Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina

Fonte:Jornal GGN

Pela primeira vez país firma acordo de exportação do material produzido pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O Brasil exportará urânio enriquecido para a Argentina alimentar um reator nuclear na cidade de Lima. O acordo firmado prevê a venda inicial de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio produzida pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) num contrato de US$ 4,5 milhões.

Será a primeira vez que, oficialmente, o Brasil exportará urânio enriquecido. Apesar do acordo ter sido assinado em junho a entrega começará a ser feita apenas no final deste ano, pois o produto precisará passar pela autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, do qual a INB está vinculada, e também da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

O Brasil é um dos poucos países no mundo que tem tecnologia para o enriquecimento de urânio, ao todo são 12 nações no mundo inteiro, incluindo França, Irã e Estados Unidos. A tecnologia utilizada pela usina da INB, localizada em Resende (RJ) é totalmente nacional, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nuclear do Cnen. O contrato com a Argentina não envolve a concessão da tecnologia brasileira, mas há um outro acordo envolvendo os dois países no desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro. Brasil e Argentina possuem acordos na área nuclear desde a década de 1960.

Agência Brasil

Brasil exportará urânio enriquecido pela primeira vez 

A empresa brasileira Indústrias Nucleares do Brasil (INB) exportará urânio enriquecido pela primeira vez. A empresa, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, firmou acordo com a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar), que prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires. O contrato, no valor de US$ 4,5 milhões, foi assinado em junho.

Enriquecido na fábrica da INB em Resende (RJ), o produto ainda precisa de autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do ministério e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para completar o processo de exportação, o que deve ocorrer até o fim deste ano. As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.

Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, autarquia gerida administrativa e tecnicamente pela Cnen.

Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultracentrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.

O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multipropósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.

Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.

O urânio é um mineral com propriedades físicas de emitir partículas radioativas, a radioatividade. Sua principal aplicação comercial é na geração de energia elétrica, como combustível para os reatores nucleares de potência.

Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.

A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas.

 

A Coréia do Norte não é um problema

Por: César A. Ferreira

Após mais um teste com o seu submarino lançador de mísseis balísticos, algo que vem a ser um dos pilares dissuasivos do regime norte-americano, diga-se, houve na impressa brasileira, que acompanha a mídia ocidental, um mar de notas sobre a Coréia do Norte e a sua postura “agressiva” contra a sua rival do sul da península. Estas considerações midiáticas, invariavelmente, apontavam para o risco de conflito, que seria iniciado, segundo tais fontes, necessariamente pela república nortista.

Pode-se respeitar a tais análises, mas dar-lhes crédito será uma tarefa mais difícil, pois qualquer um que se tenha debruçado sobre assuntos militares, de defesa, saberá que a formação de um arsenal nuclear tem uma função dissuasiva, e que esta é por injunção lógica natural a sua função primária. De fato, até ao advento dos testes de ogivas atômicas pela república norte-coreana, o que se tinha era uma concentração absurda de pesadas peças de artilharia na fronteira, com vista a obliterar os subúrbios de Seul, caso houvesse a abertura das hostilidades.

A razão da Coreia do Norte buscar sofregamente um meio dissuasivo nuclear tem a ver com a necessidade de o regime tem em conservar-se no poder. A nação voltou a exibir taxas de crescimento, e pretende mantê-la via introdução de capital estrangeiro. O que faz o cenário de conflito algo indesejável. Todavia, o que se vê é justamente o cenário não desejado, porém não recusado, dado que o regime norte-coreano é por demais altivo quando se trata de enfrentar a maior potência do planeta. O arsenal nuclear assume, desta maneira, a salvaguarda do regime, no tocante a sua soberania, como um símbolo de conquista tecnológica, e sem distinção acaba por ensejar uma questão afeita ao debate.

O regime colhe agora um momento econômico favorável, quando comparado com as décadas passadas e não busca suicidar-se em um conflito, que não lhe seria favorável hoje. A Coréia do Sul exibe uma pujança militar a qual o regime de Pyongyang demonstra grave dificuldade em acompanhar. A defasagem é notória no campo aéreo, menor no terrestre e naval, mas lá está, é persistente e pior, crescente. Por isso, a troca de acusações, rotineiras, está afeita ao comportamento de salvar a face, que basicamente pode ser entendido pelos ocidentais como a necessidade de dar a última palavra. O arsenal nuclear, portanto, compreendido no esforço de miniaturização das ogivas, bem como pela concepção de um vetor de lançamento submarino, tem como função assegurar a existência do regime, pautar negociações futuras e questionar a desenvoltura do rival sulista por um custo razoável.