Rússia anuncia novo torpedo autocavitante (supercavitante)

Por: César A. Ferreira

Federação russa anuncia um novo torpedo autocavitante (também denominado como supercavitante), desenvolvido para substituir o mítico VA – 111 Shkval, presente nos arsenais da arma submarina russa desde a década de setenta…

Anunciou-se o desenvolvimento por parte da Federação Russa da arma que deverá substituir o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, arma sem par no mundo. Este tipo de arma distingue-se pela sua velocidade, incapaz de ser igualada pela tecnologia clássica dos torpedos pesados, visto que possui dispositivos capazes de formar à frente da arma uma bolha de gás, reduzindo de maneira drástica o atrito com o ambiente fluido.

A nova arma deverá apresentar performance em muito superior ao atual VA-111 Shkval, arma que jamais teve análogos desenvolvidos com sucesso no ocidente, dado que todas as tentativas resultaram em fracassos estruturais, ou de desempenho. Sabe-se que as marinhas dos EUA, Alemanha e Coréia do Sul desenvolveram, com graus variados de sucesso, versões análogas ao Shkval, entretanto, como revelado, sem alcançar o status de desempenho e operacionalidade da arma russa. Vale lembrar que o VA-111 Shkval começou a ser desenvolvido em plena década de sessenta, entrando em operação em 1977, o que faz dele um torpedo com quase quarenta anos de serviço!

Esta arma, o torpedo supercavitante VA-111 Shkval, recebe críticas de alguns analistas de armas ocidentais, que afirmam ser tal torpedo uma arma sem aplicação prática, além de ser dispendioso de manter. Isto, por ser um vetor de uso direto, unidirecional, desprovido de método de guiamento. Todavia, tais análises não levam em conta o conceito operacional dedicado ao vetor pela então marinha soviética. Os soviéticos esperavam equipar seus submarinos nucleares de ataque, e mesmo os convencionais, com uma arma de ação extremamente rápida, que impusesse ao inimigo um tempo de resposta mínimo, quando não inexistente, com o intuito de protegerem os seus Submarinos Lançadores de Mísseis Balísticos, em suas áreas de lançamento, notadamente o “Mar Branco”, bem como ao largo da península de Kamtchathka. O fato de poder ser equipado com uma ogiva nuclear evidencia o papel defensivo desta arma.

Concebido para ser lançado de um tubo lança-torpedos de 533mm, o VA-111 apresenta um comprimento da ordem de 8,2 metros, cerca de 2.700 kg, velocidade acima de 500 km/h e propulsão por motor foguete de combustível sólido, características estas que deverão ser mantidas, ou superadas pelo novo modelo cujo desenvolvimento foi anunciado.

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Severodvinsk: o cabeça da classe Yasen

Por: César A. Ferreira

O submarino nuclear Severodvinsk é o cabeça da nova classe de submarinos de ataque da Marinha da Federação Russa, que o comissionou na data de 30 de dezembro de 2013, do calendário gregoriano, sendo, por óbvio, o primeiro da classe Yasen, ou Projeto 885, que recebe da OTAN a denominação Graney.

Submarino cuja construção iniciou-se em 1993 nos estaleiros Sevmash, foi lançado ao mar no dia 15 de junho de 2010, e iniciou os seus testes de aceitação em 12 de setembro de 2011. Os seus ensaios duraram mais do que 100 dias de mar, no qual se verificou a ocorrência de mais do que 2000 defeitos a serem solucionados. Estes foram variados, envolvendo do desempenho acústico do submarino, aos sistemas de armas. Durante os esforços para solução, executou o submarino um período de ensaios de lançamento subaquático de mísseis de cruzeiro. O Severodvinsk realizou três campanhas de lançamento de mísseis, uma delas resultou em falha, as demais, em sucesso, sendo o alvo móvel naval destruído.

Em conjunto com torpedos pesados e minas, o K-329 Severodvinsk é capaz de portar até 24 mísses P-800 Oniks, também conhecidos como Yakhont (OTAN: SS-N-26), ou Kalibr, também conhecidos como 3M54 Klub (OTAN: SS-N-27). Ambos possuem um alcance da ordem de 300 km, sendo o Oniks consideravelmente mais pesado (3000 kg, contra 2300 kg do Klub), além de mais veloz, com uma velocidade de 2,7 Mach. O Kalibr possui uma velocidade de cruzeiro subsônica, sendo a fase terminal realizada em velocidade supersônica na sua versão 3M54-1. Além destas armas, fazem parte do seu arsenal possível, o afamado torpedo auto-cavitante VA-111 Shkval. Esta arma de 8,2 metros de comprimento e 533 mm de diâmetro, detém a velocidade recorde de 200kts para uma arma subaquática, e atinge alvos distantes até 13.000 metros, sendo a sua cabeça de guerra de 210 kg.

A belonave carrega uma tripulação de 90 especialistas, 58 marinheiros e 32 oficiais. O seu deslocamento, submerso, é da ordem de 13.800 toneladas, e capaz de submergir até a profundidade de 600 metros, as suas dimensões são as de 119 metros de comprimento, boca de 9,4 metros, vela de 4,1 metros (13,5 metros do diâmetro com a vela). Dispõe de eixo único e sua unidade propulsora é um reator de água pressurizada KPM, de 200 MW de potência. No tocante a sensores, além de radares para uso na superfície, exibe um sonar esférico de baixa frequência (MGK-500), grandes sonares de flanco de ultra baixa frequência, além de um sonar rebocado.

O segundo e terceiros submarinos desta classe, Yasen, denominados como Kazan e Novosibirsk, estão em construção, e o total planejado é de oito submarinos, todavia as unidades contratadas somam quatro. Concebido para ser um caçador/destruidor, tanto de submarinos como de belonaves de alto valor militar, apresentando taxas de discrição baixíssimas, possuem sensores extremamente sensíveis. A classe acaba por exibir, todavia, um custo tido como proibitivo, devido à alta exigência e sofisticação, por isso pretendem os executores russos a adoção de uma classe intermediária, mais simples, ainda que menos capaz.