Documento reservado da OTAN destaca que a Rússia é superior às forças da Aliança na Síria

Por: Josef Hufelschulte

Fonte: Focus

Tradução: J.Junker

Sábado: 05.03.2016

Desde setembro, a Força Aérea Russa está voando e atacando na Síria. Na imprensa, há denuncias de que os repetidos bombardeiros de Putin mataram centenas de civis. Ironicamente, no entanto, a OTAN elogia a Rússia em seu relatório: Ela está bombardeando “com precisão e eficiência”, ele diz – e teria um efeito muito maior do que o uso do armamento da OTAN.

O relatório da Aliança Militar do Atlântico Norte (OTAN) certifica que a Força Aérea Russa, implementada na Síria, alcançou um alto nível de profissionalismo. Isto foi relatado pela Focus, citando uma análise confidencial da OTAN, feita em Bruxelas.

Embora os aviões de combate das forças armadas russas são claramente inferiores aos jatos da aliança ocidental numericamente, os pilotos do Kremlin obtiveram, em operações contra a rede terrorista EI e outros grupos rebeldes, um impacto total maior. Isto foi devido à maior frequência de ataques aéreos russos, a Focus relata, citando o documento secreto.

Assim, cerca de 40 máquinas russas estacionados na Latakia voam até 75 missões por dia. Os ataques aéreos são executados “com precisão e eficiência”. A frota da OTAN conta com um total de 180 máquinas, que diariamente atacam apenas 20 alvos no solo. O Presidente Vladimir Putin, Comandante Supremo das forças russas, pretende aumentar, em futuro próximo, para até 140 aviões na Síria. Recentemente, a OTAN se sentiu constrangida pelo desdobramento de quatro caças multipropósito Sukhoi Su-35 na Latakia. O Su-35 é superior à maioria dos aviões de produção ocidental, de acordo com especialistas.

EI demonstra força no chão

De acordo com a OTAN, até agora apenas 20 por cento dos ataques russos foram contra terroristas, sendo a maioria contra milícias anti-Assad, algumas delas apoiadas pelo Ocidente. A forte presença dos terroristas e seus ganhos de terreno podem ser explicados pela dispersão dos rebeldes, por medo de ataques aéreos em suas posições.

Ao atacar, os pilotos do Kremlin usam informações de reconhecimento aéreo sírio. Além disso, as forças e espiões russos marcam instalações estrategicamente importantes. Sobre civis mortos nos ataques de aliados e da Força Aérea Russa não há nenhuma informação no documento secreto. De acordo com informações do Observatório Sírio para os Direitos Humanos mais de 1700 civis morreram desde Setembro de 2015 nos ataques aéreos russos, incluindo 423 crianças.

Nota do Editor: o que é conhecido como “Observatório Sírio para os Direitos Humanos” não passa de um simples ativista, comprometido ideologicamente, que mora acima de uma tecelagem em Londres. Vê-se, portanto, ao baixo nível no qual a grande imprensa é capaz de chegar no seu afã de desinformar. A credibilidade da grande imprensa não passa de miragem, fantasia, ou algo parecido.

SU-35: a grande águia russa

Este artigo sobre o excepcional caça russo Su-35 foi redigido originalmente por mim para o site Portal Defesa, tendo sido publicado na categoria “Destaque” em 18-01-2014. O artigo continua no ar, junto ao referido site, onde conta com um maior número de imagens e ilustrações.

SU-35: a grande águia russa

Por: César Antônio Ferreira

Todos aqueles que já o viram, relatam a imponente impressão que sentiram à primeira vista. Assim é, e sempre será, um “Flanker”! (Código da OTAN para o SU-27 e família, que se tornou popular para designar o avião).

A imponência se destaca pelo grande tamanho, sendo este derivado dos requisitos havidos no projeto: exigia-se o domínio completo do espaço aéreo inimigo, o que resultava em um longo alcance, com tempo elevado de permanência sobre o alvo… A resposta seria uma célula com grande capacidade de transporte interno de combustível.

Poucos sabem, mas o SU-27 quase morreu ao nascer. A sua primeira concepção, materializada no protótipo T-10, mostrou-se insuficiente e abaixo dos padrões exigidos. Este protótipo possuía as derivas duplas montadas com uma separação menor e acima dos motores, uma asa com uma ponta sem corte, e uma fuselagem simétrica. O desempenho obtido foi relatado como “medíocre”, o que levou o Bureau Sukhoy, em desespero de causa, a reprojetar a aeronave à toque de caixa. A aeronave reprojetada reapareceu com os motores elevados na célula, com as derivas colocadas no flanco externo destes, maiores e com maior separação entre as mesmas, as asas ganharam recorte nas pontas e um novo formato, e a fuselagem perde simetria, ganhando uma corcova pouco acentuada. Nascia aquele que ganharia um apelido (OTAN) que rodaria o mundo: “Flanker”!

Nas feiras aeronáuticas de Le Bourget e Farnborough, o SU-27 demonstra uma agilidade assombrosa para uma aeronave do seu tamanho, iniciando ali, pela força expressiva das manobras, uma lenda, um mito. Em evoluções impossíveis para outras aeronaves, formou uma legião de apreciadores, principalmente, devido a afamada manobra denominada como “Cobra Pugachev”, realizada no Salão Aeronautico de Paris – Le Bourget, em 1989, pelo piloto de provas Viktor Pugachev. Ela consiste em levantar o nariz do caça abruptamente, em um elevado ângulo de ataque, e manter-se desta forma, vertical, por alguns segundos, “pendurado em seus motores”.

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SU-35, operacional da VKS em voo. Foto: internet.

O SU-27 sobreviveu ao fim da URSS como entidade política, ganhando operadores pelo mundo afora com aeronaves derivadas, que ganharam o designativo SU-30, tornando-se assim o grande sucesso de exportação militar da república herdeira da URSS, a Federação Russa. Dentre as nações operadoras do Su-30 encontram-se a Índia, Indonésia, Malásia e Venezuela, contando entre estas até mesmo forças aéreas de nações com poucos recursos, caso de Uganda.

O ultimo desenvolvimento desta família é o caça multi-propósito SU-35, objetivo deste artigo.

Encomendado em dois pedidos de 48 unidades cada, totalizando 96 unidades, sendo o primeiro lote com entregas finais esperadas para o ano de 2016, e o segundo lote, para o ano de 2020. Desta maneira, em 2020, caso não ocorram atrasos, 96 SU-35 estarão aptos para equipar os esquadrões da Força Aérea da Federação Russa.

Por ser uma aeronave multi-missão, o SU-35 está equipado para usar uma vasta gama de armamentos, para missões ar-ar, ar-mar, ar-terra. Para missões ar-ar; encontram-se integrados: R-73E e R-74 (WVR), R-77-1 (BVR). Espera-se a integração do míssil de longo alcance R-37M (K-37M), bem como das versões em desenvolvimento dos mísseis R-74 e R-77, respectivamente R-74M2 (K-74M2) e R-77M (K-77M), todos estes em fase de testes.

Entre as armas para emprego ar-superfície, exibem-se os mísseis Kh-58Ush e Kh-31PM, ambos de uso em missões de supressões de emissões inimigas (antirradar), Kh-38M, além das bombas guiadas de 1500 kg, 500 kg e 250 kg. Para emprego contra alvos navais, tem-se as armas Kh-31AM, Kh-35U/Kh-35UE e Kh-59MK. É esperada a integração de duas armas anti-navio de grande capacidade: Yakhont (P-800 Oniks)/Brahmos e Kalibr-A (família “Klub”, 3M54).

Como último recurso, o piloto pode contar com o canhão orgânico de 30mm GSh-30-1 com 150 disparos.

A potência do SU-35 é representada por um par de turbinas AL-41FIS (Izdeliye 117S), projetadas pela NPO Saturn, com produção relegada a UMPO. O motor exibe em potência máxima, ou seja, com o uso de afterburner (pós combustor), o valor de 14.500 Kgf, o que equivale a 142 Kn! Em regime de cruzeiro, ou seja, sem uso do pós-combustor, o valor equivale a 86,3 Kn (Kn= quilonewton; Kgf=quilograma força. 1 Kn = 101,97 kgf). O AL-41FIS exige revisão a cada 4.000 horas. Os bocais vetoráveis são idênticos aqueles da série 30 (SU-30 MK), ou seja, exibem 15º de deriva vertical (para cima, para baixo).

O Su-35 manteve a característica de poder transportar internamente uma grande quantidade de combustível, sendo esta característica ampliada 22 % em relação aos membros anteriores da família “Flanker”, totalizando 11.500 kg de combustível. Desta forma, apesar de exibir a capacidade de carregar tanques alijáveis, em termos práticos não o necessita, podendo por isto aproveitar os doze pontos existentes para transportar apenas armas, em um total de 8.000 Kg (8 toneladas).

Como meio de detecção principal o SU-35 possui o Radar N-135, também conhecido como Irbis-E. Radar Phased Array, ou seja, de varredura eletrônica passiva (PESA). Capaz de acompanhar enquanto realiza a varredura 30 alvos aéreos, com engajamento simultâneo de até oito aeronaves com mísseis BVR com cabeças de busca ativa. Para ataques terrestres, os ataques simultâneos são de até quatro alvos, sendo o Irbis-E capaz de varrer e mapear o terreno com alto grau de resolução. A potência operativa do radar se situa entre 20 Kw (pico) e 5 Kw (operação normal). O radar exibe dois modos de operação: Longo Alcance e Normal. No modo Longo Alcance um alvo com 3m² (RCS) é detectado em uma distância de 350 ~ 400 km. Neste modo, o ângulo de varredura se limita a 100°. No modo Normal, o alvo de 3m² (RCS) é detectado entre 170 ~150 km, sendo que o ângulo de varredura possui a abertura de 300°! Os alvos de baixa reflexão, ou seja, com 0,01 m², são detectados a 90 km. O radar possui uma suíte automática de classificação de alvos na forma de uma biblioteca, que informa o piloto o tipo de aeronave que ele irá enfrentar.

O sensor passivo compreende o IRST OLS-35, fornecido pela empresa NPK SPP (Moscou). Composto por um sensor térmico infravermelho (IR), uma câmera de TV, espelho de varredura e um designador a laser. A detecção pelo IRST em alvos com aproximação frontal é da ordem de 50 ~ 35km, e de 90 km em afastamento. Já as marcações de alvos pelo laser, alcançam as distâncias de 200 metros até 20 km. Todos os sistemas citados comunicam-se entre si e fornecem os dados ao piloto, em seu sistema de mira montado no capacete. Para autodefesa, o SU-35 conta com o sistema de alerta OAR de aproximação de míssil de guiagem IR com seis sensores espalhados pela célula para cobertura de todos os hemisférios, indicando precisamente ao piloto a direção da ameaça. Para autoproteção contra iluminação à laser, conta com o alerta OLO, capaz de indicar o ângulo incidente da iluminador. O alerta radar é composto pelo sensor L150-35 Pastel, que permite lançamentos de arma anti-radiação. Por fim, no que tange aos sensores, a suíte de ECM (contra-medidas eletrônicas) Khibiny-M.

O SU-35 é uma aeronave que cumpre com os parâmetros estabelecidos pelos seus criadores, que é uma aeronave capaz de impor a superioridade aérea sobre o espaço aéreo inimigo, promovendo ao piloto plena capacidade de avaliação situacional. Em outras palavras: um caça capaz de assustar o inimigo!

Características do SU-35 BM:

Comprimento: 21,90 m.

Envergadura: 15,30 m.

Altura: 5,90 m.

Enflexamento das asas: 42°.

Velocidade Máxima (11.000 metros): 2,25 Mach (2.756 Km/h).

Velocidade máxima ao nível do mar: 1.400 km/h.

Teto operacional: 18.000 metros.

Limite G: 9 G.

Taxa de subida: 325 m/s.

Raio de ação: 1.580 km.

Alcance máximo com combustível interno: 3.600 km.

Alcance máximo com tanques externos: 4.600 km.

Peso máximo de combustível interno: 11.500 kg.

Carga bélica externa (máximo): 8.000 kg.

Empuxo: 2x 14. 500 kgf.

Peso de decolagem padrão: 25.300 kg.

Peso de decolagem máximo: 34.500 kg.

Distância de pouso/decolagem: 700 m.