O Iêmen e o “Game Of Thrones” da Arábia

Fonte: Katehon – 23.08.2016 –  Arábia Saudita

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

A Arábia Saudita sofre, no momento,  uma derrota esmagadora no Iêmen. O conflito parece ser apenas pouco promissor para eles. Os Houthis e as tropas leais ao ex-presidente Saleh seguram firmemente o Iêmen do Norte e estão a conduzir operações militares na província de Najran em pleno território saudita. O Iêmen do Sul está ocupado e controlado por um entrelaçar de tropas da coligação Arábia Saudita/EAU, Península Árabe al-Qaeda, ISIS, e separatistas do sul do Iêmen. Recentemente, representantes do movimento Houthi anunciaram a criação de um governo que irá incluir membros do seu próprio partido “Ansar Allah”, o partido “Congresso Geral do Povo” do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, bem como membros de outros partidos e organizações. Ao mesmo tempo, tentativas similares por parte dos sauditas para criar algum tipo de governo interino em Aden foram completamente fracassadas. O presidente Hadi, apoiado pelos sauditas e seus aliados, e seu governo são baseadas em Riyadh (Riad). Em Najran, na região de fronteira com o Iêmen, tribos locais árabes lançaram uma rebelião contra as autoridades oficiais da Arábia Saudita.

Recordemos que 2015 foi marcado pela invasão em larga escala da coalizão Árabe liderada pelo sauditas no Iêmen. Além dos sauditas, os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Jordânia, Kuwait e Paquistão têm participado nesta guerra contra o Iêmen. Este último se juntou apenas formalmente a coalizão, mas não tem envolvimento real no conflito. O principal impacto da guerra é suportado pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita também foi derrotada na Síria. Ela não conseguiu derrubar Bashar Al – Assad e desde a reorientação da Turquia em relação à Rússia e o Irã, a posição da Arábia Saudita tornou-se mais precária. O chamado grupo de oposição sírio em Riyadh foi em grande parte controlado pelos turcos. A alavancagem dos sauditas sobre o processo da Síria em Riyadh está ficando menor. A realização de duas campanhas militares de uma só vez – a guerra aberta no Iêmen e a guerra por procuração na Síria –  está cada vez mais difícil. Este é o entendimento por aliados próximos dos sauditas, caso dos Estados Unidos. Assim, os EUA reconhecem a futilidade da campanha militar no Iêmen, como foi noticiado que os Estados Unidos devem retirar o seu grupo de planejamento do país que forneceu a  inteligência necessária para os sauditas. O grupo agora tem sido baseado no Bahrein.

A intervenção no Iêmen e a guerra na Síria são largamente projetos de uma disputa (pelo menos algumas fontes estão tentando apresentá-las desta forma). Deve ser entendido que a Arábia Unido enfrenta agora uma luta feroz entre suas elites. O rei reinante Salman está gravemente doente. Após a sua morte, deverá ser passado o poder para os membros da segunda geração da dinastia saudita. É mais provável que o príncipe Mohammed ibn Salman (Ministro da Defesa) e príncipe Mohammed Ibn Nayef Al Saud deverão confrontar-se em uma luta pelo poder no futuro próximo.

Mohammed Ibn Nayef é conhecido como sendo aquele mais influente dentre os membros mais intimamente ligados aos EUA na elite saudita. A aventura síria é considerada um projeto pelo seu grupo que coordena estreitamente as suas atividades com os Estados Unidos. Em sua juventude, Ibn Naif estudou nos EUA e até mesmo treinos em cursos especiais da FBR.. De acordo com as memórias de ex-funcionários da CIA, o príncipe sempre foi leal para com  os EUA e ativamente cooperou com as agências de inteligência dos EUA . Os EUA percebem-no como o candidato mais desejável para o trono saudita, embora estejam preocupados com a sua saúde.

Por sua vez, Mohammed ibn Salman, que tem apenas 31 anos de idade, é bastante ambicioso e procura a todo o custo a assumir o trono de seu pai. Alguns analistas ainda preveem um golpe suave após a morte do rei Salman dado que o seu filho é o segundo na linha de sucessão ao trono após seu tio Muhammad ibn Naif. Para os EUA, ele é um jogador muito novo. A guerra no Iêmen foi uma iniciativa deste Salman. Com a ajuda de uma guerra vitoriosa, ele procura aumentar seu próprio prestígio e status, mas calculou mal.

Assim, existem dois grupos opostos na Arábia Saudita: uma é completamente pró-americana; o outro é bastante agressivo e expansionista, mas sem apoio suficiente por parte dos Estados Unidos, cujo projeto e iniciativa política externa deverá falhar primeiramente na determinada vontade quem ganhar este presente árabe “Game of Thrones”.

Mohammed ibn Salman visitou periodicamente Rússia, aparentemente em busca de apoio do lado russo. Recentemente, o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, o  Vice – Ministro russo das Relações Exteriores Mikhail Bogdanov, reuniu-se com ele. Estes contatos acabam por explicar a crescente importância da Rússia no Oriente Médio tendo como pano de fundo a operação bem sucedida e consistente na Síria. A Rússia também é aguardada no Iêmen. O ex-presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh afirmou ontem que a Rússia está pronta para guarnecer portos e bases oferecidos para o estacionamento de soldados russos. Controlar o Iêmen significa ter controle sobre a mais importante artéria de transporte: o caminho do Oceano Índico e do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho e Mediterrâneo.

A Rússia não está, naturalmente, interessada em uma vitória da Arábia Saudita no Iêmen. E isso é impossível. No entanto, existe a possibilidade de que a Rússia venha a poder ajudar a coalizão  da Arábia Saudita a alcançar uma “derrota honrosa”, iniciar o processo de paz, e, assim, permitir que Muhammad ibn Salman venha a sair da sua aventura no Iêmen com uma perda mínima de face (prestígio pessoal). Por outro lado, as ações da Rússia na Síria podem minar a posição daqueles que se opõem a ele. Enquanto isso, o Iêmen ver-se-á livre da influência e da ocupação das forças sauditas.

 

Aleppo: ponto de inflexão da guerra Síria?

Por: César A. Ferreira

A atitude do ocidente, encimados pelos lamentos da Chanceler germânica Angela Merkel, é elucidativa, lamentos pela iminente derrota das forças insurgentes em Aleppo, disfarçada de preocupação para com os refugiados, preocupação, diga-se, inexistente nos anos anteriores. Em outras palavras, prova maior do alinhamento ocidental com os insurgentes não poderia haver… Independente disto segue a guerra, pessimamente coberta pela mídia do ocidente, brasileira inclusa, omissa quanto aos esforços sírios e russos, em prol da existência da Síria, como nação.

Ao que parece, mesmo em meio ao desespero que a perda de Aleppo possa significar, ou seja, a perda de uma cidade que é um nó logístico vital para o norte e centro da Síria,  baixou nas mentes ocidentais um discernimento mínimo. A proposta ventilada de invasão turca da Síria, parece ter sido substituída por uma invasão terrestre de tropas dos Emirados Árabes Unidos e do Reino da Arábia Saudita. Com isto, evita-se o problema quase incontornável de se ter um membro da OTAN adentrando a um campo de batalha onde vetores russos estão presentes e atuantes. Ademais, pode-se dizer com toda certeza, que os insurgentes são, antes de tudo, uma obra do CCG – Conselho de Cooperação do Golfo…

Não deixa de ser interessante, entretanto, que tanto a Arábia Saudita, quanto os Emirados, atolados no confronto contra o paupérrimo Iêmen, onde suas forças regulares demonstram péssima prontidão e desempenho, se prestem a enviar efetivos superiores a 150.000 combatentes para a Síria, para enfrentar um exército calejado, e suportado pelo atuante grupo aéreo russo. É algo para se pensar, afinal, o contingente árabe, caso enviado, certamente iria engrossar, sem que isso viesse a surpreender qualquer um dos atores da guerra síria, as forças insurgentes. Isto seria o álibi perfeito para que o Irã pudesse enfrentar os sauditas abertamente, ou seja, o envio de forças regulares do reino saudita se refletiria na concretização de uma resposta persa, na forma do envio dos Pasdarán (Guarda Revolucionária Iraniana). Em suma, um agravamento do conflito, que arrastaria os dois contendores regionais: Arábia Saudita e o Irã; é uma impressão minha, ou isto não seria o sonho dourado dos fabricantes de armas, do mercado de petróleo e afins?

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Combatentes curdos do YPG/YPJ dentro de Dayr Jamal. Imagem: internet.

Independente disto, o Exército Árabe da Síria não perde tempo, em conjunto com os seus aliados, a milícia libanesa Hezzbolah e as forças curdas do YPG/YPJ, dão combate sistemático aos insurgentes, sem trégua, nos limites das suas forças.  Ao norte de Aleppo o avanço curdo culminou na conquista da importante localidade de Dayr Jamal, importante entroncamento viário, cuja tomada forçou os insurgentes a se dirigirem do entorno de Kiffin, para Kafr Nayah. Kiffin já é um alvo das tropas do Exército Árabe da Síria, que persegue este destino provindo do sul. Dar combate em Kiffin não é para os insurgentes uma posição confortável, posto que estão desequilibrados pela sombra dos combatentes curdos em Dayr Jamal. Assentar-se em Kafr Nayah, como linha de resistência, tampouco, posto que o eixo subsequente do avanço das formações do YPG/YPJ aponta, justamente, em direção de Taall Rifat, localidade de grande importância e mais distante. Postar-se em Kafr Nayah seria uma posição de custosa defesa, visto que poderia sofrer um acosso por eixos diferentes: Khirbat al Hayat e Dayr Jamal.

Outra localidade capturada e de grande importância tática é Maraanaz, que juntamente com as também recentemente capturadas Al Alqamiyeh e Ajar, permitiriam uma mudança do eixo ofensivo, infletindo as forças provindas de Al Alqamiyeh/Ajar, aquelas de Maraana em um ponto convergente: a base aérea de Minaq (Menagh). É importante lembrar que o encontro das forças do EAS – Exército Árabe da Síria, com aquelas da milícia Hezzbolah, havido na captura das localidades de Niblo (também traduzida como Nubbol, Nubbal, ou Nübel) e Zahran (também nominada como Al-Zahraa, Zaharan, ou az-Zakhra), que se deu dias atrás, foi o ponto nevrálgico desta ofensiva, pois cortou a via de acesso logístico que ligava a Turquia à Aleppo. Neste presente momento, o EAS e o Hezzbolah, alargam o corredor compreendido entre Niblo e a cidade industrial de Sheik Najjar, enquanto avançam no eixo de Kafr Nayah.

O eixo do avanço em direção a Kiffin, desequilibra a posição insurgente em Kafr Nayah, abrindo caminho para Taall Rifat, que seria, então, um objetivo perseguido por duas frentes, a do exército, provindo do sul e do YPG/YPJ, que se lançaria a partir de Dayr Jamal. O objetivo final seria Azaz, nodo logístico importante para o abastecimento de todas as frentes insurgentes ao norte de Aleppo.

Na região próxima a Aleppo, propriamente, espera-se a formação de dois pequenos cercos, um deles formado a partir da conquista da base de Kuweires, com uma ponta Barlehiyah e a outra pinça provinda de Shamir, ambas convergindo em Suran. Esta ofensiva deverá ocorrer nas próximas horas…

Outra, cuja execução seria de extremar dificuldade, necessitaria da conquista de Ard Al Mallah, tendo o ponto de convergência em Kafr Hamra, com a outra pinça partindo da cidadela de Aleppo… Percebe-se, pois, a dificuldade da execução, pois a pinça que partisse de Ard Al-Mallah teria o seu flanco muito exposto, e a aqueles da cidadela de Aleppo teriam uma frente urbana marcada por edifícios destruídos, ou semi-destruídos, como obstáculo defensivo a ser vencido ante a arrancada. Em suma, o mapa lhe diz uma coisa, o terreno outra.

Entende-se o desespero ocidental…

Atenção: entre a redação desta matéria e a publicação deu-se a queda de Kiffin. A localidade foi capturada por ação empreendida pela 154ª Brigada do Exército Árabe da Síria, em conjunto com a 4ª Divisão Mecanizada, ambas as formações apoiadas por infantes da milícia Hezzbolah. A 4ª Divisão Mecanizada é uma formação histórica do EAS, com um histórico de combates que vai do Líbano ao Golan. Além disto, a ação que visa o cerco a partir de Barlehiyah, já se iniciou.

Iêmen: a nação que se recusa morrer

Por: César A. Ferreira

Mais do que um espinho, daqueles que encravam na garganta, ou um osso duro de roer, o Iêmen, para a Arábia Saudita e os seus aliados, tonou-se uma faca, cuja ponta os príncipes sauditas não se cansam de esmurrar. Para o mundo, ao que parece, o que acontece no Iêmen não importa, dado que o conflito, oficialmente apresentado como uma guerra civil entre partidários do ex-presidente Ali Abdullah Saleh, contra os partidários do deposto Abdo Rabu Mansur Hadi, ser antes de tudo, uma ilusão. Não existe uma guerra civil, o que existe, sabe-se, é uma agressão armada, providenciada pela vizinha Arábia Saudita, na forma de uma guerra por procuração, com os conhecidíssimos extremistas da Al-Qaeda, e agora, com os bombardeios diários da Força Aérea Saudita, bloqueio naval da “Coalizão Árabe”, além das  tropas sudanesas e sauditas. O Iêmen foi invadido e está em guerra contra os seus vizinhos.

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Moradias destruídas. Foto: CICV – Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

É triste ver, no entanto, o quanto o Iêmem, nação empobrecida, vem a sofrer com a agressão do seu riquíssimo vizinho: a Arábia Saudita. Hospitais são destruídos, bem como mercados e a parca infraestrutura do país, tal como as estações de tratamento de água.  A situação humanitária tornou-se caótica, como bem se vê na declaração cedida à Reuters, pela porta-voz da Cruz Vermelha, Maria Claire Feghali: “Já era bastante difícil antes, mas agora me faltam palavras para dizer o quão ruim ficou. É uma catástrofe, uma catástrofe humanitária”. Todavia, vê-se mais do mesmo. Hospitais arrasados, moradias bombardeadas. Não se pode dizer que foram eventos isolados, acidentes, pois quem conhece o caráter da região sabe que as ações foram intencionais.

Entretanto, o noroeste do Iêmen, reduto da etnia Houthi, encorpada pelo que sobrou do exército nacional iemenita, resiste bravamente, impondo aos sauditas reveses de importância, através da guerra de guerrilha. De maneira assombrosa pululam no Youtube vídeos de veículos blindados sauditas capturados, ou destruídos, sendo particularmente chocante a imagem de uma coluna saudita composta por carros de combate M-60 A3, totalmente destroçada. Não foram os únicos…

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Míssil balístico tático Tochka, no momento do seu lançamento por forças iemenitas. Foto: Asia Defense News.

Nestes últimos meses as perdas sauditas avolumaram-se. No dia 20 de dezembro (2015), elementos do Exército Nacional Iemenita, junto com reforços das Forças Populares, dispararam mísseis Qaher-1, contra tropas sauditas dispostas em Ma’arib, ocasionando a morte de mais de uma dezena de militares do reino. Em termos materiais, perderam-se alguns helicópteros de ataque AH-64 (perda admitida, mas não quantificada) e aeronaves, drones, de reconhecimento. No dia anterior, 19 de dezembro, as forças sauditas já haviam levado um golpe devastador, quando um míssil balístico Tochka-U foi disparado contra um acampamento militar, vitimando 180 militares sauditas e dos Emirados Árabes Unidos, havendo entre eles oficiais.

O interessante deste conflito, além da inadvertida resiliência iemenita, é a capacidade de produzir fatos inusitados, como a morte de um príncipe real da Casa de Saud, Mohammad bin Amir bin Jalawi Mosaed, morto, segundo a Reuters, quando chefiava um ataque contra formações “rebeldes”. Isto aconteceu 24 horas após as forças houthis terem imposto a morte de vários mercenários sauditas na região, o que demonstra inabilidade, ou falta de importância com oficiais que tenham sangue real.  Aliás, mercenários é que não faltam na região, providos pela inefável fornecedora de soldados da fortuna, Academi (ex – Blackwater). Oriundos de todas as partes do globo, boa parte deles da América Latina, notadamente da Colômbia. Como sempre, o costume saudita de lutar por procuração se faz presente, visto que o sangue mercenário derramado não causa problema algum em termos domésticos. Assim, as mortes de mercenários se acumulam, dado que sempre se pode vir a contratar outros. Desta forma temos a morte de 42 mercenários quando do ataque iemenita contra a base militar saudita de Bab-el-Mandeb, na província de Taiz, oeste do Iêmen,  aos quais se somaram 23 militares sauditas, nove dos EAU e sete marroquinos, conforme declarado por fontes e noticiado pelo site al-Masirah. A arma utilizada fora, novamente, o míssil balístico tático Tochka-U.

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MRAP destroçado por IED no Iêmen. Veículo pertencente as forças dos EAU. Três soldados morreram nesta emboscada. Foto: Asia Defense News.

A humilhação maior está para acontecer; o cerco de uma importante formação militar saudita por infantes iemenitas. Segundo informe da Agência Fars News, centenas de militares sauditas e dos EAU estariam cercados por tropas iemenitas na província de al-Jawl, mais precisamente na cidade de al-Jabal al-Aswad, sendo que dentre estes, em confrontos anteriores, haviam sido capturados 130 infantes sauditas, 39 infantes dos EAU e nove oficiais, todos eles na mesma área geográfica: província de Jawl. Isto se deu mesmo com os esforços da Força Aérea Saudita, que opera com relativa impunidade e tenta pressionar as tropas iemenitas com várias missões diárias na área, todavia, mesmo com perdas crescentes devido aos ataques aéreos, os iemenitas mantém o cerco.

E a guerra prossegue, inabalável, em seu curso. Apesar de ser impossível prever por agora o seu desfecho, percebe-se alguns paralelos com o conflito congelado do leste ucraniano, onde tropas governamentais, com todo o seu poderio, primeiro foram detidas, após um recuo tático, e depois destroçadas e forçadas a recuar. É bem verdade que o Iêmen se encontra em uma situação geográfica menos favorecida, dado que o leste ucraniano possui uma fronteira extensa com a Rússia, apoiadora dos separatistas, enquanto o Iêmen se encontra isolado por mar do seu aliado, o Irã. O conflito produziu até aqui 7.000 mortos, 14.000 feridos, outros tantos desabrigados. Este é o custo da vaidade saudita que não admite ao seu vizinho a escolha de um governante de sua preferência. Entretanto, o sonho de potência regional da Casa de Saud naufraga defronte à incompetência militar do exército saudita, bem como dos seus aliados. Enquanto isso, o Iêmen se agiganta perante as demais nações regionais, levado pelo braço forte dos seus habitantes, que combatem com Ak’s e RPG’s, calçados com sandálias… É uma história repetida e bem conhecida.