Grampolândia on-line

Por: César A. Ferreira

Enquanto os brasileiros, de parca inteligência, ficam indignados com as conversações íntimas, de conteúdo anódino, interceptadas e divulgadas de maneira ilegal, o mundo continua a girar, e em matéria de revelações a se preocupar com assuntos de maior relevância, como os e-mails da Senhora Hillary Clinton,  que para o mundo muito mais interessantes e elucidativos o são.

O e-mail transcrito abaixo, presente no site de divulgação bruta Wikileaks, é de uma importância fulcral, pois revela o modo de agir, de fazer política, dos EUA, além iluminar aos leitores a matriz do pensamento reinante naqueles que operam os departamentos e secções, relativos à política externa e de inteligência daquela nação. Não há muito que ser dito, o e-mail é autoexplicativo, basta entender que onde moram os interesses, dá-se a intervenção. Para o bom entendedor não é preciso uma palavra sequer…

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Hillary Clinton, descontraída, fotografada para capa da Revista Harper’s Bazaar.

CONFIDENCIAL: 17 de fevereiro de 2010

Por: Hillary

De: Sid

Re: Irã, Arábia Saudita

Jantei ontem (terça-feira, 16 de fevereiro) com Joschka Fischer. Tivemos uma conversa interessante sobre o Irã e a Arábia Saudita, entre outras coisas. (Como você sabe Fischer é agora diretor do projeto do gasoduto Nabucco.) O Irã, hostil, alvo de sanções que são absolutamente necessárias, mas são mais eficazes diplomaticamente quando apresentadas  juntamente com uma oferta para negociar. O punho de ferro na abordagem de uma luva de veludo atinge vários objetivos: de acordo com a inteligência de Fischer, Ahmanijehad desejou antes negociar o acordo, mas foi bloqueado. O regime tem divisões no seu estrato superior. Talvez seja verdade, talvez não. Mas constantemente empurrar as negociações ao lado de uma pressão adicional de sanções coloca em xeque as divisões internas, sejam elas quais forem. Estendendo a mão aberta enquanto se brandi uma vara, fecha-se o espaço diplomático e político de manobra para o Irã. Sua recusa em aceitar a mão aberta justificará a aplicação da vara. Mesmo quando as sanções são aplicadas sempre continua a ser útil dizer de que outra maneira é uma opção aberta. O dano feito ao Irã, portanto, é o resultado de sua própria escolha. Esta abordagem também ajuda a oposição. Uma estratégia de sanções puramente digna pode contribuir à vontade do regime em punir e reprimir. Claro, falando de mudança de regime, prejudica a causa da mudança de regime. É um presente para o regime. A oposição é um novo fator na equação do Irã que deve ser tido em conta a nível político e moral. Empurrado para a parede, o regime pode se sentir obrigado a reprimir, que pode resultar em milhares ou dezenas de milhares de assassinatos políticos. Na Arábia Saudita, Fischer salienta que se o Irã desenvolve armamento nuclear os sauditas já tem sua própria bomba. Os sauditas investiram no armamento nuclear do Paquistão, em parte para esta eventualidade; Esta é sua bomba reservada.

Abaixo a versão original do afamado e-mail:

CONFIDENTIAL February 17, 2010

For: Hillary

From: Sid

Re: Iran, Saudi

Had dinner last night (Tuesday, February 16) with Joschka Fischer. We had an interesting conversation on Iran and Saudi Arabia, among other things. (As you know Fischer is now director of the Nabucco pipeline project.) On Iran, harsh, targeted sanctions are absolutely necessary, but are most effective diplomatically when always coupled with an offer to negotiate. The iron fist in the velvet glove approach achieves several objectives: According to Fischer’s intelligence, Ahmanijehad wished some negotiated settlement but was blocked. The regime has splits at the top. Perhaps true, perhaps not. But constantly pushing negotiations alongside sanctions puts additional pressure on internal divisions, whatever they are. Extending an open hand while brandishing a stick closes diplomatic and political room to maneuver for Iran. Its refusal to accept the open hand justifies application of the stick. Even when sanctions are enforced it always remains useful to say another way is open. The damage done to Iran is therefore the result of its own choice. This approach also aids the opposition. A purely condign sanctions strategy can contribute to the regime’s will to punish and tighten repression. Talking of regime change, of course, undermines the cause of regime change. It is a gift to the regime. The opposition is a new factor in the Iran equation that must be taken into account on the political and moral level. Pushed to the wall, the regime may feel compelled to repress, which might involve thousands or tens of thousands of politica,killings. On Saudi Arabia, Fischer points out that if Iran develops nuclear weaponry the Saudis already have their own bomb. The Saudis invested in Pakistan’s nuclear weaponry partly for this eventuality; that’s their bomb in reserve.

Fonte do e-mail acima transcrito: Wikileaks.

Para ter acesso aos arquivos de e-mails da Senhora Hillary Clinton, divulgados pelo site Wikileaks, basta clicar aqui.

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