O Estado Islâmico sofre mais uma derrota em Deir Ez Zor

Por: César A. Ferreira

Os combatentes do Estado Islâmico colhem mais um insucesso, segundo informe do site South Front.

Forças combatentes do Estado Islâmico lançaram uma ofensiva no eixo de Deir Ez Zor, mas foram rechaçadas por regimentos da Guarda Republicana Síria e das Forças de Defesa Nacional (FDN). A unidade que suportou com sucesso a investida dos jihadistas foi o 137º Regimento da Guarda Republicana Síria.

A ação dos combatentes do EI – Estado Islâmico, deu-se por meio de uma infiltração entre as linhas, procurando flanquear os elementos do 137º regimento, este, posicionado a oeste do monte Sonouf. O resultado da batalha foi mais do que adverso para os atacantes, visto que em sequencia imediata ao sucesso defensivo as formações do 137º regimento empreenderam um contra-ataque relâmpago chegando às portas das posições terroristas no distrito de Al-Rasafa, cidade de Deir Ez Zor.

Além do contra-ataque efetuado com elementos da infantaria, houve o bombardeio das posições extremistas por meio dos dispositivos de artilharia desdobrados pelas forças governamentais, presentes no local. Foram alvo de fogo as localidades de Al-Makaber, Al-Omal, bem como da colina Al Sonouf. Dois comandantes do EI foram mortos durante os combates, sendo estes Abu-Ammar al-Iraqi e Abu Sayaf Hassrat.

As forças governamentais colhem louros no caldeirão de Der Ez Zor, como no caso da conquista da companhia de eletricidade, aproximando-se assim das posições isoladas do aeroporto, igualmente mantidas pelas forças do governo sírio. Os eventos na medida em que se sucedem em favor das tropas legalistas, que estão cercadas, resultam em grave desabono moral para as forças terroristas, visto que estas não conseguem suprimir elementos combatentes cuja fonte de abastecimento é aérea.

Por que eventos recentes na Síria mostram que o governo Obama está em confusa agonia terminal

Autor: Saker.

Fonte: The Vineyard Of The Saker

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu. – Fonte em português: Blog do Alok

Os mais recentes desenvolvimentos na Síria não são, creio eu, resultado de algum plano deliberado pelos EUA para ajudar seus “terroristas moderados” aliados em campo, mas sintoma de algo talvez pior: os EUA parecem ter perdido completamente o controle sobre a situação na Síria e, possivelmente, também em outros pontos. Permitam recapitular o que acaba de acontecer:

Primeiro, depois de dias e dias de intensas negociações, o secretário Kerry dos EUA e o ministro Lavrov de Relações Exteriores da Rússia finalmente chegaram a um acordo sobre um cessar-fogo na Síria que teria potencial para pelo menos “congelar” a situação em campo, até as eleições presidenciais nos EUA e a troca de governo (esse é agora o evento mais importante no futuro próximo; assim sendo, nenhum plano de nenhum tipo estende-se além daquela data.

Foi quando a Força Aérea dos EUA, com mais alguns ‘parceiros’, bombardeou uma unidade do Exército Árabe Sírio, que não estava nem em movimento nem engajada em operações intensas, que simplesmente cobria um setor chave do front. O ataque norte-americano foi seguido por ofensiva massiva dos “terroristas moderados” que acabou por ser contida, com dificuldade, por militares sírios e as Forças Aeroespaciais Russas. Desnecessário dizer que, depois de tal provocação, o cessar-fogo morreu.

Os russos manifestaram total desagrado e indignação contra o ataque e começaram a dizer abertamente que os norte-americanos são “недоговороспособны“. A palavra significa literalmente “[gente, pessoa] incapaz para acordos” ou sem as competências mínimas para firmar um acordo e, na sequência, honrar o que assinou. É expressão polida, mas mesmo assim extremamente forte, porque implica, mais do que fingimento deliberado, a ausência da capacidade, dos meios morais necessários para respeitar a própria assinatura. Por exemplo, os russos têm dito com frequência que o governo de Kiev é “incapaz para acordos”, o que faz sentido, considerando-se que a Ucrânia ocupada pelos nazistas é, na essência, estado fracassado.

Mas dizer que uma superpotência nuclear mundial é “incapaz para acordos” é diagnóstico extremo e terrível. Significa basicamente que os norte-americanos enlouqueceram e perderam os meios morais mínimos necessários para firmar acordos, qualquer tipo de acordo. Afinal, governo que descumpra o que prometa ou tente burlar, mas o qual, pelo menos em teoria, conserve a capacidade para respeitar a própria assinatura em acordos não seria descrito como “incapaz para acordos”. É expressão que só é usada para descrever entidade que sequer tem condições mínimas indispensáveis para merecer a confiança necessária para que alguém possa iniciar negociações, porque não cumprirá o que for acordado. É diagnóstico absolutamente devastador.

Na sequência, vem a cena antiprofissional, patética, da embaixadora Samantha Powers embaixadora dos EUA na ONU que simplesmente levantou-se e saiu de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU quando o representante russo estava falando. Mais uma vez, os russos enfureceram-se, não pela tentativa infantiloide de ofender, mas pela absoluta falta de profissionalismo que Powers manifestou, como diplomata. Do ponto de vista dos russos, se uma superpotência levanta-se e sai da sala quando outra superpotência está falando sobre assunto crucialmente importante é, para começar, atitude irresponsável; mais uma vez, sinal de falta das competências mínimas indispensáveis para ser parte de qualquer negociação ou acordo.

Por fim, a coroação: o ataque ao comboio de ajuda humanitária na Síria, que os EUA, claro, atribuíram à Rússia. Mais uma vez, os russos mal acreditaram nos próprios olhos. Primeiro, porque foi flagrante (e sinceramente, de nível de jardim de infância) tentativa para ‘mostrar’ que “os russos também erram” e que “os russos mataram o cessar-fogo”. Segundo, apareceu aquela declaração cômica, dos norte-americanos, de que só duas forças aéreas poderiam ser autoras do ataque – ou os russos ou os sírios (como os norte-americanos supuseram que enganariam alguém, naquele espaço aéreo super controlado pelos radares russos, é questão que ultrapassa a minha capacidade de análise!). Sabe-se lá como, os norte-americanos “esqueceram” de mencionar a que força aérea dos EUA também está ativa na região, além de forças aéreas de vários aliados dos EUA. Mais importante: esqueceram de mencionar que, naquela noite, drones Predator norte-americanos armados voavam diretamente sobre aquele comboio.

O que aconteceu na Síria é dolorosamente óbvio: o Pentágono sabotou o acordo firmado entre Kerry e Lavrov; e quando o Pentágono foi acusado de ser responsável pelo ataque, rapidamente montaram (mal montado) um ataque sob falsa bandeira, e tentaram culpar os russos.

Tudo isso mostra que o governo Obama está em estado terminal de confusa agonia. A Casa Branca aparentemente está em tal estado de pânico ante a provável vitória de Trump em novembro, que perdeu, basicamente, o controle de toda sua política exterior em geral, e especialmente, na Síria. Os russos estão literalmente cobertos de razão: o governo Obama é realmente “incapaz para acordos”.

Claro: o fato de os norte-americanos estarem agindo como crianças malcriadas frustradas não implica que a Rússia tenha de se rebaixar. Já vimos Lavrov voltar sempre e sempre tentar negociar com Kerry. Não porque os russos sejam ingênuos, mas precisamente porque, diferente dos colegas norte-americanos, os diplomatas russos são profissionais que sabem que negociação e linhas de comunicação mantidas abertas sempre são, e por definição, preferíveis a dar as costas e sair da sala, sobretudo quando se negociar com uma superpotência. Os observadores que criticam a Rússia por ser “fraca” ou “ingênua” só fazem projetar sobre a Rússia o seu próprio modo de ser e agir, quase todo modelado pelos norte-americanos. E nem percebem que russos não são norte-americanos: pensam de modo diferente e agem de modo diferente.

Para começar, os russos não se incomodam com ser vistos como “fracos” ou “ingênuos”. De fato, preferem ser vistos desse modo, se essa percepção faz avançar seus objetivos e confundem o oponente sobre suas reais intenções e capacidades. Os russos sabem que não construíram o maior país do planeta por serem “fracos” ou “ingênuos” e não têm interesse em ‘lições’ que lhe venham de países mais jovens que muitos dos prédios russos.

O paradigma ocidental quase sempre é o seguinte: crise sempre leva a rompimento de negociações; em seguida vem o conflito. O paradigma russo é completamente diferente: crise leva a mais negociações que são mantidas até o último segundo, tentando impedir que irrompa o conflito.

Há duas razões para isso: primeiro, insistir em negociar até o último segundo possibilita procurar o mais possível por uma via pela qual sair do confronto; e, segundo, negociações nas quais se insista até o último momento possibilitam que o negociador aproxime-se o mais possível de pôr a seu favor a surpresa estratégica, no caso de ter de atacar. Assim, exatamente, a Rússia agiu na Crimeia e na Síria – sem absolutamente nenhum sinal ou, ainda menos, sem exibições propagandeadas de poder como meio para intimidar alguém (intimidação também é estratégia política ocidental, que os russos nunca usam).

Assim sendo, Lavrov continuará a negociar, não importa o quão ridículas ou inúteis pareçam essas negociações. O próprio Lavrov provavelmente jamais pronunciará publicamente a palavra “недоговороспособны”, mas a mensagem ao povo russo e aos aliados sírios, iranianos e chineses da Rússia sempre será clara: os russos, hoje, já perderam qualquer esperança de obter negociações proveitosas ou confiáveis com o atual governo dos EUA.

Obama & Co. estão assoberbados de trabalho, tentando esconder as reais condições de saúde e os problemas de caráter de Hillary e, no momento, provavelmente só conseguem pensar numa coisa: como sobreviver ao debate Hillary-Trump [2ª-feira, 26/9, na Hofstra University em Hempstead, N.Y.]. O Pentágono e o Departamento de Estado estão ocupados, sobretudo, em combater um contra o outro por causa da Síria, Turquia, curdos e Rússia. A CIA parece estar em guerra contra ela mesma, mas não se pode afirmar com certeza.

O mais provável é que algum tipo de acordo continuará a ser anunciado, por Kerry e Lavrov, se não hoje, então amanhã ou depois. Mas, francamente, concordo integralmente com os russos: norte-americanos são realmente “incapazes para acordos”, e nesse momento, os dois conflitos, na Síria e o da Ucrânia, estão congelados. Não digo “congelados”, isso sim, no sentido de “situação em que não há grandes desdobramentos possíveis”. Ainda haverá combates, especialmente agora que os aliados wahhabistas e nazistas dos EUA sentem que o chefe não está muito atento no comando, ocupado com eleições e conflagração racial quase generalizada nos EUA, mas dado que não há solução militar possível para nenhuma dessas guerras, os confrontos e ofensivas táticos não levarão a resultado estratégico.

Com exceção de algum ataque sob falsa bandeira dentro dos EUA, como o assassinato ou de Hillary ou de Trump por um “pistoleiro solitário”, as guerras na Ucrânia e Síria prosseguirão sem possibilidade de qualquer tipo de negociação significativa. E com Trump ou Hillary na Casa Branca, um grande “reset” acontecerá no início de 2017.  Trump provavelmente quererá encontrar Putin para uma grande sessão de negociações que envolva todos os temas chaves entre EUA e Rússia. Se Hillary e seus neoconservadores chegarem à Casa Branca, nesse caso será quase impossível impedir algum tipo de guerra entre Rússia e EUA.

[assina] The Saker.

PS: Alguns especialistas militares russos estão dizendo que o tipo de dano que se vê nas fotos e vídeos do ataque ao comboio humanitário não é consistente com ataque aéreo, sequer com ataque por artilharia; o que se vê parece ser resultado da explosão de vários IEDs [Dispositivos Explosivos Improvisados]. Se isso se confirmar, também não implica a Rússia, mas aponta para forças de “terroristas moderados” que controlam aquela locação. Ainda assim poderia ser ataque sob falsa bandeira ordenado pelos EUA ou, se não for isso, será prova de que os EUA perderam o controle sobre seus aliados wahhabitas em campo.*****

O conflito sírio segue em sua brutalidade sem fim

Por: César A. Ferreira

O conflito sírio segue sem perspectiva alguma de chegar ao seu final, em que pese as retomadas de territórios por parte das armas nacionais sírias, que advém, porém, sempre ao custo de perdas, algo sensível em um conflito onde a infantaria é a força primordial, a qual, diga-se, não consegue se recompletar no nível adequado à saúde das formações. Um problema antigo e que apenas faz valer ainda mais a coragem dos contingentes sírios, costumeiramente postos à prova.

É inegável o fato, por muitos já observado, de que a insurgência motivadora do conflito é uma obra de interesses escusos de grandes potências, ocidentais por óbvio, sendo as forças jihadistas apenas os combatentes por procuração. O pudor, no entanto, perdeu-se a muito, tanto que o próprio Wall Street Journal informou a presença ao norte do território sírio de 250 soldados do US ARMY, declaradamente com a função de operacionalizar uma zona de segurança: (…) “will oversee the implementation of a safe-zone in the northern countryside”, em português, implementar uma zona de segurança em uma zona rural ao norte. Resta saber, apenas, que zona de segurança é essa, para quê, ou para quem, em vista do conflito que rasga a Síria… Não seria melhor apoiar o governo laico da Síria, em vista de ser o governo constituído aquele que realmente combate e obtém vitórias contra os jihadistas do Estado Islâmico? A resposta é óbvia e não precisa ser dita, afinal o mundo girou e a Frente Nusra, braço armado da Al-Qaeda no levante, é reconhecida por ser municiada e equipada pela CIA, bem como pela Casa de Saud; o mundo dá voltas, mas nada muda.

A guerra prossegue, todavia. Duas divisões do Exército Árabe da Síria, a 11ª e a 18ª, pressionam os jihadistas no eixo de Al-Bardeh, travando combates iniciados sábado último em Al-Qaryatayn. Outras formações sírias avançam no intuito de capturar as elevações de Baridah, proteção necessária para o avanço em direção aos campos de gás de Arak, bem como a estação de bombeio de gás T3.  Na madrugada do dia 24, na cidade de Aleppo, mais precisamente na parte sul da cidade, no bairro suburbano de Al-Assad, verificou-se provindo das edificações do distrito de Al-Rashiddeen o maior ataque direto já visto em meses, isto se deu exatamente às 03:00. O vigoroso ataque foi repelido com violentas baixas. As formações dos atacantes respondiam pelas bandeiras dos grupos extremistas Frente Al-Nusra, Jaish Al-Mujahideen, Ahrar Al-Sham, ELS-Exército Livre Sírio (ing. Free Syrian Army-FSA), Jabhat Al-Shamiya, e Nouriddeen Al-Zinki. Os extremistas foram “convidados” para uma emboscada ao atacar uma posição aparentemente débil do Exército Árabe da Síria. O ardil foi completado por uma chuva de morteiros na linha de avanço rebelde, que resultou em mais de 100 casualidades. A maioria dos mortos pertenciam ao grupo Nouriddeen Al-Zinki (cerca de 25). Todos estes grupos, segundo a CIA, são formados por muçulmanos honrados, merecedores das melhores armas que o mundo ocidental puder conceber…

Enquanto isso, segue o apoio russo ao governo sírio. A cidade antiga de Palmyra foi declarada livre de minas explosivas, totalmente desminada pelos sapadores russos. É preciso lembrar que a ofensiva em direção à cidade histórica foi efetuada com suporte dos helicópteros de ataque russos, com todos os modelos presentes realizando missões (Mi-24P, Mi-35M, Mi-28N e Ka-52). Não se pode deixar de notar o contraste imenso entre as intervenções norte-americanas e russas. Enquanto os primeiros se contorcem para justificar o apoio dado a extremistas, explicitado no ridículo rótulo de “rebelde moderado”, como se fosse possível a rebeldia compor-se de moderação, os segundos simplesmente apoiam um governo constituído, reconhecido diplomaticamente. E lá estão a convite.

Palmyra já vê combates em sua zona urbana

Por: César A. Ferreira

Neste exato momento forças do Exército Árabe da Síria adentraram nos subúrbios da cidade de Palmyra, isto após terem capturado as ruínas da cidade antiga em meio a feroz combate, onde, para infelicidade da humanidade, estragos extensos foram causados naquele fantástico patrimônio histórico da humanidade. O ataque a cidade realizado através de um movimento de mão, ao norte, o que desequilibrou as unidades do Estado Islâmico posicionadas para defesa, visto que estas esperavam o assalto provindo do oeste. Em seguida, outro movimento de gancho, desta vez direcionado ao sul, acabou por submeter às forças legalistas a base aérea local.

O combate na referida cidade está sendo renhido, motivo pelo qual avolumam baixas de ambos os lados. Neste contexto histórias de coragem se sobressaem, caso dos advisors russos, responsáveis por marcarem no solo os alvos para as aeronaves russas, que foram descobertos por combatentes do Estado Islâmico e cercados, motivo pelo qual direcionaram os ataques da VKS diretamente sobre eles (consequentemente dos inimigos que os cercavam). O número de soldados das Forças Especiais russas mortos e reivindicados como tais pelo Estado Islâmico, até a este presente momento, somam cinco (5) combatentes.

A situação para os combatentes do Estado Islâmico tende para insustentabilidade, visto que a operação visa cercar a cidade, conta com vasto apoio aéreo, que inclui a presença de helicópteros de ataque Mi28N, visto nos combates, e artilharia de campanha, onde os temidos TOS-1 “Buratino” se fazem presentes.

Nas últimas 24 horas as Forças Aeroespaciais da Federação Russa efetuaram apenas na área de Palmyra 40 saídas para missões de ataque, com 158 objetivos terroristas engajados, com ao menos quatro (4) Carros de Combate destruídos, cinco (5) caminhões de suprimentos igualmente destruídos, quatro (4) depósitos de munição incinerados e três (3) peças de artilharia eliminadas. Cerca de 100 combatentes foram mortos nestes ataques, que não contabilizam as missões de ataque realizadas pela Força Aérea Árabe da República da Síria.

Fontes do Ministério da Defesa da Rússia anunciou que o destino de Palmyra, que já conta com combates em sua zona urbana neste presente momento, deva se desfechar nas próximas 72 horas, isto no seu mais tardar. Para o Exército árabe da Síria esta batalha tem um sentido especial, simbólico, pois em 2014, o soldado capturado da desbastada 93ª Brigada de Infantaria, Adnan Yahia al Shoghri, instado a poupar sua vida pelos captores bastando para isso bradar vida eterna ao Estado Islâmico, berrou ao invés “nós vamos acabar com vocês”! Adnan e outros prisioneiros foram executados logo após o seu brado.

O retorno do Exército Árabe Síria

Por: Valentin Vasilescu

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Rede Voltaire | Bucareste (Roménia) | 05 de março de 2016

Tendo que enfrentar durante os primeiros quatro anos da guerra, mal treinados, mas muito bem armados mercenários estrangeiros, em um fluxo substancial, o Exército Árabe Sírio, que desde 2005 não conseguia manter o estado técnico das suas armas, se faz retornar. Graças à formação por parte do Irã, da presença de membros da milícia popular e depois de receber material bélico moderno da Rússia, o Exército Árabe da Síria é agora capaz de recuperar o terreno perdido. A partir de dois meses de combate, com constante avanço das tropas.

Após cinco meses de ataques aéreos garantidos pelo grupo aéreo russo, com cerca de 70 aeronaves implantadas na Síria, muitos analistas militares, por ter o Exército Árabe da Síria se mostrado capaz apenas de recuperar uma pequena parte dos territórios ocupados pelos maravilhosos jihadistas, criticaram-no. Tais especialistas estabelecem uma comparação, totalmente inadequada, com o Exército dos EUA, que conseguiu ocupar o Iraque em quarenta e dois dias… Mas, com 1.800 aeronaves e 380.000 soldados.

O que motivou a baixa capacidade de combate do Exército Árabe Síria?

Durante os cinco anos desta guerra na Síria, entre 100.000 e 250.000 mercenários islâmicos recrutados e armados pela Arábia Saudita, Qatar, Estados Unidos e Turquia vem a penetrar o território sírio através das fronteiras desse país com a Turquia, Jordânia e Israel. Estes mercenários abriram várias frentes, forçando as unidades do Exército Árabe da Síria a se dispersar em pequenos grupos por todo o país.

Nesta primeira fase, as ações dos radicais islâmicos envolveram a realização de ataques surpresa contra instalações do Exército Árabe da Síria e da polícia. A reação do Exército Árabe da Síria foi lenta e inadequada, usando apenas as tropas da 104ª Brigada  da Guarda Republicana e da 4ª divisão mecanizada. O sucesso desta primeira fase de ataques dos chamados “rebeldes”, resultou em uma  propagação em cascata, principalmente devido a um perfeito conhecimento das fraquezas do Exército Árabe da Síria.  O Planejamento desses ataques tiveram como responsáveis os instrutores militares turcos das forças especiais (conhecidos como Bordo Bereliler, referência a boina vermelha escura usadas) e dos seus equivalentes da Arábia Saudita.

Durante os três primeiros anos da guerra, o Exército Árabe da Síria, cuja preparação focava uma guerra convencional a ser travada contra os seus vizinhos e não para a guerra assimétrica, mostrou apenas o básico em termos de disposições táticas, adotando-as de maneira inadequada, sem espaços entre dispositivos, cobertura de tiros entre os elementos destes mesmos dispositivos, sem técnicas de identificação para distinguir amigos de inimigos, etc. Os jihadistas, em contraste, detinham disponível, em grande quantidade, material de construção, importado anteriormente, tal como o equipamento que lhes permitia escavar túneis muito rapidamente, enquanto o Exército Árabe Sírio não possuía nenhuma forma de detectar a existência de tais túneis. Isto permitiu que as operações dos extremistas islâmicos agregar ao seu favor o fator surpresa contra as tropas sírias, incapazes de reagir à infiltração maciça de terroristas, e conseguir ocupar numerosas bases militares e depósitos de armas e munições. Portanto, o Exército Árabe Sírio não poderia mesmo garantir as medidas básicas de combate (e prevenção), ou prever o melhor momento para se preparar e planejar a guerra.

Os aviões de reconhecimento remotamente pilotados (UAV) Shahed-129, fornecido pelo Irã, ajudou a melhorar os procedimentos táticos dos grupos de assalto do Exército Árabe da Síria e seu uso bem sucedido, resultando na realização de manobras muito rápidas. A Rússia apoiou o governo sírio desde o início, tanto política e diplomaticamente, com embarques esporádicos de armas e cursos de formação. Mas no outono de 2015, a ajuda russa tornou-se uma ajuda à la carte, aumentando exponencialmente. O Exército Árabe da Síria viu-se rapidamente equipado com novas armas. Neste momento, chegou ao fim o período durante o qual o Exército Árabe da Síria resignou-se a sacrificar territórios e a se confinar, exclusivamente, para proteger sua população civil contra os extremistas da jihad.

Armas individuais e equipamentos de proteção

Em um primeiro momento, o Exército Árabe da Síria estava equipado apenas com os capacetes chineses QGF-02. Alguns soldados da Guarda Republicana e forças especiais tinham coletes blindados TAT-BA-7. As armas individuais consistiam de AK-47, como fuzis de assalto (ou a sua variante chinesa Type 56). A ausência de dispositivos de visão noturna, infravermelho e/ou binóculos com sistemas com intensificação de luz residual constitui uma séria limitação.

Embora a Síria tenha optado em 2005 por um projeto de equipamentos individual moderno, projeto russo conhecido como “Soldado do Futuro” (Ratnick) , no momento do início da guerra civil, tais equipamentos não tinham sido adquiridos, devido ao embargo imposto como resultado da suspeita de que seria a Síria aquela responsável pela organização do assassinato de Rafic Hariri (ex-primeiro-ministro do Líbano). Este equipamento individual inclui visores noturnos Baighis, nível 6 e o ​​fuzil de assalto AK-74M. Com a chegada dos instrutores russos, a maioria das unidades do Exército Árabe Sírio foram equipadas com os coletes balísticos 6B45, capacetes Kevlar 6b7 e fuzis de assalto AK-74M, ou AK-104, com o dispositivo lançador de granadas, GP-30. O Exército Árabe Sírio equipados com equipamentos russos de visão noturna moderna, lançadores de granadas termobáricas AGS-17, lançadores de granadas 6G30 (40 mm).

Shilkas
O combate urbano travado na Síria permitiu ver o retorno das veneráveis Shilkas, agora, na função de apoio de fogo aproximado. Os sensores sofisticados foram retirados, mas a mira óptica, então mero back up, foi mantida. Imagem: internet.

O retorno do exército sírio

Os reservistas

Durante estes cinco anos de guerra, o Exército Árabe da Síria sofreu pesadas baixas, superiores aquelas sofridas durante as guerras contra Israel, perda superior em termos de material bélico,  destruído, ou capturado pelos jihadistas, estando muitas cidades permanecendo sob o controle destes elementos, cuja ocupação se caracteriza pela posse 75% do território sírio geográfico, bem como pela execução cruel de soldados capturados e os civis favoráveis ​​à República Árabe Síria. Isso, por óbvio, dificultou a substituição do grande número de tropas que o Exército Árabe da Síria havia perdido, num processo que se tornou muito mais difícil do que o previsto nos planos de mobilização originalmente planejados em tempos de paz. Temendo por suas vidas, 130.000 reservistas não compareceram quando convocados, de modo que há apenas 270.000 combatentes. Dada a esta circunstância, o Exército Árabe da Síria recorreu à criação de subunidades formadas com voluntários mais idosos do que o esperado, calcadas na maior parte do tempo no princípio da territorialidade. Principalmente naquelas áreas atacadas pelos rebeldes, estes grupos de defesa locais sem coordenação alguma com as unidades do exército profissional, mal armados, destituídos  de treinamento físico adequado, desprovidos de treinamento de tiro, sem comandantes capacitados em escolas militares que por ventura fossem dotados de um mínimo de conhecimento aplicável em uma situação de combate, acabaram por sofrer baixas significativas, pois baseavam-se, unicamente, no seu entusiasmo patriótico

Com a melhoria da situação e a transição para o exército ofensivo, o Exército Árabe da Síria empreendeu com estes grupos de defesa locais treinamentos táticos intensivos, centradas em temas de guerrilha urbana com prática de tiro real, marchas e noções de engenharia e pirotecnia. Uma ponte aérea entre Damasco e Teerã foi implementada, proporcionando que voluntários sírios fossem treinados pela Bassidji iraniana, que recebe e continua recebendo combatentes do Hezbollah. Pela primeira vez, os iranianos treinam não só os xiitas, mas também os sunitas e os cristãos.

As operações especiais

As forças especiais sírias foram formadas e treinadas pelo exército egípcio, durante a década de sessenta (1960-1969), de acordo com um programa de comandos britânicos, focado em unidades de infantaria ligeira, bem como nos militares capacitados como paraquedistas. No início desta guerra, o Exército Árabe da Síria tinha seis batalhões independentes de forças especiais e outro batalhão de paraquedistas, que é a 104ª Brigada da Guarda Republicana.

Um grupo de Comandos, denominado “Leões Protetores”, subordinado 4ª Divisão Mecanizada, que opera no norte da Síria, foi estabelecido como tal em maio de 2014. No início desta guerra, equipamento das forças especiais sírias era tão pobre quanto aquele de outras forças do Exército Árabe da Síria e os Comandos não detinham mais a experiência em combate urbano, ou de combate anti-inssurrecional, adquirida em Beirute, em 1982. Naquela época,  unidades de Comandos sírios foram equipados com lançadores RPG-7, sistemas de mísseis anticarro 9K111 e Milan-1, que tinha causado enorme devastação entre os blindados israelenses.

A situação obteve significativa melhora quando da chegada na Síria da Força al-Quds, provinda do Irã, bem equipados e bem treinados, e dos combatentes do Hezzbollah libanês com grande experiência em guerra urbana. É interessante a lembrança que as forças especiais iranianas foram criadas e moldadas como espelho das suas equivalentes americanas e britânicas (Special Boat Service-SBS), nos tempos do Xá Mohammad Reza Pahlavi. Os comandos do Hezzbollah libanês, por sua vez, apresentaram-se armados com modernos mísseis anti-carro (9M113 KONKURS, 9M131 Metis-M e 9M133 Kornet-E) e lançadores de granadas RPG 7V e RPG-29, adquiridos em 2006, provados em uma experiência de combate sólida, com táticas assimétricas e de guerra urbana contra os Carros de Combate Merkava do exército israelense. E eles têm aperfeiçoado novas técnicas de combate anti-tanque extremamente eficazes.

Com a chegada de elementos Spetsnaz [1], além de instrutores russos, tudo que havia acabou por ser analisado e revisto de acordo com princípios de ação e regras claras. Apesar de o Irã ter investido fortemente no equipamento das forças especiais, tal equipamento não era de última geração, como dos russos. Fotos recentes de membros das forças especiais sírias apresentam-nos equipados exatamente como os russos, tecido de proteção térmica, camuflagem tipo MultiCam, com capacetes Fast Ops-Core que possuem um sistema optrônico integrado à prova de bala, dispositivos de visão noturna, colete com capuz e botas de qualidade, fuzis equipados com mira telescópica, padrão de precisão britânico AWM, com silenciadores, ou armados com fuzis de assalto AK-74M, equipado com um telêmetro a laser Alpha 7115, lançador de granadas automático AGS-30, ou de metralhadora.

O progresso havido no treinamento e equipamento dos Comandos sírios com armamento moderno pode ser visto na operação recente, que visou a recuperação da estrada Khanasser-Ithriyah,  única maneira de fornecer comunicação efetiva (logística) para as forças pró-governo na província de Aleppo.

Os Snipers

Lutas em áreas urbanas não podem ser concebidas sem o uso de muitos atiradores de elite, treinados e equipados com armamento moderno. No início da guerra, devido a ausência de pontos de observação, principalmente nas partes superiores dos edifícios e da presença de  franco-atiradores, os “homens-bomba” poderam facilmente escolher seus alvos e se explodir, ou penetrar veículos em postos de controle do Exército Árabe da Síria. Este último possuía alguns snipers e tinha apenas antigos modelos de rifles com miras telescópicas, como o Dragunov SVD e DRM (fuzil da NORINCO, empresa chinesa que produz uma copia do velho M-14 norte-americano). Posteriormente, o Exército Árabe da Síria dotou-se de cópias iranianas do fuzil austríaco Steyr HS.50 com mira telescópica, dos russos vieram os modernos Orsis T-5000 (7,62 milímetros), também com uma mira telescópica, e metralhadora KSVK com mira telescópica (12,7 mm).

Por iniciativa iraniana e russa criou-se uma escola na Síria para atiradores do exército, com instrutores libaneses (Hezzbollah), iranianos e russos. Os atiradores russos são considerados os melhores do mundo, graças aos seus centros de preparação, armas, camuflagem e formação. O foco para os atiradores sírios está exemplificado na máxima: “tornar-se invisível e ver sem ser visto”.

Kontact-5
CC T-72 equipado com blindagem reativa Kontact-5. As blindagens ERA mostraram-se muito efetivas no conflito sírio. Imagem: internet.

Viaturas blindadas e os corpos mecanizados

Quando foi empregado durante a Segunda Guerra Mundial, a finalidade do tank era de atacar, quebrar as barreiras e as linhas de defesa do inimigo graças à proteção de sua armadura, do poder de fogo e da alta mobilidade. No nosso tempo, unidades equipadas com sistemas de mísseis antitanques são muito menos caros do que as unidades de tanques, cuja ação é difícil em um ambiente hostil saturado com armas antitanque. Os blindados enviados para restaurar a ordem, sem um exame aprofundado do âmbito de ação, desprovidos do apoio da infantaria e forçados a operar no meio das aldeias, acabaram por cair em emboscadas sob o fogo de lança-granadas portáteis e mísseis antitanque. Dezenas de milhares de sistemas de mísseis antitanque BGM-71 TOW, norte-americanos, Milan-2, franco-alemão, bem como do croata lança – foguetes M-79 Osa, foram introduzidos secretamente na Síria pelos serviços de inteligência da Turquia, Arábia Saudita, França e dos Estados Unidos.

Os blindados sírios não exibiam proteção ativa, como as  placas ERA, montado na parte frontal e na parte superior da torre, ou sistemas coletores que permitem cegar e confundir a orientação dos mísseis antitanque, ou sistemas de proteção ativa, com sensores que ativam a intercepção dos mísseis antitanque e possa destruí-los antes que eles atinjam o escudo (ERA). Devido a estas deficiências, perderam-se Carros de Combate por  miudezas,  perfurados que foram com um golpe direto. E vendo-os destruídos, ou danificados às centenas, o Exército Árabe da Síria teve que se adaptar, empreendendo soldas de  chapas de aço e montagem de placas para incorporar ERA com o intuito de neutralizar os impactos cumulativos.

Após a sua chegada à Síria, os instrutores militares russos também descobriram que um dos maiores erros que o Exército Árabe da Síria havia cometido era o abandono do blindado danificado. Os russos perceberam que a maioria dos que foram abandonados foram reparados por militares turcos especialistas em blindados, que os levaram até aos jihadistas, ou que foram usados ​​como baterias de artilharia fixa para fortificar posições capturadas. Portanto, o Exército Árabe Síria aumentou o número de subunidades de reboque e prontificou a  evacuação dos blindados danificados, bem como levantou e equipou oficinas de reparos.

No início de 2016, os russos forneceram aos sírios, para uso do seu  exército cerca de 20 tanques T-72B3 e T-90S, que têm uma proteção reativa eficaz contra  os mísseis antitanque norte-americanos BGM-71 TOW. O tanque T-90S tem sido utilizada na composição de destacamentos avançados para quebrar as defesas das jihadistas, como foi visto em fevereiro de 2016, durante a ofensiva para liberar a cidade de Kuweires, junto de Aleppo. Embora tenham sido integrados no Exército Árabe Sírio, os tanques T-90S foram pagos pelo Irã e estão sendo usados ​​por tripulações iranianas.

A Artilharia

Além dos blindados capturados ao Exército Árabe da Síria, os extremistas islâmicos receberam lotes de caminhões equipados com artilharia, metralhadoras pesadas, lançadores de foguetes, metralhadoras leves e armas de pequeno calibre, o que lhes permite exibir uma grande mobilidade e, assim, a possibilidade de explorar o efeito de surpresa de maneira contumaz. Para neutralizar essas metas, então dispostas em uma área limitada seriam necessárias munições inteligentes, algo que o Exército Árabe da Síria não dispunha. Os russos forneceram o “PRP-4A Argus” para a artilharia expedicionária, que determina as coordenadas dos sistemas de artilharia para o fogo de contra-bateria (artilharia inimiga), blindados de reconhecimento inimigos, bem como a posição dos grupos isolados de franco atiradores, com a marcação fornecida de forma automática por telêmetros lasers conjugados. Além desses equipamentos, o Exército Árabe Sírio recebeu lançadores de mísseis dotados de ogivas termobáricas (220 mm) TOS-1 “Buratino”, que apresenta uma taxa de fogo de 24 rodadas em 7, ou 15 segundos. Uma salva de TOS-1 abrange uma área de dispersão de fogo de aproximadamente 200 metros por 400 metros.

Com a chegada dos instrutores da Rússia para a Síria o padrão foi elevado para o conceito de feixe laser dentro do Exército Árabe da Síria, com o uso dos mísseis  guiados KM-2 Krasnopol. Este sistema precisa de um operador para o dispositivo LTD (laser designador de alvo) que ilumina o alvo com o laser de um veículo blindado. Abrangendo a área de 2 quilômetros de comprimento por 1,6 km de largura, ao redor do alvo, o sistema de orientação de mísseis Krasnopol é direcionado para o alvo iluminado pelo laser.

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Su-34 sendo abastecido para mais uma surtida. A Força Expedicionária Russa mostrou-se vital para a virada da maré do conflito. Imagem: internet

Aviação de combate

Até a chegada do contingente russo, a força aérea síria não dispunha de sistemas para orientação de armas destinadas ao ataque com alta precisão, capazes, por isso,  de garantir um apoio para as tropas terrestres. Por essa razão, a aviação síria utilizava principalmente foguetes não guiados de  57mm e bombas convencionais dos modelos FAB-50 e FAB-100, por sua vez lançadas em mergulhos na altitude compreendida entre 1 500 e 3 000 metros. Portanto, as aeronaves sírias operavam dentro da faixa que as tornavam vulneráveis ​​ao fogo das peças de artilharia de 23 e 30 mm, em poder dos islamistas e bem dentro do alcance dos mísseis portáteis terra-ar (MANPAD), o que explica as numerosas perdas de aeronaves por parte da aviação síria.

Enquanto isso, 21 bombardeiros Su-24MK sírios foram modernizados na Fábrica No. 514 ARZ em Rzhev, Rússia, subindo de nível para o padrão Su-24M2, equipados com sistemas de navegação e de guiamento para armas de precisão (PNS-M), tal como os modelos russos desdobrados para a Base Aérea Hmeymim. Em 2015, a Rússia entregou motores aeronáuticos e aviônicos, dentre outras peças para modernizar 64 MiG-23 MLD, trazendo-os ao nível MiG-23-98. O MiG-23 tem os sistemas OLS-M, da classe LANTIRN para navegação noturna, detecção de infravermelho dos alvos terrestres e orientação voltada para vários tipos de armas inteligentes, tais como aqueles usados ​​por bombardeiros táticos russos instalados na Síria.

Os Su-24 e MiG-23 da Força Aérea da Síria, podem agora executar os bombardeio de precisão necessários, dia e noite, a partir de altitudes em que estão fora do alcance dos mísseis terra-ar portáteis. Então, conseguem, por exemplo, destruir postos de comando subterrâneos que jihadistas haviam construído em todos os lugares com o uso de bombas dotadas de ogivas de penetração. Para atingir as tropas terrestres inimigas, ao contrário do ano anterior, já não se faz mais necessário o uso de barris explosivos (bombas barril) largados de helicópteros, que de qualquer forma seriam (os helicópteros) alvos passíveis de serem destruídos por sistemas antiaéreos do tipo MANPAD.

Valentin Vasilescu

[1] Spetsnaz: é um apelo genérico, nascido na antiga URSS, que continua hoje a designação de grupos de intervenção ou forças especiais de vários órgãos ou serviços armadas russas do Ministério do Interior e Justiça, ao FSB e as diferentes ramos das forças armadas. Nota pela Rede Voltaire.

TOW-2A VS. T-90: análise detalhada do evento

Por: Viktor Murakhovsky.

Fonte Original : Gazeta.ru  

Adaptação: César A. Ferreira

A Síria tem visto muitos tipos de mísseis anti-tanque, armas guiadas (ATGMs) e armas anti-tanque leves, que estão sendo utilizados no seu território. Há aqueles da era soviética como da série de mísseis FAGOT/ FAKTORIYA e KONKURS, bem como o KORNET , mais moderno, dentro da dotação do EAS – Exército Árabe da Síria. Do outro lado temos o  TOW-2A, fabricado nos EUA, que foi e provavelmente está sendo neste momento entregue para a chamada “oposição moderada”, pelos EUA, e também pela Turquia e Qatar, em favor dos grupos islamitas. Há também os ATGMs chineses e iranianos, que são utilizados por militantes, as forças do governo e combatentes curdos. O RPG-7, leve, é mais amplamente usado pela infantaria em armas, incluindo as suas cópias chinesas e iranianas, além do descartável RPG-22.

Os mísseis TOW-2A, de origem norte americana são sem dúvida alguma, uma das armas mais perigosas usadas contra tanques sírios. Aqueles que são utilizados na Síria proveem de vários lotes de fabricação. Alguns dos anos 90, outros muito mais recentes, exibindo marcações de 2012-2013. Destes, quase todos são da moderna variante TOW-2A dos quais várias dezenas de milhares foram fabricados nos EUA e exportados para vários países. Todos são guiados por fio, exceto a versão Aero-RF orientada por rádio-comando, que não foi vista na Síria. Os insurgentes tendem a filmar o emprego em combate do míssil  TOW como prova, para receber as recompensas oferecidas pela destruição de equipamentos sírios.

O míssil é guiado utilizando um dispositivo de visão optrônica comum. A mira é colocada em alças, o míssil é lançado, e o operador continua a manter a mira no alvo. O dispositivo de vista contém um chamado coordenador, que acompanha o traçado (trajetória) do míssil por uma lâmpada de xenon e um emissor infravermelho, localizado na cauda do míssil. Dependendo do nível de desvio em relação à linha de visada, o coordenador gera correções que são transmitidos através do fio. O carretel de fio situa-se no próprio míssil. Muitos mísseis usam de princípios semelhantes, incluindo aqueles da era soviética. Não há necessidade alguma de iluminar o alvo, ou de marca-lhe a distância. TOW-2A faixa máxima é 3.750 m, que abrange a uma velocidade subsônica de 250-260 metros/s.

O TOW porta um conjunto de carga, na forma de uma ogiva. O nariz exibe uma protuberância, na forma de uma antena que possui a função detonar a blindagem reativa, presente no alvo como elemento de proteção. A carga principal é 152 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 6 kg, o que permite uma penetração da ordem de 850-900 mm de uma blindagem homogênea  aço atrás da proteção reativa.

O TOW-2A foi usado para destruir um helicóptero Mi-8 danificado, isto durante a operação de resgate ao piloto do Su-24M2 abatido pela THK. O míssil pode ser usado contra vários tipos de alvos, incluindo helicópteros voando baixo. Os ATGMs contemporâneos, incluindo os russos, possuem rastreadores automáticos de alvos o que permitem ao operador não precisar se preocupar sobre o acompanhamento manual do alvo. Carros de Combate T-72B3 russos, que pode lançar mísseis guiados, têm desses rastreadores. A destruição do alvo na forma de um Carro de Combate é praticamente garantida se ele for atingido por um míssil deste na lateral, ou na parte traseira. Na parte frontal o Carro de Combate, em geral, possui suficiente proteção para suportar tais acertos.

O que vemos no vídeo? Vemos um modelo de 1992 do T-90 com uma torre cast. Isto é muito evidente a partir da presença de Shtora e a forma da escotilha do artilheiro. Os Carros de Combate T-90 do modelo 2004 tem uma torre soldada com um nível mais elevado de proteção. O Carro de Combate é protegido pela Kontakt-5, uma blindagem reativa. A sua aparência e espaço é demandada pela proteção da blindagem disposta em camadas. Pode-se ver que o míssil atingiu “o rosto” da torre, na dianteira esquerda, provocando a detonação da Kontakt-5, mas, aparentemente, não conseguiu penetrar a armadura principal.

A tripulação do tanque havia negligenciado os seus deveres no campo de batalha: as escotilhas estavam abertas, o Shtora não estava ligado. Isto sugere que a tripulação não tenha sido muito bem treinada. Têm-se informações sugerindo que as tripulações sírias não são treinadas na Rússia, mas no local. Há especialistas russos na Síria, mas eles trabalham como instrutores na base Ithriyah. A explosão de uma ogiva 6 kg naturalmente causou explosão considerável pressão que penetrou na escotilha aberta, o que levou o artilheiro atordoado para saltar para fora do tanque. Caso a escotilha estivesse fechada, ele não teria sofrido com o excesso de pressão. A proteção frontal do Carro de Combate é várias vezes maior do que a proteção lateral. Os tanques soviéticos e russos são projetados para suportar acessos por maioria de munições a partir do aspecto frontal, em outras palavras, dentro do arco de 60 graus à frente.

A tripulação do Carro de Combate exibiu falta de treino, e a forma como o tanque estava sendo utilizado deixa muito a desejar. Carros de Combate devem ser parte de equipes de armas combinadas e a operar próximo do apoio proporcionado pela infantaria. Como se pode perceber, a tripulação não detectou o lançamento do míssil. Se, ao menos três tanques, ou um pelotão, estivessem operando em conjunto, mutuamente interligados em seus campos de visão e fogo, e se a infantaria realizasse reconhecimento armado à frente dos tanques, a tripulação míssil teria sido destruída imediatamente após o lançamento. O tanque também não faz nenhuma tentativa para manobrar. Um único Carro de Combate, isolado, como quem está sentado, é um alvo ideal.

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Ilustração de como aparece o míssil no visor, quando do ataque com um míssil  de orientação beam rider. Imagem: Gazeta.ru

O vídeo foi filmado em Sheikh-Akil noroeste de Aleppo, onde os “Falcons” da montanha Zaviya estão operando como parte do 5º Corpo do Exército Livre da Síria. Deu-se um reconhecimento vigoroso por combatentes Khazaras e Afegãos. Houve a tentativa de capturar Sheikh-Akil, mas foram repelidos a toda volta. Os  vídeos posteriores da mesma cidade não mostram o T-90 destruído, embora haja vídeos que mostram a retirada das tropas e dos equipamentos. Isso significa que o tanque permaneceu no campo de batalha, ou dele foi evacuado, retirado. Em termos pessoais creio que o tanque permaneceu móvel e a tripulação tenha sobrevivido, embora seja possível que alguns de seus dispositivos de observação tenham sido danificados.

O Shtora-1 é equipamento padrão em um Carro de Combate T-90. Os dois projetores montados na torre emitem radiação modulada nas partes ópticas e no campo infra-vermelho do espectro. O sistema suprime os coordenadores optrônicos dos ATGM a uma distância de 2-2,5km. Os sistemas de rastreamento dos ATGM recebem sinais falsos dos emissores do Shtora de tal maneira que os mísseis passam a receber correções de curso inadequadas, o que os levam a voar para o lado, ou simplesmente deixar de funcionar. O Shtora tem uma probabilidade de sucesso de cerca de 80-90% contra um ATGM. É muito eficaz contra mais velhos, caso MILAN, HOT, TOW, FAGOT, KONKURS, e outros. Mas o TOW-2A exibe não só uma lâmpada de xénon, mas também um emissor de infra-vermelho, que emite um sinal codificado, fazendo com que o Shtora se torne menos eficaz contra este modelo do míssil. É por isso que Shtora não foi incluído nos modelos mais recentes da Rússia, por exemplo, o modernizado T-90SM ou o T-72B3.

Existem sistema de detecção de lançamento de mísseis modernos que operam no espectro UV, que podem ser instalado em UAVs e em veículos terrestres, mas até agora eles são experimentais. Tais sistemas detectam a pluma de um motor foguete. Podem emitir avisos de lançamento, permitindo que a tripulação aponte as armas do tanque em relação à fonte do lançamento e ejete uma tela de aerossol capaz de esconder o tanque de sistemas de detecção ópticos e de infravermelhos.

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CC T-72 destruído por uma arma guiada anti-carro. Imagem: Gazeta.ru

Os veículos mais modernos, como o Armata, estão equipados com defesas ativas que podem abater o míssil em aproximação, a partir de distâncias da ordem de 3-5 m. Enquanto na luta contra a Síria têm-se visto modelo  T-90 de 1992, há no inventário russo  o modelo de 2004, o T-90A. Os T-72s são mais vulneráveis ​​contra ATGMs com ogivas em tandem. Eles podem ser modernizados utilizando kits applique  desenvolvidos pela Uralvagon, o que lhes aumenta a capacidade de sobrevivência.

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CC T-55 do Exército Árabe da Síria equipado com jameador optrônico de fabricação local. Imagem> Gazeta.ru

Deve-se acrescentar que os Carros de Combate do Exército Árabe Sírio e outros veículos blindados às vezes são equipados com “dazzlers”, ou sistemas desenvolvidos internamente com função semelhante ao Shtora, com a exceção de que fornecem um campo de proteção polivalente. Dado o fato de terem agora os sírios em sua posse vários TOW-2A capturados, podem desenvolver jammers capazes de funcionar contra esses mísseis, pelo fato de se saber as frequências e a variação do espectro na qual estão calibrados os rastreadores do referido ATGM.

A presença de T-90s, ou Su-35s não irá por si trazer um grande avanço na luta, no entanto, se os tanques forem usados ​​com habilidade, em estreita cooperação com outras armas e de forma concentrada, em massa, a eficácia de suas operações irá aumentar.

O lugar do Exército Árabe da Síria na história está assegurado

Por: John Wight

Tradução: J. Junker

Fonte: American Herald Tribune

Quando os historiadores do futuro sentarem-se para escrever a história do conflito sírio, existe um teste simples que irá determinar se o seu objetivo é cavar e revelar a verdade ou se meramente querem jogar uma pá de terra na montanha das coisas que foram erigidas ao longo dos seus cinco longos anos, como um monumento à propaganda.

O teste será a representação do Exército Árabe da Síria e seu papel no conflito. Se ditos historiadores creditarem a ele segurar a linha contra as forças do inferno que se comprometeram com a destruição do país como um Estado secular, multi-religioso e multi-étnico, suportando todo tipo de perdas e baixas, colocando-o entre os mais corajosos, resistentes e heroicos de qualquer exército de qualquer nação que já existiu, então as pessoas vão saber que a verdade, ao invés da propaganda, terá prevalecido.

A glorificação da guerra e do conflito é difícil de resistir para aqueles que vivem em segurança, a muitas milhas de distância de seus horrores e brutalidades. Aqueles que a glorificam devem tomar um momento para estudar e assimilar as palavras de Jeannette Rankin, que disse: “Você não pode vencer uma guerra mais do que você pode ganhar de um terremoto”.

A guerra na Síria confirma a verdade permanente dessas palavras quando consideramos a natureza épica da destruição que ela tem proporcionado, o custo humano trágico, e como ela abalou a sociedade síria até os limites da resistência. Isso significa que, enquanto a sobrevivência do país como um Estado secular independente pode agora ser uma certeza, a sua capacidade para se recuperar totalmente do terremoto que Rankin descreve é ​​algo que só o tempo dirá.

Mas o fato de que o país conseguiu alcançar a sua sobrevivência e, com isso, a oportunidade de se recuperar é predominantemente uma realização do Exército Árabe da Síria, cuja formação é um microcosmo da própria sociedade e as pessoas que ele tem defendido – sunitas, xiitas, drusos, cristãos, alauítas. E no processo de fazê-lo, ao tempo em que estas palavras estão sendo escritas, ele já perdeu mais de 60000 homens de acordo com o mais recente relatório de Robert Fisk, um dos correspondentes ocidentais mais confiáveis, baseado na região. E isto é sem ter em conta os milhares de combatentes do Hezbollah que foram mortos, junto com curdos e membros dos vários grupos de milícias aliadas ao governo. Também não inclui as dezenas de milhares que foram feridos ou mutilados.

Mas pense sobre essa estatística impressionante de 60.000 mortos por um momento. Em um país com uma população, que antes do início do conflito era de 25 milhões, e um exército em número de 220.000 com força total, a perda de 60.000 tropas coloca a natureza épica desse conflito em que pereceram, em pé de igualdade com a Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial.

A ajuda russa tem sido, naturalmente, um fator-chave para virar a maré do conflito sírio. Mas toda a ajuda e solidariedade no mundo significa pouco sem um povo e sua vontade, com seu exército, para resistir à invasão do país por milhares de extremistas cujas paixões para massacrar seres humanos das formas mais hediondas que se possa imaginar qualifica sua rotulagem como bárbaros.

O ponto saliente perdido nas incontáveis ​​colunas, relatórios e artigos de opinião que foram escritos e publicados, que equivalem esses bárbaros com o governo sírio e seus militares, é que o Exército Árabe da Síria e as pessoas sírias são uma e a mesma, em que um começa onde termina o outro e vice-versa. A capacidade e a vontade do exército de suportar o forte golpe que tem levado, e que nenhum outro exército na região poderia ter resistido, tem sido dependente do apoio do povo sírio. Este apoio tem sido constante, e vem mesmo em meio à enorme pressão externa, disposta contra o país por potências ocidentais que em um ponto estavam convencidas de que o colapso e derrota total do exército era apenas uma questão de quando e não se.

O atual cessar-fogo, intermediado pela Rússia e apoiado por Washington, tem lugar num momento em que o conflito se transformou enfaticamente em favor do governo. Durante uma operação ofensiva que começou no início de fevereiro, o Exército Árabe Sírio esmagou todos os insurgentes em seu caminho pelo norte do país. Combinado com uma ofensiva lançada pelas Forças Democráticas Sírias (SDF) de composição multi-étnicas na província de Aleppo, ao norte, ele efetivamente conseguiu cercar a cidade de Aleppo e cortar as principais rotas de abastecimento das forças da oposição pela Turquia no controle de uma grande parte da cidade. Dado o número de facções armadas envolvidas no conflito, a falta de qualquer estrutura de comando central direcionando suas atividades, o fato de que o cessar-fogo, até agora realizado com apenas algumas violações menores, é uma prova da realidade alterada no chão.

As maquinações, plotagem e falsidade dos sauditas e turcos – não esquecendo dos seus aliados ocidentais – foram negadas em um país onde cada cidade e rua, cada colina, aldeia e estrada foi tocada pela guerra. É a prova de que, em última análise, a história não é feita por governos, diplomatas ou funcionários em gabinetes palacianos e chancelarias. Ela é feita por homens e mulheres comuns dispostos a lutar e morrer em defesa de seus familiares, suas casas e comunidades, e cuja honra, ao fazer isso contrasta com a desonra de quem cometeu o erro de considerar a Síria como apenas uma outra peça em seu tabuleiro de xadrez geopolítico.

Ninguém deve subestimar o custo humano de proteger a soberania e a integridade da Síria. Faça isso e você irá denegrir aqueles que caíram e os que, sem dúvida, ainda cairão quando a luta recomeçar. Também não devemos subestimar o tamanho da montanha à escalar antes da Síria ser pacificada, quando as armas, eventualmente, caírem em silêncio. Pois, assim como uma luta termina outra começará.

Panorama do conflito sírio: 29.02.2016

Fonte: Al Masdar

Autor: Leith Fadel

Adaptação: César A. Ferreira

Corpo de importante comandante do Hezzbollah é recuperado

Durante a semana passada começaram a correr os rumores que se estenderam por todo o Líbano, de que um dos principais comandantes de campo do Hezzbollah havia sido morto durante a batalha por Khanasser, sudeste de Aleppo. Estes rumores foram de confirmado”a “se confirmar” em questão de horas, já que o destino de Ali Fayyadh, também conhecido como Alaa Al-Bosnia, foi debatido por partidários e oponentes.

Entre os rumores que se havia no Líbano e na Síria, estava a suposta captura de Ali Fayyadh pelo Estado Islâmico; estes rumores foram de prontos negados pelos jornalistas favoráveis ao Hezzbollah, mas que foram pelos equivalentes oponentes veiculados à exaustão.

 Pela manhã, elementos da “Força Tigre”, junto com combatentes do Hezzbollah, colocaram a termo estes rumores, quando recuperaram o corpo do comandante Ali Fayyadh, bem como os corpos de outros combatentes sírios, mortos durante a batalha de Al-Hammam, ao sul de Khanasser.

Os jornalistas ligados ao Hezzbollah confirmaram que o corpo do comandante Ali Fayyadh já se encontrava em sua posse (Hezzbollah), e que o mesmo retornava para a sua cidade natal para um enterro apropriado.

Província de Idlib

Comandos sírios aproximam-se da cidade estratégica de Idlib, dela distam 15 km.

Em maio passado (2015), a 87ª Brigada, pertencente à 11ª Divisão Blindada, evadiu-se vergonhosamente da cidade de Jisr Al-Shughour, citando em sua defesa a falta de cobertura aérea como razão principal da sua retirada prematura das cercanias da povoação de Ghaniyah. A realidade era o fato de as Forças Armadas da Síria não estarem preparadas para a ofensiva em grande escala lançada pela Jaysh-al-Fateh (Exército da Conquista) durante a primavera passada; isto foi evidente em sua retirada massiva da província de Idlib após um mês e meio de luta, somente.

Um avanço rápido cinco meses mais tarde: a Força Aeroespacial Russa começou a sua campanha aérea em todo o país para ajudar as Forças Armadas da Síria a recuperar a iniciativa (ofensiva). Sem saber naquele momento, estes ataques seriam mais tardes exitosos, tornando-se o elemento vital do qual necessitava as forças governamentais para retomarem as grandes porções de territórios das províncias de Aleppo e Latakia. Agora, as Forças Armadas da Síria recuperaram quase toda a totalidade das referidas províncias, incluindo vários vilarejos que eram, então, quase intocáveis antes da ofensiva em grande escala. A 103ª Brigada da Guarda Republicana e seus aliados impõem um controle total sobre o vilarejo de Ayn Al-Bayda, que dista uns 15 km do sudoeste de Jisr Al-Shughour.

À medida que derrete a neve no campo, ao noroeste da província de Latakia, Jabal Al-Akrad, montanhas curdas, vê se inundada com soldados do Exército Árabe da Síria. Estes soldados se preparam para aquilo que pode se converter no retorno épico do EAS a Jisr-Al-Shughourt, depois da perda desta cidade a apenas nove meses.

 Província de Aleppo

As forças governamentais reforçam a rota para Aleppo depois da retirada do Estado Islâmico.

Nas últimas 24 horas, a Força Tigre do Exército Árabe da Síria, em estreita coordenação com o Hezzbollah, Liwa Al-Quds (Brigada Jerusalém), Forças de Defesa Nacional (FDN) e a Guarda Republicana, avançaram em silêncio pela estrada Aleppo-Hama, em busca da captura de várias colinas e outros pontos fortes do Estado Islâmico na proximidade do vilarejo de Al-Hammam. No sábado, o EI tentou capturar o vilarejo de Al-Hammam, na forma de um contra-ataque, contra as Forças Armadas da Síria e aliados; todavia, este assalto, intenso, foi repelido após várias horas de enfrentamentos que culminaram em número alto de mortos de ambos os lados (dentre os mortos estava o comandante de campo do Hezzbollah, Ali Fayyadh).

 No dia seguinte (domingo), a Força Tigre e seus aliados aproveitaram a oportunidade para levar a cabo sua própria ofensiva no campo de Al-Hammam; esta contra ofensiva cobriu-se de êxito, pois as forças do governo foram capazes de assegurar Al-Hammam, bem como de aumentar a zona de proteção ao redor da autoestrada Ithriyah-Khanasser. Segundo uma fonte militar da Força Tigre, as Forças Armadas da Síria capturaram as montanhas que delimitam a localidade de Al-Hammam no seu flanco noroeste.

Com estas elevações capturadas, as Forças Armadas da Síria e os seus aliados obtiveram um alívio ao longo da estrada Ithriyah-Khanasser após o perigo de tela cortada e bloqueada, mais uma vez pelo Estado Islâmico. Ao norte de Al-Hammam, ativistas de mídias sociais da “oposição síria” informavam que o Estado Islâmico havia capturado a estratégica localidade de Khanasser. Hoje, entretanto, um correspondente local, em pleno campo de batalha refutou tais afirmações, que se constituíam de pura invencionice.

Exército Árabe Síro abre oficialmente a rota de abastecimento de Aleppo

Apenas 24 horas após declarar que a rota estratégica de abastecimento de Aleppo estava sob o se controle, o Exército Árabe da Síria (EAS), havia aberto tanto a rodovia Ithriyah-Khanasser, como logo após a estrada Sheikh Hilal-Ithriyah, assim que foram retiradas as minas (IED) plantadas pelo Estado Islâmico nas citadas rodovias. Com uma só rota até a província de Aleppo, o governo sírio necessitava reabrir esta estrada devido ao apoio logístico necessário para o Exército Árabe da Síria e permitir a continuação do comércio interior, o comércio civil.

O Estado Islâmico abandonou os arredores de Al-Safira, antes de ser cercado, isto permitiu ao grupo terrorista transferir 800 dos seus combatentes desta zona para fora da planície de Khanesser, donde poderiam lançar uma contra ofensiva contra tropas governamentais na semana passada.

A ofensiva surpresa resultou em algo exitoso para o Estado Islâmico (apesar de efêmero), dado que foram capazes de cortar e bloquear a única rota de abastecimento do governo sírio para Aleppo e província em dois pontos diferentes. Tanto que obrigou o Exército Árabe da Síria a deter o seu avanço a leste e oeste de Aleppo e de Al-Raqqa. Por desgraça as forças governamentais não podem descuidar-se desta área, bloqueada pelo Estado Islâmico mais de uma ocasião, e que fora cortada, oficialmente por duas vezes nestes últimos cinco meses. A Força Tigre e os seus aliados, por agora, se desdobram para ampliar a faixa de proteção ao redor da rodovia, para eliminar a ameaça do Estado Islâmico na região.

Província de Homs

Oito vilarejos foram libertados pelas forças governamentais das mãos do Estado Islâmico.

Na manhã de segunda-feira, no campo oriental da província de Homs, o 18º Batalhão de Carros Blindados, da 67ª Brigada Mecanizada, respaldado por infantes das Forças de Defesa Nacional (FDN) e Kataebat Al-Baas (Batalhões Al-Baas), impôs um controle total sobre mais de oito elevações dos montes Jazal, após violentos combates contra o Estado Islâmico. Segundo um correspondente presente no campo de batalha, nas cercanias das montanhas Al-Shaar, as Forças Armadas da Síria lançaram um assalto inesperado surpreendendo os militantes do EI, que se encontravam nos topos das colinas orientais das montanhas Jazal; este ataque obteve êxito extraordinário em vista que estas oito elevações se encontravam abaixo do tacão do grupo terrorista havia 13 meses.

As montanhas Jazal estão situadas estrategicamente próximas da fronteira entre as províncias de Homs com a de Hama. Sua proximidade com a desértica cidade imperial de Palmira (Tadmur), faz que se torne um objetivo importante para estar sobre controle das Forças Armadas da Síria. Além da libertação destes oito cumes em Jabal Jazal, as Forças Armadas da Síria voltaram a adentrar o pequeno vilarejo de Al-Dawa, nas cercanias de Palmira, após outra intensa batalha com o Estado Islâmico.  Recentemente esta frente desértica e o campo oriental da província de Homs vêm se tornando cenário frequente de enfrentamentos encarniçados entre o EI e as forças governamentais. Isto, após a primeira marcha de assalto ao oeste de Raqqa, três semanas atrás.

00-Ghouta Oriental
Área urbana flagrada durante bombardeio. Imagem: internet,

Província de Damasco

Exército Árabe Sírio captura Al-Fadiyaya, arredores da grande Damasco.

Nesta segunda-feira, na região oriental de Ghouta, Grande Damasco, o 416º Regimento da Guarda Republicana, respaldado por elementos da Força de Defesa Nacional (FDN) e do Exército de Libertação da Palestina (ELP), acabaram por impor o controle total sobre o vilarejo de Al-Fadiyaya, nas proximidades da Base Aérea de Marj al Sultan, após violentos combates com membros da Jaysh al-Islam (Exército do Islã) e Jabhat al-Nusra (Al-Qaeda na Síria). A povoação de Al-Fadiyaya situa-se ao norte da referida base militar e a sua captura acaba por preservar a segurança do flanco norte desta base aérea e do campo de pouso para helicópteros, daquilo que havia se tornado uma fonte de projéteis, disparos de morteiros e de foguetes inimigos.

Como parte deste avanço feito de surpresa, as Forças Armadas da Síria lançaram uma ofensiva de grande escala na região sul do Ghouta Oriental, justamente a área em que há a maior concentração de combatentes da Jabaht al-Nusra, fora de Hajar a-Aswad e das montanhas Qalamoun, na Grande Damasco.

Nota do Editor: Leith Fadel é um correspondente do Al-Masdar News e tem suas reportagens repercutidas como fonte de informação credível do conflito sírio. Nem sempre o faz no formato de matéria jornalística, por comunicar eventos em tempo real no Twiter. O Al Masdar fornece três opções de linguagem para o leitor, inglês, espanhol e russo.

 

Campo de batalha na Síria, relatório, 26.02.2016

Fonte: Warfiles

Adaptação: César A. Ferreira

 O cessar-fogo na Síria está para começar nesta meia-noite.  A força aérea síria está distribuindo panfletos sobre áreas ocupadas pelo inimigo, onde consta instruções especiais para os comandantes rebeldes sobre aquilo que devem preencher, para então se transferirem ao centro de cessar-fogo de Hmeimim.

Moscou anunciou que os ataques aéreos contra as posições rebeldes continuará até às 10 horas do horário moscovita, o que corresponde à meia-noite, no tempo de Damasco. Eastern Guta, Homs norte, e Aleppo ocidental experimentaram os mais pesados ​​ataques aéreos do dia.

Província de Aleppo

O EAS – Exército Árabe Sírio, liberou totalmente a localidade de Hanasser. Antes da libertação, as forças sírias destruíram um grupo de rebeldes na aldeia de Rasm an-Nafal.

O EI – Estado Islâmico não dormiu muito na noite passada, uma vez que foi continuamente bombardeado por aviões russos que voaram em mais de 30 missões no apoio às tropas sírias.

Após libertar Hanasser, as Forças Tigre,  uma força de comandos, começou a libertar outras cidades ao longo da vitalmente  e importante rota de abastecimento para Aleppo. A brigada de elite apoiada por equipas das Forças Gueopardo 03 e 06, bem como as unidades da Guarda Republicana, do Hezbollah, e das Forças de Defesa Nacional, conseguiram libertar cinco aldeias ao longo destes dois últimos dias.

Nesta manhã, tropas sírias de operações especiais expulsaram o inimigo das aldeias Shilallah al-Saghira, Minaya e Jokhah em operações (de ataque) relâmpago. O eixo de progressão partiu de aldeias recentemente libertadas.

Em seguida, as unidades de elite lançaram um ataque contra Hawaz cuja captura levará à ocupação das elevações existentes no entorno de Raheep. O contra-ataque rebelde contra El-Hammam falhou. Também foi relatado que os últimos vilarejos ao longo da rota Hanasser-Aleppo foram libertados, abrindo assim a estrada que permite o fluxo de abastecimento para Aleppo. O inimigo foi forçado a recuar a partir de Raheeb, Rawahayb, Rasm al-Tineh e Muntar. As formações sírias começaram a varredura para limpar a estrada secundária Sheiha Hilal-Ithriyah, até então bloqueada pelos militantes.

Dá-se que as forças dp EI remanescentes na área poderiam vir a cair em uma armadilha. Eles possuem apenas uma única rota de fuga,  estreita, que os leva para Raqqa, via esta que pode ser cortada a qualquer momento. Se eles estão propensos a sobreviver, terão de recuar, caso contrário, serão mortos pela combinação das armas: de unidades de elite sírias e aeronaves de ataque russas.

A troca de tiros é contínua na própria cidade de Aleppo. Os confrontos mais graves ocorreram nos distritos de Beni-Zeid e Han al-Asal.

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Carro de Combate T-72, do EAS, promove apoio à infantaria. Fonte: Warfiles.

Província de Hama

Não foram realizadas grandes operações terrestres. Aeronaves de ataque sírias lançaram ataques contra a Al-Qaeda (Jabhat al-Nusra) concentrações de militantes perto de Wadi al-Azib, destruindo uma série de posições fortificadas e peças várias de equipamento.

Província de Deir ez-Zor

Os terroristas continuam a sondar as defesas da base aérea. Houve confrontos perto da aldeia de Beit-Dhem e o posto de controle ao sul.

Houve confrontos breves na capital provincial perto de al-Afri e ad-Jbeil. Os terroristas sofreram perdas graves após uma coluna de abastecimento ter sido emboscado.

Província de Homs

Os ataques aéreos sírios atingiram três sedes de militantes, destruindo um número considerável de veículos em Palmira. Jaysh al-Fath (entidade terrorista) foi bombardeada perto de Telbis onde vieram a perder um posto de comando.

Na capital da província ocorreram  escaramuças breves, registradas nos distritos de Al- Arfi e Hell Jbeil . Aqui, os terroristas sofreram perdas severas, especialmente quando foi feito fogo sobre os comboios de abastecimento, então emboscados.

Províncias de Latakia e Idlib

A 103ª Brigada da Guarda Republicana do Exército Árabe Sírio, calaram as últimas resistências nas áreas da fronteira com a província de Idlib. Ain al-Baida, localizada nas montanhas curdas foi libertada na parte da manhã. Os Comandos, desta maneira, acabaram por penetrar no território da província de Idlib, com isto,  as forças sírias avançaram 3 km em direção à fronteira com a Turquia. Os islamitas estão controlando apenas uma pequena área, uma franja de poucos quilômetros quadrados próximo a Kobane e al-Sirmaniyah.

As aeronave da Força Aérea da Síria bombardearam várias bases da Jabhat al-Nusra, destruindo muito da infra-estrutura dos terroristas, além de vários equipamentos (material rodante).

 

 

Avanços sírios impõem aos turcos opções desesperadas

Por: César A. Ferreira

O desenrolar das ações do Exército Árabe da Síria ao norte do país, com vigorosa assistência do grupo aéreo russo, retira, uma a uma as opções turcas no tocante à guerra por procuração que move na Síria, com os seu agentes turcomanos e coligados da al-Qaeda, leia-se al-Nusra, Exército Livre Sírio e Estado Islâmico. A queda das cidades de Nublo e Zahran, trazem grandes consequências para as forças insurgentes, afora o contexto simbólico desta vitória, posto que eram cidades perdidas há mais de três anos. As forças insurgentes, mais uma vez, sofreram revezes de monta, onde fez-se decisiva a presença dos ataques aéreos demandados pelo agrupamento russo e pela Força Aérea Árabe da Síria.

Estas cidades, agora firmemente em mãos governamentais, vedam mais um corredor para abastecimento logístico para Aleppo, onde a cada dia que passa se enfraquecem as posições insurgentes frente àquelas do governo reconhecido da Síria. O foco, agora, dá-se no entorno de Azaz, justamente por ser um entroncamento importante para o abastecimento de Aleppo. Comboios turcos são sistematicamente bombardeados nas estradas próximas e caso haja a queda da localidade, restará apenas os corredores de Reyhanli e Idlib. É desnecessário dizer que quanto menores forem as rotas logísticas, mais fácil será a tarefa do poder aéreo russo na região, que é a de estrangular o esforço logístico dos grupos insurgentes na fronteira norte da Síria.

A Turquia vê com o avanço das forças do Exército Árabe da Síria, e dos grupamentos curdos do YPG/YPJ, junto aos entroncamentos viários da fronteira sírio-turca como o golpe mortal na sua propalada “zona de segurança para refugiados”. Além do mais, vê-se obrigada a assistir que contendores com os quais jogava, caso dos EUA e da Rússia, venham agora a abastecer os combatentes curdos, nas franjas fronteiriças, sem que tenha voz ativa contra tal movimento.

No tocante aos EUA, estes cumprem com o seu plano, não divulgado, mas à vista de todos, de fragmentar a Síria, onde um estado curdo teria o seu lugar natural, enquanto os russos passaram a apoiar um aliado interessado em dar combate aos insurgentes que lhe são hostis, cuja sobreposição de interesses ganhou um impulso grande, quando da atitude turca de abater o bombardeiro Su-24M2. Grandes consequências de um gesto impensado, visto que desde tal abate não houve outra coisa que não fosse o acelerar do avanço governamental. O fato de armar, largamente, os combatentes do YPG/YPJ, vir a constituir na concretude de um estado nacional curdo, parece ser nos cálculos russos e sírios como algo aceitável, em vista do combate mortal com os insurgentes, onde a necessidade extrema de infantes torna-se imperiosa.

Para a Turquia, pouco resta…

Dado que agora, existe uma bateria do Sistema S-400, na base aérea de Hmeymim , além de dois elementos de caças Su-35S, equipados com mísseis R-73E, R-27ET, além do novíssimo RVV-SD, restam aos turcos a atitude do confronto aberto com a invasão do território sírio, posto que a guerra por procuração entra em colapso, bem como a sonhada “no fly zone”, algo que de concreto pode-se dizer que existe, mas com as cores russas…

O desespero turco acentua-se, justamente, com a corrida das forças curdas para o oeste. Caso haja o sucesso do YPG/YPJ em liberar Marea, restará à Turquia a ligação logística através de Bab al-Hawa e de Idlib, mas estas, como dito antes, submetidas à interdição aérea russa.  Que não haja enganos, o discurso está pronto: salvar a minoria étnica turca, os “turcomanos” da Síria, contra o “massacre” perpetrado pelos curdos, “facínoras”, coadjuvados pelos odientos russos. Compra quem quiser.

O cenário está montado, portanto, para um confronto de forças convencionais. Entende-se, pois, a retórica saudita, de “estarem prontos” para participar de uma eventual invasão terrestre da Síria, quando se encontram atolados no Iêmen, para dar cabo do “Estado islâmico”. Ora, ora, existem tolos tão tontos assim? A invasão, sabem até os mais parvos, servirá para pavimentar a fragmentação da Síria e garantir, dentre os novos estados a nascer desta quebra, os chamados “Sunistões”, a existência. A questão é: a Síria vale à pena? Vale a ponto de levar o mundo a assistir a um confronto direto entre a OTAN e a Rússia, o que equivale dizer a um confronto nuclear? As respostas estão com o tempo… Um professor rigoroso.