A integridade desapareceu do ocidente

Por:  Paul Craig Roberts

Entre os líderes políticos ocidentais não há nem um pouco de integridade ou moralidade. A mídia impressa e televisiva ocidental é desonesta e corrupta além do reparo. No entanto, o governo russo persiste em sua fantasia de “trabalhar com parceiros ocidentais da Rússia”. A única maneira pela qual a Rússia pode trabalhar com vigaristas é se tornar um bandido. É isso que o governo russo quer?

Finian Cunningham observa o absurdo no tumulto político e midiático sobre Trump (tardiamente) telefonando a Putin para parabenizá-lo por sua reeleição com 77% dos votos, uma demonstração de aprovação pública que nenhum líder político ocidental conseguiria alcançar. O enlouquecido senador pelo Arizona (McCain) chamou a pessoa com o maior voto majoritário do nosso tempo de “um ditador”. No entanto, o autocrata da Arábia Saudita é festejado na Casa Branca e bajulado pelo presidente dos Estados Unidos.

Os políticos e assessores de imprensa do Ocidente estão moralmente indignados com um suposto envenenamento, sem o apoio de qualquer evidência, de um ex-espião sem importância por ordem do próprio presidente da Rússia. Esses insultos insanos lançados contra o líder da nação militar mais poderosa do mundo – e a Rússia é uma nação, ao contrário dos países ocidentais heterogêneos – aumentam as chances do Armagedom nuclear além dos riscos durante a Guerra Fria do século XX. Os tolos insanos que fazem essas acusações sem base mostram total desrespeito por toda a vida na Terra. No entanto, eles se consideram o sal da terra, como pessoas “excepcionais e indispensáveis”.

Pense no suposto envenenamento de Skripal pela Rússia. O que isso pode ser diferente de um esforço orquestrado para demonizar o presidente da Rússia? Como pode o Ocidente ficar tão indignado com a morte de um ex-agente duplo, isto é, uma pessoa enganosa, e completamente indiferente aos milhões de povos destruídos pelo Ocidente somente no século 21? Onde está o ultraje entre os povos ocidentais sobre as mortes massivas pelas quais o Ocidente, atuando através de seu agente saudita, é responsável no Iêmen? Onde está o ultraje ocidental entre os povos ocidentais sobre as mortes na Síria? As mortes na Líbia, na Somália, no Paquistão, na Ucrânia, no Afeganistão? Onde está a indignação no Ocidente em relação à constante interferência ocidental nos assuntos internos de outros países? Quantas vezes Washington derrubou um governo democraticamente eleito em Honduras e reinstalou um fantoche de Washington?

A corrupção no Ocidente se estende além dos políticos, dos assessores de imprensa e de um público despreocupado para os especialistas. Quando a ridícula Condoleeza Rice, assessora de segurança nacional do presidente George W. Bush, falou das armas de destruição em massa inexistentes de Saddam Hussein, que enviavam uma nuvem nuclear sobre uma cidade americana, os especialistas não riram dela na tribuna. A chance de qualquer evento desse tipo era precisamente zero e todo especialista sabia disso, mas os especialistas corruptos seguraram suas línguas. Se eles falassem a verdade, eles sabiam que não apareceriam à TV, não receberiam subvenção do governo, estariam fora da disputa para uma nomeação governamental. Então eles aceitaram a mentira absurda projetada para justificar uma invasão americana que destruiu um país.

Este é o Ocidente. Não há nada além de mentiras e indiferença às mortes de outros. A única indignação é orquestrada e dirigida contra seus alvos: o Taleban, Saddam Hussein, Gaddafi, Irã, Assad, Rússia e Putin, e contra os líderes reformistas na América Latina. Os alvos da indignação ocidental são sempre aqueles que agem independentemente de Washington ou que não são mais úteis para os propósitos de Washington.

A qualidade das pessoas nos governos ocidentais entrou em colapso e atingiu o fundo do poço. Os britânicos na verdade têm uma pessoa, Boris Johnson, como secretário do Exterior, que é tão depreciativo que um ex-embaixador britânico não tem escrúpulos em chamá-lo de mentiroso categórico. O laboratório britânico Porton Down, ao contrário da alegação de Johnson, não identificou o agente associado ao ataque à Skripal como um agente “novichok” russo. Note também que se o laboratório britânico fosse capaz de identificar um agente “novichok”, ele também teria a capacidade de produzi-lo, uma capacidade que muitos países têm, já que as fórmulas foram publicadas anos atrás em um livro.

Que o envenenamento por “novichok” de Skripal é uma orquestração é óbvio. No minuto em que o evento ocorreu, a história estava pronta. Sem evidência, o governo britânico e a mídia da imprensa estavam gritando “os russos fizeram isso”. Não contentes com isso, Boris Johnson gritou “Putin fez isso”. Para institucionalizar o medo e o ódio da Rússia à consciência britânica, na escola britânica as crianças estão aprendendo que Putin é como Hitler.

Orquestrações tão flagrantes demonstram que os governos ocidentais não respeitam a inteligência de seus povos. Que os governos ocidentais se safam dessas mentiras fantásticas indica que os governos são imunes à responsabilidade. Mesmo que a prestação de contas fosse possível, não há sinal de que os povos ocidentais sejam capazes de responsabilizar seus governos. Enquanto Washington leva o mundo à guerra nuclear, onde estão os protestos? O único protesto é a lavagem cerebral em crianças em idade escolar protestando contra a Associação Nacional de Rifles e a Segunda Emenda.

A democracia ocidental é uma farsa. Considere a Catalunha. O povo votou pela independência e foi denunciado por fazê-lo por políticos europeus. O governo espanhol invadiu a Catalunha alegando que o referendo popular, no qual as pessoas expressavam sua opinião sobre o próprio futuro, era ilegal. Líderes catalães estão na prisão aguardando julgamento, exceto por Carles Puigdemont, que escapou para a Bélgica. Agora, a Alemanha o capturou quando retornou da Finlândia para a Bélgica, onde lecionou na Universidade de Helsinque e o mantém preso por um governo espanhol que se parece mais com Francisco Franco do que com a democracia. A própria União Europeia é uma conspiração contra a democracia.

O sucesso da propaganda ocidental em criar virtudes inexistentes é o maior sucesso de relações públicas da história.

 

Fonte: Institute For Political Economy

Porque a Terceira Guerra Mundial está próxima

Por: Paul Craig Roberts

Tradução: Mberublue

O colapso da União Soviética em 1991 deu origem à perigosa ideologia (norte)americana chamada neoconservadorismo. A União Soviética servia como uma espécie de muro de contenção para as ações unilaterais dos Estados Unidos. Com a remoção dessa contenção contra Washington os neoconservadores declararam sua agenda para a hegemonia (norte)americana. A América do Norte seria agora a “única superpotência”, a “unipotência” que poderia agir sem restrições em qualquer lugar do mundo.

O jornalista neoconservador Charles Krauthammer, do The Washington Post resumia desta maneira a “nova realidade”:

 “Temos um poder global esmagador. Fomos designados historicamente como guardiões do sistema internacional. Quando a União Soviética caiu, algo novo nasceu, algo absolutamente novo – um mundo unipolar dominado por uma potência unitária não limitada por nenhum rival e com um alcance decisivo em qualquer parte do planeta. Trata-se de um desenvolvimento histórico impressionante, não visto desde a queda de Roma. Mesmo Roma não é modelo para o que são hoje os Estados Unidos”.

O impressionante poder unipolar que a história deu a Washington deveria ser protegido q qualquer custo. Em 1992 o funcionário do Pentágono, subsecretário Paul Wolfowitz, escreveu a Doutrina Wolfowitz, que viria a se tornar a base da política externa de Washington.

A Doutrina Wolfowitz estabelece que o “primeiro objetivo” da política externa dos Estados Unidos é “precaver-se contra o ressurgimento (ou surgimento) de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética ou em qualquer outra região do globo, que possa representar uma ameaça [para as ações unilaterais dos EUA] na forma antes representada pela União Soviética. Esta consideração deve ser dominante na nova estratégia de defesa regional e requer esforço no sentido de evitar a emergência de qualquer potência hostil que venha a dominar uma região com recursos aptos para, sob controle consolidado, revelarem-se suficientes para a geração de um poder global” (“Potência Hostil” é qualquer país forte o suficiente para ter uma política externa independente dos ditames de Washington).

A afirmativa do poder unilateral (norte)americano começou a ser levada a sério durante o regime Clinton com as intervenções da Iugoslávia, Sérvia, no Kosovo e na imposição e uma zona de exclusão aérea contra o Iraque. Em 1997 os neoconservadores escreveram seu “Projeto para um Novo Século (norte)Americano”. Em 1998, três anos antes dos acontecimentos de 9/11, os neoconservadores enviaram uma carta ao Presidente Clinton exigindo uma mudança de regime no Iraque e “a remoção de Saddam Hussein do poder”. Lançaram ainda seu programa para remover sete governantes em cinco anos.http://www.globalresearch.ca/we-re-going-to-take-out-7-countries-in-5-years-iraq-syria-lebanon-libya-somalia-sudan-iran/5166

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Fotogramas sequenciais do ataque as torres do WTC. NY, 11 de setembro de 2001. Imagem: internet.

Acordou-se que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 seriam apresentados para o público como se fossem “um novo Pearl Harbour”, o que os neoconservadores achavam necessário para que pudessem lançar suas guerras de conquista no Oriente Médio. O primeiro Secretário de Tesouro do Presidente George W. Bush, Paul O’Neil, declarou publicamente que o primeiro assunto na agenda do primeiro encontro em seu gabinete foi a invasão do Iraque. Esta invasão foi planejada antes de 9/11. Desde 9/11 Washington já destruiu no todo ou em parte oito países e agora está em confronto com a Rússia tanto na Síria quanto na Ucrânia.

A Rússia não pode permitir que um califado jihadista seja estabelecido na área que compreende a Síria e o Iraque, porque isso se tornaria uma base para a exportação de desestabilização para as porções muçulmanas da Federação Russa. O próprio Henry Kissinger declarou este fato, o qual é claro o suficiente para quem quer que tenha um cérebro. No entanto os fanáticos neoconservadores insanos no poder que controlaram Clinton e Bush e controlam agora o regime de Obama, estão tão imbuídos em sua própria soberba e arrogância que se prepararam para provocar a Rússia a ponto de ter o seu fantoche turco derrubado um avião russo e manobraram para expulsar do poder o presidente democraticamente eleito na Ucrânia, que tinha boas relações com a Rússia, substituindo-o por um títere do governo (norte)americano.

Com este pano de fundo podemos entender quão perigosa é a situação pela qual passa o mundo por causa da arrogante política neoconservadora para a hegemonia mundial dos Estados Unidos. As falhas de julgamento e os perigos nos conflitos da Síria e da Ucrânia são em si mesmos consequências da ideologia neoconservadora.

Para perpetuar a hegemonia (norte)americana os neoconservadores ignoraram as garantias dadas por Washington a Gorbachev de que a OTAN não se moveria sequer uma polegada para o Leste. Os neoconservadores tiraram os Estados Unidos do Tratado ABM, que especificava que nem os Estados Unidos nem a Rússia deveriam desenvolver ou instalar mísseis antibalísticos. Os neoconservadores reescreveram a doutrina de guerra dos Estados Unidos e elevaram o papel das armas nucleares de uma força retaliatória para uma força de primeiro ataque preventivo. Os neoconservadores começaram a instalar bases ABM nas fronteiras russas, afirmando que estas bases tinham o objetivo de proteger a Europa de uma inexistente ameaça nuclear de ICBMs iranianos.

A Rússia e seu presidente Vladimir Putin estão sendo demonizados pelos neoconservadores e seus fantoches no governo (norte)americano e na mídia. Por exemplo: Hillary Clinton, candidata a candidata à presidência pelo Partido Democrata chamou Putin de “o novo Hitler”. Um antigo agente da CIA clama pelo assassinato de Putin. Os candidatos presidenciais de ambos os partidos estão competindo para verificar quem consegue ser mais agressivo contra a Rússia e quem consegue insultar o presidente da Rússia mais fortemente.

O efeito foi a destruição da verdade entre as potências nucleares. O governo russo aprendeu que Washington não respeita nem as próprias leis, muito menos as leis internacionais e que não se pode confiar em Washington quanto ao cumprimento de qualquer acordo. Esse descompromisso com a verdade, juntamente com a agressão contínua vomitada por Washington e sua mídia prostituta, estupidamente repetida pelos idiotas nas capitais europeias, prepararam o terreno para uma guerra nuclear. Como não há possibilidade de a OTAN (na realidade os EUA) derrotar a Rússia em uma guerra convencional, e muito menos uma aliança entre China e Rússia resta apenas a opção de uma guerra nuclear. A guerra será nuclear.

Para evitar a Guerra, Putin é não provocativo e moderado em suas respostas às provocações ocidentais. O comportamento responsável de Putin, no entanto, é erroneamente interpretado pelos neoconservadores como um sinal de fraqueza ou medo. Assim, eles pressionam o presidente Obama para que ele coloque cada vez mais pressão sobre a Rússia, que a Rússia cederá. No entanto, Putin tornou muito claro que a Rússia não fará isso. Esta mensagem foi enviada por Putin em várias ocasiões. Por exemplo, em 28 de setembro de 2015, por ocasião do 70º aniversário da fundação das Nações Unidas, Putin disse que a Rússia não poderia mais tolerar o estado de coisas no mundo. Dois dias depois, ordenou a guerra contra o Estado Islâmico na Síria.

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“Tzar Bomb”. O maior artefato nuclear já detonado. 57 megatons. Foto: internet.

Os governantes europeus, especialmente da Alemanha e do Reino Unido, são cúmplices nesta movimentação em direção à guerra nuclear. Aqueles dois estados vassalos facilitam a imprudente agressividade de Washington contra a Rússia ao repetir a propaganda enganosa de Washington e apoiando as sanções impostas pelos Estados Unidos contra outros países. Enquanto a Europa continuar sendo nada mais que lima extensão de Washington, a perspectiva do Armagedom continuará a crescer.

Por estas Alturas, uma Guerra nuclear somente poderá ser evitada de duas maneiras. Uma delas é que a Rússia e a China rendam-se incondicionalmente e aceitem a hegemonia de Washington. A outra é que de repente um líder independente da Alemanha, do Reino Unido ou da França esteja à altura de seu gabinete e se retire da OTAN. Isto poderia dar início a uma debandada de países a deixar a OTAN, que é a principal ferramenta de Washington para causar conflitos contra a Rússia e, consequentemente a força mais perigosa no mundo para qualquer país europeu e para o mundo inteiro. Se a OTAN continuar a existir, esta organização, juntamente com a ideologia neoconservadora da hegemonia (norte)americana tornarão a guerra nuclear inevitável.

Paul Craig Roberts – (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Fonte em Português: Mberublue – Pensar sem enlouquecer.