarçada de “causa” para submeter o Estado brasileiro sob o manto do moralismo aplicado à politica, um instrumento tóxico pelos danos que causa à força do Estado.

Ao levar documentos e provas contra a PETROBRAS ao Departamento de Justiça para que este processasse a PETROBRAS, ao permitir que promotores americanos viessem ao Brasil interrogar delatores brasileiros, INOMINAVEIS AGRESSÕES foram cometidas contra o Estado brasileiro, seus interesses estratégicos, seu patrimônio e seu projeto geopolítico natural.

O Brasil e sua população pagam hoje com desemprego e pagarão no futuro com imensa perda de riquezas e patrimônio nacional, a leviandade com que o Poder Executivo e o Congresso brasileiro sem qualquer escrutínio de interesse nacional aprovaram esse absurdo “Acordo” sem nenhuma logica em torno algum objetivo estratégico para o Estado brasileiro, Acordo onde só o Brasil gera benefícios aos EUA e de lá não vem beneficio algum ao Brasil, servindo de cobertura para intromissão de Washington em assuntos brasileiros sem que reciprocamente o Brasil possa fazer o mesmo, como se viu no caso dos pilotos do Legacy, onde o tal Acordo não serviu para nada porque ele não atua onde há interesse dos EUA.

O Acordo de 2001, assinado por Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer é na realidade uma operação de projeção de poder dos EUA, como foi a operação de salvamento financeiro do Vaticano ou o conjunto de operações que levaram à invasão do Iraque em 2003.

Seus frutos finais atingem a PETROBRAS e o pre-sal, entre muitos outros resultados.

A presença geopolítica do Brasil na África

De todos os grandes países com potencial de ação internacional, o Brasil é o mais natural parceiro da África, pela sua diversidade cultural, étnica, religiosa, pela facilidade de convívio de seu povo com outras culturas, o Brasil é especialmente bem recebido nos países africanos, o que de forma alguma acontece com nossos concorrentes na área, os chineses, indianos, malaios, povos étnicos, com culturas fechadas, que não convivem bem com outras culturas e povos, não estão acostumados como os brasileiros à mescla de civilizações e hábitos.

Os chineses são recebidos hoje na África por falta de opção, mas o Brasil tem vantagens únicas para atuar no campo de obras publicas e grandes projetos no continente africano.

Enquanto no canteiro de obras de empreiteiras brasileiras há jogos de futebol com os locais, todos participam e se confraternizam, nos canteiros chineses, turcos, indianos isso é praticamente impossível, não se misturam, tem hábitos e costumes fechados, não mudam, são guetos implantados, a comida tem que ser importada, não há LIGA com a população local.

Pela mesma razão forças armadas brasileiras são as preferida para as missões de paz da ONU, sãos as mais bem recebidas em qualquer lugar e por sua vez se sentem bem em todo lugar.

As Empresas “Braço Longo”

Os grandes países usam empresas como braços de projeção de poder, o mundo se acostumou a ver a Standard Oil, a Texaco, o City Bank, a Pan American, a IBM e a ITT como braços do governo dos EUA, funcionavam não só como empresas comerciais, mas tinham também papel diplomático, de espionagem, de penetração estratégica, a Inglaterra tinha essa relação com a Shell e a Unilever, a Alemanha com a Siemens, a França com a Schneider, a Rhodia e a Cegelec, a empresa estratégica do Brasil seria a Odebrecht, liquidada pela cruzada moralista, empresa que chegou a ter 10% do PIB de Angola e operações em 30 países, em alguns, como no Peru, era a maior construtora, o mesmo no Equador, Republica Dominicana, etc.

Na Segunda Guerra foi a hoje extinta Pan American Airways quem construiu os aeroportos que seriam as bases aéreas para a invasão da África do Norte pelo Exercito americano, atuando como braço longo do Governo dos EUA no Brasil.

Os grandes países expansionistas USAM essas empresas “LONG ARM”, braço longo do Estado, para pagar espiões, operações especiais, proteger aliados dentro dos países, financiar campanhas, providencia empregos e exílios, TODOS os grandes países operaram suas relações internacionais usando empresas “braços longos” como INSTRUMENTOS de sua politica externa para tarefas onde o próprio Estado não deve aparecer. A Texaco foi fundamental para a vitória de Franco na Guerra Civil Espanhola, fornecendo petróleo a credito ao Exercito nacionalista como braço longo do Departamento de Estado, a ITT foi fundamental na derrubada de Allende no Chile em 1973, a IBM ficou na Alemanha nazista até dezembro de 1941 como olhos do Departamento de Estado mesmo após dois anos de guerra na Europa.

O que fez o Brasil? Liquidou com suas empresas “ponta de lança” em nome da moral, pelo caminho liquidando os políticos que ajudaram as empresas e o Brasil em projetos brasileiros em seus países, que abriram as portas ao Brasil e seus negócios e interesses. Nenhum País faz isso, perseguir suas próprias empresas no exterior, são armas nossas, todos vestem a mesma camisa, se alguém quiser investiga-las que sejam os países prejudicados e não o pais sede da empresa, é algo tão absolutamente obvio que custa a crer tenha ocorrido com o Brasil,, onde empresas brasileiras são DENUNCIADAS por procuradores brasileiros aos seus colegas do pais anfitrião, mas com que interesse do Brasil? Não é possível descobrir. Não consta que o governo do EUA faça o mesmo com suas multinacionais no Brasil, ele as protege em qualquer circunstancia, aliás e uma das principais funções da diplomacia americana em todo o mundo.

Será historicamente incalculável o prejuízo do Brasil ao cortar a ação de suas empresas de engenharia no exterior em nome do moralismo, assim como foi uma tragédia para a diplomacia brasileira a queda de um Presidente do Peru, pais vizinho, estratégico e importantíssimo para o Brasil, por denuncias vindas do Brasil. O que ganhou o Brasil com a queda de Pedro Pablo Kuczinsky? Nada, mas perdeu projeção de poder no Peu pelos próximos 30 anos. Como é possível o Estado brasileiro ter permitido isso? Não há resposta.

As “Causas” como Armas da Política 

As causas morais de todos os tipos, humanitárias, ecológicas, anti-corrupção, de direitos humanos, religiosas, servem como ARMA POLITICA sob a capa da virtude.

Uma histórica grande “causa” usada como arma politica foi a das CRUZADAS, verdadeiras operações de saque e tomada de território sob a capa de “reconquista dos lugares santos”.

A partir da Era dos Descobrimentos e depois na Era das Colonizações a pregação religiosa foi usada largamente como aríete de conquista de terras e riquezas. A bandeira era a “conversão dos infiéis”, o alvo real era a pura e simples busca do ouro em todas suas formas.

Parece incrível que ainda hoje não se entenda o uso claro e a luz do dia de “causas” como peças do jogo politico e não da propagação da virtude e da pureza moral.

Através dos tempos, o resultado final das lutas por ‘CAUSAS”, tem tido um saldo desastroso.

O rescaldo dos destroços deixados por essas lutas custa muito caro na Historia. A LEI SECA Americana, assinada pelo Presidente Woodrow Wilson em 1919, o primeiro Presidente “politicamente correto” dos EUA, não reduziu o alcoolismo e ao criar o espaço para o contrabando de bebidas fez a fortuna e o poder da MAFIA no País, o saldo da CAUSA moral foi o pior possível, como costuma acontecer por toda Historia.

“Causas morais” não podem reger a politica de um grande Estado, é a lição da Historia.

Ao se intrometerem na POLITICA, causam imensos estragos, outra lição da Historia.

O ambiente da politica nacional e internacional NÃO é puro e nunca foi por toda a História conhecida, ao tentar purifica-lo matam-se os germes ruins e os bons juntos, no ambiente asséptico nasce um germe novo muito mais agressivo, a terceira lição da Historia.

Força Aérea Brasileira realiza treinamento inédito de guerra irregular

Por: Taciana Moury
Fonte: Diálogo Américas

O Exercício Operacional Tápio mobilizou 700 militares e 42 aeronaves durante 16 dias de treinamento.

A atividade inédita reuniu durante 16 dias, entre abril e maio de 2018, aproximadamente 700 militares pertencentes ao efetivo de 21 esquadrões aéreos diferentes. Foram empregadas no treinamento 42 aeronaves das diversas aviações da FAB: caça, asas rotativas, transporte, busca e salvamento (SAR, em inglês) e reconhecimento. Dentre elas, as aeronaves C-130 Hércules; C-105 Amazonas; SC-105 Amazonas SAR; C-95 Bandeirante; E-99; A-1 AMX; A-29 Super Tucano, além dos helicópteros H-36 Caracal; MI-35 AH-2 Sabre e H-60L Black Hawk. Juntos eles voaram cerca de 1.200 horas.

O exercício aconteceu na Ala 5, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, região centro-oeste do Brasil. Segundo o Coronel Aviador da FAB André Luiz Alves Ferreira, codiretor do exercício e chefe da Divisão de Controle do Preparo Operacional do Comando de Preparo (COMPREP), a escolha da unidade para sediar a primeira edição do Tápio não foi por acaso. “A Ala 5 é muito versátil e possui organizações capazes de realizar ações de busca e salvamento, defesa aérea, transporte aéreo logístico e atuações em operações especiais”, disse à Diálogo o Cel André Luiz. “Além disso, a região possui uma meteorologia muito favorável nessa época do ano e uma área geográfica com características adequadas à execução do exercício”.

O Cel André Luiz contou ainda que a atividade teve o objetivo de adestrar os esquadrões aéreos e as unidades de infantaria em ações combinadas. “O foco era realizar um amplo e racional treinamento, baseado num cenário de emprego realístico e atual. Caso a FAB, no futuro, venha a ser engajada em missões de paz da ONU, a capacitação será muito válida”, destacou.

Além dos militares da FAB, participaram do EXOP Tápio quatro membros do Exército Brasileiro e quatro da Marinha do Brasil. Os militares atuaram como guia aéreo avançado, ou seja, coordenadores de ataques aéreos a alvos de oportunidade em uma área definida. “Foi uma excelente oportunidade de execução de atividades conjuntas em aproveitamento a um exercício sob o controle da FAB”, revelou o Cel André Luiz.

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O resgate simulado de um tripulante em terreno hostil.  Foto: Segundo-Sargento Bruno Batista.

Missões aéreas compostas

Os esquadrões aéreos e unidades de infantaria participaram das mais importantes ações da Força Aérea. Foram realizadas missões de apoio aéreo aproximado, controle aéreo avançado, escolta, reconhecimento aéreo, infiltração e exfiltração aérea, SAR em combate, evacuação aeromédica, assalto aeroterrestre e defesa antiaérea, entre outras.

“Iniciamos com algumas orientações de cunho doutrinário, com vistas a massificar importantes conceitos operacionais voltados para os voos propriamente ditos. As atividades aéreas ocorreram a partir do segundo dia e, conforme o planejamento, a complexidade evoluiu gradualmente, até chegarmos aos voos em pacote, termo usado para designar as missões aéreas compostas (COMAO, em inglês)”, revelou o Cel André Luiz.

O Brigadeiro do Ar da FAB Augusto Cesar Abreu dos Santos, diretor do exercício e comandante da Ala 5, declarou à Agência Força Aérea que o grande benefício da Tápio foi a realização das COMAO. “São várias aeronaves, em torno de 20, que decolam juntas para cumprir determinados objetivos, e a coordenação é muito complexa e importante. Tivemos êxito em mais de 90 por cento dos cenários simulados que treinamos”.

Qualidade do treinamento beneficia esquadrões

“Um exercício que envolve 26 esquadrões atuando de forma conjunta não acontece rotineiramente, logo, as trocas de experiências e as lições aprendidas durante a execução das missões nos faz crescer operacionalmente”, avaliou o Tenente-Coronel Aviador da FAB Luciano Antônio Marchiorato Dobignies, comandante do Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação. “O exercício Tápio agregou avanços doutrinários e operacionais às unidades participantes”, complementou.

O Esquadrão Pelicano tem sua sede na Ala 5 e participou do EXOP Tápio com cerca de 100 militares, quase a totalidade do seu efetivo, que é de 130. A equipe realizou 384 missões, a maioria de SAR em combate, e de apoio aéreo aproximado, especialidades da unidade aérea. Destas, 17 missões foram realizadas pelo SC-105, aeronave configurada para missões de SAR. “Atuamos também na coordenação geral do exercício, principalmente no planejamento das missões SAR em combate e na atividade de atendimento pré-hospitalar tático realizada pelos homens de resgate”, explicou à Diálogo o Ten Cel. Marchiorato.

A função do Esquadrão Pelicano durante o Tápio era a de auxiliar no resgate de um tripulante abatido em território hostil e envolvia, geralmente, dois helicópteros tripulados por uma equipe responsável por fazer a abordagem e o atendimento à vítima e de duas a quatro aeronaves de asas rotativas, AH-2 Sabre, ou asas fixas, A-29, que realizavam a escolta dos helicópteros. “A decolagem das aeronaves acontecia de forma coordenada para que os helicópteros fossem constantemente protegidos das ameaças advindas do solo. O SC-105 mantinha-se alto para ficar longe do alcance das ameaças e realizava a atualização da situação geral do terreno e das condições do evasor por meio de sistemas eletro-ópticos, do radar e do sistema de localização de pessoal. A missão lograva êxito quando o evasor era resgatado e todas as aeronaves retornavam em segurança”, explicou o Ten Cel Marchiorato.

Objetivos atingidos

O Cel André Luiz avaliou que a primeira edição do treinamento atendeu prontamente os objetivos estipulados. “Massificamos a doutrina já concebida, adestramos os tripulantes em todas as ações de força aérea previstas e coletamos diversas lições que serão importantes para a execução dos exercícios futuros”.

Além do Tápio, o COMPREP planejou mais dois grandes exercícios operacionais de guerra convencional: o Tínia, idealizado para acontecer em um ambiente de execução terrestre, e o Caríbidis, num ambiente tático marítimo. “A ideia é a realização, a cada ano, de dois dentre esses três EXOP, que serão definidos de acordo com as intenções de comando, fruto da análise prévia quanto à prioridade e necessidade do adestramento”, finalizou o Cel André Luiz.

A ridícula farsa do assassinato que não houve

Por: César A. Ferreira

Pode-se dizer que as autoridades ucranianas dispensam a companhia de humoristas, pois elas mesmas fazem humor… E muito. Nesta quarta-feira a piada veio ao mundo na forma da aparição do “jornalista”, até então assassinado, Arkadiy Babchenko…

A história é a que segue: no dia 29 ultimo, o SBU forjou o “assassinato” de Arkadiy Babchenko, cujo corpo teria sido encontrado pela sua mulher, no apartamento, crivado de balas… Menos de vinte minutos depois uma intensa cobertura de mídia canonizava a suposta vítima, e hostilizava Moscou, apontada como a mandante do assassinato. O mundo inteiro comprou a versão ucraniana que culpava Putin e a Rússia inteira pelo caso… E assim se deu com mensagens solidárias ao morto e hostil aos russos, dos Repórteres Sem Fronteira à BBC…

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A imagem da farsa de Arkadiy Babchenko e do SBU: o sangue provavelmente é molho de tomate. Imagem: Central European News.

Pois bem… Arkadiy Babchenko apareceu no dia 30, vivo, serelepe e pampeiro, com cara de parvo, que talvez lhe seja natural, ladeado pelo Chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia, Ce pelo Procurador Geral,  Yury Lutsenko. A piada de mau gosto foi justificada como uma maneira de evitar que Arkadiy Babchenko viesse a ser eliminado por profissional, que segundo a SBU deveria receber US$ 30.000,00 pelo serviço. Desnecessário dizer que a versão ucraniana passou a carecer de crédito após o país inteiro ter sido feito de bobo pela mídia local, que realizou uma maratona de entrevistas e matérias sobre a vítima, pessoa sem qualquer brilho pessoal até então. O interessante, todavia, foi ver a ginástica intelectual de repórteres e colunistas europeus e norte-americanos em vista da farsa quando revelada. Frank Gardner, correspondente da BBC afirmou ter sido um “engano” que turvaria o caso Skripal... Não se vê em Gardner a indignação natural de ter sido feito de palhaço. Ah! Se fossem os russos…

Os russos, por óbvio, irão tirar proveito desta trapalhada e acusar outra, desta vez britânica, no caso Skripal, afinal, pessoas que nada sabem sobre agente de nervos podem comprar o fato de que existem vitimas que se recuperam em um hospital após expostas a um gás mais poderoso que o agente de nervos VX, mas, que conhece sobre o assunto sabe que ninguém exposto a um agente desta natureza sobreviveria… A farsa britânica não é tão grotesca, é mais elaborada e blindada pela mídia ocidental, mas ainda assim é uma farsa.

 

Ucrânia: derrotas e recriminações

Por: César A. Ferreira

Para o governo ucraniano os mortos são desaparecidos.

Dezenas de combatentes ucranianos mortos no conflito do Donbass não são reconhecidos como tais pelo governo de Kiev, sendo por este, taxados simplesmente de “desaparecidos”… Esta classificação possui um ingrediente cruel para as famílias dos soldados vitimados, dado que quando classificados como desaparecidos não permite a legislação vigente na Ucrânia a concessão de pensão aos familiares. Em outras palavras, o executivo ucraniano vale-se de um preciosismo legal para sonegar aos familiares um direito legítimo, o que em última instância demonstra o caráter daqueles que governam o pai frente àqueles que tributam em sangue pela pretensa honra ucraniana.

Estes mortos encontraram o seu destino na última ofensiva empreendida pelas forças ucranianas na área do distrito de Gorlovka, nas datas de 20 e 21 de maio último, ofensiva esta que já no dia 22 havia sido paralisada pelas ações contraofensivas das milícias do Donbass. Verificou-se, como sempre, a incompetência e o pouco empenho das formações ucranianas em contraste com as ações aguerridas dos milicianos. Deu-se que membros de forças de reconhecimento viram-se, para grande espanto destes, confinados em uma vasta área minada na terra de ninguém, e ao solicitarem apoio atraíram fogo para estes e a eles. A planejada ofensiva foi revelada, resultando no comprometimento prematuro dos infantes, bem como dos blindados e da artilharia autopropulsada… A 1º Batalhão da 24ª Brigada de Infantaria Mecanizada, que conta com oito carros blindados e quatro obuses autopropulsados, foram monitorados desde a sua concentração na localidade de Dzerzhinsk o que motivou a sua confrontação, resultando primeiro na paralisação das ações e depois no retraimento sob fogo.

Além do grupo precursor que incrivelmente não havia mapeado o campo minado e enviado sapadores para limparem trilhas para incursões, outros três grupos precursores tiveram a mesma sorte madrasta. Isto revela um problema sério de doutrina e adestramento nas armas ucranianas. O fracasso da ofensiva em Gorlovka resultou nos costumeiros bombardeios de artilharia nas áreas civis, após o retraimento apressado das formações para a localidade de Dzerzhinsk, com consequente minagem emergencial dos campos no entorno desta localidade, o que em si revela certo grau de pânico, se não nas formações, ao menos no comando.

Após a derrota as recriminações. Duas formações táticas deveriam se lançar para pressionar as formações milicianas na forma de uma pinça. Seriam as formações táticas “Leste” e “Norte”. O Comandante da operação, Tenente-General Sergei Naev eximiu-se de responsabilidades e criticou fortemente o comandante do braço “Norte”, enquanto poupava o comando do braço “Leste”. É interessante notar que o comandante da ala “Leste” da operação, A. Krasnok, é diretamente supervisionado pelo serviço de segurança da Ucrânia, tendo como serviço anterior comando de formações divisionais mal afamado batalhão “Azov” da Guarda Nacional Ucraniana. De fato, investigação conduzida às ordens do Chefe de Gabinete das Forças Armadas da Ucrânia, General de Exército Viktor Muzhenko, constatou conflito entre as formações militares e aquelas que respondiam à SBU (Sluzhba Bezpeky Ukrayiny – Serviço de Segurança da Ucrânia), além disto, a má disciplina, consumo inveterado de álcool e condutas criminosas foram observadas nas formações, especialmente na 36ª Brigada de Fuzileiros Navais, cujo comandante foi apontado como dotado de extrema fraqueza moral e incapaz de executar as suas obrigações como oficial.

O General de Exército Viktor Muzhenko tem muito que lamentar… A operação que resultou em mais um desastre, algo em torno de 31 mortos e 40 feridos com gravidade, pode parecer algo em escala pequena para muitos, mas se tratava obviamente de uma operação escalonada. O objetivo estratégico perseguido por Kiev é interromper o trafego logístico entre Lugansk e Donetsk. O foco para separar os dois distritos rebeldes é a localidade de Debaltsevo, centro logístico de importância fulcral. Para tanto, a posso de Gorlovka torna-se chave para que sejam efetuadas operações contra Debaltsevo e Enakievo. O fracasso da operação, frente ao assentamento de Chigary, é a parte mais dolorosa para Kiev, visto contar com Carros de Combate e blindados BMP e onde ao menos uma dezena de combatentes encontrou o seu destino final, mas que para o governo de Kiev estão apenas… Desaparecidos.

An-26 abatido

Ucranianos vão tirar foto nos destroços da AN-26
Restos do Antonov An-26 abatido em Izvarino. Moradores locais demonstram a sua curiosidade. Imagem: Dominique Faget/AFP Photo.

Uma aeronave de transporte militar, Antonov (An-26), pertencente às armas ucranianas, foi abatida por milicianos da República Popular de Lugansk, quando sobrevoava o território desta na altura da localidade de Izvarino, assentamento urbano nos arredores de Lugansk. Não foi informado qual foi o meio antiaéreo empregado, todavia, relatam-se 20 fatalidades decorrentes do ato.

Moradores de Izvarino relataram ao menos três paraquedas desfraldados no ar, todavia nã relataram o encontro de nenhum tripulante sobrevivente. Os destroços da aeronave chamaram atenção destes mesmos moradores, que pegaram partes metálicas do avião como recordação. A ação antiaérea se deu por volta das 12:30 do dia 28 último, horário local.

Em vista dos acontecimentos, onde se constata, mais uma vez, incompetência crassa, leniência e compadrio, entendem-se, pois, os motivos do Estado Ucraniano recusar reconhecer as dezenas de mortos desta operação fracassada, impondo às famílias, além da dor da perda dos seus entes queridos, nenhum vintém pela morte dos seus arrimos. Muito há o que esconder nesta guerra cruel e insana, movida por motivos ideológicos torpes. A população do Donbass sangra, enquanto a população da Ucrânia pasta sem perspectiva alguma de melhora de vida, imersa numa contínua crise econômica e social. Parabéns à Maidan.

Nota do Editor: artigo realizado com materiais advindos das agências Voenkor, Southfront, AFP, News Front, Prensa Latina e de contribuições de correspondentes locais.

A Petrobras é a raiz do golpe

Por: André Araújo
Fonte: Jornal GGN

Não há nenhuma grande petrolífera estatal à venda no mundo e elas são 13 das 20 maiores empresas globais de petróleo. Especialmente não há nenhuma estatal petroleira à venda com grandes reservas de petróleo. É muito menos há estatais à venda com reservas de petróleo no Hemisfério Ocidental.

Nesse sentido a Petrobrás é única. Não só tem as reservas como tem os meios de extrai-la já prontos, ganha-se três anos que levaria para explorar um campo virgem. Nesse quadro a Petrobrás é o objetivo estratégico numero 1 na área de petróleo, especialmente com a elevação do nível de conflitos no Oriente Médio. Nada melhor que um governo frágil para permitir a execução desse projeto de privatização que já começou com a venda de ativos estratégicos da empresa, como oleodutos e a BR Distribuidora, já se anuncia a venda de refinarias, uma empresa em liquidação, a venda final será do pré-sal.

A assunção do grupo Temer ao poder só foi possível com o aval do “mercado”. O preço foi a entrega da totalidade da área econômica a delegados do mercado, Meirelles e Goldfajn na linha de frente, Paulo Pedrosa no Ministério de Minas e Energia, Maria Silvia no BNDES, Wilson Ferreira na Eletrobrás.

Mas a base ideológica do golpe foi o compromisso das privatizações dos dois maiores ativos do Estado brasileiro, a Eletrobrás, prometida à venda por 12 bilhões de Reais para ativos físicos que valem 400 bilhões de Reais e a Petrobrás , que vale só pelas suas reservas 350 bilhões de dólares, sem considerar o valor do mercado brasileiro do qual ela é a única fornecedora (até Parente abrir a importação para concorrentes), mais as refinarias, oleodutos, navios, enormes bases de distribuição, tancagem, apesar de boa parte desses bons ativos terem sido vendidos com sofreguidão pela desastrosa gestão Parente.

Uma das bases dessa gestão foi a lenda da Petrobrás quebrada, que já mostramos aqui em dois artigos, pura lenda, a Petrobrás lançou seis emissões de bônus no período de dois anos antes da gestão Parente, o mercado internacional fez ofertas para compra de três a cinco vezes mais que a oferta, houve inclusive uma emissão de CEM ANOS de prazo, também com demanda muito maior que a oferta, o que jamais ocorreria com uma empresa que mesmo remotamente estivesse com problemas financeiros. Essas emissões tiveram como líderes mega bancos internacionais como J.P. Morgan, Deutsche Bank  e Morgan Stanley, que jamais patrocinariam emissão de bônus em dólar de uma companhia quebrada.

Esses dois ativos, Eletrobrás e Petrobrás valem dez golpes., especialmente com preços de fim de feira, especialidade de gestão tipo Pedro Parente.

A paralisação dos caminhoneiros

Vejo nesse movimento uma amplitude muito maior do que o preço do diesel. Atraves da Historia os grandes movimentos populares tem como gatilho uma questão menor mas além do fato detonador há um pano de fundo muito maior. Neste caso há de forma subjacente a neutralização da candidatura Lula, a paralisia da economia para atender o interesse dos bancos e rentistas, as carências antigas de moradia, saneamento, educação e saúde que este governo nem sequer tocou porque seu programa é apenas atender ao mercado que lhe deu respaldo para assumir o poder e no caminho obter algumas vantagens, o resto não interessa.

Nesse pano de fundo também está o mau cheiro do projeto de privatização da Petrobrás.

Muitas vezes os próprios personagens do movimento não tem consciência de suas preocupações mais amplas, mas elas existem, caminhoneiros são trabalhadores precarizados,

sofridos, arriscam a vida literalmente todos os dias em acidentes e assaltos, depois de paga a prestação do caminhão resta pouco para levar para casa, é uma classe fundamental para o funcionamento do Pais, mal reconhecida, sem nenhuma assistência do Estado e agora desprezada de forma cruel e insensível pela desastrosa gestão da Petrobrás.

A demissão de Pedro Parente seria uma obvia mensagem de paz do Governo aos caminhoneiros, não creio que o movimento cesse sem esse gesto, Parente tornou-se o símbolo de tudo que os caminhoneiros consideram como agressão a sua sobrevivência e sua permanência no cargo, sendo ele o pai da politica de dolarização do preço do diesel, traz enormes e razoáveis desconfianças aos caminhoneiros. Parente mostrou-se um executivo ideológico, insensível, teimoso na sua ideologia que serve somente e exclusivamente ao mercado, ele não está interessado na sobrevivência dos caminhoneiros e estes percebem isso.

Executivos ideológicos ao fim do dia são pobres intelectualmente, são tipos menores, inadaptáveis às circunstancias, Parente tem esse e outros vários defeitos de origem, dois dos mais salientes e ser tucano de carteirinha, foi Chefe da Casa Civil de FHC e ser do grupo dos “neoliberais cariocas”, um grupo único cujo DNA remoto vem de Eugenio Gudin, fundador dos cursos de economia no Brasil e Ministro da Fazenda do desastroso governo Dutra, que achava que o Brasil não deveria ter indústria, já estava muito bom exportar café e algodão.

Os caminhoneiros estão desmontando o grande alvo do “projeto Petrobrás”, que era a privatização para o qual Pedro Parente está preparando o terreno, dolarizando os preços dos combustíveis, uma insanidade porque o Brasil produz 2,3 milhões de barris/dia para um consumo de 2,6 milhões de barris dia, então o Brasil é auto-suficiente em matéria prima petróleo para 88,5% do consumo, só precisa importar 11,5%, do ponto de vista comercial não há nenhuma logica em dolarizar os preços e referencia-los no mercado spot de Rotterdam. Mas a dolarização tem toda logica se for para atender aos acionistas americanos da Petrobrás, a dolarização dos preços é uma lógica para os acionistas estrangeiros, a quem Pedro Parente serve com exclusividade e entusiasmo, ele está no cargo para isso.

O papel de Pedro Parente

Esse executivo de almanaque, que anda com crachá até para ir ao banheiro, tem cara, perfil e histórico de “organization man”, aquele tipo de executivo que subiu na vida seguindo as regras fanaticamente. Não espere desses tipos nenhuma criatividade, capacidade de enxergar longe, visão eclética, sensibilidade das circunstancias. É o tipo do executivo que não serve para a Petrobrás se a ideia for de uma companhia estratégica para o Brasil e seu povo.

Mas Parente não está no cargo para servir ao Pais, sua missão é atender ao “mercado”, ai representado pelos acionistas estrangeiros da Petrobrás é a estes que Parente atende.

Para que a companhia possa dar o melhor tratamento a esses acionistas especialmente os fundos americanos tipo Black Rock, hoje os maiores acionistas da Petrobrás depois da União, Parente dolarizou a Petrobras, por isso o preço do diesel é referenciado pelo dólar, é para atender os fundos americanos acionistas, não é para agradar caminhoneiro.

O governo Temer

A delegação de plenos poderes a Pedro Parente tem como substrato ser ele o delegado do mercado financeiro na Petrobrás, ele não trabalha para o Estado brasileiro, que ele odeia, ele trabalha para o mercado financeiro americano de onde ele veio e para onde ele provavelmente vai voltar. O conglomerado Bunge para o qual ele trabalhava antes de ir para a Petrobras tem sede em White Plains, New Jersey, perto de Nova York. O sinistro grupo Bunge esteve por trás do golpe de 1976 que implantou o governo militar em Buenos Aires, levando ao sequestro dos irmãos Jorge e Juan Born pelos Montoneros.

O grupo Bunge, cuja base era a Argentina mas com raízes no Seculo XIX em Antuérpia na Belgica, então conhecido como grupo Bunge & Born, por causa de sua péssima imagem que restou na Argentina mudou sua sede primeiro para São Paulo nos anos 80 (onde construiu o Centro Empresarial na Marginal Pinheiros, um imenso conjunto de edifícios). Bunge & Born, uma das quatro irmãs do trigo, um grupo tenebroso há mais de 100 anos, é a alma mater atual de Pedro Parente.

A submissão do Governo Temer a Pedro Parente na Petrobras não tem nada de pessoal, é fruto de um grande acordo que avalizou a derrubada do Governo Dilma, por isso Parente parece firme na Petrobrás (até quando ?), sustentado pelo Grupo Globo, as globetes a frente, Miriam Leitão é hoje a Leoa de Chácara de Parente e até a então elogiada Natuza Nery pulou para esse lado do muro, defendendo a Petrobrax New York inimiga da PETROLEO BRASILEIRO S.A. criada por Getúlio para dar independência de petróleo ao Brasil.

È bom não esquecer o laço que liga Pedro Parente ao Governo FHC, o mesmo governo que colocou a frente da Petrobrás tipos vindos do mercado financeiro como Francisco Gros, do Morgan Stanley que não tinha nada a ver com petróleo mas tudo a ver com a Bolsa de Nova York, um estrangeiro nato que falava português com sotaque, o francês Henri Phelippe Reichstul e para fechar a caravana o publicitário Alexandre Machado que criou o nome Petrobrax como preparação para a privatização, desde sempre o projeto neoliberal carioca para a Petrobrás era o sonho do “Grupo do Real”, Arida, Bacha, Franco, sempre quiseram vender a Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil, até hoje dão entrevistas para isso.

Não houve condições políticas e tempo para o grupo tucano carioca vender o controle da Petrobrás, mas eles prepararam o terreno, abrindo o capital para estrangeiros e listando a companhia na Bolsa de Nova York, era um importante etapa para em seguida vender o controle porque já haveria uma referencia de preço dada pela cotação na Bolsa de Nova York, a Petrobrás não ganhou nada com essa listagem, só teve prejuízos.

Com a queda do Governo Dilma o “mercado”, via neoliberais cariocas que como abelhas infestam o governo Temer, viu uma oportunidade única para privatizar a Eletrobrás e a Petrobrás, não contavam com acidentes de percurso que podem acontecer.

O grande suporte do “projeto Petrobrás”, como em todos os projetos anti-brasileiros é o Grupo GLOBO, que desesperadamente tenta segurar Pedro Parente exibindo-o como o melhor executivo do planeta, um medíocre que não teve a sensibilidade de perceber e antecipar a esse movimento dos caminhoneiros que é de sua lavra.

 

A Petrobrás não é padaria

Por: Ricardo Maranhão

Fonte: AEPT – Associação de Engenheiros da Petrobrás.

Procurando justificar a política de preços para os derivados de petróleo, adotada por sua administração, que implica na paridade com preços internacionais, o atual presidente da Petrobrás, fez, tempos atrás, comparação esdrúxula do petróleo com o trigo. Deu explicação simplória, reducionista: quando os preços do trigo sobem no exterior, é necessário reajustar o valor do pão.

A afirmação pode convencer incautos, cidadãos desavisados, consumidores desinformados.

Na realidade esta política de preços, de orientação entreguista, está prejudicando não apenas a revenda constituída por milhares de empresários brasileiros, segmento fundamental de nossa economia, mas, também, milhões de consumidores. A Petrobrás e a economia do país, também são sacrificadas.

Os preços elevados desgastam a imagem da Petrobrás. A quase totalidade da população não sabe que a Companhia recebe menos de 25% do valor pago pelo consumidor, que inclui mais de 50% de tributos. Ocorrem, em todo o país, justos protestos contra esta política, com bloqueios nas estradas, greves de caminhoneiros, cercos às bases de distribuição da Petrobrás. 

Aponto alguns aspectos negativos desta política, que somente favorece as grandes distribuidoras privadas, importadores de derivados e fornecedores estrangeiros, notadamente os norte-americanos. Cerca de 82% das importações brasileiras de diesel são provenientes dos Estados Unidos. Por isto o Corpo Técnico da Petrobrás classifica esta política como “America First”.

Em 2017 foram nada menos de 127 alterações nos preços nas refinarias, desorganizando o mercado, confundindo revendedores e consumidores. As distribuidoras se aproveitam das freqüentes mudanças de preços para aumentar seus lucros, com prejuízos para a revenda.

Esta política, todos sabem, é uma velha aspiração das companhias multinacionais, que desejam globalizar os preços do petróleo, derivados e gás natural, desconsiderando as peculiaridades de cada país; Será razoável submeter os consumidores e a economia brasileira aos preços internacionais, sabidamente voláteis, sensíveis a fatores múltiplos sobre os quais não temos qualquer controle?

Por que preços internacionais, se não temos salários, renda per capita, IDH nivelados aos dos países ricos? O que tem o consumidor brasileiro a ver com as tensões no Oriente Médio, os furacões no Caribe e nos USA, as disputas internas na Arábia Saudita, as bravatas e escaramuças do presidente Trump com o líder norte coreano? Temos, no Brasil, invernos severos, nevascas, temperaturas de até 50 graus negativos? Devemos punir os consumidores brasileiros pelas elevações de preços decorrentes de crescimentos sazonais da demanda?

O Brasil é um grande produtor de petróleo, a custos inferiores aos vigentes no mercado internacional e pode se aproveitar deste fato, dando competitividade à sua economia, beneficiando os consumidores e remunerando, adequadamente, a Petrobrás e demais agentes da cadeia; Preços muito elevados da energia – e o petróleo é a maior fonte de energia primária no Brasil – tiram a competitividade da economia brasileira, já tão sacrificada, por juros extorsivos, pesada carga tributária, graves deficiências de logística dentre outros inconvenientes. Ademais, reduzem a demanda, já impactada negativamente por forte recessão.

Decorrido pouco mais de um ano desta política, insensata e impatriótica, o que vemos é a maciça importação de diesel e gasolina, combinada com o absurdo, ainda maior, de uma ociosidade de mais de 25% no parque de refino nacional; Além disso as exportações de óleo cru dispararam, deixando o país de se beneficiar com o valor agregado proporcionado pelo refino.

No período de janeiro a novembro de 2017, as importações de gasolina e as de diesel explodiram, chegando ao absurdo de mais de 200 milhões de barris, nível jamais alcançado, nem mesmo quando nossa economia apresentava bom desempenho. Esta brincadeira de mau gosto custou ao país, nos últimos doze meses pelo menos uns US$ 8,00 bilhões em importações.  Sendo o revendedor o último elo de uma cadeia que inclui, também, importadores, refinadores, formuladores, transportadores e distribuidoras, ele é, ainda, acusado de ser o vilão desta política, ditada pelos que hoje comandam a Petrobrás. Os dados da ANP mostram que os preços da gasolina aumentaram 9,40% em 2017, quatro vezes mais do que a inflação (2,07% pelo INPC). No GLP, produto de amplo consumo pela população mais pobre, o sacrifício é ainda maior, traduzido em uma majoração superior a 16,30%, já descontada a inflação. A maior majoração dos últimos 15 anos.

É hora de rever esta insensata política, sem prejudicar a Petrobrás – e isto é possível – em benefício de nossa economia.

Autor: Ricardo Maranhão, Engenheiro e Conselheiro da Associação dos Engenheiros da Petrobrás e do Clube de Engenharia.

Nota do editor do blog Debate Geopolítico: pode parecer estranho para alguns que um espaço dedicado aos assuntos provindos do exterior venha a tratar de uma crise interna, mas políticas externas não independem do quadro político interno de uma nação, na verdade se entrelaçam e interdependem. O quadro atual de colapso de abastecimento devido a paralisação advinda dos transportadores rodoviários, fruto de uma greve de caminhoneiros autônomos com locaute dos empresários do ramo de logística rodoviária, provém em última instância da política posta em prática por Michel Temer assim que assenhorou-se no poder, que é a de alinhamento automático com os interesses financeiros de Wall Street e com os desígnios de Washington. É neste contexto que se insere uma política atrelada a flutuação do preço internacional de derivados, que resultou no aumento de 56% no espaço de 12 meses para o óleo diesel, cuja produção interna, já deficitária quando plena, registrou neste mesmo período de tempo ociosidade de 25%, enquanto a importação oriunda dos EUA ganhou 82% do mercado nacional. Ou seja, não refinamos o que podemos em moeda nacional,para importar dos EUA aquilo que consumimos em moeda de referência, jogando os custos da flutuação desta nos ombros do consumidor brasileiro. Este desatino, devo lembrar, iniciou-se com o atual mandatário, que foi alçado ao governo sem apoio popular, do qual, diga-se, muito carece.

A Rússia apresenta o seu próprio míssil “Carrier Killer”, e este é mais perigoso que o da China

Como o Kh-47M2 pode alterar drasticamente o equilíbrio de poder no Pacífico.

Por:  Abraham Ait 

Fonte:  The Diplomat (12 de maio de 2018).

O míssil balístico “matador de Porta-Aviões” da China, o DF-21D, ganhou manchetes desde que entrou em serviço, em 2010, por sua capacidade de destruir grandes navios de guerra dos EUA até 1.450 quilômetros de distância das costas do país. O míssil foi fundamental para alterar o equilíbrio de poder nos mares do Sul e do Leste da China a favor de Pequim e expandiu vastamente a zona marítima de negação / defesa de área (A2 / AD) do país em face da crescente presença naval americana. A Marinha dos Estados Unidos, pela  admissão do Instituto Naval dos EUA não tinha defesa contra tais ataques, e o míssil limita a capacidade dos Estados Unidos de responder a uma crise potencial no Estreito de Taiwan, como ocorreu em 1996. Embora o DF-21D seja um sistema de armas único e altamente formidável, um novo sistema de armas implantado a partir de 2018 é susceptível de representar uma ameaça muito maior para os navios de guerra dos EUA no Pacífico – o novo míssil hipersônico Kh-47M2 Kinzhal das forças armadas russas.

O Kinzhal (Adaga) foi revelado pessoalmente pelo presidente russo, Vladimir Putin, em março de 2018, como uma das seis novas armas hipersônicas que entrariam em serviço nas forças armadas russas. Enquanto outras plataformas hipersônicas, caso do Sarmat ((ICBMS: míssil balístico intercontinental) e da ogiva (veículo de entrada hipersônico de precisão) Avangard, que foram projetados unicamente para cumprir um  papel estratégico de ataque nuclear, o que faz com que o Kinzhal se destaque é a sua capacidade de ser usado como uma plataforma de ataque tático com uma ogiva não nuclear – o que equivale dizer que ele faz dos campos de batalha um cenário para ataques de precisão contra alvos militares. Embora o Kinzhal possa carregar uma ogiva nuclear para um papel de ataque estratégico, o que o torna verdadeiramente inestimável é sua capacidade de cumprir um papel tático de caçar navios em escalas extremas – possivelmente melhor do que qualquer outra plataforma de mísseis de longo alcance atualmente em serviço em outros lugares.

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MiG-31K portando o míssil “Khinzal”. Foto: internet.

A ogiva de Kinzhal é estimada entre 500 e 700 kg, uma carga útil formidável, embora seja bem inferior à do DF-21D chinês. O que diferencia o Kinzhal, no entanto, e o torna um caçador de navios verdadeiramente letal é sua combinação de precisão, alcance e velocidade de impacto hipersônica, acima de Mach 5. Mesmo sem ogiva, a energia cinética desse impacto seria suficiente para colocar fora de combate se não destruir, completamente, até mesmo o maior dos navios de guerra. Alguma indicação de seu poder pode ser obtida examinando o míssil de cruzeiro anti-navio BrahMos, russo-indiano, uma plataforma restrita a velocidades de Mach 2.8 e dotado de uma ogiva com 250 kg, que foi desenvolvida para destruir navios grandes, cortando-os pela metade com a pura força do seu impacto em alta velocidade – e apesar da falta de velocidades hipersônicas, provou-se capaz de fazê-lo. A partir disso, pode-se inferir que o Kinzhal (é capaz de fazer).

De acordo com o vice-ministro da Defesa da Rússia, Yuriy Borisov, os militares já modificaram dez interceptadores MiG-31 para portar os mísseis ar-mar Kinzhal desde março. O oficial afirmou sobre as capacidades da arma: “Esta é uma classe de armas de precisão que tem uma ogiva multifuncional capaz de atacar alvos estacionários e em movimento… (Isto) decola no ar, acelera a uma certa velocidade em alta altitude, e então o míssil inicia seu próprio movimento autônomo”. Ele enfatizou a importância de uma alta velocidade de impacto para o desenho de Kinzhal, e ainda afirmou que o o míssil foi projetado para “manobrar durante o vôo e contornar zonas perigosas contendo sistemas de defesa antiaéreos ou antimísseis (…)”.

Várias figuras-chaves militares dos Estados Unidos observaram após a revelação russa dos seus novos mísseis hipersônicos, que os Estados Unidos atualmente não possuem capacidade de interceptar ataques em tão alta velocidade, estando o Comandante Estratégico, John Hyten, afirmado  durante uma reunião do Comitê de Serviços das Armas do Senado que os sistemas de defesa aérea dos EUA permanecem totalmente incapazes de impedir ataques por plataformas hipersônicas. De fato, de acordo com vários relatos de fontes norte-americanas, algumas das mais avançadas plataformas militares de defesa aérea lutaram e falharam recentemente em Interceptar até mesmo os ataques de mísseis subsônicos como o Scud B, um projeto primitivo que data de mais de 50 anos. Isso tem sérias implicações não apenas para o continente americano diante dos novos ICBMs russos, mas também para a Marinha dos EUA, que poderia ver seus destróieres e transportadores (Porta-Aviões) afundados pelas novas plataformas de ataque Kinzhal de maneira extrema em caso de conflito.

Embora a Rússia tenha pouca necessidade de mísseis anti-navios de longo alcance em suas fronteiras ocidentais, onde as distâncias marítimas estão relativamente confinadas (por imperativo geográfico), a implantação do Kinzhal no Extremo Oriente do país teria implicações significativas para o equilíbrio de poder no Pacífico. Com o interceptor MiG-31 mantendo um raio de combate de 1.500 km, a Força Aérea Russa seria capaz de atingir navios de guerra dos EUA a até 3.500 km de distância de suas costas. Deveriam combater com aeronaves desdobradas, próximas de Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, a sua área de ataque cobriria todo o Mar da China Oriental e grande parte do Mar da China Meridional, até as Filipinas e incluindo toda a região marítima contestada reivindicada pela China e sujeita à liberdade dos EUA com as suas patrulhas de navegação. As implicações são realmente severas e poderiam muito bem fortalecer seriamente a posição de Moscou no Pacífico. Se a Rússia visar negar aos recursos navais dos Estados Unidos e dos seus aliados, negando o acesso aos mares do sul e do leste da China, seja para ajudar Pequim, ou por suas próprias razões, teria uma arma à sua disposição mais capaz de fazê-lo do que aquelas que possuem, atualmente, as mãos chinesas. Moscou poderia alavancar esse ativo para ganhar influência considerável no Pacífico, o que pode mais do que compensar a relativa escassez dos seus recursos militares na região.

O Kinzhal ainda pode usurpar o título de “matador de Porta-Aviões” do Pacífico e facilitar o objetivo russo/chinês de reduzir a influência e a presença militar do bloco ocidental no Pacífico, deixando a frota de superfície dos EUA efetivamente indefesa – minando o incontestado domínio naval dos EUA, que tem sido o alicerce da ordem regional desde 1945.Quanto a Moscou é altamente provável que venha alavancar este formidável ativo para a sua vantagem no futuro.

Abraham Ait é um analista militar especializado em segurança na Ásia-Pacífico e no papel do poder aéreo na guerra moderna. Ele é editor-chefe da  Military Watch Magazine ..

A integridade desapareceu do ocidente

Por:  Paul Craig Roberts

Entre os líderes políticos ocidentais não há nem um pouco de integridade ou moralidade. A mídia impressa e televisiva ocidental é desonesta e corrupta além do reparo. No entanto, o governo russo persiste em sua fantasia de “trabalhar com parceiros ocidentais da Rússia”. A única maneira pela qual a Rússia pode trabalhar com vigaristas é se tornar um bandido. É isso que o governo russo quer?

Finian Cunningham observa o absurdo no tumulto político e midiático sobre Trump (tardiamente) telefonando a Putin para parabenizá-lo por sua reeleição com 77% dos votos, uma demonstração de aprovação pública que nenhum líder político ocidental conseguiria alcançar. O enlouquecido senador pelo Arizona (McCain) chamou a pessoa com o maior voto majoritário do nosso tempo de “um ditador”. No entanto, o autocrata da Arábia Saudita é festejado na Casa Branca e bajulado pelo presidente dos Estados Unidos.

Os políticos e assessores de imprensa do Ocidente estão moralmente indignados com um suposto envenenamento, sem o apoio de qualquer evidência, de um ex-espião sem importância por ordem do próprio presidente da Rússia. Esses insultos insanos lançados contra o líder da nação militar mais poderosa do mundo – e a Rússia é uma nação, ao contrário dos países ocidentais heterogêneos – aumentam as chances do Armagedom nuclear além dos riscos durante a Guerra Fria do século XX. Os tolos insanos que fazem essas acusações sem base mostram total desrespeito por toda a vida na Terra. No entanto, eles se consideram o sal da terra, como pessoas “excepcionais e indispensáveis”.

Pense no suposto envenenamento de Skripal pela Rússia. O que isso pode ser diferente de um esforço orquestrado para demonizar o presidente da Rússia? Como pode o Ocidente ficar tão indignado com a morte de um ex-agente duplo, isto é, uma pessoa enganosa, e completamente indiferente aos milhões de povos destruídos pelo Ocidente somente no século 21? Onde está o ultraje entre os povos ocidentais sobre as mortes massivas pelas quais o Ocidente, atuando através de seu agente saudita, é responsável no Iêmen? Onde está o ultraje ocidental entre os povos ocidentais sobre as mortes na Síria? As mortes na Líbia, na Somália, no Paquistão, na Ucrânia, no Afeganistão? Onde está a indignação no Ocidente em relação à constante interferência ocidental nos assuntos internos de outros países? Quantas vezes Washington derrubou um governo democraticamente eleito em Honduras e reinstalou um fantoche de Washington?

A corrupção no Ocidente se estende além dos políticos, dos assessores de imprensa e de um público despreocupado para os especialistas. Quando a ridícula Condoleeza Rice, assessora de segurança nacional do presidente George W. Bush, falou das armas de destruição em massa inexistentes de Saddam Hussein, que enviavam uma nuvem nuclear sobre uma cidade americana, os especialistas não riram dela na tribuna. A chance de qualquer evento desse tipo era precisamente zero e todo especialista sabia disso, mas os especialistas corruptos seguraram suas línguas. Se eles falassem a verdade, eles sabiam que não apareceriam à TV, não receberiam subvenção do governo, estariam fora da disputa para uma nomeação governamental. Então eles aceitaram a mentira absurda projetada para justificar uma invasão americana que destruiu um país.

Este é o Ocidente. Não há nada além de mentiras e indiferença às mortes de outros. A única indignação é orquestrada e dirigida contra seus alvos: o Taleban, Saddam Hussein, Gaddafi, Irã, Assad, Rússia e Putin, e contra os líderes reformistas na América Latina. Os alvos da indignação ocidental são sempre aqueles que agem independentemente de Washington ou que não são mais úteis para os propósitos de Washington.

A qualidade das pessoas nos governos ocidentais entrou em colapso e atingiu o fundo do poço. Os britânicos na verdade têm uma pessoa, Boris Johnson, como secretário do Exterior, que é tão depreciativo que um ex-embaixador britânico não tem escrúpulos em chamá-lo de mentiroso categórico. O laboratório britânico Porton Down, ao contrário da alegação de Johnson, não identificou o agente associado ao ataque à Skripal como um agente “novichok” russo. Note também que se o laboratório britânico fosse capaz de identificar um agente “novichok”, ele também teria a capacidade de produzi-lo, uma capacidade que muitos países têm, já que as fórmulas foram publicadas anos atrás em um livro.

Que o envenenamento por “novichok” de Skripal é uma orquestração é óbvio. No minuto em que o evento ocorreu, a história estava pronta. Sem evidência, o governo britânico e a mídia da imprensa estavam gritando “os russos fizeram isso”. Não contentes com isso, Boris Johnson gritou “Putin fez isso”. Para institucionalizar o medo e o ódio da Rússia à consciência britânica, na escola britânica as crianças estão aprendendo que Putin é como Hitler.

Orquestrações tão flagrantes demonstram que os governos ocidentais não respeitam a inteligência de seus povos. Que os governos ocidentais se safam dessas mentiras fantásticas indica que os governos são imunes à responsabilidade. Mesmo que a prestação de contas fosse possível, não há sinal de que os povos ocidentais sejam capazes de responsabilizar seus governos. Enquanto Washington leva o mundo à guerra nuclear, onde estão os protestos? O único protesto é a lavagem cerebral em crianças em idade escolar protestando contra a Associação Nacional de Rifles e a Segunda Emenda.

A democracia ocidental é uma farsa. Considere a Catalunha. O povo votou pela independência e foi denunciado por fazê-lo por políticos europeus. O governo espanhol invadiu a Catalunha alegando que o referendo popular, no qual as pessoas expressavam sua opinião sobre o próprio futuro, era ilegal. Líderes catalães estão na prisão aguardando julgamento, exceto por Carles Puigdemont, que escapou para a Bélgica. Agora, a Alemanha o capturou quando retornou da Finlândia para a Bélgica, onde lecionou na Universidade de Helsinque e o mantém preso por um governo espanhol que se parece mais com Francisco Franco do que com a democracia. A própria União Europeia é uma conspiração contra a democracia.

O sucesso da propaganda ocidental em criar virtudes inexistentes é o maior sucesso de relações públicas da história.

 

Fonte: Institute For Political Economy

Foi revelado para Israel quem é o principal ator da região

O fim da hegemonia de Israel – perdeu um avião no céu sobre a Síria e apelou para Moscou para a salvação dos iranianos.

Autor: Pokrovsky, Alexander

Fonte: Tsargrad. Tv

Tradução: Alexey Thomas Filho

Não, Israel não perdeu fisicamente. A perda de uma aeronave é desagradável, mas não é um absurdo. Tel Aviv tem muitos deles… Israel perdeu moralmente.

Aproximadamente, é possível descrever não tanto os aspectos militares quanto o quadro psicológico/ militar que se desenvolveu no Oriente Médio após este fim de semana. Tal imagem poderia ser chamada geopsicológica, por analogia com geopolítica, quando, em termos formais, nada mudou no confronto dos lados em guerra, mas a imagem psicológica desse confronto tornou-se fundamentalmente diferente.

Batalha aérea no céu sobre a Síria

O que aconteceu? De acordo com o exército israelense, eles interceptaram na noite de sábado um drone iraniano que alegadamente invadiu o espaço aéreo de Israel no território da Síria.

Aqui, deve-se notar,  entre aspas, que a Síria não tem uma “fronteira comum” com Israel. Os limites são divididos pelas Colinas de Golan – território ocupado por Israel, que foi proclamado como seu, unilateralmente, mas reconhecido pelo mundo inteiro como território da Síria ocupado por Israel.

Também se deve notar que a Síria, adjacente ao Golan Heights, ocupada por Israel, acolhe vários grupos hostis a Damasco, incluindo a organização IG / IGIL (EI – Estado Islâmico), proibida na Rússia e no mundo pelo terrorismo. Todos eles estão sob controle óbvio e sob a capa protetora de Israel, que repetidamente bombardeou as forças do governo de Damasco, impedindo que os terroristas eliminados das áreas que ocuparam nas províncias de Deraa e Kuneitra.

Portanto, os drones iranianos não poderiam invadir o território de Israel. Muito provavelmente – embora os iranianos geralmente neguem a sua existência -, o aparelho estava realizando o reconhecimento das posições do IG (EI – Estado Islâmico), contra  o qual o grupo Hezbollah, que está sob o controle do Irã e do governo sírio – aliado ao legítimo governo sírio, está conduzindo uma luta irreconciliável.

Israel, de acordo com sua própria versão, realizou um ataque de “retaliação”, derrubando drones e atacando os “alvos iranianos” na Síria. É desta maneira que é denominada a base T4 “Tiyas” perto de Palmyra – 300 km adentro no território sírio. Foguetes (mísseis balísticos táticos) foram também dispados contra baterias antiaéreas na proximidade de de Damasco, que são considerados alvos “iranianos” por Israel…

Isso aconteceu muitas vezes, como se diz em Jerusalém, mais de uma vez. Parece ser formalmente, o suficiente, mas na verdade, até então, a fraca defesa aérea da Síria não tinha como resistir aos atos aéreos israelenses por um longo período de tempo. E até mesmo quando um caso relativamente recente, onde supostamente uma ave migratória danificou o super-moderno e super-implacável F-35 israelense, o comando judaico não se atentou (alertou-se).

Mas desta vez, deu-se o inesperado, uma verdadeira “resposta” séria chegou: as forças de defesa aérea da Síria lançaram vários mísseis contra as aeronaves israelenses. Como resultado, um F-16 foi derrubado e caiu no território de Israel. Os pilotos ejetaram, mas um deles veio a falecer em função dos ferimentos sofridos.  Além disso, os sírios anunciaram que atingiram e danificaram outras aeronaves de Israel, mas, aqui o fator Oriente entra em jogo e como é sabido, é praticamente impossível estabelecer de fora alguma confirmação que seja. Israel, em qualquer caso, silencia-se sobre este assunto – o que, no entanto, também pode ser explicado pelo mesmo fator Oriente.

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Destroços do F-16I Sufa abatido. Imagem: Reuters.

Quanto ao que exatamente “desbancou” os pilotos também diferem em versões.  De acordo com uma fonte, estes eram mísseis do complexo S-200, de acordo com outras, um dos mísseis do sistema “Pantsir-S1”, que foram transferidos recentemente para o exército sírio. Figuram, também, o sistema “BuK” como um dos heróis dos eventos. Alguns até indicam o S-400, mas isto é, na opinião geral dos observadores militares, improvável. Não no espírito, não no costume e não nos interesses. A menos que os capitães da defesa aérea síria Al-Ekseya. Mas, sem tal força maior, estava na ordem das coisas.

De qualquer forma, os restos de mísseis do S-200 foram encontrados no território da Jordânia e do “BuK” – no vale Bekaa no Líbano.

Um hooligan desdentado apelou para a polícia

Não, inicialmente caindo no estado de “anestesia” advinda da reação inesperadamente eficaz, Israel entrou em colapso nervoso encetando poderosos ataques às posições da defesa aérea síria e iraniana (na Síria). Os subúrbios ocidentais de Damasco foram submetidos a bombardeios. O resultado das invasões (três, de acordo com fontes locais) é novamente contraditório, mas, segundo alguns relatórios, outro vetor israelense foi abatido – helicóptero de ataque “Apache”. A autenticidade da mensagem é a mesma do leste.

Imediatamente, um alarme foi disparado em Israel, os habitantes do Golã foram enviados para abrigos, as decolagens e o desembarque de civis foram suspensos no aeroporto internacional Ben Gurion. Esta é uma evidência clara de que, em primeiro lugar, Tel Aviv, considerou seriamente a possibilidade de uma maior escalada das hostilidades, tanto contra a Síria como contra o Irã. A propósito, de acordo com os analistas, independentemente das ações concretas no futuro próximo, as partes se tornaram, em qualquer caso, em um ponto de inflexão histórica. Ou seja, o caminho para a perda da supremacia incondicional dos judeus no ar (excluindo o fator da Rússia, é claro) e o fortalecimento adicional da defesa aérea árabe e persa, significa, a retomada desta mesma dominação pela exclusão.

Em qualquer caso, do “voo” do “corvo” que danificou o F-35, ao realmente abatido F-16 passou-se um intervalo bastante rápido – alguns meses. E se os sírios – e, portanto, os iranianos – vierem a fechar completamente seus céus ao inimigo, significará uma mudança tectônica nas forças de todo o Oriente Médio. E caso os EUA não possam evitar que os seus aliados no Golfo comprem os sistemas S-400 da Rússia, então a configuração de todo o puzzle de energia na região poderá ser reformatada radicalmente.

Alguns analistas acreditam que, após o incidente atual, os americanos serão mais difíceis de jogar com as sanções: se o S-200, originários da década de 1960 abatem os F-16, o que o S-400 poderia fazer com os aviões israelenses?

É muito provável que em Israel, calculou-se muito rapidamente as consequências, em longo prazo, da atual batalha nos céus da Síria. Porque o “hooligan” decidiu reclamar à “polícia” sobre o comportamento ofensivo da vítima pretendida.

Em outras palavras, Israel se voltou para a… Rússia! Com um pedido para intervir e prevenir a escalada da “violência“. “Israel contatou os funcionários em Moscou com um pedido para transmitir a mensagem à Síria e ao Irã que, apesar de ter dado um poderoso golpe em resposta ao incidente com o drone, ele não está interessado em agravar a violência no futuro”, informou o jornal Times, com referências as fontes diplomáticas de Israel.

Claro, havia outras vozes. Conhecida por seus links com os círculos militares e de inteligência, o portal DEBKAfile acena com os punhos: “os mísseis de defesa aérea sírios que atingiram o F-16 israelense no sábado, 10 de fevereiro, fazem parte de um sistema administrado pelos russos a partir de sua base aérea Khmeimim”.

Bem, como você gostaria? Vamos questionar-lhes: o que você faz no céu da Síria, que tem um acordo de cooperação com a Rússia, incluindo o militar? Sim, vamos adicionar: por que, de fato, você está defendendo os bandidos ISIS (EI – Estado Islâmico) perto das Colinas de Golan, enquanto perde os vetores aéreos?

De qualquer maneira, o apelo a Moscou se deu. E a partir disto não houve continuação de ataques contra as posições das forças iranianas na Síria. E o Irã engrandeceu-se, muito. Não só anunciou que “a era dos ataques israelenses impunes na Síria terminou”, mas também prometeu que “as portas do inferno se abrirão sobre Israel”.

O mediador para a resolução da situação, àquele para o qual se apela para que a luta não chegue ao extremo, por padrão geral tem por escolha, Moscou. Tornou-se para todos no Oriente Médio uma espécie de policial militar.

Nota do Editor do Blog Debate Geopolítico: Ainda está nebuloso, no tocante aos vetores empregados contra o F-16I (Sufa), mas os debris, ou seja, partes do booster de um S-125 (Pechora) foram encontrados em solo libanês, além de partes de um vetor do sistema S-200. Alega a defesa antiaérea síria que os vetores 57E6 do sistema Pantsyr-S1 abateram vários mísseis táticos lançados contra alvos militares e civis em território sírio. As alegações da defesa aérea síria compreendem além do F-16I Sufa, abatido, outro F-16, um F-15I e um AH-64 “Apache”. Israel nega tais alegações e reconhece a perda do único F-16, pelo fato simples de que não é possível negar os destroços fumegantes ao lado de uma rodovia, aos olhos de todos e dos respectivos celulares.

Iron Dome: entre falhas e acertos

Por: César A. Ferreira

É natural uma nação ter orgulho das suas realizações e que se dê ao exagero quando dá publicidade das capacidades presentes nestas mesmas realizações, principalmente se estas provêm do campo militar. Algumas nações exageram demasia e entre estas se encontra Israel e o seu sistema antimísseis “Iron Dome”… O sistema possui como vetor o míssil Tamir e está destinado a dar conta de munições no seu trajeto terminal. O alcance efetivo do vetor é curto, cerca de 10 km, adequado a sua função de defesa crítica de último nível. Até aqui, tudo bem. O que não está bem, como bem já demonstrou o diário israelense Haaretz, é a alegada taxa de sucesso do sistema, apontada como de 90% segundo o fabricante, a Rafael Advanced Defense System, dado que a informação de 90% de interceptações com sucesso é fornecida como usual em ambiente de fogo saturado. Somam-se a isto as declarações jamais confirmadas de que o sistema foi responsável por 400 abates de ogivas inimigas, disparadas pelo grupo Hamas contra concentrações habitacionais de Israel. Pois, pois…

As sirenes “Tseva HelI” soaram e os vetores de interceptação foram lançados bloqueando o ataque de foguetes realizado pelos resistentes palestinos da Faixa de Gaza em direção ao aglomerado habitacional de Kafar Aze. A cidade mostra danos de monta em edifícios cuja causa foram os foguetes lançados pelos resistentes palestinos. A comunicação oficial é de que não houve casualidades em função do ataque palestino e que os ataques dirigidos aos assentamentos de Shaar Hanegev e Sdot Negev foram rechaçados, não houve alusão aos danos em Kafar Aze…

O fato é que não existe e jamais existirá percentual absoluto de sucesso em qualquer sistema antimíssil, e que a taxa de sucesso dependerá de quão saturado estará este mesmo sistema defensivo. Agora, caro leitor, transporte isto para um sistema ABM e você terá a resposta da sanidade de quem deposita confiança total em tais sistemas, que deverão ser os alegados escudos contra ataques nucleares…

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Pantsyr S1 em ação. Imagem: Site Defesa Aérea & Naval.

Patsyr S-1 testado mais uma vez em combate

Desenvolvido para prover proteção de camada de último nível para formações militares terrestres da Federação Russa, o sistema Pantsyr S1, que conta como vetor principal o míssil 57E6, contou mais de uma vez com sucesso pleno em interceptar foguetes lançados contra a base aérea russa na Síria, Khemeimin. No dia 27 de dezembro este sistema teria dado conta de foguetes disparados contra a base desdobrada de Bdama, na província de Idlib, quando dois foguetes foram abatidos, conforme informa a senhora Maria Zakharova, oficial representante do Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.

As armas utilizadas pelos terroristas são foguetes de saturação de área pertencentes ao sistema “Grad”. Proveniente da Bulgária, são obtidos pelos terroristas em áreas dominadas pelos EUA na Síria, cujo serviço de inteligência abastece os extremistas com propósito óbvio de manter a desestabilização da Síria como nação.

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S-400 na neve. Imagem: internet.

S-400

Enquanto isso outro sistema é notícia, o S-400… A Turquia e a Federação Russa acertaram como meio de pagamento a moeda nacional desta última, o Rublo. Desta maneira evita-se o rastreio do envio do montante pelo sistema bancário internacional caso este fosse efetivado via USD, bem como qualque3r restrição advinda, como sequestro, ou bloqueio de crédito ou do valor propriamente dito. A Rússia financiará em sua moeda nacional a venda deste sistema e deverá ser ressarcida na sua própria moeda nacional evidenciando desta maneira uma fuga do dólar como meio internacional de pagamentos. Um detalhe desta negociação é que a Turquia poderá compensar os russos com moeda de terceiros países, que vale dizer com o Yuan/Renmibi como referência.

Nota do Editor: ABM – Anti Ballistic Missile.

Entre o liberalismo e o entreguismo

A julgar pelo tom de mistério e opacidade dos grandes meios e comunicação, até parece que sociedade brasileira teria sido pega de surpresa com a divulgação do estágio bastante avançado das negociações envolvendo as direções das empresas Embraer e Boeing.

Por: Paulo Kliass

Fonte: Portal Vermelho

Como se sabe, a Embraer foi formalmente fundada em 1969, sob o formato de uma sociedade de economia mista federal. Na verdade, antes mesmo de sua formalização como empresa estatal, já havia em etapa de desenvolvimento um projeto de construção de aeronaves brasileiras. Esse movimento vinha sob o impulso de conhecimento e tecnologia desenvolvidos no âmbito do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeroespacial (DCTA) e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), ambos organismos militares baseados em São José dos Campos (SP).

No entanto, há pouco mais de 23 anos, em 8 de dezembro de 1994, a empresa foi privatizada a preço de banana. O consórcio vencedor do leilão pagou o equivalente a R$ 154 milhões e a liquidação se deu com base em títulos financeiros chamados à época de moedas podres. Os compradores adquiriram a empresa por um valor muito menor, uma vez que tratava-se de papéis emitidos por órgãos do governo federal e que eram negociados por valores muito abaixo de seu valor de face. O valor atual do patrimônio da empresa é próximo a R$ 12 bilhões.

Embraer: presente de Natal para a Boeing?

As informações divulgadas pelos meios financeiros dão conta de interesse da gigante mundial Boeing em se fundir à Embraer. Mais do que uma fusão, o resultado será uma deglutição. Caso se concretize, esse passo significará a perda total de controle sobre as decisões estratégicas da empresa brasileira. Enfim, na verdade seria uma etapa a mais no aprofundamento do processo iniciado há mais de 2 décadas, uma vez que após a privatização o grupo deixou de obedecer aos interesses de um projeto nacional de desenvolvimento. As opções empresariais da Embraer após 1994 passaram a obedecer estritamente aos interesses dos acionistas privados e à lógica de maximização do retorno sobre o estoque de capital. Mas havia um limite dado à entrada do capital internacional da aeronáutica na empresa brasileira.

É importante compreender que a Embraer não é um caso isolado. Ao longo das últimas décadas o Brasil tem assistido passivamente ao ingresso crescente do capital estrangeiro em um conjunto extenso de setores de nossa economia. Assim foi com a entrada expressiva dos fundos financeiros internacionais na aquisição de controle majoritário de empreendimentos educacionais, em especial no ensino universitário. O processo iniciado à época dos governos FHC se manteve como tendência durante os mandatos de Lula e Dilma.

Outro setor que tem sido objeto de interesse e aquisição por parte dos grupos internacionais é o da saúde. Aqui também houve uma estratégica flexibilização na legislação promovida em 2015, por meio da Lei 13.097. Até então havia uma proibição e algumas limitações ao ingresso de capital estrangeiro nas atividades do setor. Mas a lei sancionada por Dilma liberou geral e ofereceu a segurança jurídica aos investidores internacionais.

Educação, saúde, eletricidade, petróleo, terras agrícolas etc.

Outro motivo de júbilo dos liberais radicais foi a decisão de Temer de oferecer o ingresso sem limites do capital internacional na aquisição de terras em território nacional. O governo pretende se empenhar na aprovação de um Projeto de Lei que libera os limites atualmente existentes para esse tipo de propriedade nas mãos de estrangeiros. A intenção é agradar os interesses dos grupos vinculados ao agronegócio e ampliar o leque de alternativas de investimento com elevada rentabilidade aos grupos financeiros internacionais.

A participação de capitais chineses nos leilões de privatização e concessão das diversas áreas de infraestrutura também tem sido expressiva. O financismo não esconde sua satisfação e seu deslumbramento com esse ingresso de recursos estrangeiros em áreas sensíveis e estratégicas para o funcionamento da sociedade e da economia brasileiras, a exemplo da exploração de rodovias, ferrovias, geração e transmissão de eletricidade, portos, entre muitos outros. Ao que tudo indica, não há nenhum registro de problemas de consciência quanto a tal entrega.

No caso específico da Petrobrás a situação é ainda mais grave. Além de contribuir para o esfacelamento de uma das maiores empresas do mundo, o governo Temer está estimulando o ingresso acelerado das gigantes petroleiras do mundo. Seja para participar do controle de subsidiárias da Petrobrás em liquidação privatizante, seja para avançarem com maior apetite na exploração das reservas do Pré Sal. A turma das finanças vibra e comemora a cada vez que uma multinacional abocanha uma nova fatia de mercado da Petrobrás, além de pressionar para eliminar políticas de conteúdo nacional e oferecer benefícios tributários já estimados em R$ 1 trilhão de reais.

Do liberalismo ao entreguismo: um pulinho.

Ora, frente a tal escalada de desnacionalização deliberada e intencional, não há muito como alguém se “espantar” com a notícia da negociata envolvendo a Embraer e a Boeing. O paradigma liberal levado à sua radicalidade não reconhece mesmo fronteiras para o capital. Para os defensores da supremacia das livres forças de mercado, não existe razão ou motivo para impor limites à livre circulação de capital. Assim, uma vez incorporado o credo liberal, a internacionalização é o próximo passo, digamos assim, “natural” para a busca da suposta melhor eficiência na alocação dos recursos da economia.

Isso dito, resta obviamente o espanto da maneira pela qual as elites tupiniquins abandonaram todo e qualquer projeto de país em seus debates estratégicos a respeito do futuro de nossa sociedade. Navegando ainda nas heranças coloniais do escravismo e do extrativismo irresponsável, elas moldaram-se no comportamento habituado aos elevados ganhos, sempre proporcionados pelas taxas escandalosas do nosso tipo particular de financismo exacerbado.

Se é bem verdade que o entreguismo liquidacionista seja o sucedâneo de um liberalismo irresponsável, algumas nuances tendem a ocorrer quando ocorre algum tipo de mediação pela dimensão da política. Assim, quando sentem a corda esticar demais, os dirigentes podem recuar e alguma lufada de espírito nacionalista passa a influir no debate. Mas para isso se manifestar seria necessário que frações das classes dominantes tentassem esboçar algum tipo de interesse por seu país. Ou então que o movimento popular e democrático manifestasse nas ruas seu descontentamento com tal risco.

É importante lembrar que o governo brasileiro ainda possui no caso da Embraer aquilo que o mercado financeiro chama de “golden share”, ou seja, “ação de ouro”. Trata-se do direito que o governo tem de vetar qualquer medida contra a economia nacional relacionado à vida empresa já privatizada. Esse é exatamente o quadro que vivemos no momento atual.

A ver se o desenrolar do caso Embraer oferece alguma janela de esperança quanto ao debate e encaminhamento de um projeto nacional de desenvolvimento. Afinal, seis décadas após seu surgimento, a indústria aeronáutica continua a ser estratégica para qualquer projeto de soberania nacional. Entregar a empresa a uma das líderes do capitalismo norte-americano é crime de lesa pátria.

Sobre o autor: Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.

 

Navios da Marinha do Brasil iniciam retorno


Por: César A. Ferreira

Após darem apoio às buscas ao ARA San Juan, atendendo ao chamado da Armada Argentina de apoio SAR, dois dos navios da Marinha do Brasil, a fragata F-49 “Rademaker” (Type 22) e o navio polar de pesquisas oceanográficas H-41 “Almirante Maximiano”, retornam as suas missões anteriores, caso do H-41 “Almirante Maximiano”, que segue para o continente antártico, e ao Brasil, destino da fragata F-49 “Rademaker”. Permanece em Mar del Plata, todavia, aguardando as ordens do comando da Armada da República Argentina o vaso vocacionado para resgate da Marinha do Brasil, o K-11 “Felinto Perry”.

As facilidades apresentadas pelo K-11 “Felinto Perry” para resgate de tripulantes de submarinos sinistrados são: baleeira com câmera hiperbárica, sino atmosférico com capacidade de realização de resgates até em profundidades superiores a 300 metros, câmaras de descompressão, veículo remotamente tripulado capaz de operar até a profundidade de 600 metros, sistema de posicionamento dinâmico e um guindaste com capacidade de 30 toneladas.

Delimitação da nova área de busca

A Organização do Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares, cuja sigla em inglês é CTBTO, anunciou o refinamento dos dados por ela obtidos, sobra o evento análogo a uma explosão não nuclear, a partir de dados coletados por duas estações sísmicas, a TRQA – Tornquist, Argentina e a USGS e EFI de Mount Kent, nas ilhas Falklands (Malvinas na denominação argentina). Os novos dados apontam para a latitude de -46,1175 e longitude de -59,7257. Uma das dificuldades enfrentadas pelas embarcações de busca, além do estado de mar, são os numerosos sinais de falsos positivos, pois não são poucos os pesqueiros sinistrados na costa argentina. O Atlântico Sul é reconhecidamente um mar difícil e cobra um preço alto de embarcações mal comandadas e em péssimo estado.

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Delimitação da área do evento catastrófico. Imagem: Lassina Zerbo.

Conjecturas

Dentre as possibilidades discutidas como contribuintes para o naufrágio do submarino ARA San Juan, aquela que conta como a mais provável é a de presença de concentração do gás hidrogênio no ambiente acima da proporção de 2%. Aventa-se a possibilidade de que em função das dificuldades enfrentadas pelo submarino esteja, também, uma falha dos monitores de gases do submarino. .Em decorrência desta concentração a ocorrência de um arco-voltaico teria provocado um incêndio de considerável proporção, sendo assim um fator debilitante, se não for o preponderante para o naufrágio da embarcação que implodiu na medida que mergulhava nas profundidades abissais. A conjectura se dá em conformidade com o comunicado anterior ao desastre, este revelador do fato da embarcação navegar avariada. Tal hipótese foi amplamente abordada neste espaço, Debate Geopolítico, com paralelos traçados com outros naufrágios e acidentes ocorridos com submarinos diesel-elétricos.

Fraude

Imagens de um novo documento da Armada Argentina circularam em meio às redes sociais. Não há confirmação alguma até o momento sobre a veracidade deste documento, que pode muito bem ter sido forjado (maior possibilidade), obra de uma mente insana. O discutível documento, classificado como “Confidencial” e destinado ao Comando da Armada Argentina,  informa que o navio “Sophie Siem” haveria encontrado a “unidade”, ou seja lá o que quer dizer. O informe possui a hora de distribuição como de 12:19 minutos e a data de 28.11.2017… Não creio que este informe seja verdadeiro, afinal, tal documento com timbre da ARA é bem fácil de ser forjado, ademais, o fato de justamente citar o “Sophie Siem” leva imensa desconfiança quanto a credibilidade do referido documento.

Treinamento conjunto recusado

Em um documento datado de 25 de julho de 2017, o Poder Executivo da República Argentina solicitava ao Senado Federal daquele país autorização para execução de exercício conjunto SAR, especificamente de resgate de tripulantes de submarinos sinistrados, que seria realizado em Mar del Plata, com submarinos da Armada Argentina, e no Rio de Janeiro. A Marinha do Brasil disponibilizaria o seu meio de resgate K-11 “Felinto Perry”. Este importante exercício de adestramento foi recusado pelos congressistas argentinos.

Nota do Editor: também retornaram ao Brasil as aeronaves da FAB. Duas aeronaves P-3AM e uma aeronave SC-105 (SAR).

 

 

ARA San Juan: vaza para a imprensa a ultima mensagem

Mensagem dava conta de admissão de água pelo snorkel, curto-circuito e principio de incêndio

Por: César Antônio Ferreira

Um terremoto político varreu as terras argentinas na data última de 27.11.2017, na forma da revelação pela mídia argentina do último informe ao Almirantado por parte do submarino A-42 ARA San Juan, informe este que foi solenemente sonegado à mídia argentina, como também, ao que parece, do Ministro da Defesa e do próprio Comandante em Chefe, o Presidente da República Mauricio Macri.

O periodista que revelou o vazamento foi Eduardo Feinmann, apresentador de um programa televisivo no canal A24 (America 24). O informe do ARA San Juan confirma as conjecturas anteriores deste espaço, Debate Geopolitico, sobre as possibilidades havidas no tocante ao naufrágio do ARA San Juan. Diz o documento vazado:

“Ingreso de agua de mar por sistema de ventilación al tanque de baterías n° 3 ocasionó cortocircuito y principio de incendio en el balcón de barra de baterías. Baterías de proa fuera de servicio al momento en inmersión propulsando con circuito dividido. Sin novedades de personal. Mantendré informado”.

A mensagem é datada de quarta-feira, dia 15 de novembro de 2017 e o horário registrado para distribuição interna é de 08:52 (horário de distribuição entre órgãos da Armada e não do contato propriamente dito). Isto confirma e vai de encontro com a informação amplamente conhecida de que o último contato teria se dado às 07:30 daquela mesma manhã. Esta revelação bate com as informações repercutidas na matéria “Almirantado argentino sabia das avarias com um dia de antecedência”, que foi publicada neste mesmo espaço, Blog Debate Geopolítico.

A mensagem em si é bastante elucidativa. De maneira inequívoca apresenta um sério problema em submarinos diesel-elétricos que é a admissão de água pelo snorkel, além do terror de todo submarinista: o incêndio a bordo. A mensagem passa o entendimento que naquele presente momento as avarias estariam controladas, apesar de revelar que o submarino navegava desfalcado de boa parte das suas baterias, estando na proa desativados os dois bancos de baterias dianteiros, e na popa pelo menos um deles (o de número 3). Horas depois, não muitas, ocorreu um evento incapacitante, responsável pelo naufrágio do submarino.

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S644 Eurydice. Imagem: internet.

Esta narrativa apresenta uma similaridade com o naufrágio de um submarino da Marine Nationale, o S 644 Eurydice, ocorrido no dia 4 de março de 1970 no través de Toulon (latitude: 43,16 longitude: 6,80 – 35 milhas distante do porto), cuja a destruição também foi atribuída a um evento brutal e incapacitante, uma explosão, cujas causas permanecem não definidas, mas que tem o snorkel defeituoso como principal suspeito. Repousando no leito marinho ao largo da Baie de Bonporteau em um profundidade de 600 metros, foi fotografado pelo minisubmarino Mizar da USNAVY. O registro da implosão foi percebido pelo sismógrafo de Nice. Não houve a recuperação do submarino e nem dos corpos da tripulação, permanecendo desta forma como a sepultura permanente para todos estes.

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Local do naufrágio do S 644 Eurydice. 600 metros de profundidade. Bing Maps.

Em comunicado à imprensa, o porta-voz da Armada da República Argentina, Capitán de Navio Enrique Balbi, revelou que o S-42 ARA San Juan não dispunha de torpedos com cabeças de guerra vivas à bordo (“torpedos de combate”). Em função dos dados que agora são de conhecimento geral, formam-se conjecturas de que entre o último contato e o horário dos eventos hidroacústicos detectados, que houve um novo curto-circuito, havendo um incêndio calamitoso, advindo da conjunção de um arco-voltaico com a concentração de hidrogênio presente no ambiente, que foi incapacitante para a tripulação, cortando a energia e levando para o fundo o submarino. Os sons captados seriam advindos da colapso e ruptura do casco resultante da pressão superior a suportável pela classe TR-1700.

É desnecessário dizer que apenas as imagens do S-42 ARA San Juan no sítio do seu naufrágio poderão confirmar qualquer conjectura e especulações realizadas em função do seu destino.

Sequer localizado o foi…

Nota do Editor: quando o comandante informa “circuito dividido” ele diz que utiliza parte de um banco de baterias e parte das baterias de outro banco.