Washington tenta quebrar os BRICS: começa o estupro do Brasil

Autor: F. William Engdahl

Fonte: NEO – New Eastern Outlook

Tradução: Coletivo de Tradutores da Vila Vudu

(…) Um dia depois que a Câmara de Deputados aprovou o impeachment da presidenta eleita do Brasil, em abril, um alto membro do partido PSDB, aliado do PMDB de Temer, senador Aloysio Nunes, viajou a Washington, em missão organizada pela empresa de lobby da ex-secretária de Estado Madeline Albright, o Albright Stonebridge Group. Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil, várias vezes pregou que o Brasil se aproximasse mais, outra vez, de uma aliança com EUA e Reino Unido.

Madeline Albright, diretora de um dos principais think-tanks nos EUA, o Council on Foreign Relations, também é presidenta da mais ativa ONG a serviço do governo dos EUA, especializada em promover “revoluções coloridas”, o National Democratic Institute (NDI). Interessante, não? Nunes foi a Washington para conjurar apoio para Temer e para os atores principais do golpe que já estava em curso para derrubar a presidenta Rousseff.

O ator chave a serviço de Washington, e o efetivo carrasco político de Rousseff foi, mais uma vez, o vice-presidente Joe Biden, o “Dick Cheney”, operador-sujo-em-chefe, no governo Obama.

Fatídica visita de Biden ao Brasil

Em maio, 2013, o vice-presidente dos EUA Joe Biden fez uma fatídica visita ao Brasil, para reunir-se com a presidenta Rousseff. Em janeiro de 2011, Rousseff substituíra seu mentor do Partido dos Trabalhadores, Luis Inácio Lula da Silva, ou Lula, que completara o segundo mandato consecutivo que a Constituição lhe permitia. Biden foi ao Brasil, para discutir petróleo com a nova presidenta. As relações entre Lula e Washington haviam gelado quando Lula apoiou o Irã contra sanções dos EUA e aproximou-se mais, economicamente, da China.

No final de 2007,  a Petrobrás havia descoberto o que se estimava que fosse uma reserva monstro de petróleo de alta qualidade na plataforma continental do Brasil, na Bacia de Santos. No total, a plataforma continental territorial do Brasil pode conter mais de 100 bilhões de barris de petróleo, o que transforma o país na maior potência mundial de petróleo e gás. Imediatamente Exxon & Chevron, as gigantes norte-americanas do petróleo, puseram-se em campo para conquistar o controle daquela riqueza recém descoberta.

Em 2009, segundo telegramas diplomáticos dos EUA publicados por Wikileaks, o Consulado dos EUA no Rio de Janeiro escreveu que Exxon e Chevron estavam tentando, sem sucesso, alterar uma lei encaminhada ao Congresso pelo mentor e predecessor da presidenta Rousseff, o presidente Lula. Essa lei de 2009 tornava a empresa estatal Petrobrás a principal operadora de todos os blocos do petróleo do pré-sal no Brasil. Washington e as gigantes norte-americanas do petróleo absolutamente não gostaram de perder o controle sobre o que parece ser a maior nova reserva de petróleo descoberta em décadas.

Lula não só tirou ExxonMobil e Chevron da posição de controladoras, em favor da estatal Petrobrás; ele também abriu a exploração do petróleo brasileiro aos chineses, desde 2009 principais parceiros, dentro do grupo BRICS, de Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

Em dezembro de 2010, num de seus últimos atos como presidente, Lula supervisionou a assinatura de um contrato entre a empresa de petróleo Repsol, espanhola-brasileira, e a estatal chinesa Sinopec. Sinopec formou uma joint venture, Repsol Sinopec Brasil, investindo mais de $7,1 bilhões na Repsol Brasil. Já em 2005 Lula havia aprovado a formação da empresa Sinopec International Petroleum Service of Brasil Ltd., parte de uma nova aliança estratégica entre China e Brasil.

Em 2012, em perfuração de exploração conjunta, as empresas Repsol Sinopec Brasil, Norway’s Statoil e Petrobrás fizeram outra grande descoberta, no poço batizado “Pão de Açúcar”, o terceiro no bloco BM-C-33, que inclui os poços de Seat e Gávea, esse uma das 10 maiores descobertas do mundo em 2011. Nenhuma das majors norte-americanas e britânicas do petróleo aparecia nesse cenário.

A missão de Biden era sondar a presidenta que sucederia Lula, Dilma Rousseff, sobre a possibilidade de ela reverter a exclusão das grandes do petróleo dos EUA em favor da Chinesa. Biden também se reuniu com as principais empresas de energia do país, inclusive a Petrobrás.

A notícia praticamente não apareceu na mídia-empresa brasileira, mas Rousseff recusou-se a reverter a lei do petróleo de 2009 e a convertê-la em qualquer coisa que agradasse a Biden, a Washington e às majors do petróleo dos EUA. Dias depois da visita de Biden surgiram as revelações feitas por Edward Snowden de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA também espionara Rousseff e altos funcionários da Petrobrás. A presidenta Rousseff denunciou a operação em sua fala na Assembleia Geral da ONU, por violação da lei internacional. E, em protesto, cancelou uma viagem marcada para Washington. Depois disso, as relações EUA-Brasil naufragaram de vez.

Ao final dessa visita, em maio de 2013, Biden claramente deu à presidenta do Brasil o beijo da morte: o destino dela estava selado.

Antes da vinda de Biden em maio de 2013, a presidenta Rousseff gozava do apoio de 70% da população brasileira. Menos de duas semanas depois que Biden deixou o Brasil, começaram os protestos de rua, ‘animados’ por um grupo conhecido como Movimento Passe Livre, que protestava contra aumento nominal de 10 centavos no preço do passe de ônibus, que acabaram por fazer o país parar quase completamente e, a partir de certo ponto tornaram-se muito violentos. Os protestos tinham todas as características da típica “Revolução Colorida” ou da desestabilização social acionada por mídias sociais como Twitter ou Facebook que parecem seguir Biden pelo mundo, onde quer que apareça. Em poucas semanas, o apoio da população ao governo Dilma despencou para 30%.

Washington claramente enviara um sinal de que ou Rousseff mudava de rota, ou enfrentaria problemas graves. A máquina de mudança de regime de Washington – com todas as suas armas de guerra financeira, desde o vazamento de auditorias realizadas na Petrobrás, até a ação da agência de Wall Street, de avaliação de créditos, Standard & Poors, que degradou a dívida pública do Brasil ao nível de papel podre, em setembro de 2015 – entrou em ação a pleno vapor para derrubar Rousseff, apoiadora chave do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e de uma estratégia de desenvolvimento nacional independente para o Brasil.

Vender as joias da Coroa

O homem que chegaria à presidência do Brasil, num perfeito arremedo de ‘legalidade’, corrupto condenado e então vice-presidente, Michel Temer, serviu em tempo integral como informante da embaixada dos EUA em Brasília. Em documentos distribuídos por Wikileaks, revelou-se que Temer já servira como informante da inteligência dos EUA desde, pelo menos, 2006, por telegramas que a Embaixada dos EUA no Brasil classificou como “sensíveis” e “para exclusivo uso oficial”.

Homem de Washington no Brasil, Temer não perdeu tempo para iniciar as reverências aos seus patrões em Wall Street. Ainda como presidente interino em maio, Temer nomeou Henrique Meirelles para o cargo de ministro das Finanças e da Seguridade Social. Meirelles, formado em Harvard [de fato, participou de um treinamento de Advanced Management Program (AMP) da Harvard Business School que prepara altos executivos de bancos (NTs)] e ex-presidente do Banco Central do Brasil, foi presidente do BankBoston nos EUA até 1999, e ainda trabalhava no banco em 1985, quando o banco foi multado por não reportar transferência ilegal de $1,2 bilhão em dinheiro, para bancos suíços.

Meirelles está agora na função de supervisor da liquidação planejada das “joias da Coroa” do Brasil a investidores estrangeiros, movimento que visa a minar qualquer poder que o estado brasileiro tenha na economia. Outro dos conselheiros econômicos chaves de Temer é Paulo Leme, ex-economista do FMI e hoje Diretor de Gestão de Pesquisa de Goldman Sachs. Wall Street está ativamente integrada ao processo de estupro econômico do Brasil ‘liderado’ por Temer.

Dia 13 de setembro, o governo Temer divulgou um programa massivo de privatizações, com um comentário cínico e enganador do próprio Temer: “É claro que o setor público não poderá fazer avançar esses projetos sozinho. Contamos com o setor privado.” Não explicou que por “setor privado” referia-se aos seus próprios patrões.

Temer revelou planos para consumar a maior privatização no país, em décadas. Convenientemente, a privatagem está planejada para estar concluída no final de 2018, pouco antes do fim do mandato de Temer. O influente US-Brasil Business Council detalhou a lista das empresas a serem privatizadas, em sua página na Internet (“Economia do Brasil depois do Impeachment”, ing.). Esse US-Brasil Business Council foi fundado há 40 anos por Citigroup, Monsanto, Coca-Cola, Dow Chemicals e outras multinacionais norte-americanas.

As licitações para a primeira rodada de privatizações serão lançadas antes do final do ano. Incluirão quatro aeroportos e dois terminais portuários, todos a serem leiloados no primeiro trimestre de 2017. Outras concessões incluem cinco rodovias, uma ferrovia, vários pequenos blocos de petróleo e uma rodada final de leilões, adiante, para os grandes blocos de petróleo a serem desenvolvidos, a maioria de reservas submarinas. O governo também selecionará reservas atualmente controladas pelo Departamento de Pesquisas Minerais do Brasil, mais seis distribuidoras de energia e três instalações para tratamento de água.

O coração dessa privatização planejada está – nada surpreendentemente –, nas empresas que Joe Biden cobiça, de petróleo e gás, além de fatias da empresa brasileira de energia, Eletrobrás. Temer planeja obter $24 bilhões nessa liquidação de patrimônio público. 11 bilhões devem sair da venda das empresas estatais chaves de petróleo e gás.

Claro que, quando patrimônio estatal dessa magnitude é liquidado e entregue a interesses estrangeiros, no que é uma muito evidente venda ‘combinada’, trata-se de negócio de soma zero: um lado ganha tudo, o outro perde tudo. Projetos de petróleo, gás e energia elétrica geram fluxos continuados de renda muito superiores a quaisquer ganhos que se possam auferir da venda em processo de privatização. O lado que perde necessariamente tudo e sempre, nesses negócios de privatização, é a economia do Brasil: os bancos de Wall Street e as multinacionais ganham tudo, conforme o planejado, em todos os casos.

Dias 19-21 de setembro, segundo o website do US-Brasil Business Council, os ministros chaves para a infraestrutura, do atual governo do Brasil, dentre os quais o ministro da infraestrutura, Moreira Franco; Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia; e Mauricio Quintella Lessa, de Transportes, Portos e Aviação Civil, estariam [estiveram] em New York City para reunião com “investidores em infraestrutura” de Wall Street.

É o modus operandi de Washington, exatamente como operam os Deuses do Mercado em Wall Street, título de um dos meus livros. Primeiro, destroem qualquer projeto de genuíno desenvolvimento nacional concebido por lideranças nacionais, como Dilma Rousseff. Na sequência, põe no lugar dele um regime subalterno disposto a fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive liquidar as joias da Coroa do próprio país, gente que faça como Anatoli Chubais na Rússia nos anos 1990, durante a “terapia de choque” de Boris Yeltsin. Como paga pelo que fez, Chubais tem lugar assegurado hoje no Conselho de Administração do banco JP MorganChase. Ainda não se sabe o que Temer e sócios obterão em troca do empenho que têm demonstrando na liquidação do patrimônio brasileiro.

Por enquanto, Washington conseguiu quebrar um dos países BRICS que realmente ameaçava a hegemonia global das empresas norte-americanas. Se a história recente ensina alguma coisa, não obterá sucesso duradouro.

 

O desenho do apocalipse

Este artigo foi redigido por mim especialmente para o site Plano Brasil, no ano de 2013. É interessante compará-lo com o artigo recente do Dr. Paul Craig Roberts, que trata do mesmo assunto e com perspectiva equivalente.

O desenho do apocalipse

Por César A. Ferreira

Uma boa parte dos cidadãos norte-americanos acredita no apocalipse, assim creem, piamente, pois está escrito na bíblia cristã, e como sabemos, para estes os dinossauros andaram sobre a terra… Ao lado dos Neandertais. Uns poucos, no entanto, acreditam no fim da humanidade, na forma que conhecemos pelo menos, devido ao colapso do petróleo, que levaria ao caos uma sociedade edificada em torno desse recurso mineral. Acontece, que antes do fim do ciclo do petróleo, devido a forma da nossa arquitetura financeira, haveria, segundo a crença de poucos cidadãos norte-americanos, forçosamente um conflito global, visto que a sinergia petróleo-dólar seria abalada, muito antes.

Para entender o motivo deste temor é preciso recuar no tempo, no caso para 1944, quando ao final da Segunda Grande Guerra, os EUA, única potência intocada pela destruição, promove do alto da sua superioridade econômica e industrial, sem par na história humana, aquilo que seria o primeiro acordo negociado da humanidade, mas que de regra não deixava de ser uma imposição ditada pelos fatos, de que seria a moeda nacional dos EUA o meio corrente para transações internacionais, sendo a garantia do valor o lastro em ouro mantido pelos EUA. A relação seria de 35 dólares por onça, sendo tácita a percepção de que os EUA deveriam se abster de uma farra financeira.

Pois o que não deveria foi justamente o que se deu. A guerra do Vietnam exigiu empenhos de tal monta, que ficou óbvio até ao mais parvo dos seres, que os americanos haviam girado a máquina de impressão sem cerimônia alguma. Ao solicitar o repatrio das suas reservas em ouro, mantidas em solo dos EUA, receberam as nações que assim o fizeram um sonoro não. E como todo bom escroque, Richard Nixon anuncia que os EUA desvinculavam a sua moeda do padrão-ouro. Ou seja, da noite para o dia, uma banana para o mundo e um calote geral… No entanto, não ficou só nisso… Os norte-americanos convenceram aos príncipes sauditas a investirem em papéis do tesouro norte-americano. Com isso nasceu a veiculação do papel nacional norte-americano com o óleo de consumo geral da humanidade.

Os EUA obtiveram, assim, uma genial engenharia financeira. Poderiam os americanos colocar para rodar a máquina como quisessem, nunca faltaria recurso, posto que o petróleo, ainda que finito, é vastíssimo. O único perigo para a arquitetura seria o abandono do dólar como moeda de transações correntes, mas, quem o faria? Afinal, os EUA eram o paraíso na terra, Yeap!

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Teste nuclear Licorne. Esta imagem corre o mundo incorretamente como sendo da Tzar Bomb, Imagem: internet.

O mundo rodava e tudo parecia caminhar como um sonho para os norte-americanos, o fim da URSS parecia confirmar o autodesígnio da alma yankee, de que são eles o povo escolhido, os eleitos da nova era, os excepcionais, a perfeição da história e o fim da mesma… Contudo a história, sempre ela, costuma ser cruel para quem se deixa iludir e vaticinar de que ela tenha mesmo um fim. Na medida em que a sociedade americana se enriquecia com sua máquina mágica, a impressora offset, o interesse produtivo parecia ser atrativo, apenas, fora das suas fronteiras e os asiáticos, primeiro os japoneses, depois os sinos, demonstraram que haviam feito a leitura correta daquilo que o mundo sussurrava. Com a abertura de novos polos produtivos, a demanda por commodities aumenta o que acaba por dar alento para as economias dependentes, envoltas por razões estruturais em crises cíclicas, e os reflexos dessa demanda acabam por beneficiar nações de grandes extensões territoriais, que além de detentoras de recursos naturais, possuíam em adjunto, estruturas industriais.

Desenhava-se desta maneira a ressurreição da Rússia, herdeira da URSS, bem como a ascensão da Índia, e do novo status econômico de relativa estabilidade do Brasil. A estratégia chinesa de ser o polo produtivo do consumo norte-americano, como dreno constante de moeda nacional americana para suas fronteiras, por extensão, acabou por beneficiar as demais nações produtoras de matérias primas, que passam a acumular reservas quanto antes às perdiam, em profusão. Consequentemente, algumas delas, como já dito, por possuírem base industrial e de pesquisa, carrearam as suas reservas acumuladas para o desenvolvimento de tecnologia e inovação.

O crescimento de nações em termos de riqueza, por conseguinte, em poder, acaba por refletir na mente norte-americana como um desafio proposto, e neste contexto, é a Rússia o exemplo que não foge às retinas. Detentora de uma base científica de grande valor, ao ressurgir das cinzas ao qual Yeltsin e os saqueadores haviam-na submetido, justamente através de uma ferramenta constitucional que permitia ao chefe do executivo um poder inaudito, como se um Tzar fosse (obra do “democrático” Yeltsin), papel este exercido por Putin, a Rússia ergue-se após a desilusão com o ocidente não de costas para este, e sim de frente. Detentora dos recursos energéticos para manter viva uma esbanjadora Europa Unida, a Rússia de maneira silenciosa, porem determinada, colhe os recursos e moderniza-se, passo a passo, sem ter sobre os ombros o peso de estar presente de forma desafiadora por todo o globo. Não precisa, ela corresponde por quase sexta parte das terras continentais, da Europa à Ásia, portanto, no que tange à corrida de recursos, esta não lhe diz respeito… A postura altiva, no entanto, enfurece a alma yakee, pois não corresponde aquela que se espera de um derrotado, mas sim, de um vencedor.

Por outro lado, a China, criatura que desenvolveu uma notória simbiose econômica com os EUA, não possui assegurada o petróleo que necessita. Não tem os xeiques do petróleo na mão, tampouco a moeda nacional que segue como padrão para transações correntes, ainda que acumule aos montes, a mesma. Por isso perseguem os sinos, de todas as maneiras, assegurar-se da continuidade do fornecimento de óleo, a ponto de oferecer as nações embargadas todos os subterfúgios possíveis, incluindo créditos em sua moeda nacional, e desta maneira agem de forma consciente por enfraquecer o âmago do sistema de manutenção do poder americano: a veiculação petróleo-dólar.

O Iraque havia feito isto antes. Saddam Hussein instituiu que aceitaria apenas a moeda europeia, o Euro, como moeda para saldo de transações. Péssima ideia, pelo menos para quem não tinha sequer Sarin em seus estoques, quanto mais uma arma termonuclear. A China, por sua vez não padece deste mal, pois detém um arsenal nuclear, e mais importante, uma relação sinérgica com a economia dos EUA, da qual se configura como a maior detentora de títulos do tesouro… Os chineses, sempre que encontram uma nação que possa prescindir do dólar propõem que se saldem as trocas comerciais por compensações entre os respectivos bancos centrais, sem o envolvimento de uma moeda de referência, ou com o uso de moeda chinesa, o Renminbi. Por óbvio que os EUA não aceitam essas movimentações como algo inócuo, por ser de fato um ataque celerado ao âmago do seu poder, bem mais perigoso do que os naufrágios de porta-aviões, típicos dos romances de Tom Clancy, poderiam representar. É por isto que vemos, todos os dias, as pressões sobre o Irã. O Irã é pressionado e sofre embargos não por executar um projeto soberano de domínio pleno do ciclo produtivo da energia nuclear, mas por ser um fornecedor independente de petróleo, que aceita transações em uma cesta de moedas, dentre as quais, os reais brasileiros.

Percebe-se, portanto, como se forma o apocalipse. Pode uma nação acostumada ao bem estar de imprimir os seus desejos, e materializá-los apenas em armas, pois não sabe mais fazer outra coisa, deixar o poder mundial escorrer por entre os dedos? Ficará inerte? A lógica avisa que não e o passo natural, dado a conveniência do sistema petróleo-dólar, será o de aumentar a pressão e cortar de vez, eliminar por assim dizer, os fornecedores independentes de petróleo no mundo. É óbvio que a China, caso isso venha se concretizar, terá que se mover… Ainda que se diga, que o Irã não é o único fornecedor independente de petróleo, de que a Venezuela possui reservas ainda não exploradas no Orenoco (petróleo extra-pesado) que superam aquelas dos sauditas, por mais que se tente banhar-se no bom senso, fato é que não se pode contar com a razão quando a loucura, a alucinação, brada na mente de uns poucos que não enxergam outra coisa que o próprio poder, como se ele por si fosse tudo, e a soma de todos os valores; acontece que estes senhores são apenas 1% da população norte-americana, mas, são os alienados e os donos da chave do manicômio. Não há saída…

Ou ela existe, e não a vemos… Profecias, ao contrário da crença popular não precisam se materializar, podem não se cumprir…  Nostradamus, que o diga.