Yuri Dolgoruky realiza com sucesso teste com míssil R-30 Bulava

Fonte: Agência Tass

Moscou, 26 de junho, Agência TASS:

O cruzador de mísseis subaquáticos Yuri Dolgoruky, conhecido como Projeto 955, pertencente à Frota do Norte da Marinha da Federação Russa, testou com sucesso um dos seus mísseis R -30 Bulava, no Mar de Barents,  atingindo todos os alvos designados no campo de treinos de Kura, em Kamchatka, informou o Ministério da Defesa da Federação Rússa nesta segunda-feira.

“O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos do projeto 955 Borey, Yuri Dolgoruky, realizou lançamento bem sucedido de um míssil balístico intercontinental R-30 Bulava, da área designada no Mar de Barents para o campo de prática balística de Kura, em Kamchatka. O lançamento foi efetuado a partir de posição submersa, em conformidade com o plano de treinamento de combate”. Assim declarou o Ministério da Defesa da Federação Russa.

“Os parâmetros da trajetória de voo do míssil balístico intercontinental Bulava foram praticados em regime normal. De acordo com os dados confirmados do equipamento de registro, as ogivas do míssil balístico intercontinental realizaram um ciclo completo de voo e atingiram com êxito os alvos designados na Faixa de Prática”, afirmou o Ministério da Defesa.

O lançamento anterior de um míssil R-30 Bulava deu-se em 27 de setembro último, quando o mesmo submarino, Yuri Dolgoruky, realizou o lançamento de uma salva experimental com dois ICBMs no Mar Branco em direção ao alcance da Prática de Kura, no extremo oriente russo. As ogivas do primeiro míssil realizaram um ciclo completo do programa de voo e atingiram com sucesso os alvos designados no intervalo de prática. O segundo míssil, todavia, se autodestruiu após realizar a primeira etapa do programa de voo.

O submarino Yuri Dolgoruky é a belonave que lidera o Projeto 955, Classe Borey. O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos está armado com um conjunto de mísseis balísticos intercontinentais lançados pelo mar, R-30 Bulava, bem como com torpedos pesados. O submarino pode ser também armado com mísseis de cruzeiro. Possui um deslocamento total de 24.000 toneladas, com dimensões aproximadas de 160 metros de comprimento e de 13 metros de diâmetro.

O Míssil Bulava R-30 é um vetor balístico de propulsor sólido, desenvolvido especialmente para os submarinos do Projeto 955. Ele pode entregar 10 ogivas de 150 kilotons a uma distância de 10.000 quilômetros.

Fotografia: Lev Fedoseyev/TASS

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Rússia anuncia novo torpedo autocavitante (supercavitante)

Por: César A. Ferreira

Federação russa anuncia um novo torpedo autocavitante (também denominado como supercavitante), desenvolvido para substituir o mítico VA – 111 Shkval, presente nos arsenais da arma submarina russa desde a década de setenta…

Anunciou-se o desenvolvimento por parte da Federação Russa da arma que deverá substituir o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, arma sem par no mundo. Este tipo de arma distingue-se pela sua velocidade, incapaz de ser igualada pela tecnologia clássica dos torpedos pesados, visto que possui dispositivos capazes de formar à frente da arma uma bolha de gás, reduzindo de maneira drástica o atrito com o ambiente fluido.

A nova arma deverá apresentar performance em muito superior ao atual VA-111 Shkval, arma que jamais teve análogos desenvolvidos com sucesso no ocidente, dado que todas as tentativas resultaram em fracassos estruturais, ou de desempenho. Sabe-se que as marinhas dos EUA, Alemanha e Coréia do Sul desenvolveram, com graus variados de sucesso, versões análogas ao Shkval, entretanto, como revelado, sem alcançar o status de desempenho e operacionalidade da arma russa. Vale lembrar que o VA-111 Shkval começou a ser desenvolvido em plena década de sessenta, entrando em operação em 1977, o que faz dele um torpedo com quase quarenta anos de serviço!

Esta arma, o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, recebe críticas de alguns analistas de armas ocidentais, que afirmam ser tal torpedo uma arma sem aplicação prática, além de ser dispendioso de manter. Isto, por ser um vetor de uso direto, unidirecional, desprovido de método de guiamento. Todavia, tais análises não levam em conta o conceito operacional dedicado ao vetor pela então marinha soviética. Os soviéticos esperavam equipar seus submarinos nucleares de ataque, e mesmo os convencionais, com uma arma de ação extremamente rápida, que impusesse ao inimigo um tempo de resposta mínimo, quando não inexistente, com o intuito de protegerem os seus Submarinos Lançadores de Mísseis Balísticos, em suas áreas de lançamento, notadamente o “Mar Branco”, bem como ao largo da península de Kamtchathka. O fato de poder ser equipado com uma ogiva nuclear evidencia o papel defensivo desta arma.

Concebido para ser lançado de um tubo lança-torpedos de 533mm, o VA-111 apresenta um comprimento da ordem de 8,2 metros, cerca de 2.700 kg, velocidade acima de 500 km/h e propulsão por motor foguete de combustível sólido, características estas que deverão ser mantidas, ou superadas pelo novo modelo cujo desenvolvimento foi anunciado.

As mulheres na infantaria – a perspectiva de um soldado norte-americano

Por: Scott M.

Tradução: Clermont.                                 

Fonte: FDB

“Eu sei que isso já foi discutido, de novo e de novo.

Mas aqui está uma opinião de um soldado no Iraque. Eu queria ler o que ele tinha a dizer, portanto presumi que vocês também.

Eu mencionei, por acaso, para minha filha de 16 anos (que foi criada assistindo ‘Buff, a Caça-Vampiros’, ‘Stargate SG-1’, várias reencarnações de ‘Jornada nas Estrelas’, ‘Lara Croft’ e outras séries de ação que mostram garotas metendo a porrada) que não se permitem mulheres em unidades de combate das Forças Armadas dos EUA. Ela ficou ultrajada. Indignada. Ela quase gritou ‘POR QUÊ NÃO’! Eu fiz o melhor que pude para explicar as razões ‘oficiais’, as não-oficiais como eu as entendia, minhas objeções pessoais e como a linha entre ‘combatente’ e ‘não-combatente’ está cada vez mais obscurecida, mas ela não se convenceu.

Isso não é uma ordem por escrito, mas eu estaria muito interessado em sua opinião nesse assunto e suas experiências com fêmeas da espécie militar”.

A resposta do Soldado no Iraque:

Sim, é verdade, mulheres não podem estar na infantaria.

O tópico de mulheres na infantaria é muito cheio de armadilhas e é a única coisa em minha filosofia de vida pessoal sobre a qual sou um sexista. Eu vejo que existem duas razões por que mulheres não são permitidas na infantaria (ou na maioria das outras armas de combate). O “grunt” médio está bem de acordo com sua personalidade primordial e, sendo assim, geralmente só quer saber de duas coisas: trepar e brigar, nessa ordem. E a principal razão porque eles brigam é para serem durões para poder atrair mais mulheres, com as quais eles podem conseguir satisfazer o seu desejo por trepar. Tão logo existam mulheres à distância de uma cuspida, a diretriz número um primordial, chuta tudo o mais, especialmente a disciplina do serviço, direto para o inferno. Qualquer um que ache isso uma estupidez está certo, mas também é um retardado se acha que isso irá, algum dia, mudar. “Grunts” são “grunts”. O homem pensante encontra significados através de alguma espécie de objetivo mais elevado. O “grunt” acha significados só em trepar. E se ele puder lutar no intervalo das trepadas, ótimo.

A segunda razão porque mulheres não estão (e não devem estar) na infantaria é, igualmente, baseada no lado primário da existência humana como a primeira. Mulheres não podem fazer um trabalho digno de um “grunt”, de jeito nenhum. Eu gostaria de estar errado sobre isso porque vai contra todas as minhas noções de igualdade entre os sexos, mas é a verdade. Eu já treinei com mulheres em muitas ocasiões e eu posso dizer que elas alteram, completamente, o ambiente de treinamento. Não apenas os sujeitos ficam distraídos pela Razão Número Um, mas também o nível de intensidade do treinamento vai pras cucuias. A mulher mediana não se empenhará em treinamento do jeito que um homem faz. Eu já vi sujeitos se empenharem no treinamento até morrer, literalmente. Eu vi um sujeito acabar um teste físico, uma corrida de quatro quilômetros, então desmaiar e morrer de uma ruptura da aorta. Eu vi um sujeito marchar no sol até desmaiar pela insolação e ficar com danos cerebrais. Eu vi sujeitos marchando apesar de ossos quebrados, juntas deslocadas e ruptura de ligamentos. Morrer treinando é uma burrice, mas é um testemunho do grau em que um soldado está disposto a se empenhar. Em todas as minhas experiências com mulheres, o gene do bom-senso (que os sujeitos parecem carecer, para a felicidade das forças armadas) se rebela e diz a elas: “foda-se isso, não vá se matar fazendo essas coisas.”

Eu sei que há mulheres lá fora, que provavelmente, se esforçariam do mesmo modo, mas numa sociedade onde homens foram criados para se desempenharem devido à incrível força da pressão de seus pares machos, eles são mais fáceis de serem encontrados do que mulheres desejosas de fazer o mesmo. E eu ainda não entrei no fato de que o homem mediano é muito mais forte fisicamente do que a mulher mediana. E, ainda que fêmeas humanas fossem tão fortes fisicamente quanto os homens e desejosas de se empenharem no mesmo grau, haveria a Razão Um. Existem, na minha pequena base, quatro soldados mulheres. Na outra noite que a força de reação rápida teve de se mover, não conseguimos encontrar três dos nossos sujeitos. Acabamos por deixá-los para trás, inclusive um atirador de metralhadora calibre .50 pol. Ao voltar, descobrimos que estavam dormindo no quarto com uma das soldados que servem próximo a área de estacionamento da QRF (Quick Reaction Force). [nota: a área de estacionamento da QRF teve de ser realocada.

De qualquer modo, eu sei que essa é, provavelmente, a última coisa que sua filha queria ouvir. Talvez haja um tempo em que tais fatores não importem tanto e mulheres possam estar na infantaria. Enquanto isso, elas sempre podem servir na PM, que eles chamam de “a infantaria das cachorras”. Em combate, elas terminam fazendo a maior parte das coisas que a infantaria de verdade faz; ao menos, elas estão fazendo isso no Iraque.

Outros problemas com mulheres na infantaria:

– menstruação e saúde vaginal: as condições de vida podem ser muito duras e ter de lidar com uma, digamos, infecção por fungos na vagina enquanto se está sem chuveiros por vários meses, pode ser difícil de se imaginar.

– estupro (especialmente, se for capturada).

– gravidez: sem tempo para atendimento pré-natal em campanha.

– peitinhos: se eles foram grandes o bastante para ficarem no caminho dos equipamentos, blindagem corporal etc; ou de ações como rastejamento furtivo e outras atividades físicas da soldadesca, você se torna totalmente ineficaz como um “grunt”.

Eu gostaria de ter mais coisas positivas para dizer sobre mulheres na infantaria, mas há tantas coisas que fazem isso não ser uma boa idéia. Mulheres merecem oportunidades iguais, mas igualdade em certas funções de combate pode não fazer sentido tático.

Espero não ter esmagado as esperanças de sua filha, ou ter dado a impressão excessiva de ser um babaca sexista.

A resposta de Scott e um adendo:

Soldado escreveu: Agora o tópico de mulheres na infantaria é muito cheio de armadilhas…

Tem toda a razão.

Soldado escreveu: e essa é a única coisa em minha filosofia de vida pessoal na qual sou sexista.

Tenho de concordar. Bem, talvez uma ou duas coisas…

Soldado escreveu: Ao voltar, descobrimos que estavam dormindo no quarto com uma das soldados que servem próximo a área de estacionamento da QRF.

Todos eles? Porra! Meus amigos da Marinha contam-me histórias sobre as putas da Califórnia que se alistavam na Reserva Naval para conseguirem faturar à bordo dos navios durantes as instruções. As garotas tinham audiência cativa, especialmente, no mar, e uma fila se formava na porta do alojamento.

O que aconteceu com seus extraviados fodedores, depois disso? Disciplinarmente, quero dizer. Isso é contra o regulamento, não é? [nota: para registro, não havia nenhum Calígula obrigando ninguém, senão eles teriam clamado isso.]

Soldado escreveu: eu sei que essa é, provavelmente, a última coisa que sua filha queria ouvir.

Obrigado por sua honestidade. Eu concordo com a maioria de suas premissas. Realmente, minha filha precisa ouvir essas coisas ou ser surpreendida de forma rude e desagradável. Também, suas palavras carregam mais peso do que as minhas sobre o assunto.

Minhas objeções são menos fundamentais, e também difíceis de manter o passo com a visão mundial de estrito igualitarismo.

  1. Os jovens, fortes e saudáveis fazem os melhores soldados. Mulheres são os únicos seres humanos que podem gerar filhos. Uma mulher é muito mais do que um útero, mas nós, realmente, queremos pôr nossas mais jovens, fortes e saudáveis geradoras de bebês na linha de fogo? (vejam a curta história “Down Among The Dead Men” por John Campbell.) É verdade que não é exclusiva responsabilidade de uma mulher criar as crianças, mas eu penso que o bem-estar dos dependentes deveria ser uma prioridade mais elevada do que, digamos, promoção na carreira.

Há um garoto que vai a nossa igreja cujo único responsável, sua mãe, acabou de passar por um ano de treinamento e está, agora, na Alemanha. Ele está morando com outra família da igreja. Ele é um garoto feliz e brilhanto, mas também é, pateticamente, desesperado por atencão e aprovação. Nós damos a ele todo o amor e apoio que podemos, mas eu penso – sem pai e com a mãe desperdiçando a pré-adolescência dele, desdobrada no além-mar; será um milagre se isso não foder com a personalidade dele.

  1. A história nos diz que mulheres podem lutar, bem e ferozmente, mas no instante que uma unidade mista sofre baixas de mulheres, os homens (ao menos, os ocidentais) recuam. É a coisa fundamental novamente; o dever impregnado de proteger as mulheres (quando você não as está fodendo, quero dizer). Se “GI Jane” receber um mínimo ferimento, “GI Joe” sente-se como se fosse um fracassado (e age, e luta de acordo). Nada bom.

O único modo de superar isso seria criando uma sociedade, e por conseqüencia um exército, onde os homens fosse tolerantes ao sofrimento e morte de mulheres como são às mortes de outros homens. Não apenas eu não iria querer viver numa sociedade assim, como iria resistir, ativamente, à sua criação.

  1. E, é claro, o elefante na sala quando se trata de mulheres-em-combate tem de ser escrito em letras maiúsculas: ESTUPRO.

O abuso sexual de mulheres em tempo de guerra é uma história triste e antiga. No Ocidente, nós saímos do “luxúria, saque e bebida são o pagamento do soldado” para tornar o estupro em tempo de guerra um crime capital sob o UCMJ (código unificado de justiça militar das forças armadas americanas). Ainda acontece, mas torná-lo um crime maior, é um progresso.

Naturalmente, antiga é a palavra-chave na sentença acima: a maioria das culturas com as quais estaremos “interagindo” no futuro previsível são culturas tribais onde o abuso sexual de mulheres do inimigo são uma rotineira, se não compulsória, maneira de demonstrar o poder de alguém ao humilhar este inimigo. (quero dizer, que espécie de animal iria sodomizar uma mulher inconsciente com uma pélvis fraturada?) (*) E mais, eu aposto que as únicas garotas loiras que “GI Achmed” já viu estavam em algum tipo de revista pornô… (“Mas Coronel, a vadia infiel provavelmente estava gostando!”)

Enquanto escrevo, me ocorre que a chance – neste momento – de uma mulher soldado ser estuprada por um colega militar americano é, de fato, mais alta do que a chance dela ser capturada e estuprada por pessoal inimigo. Por outro lado, se ela for capturada, sua chance de ser estuprada é de cerca de 100 %. Suponho que seja problema dela se ela quis se voluntariar para isso, mas…

Eu me lembro de uma piloto de helicóptero de evacuação médica da primeira Guerra do Golfo, que foi abatida, capturada e molestada, repetidas vezes, apesar de estar com os dois braços quebrados. (O praça chefe dos tripulantes continuou tentando protegê-la e continuo sendo espancado por isso. Já que estava sendo violentada de qualquer jeito, ela teve de lhe dar ordem para parar de tentar protegê-la porque temia que eles acabassem matando-o.) Ela foi libertada e continuou servindo. Ela não foi à TV ou escreveu um livro; suponho que tenha contado para seu marido, seu capelão e fechou-se em si mesma, mas a história não se tornou pública até que ela foi forçada a testemunhar numa comissão do Congresso.

Como Lawrence da Arábia descobriu (para seu pesar, estou certo) os otomanos e seus assemelhados não se sentem constrangidos em abusar de cativos masculinos, mas isso não é de modo algum certo e, em qualquer caso, é assunto para outro debate.

À propósito, “infantaria das cachorras”, hein? Eu também me lembro que a senhora capitão que foi condecorada por bravura, no Panamá, era uma PM.

Obrigado pelos tiros no alvo.

Documento reservado da OTAN destaca que a Rússia é superior às forças da Aliança na Síria

Por: Josef Hufelschulte

Fonte: Focus

Tradução: J.Junker

Sábado: 05.03.2016

Desde setembro, a Força Aérea Russa está voando e atacando na Síria. Na imprensa, há denuncias de que os repetidos bombardeiros de Putin mataram centenas de civis. Ironicamente, no entanto, a OTAN elogia a Rússia em seu relatório: Ela está bombardeando “com precisão e eficiência”, ele diz – e teria um efeito muito maior do que o uso do armamento da OTAN.

O relatório da Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN) certifica que a Força Aérea Russa, implementada na Síria, alcançou um alto nível de profissionalismo. Isto foi relatado pela Focus, citando uma análise confidencial da OTAN, feita em Bruxelas.

Embora os aviões de combate das forças armadas russas são claramente inferiores aos jatos da aliança ocidental numericamente, os pilotos do Kremlin obtiveram, em operações contra a rede terrorista EI e outros grupos rebeldes, um impacto total maior. Isto foi devido à maior frequência de ataques aéreos russos, a Focus relata, citando o documento secreto.

Assim, cerca de 40 máquinas russas estacionados na Latakia voam até 75 missões por dia. Os ataques aéreos são executados “com precisão e eficiência”. A frota da OTAN conta com um total de 180 máquinas, que diariamente atacam apenas 20 alvos no solo. O Presidente Vladimir Putin, Comandante Supremo das forças russas, pretende aumentar, em futuro próximo, para até 140 aviões na Síria. Recentemente, a OTAN se sentiu constrangida pelo desdobramento de quatro caças multipropósito Sukhoi Su-35 na Latakia. O Su-35 é superior à maioria dos aviões de produção ocidental, de acordo com especialistas.

EI demonstra força no chão

De acordo com a OTAN, até agora apenas 20 por cento dos ataques russos foram contra terroristas, sendo a maioria contra milícias anti-Assad, algumas delas apoiadas pelo Ocidente. A forte presença dos terroristas e seus ganhos de terreno podem ser explicados pela dispersão dos rebeldes, por medo de ataques aéreos em suas posições.

Ao atacar, os pilotos do Kremlin usam informações de reconhecimento aéreo sírio. Além disso, as forças e espiões russos marcam instalações estrategicamente importantes. Sobre civis mortos nos ataques de aliados e da Força Aérea Russa não há nenhuma informação no documento secreto. De acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos mais de 1700 civis morreram desde Setembro de 2015 nos ataques aéreos russos, incluindo 423 crianças.

Nota do Editor: o que é conhecido como “Observatório Sírio para os Direitos Humanos” não passa de um simples ativista, comprometido ideologicamente, que mora acima de uma tecelagem em Londres. Vê-se, portanto, ao baixo nível no qual a grande imprensa é capaz de chegar no seu afã de desinformar. A credibilidade da grande imprensa não passa de miragem, fantasia, ou algo parecido.

USAF reflete sobre sucessor do F-35

Por: César A. Ferreira

A Força Aérea dos EUA (USAF-ing); concluiu dia 18 último um estudo que versa sobre o domínio do ar para a década de trinta e além, deste século. O estudo prevê as bases conceituais, bem como as armas que deverão compor a nova família de aeronaves de caça, isto, segundo o informante da Agência Reuters, um “Oficial Sênior” da referida Força Aérea, creditado como Tenente General Mike Holmes1 (“Vice Chefe”2 do Estado Maior da Força Aérea dos EUA), em matéria de autoria de Andrea Shalal, com edição de Leslie Adler . O estudo em questão, é importante dizer, precede as análises formais de alternativas, que por sua vez antecede aquelas dedicadas para aquisição de novos vetores. A ser apresentado no próximo mês aos principais pares da USAF, este estudo, por si, revela-se uma “saia justa”.

Dá-se que este estudo aborda, de fato, aquele que será o substituto do F-35, produto da Lockheed Martin Corp., cujo desenvolvimento, marcado por custos astronômicos acabou-se de ultimar. Esta aeronave encontra-se em produção, estando suas primeiras unidades entregues aos seus esquadrões por agora, após 15 anos de desenvolvimento, todavia, os avanços em tecnologia de detecção, por parte da Rússia e da China, forçaram a liderança militar dos EUA a pensar toda uma nova geração de aeronaves de combate para além daquilo que o F-35 representa.

“It won’t be just one airframe that comes out of it. It’ll be a family of systems that helps us make sure we can guarantee the air superiority that the joint force depends on”, afirmou o Tenente General Holmes, após discurso proferido na Air Force Association.

O militar informante deixou escapar que havia a intenção de explorar todo o potencial pertinente às capacidades de guerra eletrônica, como parte do esforço geral na concepção da nova família de aeronaves de caça/ataque. Ora, isto é uma espécie de “revolução” dado que a partir da adoção do perfil “Stealth” em suas aeronaves, o pensamento da USAF era a da penetração passiva, ou seja, sem emissão alguma de frequências, dado que a confiança recaia sobre os perfis antirreflexivos. Agora, maior atenção será dada à guerra eletrônica, justamente o pensamento dominante à leste dos montes Urais…

A matéria de Andrea Shalal traz outras informações. Segundo o oficial informante, a USAF planeja adquirir 62 helicópteros UH-1N, produto da Bell Helicopter (Textron Inc)., para comporem o sistema de segurança dos silos dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM-ing) Minuteman III (LGM-30), bem como para servir ao transporte VIP.

Notas
1 : “Lieutenant General Mike Holmes”.

2: Segundo em Comando.

Sistema S-500 preocupa o Pentágono

Por: César A. Ferreira

O Sistema de Artilharia Anti – Aérea S-500, cujo desenvolvimento deverá ultimar-se neste presente ano, segundo o membro do conselho de peritos da Comissão Industrial-Militar do Ministério da Defesa da Federação Russa, Viktor Murakhoviski, preocupa enormemente os analistas do Pentágono devido as suas características anunciadas, isto segundo o especialista Dave Majumdar, colunista do veículo The National Interest.

De fato, espera-se que o sistema S-500 venha a superar o atual S-400, cujo desempenho já é superlativo. Enquanto este é capaz de negar o espaço aéreo em um raio entre 250 e 400 km, a depender da ameaça, com tempo de resposta de 10 segundos e salvas de seis mísseis simultâneos, o S-500 deverá exibir alcance de até 600 km, salvas de 10 mísseis por vez e tempo de resposta inferior, ou igual a 4 segundos, além da capacidade de interceptar ogivas no período terminal, de reentrada, com velocidades de até 7 km/s (25.000 km/h) em uma atitude situada entre 185 ~ 200 km.

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S-400 “Trimph”. Foto: Vitaly V. Kuzmin

O sistema deverá ser capaz de operar integrado a toda uma gama de sensores, além daqueles que devem compor a unidade orgânica da bateria, o que equivale dizer se capaz de receber, interpretar/traduzir as informações advindas de sensores diversos, alguns destes, possivelmente, radares operantes nas bandas VHF/UHF (função anti-stealth). O colunista Dave Majumdar relata que os sensores agregados ao sistema serão os seguintes: 91N6A(M) como radar principal, varredura e gerenciamento de batalha, 96L6-TSP, radar de aquisição e engajamento multímodo; 76T6 ABM e/ou 77T6, radar de engajamento. Os dados apresentados, no entanto, são públicos, presentes na Wikipédia, bem como nos trabalhos do analista C. Kopp, o que lhes confere certo grau especulativo, visto que não partem de uma fonte oficial do Ministério de Defesa da Federação Russa, ademais, os engenheiros russos costumam desenvolver sensores específicos para cada novo sistema concebido, e quando não o fazem de imediato, integram um novo, pouco tempo após iniciada a cadência de produção do sistema recém-introduzido.

Radar de Vigilância BRADAR SABER M60

Esta matéria foi redigida originalmente para o site Portal Defesa e publicada na data de 08.09.2014.

Por: César Antônio Ferreira

A Embraer Defesa & Segurança, por meio da sua subsidiária, BRADAR, demonstrou na última mostra BID BRASIL o seu carro – chefe: o radar de vigilância de campo contra incursões de baixa altura BRADAR M60. O radar em questão é desmontável, capaz de ser transportado por veículos off-road leves, caso do Agrale Marruá AM-21 (3/4 ton), pois o peso total do conjunto é pouco maior do que 364 kg, ocupando 15 minutos de trabalho de uma equipe de três especialistas para ser montado. O radar é capaz de ser montado em qualquer tipo de terreno e opera sobre severas condições climáticas, exibindo flexibilidade e robustez.

A importância de dotar o Exército Brasileiro de um radar de vigilância e varredura de alvos aéreos, notadamente incursores de baixa altura, está refletida na recente cadeia de eventos do leste ucraniano, onde a Força Aérea da Ucrânia sofreu baixas exorbitantes entre as suas aeronaves de ataque disponíveis em rampa, devido a insistência em ataques à baixa altura, contra uma força dotada de um respeitável estoque de MANPADS e de canhões de tiro rápido. O radar de vigilância avisa aos artilheiros a direção da ameaça, preparando-os para o combate. Esta é a função do radar SABER M60.

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Antena rotativa do Radar Saber M60, desdobrada no Campo. Foto: internet.

O SABER M60 é um radar 3D, ou seja, é tridimensional, de estado sólido, modular e Pulso Doppler, possui a capacidade de rastreio de até 40 alvos, simultâneos, que por ventura estejam dentro do seu alcance de detecção. O cilindro que representa o seu alcance de detecção compreende um raio de 60 km de distância, com altura de até 5 km. Opera na Banda L (Frequência de 950 MHz a 1450 MHz, com Comprimento de Onda de 23 cm), sendo capaz de distinguir se a ameaça é um vetor de asas fixas (caça – bombardeiro), ou rotativas (helicóptero).

O processamento dos sinais é digital, e a interface do sistema é amigável, baseada que é em arquitetura aberta (Linux), portanto, adaptável às necessidades e requerimentos dos clientes, passível de ser instalado em computadores portáteis, exibindo a notável robustez do software. A transmissão se dá por cabo, ou conexão segura de rádio. Estes dados são enviados, recebidos e trabalhados por um COAAe – Centro de Operações de Artilharia Antiaérea, que é um módulo transportável, equipado com equipamentos de radiocomunicação, comando e controle, interceptação e monitoramento, que permite ao operador uma centralização de dados em vista de facilitar a consciência operacional. O COAAe dispõe de facilidades como telas de LCD, computadores, roteadores e ar-condicionado, entre outros.

Especificações Técnicas

Características físicas

Peso Total: 364,25 kg.

Comprimento Total em Operação: 3,20 m.

Largura Total em Operação: 3,20 m.

Altura Total em Operação: 2,85 m.

Alimentação do Sistema

Bateria: 28V, CC.

Comercial: 90-230V, CA, 50-60 Hz.

Gerador: Customizado (orgânico).

Radar

Alcance: 60 km.

Teto Máximo Aproximado: 5000 m.

Rotação da Antena: 7,5 ou 15 RPM.

Transmissor

Tipo: Estado Sólido; Pulso Doppler.

Frequência:Banda L.

Potência Média: 50 W.

Potência de Pico: 500 W.

Processamento de Sinais

MTI: Digital.

SU-35: a grande águia russa

Este artigo sobre o excepcional caça russo Su-35 foi redigido originalmente por mim para o site Portal Defesa, tendo sido publicado na categoria “Destaque” em 18-01-2014. O artigo continua no ar, junto ao referido site, onde conta com um maior número de imagens e ilustrações.

SU-35: a grande águia russa

Por: César Antônio Ferreira

Todos aqueles que já o viram, relatam a imponente impressão que sentiram à primeira vista. Assim é, e sempre será, um “Flanker”! (Código da OTAN para o SU-27 e família, que se tornou popular para designar o avião).

A imponência se destaca pelo grande tamanho, sendo este derivado dos requisitos havidos no projeto: exigia-se o domínio completo do espaço aéreo inimigo, o que resultava em um longo alcance, com tempo elevado de permanência sobre o alvo… A resposta seria uma célula com grande capacidade de transporte interno de combustível.

Poucos sabem, mas o SU-27 quase morreu ao nascer. A sua primeira concepção, materializada no protótipo T-10, mostrou-se insuficiente e abaixo dos padrões exigidos. Este protótipo possuía as derivas duplas montadas com uma separação menor e acima dos motores, uma asa com uma ponta sem corte, e uma fuselagem simétrica. O desempenho obtido foi relatado como “medíocre”, o que levou o Bureau Sukhoy, em desespero de causa, a reprojetar a aeronave à toque de caixa. A aeronave reprojetada reapareceu com os motores elevados na célula, com as derivas colocadas no flanco externo destes, maiores e com maior separação entre as mesmas, as asas ganharam recorte nas pontas e um novo formato, e a fuselagem perde simetria, ganhando uma corcova pouco acentuada. Nascia aquele que ganharia um apelido (OTAN) que rodaria o mundo: “Flanker”!

Nas feiras aeronáuticas de Le Bourget e Farnborough, o SU-27 demonstra uma agilidade assombrosa para uma aeronave do seu tamanho, iniciando ali, pela força expressiva das manobras, uma lenda, um mito. Em evoluções impossíveis para outras aeronaves, formou uma legião de apreciadores, principalmente, devido a afamada manobra denominada como “Cobra Pugachev”, realizada no Salão Aeronautico de Paris – Le Bourget, em 1989, pelo piloto de provas Viktor Pugachev. Ela consiste em levantar o nariz do caça abruptamente, em um elevado ângulo de ataque, e manter-se desta forma, vertical, por alguns segundos, “pendurado em seus motores”.

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SU-35, operacional da VKS em voo. Foto: internet.

O SU-27 sobreviveu ao fim da URSS como entidade política, ganhando operadores pelo mundo afora com aeronaves derivadas, que ganharam o designativo SU-30, tornando-se assim o grande sucesso de exportação militar da república herdeira da URSS, a Federação Russa. Dentre as nações operadoras do Su-30 encontram-se a Índia, Indonésia, Malásia e Venezuela, contando entre estas até mesmo forças aéreas de nações com poucos recursos, caso de Uganda.

O ultimo desenvolvimento desta família é o caça multi-propósito SU-35, objetivo deste artigo.

Encomendado em dois pedidos de 48 unidades cada, totalizando 96 unidades, sendo o primeiro lote com entregas finais esperadas para o ano de 2016, e o segundo lote, para o ano de 2020. Desta maneira, em 2020, caso não ocorram atrasos, 96 SU-35 estarão aptos para equipar os esquadrões da Força Aérea da Federação Russa.

Por ser uma aeronave multi-missão, o SU-35 está equipado para usar uma vasta gama de armamentos, para missões ar-ar, ar-mar, ar-terra. Para missões ar-ar; encontram-se integrados: R-73E e R-74 (WVR), R-77-1 (BVR). Espera-se a integração do míssil de longo alcance R-37M (K-37M), bem como das versões em desenvolvimento dos mísseis R-74 e R-77, respectivamente R-74M2 (K-74M2) e R-77M (K-77M), todos estes em fase de testes.

Entre as armas para emprego ar-superfície, exibem-se os mísseis Kh-58Ush e Kh-31PM, ambos de uso em missões de supressões de emissões inimigas (antirradar), Kh-38M, além das bombas guiadas de 1500 kg, 500 kg e 250 kg. Para emprego contra alvos navais, tem-se as armas Kh-31AM, Kh-35U/Kh-35UE e Kh-59MK. É esperada a integração de duas armas anti-navio de grande capacidade: Yakhont (P-800 Oniks)/Brahmos e Kalibr-A (família “Klub”, 3M54).

Como último recurso, o piloto pode contar com o canhão orgânico de 30mm GSh-30-1 com 150 disparos.

A potência do SU-35 é representada por um par de turbinas AL-41FIS (Izdeliye 117S), projetadas pela NPO Saturn, com produção relegada a UMPO. O motor exibe em potência máxima, ou seja, com o uso de afterburner (pós combustor), o valor de 14.500 Kgf, o que equivale a 142 Kn! Em regime de cruzeiro, ou seja, sem uso do pós-combustor, o valor equivale a 86,3 Kn (Kn= quilonewton; Kgf=quilograma força. 1 Kn = 101,97 kgf). O AL-41FIS exige revisão a cada 4.000 horas. Os bocais vetoráveis são idênticos aqueles da série 30 (SU-30 MK), ou seja, exibem 15º de deriva vertical (para cima, para baixo).

O Su-35 manteve a característica de poder transportar internamente uma grande quantidade de combustível, sendo esta característica ampliada 22 % em relação aos membros anteriores da família “Flanker”, totalizando 11.500 kg de combustível. Desta forma, apesar de exibir a capacidade de carregar tanques alijáveis, em termos práticos não o necessita, podendo por isto aproveitar os doze pontos existentes para transportar apenas armas, em um total de 8.000 Kg (8 toneladas).

Como meio de detecção principal o SU-35 possui o Radar N-135, também conhecido como Irbis-E. Radar Phased Array, ou seja, de varredura eletrônica passiva (PESA). Capaz de acompanhar enquanto realiza a varredura 30 alvos aéreos, com engajamento simultâneo de até oito aeronaves com mísseis BVR com cabeças de busca ativa. Para ataques terrestres, os ataques simultâneos são de até quatro alvos, sendo o Irbis-E capaz de varrer e mapear o terreno com alto grau de resolução. A potência operativa do radar se situa entre 20 Kw (pico) e 5 Kw (operação normal). O radar exibe dois modos de operação: Longo Alcance e Normal. No modo Longo Alcance um alvo com 3m² (RCS) é detectado em uma distância de 350 ~ 400 km. Neste modo, o ângulo de varredura se limita a 100°. No modo Normal, o alvo de 3m² (RCS) é detectado entre 170 ~150 km, sendo que o ângulo de varredura possui a abertura de 300°! Os alvos de baixa reflexão, ou seja, com 0,01 m², são detectados a 90 km. O radar possui uma suíte automática de classificação de alvos na forma de uma biblioteca, que informa o piloto o tipo de aeronave que ele irá enfrentar.

O sensor passivo compreende o IRST OLS-35, fornecido pela empresa NPK SPP (Moscou). Composto por um sensor térmico infravermelho (IR), uma câmera de TV, espelho de varredura e um designador a laser. A detecção pelo IRST em alvos com aproximação frontal é da ordem de 50 ~ 35km, e de 90 km em afastamento. Já as marcações de alvos pelo laser, alcançam as distâncias de 200 metros até 20 km. Todos os sistemas citados comunicam-se entre si e fornecem os dados ao piloto, em seu sistema de mira montado no capacete. Para autodefesa, o SU-35 conta com o sistema de alerta OAR de aproximação de míssil de guiagem IR com seis sensores espalhados pela célula para cobertura de todos os hemisférios, indicando precisamente ao piloto a direção da ameaça. Para autoproteção contra iluminação à laser, conta com o alerta OLO, capaz de indicar o ângulo incidente da iluminador. O alerta radar é composto pelo sensor L150-35 Pastel, que permite lançamentos de arma anti-radiação. Por fim, no que tange aos sensores, a suíte de ECM (contra-medidas eletrônicas) Khibiny-M.

O SU-35 é uma aeronave que cumpre com os parâmetros estabelecidos pelos seus criadores, que é uma aeronave capaz de impor a superioridade aérea sobre o espaço aéreo inimigo, promovendo ao piloto plena capacidade de avaliação situacional. Em outras palavras: um caça capaz de assustar o inimigo!

Características do SU-35 BM:

Comprimento: 21,90 m.

Envergadura: 15,30 m.

Altura: 5,90 m.

Enflexamento das asas: 42°.

Velocidade Máxima (11.000 metros): 2,25 Mach (2.756 Km/h).

Velocidade máxima ao nível do mar: 1.400 km/h.

Teto operacional: 18.000 metros.

Limite G: 9 G.

Taxa de subida: 325 m/s.

Raio de ação: 1.580 km.

Alcance máximo com combustível interno: 3.600 km.

Alcance máximo com tanques externos: 4.600 km.

Peso máximo de combustível interno: 11.500 kg.

Carga bélica externa (máximo): 8.000 kg.

Empuxo: 2x 14. 500 kgf.

Peso de decolagem padrão: 25.300 kg.

Peso de decolagem máximo: 34.500 kg.

Distância de pouso/decolagem: 700 m.

Pantsyr S-1 para o Brasil

Esta matéria foi redigida originalmente para o site Portal Defesa, publicada como destaque em 14/07/2014. De lá para cá tivemos o adiamento da aquisição deste sistema para o ano de 2016, bem como nota do Ministério da Defesa afirmando a manutenção do interesse na aquisição deste meio. A matéria do Portal Defesa permanece no ar e conta com maiores ilustrações, o link é o que segue: Portal Defesa – Pantsyr S1 para o Brasil.

 

Por: César A. Ferreira

O Embaixador da República Federativa do Brasil junto à Federação Russa, Antônio José Valim Guerreiro, anunciou (09/07/2014) que o Brasil irá adquirir o sistema de defesa antiaérea de origem russa Pantsyr S-1. A declaração do referido embaixador, deu-se quando instado pela agência “Interfax” sobre a visita do dignitário da Federação Russa, Vladmir Putin ao Brasil, que deverá ocorrer em breve em função do encontro dos BRICS; encontro este a ser realizado em Fortaleza no dia 14 próximo. Textualmente seguem as declarações do Embaixador Antônio José Valim Guerreiro à Agência Interfax: “A decisão sobre a compra desses sistemas antiaéreos da Rússia já foi tomada (…) o contrato de provisão dessas armas poderia ser assinado já este ano (…) e é provável que o mesmo saia antes de outubro ou novembro”.

 

O Brasil iniciou as negociações em vista da aquisição de baterias russas, notadamente do sistema Pantsyr S-1, em 2012. Para tanto houve o envio de comissões para observar in loco o desempenho deste sistema, contando inclusive com disparo reais, onde se apurou o acerto em todos os ensaios (acertos da ordem de 100%). Devem ser adquiridas três baterias, na forma de 13 veículos lançadores, 6 veículos de apoio, 3 veículos de manutenção, 3 veículos de manutenção eletrônica, 3 veículos de manutenção mecânica, 3 veículos transportadores de peças, 3 unidades de ajuste, um conjunto para equipamentos de teste e um simulador outdoor. Soma-se a aquisição de 288 unidades de mísseis 57E6-E e 37.000 cartuchos de calibre 30mm (30 x 165mm).

Os veículos serão distribuídos entre as três forças singulares: Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira e Marinha do Brasil. Com capacidade de atingir alvos até 22 km de distância e 15 km de altura, este sistema deverá compor o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA).

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Pantsyr S1, entregue ao Exército Nacional do Iraque. Foto: internet.

O que é o Sistema Pantsyr S-1?

O sistema de defesa aérea Pantsyr S-1 é um esforço da Federação Russa para prover a defesa crítica, ou aproximada, à suas instalações de importância tática e/ou estratégica, bem como à proteção de baterias de defesa antiaérea/antimíssil de longo alcance S-300, S-400 e futuramente o S-500. A sua capacidade para disparo em movimento também o qualifica para proteção de colunas blindadas em marcha. Devido a sua função de última barreira, possui uma capacidade inequívoca de pronto emprego, caracterizada na utilização do binômio míssil ágil e canhão de alta cadência. Possui 12 mísseis 57E6-E contidos em contêineres cilíndricos em posição para pronto disparo e dois canhões de 30mm. Os mísseis podem ser disparados com intervalos de 4 segundos entre si, sendo efetivos contra alvos da ordem de 1000 m/s (Mach 3, ou mais especificamente, cerca de 3.600 km/h ou 1 km por segundo), já os canhões de 30mm são efetivos contra alvos aéreos e terrestres (dupla função). O sistema é conteirado, ou seja, os contêineres com os mísseis, e os canhões, são apontados para a direção de onde provém a ameaça.

Como sistema o Pantsyr S-1 é autônomo, funcionando como se fosse uma bateria independente por veículo, incorporando neste a capacidade de varredura e detecção primária, detecção secundária, acompanhamento e/ou modo optrônico, seleção de fogo e iluminação de alvos, gerador próprio, estação de comando/comunicação/controle e plataforma de deslocamento. Com tudo isto em um só veículo, não é de se espantar que o tamanho seja grande – enorme melhor dizendo, exigindo uma plataforma 8×8 e apresentando um peso quando pronto para combate da ordem de 34 toneladas. Em contrapartida tem-se a facilidade e rapidez de deslocamento, algo visto como essencial na atual doutrina russa, onde posição fixa, ou a demora em levantar a bateria para rebocá-la de sua posição, é vista pelos doutrinadores como uma sentença de morte para a unidade de defesa antiaérea. Além disto, dado o fato de que a unidade pode receber e transmitir através de enlace de dados, ela pode atuar, dentre outras maneiras, em “silêncio eletrônico”, ou seja, sem emissão de ondas no espectro eletromagnético. Assim, se por acaso a unidade em questão for anulada, ou seja, suprimida pela ação do inimigo, as demais continuam ativas em sua rede de defesa, pois o conceito prevê a maior independência possível de cada viatura de lançamento dentro da disposição em camadas da rede defensiva dos sistemas antiaéreos.

Um breve comentário sobre a disposição “camadas” de um sistema defensivo antiaéreo

Disposição em camadas é um conceito russo para organizar a forma de combater das divisões de defesa antiaéreas das suas forças. Consiste em dispor de maneira concêntrica os sistemas defensivos, com o sistema de longo alcance no centro, protegido pelo de médio e curto alcance, sendo todos eles autopropulsados para rápida mobilidade. As baterias são posicionadas em campo na forma de rede, sem observar simetria, sendo a vigilância exercida por radares de campo, muitos deles operando na faixa VHS do espectro para detecção de alvos stealth, com o intuito de evitar que as baterias facilitem, com as suas emissões, a detecção, rastreamento e ataque, por parte do inimigo, das suas posições. Dessa maneira, o sistema defensivo acaba por aparentar uma disposição que lembra as camadas de uma cebola, onde a camada externa se refere ao alcance máximo dos sistemas de defesa de longo alcance, a seguinte dos de médio e a terceira os sistemas de curto alcance, caso o atacante consiga chegar até o alvo.

 A disposição, todavia, não necessita ser simétrica, podendo ser espalhada pelo campo de acordo com o entendimento do comando, de tal maneira que um atacante pode vir a enfrentar sistemas táticos de alcances médios e/ou de curto alcance e grande agilidade, enquanto esperava estar no limite do sistema de defesa antiaéreo estratégico (de longo alcance). A constante mudança de sítios, mobilidade e assimetria da disposição em campo evita dar ao inimigo a facilidade e o conforto de um modo estereotipado de agir, pois consideram os pensadores russos que uma defesa antiaérea que se torne previsível, sem disciplina de emprego, acaba por se tornar uma presa da força aérea atacante, já que esta tem a grande vantagem de escolher os termos do combate, ou seja, de como e onde combater. O conceito que sustenta a “disposição em camadas”, portanto, é o de apoio mútuo entre os sistemas antiaéreos que o compõem.

No tocante ao sistema Pantsyr S-1, este é considerado um sistema de defesa crítico, devido a sua rapidez de resposta e ao manobrável e ágil míssil 57E6-E. Seria, portanto, um sistema de defesa aproximado dentro do conceito russo de defesa em camadas. No contexto brasileiro será um sistema de defesa de alcance médio, isto devido ao seu alcance-limite, que é da ordem de 22 km.

Nascimento

É quase um lugar comum que o Pantsyr S-1 seja considerado como sucessor do 2K22 Tunguska, impressão que se reforça devido ao emprego conjunto mísseis/canhões. De fato o Pantsyr nasceu da necessidade observada pelos artilheiros soviéticos, de que seria desejável um alcance maior, tanto de detecção como do limite da arma principal do sistema, ou seja, o míssil. Isto é devido à avaliação de que os sistemas críticos deveriam enfrentar ameaças mais intensas, com maior saturação, tornando necessário maior desempenho em todos os quadrantes. Desta maneira, tem-se a arma principal, o míssil 57E6, com o dobro do alcance efetivo do antecessor, o míssil 9M311, bem como de uma altitude efetiva também maior. O tempo de resposta no Pantsyr caiu sensivelmente, sendo da ordem de 4 segundos. O míssil 57E6, por isto, se apresenta como ideal para interceptar e destruir mísseis de cruzeiro, bombas guiadas e até mesmo mísseis anti-radiação, como o ALARM, MAR-1 e o HARM (AGM-88), superando por larga margem os seus antecessores.

Plataformas

Os chassis homologados para uso como plataforma do sistema são de cinco. Destes, quatro sobre rodas e um propulsionado sobre lagartas. Os veículos sobre rodas homologados, são: KAMAZ 6560 (8 x 8), MZKT-7930, BAZ-6909 e MAN-SX/45. No tocante à venda para o Brasil, até o presente momento não há nada além de especulações sobre a plataforma a ser escolhida. O chassi SX-45 (MAN) acaba por despontar como se fosse uma “escolha natural”, devido à presença no Brasil da MAN Latin America (produção local de partes e componentes). O chassi sobre lagartas homologado é o GM-352M1E e porta apenas 8 mísseis, ao contrário dos sistemas montados nos caminhões que conduzem 12 mísseis de pronto emprego.

Dado o fato de que não há uma escolha concreta da plataforma até o presente momento, e que o fabricante do sistema exige homologação da plataforma, o que inclui testes extensos com intuito de verificar a estabilidade do chassi, durante a realização de disparos estáticos e em movimento, as especulações de uso de chassis vários, tais como IVECO e/ou Tatra, para servirem como plataforma dos veículos lançadores, devem ser entendidas antes como manifestações de um desejo expresso por parte de quem realiza a especulação do que uma realidade concreta. Espera-se que, ao anunciar oficialmente a escolha deste sistema, o Ministério da Defesa também anuncie a plataforma escolhida, que pode ser uma das aventadas pela mídia, especializada ou comum.

As armas do sistema

O Pantsyr S-1 combina o uso de mísseis de ação rápida com canhões de alta cadência de tiro. O míssil é o 57E6-E, arma de concepção revolucionária, dado o fato de que dos seus dois únicos estágios apenas o primeiro, o booster, conta com propelente, sendo que a parte seguinte vai em direção ao alvo apenas com o impulso do primeiro estágio, ou seja, prossegue com energia cinética, apenas. A parte que conta com a cabeça de guerra, desprovida de propelente, pode por isso ter um diâmetro diminuto, o que lhe dá a aparência de um dardo e, pelo fato de ser uma arma com alcance curto para os padrões russos, a desaceleração observada é mínima. De uma impulsão até aos 1.300 m/s (4.680 km/h) aos 2.4 segundos de voo, o estágio seguinte do míssil 57E6 desacelera para 900 m/s (3.240 Km/h) ao percorrer 12 km, próximo do limite de alcance da arma – até 18 km em condições ideais – a desaceleração será da ordem de 700 m/s (2.520 km/h), ou seja, conserva energia cinética bastante para próximo do limite de alcance (18km) ser uma arma manobrável e letal. O alcance máximo verificado é de 22km, já com manobrabilidade apenas residual.

O míssil 57E6-E apresenta probabilidade de acerto do alvo entre 70% e 95%, que cresce para 99% quando dois mísseis são lançados. Estas taxas de acerto se mantêm efetivas até o limite de altitude da arma, que é de 15 km. Sob o comando da estação de controle, situado no veículo lançador, o oficial artilheiro pode comandar a autodestruição do míssil, ou desativar a espoleta de fragmentação por proximidade, recurso este utilizado quando o míssil 57E6-E é dirigido contra um alvo terrestre e realizado com o intuito de aumentar os danos possíveis ao alvo por impacto. Ademais, é preciso lembrar que estocado em seus contêineres cilíndricos selados os mísseis 57E6-E exibem validade de 5 anos e quando estocados em depósitos climatizados exibem uma validade de 15 anos.

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Missil 57E6 e o canhão 2A38M. Foto: internet.

A outra arma que compõe o sistema Pantsyr S-1 são os canhões 2A38M. Montados com boa separação entre si, estes canhões de 30 mm, empregando cartuchos de 30 x 165mm traçantes, incendiários e/ou explosivos, capaz de atingir a elevadíssima cadência de 2.500 disparos por minuto cada peça, num total de 5.000 se empregadas ambas ao mesmo tempo. Os tubos são arrefecidos por líquido e a cinta de alimentação comporta até 700 cartuchos por arma. Esta possui dupla função, podendo ser dirigida contra alvos aéreos e terrestres. O alcance dos canhões para alvos aéreos é de 3.000~3.500 metros, e para alvos terrestres cerca de 4.000 metros ou mais. Os canhões oferecem à equipagem da bateria certa possibilidade de autodefesa, se por acaso esta for surpreendida por equipes de combate terrestres inimigas. O peso médio da arma é de cerca de 195 kg, sendo o do cartucho completo de 842 gramas e, do projétil, 389 gramas (HE-I ou High Explosive – Incendiary / Alto Explosivo – Incendiário), com velocidade de boca de aproximadamente 960 m/s.

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Os dois radares do sistema de detecção do Pantsyr: em primeiro plano o radar 1RS2-E, em forma de tambor, atrás o radar 2RL80E, com antena rotativa. Foto: internet.

Sistemas de varredura, acompanhamento, iluminação e sensores passivos

O sistema Pantsyr S-1 conta com radares e uma estação optrônica como suíte de detecção. Os radares do veículo lançador são dois, sendo que um realiza as funções de varredura/vigilância e outro é para acompanhamento/direção de tiro. Existem, hoje, duas opções para o cliente equipar o veículo lançador com o radar de busca e detecção: o modelo 2RL80E e o modelo RLM S0C. Para a função de acompanhamento e de diretor de tiro, o modelo 1RS2-E é o adotado. Além destes sensores eletromagnéticos, o veículo lançador possui uma estação optrônica (ótico-eletrônica), dotada de sensores termais, que permitem a operação de forma independente dos sensores eletromagnéticos, impondo como penalidade, apenas, o controle de um míssil por vez contra um alvo selecionado.

A varredura de campo, entretanto, não é realizada pelos radares embarcados no veículo lançador, apesar disto ser plenamente possível, mas por um radar de vigilância, cuja função é a de vigiar o campo de batalha enquanto as baterias, isto é, os veículos lançadores mantêm a disciplina de “silêncio eletromagnético” (não efetuam emissões eletromagnéticas). Dotado de um alcance maior, os radares de campo oferecem, portanto, o aviso antecipado. Os russos oferecem para exportação o radar de varredura de campo Kasta 2E1/2E2, com alcance de 150 km, capacidade de detecção e acompanhamento simultâneo de até 50 alvos, com 360º de cobertura em qualquer tempo. Este radar foi exportado para a Argélia, dentre outros clientes; todavia, no caso brasileiro, especula-se que para a função de vigilância/varredura de campo seria adotado o radar produzido pela BRADAR – Embraer Defesa e Segurança/Orbisat – SABER M-200, que se encontra neste momento em desenvolvimento e cujo alcance esperado é da ordem de 200 km.

 O radar VNIIRT 2RL80E: radar com grande resistência a CME (contramedidas eletrônicas), PESA – Passive Electronically Scanned Array, ou radar de varredura eletrônica, que possui sua configuração em tela plana, rotativa (360° – 15, ou 30 rpm – rotações por minuto), 3D (tridimensional: azimute, alcance e altura), opera na banda S de forma primária com a possibilidade de escolha de outras frequências (20 – aleatórias). Permite o acompanhamento de 20 alvos, a cobertura de elevações entre 0° e 60°, alcance até 50 km, com os seguintes valores de alcance para Seção Reta Radar (RCS): 2m² (aviões/caças) – 36 km; 1,3m² (helicópteros/helicópteros de ataque) – 32 km; 0,1m² (mísseis de cruzeiro, antirradiação e bombas guiadas) – 16 km (os valores decaem em 10% quando o veículo está em movimento). A flexibilidade reflete-se na possibilidade do oficial artilheiro poder selecionar as escalas, sendo estas de 0°~60° (alcance: 1-30 km); 0°~30° (alcance: 1-50km); 40°~80° (alcance: 1-25km) e 0°~25° (3-80km).

RLM S0C – PESA – “Janus Faced” : radar de varredura eletrônica que apresenta uma disposição frente/costa, para uma cobertura de 360º simultânea (montagem em “Janus”, ou “Jano”. Feito em semelhança ao deus romano de dupla face). Este radar possui em relação ao 2RL80E maior desempenho, e facilita rastreio de mísseis rápidos e com baixa assinatura. Operando em banda S, apresenta a capacidade de detecção de alvos com RCS (Seção Reta Radar) de 2m² a distância de 40 km, monitoração simultânea de 40 alvos, altitude de rastreio de 20 km, velocidade radial da ordem de 30~1200 m/s, azimute de 0°-360°, elevação de 0-60° e varredura de 90° (eletrônica). Possui um carga para a estrutura de 950kg.

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RLM S0C – PESA – “Janus Faced”. Foto: internet.

 O radar diretor de tiro/acompanhamento VNIIRT 1RS2-E: radar PESA (Passive Electronically Scanned Array), Pulse Doppler, responsável por selecionar dentre aquelas detectadas pelo radar de varredura as ameaças de maior poder ofensivo. A capacidade de acompanhamento é de oito alvos e estes são classificados em função do risco, sendo os três mais perigosos à posição defensiva são priorizados para combate (ordem de disparo equivalente ao grau de ameaça). É capaz de dar combate a até quatro bombas guiadas por vez, permitindo disparos contra o mesmo alvo com intervalos de 2 até 4 segundos. Concebido para operar nas bandas X e Ku, o radar iluminador 1RS2-E vetora o míssil 57E6-E por guiagem CLOS – Command to Line of Sight, ou Comando por linha De Visada -, emitindo sinais codificados de maneira contínua até a eliminação da ameaça, sendo 4 o número máximo de mísseis capazes de ser guiados por vez. Os valores de detecção de Seção Reta Radar (RCS) do radar 1RS2-E, de alvos com velocidade até 1.000 m/s, são os que seguem: 2m² (caças/veículos) – 28~24km; 0,1m² (mísseis antirradiação e/ou cruzeiro) – 13~11 km; 0,03m² (bombas guiadas) – 10~7km. O radar 1RS2-E permanece cativo, ou seja, fixo à torre com os mísseis e canhões, sendo apontado com estes para a direção da ameaça. Possui campo operativo de -5° a + 82°.

 Visor termal MATIS LR: para realizar detecção e operação passiva, independente do uso de emissões eletromagnéticas, o Pantsyr S-1 conta com o uso de um sistema eletro-óptico, cujo visor termal é de origem francesa, MATIS-LR, que exibe azimute de +90° e -90°, capacidade de acompanhamento de aeronaves entre 17~30km, mísseis de cruzeiro entre 12~15km e mísseis antirradiação a partir de 12km. Estabilizado e integrado ao radar 1RS2-E, acompanha o alvo de forma independente, ou a partir dos dados fornecidos pelo radar. Em tela de comando fornece imagens de vídeo com a contínua posição do vetor de interceptação (míssil 57E6), por isso necessita estar com perfeito alinhamento no tocante ao eixo ótico/iluminação eletromagnética e isto, portanto, acaba por exigir uma necessidade primária de atenção das equipes de manutenção.

Evolução

O sistema Pantsyr S-1 é plenamente operacional junto às forças armadas russas, entretanto, imbuído no programa de desenvolvimento contínuo dos sistemas de defesa antiaérea da Federação Russa, a empresa KBP Tula efetua o programa de evolução do sistema Pantsyr, denominado como Pantsyr SM. Este sistema agregará uma nova viatura plataforma, calcada na viatura blindada KAMAZ Typhoon, um veículo lançador com a mesma disposição atual do Pantsyr, com radar de varredura, e um segundo veículo lançador, este desprovido do detector de busca e dos canhões de alta cadência, mas tendo o acréscimo de mísseis para pronto uso, totalizando 24 contêineres cilíndricos, sendo 12 de cada lado da torre.

O míssil sofrerá uma adaptação muito simples, dado que será o mesmo 57E6-E em sua essência, todavia dotado de um novo booster, que lhe dará maior aceleração para permitir a interceptação de alvos que exibam velocidades da ordem de 1.800 m/s (6.480 km/h). Hoje, vale lembrar, o míssil 57E6-E está limitado a alvos que apresentem velocidades da ordem de 1.000 m/s (3.600 km/h). O detector principal da bateria deverá ser o RLM S0C – PESA – “Janus Faced”.

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Pantsyr S1 configurado em uma plataforma móvel, homologada, MAN, SX-45. Imagem: KBP Tula.

Pantsyr S-1 para o Brasil

O Pantsyr S-1 não foi, até a presente data, utilizado em situação de combate. O abate de uma aeronave RF-4E Phantom da Força Aérea da Turquia, supostamente ocorrido no litoral sírio, foi de responsabilidade de uma bateria equipada com mísseis Pechora 2M (alcance de 35km, altitude de 18.000 m), segundo as fontes militares sírias. Entretanto, o Pantsyr S-1 foi submetido a testes severos, que atestam com segurança a capacidade combativa deste sistema. Dentre estes testes se destacam dois, feitos na presença de uma delegação militar brasileira, efetuados ambos com sucesso, com a ocorrência da destruição dos alvos, sendo um deles abatido no limiar do alcance do sistema. Os testes em questão foram realizados a pedido do Ministério da Defesa do Brasil, e o foi por uma unidade operativa das forças armadas russas e não por uma equipe do fabricante e, atendendo a um pedido brasileiro, formulado pelo General de Brigada Márcio Roland Heise, os disparos foram realizados dentro do alcance visual. O primeiro deu-se contra um drone, propulsionado por turborreator, que realizava manobras evasivas, em seguida contra um alvo esguio e rápido. O drone foi abatido na distância de 15 km (6.000 metros de altitude). O segundo teste foi ainda mais exigente, pois contra a unidade de tiro de teste foi lançado de outra bateria um míssil, arma de pequeno tamanho, esguia, pequena, com mínima assinatura. A ameaça foi neutralizada na distância de 8,5 km (100 metros de altitude) por um míssil 57E6-E.

 Por ser modular, o Pantsyr S-1 pode proteger instalações físicas de modo fixo, sem sua plataforma móvel, apesar de ser uma forma pouco inteligente em caso de um conflito. Aliás, no tocante a plataforma, o fato de haver a presença no Brasil de uma unidade produtiva de um dos fornecedores com chassi homologado pelo fabricante, KBP Tula, no caso a MAN Latin América, favorece a escolha do chassi SX-45; todavia, caso a escolha recaia sobre exemplares russos, como o BAZ 6909, ou KAMAZ 6860, não seria propriamente uma surpresa dado a qualidade destes veículos.

Outra especulação existente na proposta para o Brasil, está relacionada a escolha do radar de varredura do veículo lançador, e da escolha do radar de vigilância de campo. Quanto ao segundo, a escolha do radar BRADAR SABER M200 é tida como uma aposta segura, por ser um equipamento produzido por uma empresa brasileira e que atende aos requisitos exigidos. Para equipar a viatura de lançamento, a escolha deverá recair entre o 2RL80E e o RLM S0C. Escolhido o radar, deverá ser incorporado um sistema nacional de IFF – Identification Friend Or Foe (Identificação – Amigo ou Inimigo).

 O conceito russo que engloba o Pantsyr S-1 é o SHORAD – Short Range Air Defense, ou defesa de curto alcance e baixa altitude, ou seja, uma defesa crítica, de último recurso. A escolha russa, portanto, passou pela decisão de criar um produto específico para uma ameaça específica, ao contrário do que se vê em algums opções no ocidente, que é a simples adaptação de mísseis concebidos para a arena ar-ar, seja arena BVR (beyond-visual-range, ou além do alcance visual), ou WVR (Within Visual Range, ou dentro alcance visual), para a proteção de unidades terrestres das ameaças aéreas. A princípio parece lógico, pois dá-se em função do aproveitamento de armas existentes, entretanto, os mísseis ar-ar são armas caras, complexas, de manejo difícil e exigente. A solução russa, por outro lado, acaba por impor uma bateria sofisticada, grande e pesada, dado o fato de que ela busca autonomia de geração de energia, mobilidade e detecção, além de uma quantidade de mísseis de pronto uso (12), que possam dar combate contra um ataque de saturação. O vetor, ou seja, o míssil, passa a ser de extrema simplicidade na sua concepção, o que por sua vez se reflete no seu custo de produção, afinal, pouco vai além de propelente, cabeça de guerra e antena receptora para os comandos. Em uma defesa aproximada é recomendável manter o foco no alvo e o número de disparos, via de regra, é elevado, o que impõe a necessidade de um estoque vasto, ou de produzir em larga escala o vetor (míssil). Naturalmente há opções ocidentais mais parecidas com o sistema exposto, como o Crotale francês ou o BAMSE sueco.

 No contexto brasileiro, devido às faixas de classificações adotadas, o Pantsyr S-1 será considerado como uma bateria voltada para proteção de média altura, visto que o alcance limite da arma principal, o míssil 57E6-E, é da ordem de 22 km. Caberá ao sistema a proteção de instalações vitais e de colunas blindadas em progressão, devido à capacidade deste sistema de disparo em marcha. Todavia, como visto antes, o Pantsyr S-1 não é um sistema voltado à média altura, sendo a sua capacidade para cumprir esta missão, marginal. Para cumprir com perfeição a missão de defesa de média altura, é necessária a adoção de um sistema voltado para dar combate contra ameaças situadas nas faixas de 35~45km de alcance e 18.000~25.000m de altitude. Para tanto, será imperativo o desenvolvimento, ou a aquisição de um projeto/produto que atenda a estas faixas de ameaças. Talvez seja esta a principal missão deste sistema no Brasil: abrir as portas para o entendimento, visando o desenvolvimento nacional de sistemas antiaéreos de médio alcance.