Exxon em Angola: a moral relativa da geopolítica do petróleo

Por:  André Araújo

Fonte: Jornal GGN

A Exxon celebrou um grande acordo com a Sonangol, a estatal angolana do petróleo, para exploração das reservas em águas profundas do litoral angolano. Enquanto a Petrobras está sendo processada pelo Departamento de Justiça dos EUA por casos de corrupção no Brasil, o mesmo Departamento não vê nada demais na empresa americana, símbolo da era do petróleo, se associar com uma estatal que em termos de corrupção conhecida tem poucos competidores no mundo.

Onde está o “compliance” da Exxon? Com a Sonangol não tem problema em assinar contratos? O Departamento de Justiça não vê nada demais? Acho que não, a Sonangol nunca foi investigada ou processada nos EUA. A lógica das leis americanas é bem flexível, o interesse dos EUA em primeiro lugar. Que coisa!

A Presidente do Conselho da Sonangol, Isabel dos Santos, filha do Presidente de Angola José Eduardo dos Santos, há 37 anos no poder, está numa revista americana, a Forbes, como a mulher mais rica da África. De onde vem sua fortuna?

A imprensa econômica da Europa relata um desaparecimento de 32 a 50 bilhões de dólares dos cofres da Sonangol.

(http://www.portugaldigital.com.br/economia/ver/20103540-presidente-da-so…).

 O caso não tem paralelo no planeta em termos de valor. Enquanto Angola se torna uma das potencias médias do petróleo mundial, toda sua produção é girada por petrolíferas americanas, a Petrobras tentou entrar em Angola e foi rechaçada.

Enquanto isso as condições de vida da população são péssimas, falta saneamento básico em Luanda, no interior nem se fala, falta tudo, enquanto Ministros do MPLA são bilionários, um deles, bem conhecido, tem apartamento na Av. Vieira Souto, no Rio.

Uma companhia com esse currículo é bem vinda ao se associar a Exxon, enquanto em Washington uma pesada artilharia legal criminaliza a Petrobras. É verdade que com apoio que vem do Brasil, numa acusação ilógica, a Petrobras é vitima e não autora e os atos ocorreram fora da jurisdição da lei americana. Se aos americanos a corrupção faz arrepiar e eles se propõem a ter jurisdição mundial para combatê-la, como se explica que fechem os olhos para o que acontece em Angola?

Atrevo-me a uma explicação: todo petróleo de Angola exportado, quase 2 milhões de barris/dia, mais que a Venezuela, vai para os EUA, um fornecedor importante e confiável. Então vamos deixar o moralismo para os brasileiros, antigo e tradicional aliado dos EUA, vamos processar e impor pesadas multas a nossos amigos, puni-los com apoio de brasileiros puros, prejudicando esse Pais que lutou a nosso lado na Segunda Guerra e que fornece mais que qualquer outro tropas para nossas missões de paz pelo mundo.

Pode-se alegar que a Exxon Mobil é uma empresa privada que faz os contratos que quiser. Negativo. Todas as atividades de empresas petrolíferas dos EUA pelo mundo são monitoradas pelo Departamento de Energia e nenhuma empresa assina contratos no exterior sem o visto do DE e do Departamento de Estado.

http://corporate.exxonmobil.com/en/company/worldwide-operations/locations/angola

Enquanto isso os EUA viram parceiros de cama, mesa e banho de um regime outrora marxista-terrorista e guerrilheiro contra o qual lutaram através da UNITA financiada pela CIA. Outrora visceralmente anti-americano, apoiado pela URSS e aparelhado por 25.000 soldados cubanos, o Movimento Popular de Libertação de Angola,  continua sendo o partido oficial que governa Angola. Hoje é íntimo parceiro e sócio dos EUA, que ironia da História. Dos tempos da aliança com a URSS ficou para Jose Eduardo dos Santos uma bonita lembrança, Isabel dos Santos, sua filha e de sua primeira esposa russa, atual Presidente do Conselho da SONANGOL.

A Guerra Fria produziu bons frutos hoje cotados em dólar.

 

Washington tenta quebrar os BRICS: começa o estupro do Brasil

Autor: F. William Engdahl

Fonte: NEO – New Eastern Outlook

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

(…) Um dia depois que a Câmara de Deputados aprovou o impeachment da presidenta eleita do Brasil, em abril, um alto membro do partido PSDB, aliado do PMDB de Temer, senador Aloysio Nunes, viajou a Washington, em missão organizada pela empresa de lobby da ex-secretária de Estado Madeline Albright, o Albright Stonebridge Group. Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil, várias vezes pregou que o Brasil se aproximasse mais, outra vez, de uma aliança com EUA e Reino Unido.

Madeline Albright, diretora de um dos principais think-tanks nos EUA, o Council on Foreign Relations, também é presidenta da mais ativa ONG a serviço do governo dos EUA, especializada em promover “revoluções coloridas”, o National Democratic Institute (NDI). Interessante, não? Nunes foi a Washington para conjurar apoio para Temer e para os atores principais do golpe que já estava em curso para derrubar a presidenta Rousseff.

O ator chave a serviço de Washington, e o efetivo carrasco político de Rousseff foi, mais uma vez, o vice-presidente Joe Biden, o “Dick Cheney”, operador-sujo-em-chefe, no governo Obama.

Fatídica visita de Biden ao Brasil

Em maio, 2013, o vice-presidente dos EUA Joe Biden fez uma fatídica visita ao Brasil, para reunir-se com a presidenta Rousseff. Em janeiro de 2011, Rousseff substituíra seu mentor do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula, que completara o segundo mandato consecutivo que a Constituição lhe permitia. Biden foi ao Brasil, para discutir petróleo com a nova presidenta. As relações entre Lula e Washington haviam gelado quando Lula apoiou o Irã contra sanções dos EUA e aproximou-se mais, economicamente, da China.

No final de 2007,  a Petrobrás havia descoberto o que se estimava que fosse uma reserva monstro de petróleo de alta qualidade na plataforma continental do Brasil, na Bacia de Santos. No total, a plataforma continental territorial do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, o que transforma o país na maior potência mundial de petróleo e gás. Imediatamente Exxon & Chevron, as gigantes norte-americanas do petróleo, puseram-se em campo para conquistar o controle daquela riqueza recém descoberta.

Em 2009, segundo telegramas diplomáticos dos EUA publicados por Wikileaks, o Consulado dos EUA no Rio de Janeiro escreveu que Exxon e Chevron estavam tentando, sem sucesso, alterar uma lei encaminhada ao Congresso pelo mentor e predecessor da presidenta Rousseff, o presidente Lula. Essa lei de 2009 tornava a empresa estatal Petrobrás a principal operadora de todos os blocos do petróleo do pré-sal no Brasil. Washington e as gigantes norte-americanas do petróleo absolutamente não gostaram de perder o controle sobre o que parece ser a maior nova reserva de petróleo descoberta em décadas.

Lula não só tirou ExxonMobil e Chevron da posição de controladoras, em favor da estatal Petrobrás; ele também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses, desde 2009 principais parceiros, dentro do grupo BRICS, de Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Em dezembro de 2010, num de seus últimos atos como presidente, Lula supervisionou a assinatura de um contrato entre a empresa de petróleo Repsol, espanhola-brasileira, e a estatal chinesa Sinopec. Sinopec formou uma joint venture, Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de $7,1 bilhões na Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado a formação da empresa Sinopec International Petroleum Service of Brasil Ltd., parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil.

Em 2012, em perfuração de exploração conjunta, as empresas Repsol Sinopec Brasil, Norway’s Statoil e Petrobrás fizeram outra grande descoberta, no poço batizado “Pão de Açúcar”, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui os poços de Seat e Gávea, esse uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. Nenhuma das majors norte-americanas e britânicas do petróleo aparecia nesse cenário.

A missão de Biden era sondar a presidenta que sucederia Lula, Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de ela reverter a exclusão das grandes do petróleo dos EUA em favor da Chinesa. Biden também se reuniu com as principais empresas de energia do país, inclusive a Petrobrás.

A notícia praticamente não apareceu na mídia-empresa brasileira, mas Rousseff recusou-se a reverter a lei do petróleo de 2009 e a convertê-la em qualquer coisa que agradasse a Biden, a Washington e às majors do petróleo dos EUA. Dias depois da visita de Biden surgiram as revelações feitas por Edward Snowden de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA também espionara Rousseff e altos funcionários da Petrobrás. A presidenta Rousseff denunciou a operação em sua fala na Assembleia Geral da ONU, por violação da lei internacional. E, em protesto, cancelou uma viagem marcada para Washington. Depois disso, as relações EUA-Brasil naufragaram de vez.

Ao final dessa visita, em maio de 2013, Biden claramente deu à presidenta do Brasil o beijo da morte: o destino dela estava selado.

Antes da vinda de Biden em maio de 2013, a presidenta Rousseff gozava do apoio de 70% da população brasileira. Menos de duas semanas depois que Biden deixou o Brasil, começaram os protestos de rua, ‘animados’ por um grupo conhecido como Movimento Passe Livre, que protestava contra aumento nominal de 10 centavos no preço do passe de ônibus, que acabaram por fazer o país parar quase completamente e, a partir de certo ponto tornaram-se muito violentos. Os protestos tinham todas as características da típica “Revolução Colorida” ou da desestabilização social acionada por mídias sociais como Twitter ou Facebook que parecem seguir Biden pelo mundo, onde quer que apareça. Em poucas semanas, o apoio da população ao governo Dilma despencou para 30%.

Washington claramente enviara um sinal de que ou Rousseff mudava de rota, ou enfrentaria problemas graves. A máquina de mudança de regime de Washington – com todas as suas armas de guerra financeira, desde o vazamento de auditorias realizadas na Petrobrás, até a ação da agência de Wall Street, de avaliação de créditos, Standard & Poors, que degradou a dívida pública do Brasil ao nível de papel podre, em setembro de 2015 – entrou em ação a pleno vapor para derrubar Rousseff, apoiadora chave do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e de uma estratégia de desenvolvimento nacional independente para o Brasil.

Vender as joias da Coroa

O homem que chegaria à presidência do Brasil, num perfeito arremedo de ‘legalidade’, corrupto condenado e então vice-presidente, Michel Temer, serviu em tempo integral como informante da embaixada dos EUA em Brasília. Em documentos distribuídos por Wikileaks, revelou-se que Temer já servira como informante da inteligência dos EUA desde, pelo menos, 2006, por telegramas que a Embaixada dos EUA no Brasil classificou como “sensíveis” e “para exclusivo uso oficial”.

Homem de Washington no Brasil, Temer não perdeu tempo para iniciar as reverências aos seus patrões em Wall Street. Ainda como presidente interino em maio, Temer nomeou Henrique Meirelles para o cargo de ministro das Finanças e da Seguridade Social. Meirelles, formado em Harvard [de fato, participou de um treinamento de Advanced Management Program (AMP) da Harvard Business School que prepara altos executivos de bancos (NTs)] e ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi presidente do BankBoston nos EUA até 1999, e ainda trabalhava no banco em 1985, quando o banco foi multado por não reportar transferência ilegal de $1,2 bilhão em dinheiro, para bancos suíços.

Meirelles está agora na função de supervisor da liquidação planejada das “joias da Coroa” do Brasil a investidores estrangeiros, movimento que visa a minar qualquer poder que o estado brasileiro tenha na economia. Outro dos conselheiros econômicos chaves de Temer é Paulo Leme, ex-economista do FMI e hoje Diretor de Gestão de Pesquisa de Goldman Sachs. Wall Street está ativamente integrada ao processo de estupro econômico do Brasil ‘liderado’ por Temer.

Dia 13 de setembro, o governo Temer divulgou um programa massivo de privatizações, com um comentário cínico e enganador do próprio Temer: “É claro que o setor público não poderá fazer avançar esses projetos sozinho. Contamos com o setor privado.” Não explicou que por “setor privado” referia-se aos seus próprios patrões.

Temer revelou planos para consumar a maior privatização no país, em décadas. Convenientemente, a privatagem está planejada para estar concluída no final de 2018, pouco antes do fim do mandato de Temer. O influente US-Brasil Business Council detalhou a lista das empresas a serem privatizadas, em sua página na Internet (“Economia do Brasil depois do Impeachment”, ing.). Esse US-Brasil Business Council foi fundado há 40 anos por Citigroup, Monsanto, Coca-Cola, Dow Chemicals e outras multinacionais norte-americanas.

As licitações para a primeira rodada de privatizações serão lançadas antes do final do ano. Incluirão quatro aeroportos e dois terminais portuários, todos a serem leiloados no primeiro trimestre de 2017. Outras concessões incluem cinco rodovias, uma ferrovia, vários pequenos blocos de petróleo e uma rodada final de leilões, adiante, para os grandes blocos de petróleo a serem desenvolvidos, a maioria de reservas submarinas. O governo também selecionará reservas atualmente controladas pelo Departamento de Pesquisas Minerais do Brasil, mais seis distribuidoras de energia e três instalações para tratamento de água.

O coração dessa privatização planejada está – nada surpreendentemente –, nas empresas que Joe Biden cobiça, de petróleo e gás, além de fatias da empresa brasileira de energia, Eletrobrás. Temer planeja obter $24 bilhões nessa liquidação de patrimônio público. 11 bilhões devem sair da venda das empresas estatais chaves de petróleo e gás.

Claro que, quando patrimônio estatal dessa magnitude é liquidado e entregue a interesses estrangeiros, no que é uma muito evidente venda ‘combinada’, trata-se de negócio de soma zero: um lado ganha tudo, o outro perde tudo. Projetos de petróleo, gás e energia elétrica geram fluxos continuados de renda muito superiores a quaisquer ganhos que se possam auferir da venda em processo de privatização. O lado que perde necessariamente tudo e sempre, nesses negócios de privatização, é a economia do Brasil: os bancos de Wall Street e as multinacionais ganham tudo, conforme o planejado, em todos os casos.

Dias 19-21 de setembro, segundo o website do US-Brasil Business Council, os ministros chaves para a infraestrutura, do atual governo do Brasil, dentre os quais o ministro da infraestrutura, Moreira Franco; Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia; e Mauricio Quintella Lessa, de Transportes, Portos e Aviação Civil, estariam [estiveram] em New York City para reunião com “investidores em infraestrutura” de Wall Street.

É o modus operandi de Washington, exatamente como operam os Deuses do Mercado em Wall Street, título de um dos meus livros. Primeiro, destroem qualquer projeto de genuíno desenvolvimento nacional concebido por lideranças nacionais, como Dilma Rousseff. Na sequência, põe no lugar dele um regime subalterno disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive liquidar as joias da Coroa do próprio país, gente que faça como Anatoli Chubais na Rússia nos anos 1990, durante a “terapia de choque” de Boris Yeltsin. Como paga pelo que fez, Chubais tem lugar assegurado hoje no Conselho de Administração do banco JP MorganChase. Ainda não se sabe o que Temer e sócios obterão em troca do empenho que têm demonstrando na liquidação do patrimônio brasileiro.

Por enquanto, Washington conseguiu quebrar um dos países BRICS que realmente ameaçava a hegemonia global das empresas norte-americanas. Se a história recente ensina alguma coisa, não obterá sucesso duradouro.

 

Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina

Fonte:Jornal GGN

Pela primeira vez país firma acordo de exportação do material produzido pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina alimentar um reator nuclear na cidade de Lima. O acordo firmado prevê a venda inicial de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio produzida pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) num contrato de US$ 4,5 milhões.

Será a primeira vez que, oficialmente, o Brasil exportará urânio enriquecido. Apesar do acordo ter sido assinado em junho a entrega começará a ser feita apenas no final deste ano, pois o produto precisará passar pela autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do qual a INB está vinculada, e também da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

O Brasil é um dos poucos países no mundo que tem tecnologia para o enriquecimento de urânio, ao todo são 12 nações no mundo inteiro, incluindo França, Irã e Estados Unidos. A tecnologia utilizada pela usina da INB, localizada em Resende (RJ) é totalmente nacional, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nuclear do Cnen. O contrato com a Argentina não envolve a concessão da tecnologia brasileira, mas há um outro acordo envolvendo os dois países no desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro. Brasil e Argentina possuem acordos na área nuclear desde a década de 1960.

Agência Brasil

Brasil exportará urânio enriquecido pela primeira vez 

A empresa brasileira Indústrias Nucleares do Brasil (INB) exportará urânio enriquecido pela primeira vez. A empresa, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, firmou acordo com a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar), que prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato, no valor de US$ 4,5 milhões, foi assinado em junho.

Enriquecido na fábrica da INB em Resende (RJ), o produto ainda precisa de autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do ministério e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para completar o processo de exportação, o que deve ocorrer até o fim deste ano. As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.

Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, autarquia gerida administrativa e tecnicamente pela Cnen.

Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.

O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.

Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.

O urânio é um mineral com propriedades físicas de emitir partículas radioativas, a radioatividade. Sua principal aplicação comercial é na geração de energia elétrica, como combustível para os reatores nucleares de potência.

Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.

A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.

 

A Rússia e o seu entorno

Por: César A. Ferreira

É difícil explicar para os leitores desacostumados com matérias afeitas aos assuntos sobre geopolítica e de defesa, sobre os interesses da Rússia , suas ações e o modo de agir do seu dignitário, dado o fato que estes mesmos leitores são bombardeados, cotidianamente, por matérias ditas “jornalísticas”, publicadas rotineiramente na chamada mídia-empresa, ou grande impressa como é mais comumente denominada no Brasil, que retratam a Rússia como nação agressiva, como se fosse uma espécie de nova “Alemanha Nazista”, liderada por um novo ser diabólico: Vladimir Putin.

Uma forma fácil de entender é esquecer o potencial russo no campo da dissuasão nuclear, incomparável, cujo espelho, único no globo, repousa no arsenal equivalente dos EUA. Focando-se na capacidade econômica e nas armas convencionais, percebe-se, que a Rússia apresenta-se como uma potencia regional, sendo a sua capacidade de intervenção e resposta é mais forte quanto mais próximo estiver o alvo das ações das suas fronteiras. Entende-se, pois, o motivo das pressões intensas dos EUA sobre a França, no tocante aos navios multipropósito da classe Mistral, cuja construção havia sido contratada pelo Ministério da Defesa da República da Rússia junto ao estaleiro STX, DCNS, em contrato então aquiescido e endossado pelo governo francês. Tais navios ampliariam consideravelmente a capacidade de projeção da Marinha da Rússia, e certamente estariam sendo por agora utilizados no chamado “Expresso de Damasco”.

O espaço pós-soviético é o campo óbvio das atenções russas, e ao contrário do que se possa pensar, não é na Europa, mas na Ásia Central, onde a Rússia devota as suas energias. Percebe-se, pois, que os russos perceberam já a algum tempo que o futuro tem morada no Oriente. Este espaço teve a influência ocidental revertida, com muita paciência e trabalho intenso no campo diplomático, de inteligência, bem como no econômico. A exceção notável permanece sendo o Azerbaijão, seduzido que é até a presente data, pelo prometido mercado europeu ao seu gás, que seria viabilizado pelo gasoduto Nabuco… No tocante ao Cáucaso, segue a dor de cabeça no Daguestão, vizinho da Chechênia, agora estabilizada. O Cáucaso e a Ásia Central explicam em grande parte o esforço russo na Síria, dado que lá se dá combate aos mesmos terroristas da jihad que praticam o terror nas republicas da Federação Russa, portanto, a luta na Síria evita que os terroristas “subam a estrada”…

No tocante ao espaço do Oriente Próximo, o apoio ao Governo Sírio, reforça a influência russa na mesma medida que faz declinar a influência turca e saudita. Não se faz necessária, sequer, a vitória completa sobre os terroristas, bastando apenas que a sobrevivência do Governo Sírio seja assegurada, como de fato é o que se observa. No Mar Negro, a espetacular incorporação da península da Criméia fala por si. Espetacular não apenas pelo deslocamento rápido dos efetivos, que subiram em questão de dias para o limite de 32.000, mas, pelas consequências: a Rússia toma posse das reservas de gás do Mar Negro, adjacentes à orla da Criméia, reservas estas que estão ainda por serem exploradas. A ocupação da península presenteou a Rússia com a posse definitiva da Base Naval de Sebastopol, e por extensão, do domínio efetivo do Mar Negro, algo que reflete sobre as demais nações que são banhadas pelo referido mar. Com a posse da península a Rússia garante a segurança das suas linhas de gasodutos que provém do Cáucaso em direção à fronteira ucraniana.

A Ucrânia é um caso aparte. Ela se revela como um desafio proposto pela OTAN desde o golpe da Praça Maidan. Como nação, por si, a Ucrânia não se revela como ameaça, dado que se desmantela, perde capacidade industrial e econômica a olhos vistos desde o rompimento, forçado, dos laços com o complexo industrial russo, seu maior cliente. É por entender o conflito na região do Donbass como uma isca, que a Rússia congelou o mesmo com o Minsk-2, retirando assim o fantasma de ter-se de desdobrar em duas frentes, uma na Síria e outra na sua fronteira ocidental. Não é que seja o conflito ucraniano visto como se fosse de menor importância, mas a sua evolução não se mostra atrativa ao governo da Federação Russa, por representar ganhos relativamente pequenos. Desta maneira, congelado, a Rússia pode armar e treinar os elementos nativos do Donbass com vagar, com um custo menor, podendo sempre que necessário plantar efetivos do outro lado da fronteira para dissuadir o governo ucraniano de tentar algo mais efetivo do que as trocas de fogos de bateria.

Os olhos da Rússia repousam no Oriente, como bem demonstra o acordo amplo feito com a China, no campo energético e de Defesa. Espera-se que os volumes contratados por Pequim venham a gerar algo em torno de 400 bilhões de dólares em 10 anos, o que é uma quantia salutar. A China também é contratante de volumes de gás das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e acaba por dividir influência com Moscou nestas repúblicas, mas no tocante ao aspecto de segurança é a Federação Russa a garantidora da paz nestes espaços geográficos, seja pela manutenção de bases com efetivos militares, ou por acordos de cúpula.

Por isto é falsa a ideia plantada de que seja a Federação Russa uma potencia expansiva, dado que se observa apenas uma reocupação de um espaço geoestratégico. Expansão se verifica por parte da OTAN, que avança sobre a fronteira russa e não o contrário. A Rússia exercita o seu papel de potência regional sem se iludir com o domínio global, bastando para si neste momento em alcançar o objetivo clássico acalentado por todo e qualquer coração russo: a segurança das suas fronteiras.

A Rússia sente-se confortável

Por: César A. Ferreira

Neste exato momento caças-bombardeiros Su-34, recentemente desdobrados para o território sírio, reiniciam a campanha de bombardeio em Aleppo contra as posições da Frente Al-Nusra, vaporizando desta forma as unidades deste grupo terrorista, que se viu reforçado pela trégua proposta por Washington.

A Rússia retorna com força plena à Síria a despeito do que se diga no Pentágono, ou no Departamento de Estado. Independe das vontades alheias, e isto devido a um fato muito simples: fracassaram as tentativas de isolamento diplomático e econômico da gigantesca nação. Sobraram, apenas, a constantes e conhecidas provocações da OTAN, que quando respondidas, sejam por sobrevoos, ou escoltas, revelam o ridículo das argumentas desabridas dos prepostos da Aliança Atlântica… Mas, isto, convenhamos, pouco importa (para eles).

A Rússia possui seis fusos horários, é a nação com as mais extensas fronteiras políticas do globo, possui um território riquíssimo em termos de minérios ainda por ser explorado, reservas petrolíferas e de gás que estão por ser avaliadas, enfim… Não necessita e não ambiciona o controle de reservas de terceiros, diferentemente dos EUA e dos seus associados da OTAN, que dormem, sonham, com outra coisa que não seja o domínio completo das nações produtoras, bem como das rotas da commoditie energética de uso global.

O xadrez africano, onde se destaca como jogador de peso a chancelaria chinesa, e do qual o nosso novo, augusto e magnânimo chanceler fez questão de nos retirar, não possui a Rússia como potência interessada, visto que dos recursos futuros do continente africano pouco ou nada necessita, deixando assim este continente, com vastíssimas áreas ainda por serem exploradas, entregues a sanha dos EUA e das antigas potências coloniais, que rivalizam com o dragão chinês a primazia pela conquista dos corações e mentes africanas.

Por isso, tendo uma nação focada, uníssona na perspectiva de que é um povo capaz de escolher, manter o equilíbrio e desafiar quem lhe tente pressionar, a Rússia sente-se confortável para intervir no seu entorno próximo, congelar, ou acelerar conflitos na qual por ventura esteja envolvida, pois a sua proteção, ou seja, a proteção das suas fronteiras, estão bem resolvidas pelas armas entregues pelo complexo industrial militar, que herdado da URSS foi modernizado em todos os quadrantes possíveis, bem como pela elevação do padrão de prontidão das forças nacionais, objetivo perseguido e alcançado enquanto a OTAN se desgastava no Afeganistão…  Em outras palavras, a Rússia fez o que se deve: aproveitou-se de todas as oportunidades para crescer e fortalecer as suas forças armadas, tidas como esteio da soberania nacional, além de braço de crescimento tecnológico e industrial…

A Rússia, agora, sente-se confortável, apesar da inquietude vez por outra imposta pelas provocações infantis da OTAN… Uma lição que não será aproveitada por um sonolento gigante do sul, agora também grande produtor de petróleo, pois se encontra enredado pela miragem da grama mais verde do vizinho do norte.

Pena. A Rússia é uma lição breve de como construir uma verdadeira soberania.

Ucrânia depois da Euromaidan

Por: César A. Ferreira

Não é uma opinião, tampouco uma perspectiva marcada por posição ideológica que seja, mas uma mera constatação: todas as nações detentoras de grandes reservas energéticas e de minerais estratégicos, ou que exibam posição geográfica essencial para o tráfego destas riquezas extraídas, sofreram em graus variados intervenções estrangeiras, que foram da desestabilização política à guerra civil, isto quando os eventos não envolveram pura e simplesmente a invasão direta por forças armadas das potências agressoras, estas, invariavelmente, oriundas da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN.

Em 21 de novembro de 2013, embalados pela sensação sufocante de que todos os problemas existentes na Ucrânia proviam da corrupção que grassava no país, iniciou-se o processo que se conhece como revolução da Praça Maidan, ou Euromaidan. O estopim fora a recusa do então presidente, Yanukovich, de pactuar com a União Europeia, preferindo a oferta superior, muito mais substancial, de realizar uma união aduaneira com a Rússia, cuja proposta, além das vantagens de aduana, perfazia a compra de títulos da dívida ucraniana no valor de quinze bilhões de dólares americanos, além do fornecimento em taxas preferências de gás russo ao mercado ucraniano. Dado o fato de que a proposta da União Europeia era muito mais tímida, pois se tratava de um empréstimo de apenas setecentos milhões de euros, aliado a um status de parceiro comercial preferencial, mas sem adesão formal à união aduaneira, é de se espantar a existência da rejeição popular à proposta russa, absurdamente superior a sua contraparte europeia, venha a ser apontada como o estopim para a revolta generalizada.

Fato é que a Ucrânia exibia uma posição geoestratégica clara, pois é através do seu território que se encontram a maioria absoluta dos gasodutos, pelos quais trafega o gás provindo da Rússia destinado à Europa. Ademais a Crimeia, então parte integrante da república ucraniana era o território sede da importantíssima base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da Federação Russa. Não surpreende, portanto, a descoberta do financiamento clandestino efetuado pela legação diplomática dos Estados Unidos da América aos grupos opositores que cavalgaram politicamente a insatisfação pública dos manifestantes ucranianos, caso dos partidos de extrema direita e neonazistas, ambos desprovidos de densidade política, visto que invariavelmente permaneciam no patamar de 6% do eleitorado, inferiores ao Partido Comunista, que alcançava o dobro, cerca de 12%…

Todavia a mídia ucraniana, toda ela em posse de oligarcas locais, postou-se como crítica, uníssona, ao governo, favorável a pantomima dos estudantes, estes inflados pela ONG Students Of Liberty –  ONG cuja ligação com a CIA é para lá de notória, aponto de ser, antes, folclórica. De fato, no campo ucraniano ver-se-ia o aporte por parte dos EUA, por meio da CIA e do Departamento de Estado, do valor reportado de cinco bilhões de dólares para os eventos que culminaram com a Euromaidan.

O resultado é bem conhecido, após a ocorrência de disparos feitos por atiradores escalados pelas agências de inteligência do ocidente, que vitimaram tanto os policiais da Força Berkut (baixas encobertas pela mídia, não noticiadas), como os manifestantes (mortos e feridos amplamente cobertos pela mídia), mas cuja autoria de chofre foi jogada às costas do governo ucraniano; Yanukovich empreendeu uma fuga quixotesca em direção à Federação Russa objetivando a busca de refúgio, sendo sucedido por uma junta, cuja legalidade sempre foi questionada, até mesmo quando da eleição do atual dignitário, Poroshenko. A Ucrânia perdeu a rica península da Criméia, que optou por se juntar à Federação Russa e viu-se enredada em um conflito custoso no Donbass, que lhe impôs reveses militares múltiplos, de caráter verdadeiramente desmoralizante, caso dos cercos de Illovaysk e Gorlovka, ou da batalha pela posse do aeroporto de Donetsk. Mas, isto não representa tudo, ou todos os males.

Homens de verde
A Federação Russa agiu rápido e impôs a ordem na estratégica e rica península da Crimeia, com o uso do efetivo militar da Base de Sebastopol. Imagem: internet.

A Ucrânia, ao empreender o afastamento da Rússia, com a qual mantinha laços de cunho acadêmico, industrial e comercial de monta, em virtude de uma retórica vitimizante, de cunho nacionalista e hostil ao vizinho, de evidente carga ideológica, acabou por colher perdas econômicas desastrosas, como o encolhimento de 80% da produção da sua base industrial de Defesa, cujo símbolo é a empresa aeronáutica Antonov, imersa em dificuldades, incapaz de encontrar clientes para o belo mais dispendioso projeto An-70, cujo cliente de lançamento seria justamente a Força Aeroespacial da Federação Russa. A área de Petróleo e Gás também apresentou retração, agravado pelo aumento do dispêndio relacionado à compra desta commodity energética, agora adquirida da EU com preços majorados em 30%, quando comparados àqueles praticados pela Federação Russa, estes custos, por sua vez se agravam quando se percebe que a moeda ucraniana desvalorizou-se demasiado, cerca de 350% em comparação ao dólar norte-americano. Ademais, o rompimento com os laços financeiros havidos com a Federação Russa privou a Ucrânia de recursos da ordem de nove bilhões de dólares, anuais, na forma de remessas dos ucranianos viventes na Rússia, então o maior investimento direto obtido pela república.

A ladeira abaixo experimentada pela Ucrânia não se restringe ao setor industrial, afeta de maneira equivalente o setor agropastoril, cuja atividade também sofreu retração. Das empresas deste setor, acredita-se que quatro a cada cinco estejam falidas, ou em estágio falimentar. Apenas 72 empresas agropastoris estão credenciadas a exportar para a Europa Unida, sendo que destas 36 já excederam a sua cota anual. O FMI estima que o país, para honrar os termos acertados com o Fundo, ver-se-á obrigado a comprometer 50% da sua arrecadação até o longínquo ano de 2041, contanto que consiga exibir uma taxa de crescimento anual de… 4% ao ano!  Mágica, diga-se, um tanto inacreditável, principalmente quando se considera o fato de que a população ucraniana sofreu um rebaixamento, nesta aventura de orgia ideológica, de 50% no seu padrão de vida, queda imposta pela retração do produto interno bruto, que caiu 6,8% em 2014 e 7,5% em 2015.

Entende-se o motivo de Poroshenko ter hoje uma popularidade muito abaixo daquela que Yanukovich detinha, exibindo notáveis 77 % de rejeição, todavia, observa-se, não há contra Poroshenko nenhuma Maidan… “Revolução” que quando estava no seu auge, exibiu o apoio declarado de apenas 45% da população, notadamente daqueles do oeste, enquanto o Donbass, Criméia e a região de Odessa, opunham-se ao movimento desestabilizador.

Portanto, que se tenha em mente: qualquer semelhança, com eventos análogos que estejam a ocorrer, ou que venham a ocorrer, em qualquer parte do mundo onde hajam reservas a serem exploradas de Petróleo e Gás, não será, jamais, uma mera coincidência…

O segredo por trás do próximo crash global

Por: Pepe Escobar – 21.01.2016

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

Fonte original: Sputnik News

Reproduzido: Blog do Alok

O Fórum Econômico Mundial em Davos está naufragado sob um tsunami de denials – negar o que vê/fingir que não vê/não ver sinceramente – e também de non-denial denials – não negar o que nem vê que nega – e tudo isso só para ‘garantir’ que não acontecerá um desdobramento do Crash de 2008.

O caso é que sim, acontecerá. E o cenário já está pronto.

Seletos corretores de petróleo no Golfo Persa, o que inclui ocidentais que trabalham no Golfo confirmam que a Arábia Saudita está descarregando pelo menos $1 trilhão em securities e derrubando os mercados globais por ordem dos Masters of the Universe – os que mandam acima da presidência manca de Barack Obama.

Longe vão os dias quando bastaria a Casa de Saud flertar com essa ideia, para ter todos os seus bens congelados. Pois, hoje, já obedecem a ordens. E mais virá; na avaliação de corretores craques em Golfo Persa, os investimentos sauditas em securities ocidentais podem chegar a $8 trilhões; os de Abu Dhabi, a $4 trilhões.

Em Abu Dhabi tudo foi separado em compartimentos, e ninguém pode avaliar coisa alguma, exceto corretores e negociantes que conheçam cada supervisor de cada compartimento de investimentos. E para a Casa de Saud, como se poderia prever, a regra de ouro é negar sempre.

Essa massiva descarga de securities chegou algumas vezes à mídia-empresa, mas os números têm sido grosseiramente subestimados. A informação inteira não chegará até lá, porque os Masters of the Universe ordenaram que não chegasse.

Houve aumento gigante na descarga saudita-Abu Dhabi de securities desde o início de 2016. Fonte no Golfo Persa diz que a estratégia saudita “demolirá os mercados”. Outra fonte fala de “vermes comendo carcaça no escuro”; basta olhar a calamidade em Wall Street, por toda a Europa e em Hong Kong e Tóquio na 4ª-feira.

Quer dizer: já está acontecendo. E uma subtrama crucial pode ser, em prazo de curto a médio, nada menos que o colapso da eurozona.

00crash2008
Desânimo no mercado. Foto: Euronews.

O crash de 2016?

Por tudo isso, pode ser um caso de a Casa de Saud em pânico, instrumentalizada para derrubar grossa fatia da economia global. Quem ganha com isso? Cui bono?

Moscou e Teerã tem muito a ver com isso. A lógica por trás de demolir mercados, criando recessão e depressão – do ponto de vista dos Masters of the Universe que reinam acima do presidente pato manco dos EUA – é arquitetar retardo gigante, impossibilitar os padrões de compra, reduzir o consumo de petróleo e gás natural, e pôr a Rússia em rota direta rumo à ruína. Além do quê, preços ultrabaixos do petróleo também se traduzem como uma espécie de sanção-substituta contra o Irã.

Mesmo assim, o petróleo iraniano que se aproxima de chegar ao mercado estará em torno de 500 mil barris/dia em meados do ano, mais um excedente armazenado em petroleiros no Golfo Persa. Esse petróleo pode ser e será absorvido, porque a demanda está aumentando (nos EUA, por exemplo, aumentou 1,9 milhão de barris por dia em 2015), e a oferta está caindo.

Em julho, aproximadamente, demanda crescente e produção em declínio reverterão o crash do petróleo. Além do mais, as importações de petróleo da China tiveram aumento recente de 9,3%, em 7,85 milhões de barris/dia, o que desacredita completamente a narrativa dominante de que a economia chinesa estaria ‘em colapso’ – ou de que a China seria culpada pelos padecimentos atuais do mercado.

Assim sendo, como já expus aqui em linhas gerais, em breve o petróleo dará a volta por cima. Goldman Sachs concorda. Implica que os Masters of the Universe tem uma estreita janela de oportunidade para fazer os sauditas despejarem quantidades massivas de securities nos mercados.

A Casa de Saud pode precisar desesperadamente de dinheiro, se se considera o alerta vermelho no orçamento. Mas esse despejo das próprias securities também é visivelmente autodestrutivo. Eles simplesmente não podem vender $8 trilhões. A Casa de Saud está, na verdade, destruindo o equilíbrio da própria riqueza. Por mais que a hagiografia ocidental tente pintar Riad como player responsável, fato é que legiões de príncipes sauditas estão horrorizados ante a destruição da riqueza do reino nesse haraquiri em câmera lenta.

Principe
Mohammed bin Sultan. Foto: Albawaba News.

Haveria algum Plano B? Haveria. O príncipe guerreiro Mohammed bin Sultan – atual manda-chuva em Riad – teria de meter-se no primeiro avião para Moscou, para arquitetar uma estratégia comum. Mas não acontecerá.

E quanto à China – maior importador de petróleo da Arábia Saudita –Xi Jinping acaba de visitar Riad; Aramco e Sinopec assinaram uma parceria estratégica; mas a parceria estratégica que realmente conta, considerando o futuro de “Um Cinturão, Uma Rota”, é, essa sim, a parceria Pequim-Teerã.

O despejo massivo das securities sauditas tem a ver com a guerra saudita do preço do petróleo. No momento atual de volatilidade extrema, o petróleo está em baixa, as ações estão em baixa e os estoques de petróleo estão baixos. Pois nem assim a Casa de Saud dá sinais de compreender que os Masters of the Universe os estão empurrando para que se autodestruam, os próprios sauditas, várias e várias vezes, incluindo inundar o mercado de petróleo depois de limitar a capacidade dos sauditas [orig. including flooding the oil market with their shut-in capacity]. E tudo isso, para ferir mortalmente Rússia, Irã e… a própria Arábia Saudita!

Apenas um peão no jogo de outros.

Entrementes, Riad ferve de boatos de que haverá um golpe contra o rei Salman – virtualmente incapacitado, demente e confinado a um quarto de seu palácio em Riad. Estão em jogo dois possíveis cenários:

1) Rei Salman, 80, abdica em favor do filho, conhecido ignorantão, arrogante criador de confusão e príncipe guerreiro Mohammed bin Salman, 30, atualmente vice-príncipe coroado e ministro da Defesa e o segundo na linha de sucessão, mas quem de fato comanda o show em Riad. Pode acontecer a qualquer momento. Como bônus, o atual ministro do Petróleo Ali al-Naimi, que não é da família real, poderia ser substituído por Abdulaziz bin Salman, outro filho do rei.

2) Um golpe palaciano. Salman – e seu filho criador de casos – cai fora do quadro, substituído por Ahmed bin Abdulaziz (que foi já ministro do Interior), ou pelo príncipe Mohammed bin Nayef (atual ministro do Interior e príncipe coroado).

Seja qual for o cenário que se concretize, o MI6 britânico está muito intimamente a par da pantomima. E talvez também o BND (Bundesnachrichtendienst, Serviço Nacional de Inteligência) alemão. Todos recordam o memorando do BND no final de 2015, que descrevia o então vice-príncipe coroado Mohammed bin Salman como “jogador político” que está desestabilizando o mundo árabe com as guerras por procuração no Iêmen e na Síria.

Fontes sauditas – que pedem, por óbvias razões, que não se publiquem seus nomes –, garantem que nada menos de 80% da Casa de Saud é favorável ao golpe.

Seja como for, permanece a questão de saber se alguma Casa de Saud reformatada interromperá o haraquiri em câmera lenta que lá acontece. O imperativo categórico não muda: os Masters of the Universe estão prontos para derrubar o mundo inteiro, empurrando-o para terrível recessão, para, basicamente, estrangular a Rússia. A Casa de Saud é apenas um peão nesse jogo de pervertidos.

Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Fim da era do Petróleo? Queda dos preços do óleo cru agita a ordem mundial

Fonte: Sputinik News

Tradução: Blog DG.

A queda dos preços do petróleo pode desafiar o status quo geopolítico estabelecido e até mesmo resultar em guerras e turbulência, alertam os especialistas. Será que o mundo centrado no petróleo, desde a metade do século passado, possa vir a ser restaurado, novamente, em breve?

A atual queda nos preços do petróleo afetou empresas petrolíferas gigantes e as empresas auxiliares; ele também ameaça minar economias dos principais países produtores de energia, resultando em um profundo “shake up” na ordem política, de acordo com Michael T. Klare, professor de estudos de paz e segurança mundial no Hampshire College (Massachusetts, Estados Unidos).

O acadêmico norte-americano sente que a depressão contínua dos preços do petróleo pode se estender para a década de 2020 e além.

“De modo geral, os preços do petróleo sobem quando a economia mundial é robusta, a procura mundial está a aumentar, os fornecedores estão bombeando em seus níveis máximos, pouco armazenados, ou com os excessos de capacidade à mão. Eles tendem a cair quando, como agora, a economia global está estagnada, ou em queda, a demanda de energia é morna, os principais fornecedores não conseguem conter a produção em consonância com a queda da demanda, o óleo excedente se acumula e os fornecimentos futuros apareçam assegurados”, o acadêmico americano explica em seu artigo para TomDispatch.com.

Klare refere-se à desaceleração econômica temporária na China, ao aumento da produção de petróleo na América do Norte (até 9,2 milhões de barris por dia), e mais notavelmente a “firme resistência” da Arábia Saudita para diminuir a sua própria produção ou a da Organização dod Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O que se encontra debaixo do pano da recusa saudita em reduzir a sua produção de petróleo? Riyadh estaria, possivelmente, determinada em punir a Rússia e o Irã,  devido ao apoio destes ao governo da Síria, isto segundo as notas acadêmicas norte-americanas. Por outro lado, a Arábia Saudita estaria, aparentemente, fazendo tentativas de conduzir os produtores americanos de xisto fora do mercado de petróleo.

Para adicionar mais combustível ao fogo, Iraque e Irã continuam, também, a aumentar a sua produção. Como Daesh (Estado Islâmico/EI/ISIS/ISIL) está a perder terreno na Síria e no Iraque, espera-se que a produção de petróleo de Bagdá continue a crescer, observa Klare.

o-cavalo-de-ferro-
Cavalo de Ferro, Cavalo de Extração ou Cavalo de Petróleo. Foto: internet.

Quanto ao Irã, o seu acordo nuclear com Washington abriu as portas para Teerã entrar novamente no mercado de petróleo. De acordo com a US Energy Information Administration em previsão lançada no mês de agosto de 2015: “O Irã tem a capacidade técnica para aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 600.000 b / d (barris-dia) até o final de 2016”.

“Apenas três desenvolvimentos poderiam concebivelmente alterar o atual ambiente de preços baixos do petróleo: guerra do Oriente Médio que retire um, ou mais, dentre os principais produtores de energia; uma decisão saudita para restringir a sua produção, a fim de impulsionar os preços, ou um inesperado surto mundial por demanda”, acredita Klaire.

O colunista norte-americano James Stafford da Oilprice.com ecoa a suposição de Klare: de acordo com Stafford, um confronto militar direto entre a Arábia Saudita e o seu rival regional de longa data, o Irã, poderia colocar o valor do óleo cru novamente no patamar de “de três dígitos” e chegar até US $ 250 por barril.

“A guerra entre os dois países poderia ocasionar rupturas de abastecimento, com impactos previsíveis sobre os preços”, observa ele, citando Dr. Hossein Askari, professor da George Washington University.

No entanto, Klare e Stafford concordam que, embora não seja impossível neste momento, a guerra entre Arábia Saudita e Irã é uma questão meramente “especulativa”. Klare acrescenta, que tanto uma decisão da Arábia Saudita em não reduzir a sua produção, como um aumento repentino na demanda, parece improvável.

Na verdade, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as taxas de crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento, que representam quase 60 por cento do PIB mundial e 85 por cento da população mundial, são neste momento, negativas.

“Não só os preços do petróleo e dos metais caíram cerca de dois terços do seu pico mais recente, mas fatores de oferta e do lado da procura sugerem que eles estão propensos a permanecer baixo por um longo período”, disse a diretora do FMI, Christine Lagarde no simpósio em Paris em 12 de janeiro de 2016.

O resultado mais provável da desta queda, todavia, é uma onda de inquietação em nações produtoras de petróleo, sugere Klare. O professor americano assume que Nigéria, Venezuela, Argélia e Angola venham a enfrentar perspectivas de turbulência política.

Embora a Arábia Saudita, um dos maiores produtores do mundo, tenha sobrevivido ao choque inicial, devido às suas enormes reservas cambiais, é significativo o fato de Riyadh ter anunciado cortes nos seus gastos públicos, incitando com isso o descontentamento crescente da população deste reino do Golfo.

Em contraste, o establishment russo enfrenta melhor a situação, com o Kremlin a desfrutar amplo apoio popular. Apesar da queda dos preços do petróleo, a liderança da Rússia “de fato move-se ambiciosamente no plano internacional”, observa Klare.

“Aconteça o que acontecer ao petróleo e aos países produtores, a ordem política global que uma vez repousou no preço crescente do petróleo está condenada”, sugere o acadêmico norte-americano.

Nota do Editor do Blog DG: realmente as perspectivas do preço do barril de petróleo não são nada boas, dado que a China, grande consumidora, possui um plano estratégico de investimento em energias renováveis que pretende incluir cerca de 560 gigavatts (GW) em um futuro próximo. Daí, que um crescimento de 6,5% ao ano da economia chinesa, não deverá resultar em um aumento correspondente de demanda por óleo cru. Neste contexto é interessante notar a atitude inexplicável, suicida, da Arábia Saudita, que mantém uma política de superprodução, ao mesmo tempo em que se envolve em um atoleiro no Iêmen, perde-se no seu sonho de grandeza na Síria e no Iraque na medida em que o EI e os seus satélites wahhabitas são escorraçados, enquanto o temido rival regional,  Irã, tem por agora aberta as portas dos mercados ocidentais, com o fim das sanções antes impostas por estes.