A Rússia apresenta o seu próprio míssil “Carrier Killer”, e este é mais perigoso que o da China

Como o Kh-47M2 pode alterar drasticamente o equilíbrio de poder no Pacífico.

Por:  Abraham Ait 

Fonte:  The Diplomat (12 de maio de 2018).

O míssil balístico “matador de Porta-Aviões” da China, o DF-21D, ganhou manchetes desde que entrou em serviço, em 2010, por sua capacidade de destruir grandes navios de guerra dos EUA até 1.450 quilômetros de distância das costas do país. O míssil foi fundamental para alterar o equilíbrio de poder nos mares do Sul e do Leste da China a favor de Pequim e expandiu vastamente a zona marítima de negação / defesa de área (A2 / AD) do país em face da crescente presença naval americana. A Marinha dos Estados Unidos, pela  admissão do Instituto Naval dos EUA não tinha defesa contra tais ataques, e o míssil limita a capacidade dos Estados Unidos de responder a uma crise potencial no Estreito de Taiwan, como ocorreu em 1996. Embora o DF-21D seja um sistema de armas único e altamente formidável, um novo sistema de armas implantado a partir de 2018 é susceptível de representar uma ameaça muito maior para os navios de guerra dos EUA no Pacífico – o novo míssil hipersônico Kh-47M2 Kinzhal das forças armadas russas.

O Kinzhal (Adaga) foi revelado pessoalmente pelo presidente russo, Vladimir Putin, em março de 2018, como uma das seis novas armas hipersônicas que entrariam em serviço nas forças armadas russas. Enquanto outras plataformas hipersônicas, caso do Sarmat ((ICBMS: míssil balístico intercontinental) e da ogiva (veículo de entrada hipersônico de precisão) Avangard, que foram projetados unicamente para cumprir um  papel estratégico de ataque nuclear, o que faz com que o Kinzhal se destaque é a sua capacidade de ser usado como uma plataforma de ataque tático com uma ogiva não nuclear – o que equivale dizer que ele faz dos campos de batalha um cenário para ataques de precisão contra alvos militares. Embora o Kinzhal possa carregar uma ogiva nuclear para um papel de ataque estratégico, o que o torna verdadeiramente inestimável é sua capacidade de cumprir um papel tático de caçar navios em escalas extremas – possivelmente melhor do que qualquer outra plataforma de mísseis de longo alcance atualmente em serviço em outros lugares.

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MiG-31K portando o míssil “Khinzal”. Foto: internet.

A ogiva de Kinzhal é estimada entre 500 e 700 kg, uma carga útil formidável, embora seja bem inferior à do DF-21D chinês. O que diferencia o Kinzhal, no entanto, e o torna um caçador de navios verdadeiramente letal é sua combinação de precisão, alcance e velocidade de impacto hipersônica, acima de Mach 5. Mesmo sem ogiva, a energia cinética desse impacto seria suficiente para colocar fora de combate se não destruir, completamente, até mesmo o maior dos navios de guerra. Alguma indicação de seu poder pode ser obtida examinando o míssil de cruzeiro anti-navio BrahMos, russo-indiano, uma plataforma restrita a velocidades de Mach 2.8 e dotado de uma ogiva com 250 kg, que foi desenvolvida para destruir navios grandes, cortando-os pela metade com a pura força do seu impacto em alta velocidade – e apesar da falta de velocidades hipersônicas, provou-se capaz de fazê-lo. A partir disso, pode-se inferir que o Kinzhal (é capaz de fazer).

De acordo com o vice-ministro da Defesa da Rússia, Yuriy Borisov, os militares já modificaram dez interceptadores MiG-31 para portar os mísseis ar-mar Kinzhal desde março. O oficial afirmou sobre as capacidades da arma: “Esta é uma classe de armas de precisão que tem uma ogiva multifuncional capaz de atacar alvos estacionários e em movimento… (Isto) decola no ar, acelera a uma certa velocidade em alta altitude, e então o míssil inicia seu próprio movimento autônomo”. Ele enfatizou a importância de uma alta velocidade de impacto para o desenho de Kinzhal, e ainda afirmou que o o míssil foi projetado para “manobrar durante o vôo e contornar zonas perigosas contendo sistemas de defesa antiaéreos ou antimísseis (…)”.

Várias figuras-chaves militares dos Estados Unidos observaram após a revelação russa dos seus novos mísseis hipersônicos, que os Estados Unidos atualmente não possuem capacidade de interceptar ataques em tão alta velocidade, estando o Comandante Estratégico, John Hyten, afirmado  durante uma reunião do Comitê de Serviços das Armas do Senado que os sistemas de defesa aérea dos EUA permanecem totalmente incapazes de impedir ataques por plataformas hipersônicas. De fato, de acordo com vários relatos de fontes norte-americanas, algumas das mais avançadas plataformas militares de defesa aérea lutaram e falharam recentemente em Interceptar até mesmo os ataques de mísseis subsônicos como o Scud B, um projeto primitivo que data de mais de 50 anos. Isso tem sérias implicações não apenas para o continente americano diante dos novos ICBMs russos, mas também para a Marinha dos EUA, que poderia ver seus destróieres e transportadores (Porta-Aviões) afundados pelas novas plataformas de ataque Kinzhal de maneira extrema em caso de conflito.

Embora a Rússia tenha pouca necessidade de mísseis anti-navios de longo alcance em suas fronteiras ocidentais, onde as distâncias marítimas estão relativamente confinadas (por imperativo geográfico), a implantação do Kinzhal no Extremo Oriente do país teria implicações significativas para o equilíbrio de poder no Pacífico. Com o interceptor MiG-31 mantendo um raio de combate de 1.500 km, a Força Aérea Russa seria capaz de atingir navios de guerra dos EUA a até 3.500 km de distância de suas costas. Deveriam combater com aeronaves desdobradas, próximas de Vladivostok, no extremo oriente da Rússia, a sua área de ataque cobriria todo o Mar da China Oriental e grande parte do Mar da China Meridional, até as Filipinas e incluindo toda a região marítima contestada reivindicada pela China e sujeita à liberdade dos EUA com as suas patrulhas de navegação. As implicações são realmente severas e poderiam muito bem fortalecer seriamente a posição de Moscou no Pacífico. Se a Rússia visar negar aos recursos navais dos Estados Unidos e dos seus aliados, negando o acesso aos mares do sul e do leste da China, seja para ajudar Pequim, ou por suas próprias razões, teria uma arma à sua disposição mais capaz de fazê-lo do que aquelas que possuem, atualmente, as mãos chinesas. Moscou poderia alavancar esse ativo para ganhar influência considerável no Pacífico, o que pode mais do que compensar a relativa escassez dos seus recursos militares na região.

O Kinzhal ainda pode usurpar o título de “matador de Porta-Aviões” do Pacífico e facilitar o objetivo russo/chinês de reduzir a influência e a presença militar do bloco ocidental no Pacífico, deixando a frota de superfície dos EUA efetivamente indefesa – minando o incontestado domínio naval dos EUA, que tem sido o alicerce da ordem regional desde 1945.Quanto a Moscou é altamente provável que venha alavancar este formidável ativo para a sua vantagem no futuro.

Abraham Ait é um analista militar especializado em segurança na Ásia-Pacífico e no papel do poder aéreo na guerra moderna. Ele é editor-chefe da  Military Watch Magazine ..

Revisionistas nipônicos propõem uma nova perspectiva da Segunda Grande Guerra

Este artigo foi retirado do site War History On Line. Traduzido e adaptado a partir de matriz cibernética, não há no site original a indicação do autor, o que é uma infelicidade.O link para a matéria original é o que segue: revisionismo nipônico.

Revisionistas nipônicos propõem uma nova perspectiva da Segunda Grande Guerra.

Os revisionistas históricos japoneses são a nova força motriz por trás da versão diferente sobre os acontecimentos da Segunda Grande Guerra. Trabalho forçado, tortura e escravatura sexual são todas elas versões aceitas sobre o Japão no tempo da guerra de acordo com a maior parte do mundo, exceto pelo pequeno, mas crescente grupo de pessoas do Japão.

Dentre os revisionistas, um dos  mais proeminentes é Toshio Tamogami, que já foi Chefe do Estado Maior da Força Aérea de Autodefesa do Japão. Mesmo ele, educado e esmeradamente civilizado, acredita em uma versão diferente do papel usualmente atribuído ao Japão pela historiográfica corrente. O que é interessante, pois esta retórica está se tornando cada vez mais popular no Japão, especialmente entre os mais jovens, que estão fartos em observar o seu país constantemente ter de pedir desculpas a China e a Coréia. Tomogami não é apenas um aposentado feliz, quer ele mais, concorreu para o cargo de governador de Toquio, e porquanto não ter ganho obteve, todavia, a quarta posição com mais de meio milhão de votos. Destes, quase um quarto dos votos foram de pessoas com menos de 30 anos de idade.

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Civis chineses sendo degolados por militares nipônicos. Foto: internet.

Tomogami afirma que os Aliados, vencedores da Segunda Grande Guerra forçaram uma versão dos fatos e a impuseram para o povo japonês, diz ser necessário ao Japão estar de pé e escrever sua própria história.  Na sua versão, Tomogami profere que o Japão não era agressivo, mas que estava apenas a lutar pela sua liberdade contra os brancos imperialistas que estavam a dominar a região do extremo oriente por séculos.  Fala de estar orgulhoso do papel nipônico na luta para empurrar para fora da Ásia as nações europeias. Não corrobora, entretanto, com as atrocidades infligidas nos demais povos asiáticos pelo Japão, chama a invasão da Coréia de “investimento”, e o mesmo para Taiwan e a Manchúria, segundo reportagem da BBC News. Tanto, que quando perguntado sobre a invasão da China pelo Japão e em particular sobre os assassinatos documentados em Nanking, 1937, Tomogami afirma que isto é falso e que não existem relatos comprobatórios de testemunhas oculares. Além disso, quando pressionado sobre o uso de mulheres coreanas como escravas sexuais para as tropas japonesas, responde que isto é uma história totalmente fabricada.

Dá-se que Tomogami não está sozinho, pois muitos nacionalistas japoneses veem alimentado esta versão dos fatos, enquanto isso, o atual Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe, profere as desculpas protocolares sobre as ações do Japão no período da Segunda Grande Guerra, embora, no tocante àquilo que se trata sobre as mulheres coreanas, prostituição forçada, afirma que não houve por parte dos militares nipônicos o recrutamento de escravas sexuais, mas uma prostituição que se deu por iniciativa das mulheres coreanas.