LAR – Lancha de Ação Rápida

A presente matéria foi por mim redigida e originalmente publicada no site Portal Defesa, na data de 01.05.2015; local onde permanece com maior riqueza de imagens.

LAR – Lancha de Ação Rápida

Por: César A. Ferreira

No campo informativo, sobre aquilo que versa sobre Defesa, as armas como mísseis, aeronaves supersônicas, submarinos e carros de combate são aqueles que galvanizam a atenção do público em geral, devido ao desempenho superlativo desses sistemas, impositivo no campo de batalha, além da impressão de poder que transmitem.  Entretanto, cada teatro operacional traz consigo particularidades, por vezes únicas, que exigem a concepção de meios simples, porém essenciais, para que se possa travar o combate e levar temor ao inimigo. Este é o caso do meio fluvial, do conflito ribeirinho, onde lanchas se fazem tão necessárias como a água, ou o pão…

Tendo em mente as condições amazônicas, a Marinha do Brasil concebeu e produziu nas instalações da Base Naval Val de Cães, Organização Militar da Marinha do Brasil subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval, sediada em Belém (PA), a LAR – Lancha de Ação Rápida, com o objetivo de proporcionar aos fuzileiros navais e demais forças da nação de um meio capaz de levar adiante grupos de combate em braços de rios e ribeirões. Dotada de um casco planador em alumínio naval, possui resistência e uma autonomia para operar a 200 milhas de sua base. É capaz de levar além do oficial náutico, outros 14 combatentes armados, que graças a facilidade para abicagem da LAR, podem desembarcar com presteza e agilidade, minimizando desta maneira as possíveis baixas por fogo inimigo.  A motorização escolhida é Volvo Penta KAD-43P/ DP, com  230 hp, a diesel, proporcionando a embarcação 35 nós em perseguição e 25 nós em cruzeiro com carga plena.

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LAR – Lancha de Ação Rápida, modelo de cabine fechada. Foto: R7.

A LAR possui duas versões: cabine aberta e fechada. A versão de cabine fechada possui proteção balística para todos os ocupantes, sendo a sua concepção voltada para o trabalho de policiamento, fiscalização naval e disciplinamento do tráfego fluvial realizado por meio de vistorias nas embarcações fluviais, que recebem ordem de parada para abordagem. Dado que em algumas abordagens de embarcações suspeitas podem resultar em disparos repentinos por parte dos meliantes, contrabandistas e outros que se veem desnudados da sua “cobertura civil”, a Marinha do Brasil, pensando na proteção dos seus tripulantes e combatentes projetou uma cabine fechada revestida de blindagem à base de polímero, no caso, de polietileno de ultra-elevado peso molecular (UHMWPE), que oferece proteção de nível III, e atende a norma ABNT NBR 15000. Assim protegidos pela estrutura da lancha, que possui seteiras, os combatentes impõem uma situação de pronta resposta, imunes que estão a uma ação de surpresa por parte do revistado, evitando assim uma ação de inopino da parte deste, garantindo a realização da missão da melhor maneira possível.

A versão fechada possui o posto do condutor da lancha à frente, com os combatentes dispostos atrás, em fileiras, dotadas de blindagem transparente e seteiras. A Marinha do Brasil dispôs desta lancha no Lago de Itaipu, Rio Paraná, onde se fez presente em operações do Ministério da Defesa e em outras ações em favor do Ministério da Justiça, tais como “Fronteira Sul”, “Ágata” e “Sentinela”. Já a versão de cabine aberta, anterior, exibe extrema agilidade e é vocacionada para o assalto ribeirinho, dado a velocidade e o baixíssimo calado, típico do casco hidrodinâmico planador, que proporcionam, também, grande manobralidade e estabilidade, necessárias para os combatentes embarcados efetuarem fogo contra o inimigo.

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LAR, modelo de cabine aberta, dedicada ao assalto. A lancha da imagem está dotada de uma metralhadora frontal. Foto: R7.

As características da LAR, são as que seguem:

Comprimento (total):  7,55 metros.

Boca (Máxima): 2,30 metros.

Calado: 40 centímetros. Com a Bolina, 60 centímetros.

Deslocamento (padrão): 3 toneladas.

Deslocamento (leve): 1,3 toneladas.

Tonelagem bruta de registro: 3,2 toneladas.

Tanque de Óleo Diesel: 500 litros.

Velocidade máxima: 35 nós.

Velocidade de cruzeiro: 25 nós.

Raio de ação: 200 milhas.

Autonomia: 1 dia distante da base (24 horas).

Extensão máxima de percurso: 400 milhas.

Motor: (1) Volvo Penta KAD-43/DP.

Potência: 230 hp.

Equipagem: 1 piloto náutico e 14 combatentes, ou dois tripulantes e 13 combatentes.

Conheça o SABER M200

O presente texto foi por mim redigido originalmente para o site Portal Defesa, e publicado na data de 07.09.2014. Em virtude da notícia alvissareira de que o A Diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou aporte financeiro em favor do Exército Brasileiro para investimento na última final do desenvolvimento do radar multimissão SABER M200 (US$ 14,2 milhões), resolvi publicar novamente a matéria no Blog DG, visto ser ela bastante informativa no que toca as qualidades do sensor nacional.  Tendo recebido recursos da ordem de 67 milhões de reais desde 2008 (FINEP), o projeto SABER M200 deverá receber aporte de 17 milhões, oriundos da Pasta do Ministério da Defesa. Capaz de realizar missões no espaço reportado de 200 km de alcance por 20 km de altitude, nas funções de varredura primária, secundária, aquisição e iluminação de alvos, o radar SABER M200 configura-se como um dos projetos de maior refinamento tecnológico em desenvolvimento no campo militar. A matéria em questão abordava um outro cronograma, todavia, resolvi manter sem correção para que possa no futuro servir como uma referência sobre as dilatações de prazos havidas no programa.

Conheça o SABER M200

Por: César A. Ferreira

A empresa BRADAR, componente da Embraer Defesa & Segurança, anunciou durante a 3ª Mostra BID Brasil, realizada nas datas de 2 a 6 de setembro corrente, o seu radar de Abertura Sintética de arquitetura modular SABER M-200, como um produto disponível no próximo ano, 2015.

O radar SABER M200 é fruto do esforço da empresa BRADAR, antiga Orbisat, com intuito de oferecer as armas nacionais um instrumento superlativo em termos de detecção de ameaças aéreas, realizado com tecnologia e mão de obra nacional, impondo uma independência de fato a uma área sensível no ambiente militar. Para tanto, observou-se em sua concepção a modularidade e a compatibilidade de transporte com os meios aéreos já existentes na Força Aérea Brasileira, em dimensões e peso, ou seja, com a cabine de carga da aeronave Lockheed C-130H, o que vale dizer que o radar SABER M200 também o será com o seu substituto, Embraer KC-390, bem como com os meios de transporte terrestre, sendo facilmente portável em uma carreta porta – contêiner, visto que o sistema se encerra, totalmente, em um container padrão de 20 pés.

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Disponibilidade para aerotransporte. Imagem: Portal Defesa.

Com essa característica, o SABER M200 pode ser transportado por qualquer veículo que leve containers, e até mesmo ser camuflado como um container comum.

A modularidade não se reflete como vantajosa apenas no que concerne ao transporte, mas também na manutenção e manejo do radar, ou seja, em sua operação, proporcionando ganhos de economia dos recursos empregados em logística, já que módulos defeituosos podem ser trocados em poucos minutos, facilitando as equipes operativas no que tange ao emprego do radar em situações de emergência, em locais distantes da cadeia logística.

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Modularidade do Radar SABER M200, aqui representada em sua plataforma de transporte. Imagem: Portal Defesa.

Desenvolvido de maneira integral com tecnologia de estado sólido, o SABER M200 foi concebido com o objetivo de vigilância, varredura e orientação para sistemas antiaéreos, e possui a interessante característica de ser facilmente reconfigurado, isto a partir de uma rápida alteração dos parâmetros existentes em seu arquivo de configuração pelo simples fato de ser um radar definido por software. Além disso, o radar se comporta como uma unidade de processamento de considerável desempenho, por deter a capacidade de processamento de mais de 30T flops. Possui em uma só estrutura as funções de radar primário e radar secundário SAR que gera imagens 3D com até 1 metro de resolução.

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Disposição interna dos sistemas. Imagem: Portal Defesa.

O chamado Radar Primário possui como antenas painéis com faces retangulares dispostos em 360ª, e operam na Banda – S, ou seja, na Frequência de 2 a 4 GHz, com Comprimento de Onda de 7.5 a 1.5 cm. já o Radar Secundário situa-se no topo do conjunto e funciona da maneira clássica, sendo recolhido quando em transporte, e estendido quando em operação.

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Componentes do radar primário e secundário. Imagem: Portal Defesa.

 Especificações Técnicas

Radar Primário

Característica física: 4 painéis fixos com feixe eletrônico.

Frequência: Banda – S. (2 ~ 4 GHz).

Altitude/altura: 0 ~ 15 km.

Alcance (seção reta – radar de 2m2 )

Modo Vigilância: 170 km.

Modo Busca: 130 km.

Resolução em alcance: 75 m.

Precisão angular em azimute e elevação: 0,08°.

Ângulo de iluminação em elevação: 60°.

Potência máxima de pico: 83 kW por painel.

Contramedidas eletrônicas: agilidade em frequência e escuta.

Polarização: Circular.

Tempo de varredura:

Modo de Vigilância: 9 s.

Modo Busca: 1 s.

Radar Secundário

Modos: 1, 2, 3A e 4.

Alcance: 200 km.

Tecnologia InSAR

Imagem:  3D.

Resolução:  1 m.