Wheels and deals: fermenta a guerra na Casa de Saud

Por: Pepe Escobar (4.10.2017)

Fonte primária: Asia Times – Counterpunch; fonte em português: Blog do Alok.

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu.

De repente, a matriz ideológica de todas as variantes de jihadismo salafista passa a ser elogiada no Ocidente como modelo de progresso – porque mulheres sauditas afinal receberam permissão para dirigir carros. Mas só ano que vem. Mas só algumas mulheres. Mas só com muitas restrições.

O que é certo é que o momento para anunciar a novidade – que vem depois de anos de pressão de liberais norte-americanos – foi calculado com precisão, e aconteceu apenas poucos dias antes que o capo da Casa de Saud rei Salman apareceu para dois dedos de prosa na Casa Branca de Trump. O movimento de soft power foi coordenado pelo príncipe coroado, 32 anos, Muhammad bin Salman, codinome MBS, o Destróier do Iêmen; o rei só fez assinar.

A tática diversionista mascara graves problemas na corte. Uma fonte especialista em negócios do Golfo, com conhecimento íntimo da Casa de Saud e encontros pessoais frequentes com eles, disse a Asia Times que “as famílias Fahd, Nayef e Abdullah, descendentes do Rei Abdulaziz al Saud e sua esposa Hassa bin Ahmed al-Sudairi, estão formando uma aliança contra a ascensão ao trono do príncipe coroado.”

Não chega a surpreender, se se sabe que o deposto príncipe coroado Mohammed bin Nayef – muito considerado no Departamento de Estado dos EUA, especialmente em Langley [cidade onde está o quartel-general da CIA] – está em prisão domiciliar. Sua massiva rede de agentes no Ministério do Interior foi quase toda “dispensada de qualquer autoridade”. O novo ministro do Interior é Abdulaziz bin Saud bin Nayef, 34, filho mais velho do governador da Província Oriental marcadamente xiita, onde está todo o petróleo do reino. Curiosamente, o pai agora é subordinado do filho. MBS está cercado de príncipes sem qualquer experiência, todos com cerca de 30 anos, e afastando de si praticamente todos os demais.

O ex-rei Abdulaziz definiu a própria sucessão baseado na idade dos filhos; em teoria, se todos chegarem à mesma idade todos terão algum tempo de reinado, o que evitaria o banho de sangue historicamente habitual nos clãs árabes, em disputas pela sucessão.

Agora, diz a fonte, “já todos preveem que um banho de sangue é iminente”. Especialmente porque “a CIA está indignada por o compromisso negociado em abril de 2014 estar sendo descumprido, como se vê no fato de o maior fator antiterrorismo no Oriente Médio, Mohammed bin Nayef, estar preso.” Tudo isso pode levar a “ação vigorosa contra MBS, possivelmente no início de outubro.” E pode até coincidir com o encontro Salman-Trump.

O ISIS joga pelo livro (saudita)

A fonte de Asia Times especialista em negócios no Golfo destaca que “a economia saudita está sob estresse extremo, por efeito de sua guerra pelo preço do petróleo contra a Rússia, e estão tendo muita dificuldade para pagar os fornecedores. Essa situação pode levar à falência algumas das maiores empresas na Arábia Saudita. A Arábia Saudita de MBS vê o iate de US$600 milhões comprado pelo príncipe coroado, e o pai dele gastando US$100 milhões nas férias de verão, sempre nas primeiras páginas do New York Times, enquanto o reino sufoca sob aquela liderança.”

O projeto que é a menina-dos-olhos de MBS, o super propagandeado Vision 2030, visa, em teoria, a diversificar e afastar o reino da dependência dos lucros do petróleo e dos EUA, na direção de uma economia mais moderna (e política externa mais independente).

Na avaliação da mesma fonte, é tudo completamente sem sentido, porque “o problema na Arábia Saudita é que suas empresas não conseguem funcionar com a mão de obra local e dependem de expatriados, que constituem 70% ou mais dos empregados. A gigante do petróleo Aramco simplesmente não opera sem expatriados. Daí que vender 5% da Aramco para diversificar não resolve o problema. Se ele quer sociedade mais produtiva e menos empregos no próprio governo onde só se copia, terá primeiro de treinar e garantir emprego ao próprio povo.”

A também elogiadíssima venda pública de parte da Aramco, apresentada como a maior venda de ações de toda a história, originalmente agendada para o próximo ano, foi mais uma vez adiada – “possivelmente” para o segundo semestre de 2019, segundo funcionários em Riad. E ainda ninguém sabe onde serão vendidas as ações; a Bolsa de Nova York está longe de ser assunto decidido.

Paralelamente, a guerra de MBS contra o Iêmen e o ímpeto saudita a favor de mudança de regime na Síria e de reformatar o Oriente Médio Expandido, revelaram-se desastres espetaculares. Egito e Paquistão recusaram-se a enviar tropas ao Iêmen, onde o pervertido infindável bombardeio aéreo pelos sauditas – com armas dos EUA e Grã-Bretanha – acelerou a desnutrição, a fome e o cólera e configurou crise humanitária massiva.

O projeto do Estado Islâmico foi concebido como ferramenta ideal para levar o Iraque a implodir. Hoje já é de domínio público que o dinheiro para organizar a coisa partiu quase todo da Arábia Saudita. Até o ex-Imã de Meca admitiu publicamente que a liderança do ISIS “extraiu suas ideias do que está escrito em nossos livros, nossos próprios princípios.”

O que nos leva a maior e mais profunda contradição saudita. O jihadismo salafista está mais que vivo dentro do Reino, por mais que MBS tente fazer-se passar por líder liberal (fake) da linha “gatinha, deixo você dirigir o meu carro”. O problema é que Riad nunca, em tempo algum, cumprirá qualquer promessa que se aproxime de liberalização: a única legitimidade da Casa de Saud depende daqueles “livros” e “princípios” religiosos.

Na Síria, além da evidência de que a maioria absoluta da população do país não quer viver num Takfiristão, a Arábia Saudita apoiou o ISIS enquanto o Qatar apoiava al-Qaeda (Jabhat al-Nusra). E isso acabou num banho de sangue de fogo cruzado, com todos aqueles tais inexistentes “rebeldes moderados” apoiados pelos EUA reduzidos pilotos de carros antiquados.

E há também o bloqueio econômico contra o Qatar – mais um brilhante enredo cerebrado por MBS. Só serviu para melhorar as relações de Doha com ambos, Ankara e Teerã. O emir do Qatar Tamim bin Hamad Al Thani não foi derrubado, tenha Trump realmente persuadido Riad e Abu Dhabi a evitar qualquer “ação militar”, ou não. Nada de estrangulamento econômico: a Total francesa, por exemplo, está às vésperas de investir US$2 bilhões para expandir a produção de gás natural no Qatar. E o Qatar, via seu fundo soberano, contragolpeou com o mais espetaculoso dos movimentos de soft power – comprou a marca e craque de futebol Neymar, para o PSG, e o “bloqueio” soçobrou sem deixar traço.

“Roubam até a roupa do corpo do próprio povo”

Em In Enemy of the State, o mais recente thriller de Mitch Rapp escrito por Kyle Mills, o presidente Alexander, sentado na Casa Branca, esbraveja que “o Oriente Médio está implodindo porque aqueles filhos da puta sauditas só fazem inflar o fundamentalismo religioso, para encobrir o fato de que roubam até a roupa do corpo do próprio povo.” É uma avaliação equilibrada.

Não se admite absolutamente nenhuma discordância na Arábia Saudita. Até o analista econômico Isam Az-Zamil, muito próximo do poder, foi preso durante a atual campanha de repressão. A oposição a MBS portanto não vem só da família real ou de alguns clérigos – embora digam os boatos que só quem apoie o “terrorismo” da Fraternidade Muçulmana, da Turquia, do Irã e do Qatar estaria sendo perseguido e atacado.

Em termos de o que Washington deseja, a CIA não aprecia MBS, para dizer o mínimo. Querem o homem “deles”, Nayef, de volta ao poder. Quanto ao governo Trump, o que se ouve é que está “desesperado em busca de dinheiro saudita, especialmente para investimentos em infraestrutura no Cinturão da Ferrugem”.

Será muitíssimo iluminador comparar o que Trump obtém de Salman e o que Putin obtém do mesmo Salman: o rei doente visitará Moscou no final de outubro. Rosneft está interessada em comprar ações da Aramco quando afinal acontecer a venda pública. Riad e Moscou estão considerando uma extensão de negócios da OPEP, bem como uma plataforma de cooperação OPEP-não-OPEP que incorpore o Fórum de Países Exportadores de Gás [ing. Gas Exporting Countries Forum, GECF].

Riad leu as palavras escritas no novo muro: o capital político e estratégico de Moscou não para de crescer por todos os lados, de Irã Síria e Qatar até Turquia e Iêmen. Não é coisa que se dê bem com o estado profundo dos EUA. Mesmo se Trump conseguir alguns negócios para o Cinturão da Ferrugem, a questão candente é se CIA & Amigos conseguem viver com MBS no trono da Casa de Saud.

Nota dos tradutores: Orig. Wheels and Deals. É uma rede de venda de carros usados, que tem lojas em várias cidades por todo o país. A ironia parece ter a ver com a licença para mulheres dirigirem na Arábia Saudita. Não conseguirmos traduzir.

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Uma ameaça elucidativa

Por: César A. Ferreira

No campo das relações humanas as ameaças podem incutir muitos significados, desde o aviso literal de uma intenção, em geral agressiva, até a dissimulação de uma vontade, desejo oculto, ou fraqueza. Muito frequentemente oculta o temor, ou a impotência sentida. Ademais se mostra reveladora, também, do estado emocional do emitente.

A ameaça é uma revelação de uma intenção agressiva, doutra forma não seria uma ameaça, não por outro motivo costuma ser algo bastante raro no trato diplomático por motivos óbvios, visto que usar mão de ameaças significa rudeza. Ademais, chefes de governo emprestam um peso grande caso verbalizem uma ameaça… Pois, independente disto, a Ministra da Justiça do Estado de Israel, do nada, emitiu uma ameaça explícita endereçada à pessoa do Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin. Este absurdo diplomático cometido pela Senhora Ayelet Shaked continha as seguintes palavras:

“Se Putin quer sobreviver, ele deve manter suas forças armadas fora da Síria”

É difícil entender o motivo de um Ministro de Estado cometer tamanho desatino. Ayelet Shaked é uma mulher jovem, com formação acadêmica em Engenharia de Sistemas (TI), e alçada ao Ministério da Justiça por ser uma estrela em ascensão no cenário politico israelense, neste contexto é possível especular que a senhora Shaked esteja verbalizando o sentimento existente no seio do poder israelense em relação à Federação Russa e suas ações na Síria, focado no seu líder.

De fato a intervenção russa na Síria mudou o rumo da guerra contra os jihadistas, colocando o governo sírio no trilho da vitória. A derrota dos extremistas significa por extensão a derrota das monarquias do golfo pérsico, das agências de inteligência ocidentais, notadamente da CIA, bem como de Israel, que muito investiu nestes guerreiros do terror islâmico.

Uma prova clara disto é o atendimento médico de extremistas no Ziv Medical Center, hospital israelense que é referência para tratamento de traumas por armas de fogo. O empenho israelense em apoiar os terroristas foi flagrado pelo jornalista Sharri Markson, do veículo News Corp, cuja descoberta foi robustecida posteriormente por outros relatos. Outra evidência do apoio israelense aos terroristas sírios é a captura de instrutores israelenses em Aleppo, bem como da morte de uma quinzena de “instrutores militares” devido a um ataque com mísseis de cruzeiro (Kalibr). Isto, sem falar nos constantes ataques aéreos a Damasco, realizados sempre a partir da fronteira de Israel, além das incursões aéreas dentro do território sírio.

Apesar de frustrar as intenções israelenses no tocante à Síria, a Federação Russa não é um estado hostil a Israel, pelo contrário, as relações politicas e diplomáticas até aqui se apresentam como muito boas, embaladas pela presença de aproximadamente 15% de russos na composição populacional de Israel. O governo israelense conta com apoio russo para o estabelecimento de um acordo de livre comércio entre Israel e a União Econômica Euroasiática, Uma forma óbvia de ampliação de mercados. A pergunta que se impõe é o motivo pelo qual Israel insiste em agredir um parceiro importante em termos políticos e econômicos. A resposta pode ser mais simples do que o pensamento usual: Israel acostumou-se a ser assim. arrogante. Por estar cercado por vizinhos que despreza, Israel atrofiou a sua diplomacia, visto que na região age com apoio explícito dos EUA e seja qual for a demanda, nada mais faz além do uso da força.

Ora, ora… Quando não se pode usar a força plenamente, o que resta além da ameaça?

Assad venceu! O Ocidente talvez não acredite, mas parece que a guerra na Síria está acabando

Por: Robert Fisk
Fonte: The Independent
Tradução: Oriente Mídia

Com todos aguardando que Trump inicie a Guerra Mundial n. 3, nem percebemos que o mapa do Oriente Médio substancialmente, sangrentamente, já está mudado. Passarão anos, antes que Síria e Iraque (e Iêmen) se reconstruam – e os israelenses talvez precisem pedir a Putin que limpe a sujeira em que Israel está metida.

Recebi uma mensagem vinda da Síria, semana passada, no meu celular: “O general Khadour cumpriu o que prometeu”. Entendi perfeitamente.

Há cinco anos, encontrei Mohamed Khadour, que comandava uns poucos soldados sírios num pequeno subúrbio de Aleppo, sob fogo de combatentes islamistas no leste da cidade. Naquela ocasião, mostrou-me seu mapa. Recapturaria aquelas ruas em 11 dias, disse-me ele.

Depois, em julho desse ano, novamente encontrei Khadour, no fundo do leste do deserto da Síria. Estava, disse-me ele, pronto para entrar na cidade sitiada de Deir ez-Zor antes do fim de agosto. Lembrei-o, rematada crueldade, de que na última vez em que ele me dissera que recapturaria parte de Aleppo em 11 dias, o exército sírio precisou de mais de quatro anos! Isso foi antes, disse-me ele. Naquele tempo, o exército ainda não sabia combater em guerra de guerrilha. O exército era treinado para retomar Golan e defender Damasco. Hoje, é diferente. Já aprenderam.

Realmente aprenderam. Em pleno deserto, Khadour disse que bombardearia a cidade de Sukhna – a maior parte do bombardeio ficaria por conta dos russos –, e suas tropas sírias romperiam o cerco por ali até Deir ez-Zor, que estava cercada pelo ISIS já há três anos, com 80 mil civis e 10.000 soldados sitiados. Khadour disse que estaria em Deir ez-Zor mais ou menos dia 23 de agosto. Acertou quase exatamente. E agora avança rumo ao que resta da cidade de Deir ez-Zor e dali rumo à fronteira sírio-iraquiana.

Assim sendo – depois de completada a captura da cidade, e quando Khadour estiver na fronteira, e agora que Aleppo está totalmente em mãos do governo sírio, e só a província Idlib ainda resta como lata de lixo do que resta sobretudo de rebeldes islamistas (incluindo a al-Qaeda), muitos dos quais foram autorizados a viajar em troca de se renderem e entregarem quarteirões e bairros de cidades sírias –, o que sempre foi impensável no ocidente já está afinal acontecendo: os soldados de Bashar al-Assad, ao que tudo indica, venceram a guerra.

E não é só “ao que tudo indica”. Hassan “Tiger” Saleh, oficial estrela do exército sírio – condecorado duas vezes pelo ministro de Defesa da Rússia – abriu caminho até o prédio da 137ª brigada do Exército da Síria em Deir ez-Zor e libertou os soldados que lá estavam, enquanto Khadour, seu oficial comandante (os dois são amigos pessoais) está a caminho de libertar a base aérea na cidade.

Quantos recordam o dia em que os norte-americanos bombardearam soldados sírios próximos daquela base aérea e mataram mais de 60 soldados, permitindo assim que o ISIS avançasse para o resto da cidade? Os sírios jamais acreditaram no que os norte-americanos disseram, que o ataque resultara de “um erro”. Até que os russos ‘informaram’ à força aérea dos EUA que estavam bombardeando forças sírias.

Os britânicos parecem ter entendido a mensagem. Discretamente retiraram semana passada seus instrutores militares – os homens cuja tarefa seria preparar os místicos “70 mil rebeldes” de David Cameron, que supostamente logo derrubariam o governo de Assad. Até o relatório da ONU segundo o qual o regime teria assassinado 80 civis num ataque com gás, no verão, passou quase sem referência entre políticos europeus tão habituados a aumentar os crimes de guerra na Síria e a apoiar o estúpido ataque com míssil cruzador ordenado por Trump contra uma base aérea síria.

E que tal Israel? Aí está uma nação que realmente tinha certeza do fim de Assad, a tal ponto que bombardeou soldados sírios, além de bombardear o Hezbollah e o Irã, aliados da Síria, e dar atendimento médico a terroristas islamistas que fugiam da Síria para cidades israelenses. Não surpreende que Benjamin Netanyahu estivesse tão “agitado” e “emocional” – palavras dos russos – quando Vladimir Putin o recebeu em Sochi. O Irã é “aliado estratégico” da Rússia na região, disse Putin. Israel é “parceiro importante” da Rússia. Duas coisas completamente diferentes, e absolutamente nada do que Netanyahu desejava ouvir.

As repetidas vitórias dos sírios significam que o Exército Árabe Sírio é hoje um dos mais “enrijecidos no calor dos combates” de toda a região; formado de soldados habituados a defender a própria vida, e hoje treinados em coordenação de tropas e de inteligência, a partir de um só centro de comando. Como disse a ex-professora de St Antony’s College Sharmine Narwani essa semana, essa aliança conta hoje com a cobertura política de dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Rússia e China.

Assim sendo, o que fará Israel? Netanyahu viveu sempre tão obcecado com o programa nuclear iraniano que visivelmente jamais imaginou – e nem ele, nem Obama, Hillary Clinton, Trump, Cameron, May, Hollande e outros luminares das elites políticas ocidentais – que Assad pudesse vencer, e que, das ruínas de Mosul poderia nascer um exército iraquiano muito mais poderoso.

Netanyahu ainda apoia os curdos, mas nem Síria nem Turquia nem Irã, nem Iraque têm qualquer interesse em apoiar aspirações nacionalistas dos curdos – apesar de os EUA usarem milícias curdas nas chamadas Forças Sírias Democráticas (muito mais curdas que “sírias” e “democráticas” e sequer algum tipo de “força”, se não contarem com cobertura da Força Aérea dos EUA).

Elementos da direita política israelense que diziam que Assad seria perigo muito maior que o ISIS talvez sejam obrigados a reconsiderar – no mínimo, porque Assad provavelmente será o homem com quem Israel terá de conversar, se quiser manter segura a sua fronteira norte

A loucura do Império aproxima a Rússia da Alemanha

Por: Pepe Escobar

Tradução: coletivo de tradutores da Vila Vudu.

Com Orwelliana maioria de 99%, que encheria de orgulho a dinastia Kim na Coreia do Norte, o Capitólio da “democracia representativa” passou como trator e aprovou o mais recente pacote de sanções da Câmara/Senado, que visa principalmente a Rússia, mas também atira contra Irã e Coreia do Norte.

O anúncio pela Casa Branca – no final da tarde da 6ª-feira – em pleno verão – de que o presidente Trump aprovou e assinará a lei acabou literalmente soterrado no ciclo do noticiário tomado completamente, 24h/dia, sete dias por semana, pela histeria relacionada ao chamado “russiagate”

Trump terá de justificar por escrito, ao Congresso, qualquer iniciativa para suavizar as sanções contra a Rússia. E o Congresso pode iniciar revisão automática de qualquer iniciativa dessa natureza.

Tradução: já soou o dobre de Finados de qualquer possibilidade de a Casa Branca vir a reiniciar melhores relações com a Rússia. O Congresso de fato está só ratificando a campanha em curso de demonização da Rússia, orquestrada pelo establishment do estado profundo neoconservador e neoliberal/Partido da Guerra.

Já há guerra econômica declarada contra a Rússia há, pelo menos, três anos. A diferença é que esse mais recente pacote também declara guerra econômica contra a Europa, especialmente a Alemanha. As sanções estão centradas no front da energia, demonizando a implantação do gasoduto Nord Stream 2 e forçando a União Europeia a comprar gás natural dos EUA.

Que ninguém se engane. A liderança da União Europeia revidará. Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia disse-o até bem gentilmente: “‘EUA em primeiro lugar’ não pode significar que os interesses da Europa ficam em último”.

No front da Rússia, o que o Império das Sanções está conseguindo não pode ser visto nem como vitória rasa. Kommersant já noticiou que Moscou, dentre outras ações, retaliará com banir do mercado russo todas as empresas norte-americanas de Tecnologia da Informação e todos os produtos da agricultura dos EUA; também deixará de exportar titânio para a empresa Boeing (30% do titânio com o qual a Boeing trabalha é importado da Rússia).

No front da parceria estratégica Rússia-China, tentar limitar os negócios de energia Rússia-União Europeia só levará a maisswaps [trocas de moeda] entre o rublo e o yuan – plataforma chave para o mundo multipolar pós-dólar.

E há também o grande fator que possivelmente alterará todo o jogo: o front alemão.

O(s) louco(s) na colina [The Fools on the Hill*]

Mesmo sem considerar o recorde histórico sideral de número de vezes em que Washington não apenas interferiu, mas bombardeou vastas porções do planeta, para mudar regimes – do Iraque e Líbia até as atuais ameaças contra Irã, Venezuela e Coreia do Norte –, a histeria do russiagate em torno de a Rússia ter/não ter interferido na eleição presidencial de 2016 nos EUA é antinotícia, e hoje já completamente desmoralizada.

O xis da questão é, mais uma vez, as guerras de energia.

Segundo uma fonte norte-americana no setor de energia, com base no Oriente Médio e que não é refém do consenso da Av. Beltway, “a mensagem nessas sanções é que a União Europeia não teria futuro a menos que compre o gás natural dos EUA, para expulsar a Rússia. Negar à Rússia o mercado de gás natural da União Europeia sempre foi o objetivo por trás da guerra que os EUA acabam de perder na Síria, para implantar o gasoduto Qatar-Arábia Saudita-Síria-Turquia-União Europeia e abrir o Irã para um gasoduto Irã-Iraque-Síria-Turquia-União Europeia. Nenhum desses planos dos EUA funcionaram”.

A fonte acrescenta como prova, a guerra de preços do petróleo de 2014 contra a Rússia, orquestrada pelo “poder que o superávit de petróleo ou as próprias reservas garantem aos Estados do Golfo, para fazer dumping no mercado mundial. Depois que nada disso conseguiu dobrar a Rússia, tornou-se prioridade nacional para os EUA destruir o mercado russo de gás natural”.

No pé em que estão as coisas, 30% de todas as importações de petróleo e de gás natural da União Europeia vêm da Rússia. Paralelamente, a parceria Rússia-China de energia vai sendo progressivamente fortalecida. A Rússia já está posicionada para aumentar todas as exportações de petróleo e gás para China e para toda a Ásia.

A liderança em Berlim está agora convencida de que Washington está pondo em perigo a diversificação e a segurança energéticas da Alemanha, com essa guerra de sanções. O gás natural e o petróleo russos são protegidos em rotas terrestres e não dependem de transporte por oceano, o qual, como insiste minha fonte, “já não está sob controle dos EUA. Se a Rússia, em resposta à beligerância dos EUA, deixar cair uma Cortina de Ferro sobre a Europa, e redirecionar todas as suas exportações de gás natural e petróleo para China e Ásia, a Europa ficará condenada a depender de fontes instáveis e não seguras de gás natural e de petróleo, como o Oriente Médio e a África”.

E isso nos leva à possibilidade “nuclear” que há no horizonte: um alinhamento Alemanha-Rússia, num Tratado de Resseguro [ing. Reinsurance Treaty] como firmado pela primeira vez por Bismarck. A Think-tankelândia ligada à CIA discute hoje ativamente essa possibilidade.

Outra fonte ativa no business e na política dos EUA, também ativo praticante da arte de pensar fora da caixa do Departamento de Estado, destaca que “é disso que se trata. Esse sempre foi o verdadeiro objetivo da Rússia, e os EUA caíram na armadilha. Os EUA estão fartos de Alemanha e consideram fazer dumping contra produtos alemães nos EUA, com manipulação da moeda. Agora estão ameaçando a Alemanha com sanções, e não há o que a Alemanha possa fazer, com a União Europeia às suas costas enfrentando vetos da Polônia, que outra vez causam problemas aos alemães. Os doidos no Congresso estão mesmo à caça da Alemanha. E com isso estão jogando a Alemanha nos braços da Rússia”.

EUA, a nova Cartago

Uma possível aliança Alemanha-Rússia, como já escrevi, consuma a entente China/Rússia/Alemanha capaz de reorganizar toda a Eurásia continental.

A parceria estratégica Rússia-China, que facilita o acesso via Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) é extremamente atraente para obusiness alemão. Segundo minha fonte business/política, “Os EUA estão em guerra com China e Rússia (mas não Trump, nosso presidente), e a Alemanha está reconsiderando a situação em que ficará, de bucha de canhão nuclear para os EUA. Discuti isso na Alemanha, e eles estão pensando em renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia. Ninguém confia nesse Congresso dos EUA. É visto como um hospício, casa de doidos. Merkel pode ser convidada para a liderança na ONU, e nesse caso o tratado será assinado. Sacudirá o mundo e porá fim a qualquer ideia que reste sobre os EUA como potência global, que já não são”.

A fonte acrescenta, em tom de quase euforia, que “achamos que Brzezinski morreu por efeito da pressão de compreender o que se aproximava e de ver que todo o trabalho dele, uma vida dedicada a tentar destruir a Rússia por causa do ódio que tinha à Rússia, estava começando a ser desfeito”.

Assim, em certo sentido, “bem-vindos aos anos 1930s outra vez, e ao crescimento do nacionalismo na Europa. Dessa vez, a Alemanha não cometerá os erros de 1914 e 1941, mas se posicionará contra seus tradicionais inimigos anglo-saxões. Os EUA realmente se converteram na Cartago de hoje. A desordem no Congresso norte-americano reflete estupidez idêntica à que se viu em Cartago, quando os exércitos cartagineses provocavam Roma. Os políticos cartagineses minaram o seu próprio gênio, Aníbal, assim como os políticos dos EUA estão minando o maior presidente que os EUA já tiveram desde Andrew Jackson. Como Sófocles escreveu em Antígona, ‘Os deuses primeiro enlouquecem àqueles a quem querem destruir'” O Congresso dos EUA enlouqueceu.

Nota dos tradutores: (*) Há um trocadilho intraduzível com “hill” [colina, como na canção dos Beatles] e “Hill”[que designa a específica colina do Capitólio, com Senado e Câmara de Representantes dos EUA]. E na canção dos Beatles trata-se de um específico doido, no singular; no subtítulo de Pepe Escobar, são vários doidos, plurais (NTs).

Yuri Dolgoruky realiza com sucesso teste com míssil R-30 Bulava

Fonte: Agência Tass

Moscou, 26 de junho, Agência TASS:

O cruzador de mísseis subaquáticos Yuri Dolgoruky, conhecido como Projeto 955, pertencente à Frota do Norte da Marinha da Federação Russa, testou com sucesso um dos seus mísseis R -30 Bulava, no Mar de Barents,  atingindo todos os alvos designados no campo de treinos de Kura, em Kamchatka, informou o Ministério da Defesa da Federação Rússa nesta segunda-feira.

“O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos do projeto 955 Borey, Yuri Dolgoruky, realizou lançamento bem sucedido de um míssil balístico intercontinental R-30 Bulava, da área designada no Mar de Barents para o campo de prática balística de Kura, em Kamchatka. O lançamento foi efetuado a partir de posição submersa, em conformidade com o plano de treinamento de combate”. Assim declarou o Ministério da Defesa da Federação Russa.

“Os parâmetros da trajetória de voo do míssil balístico intercontinental Bulava foram praticados em regime normal. De acordo com os dados confirmados do equipamento de registro, as ogivas do míssil balístico intercontinental realizaram um ciclo completo de voo e atingiram com êxito os alvos designados na Faixa de Prática”, afirmou o Ministério da Defesa.

O lançamento anterior de um míssil R-30 Bulava deu-se em 27 de setembro último, quando o mesmo submarino, Yuri Dolgoruky, realizou o lançamento de uma salva experimental com dois ICBMs no Mar Branco em direção ao alcance da Prática de Kura, no extremo oriente russo. As ogivas do primeiro míssil realizaram um ciclo completo do programa de voo e atingiram com sucesso os alvos designados no intervalo de prática. O segundo míssil, todavia, se autodestruiu após realizar a primeira etapa do programa de voo.

O submarino Yuri Dolgoruky é a belonave que lidera o Projeto 955, Classe Borey. O Submarino Lançador de Mísseis Balísticos está armado com um conjunto de mísseis balísticos intercontinentais lançados pelo mar, R-30 Bulava, bem como com torpedos pesados. O submarino pode ser também armado com mísseis de cruzeiro. Possui um deslocamento total de 24.000 toneladas, com dimensões aproximadas de 160 metros de comprimento e de 13 metros de diâmetro.

O Míssil Bulava R-30 é um vetor balístico de propulsor sólido, desenvolvido especialmente para os submarinos do Projeto 955. Ele pode entregar 10 ogivas de 150 kilotons a uma distância de 10.000 quilômetros.

Fotografia: Lev Fedoseyev/TASS

Oficial sênior da inteligência ucraniana assassinado

Por: César A. Ferreira

Nesta terça – feira, 27. 06. 2017, precisamente às 08:14 no horário local da Capital da Ucrânia, Kiev, um oficial sênior da inteligência governamental foi vítima de um atentado explosivo, que mandou pelos ares o automóvel que o conduzia. O oficial morto neste atentado atendia pelo nome de Maxim Shapoval, e detinha neste momento o cargo de Diretor Chefe da Inteligência Militar da República da Ucrânia, englobando a chefia das operações especiais da inteligência militar.

Esta ação empana os sucessos anteriores da inteligência ucraniana no território separatista das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, onde houveram as ações letais contra os comandantes “Motorola” (Arseni Serguéyevich Pávlov) e “Givi” (Mikhail Tolstykh), ambos assassinados fora do ambiente de combate, o primeiro devido a explosivos colocado no elevador de acesso a sua residência e o segundo assassinado dentro do seu escritório, alvejado por uma granada anti-carro autopropulsionada. O atentado que vitimou Maxim Shapoval deu-se através de explosivos plantados em seu carro, que foram detonados em uma via da Capital Ucraniana de maneira espetacular.

A morte deste oficial é bem mais do que simbólica e significa, antes, um aviso candente sobre a fragilidade que se abate sobre as autoridades ucranianas, afinal se o chefe de inteligência encontra-se com o seu destino desta maneira, torna-se óbvio que existe uma infiltração severa nos dispositivos de inteligência ucranianos e que qualquer um poderá vir a compartilhar o fim de Maxim Shapoval.

SU-22 se esquiva de AIM9-X

Por: César A. Ferreira

O piloto da Força Aérea da República Árabe da Síria, Capitão Ali Fahd, demonstrou extrema habilidade, apesar do final negativo da sua missão, visto que acabou por ser abatido. A habilidade se encerra no fato de ter-se esquivado, com sua aeronave de ataque SU-22, defasada em mais de 40 anos em relação ao seu caçador, F-18 E, quando este fez uso de um míssil ar-ar de última geração AIM-9X… Para obter sucesso fez-se necessário o uso do míssil BVR AIM 120 (não se tem a confirmação da versão). Este evento deu-se  no dia 19 último, segunda-feira.

Após ter sido plotada pelos radares da chamada “coalizão”, a aeronave do Capitão Fahd tornou-se alvo de uma parelha de caças F-18E da USNAVY, vetorizados para interceptação do mesmo. Ao dar-se cabo do ato de provocação evidente (por parte dos EUA), posto que a aeronave síria voava dentro das suas fronteiras e dava combate contra inimigos do governo legítimo da Síria, foi disparado um míssil AIM-9X da distância de seis milhas, todavia, usando-se de manobras evasivas e flares a vetusta aeronave do Capitão Fahd consegui esquivar-se do ataque neste primeiro momento, não o sendo quando a opção do seu caçador foi pelo vetor dotado de antena eletromagnética (AIM-120).

CaptAliFahad
Capitão Ali Fahad, da Força Aérea da República Árabe da Síria, quando do momento do seu resgate, nas proximidades do vilarejo de Shuwaihat.

O Capitão Ali Fahd conseguiu ejetar-se, vindo ao solo ao sul da cidade de Raqqa. Unidades de Comando do Exército Árabe da Síria foram desdobradas e conseguiram localizar o referido oficial aviador, que estava então sob a guarda de combatentes curdos. Este último dado é interessante, visto que desmonta a versão norte-americana que o capitão em questão estivesse a atacar alvos curdos, visto que os curdos e os soldados regulares sírios são aliados oficiosos neste conflito civil. A alegação da FARAS é que a aeronave fustigava unidades do Estado Islâmico. O Capitão Ali Fahad retornou as suas fileiras já na terça-feira seguinte ao evento, dia 20.06.2017.

A presente narrativa que atesta a habilidade do caçador sírio, não obstante o resultado lastimoso, bem como a defasagem tecnológica dos vetores envolvidos, proveio primeiramente da produtora da rede CBS News, Mary Walsh, enquanto que a informação concernente ao resgate do piloto abatido, localizado na aldeia de Shuwaihat, adveio das postagens efetuadas pelo blogueiro sírio Madzhd Fahd.

RPDC lança novo míssil com sucesso

Por: César Antônio Ferreira

A República Popular Democrática da Coréia, mais conhecida como Coréia do Norte, realizou no alvorecer do dia 14 de maio último, o lançamento bem sucedido de um míssil balístico.

Este artefato, considerado como de alcance médio, ganhou o batismo “Hawsong-12” e segundo comunicado oficial emitido teve o seu desenvolvimento ultimado recentemente.

O míssil Hawsong-12 foi apresentado junto com o seu veículo transportador na parada militar realizada em comemoração ao 105º aniversário do fundador Kim Il Sun avô do atual líder Kim Jong Un. O míssil foi disparado na madrugada de 14 de maio, mais precisamente as 04:58 (04h58min), atingindo o apogeu de 2.111,5 km, tendo acertado a área delimitada em alto-mar (mar do Japão) a 787 km de distância do ponto de lançamento. O voo teve a duração de 30 minutos, aproximadamente.

O lançamento realizado com sucesso teve por missão confirmar os parâmetros do projeto, qualificando o vetor como sistema de arma viável, visto que as características de estabilidade, estrutura e resistência compressiva, navegação (inercial) e confiabilidade do motor foguete (sólido) mostraram-se adequadas, ou seja, dentro dos parâmetros esperados.

Observa-se que o teste em questão realizou-se com lançamento visando um apogeu extremo, elevado, com intuito de não alongar distância para a área-alvo, levando em conta, desta maneira, a segurança dos países vizinhos no tocante à navegação aérea e naval..

O míssil Hawsong-12 é capaz de levar uma ogiva nuclear, todavia, não houve por parte do regime a revelação de dados técnicos relativos à carga útil capaz de ser lançada pelo vetor. É interessante notar que o lançamento teve lugar em um local ermo, tendo o vetor sido transportado pelo seu veículo transportador dedicado, realizado em horário singular,  além de o ser acompanhado pelo líder nacional Kim Jong Un, que testemunhou o sucesso do teste.

 

O Estado Islâmico sofre mais uma derrota em Deir Ez Zor

Por: César A. Ferreira

Os combatentes do Estado Islâmico colhem mais um insucesso, segundo informe do site South Front.

Forças combatentes do Estado Islâmico lançaram uma ofensiva no eixo de Deir Ez Zor, mas foram rechaçadas por regimentos da Guarda Republicana Síria e das Forças de Defesa Nacional (FDN). A unidade que suportou com sucesso a investida dos jihadistas foi o 137º Regimento da Guarda Republicana Síria.

A ação dos combatentes do EI – Estado Islâmico, deu-se por meio de uma infiltração entre as linhas, procurando flanquear os elementos do 137º regimento, este, posicionado a oeste do monte Sonouf. O resultado da batalha foi mais do que adverso para os atacantes, visto que em sequencia imediata ao sucesso defensivo as formações do 137º regimento empreenderam um contra-ataque relâmpago chegando às portas das posições terroristas no distrito de Al-Rasafa, cidade de Deir Ez Zor.

Além do contra-ataque efetuado com elementos da infantaria, houve o bombardeio das posições extremistas por meio dos dispositivos de artilharia desdobrados pelas forças governamentais, presentes no local. Foram alvo de fogo as localidades de Al-Makaber, Al-Omal, bem como da colina Al Sonouf. Dois comandantes do EI foram mortos durante os combates, sendo estes Abu-Ammar al-Iraqi e Abu Sayaf Hassrat.

As forças governamentais colhem louros no caldeirão de Der Ez Zor, como no caso da conquista da companhia de eletricidade, aproximando-se assim das posições isoladas do aeroporto, igualmente mantidas pelas forças do governo sírio. Os eventos na medida em que se sucedem em favor das tropas legalistas, que estão cercadas, resultam em grave desabono moral para as forças terroristas, visto que estas não conseguem suprimir elementos combatentes cuja fonte de abastecimento é aérea.

Soleimani ferido! (Não confirmado)

Por: César A. Ferreira

Notícias ainda não confirmadas, advindas de membros de organizações e ativistas de mídia afeitos às forças de  oposição ao regime da República Árabe da Síria, relatam que o eminente Major General do Corpo da Guardas Revolucionária Islâmica (Irã), Qasem Soleimani, comandante em campo da Força Quds, teria sido ferido na proximidade da fronteira síria-jordaniana. Assim reporta o site South Front.

O evento que teria implicado em ferimentos na pessoa de Soleimani aponta a localidade de Daraa, e consistia em uma ação repressiva contra a entidade Hayat Tahrir al-Sham, que vem a ser o batismo atual da conhecidíssima Jabhat al-Nusra (mudam de nome repetidamente para serem considerados como “rebeldes moderados” como se esta ficção enganasse alguém fora do Departamento de Estado). A al-Nusra, como se sabe, é a entidade afiliada à Al-Qaeda na Síria.

A Força Quds, unidade especial do IRGC1, desdobrou-se para Daraa, juntamente com elementos das forças armadas sírias com o intuito de estabilizar a região daquela capital provincial.

A notícia, que carece de confirmação, assume importância devido ao carisma e capacidade de liderança de Soleimani, cuja perda seria um golpe difícil de ser absorvido com facilidade.

[1]: ingles –   Islamic Revolutionary Guard Corps.