Wheels and deals: fermenta a guerra na Casa de Saud

Por: Pepe Escobar (4.10.2017)

Fonte primária: Asia Times – Counterpunch; fonte em português: Blog do Alok.

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu.

De repente, a matriz ideológica de todas as variantes de jihadismo salafista passa a ser elogiada no Ocidente como modelo de progresso – porque mulheres sauditas afinal receberam permissão para dirigir carros. Mas só ano que vem. Mas só algumas mulheres. Mas só com muitas restrições.

O que é certo é que o momento para anunciar a novidade – que vem depois de anos de pressão de liberais norte-americanos – foi calculado com precisão, e aconteceu apenas poucos dias antes que o capo da Casa de Saud rei Salman apareceu para dois dedos de prosa na Casa Branca de Trump. O movimento de soft power foi coordenado pelo príncipe coroado, 32 anos, Muhammad bin Salman, codinome MBS, o Destróier do Iêmen; o rei só fez assinar.

A tática diversionista mascara graves problemas na corte. Uma fonte especialista em negócios do Golfo, com conhecimento íntimo da Casa de Saud e encontros pessoais frequentes com eles, disse a Asia Times que “as famílias Fahd, Nayef e Abdullah, descendentes do Rei Abdulaziz al Saud e sua esposa Hassa bin Ahmed al-Sudairi, estão formando uma aliança contra a ascensão ao trono do príncipe coroado.”

Não chega a surpreender, se se sabe que o deposto príncipe coroado Mohammed bin Nayef – muito considerado no Departamento de Estado dos EUA, especialmente em Langley [cidade onde está o quartel-general da CIA] – está em prisão domiciliar. Sua massiva rede de agentes no Ministério do Interior foi quase toda “dispensada de qualquer autoridade”. O novo ministro do Interior é Abdulaziz bin Saud bin Nayef, 34, filho mais velho do governador da Província Oriental marcadamente xiita, onde está todo o petróleo do reino. Curiosamente, o pai agora é subordinado do filho. MBS está cercado de príncipes sem qualquer experiência, todos com cerca de 30 anos, e afastando de si praticamente todos os demais.

O ex-rei Abdulaziz definiu a própria sucessão baseado na idade dos filhos; em teoria, se todos chegarem à mesma idade todos terão algum tempo de reinado, o que evitaria o banho de sangue historicamente habitual nos clãs árabes, em disputas pela sucessão.

Agora, diz a fonte, “já todos preveem que um banho de sangue é iminente”. Especialmente porque “a CIA está indignada por o compromisso negociado em abril de 2014 estar sendo descumprido, como se vê no fato de o maior fator antiterrorismo no Oriente Médio, Mohammed bin Nayef, estar preso.” Tudo isso pode levar a “ação vigorosa contra MBS, possivelmente no início de outubro.” E pode até coincidir com o encontro Salman-Trump.

O ISIS joga pelo livro (saudita)

A fonte de Asia Times especialista em negócios no Golfo destaca que “a economia saudita está sob estresse extremo, por efeito de sua guerra pelo preço do petróleo contra a Rússia, e estão tendo muita dificuldade para pagar os fornecedores. Essa situação pode levar à falência algumas das maiores empresas na Arábia Saudita. A Arábia Saudita de MBS vê o iate de US$600 milhões comprado pelo príncipe coroado, e o pai dele gastando US$100 milhões nas férias de verão, sempre nas primeiras páginas do New York Times, enquanto o reino sufoca sob aquela liderança.”

O projeto que é a menina-dos-olhos de MBS, o super propagandeado Vision 2030, visa, em teoria, a diversificar e afastar o reino da dependência dos lucros do petróleo e dos EUA, na direção de uma economia mais moderna (e política externa mais independente).

Na avaliação da mesma fonte, é tudo completamente sem sentido, porque “o problema na Arábia Saudita é que suas empresas não conseguem funcionar com a mão de obra local e dependem de expatriados, que constituem 70% ou mais dos empregados. A gigante do petróleo Aramco simplesmente não opera sem expatriados. Daí que vender 5% da Aramco para diversificar não resolve o problema. Se ele quer sociedade mais produtiva e menos empregos no próprio governo onde só se copia, terá primeiro de treinar e garantir emprego ao próprio povo.”

A também elogiadíssima venda pública de parte da Aramco, apresentada como a maior venda de ações de toda a história, originalmente agendada para o próximo ano, foi mais uma vez adiada – “possivelmente” para o segundo semestre de 2019, segundo funcionários em Riad. E ainda ninguém sabe onde serão vendidas as ações; a Bolsa de Nova York está longe de ser assunto decidido.

Paralelamente, a guerra de MBS contra o Iêmen e o ímpeto saudita a favor de mudança de regime na Síria e de reformatar o Oriente Médio Expandido, revelaram-se desastres espetaculares. Egito e Paquistão recusaram-se a enviar tropas ao Iêmen, onde o pervertido infindável bombardeio aéreo pelos sauditas – com armas dos EUA e Grã-Bretanha – acelerou a desnutrição, a fome e o cólera e configurou crise humanitária massiva.

O projeto do Estado Islâmico foi concebido como ferramenta ideal para levar o Iraque a implodir. Hoje já é de domínio público que o dinheiro para organizar a coisa partiu quase todo da Arábia Saudita. Até o ex-Imã de Meca admitiu publicamente que a liderança do ISIS “extraiu suas ideias do que está escrito em nossos livros, nossos próprios princípios.”

O que nos leva a maior e mais profunda contradição saudita. O jihadismo salafista está mais que vivo dentro do Reino, por mais que MBS tente fazer-se passar por líder liberal (fake) da linha “gatinha, deixo você dirigir o meu carro”. O problema é que Riad nunca, em tempo algum, cumprirá qualquer promessa que se aproxime de liberalização: a única legitimidade da Casa de Saud depende daqueles “livros” e “princípios” religiosos.

Na Síria, além da evidência de que a maioria absoluta da população do país não quer viver num Takfiristão, a Arábia Saudita apoiou o ISIS enquanto o Qatar apoiava al-Qaeda (Jabhat al-Nusra). E isso acabou num banho de sangue de fogo cruzado, com todos aqueles tais inexistentes “rebeldes moderados” apoiados pelos EUA reduzidos pilotos de carros antiquados.

E há também o bloqueio econômico contra o Qatar – mais um brilhante enredo cerebrado por MBS. Só serviu para melhorar as relações de Doha com ambos, Ankara e Teerã. O emir do Qatar Tamim bin Hamad Al Thani não foi derrubado, tenha Trump realmente persuadido Riad e Abu Dhabi a evitar qualquer “ação militar”, ou não. Nada de estrangulamento econômico: a Total francesa, por exemplo, está às vésperas de investir US$2 bilhões para expandir a produção de gás natural no Qatar. E o Qatar, via seu fundo soberano, contragolpeou com o mais espetaculoso dos movimentos de soft power – comprou a marca e craque de futebol Neymar, para o PSG, e o “bloqueio” soçobrou sem deixar traço.

“Roubam até a roupa do corpo do próprio povo”

Em In Enemy of the State, o mais recente thriller de Mitch Rapp escrito por Kyle Mills, o presidente Alexander, sentado na Casa Branca, esbraveja que “o Oriente Médio está implodindo porque aqueles filhos da puta sauditas só fazem inflar o fundamentalismo religioso, para encobrir o fato de que roubam até a roupa do corpo do próprio povo.” É uma avaliação equilibrada.

Não se admite absolutamente nenhuma discordância na Arábia Saudita. Até o analista econômico Isam Az-Zamil, muito próximo do poder, foi preso durante a atual campanha de repressão. A oposição a MBS portanto não vem só da família real ou de alguns clérigos – embora digam os boatos que só quem apoie o “terrorismo” da Fraternidade Muçulmana, da Turquia, do Irã e do Qatar estaria sendo perseguido e atacado.

Em termos de o que Washington deseja, a CIA não aprecia MBS, para dizer o mínimo. Querem o homem “deles”, Nayef, de volta ao poder. Quanto ao governo Trump, o que se ouve é que está “desesperado em busca de dinheiro saudita, especialmente para investimentos em infraestrutura no Cinturão da Ferrugem”.

Será muitíssimo iluminador comparar o que Trump obtém de Salman e o que Putin obtém do mesmo Salman: o rei doente visitará Moscou no final de outubro. Rosneft está interessada em comprar ações da Aramco quando afinal acontecer a venda pública. Riad e Moscou estão considerando uma extensão de negócios da OPEP, bem como uma plataforma de cooperação OPEP-não-OPEP que incorpore o Fórum de Países Exportadores de Gás [ing. Gas Exporting Countries Forum, GECF].

Riad leu as palavras escritas no novo muro: o capital político e estratégico de Moscou não para de crescer por todos os lados, de Irã Síria e Qatar até Turquia e Iêmen. Não é coisa que se dê bem com o estado profundo dos EUA. Mesmo se Trump conseguir alguns negócios para o Cinturão da Ferrugem, a questão candente é se CIA & Amigos conseguem viver com MBS no trono da Casa de Saud.

Nota dos tradutores: Orig. Wheels and Deals. É uma rede de venda de carros usados, que tem lojas em várias cidades por todo o país. A ironia parece ter a ver com a licença para mulheres dirigirem na Arábia Saudita. Não conseguirmos traduzir.

O conflito sírio segue em sua brutalidade sem fim

Por: César A. Ferreira

O conflito sírio segue sem perspectiva alguma de chegar ao seu final, em que pese as retomadas de territórios por parte das armas nacionais sírias, que advém, porém, sempre ao custo de perdas, algo sensível em um conflito onde a infantaria é a força primordial, a qual, diga-se, não consegue se recompletar no nível adequado à saúde das formações. Um problema antigo e que apenas faz valer ainda mais a coragem dos contingentes sírios, costumeiramente postos à prova.

É inegável o fato, por muitos já observado, de que a insurgência motivadora do conflito é uma obra de interesses escusos de grandes potências, ocidentais por óbvio, sendo as forças jihadistas apenas os combatentes por procuração. O pudor, no entanto, perdeu-se a muito, tanto que o próprio Wall Street Journal informou a presença ao norte do território sírio de 250 soldados do US ARMY, declaradamente com a função de operacionalizar uma zona de segurança: (…) “will oversee the implementation of a safe-zone in the northern countryside”, em português, implementar uma zona de segurança em uma zona rural ao norte. Resta saber, apenas, que zona de segurança é essa, para quê, ou para quem, em vista do conflito que rasga a Síria… Não seria melhor apoiar o governo laico da Síria, em vista de ser o governo constituído aquele que realmente combate e obtém vitórias contra os jihadistas do Estado Islâmico? A resposta é óbvia e não precisa ser dita, afinal o mundo girou e a Frente Nusra, braço armado da Al-Qaeda no levante, é reconhecida por ser municiada e equipada pela CIA, bem como pela Casa de Saud; o mundo dá voltas, mas nada muda.

A guerra prossegue, todavia. Duas divisões do Exército Árabe da Síria, a 11ª e a 18ª, pressionam os jihadistas no eixo de Al-Bardeh, travando combates iniciados sábado último em Al-Qaryatayn. Outras formações sírias avançam no intuito de capturar as elevações de Baridah, proteção necessária para o avanço em direção aos campos de gás de Arak, bem como a estação de bombeio de gás T3.  Na madrugada do dia 24, na cidade de Aleppo, mais precisamente na parte sul da cidade, no bairro suburbano de Al-Assad, verificou-se provindo das edificações do distrito de Al-Rashiddeen o maior ataque direto já visto em meses, isto se deu exatamente às 03:00. O vigoroso ataque foi repelido com violentas baixas. As formações dos atacantes respondiam pelas bandeiras dos grupos extremistas Frente Al-Nusra, Jaish Al-Mujahideen, Ahrar Al-Sham, ELS-Exército Livre Sírio (ing. Free Syrian Army-FSA), Jabhat Al-Shamiya, e Nouriddeen Al-Zinki. Os extremistas foram “convidados” para uma emboscada ao atacar uma posição aparentemente débil do Exército Árabe da Síria. O ardil foi completado por uma chuva de morteiros na linha de avanço rebelde, que resultou em mais de 100 casualidades. A maioria dos mortos pertenciam ao grupo Nouriddeen Al-Zinki (cerca de 25). Todos estes grupos, segundo a CIA, são formados por muçulmanos honrados, merecedores das melhores armas que o mundo ocidental puder conceber…

Enquanto isso, segue o apoio russo ao governo sírio. A cidade antiga de Palmyra foi declarada livre de minas explosivas, totalmente desminada pelos sapadores russos. É preciso lembrar que a ofensiva em direção à cidade histórica foi efetuada com suporte dos helicópteros de ataque russos, com todos os modelos presentes realizando missões (Mi-24P, Mi-35M, Mi-28N e Ka-52). Não se pode deixar de notar o contraste imenso entre as intervenções norte-americanas e russas. Enquanto os primeiros se contorcem para justificar o apoio dado a extremistas, explicitado no ridículo rótulo de “rebelde moderado”, como se fosse possível a rebeldia compor-se de moderação, os segundos simplesmente apoiam um governo constituído, reconhecido diplomaticamente. E lá estão a convite.

Iêmen: notícias breves de uma guerra esquecida

Por: César A. Ferreira

Enquanto as atenções do mundo se dirigem à Síria, não sem razão, segue uma guerra, igualmente importante, porém esquecida: a agressão da Arábia Saudita no Iêmen. Melhor seria dizer, escondida, não lembrada pela mídia. O motivo para tanto seria a humilhação, agora difícil de esconder daquela que é a grande aliada dos EUA na região, a Arábia Saudita, pois, a Casa de Saud, riquíssima, capaz de comprar o que de melhor pode ser produzido nos arsenais da OTAN, vê-se incapaz de vencer um povo pobre, cujos soldados, não raro, calçam sandálias…

O termo “humilhação” é correto, devido não só ao impasse imposto pelos iemenitas, mas pela constatação que estes se mostram capazes de ações defensivas, como também de realizações ofensivas, com incursões território adentro da Arábia Saudita. É o que se deu nesta quarta-feira, quando tropas do exército iemenita, acompanhada de milicianos houthis, tomaram em um golpe de mão uma base militar saudita, localizada na região de Asir, sudoeste do reino.  A ação resultou em mortes não especificadas do exército do reino, destruição de veículos militares, igualmente não especificados, bem como da destruição de dois arsenais na cidade Al Jurma. O interessante do relato iemenita desta ação é a referência ao uso de artilharia, isto surpreende quando se sabe que o domínio do espaço aéreo é total por parte dos sauditas.

O relato das ações iemenitas prossegue com a destruição da “torre de vigia de mísseis” Al-Dukhan, localizada na região de Jizan, e da consequente destruição da base Malhama, então submetida a fogo de artilharia. Capturado nos combates realizados na região de Jizan, o soldado saudita identificado como bin Metib Awad al-Maliki, informou que o comandante da empresa de mercenários Academi, ex Blackwater, foi morto em combate.

O uso do sistema balístico Tochka, de efeitos devastadores, deu-se contra a base aérea da coalizão saudita de Al-Anad, ação ocorrida em 31.01.2016, na provícia de Lahy, segundo o Coronel das forças iemenitas, Sharaf Luqman. Segundo este oficial, foi comprovada a destruição de helicópteros de ataque “Apache”, caças Typhoon, depósito de combustível e munição. A coalizão saudita, percebe-se, sofre reveses sem fim nesta guerra de atrito. Por exemplo, na região de Rabu’a, província de Asir, sudoeste da Arábia Saudita, quatro veículos militares foram emboscados e destruídos, dentre eles um Carro de Combate M-1 Abrams. Desta maneira, os iemenitas fazem com que os avanços coalizão sejam abortados e conseguem fôlego, além da moral necessária, para as incursões ofensivas.

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Lançamento de um míssil Tochka. Imagem: internet.

O uso do sistema Tochka é singular nesta guerra. Míssil balístico transportável, de grande mobilidade, apresenta-se como ideal para a Guarda Republicana assentar os seus golpes nas forças do reino saudita, que parecem muito apegadas a bases estáticas, favorecendo as ações iemenitas. O Tochka foi empregado por ao menos cinco ocasiões: 20.08.2015, contra concentração de tropas sauditas na fronteira; 04.09.2015, disparado contra concentração saudita em Marib; 14.12.2015, ataque contra a base saudita em Bab Al Mandab; 16.01.2016, disparo contra a base saudita em Al Bairaq; 31.01.2016, ataque contra a base aérea em Al-Anad, Lahy. O Tochka, cuja variante mais utilizada é a variante “U”, possui uma ogiva de HE de 482 kg, alcance na variante “U” de 120 km. O míssil ganhou o designativo de 9K79, e o sistema de lançamento, OTR-21.  O erro circular provável (cuja sigla em inglês é CEP), na variante “U” é inferior a 90m.

O segredo por trás do próximo crash global

Por: Pepe Escobar – 21.01.2016

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

Fonte original: Sputnik News

Reproduzido: Blog do Alok

O Fórum Econômico Mundial em Davos está naufragado sob um tsunami de denials – negar o que vê/fingir que não vê/não ver sinceramente – e também de non-denial denials – não negar o que nem vê que nega – e tudo isso só para ‘garantir’ que não acontecerá um desdobramento do Crash de 2008.

O caso é que sim, acontecerá. E o cenário já está pronto.

Seletos corretores de petróleo no Golfo Persa, o que inclui ocidentais que trabalham no Golfo confirmam que a Arábia Saudita está descarregando pelo menos $1 trilhão em securities e derrubando os mercados globais por ordem dos Masters of the Universe – os que mandam acima da presidência manca de Barack Obama.

Longe vão os dias quando bastaria a Casa de Saud flertar com essa ideia, para ter todos os seus bens congelados. Pois, hoje, já obedecem a ordens. E mais virá; na avaliação de corretores craques em Golfo Persa, os investimentos sauditas em securities ocidentais podem chegar a $8 trilhões; os de Abu Dhabi, a $4 trilhões.

Em Abu Dhabi tudo foi separado em compartimentos, e ninguém pode avaliar coisa alguma, exceto corretores e negociantes que conheçam cada supervisor de cada compartimento de investimentos. E para a Casa de Saud, como se poderia prever, a regra de ouro é negar sempre.

Essa massiva descarga de securities chegou algumas vezes à mídia-empresa, mas os números têm sido grosseiramente subestimados. A informação inteira não chegará até lá, porque os Masters of the Universe ordenaram que não chegasse.

Houve aumento gigante na descarga saudita-Abu Dhabi de securities desde o início de 2016. Fonte no Golfo Persa diz que a estratégia saudita “demolirá os mercados”. Outra fonte fala de “vermes comendo carcaça no escuro”; basta olhar a calamidade em Wall Street, por toda a Europa e em Hong Kong e Tóquio na 4ª-feira.

Quer dizer: já está acontecendo. E uma subtrama crucial pode ser, em prazo de curto a médio, nada menos que o colapso da eurozona.

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Desânimo no mercado. Foto: Euronews.

O crash de 2016?

Por tudo isso, pode ser um caso de a Casa de Saud em pânico, instrumentalizada para derrubar grossa fatia da economia global. Quem ganha com isso? Cui bono?

Moscou e Teerã tem muito a ver com isso. A lógica por trás de demolir mercados, criando recessão e depressão – do ponto de vista dos Masters of the Universe que reinam acima do presidente pato manco dos EUA – é arquitetar retardo gigante, impossibilitar os padrões de compra, reduzir o consumo de petróleo e gás natural, e pôr a Rússia em rota direta rumo à ruína. Além do quê, preços ultrabaixos do petróleo também se traduzem como uma espécie de sanção-substituta contra o Irã.

Mesmo assim, o petróleo iraniano que se aproxima de chegar ao mercado estará em torno de 500 mil barris/dia em meados do ano, mais um excedente armazenado em petroleiros no Golfo Persa. Esse petróleo pode ser e será absorvido, porque a demanda está aumentando (nos EUA, por exemplo, aumentou 1,9 milhão de barris por dia em 2015), e a oferta está caindo.

Em julho, aproximadamente, demanda crescente e produção em declínio reverterão o crash do petróleo. Além do mais, as importações de petróleo da China tiveram aumento recente de 9,3%, em 7,85 milhões de barris/dia, o que desacredita completamente a narrativa dominante de que a economia chinesa estaria ‘em colapso’ – ou de que a China seria culpada pelos padecimentos atuais do mercado.

Assim sendo, como já expus aqui em linhas gerais, em breve o petróleo dará a volta por cima. Goldman Sachs concorda. Implica que os Masters of the Universe tem uma estreita janela de oportunidade para fazer os sauditas despejarem quantidades massivas de securities nos mercados.

A Casa de Saud pode precisar desesperadamente de dinheiro, se se considera o alerta vermelho no orçamento. Mas esse despejo das próprias securities também é visivelmente autodestrutivo. Eles simplesmente não podem vender $8 trilhões. A Casa de Saud está, na verdade, destruindo o equilíbrio da própria riqueza. Por mais que a hagiografia ocidental tente pintar Riad como player responsável, fato é que legiões de príncipes sauditas estão horrorizados ante a destruição da riqueza do reino nesse haraquiri em câmera lenta.

Principe
Mohammed bin Sultan. Foto: Albawaba News.

Haveria algum Plano B? Haveria. O príncipe guerreiro Mohammed bin Sultan – atual manda-chuva em Riad – teria de meter-se no primeiro avião para Moscou, para arquitetar uma estratégia comum. Mas não acontecerá.

E quanto à China – maior importador de petróleo da Arábia Saudita –Xi Jinping acaba de visitar Riad; Aramco e Sinopec assinaram uma parceria estratégica; mas a parceria estratégica que realmente conta, considerando o futuro de “Um Cinturão, Uma Rota”, é, essa sim, a parceria Pequim-Teerã.

O despejo massivo das securities sauditas tem a ver com a guerra saudita do preço do petróleo. No momento atual de volatilidade extrema, o petróleo está em baixa, as ações estão em baixa e os estoques de petróleo estão baixos. Pois nem assim a Casa de Saud dá sinais de compreender que os Masters of the Universe os estão empurrando para que se autodestruam, os próprios sauditas, várias e várias vezes, incluindo inundar o mercado de petróleo depois de limitar a capacidade dos sauditas [orig. including flooding the oil market with their shut-in capacity]. E tudo isso, para ferir mortalmente Rússia, Irã e… a própria Arábia Saudita!

Apenas um peão no jogo de outros.

Entrementes, Riad ferve de boatos de que haverá um golpe contra o rei Salman – virtualmente incapacitado, demente e confinado a um quarto de seu palácio em Riad. Estão em jogo dois possíveis cenários:

1) Rei Salman, 80, abdica em favor do filho, conhecido ignorantão, arrogante criador de confusão e príncipe guerreiro Mohammed bin Salman, 30, atualmente vice-príncipe coroado e ministro da Defesa e o segundo na linha de sucessão, mas quem de fato comanda o show em Riad. Pode acontecer a qualquer momento. Como bônus, o atual ministro do Petróleo Ali al-Naimi, que não é da família real, poderia ser substituído por Abdulaziz bin Salman, outro filho do rei.

2) Um golpe palaciano. Salman – e seu filho criador de casos – cai fora do quadro, substituído por Ahmed bin Abdulaziz (que foi já ministro do Interior), ou pelo príncipe Mohammed bin Nayef (atual ministro do Interior e príncipe coroado).

Seja qual for o cenário que se concretize, o MI6 britânico está muito intimamente a par da pantomima. E talvez também o BND (Bundesnachrichtendienst, Serviço Nacional de Inteligência) alemão. Todos recordam o memorando do BND no final de 2015, que descrevia o então vice-príncipe coroado Mohammed bin Salman como “jogador político” que está desestabilizando o mundo árabe com as guerras por procuração no Iêmen e na Síria.

Fontes sauditas – que pedem, por óbvias razões, que não se publiquem seus nomes –, garantem que nada menos de 80% da Casa de Saud é favorável ao golpe.

Seja como for, permanece a questão de saber se alguma Casa de Saud reformatada interromperá o haraquiri em câmera lenta que lá acontece. O imperativo categórico não muda: os Masters of the Universe estão prontos para derrubar o mundo inteiro, empurrando-o para terrível recessão, para, basicamente, estrangular a Rússia. A Casa de Saud é apenas um peão nesse jogo de pervertidos.

Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.

Executar Al-Nimir foi um movimento esperto dos Sauditas

Autor: Moon Of Alabama.  Tradutor não especificado.

Fonte: Oriente Mídia. 03.01.2016.

O governo saudita executou 47 prisioneiros de muito tempo, condenados à morte por prática de ações terroristas e insurgência. Do ponto de vista dos sauditas, foi movimento político esperto. Os sauditas enfrentam dificuldades na guerra que movem contra o Iêmen. Depois de nove meses de bombardeio infernal, não se vê nem sinal de qualquer ‘vitória’ saudita possível, nem de que, tão cedo, consigam reinstalar em Sanaa o governo cliente dos sauditas que lá havia, e já não há. Enquanto isso, as forças do Iêmen atacam (vídeo) sem parar, uma cidade saudita depois da outra. O projeto dos sauditas de fazer “mudança de regime” com participação de jihadistas salafistas no Iraque e na Síria, também vai de mal a pior. Os baixos preços do petróleo já obrigaram o governo saudita a impor impostos à população. Impostos e mais impostos nunca geraram popularidade para governo algum. Para distrair a atenção dos cidadãos, os sauditas decidiram livrar-se de um grupo de prisioneiros e usar as execuções como meio para recuperar alguma “legitimidade”. Muitos dos 47 executados eram realmente tipos associados à al-Qaeda, que há dez anos mataram e explodiram prédios na Arábia Saudita e muito fizeram tentando derrubar o governo saudita. Com as recentes manifestações anti-sauditas feitas pelo Estado Islâmico e al-Qaeda, cresceu o risco real de levantes na prisões, ou de que alguma ação com reféns venha a exigir a libertação de prisioneiros.

Só quatro dos executados eram xiitas. Um desses era o conhecido pregador e agitador xiita Nimr Baqr al-Nimr, da maioria xiita da província oriental de Qatif, na Arábia Saudita.

Al-Nimr havia convocado a juventude na Arábia Saudita e no Bahrain a levantar-se contra o governo. Pregou a derrubada não apenas dos governos tiranos de Arábia Saudita e Bahrain, mas também, do governo do presidente Assad na Síria. Não era submisso ao Irã, mas defendia a modalidade iraniana de governo. Al-Nimr se dizia contra a violência, mas várias das manifestações convocadas por ele terminaram com manifestantes e policiais mortos. Quase inacreditável que os sauditas o tivessem deixado livre para pregar por tanto tempo. Qualquer clérigo sunita na Arábia Saudita teria sido preso e morto por conversa muito menos revolucionária que a dele.

Alguns idiotas, como Keneth Roth do “Observatório de Direitos Humanos”, disse que al-Nimr desejava um estado democrático:

Kenneth Roth @KenRoth:

O crime de Sheikh Nimr: liderar protestos pacíficos a favor da democracia saudita, igualdade para os xiitas”.

Perfeita imbecilidade. Em 2008, um diplomata dos EUA falou com al-Nimr. Telegrama que se pode ler no site Wikileaks e que resume aquela conversa:

Al-Nimr descreve sua atitude e de al-Mudarrasi em relação à governança islamista como algo entre “wilayet al-faqih,” quando um país é liderado por um único líder religioso, e “shura al-fuqaha,” quando um conselho de líderes religiosos deve guiar o Estado. Al-Nimr, que dirigiu estudos religiosos por aproximadamente dez anos em Teerã, e por “uns poucos anos” na Síria, disse que toda e qualquer governança deve ser conduzida mediante consultas, mas a quantidade de poder oficial a ser entregue a uma determinada autoridade governante deve ser determinada a partir da qualidade relativa dos líderes religiosos e da situação política no momento.

Sistema liderado exclusivamente por clérigos ou líderes religiosos não é democracia. Dessa entrevista se pode extrair também que al-Nimr não tinha, na verdade, ideia clara sobre o que realmente queria. O que parecia estar resolvido é que queria “estar sempre com o povo, nunca com o governo”, independente de quem governasse ou do que estivesse certo ou errado.

A paciência dos sauditas esgotou-se quando, em junho de 2012, al-Nimr desrespeitou a morte do ex-ministro do Interior e príncipe coroado Nayef bin Abdul-Aziz Al Saud:

Disse que “o povo deve regozijar-se com a morte [de Nayef]” e que “será comido por vermes e sofrerá no túmulo os tormentos do Inferno”.

Foi demais. Al-Nimr foi preso e condenado à morte.

Houve preocupação em torno da possibilidade de a execução de al-Nimr aumentar as tensões entre sunitas e xiitas. Vários governos e a ONU alertaram que a execução faria aumentar as disputas sectárias.

Pois, então? Aí é que está!

A legitimidade do governo saudita depende de abundância de dinheiro e de aparecer como wabbabita sectário “guardião da fé”. Elevar a barra da guerra sectária, provocando reação violenta dos sauditas, só ajuda o governo dos sauditaa a mobilizar em favor deles até mesmo os clérigos e a população sunita wahhabita. A execução de um xiita conhecido também serviu para encobrir a execução dos militantes da al-Qaeda, que também contam com muitos simpatizantes na Arábia Saudita; matá-los sem matar al-Nimr teria levado a protestos, ou coisa pior, dos sunitas radicais. Mesmo com a “cobertura” da execução de al-Nimr, entidades tipo al-Qaeda fora da Arábia Saudita já juraram vingança.

O governo iraniano e organizações xiitas no Iraque caíram rapidamente na armadilha e protestaram contra a execução de al-Nimr. Os iranianos permitiram que gangues organizadas atacassem a embaixada saudita em Teerã, que foi incendiada. Na província leste da Arábia Saudita, manifestantes xiitas atacaram violentamente forças policiais.

Exata e precisamente o que os governantes sauditas queriam e tudo de que mais precisavam. Também pode ter sido o que alguns círculos conservadores iranianos esperavam ansiosamente.

Iêmen: a nação que se recusa morrer

Por: César A. Ferreira

Mais do que um espinho, daqueles que encravam na garganta, ou um osso duro de roer, o Iêmen, para a Arábia Saudita e os seus aliados, tonou-se uma faca, cuja ponta os príncipes sauditas não se cansam de esmurrar. Para o mundo, ao que parece, o que acontece no Iêmen não importa, dado que o conflito, oficialmente apresentado como uma guerra civil entre partidários do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, contra os partidários do deposto Abdo Rabu Mansur Hadi, ser antes de tudo, uma ilusão. Não existe uma guerra civil, o que existe, sabe-se, é uma agressão armada, providenciada pela vizinha Arábia Saudita, na forma de uma guerra por procuração, com os conhecidíssimos extremistas da Al-Qaeda, e agora, com os bombardeios diários da Força Aérea Saudita, bloqueio naval da “Coalizão Árabe”, além das  tropas sudanesas e sauditas. O Iêmen foi invadido e está em guerra contra os seus vizinhos.

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Moradias destruídas. Foto: CICV – Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

É triste ver, no entanto, o quanto o Iêmem, nação empobrecida, vem a sofrer com a agressão do seu riquíssimo vizinho: a Arábia Saudita. Hospitais são destruídos, bem como mercados e a parca infraestrutura do país, tal como as estações de tratamento de água.  A situação humanitária tornou-se caótica, como bem se vê na declaração cedida à Reuters, pela porta-voz da Cruz Vermelha, Maria Claire Feghali: “Já era bastante difícil antes, mas agora me faltam palavras para dizer o quão ruim ficou. É uma catástrofe, uma catástrofe humanitária”. Todavia, vê-se mais do mesmo. Hospitais arrasados, moradias bombardeadas. Não se pode dizer que foram eventos isolados, acidentes, pois quem conhece o caráter da região sabe que as ações foram intencionais.

Entretanto, o noroeste do Iêmen, reduto da etnia Houthi, encorpada pelo que sobrou do exército nacional iemenita, resiste bravamente, impondo aos sauditas reveses de importância, através da guerra de guerrilha. De maneira assombrosa pululam no Youtube vídeos de veículos blindados sauditas capturados, ou destruídos, sendo particularmente chocante a imagem de uma coluna saudita composta por carros de combate M-60 A3, totalmente destroçada. Não foram os únicos…

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Míssil balístico tático Tochka, no momento do seu lançamento por forças iemenitas. Foto: Asia Defense News.

Nestes últimos meses as perdas sauditas avolumaram-se. No dia 20 de dezembro (2015), elementos do Exército Nacional Iemenita, junto com reforços das Forças Populares, dispararam mísseis Qaher-1, contra tropas sauditas dispostas em Ma’arib, ocasionando a morte de mais de uma dezena de militares do reino. Em termos materiais, perderam-se alguns helicópteros de ataque AH-64 (perda admitida, mas não quantificada) e aeronaves, drones, de reconhecimento. No dia anterior, 19 de dezembro, as forças sauditas já haviam levado um golpe devastador, quando um míssil balístico Tochka-U foi disparado contra um acampamento militar, vitimando 180 militares sauditas e dos Emirados Árabes Unidos, havendo entre eles oficiais.

O interessante deste conflito, além da inadvertida resiliência iemenita, é a capacidade de produzir fatos inusitados, como a morte de um príncipe real da Casa de Saud, Mohammad bin Amir bin Jalawi Mosaed, morto, segundo a Reuters, quando chefiava um ataque contra formações “rebeldes”. Isto aconteceu 24 horas após as forças houthis terem imposto a morte de vários mercenários sauditas na região, o que demonstra inabilidade, ou falta de importância com oficiais que tenham sangue real.  Aliás, mercenários é que não faltam na região, providos pela inefável fornecedora de soldados da fortuna, Academi (ex – Blackwater). Oriundos de todas as partes do globo, boa parte deles da América Latina, notadamente da Colômbia. Como sempre, o costume saudita de lutar por procuração se faz presente, visto que o sangue mercenário derramado não causa problema algum em termos domésticos. Assim, as mortes de mercenários se acumulam, dado que sempre se pode vir a contratar outros. Desta forma temos a morte de 42 mercenários quando do ataque iemenita contra a base militar saudita de Bab-el-Mandeb, na província de Taiz, oeste do Iêmen,  aos quais se somaram 23 militares sauditas, nove dos EAU e sete marroquinos, conforme declarado por fontes e noticiado pelo site al-Masirah. A arma utilizada fora, novamente, o míssil balístico tático Tochka-U.

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MRAP destroçado por IED no Iêmen. Veículo pertencente as forças dos EAU. Três soldados morreram nesta emboscada. Foto: Asia Defense News.

A humilhação maior está para acontecer; o cerco de uma importante formação militar saudita por infantes iemenitas. Segundo informe da Agência Fars News, centenas de militares sauditas e dos EAU estariam cercados por tropas iemenitas na província de al-Jawl, mais precisamente na cidade de al-Jabal al-Aswad, sendo que dentre estes, em confrontos anteriores, haviam sido capturados 130 infantes sauditas, 39 infantes dos EAU e nove oficiais, todos eles na mesma área geográfica: província de Jawl. Isto se deu mesmo com os esforços da Força Aérea Saudita, que opera com relativa impunidade e tenta pressionar as tropas iemenitas com várias missões diárias na área, todavia, mesmo com perdas crescentes devido aos ataques aéreos, os iemenitas mantém o cerco.

E a guerra prossegue, inabalável, em seu curso. Apesar de ser impossível prever por agora o seu desfecho, percebe-se alguns paralelos com o conflito congelado do leste ucraniano, onde tropas governamentais, com todo o seu poderio, primeiro foram detidas, após um recuo tático, e depois destroçadas e forçadas a recuar. É bem verdade que o Iêmen se encontra em uma situação geográfica menos favorecida, dado que o leste ucraniano possui uma fronteira extensa com a Rússia, apoiadora dos separatistas, enquanto o Iêmen se encontra isolado por mar do seu aliado, o Irã. O conflito produziu até aqui 7.000 mortos, 14.000 feridos, outros tantos desabrigados. Este é o custo da vaidade saudita que não admite ao seu vizinho a escolha de um governante de sua preferência. Entretanto, o sonho de potência regional da Casa de Saud naufraga defronte à incompetência militar do exército saudita, bem como dos seus aliados. Enquanto isso, o Iêmen se agiganta perante as demais nações regionais, levado pelo braço forte dos seus habitantes, que combatem com Ak’s e RPG’s, calçados com sandálias… É uma história repetida e bem conhecida.