ARA San Juan: vaza para a imprensa a ultima mensagem

Mensagem dava conta de admissão de água pelo snorkel, curto-circuito e principio de incêndio

Por: César Antônio Ferreira

Um terremoto político varreu as terras argentinas na data última de 27.11.2017, na forma da revelação pela mídia argentina do último informe ao Almirantado por parte do submarino A-42 ARA San Juan, informe este que foi solenemente sonegado à mídia argentina, como também, ao que parece, do Ministro da Defesa e do próprio Comandante em Chefe, o Presidente da República Mauricio Macri.

O periodista que revelou o vazamento foi Eduardo Feinmann, apresentador de um programa televisivo no canal A24 (America 24). O informe do ARA San Juan confirma as conjecturas anteriores deste espaço, Debate Geopolitico, sobre as possibilidades havidas no tocante ao naufrágio do ARA San Juan. Diz o documento vazado:

“Ingreso de agua de mar por sistema de ventilación al tanque de baterías n° 3 ocasionó cortocircuito y principio de incendio en el balcón de barra de baterías. Baterías de proa fuera de servicio al momento en inmersión propulsando con circuito dividido. Sin novedades de personal. Mantendré informado”.

A mensagem é datada de quarta-feira, dia 15 de novembro de 2017 e o horário registrado para distribuição interna é de 08:52 (horário de distribuição entre órgãos da Armada e não do contato propriamente dito). Isto confirma e vai de encontro com a informação amplamente conhecida de que o último contato teria se dado às 07:30 daquela mesma manhã. Esta revelação bate com as informações repercutidas na matéria “Almirantado argentino sabia das avarias com um dia de antecedência”, que foi publicada neste mesmo espaço, Blog Debate Geopolítico.

A mensagem em si é bastante elucidativa. De maneira inequívoca apresenta um sério problema em submarinos diesel-elétricos que é a admissão de água pelo snorkel, além do terror de todo submarinista: o incêndio a bordo. A mensagem passa o entendimento que naquele presente momento as avarias estariam controladas, apesar de revelar que o submarino navegava desfalcado de boa parte das suas baterias, estando na proa desativados os dois bancos de baterias dianteiros, e na popa pelo menos um deles (o de número 3). Horas depois, não muitas, ocorreu um evento incapacitante, responsável pelo naufrágio do submarino.

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S644 Eurydice. Imagem: internet.

Esta narrativa apresenta uma similaridade com o naufrágio de um submarino da Marine Nationale, o S 644 Eurydice, ocorrido no dia 4 de março de 1970 no través de Toulon (latitude: 43,16 longitude: 6,80 – 35 milhas distante do porto), cuja a destruição também foi atribuída a um evento brutal e incapacitante, uma explosão, cujas causas permanecem não definidas, mas que tem o snorkel defeituoso como principal suspeito. Repousando no leito marinho ao largo da Baie de Bonporteau em um profundidade de 600 metros, foi fotografado pelo minisubmarino Mizar da USNAVY. O registro da implosão foi percebido pelo sismógrafo de Nice. Não houve a recuperação do submarino e nem dos corpos da tripulação, permanecendo desta forma como a sepultura permanente para todos estes.

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Local do naufrágio do S 644 Eurydice. 600 metros de profundidade. Bing Maps.

Em comunicado à imprensa, o porta-voz da Armada da República Argentina, Capitán de Navio Enrique Balbi, revelou que o S-42 ARA San Juan não dispunha de torpedos com cabeças de guerra vivas à bordo (“torpedos de combate”). Em função dos dados que agora são de conhecimento geral, formam-se conjecturas de que entre o último contato e o horário dos eventos hidroacústicos detectados, que houve um novo curto-circuito, havendo um incêndio calamitoso, advindo da conjunção de um arco-voltaico com a concentração de hidrogênio presente no ambiente, que foi incapacitante para a tripulação, cortando a energia e levando para o fundo o submarino. Os sons captados seriam advindos da colapso e ruptura do casco resultante da pressão superior a suportável pela classe TR-1700.

É desnecessário dizer que apenas as imagens do S-42 ARA San Juan no sítio do seu naufrágio poderão confirmar qualquer conjectura e especulações realizadas em função do seu destino.

Sequer localizado o foi…

Nota do Editor: quando o comandante informa “circuito dividido” ele diz que utiliza parte de um banco de baterias e parte das baterias de outro banco.

ARA San Juan: desnecessária polêmica com os acumuladores

A mídia argentina parece ter mais interesse em ajustes de contas políticos do que perscrutar as verdadeiras causas do acidente com o ARA San Juan.

Por: César A. Ferreira

O mistério quanto ao destino do ARA San Juan permanece, todavia, para alguns analistas políticos argentinos e órgãos de mídia, o que vale é buscar um ajuste de contas com os adversários políticos, que estavam no poder durante a longa revitalização de meia-vida do ARA San Juan. Isto se dá focado em um simples fato:  de os jornalistas dos principais meios de comunicação argentinos terem descoberto que os acumuladores do submarino sinistrado não eram novos, mas “recondicionados”.

Não foi uma descoberta difícil, convenhamos, afinal, na página do Estaleiro Tandanor, que trata com orgulho do trabalho efetuado no S-42 ARA San Juan está declarado com todas as letras:

“Baterías

Tambiém se realizó un replacado integral de cada una de las 960 baterías que hacem funcionar al submarino y se repararon las válvulas y demás mecanismos del submarino para alcanzar su condición original”

Este detalhe da revitalização do submarino associado ao conteúdo da última mensagem do Capitán de Fragata Pedro Martín Fernández que relatava avarias no painel de baterias dianteiro, somado ao agora afamado sinal “hidroacústico, anômalo e não nuclear”, resultou nos culpados: os antigos ocupantes do poder, incluídos os ministros da defesa durante os últimos períodos, Garré e Rossi, sem falar da antiga dignitária. O fato disto lançar uma sombra no Estaleiro Tandanor, nos engenheiros e técnicos que trabalharam na revitalização do S-42 ARA San Juan, ao que parece não vem ao caso.

A mídia não especializada foca que a escolha por recondicionar os acumuladores deu-se em função dos custos, apontando para isso os valores correspondentes de cinco milhões de euros pelo conjunto de 960 baterias novas. Esquece tal mídia que a empresa que “recondicionou” as baterias Varta 14UR12F, o fez sob supervisão da Hawker GmBH, nome da empresa que havia absorvido a fabricante original, Varta GmBH. Não só isso, como o fato de que o processo de revitalização das referidas baterias envolveu não só a troca de placas, como dos diodos, válvulas e conectores, cujo serviço contou com garantia dado pelo fabricante, de seis anos.  Eram baterias novas, pode-se afirmar, pois, de antigo somente a carcaça. Ademais, a fabricação de baterias de Chumbo/Ácido não é algo longe do horizonte industrial latino-americano, para se ter uma ideia a empresa brasileira Saturnia fornecia para os submarinos da Marinha do Brasil baterias feitas no país (Brasil), concebidas com tecnologia alemã durante as décadas de 80 e 90. Ademais, o submarino foi testado e admitido pela Armada da República Argentina em 2014. Estamos em 2017.

Explosão

Acredita-se que a hipótese mais forte para uma explosão, tal como registrado pelos hidrofones do CTBTO – Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization (ing.) , sejam advindos de uma concentração de gás hidrogênio, proveniente das baterias e que atingiu a concentração fatal de 5%, ou mais, momento em que se torna explosivo no caso de haver uma fagulha, tal como um arco-voltaico nascido de um curto-circuito no painel de baterias. É uma hipótese que tem a força do indício fornecido pelo órgão internacional, todavia para que isto viesse acontecer deveria haver uma cadeia de avarias, a começar pelos instrumentos de monitoramento de gases.

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O ponto “A” é aquele do evento “anômalo” e não nuclear, enquanto o ponto “B” é o do último contato.

É difícil, mas não impossível. Em 2010, quando fundeado em Visakhapatnam, o submarino designativo S-63 INS Sindhurakshak apresentou incêndio em suas baterias, ocasionando casualidades: um morto e dois feridos. A concentração não detectada de hidrogênio foi a responsável, estando acima de 3%.

Aceitando-se que o S-42 ARA San Juan foi vitimado por esta cadeia de acontecimentos que por ventura tenha resultado em uma catastrófica explosão, fica uma dúvida: teria tal explosão advinda da concentração de hidrogênio, provocada por uma fagulha elétrica, capaz de romper o casco de pressão?
Outra pergunta se faz: seria incapacitante de toda a tripulação caso tal explosão tenha sido contida pelo casco? Ou ainda… Dado o fato de que a característica do projeto TR-1700 é a de possuir dois grandes compartimentos estanques, dianteiro e posterior, que a tripulação abrigada possa ter sobrevivido ao evento anômalo, intenso e catastrófico?

Evidentemente não tenho as repostas, mas as analogias com o Kursk fazem-se sentir.

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Kursk após ser retirado do fundo do Mar de Barents. Os estragos são bem evidentes. Imagem: internet.

Kursk

Tal como a hipótese favorita para o sinistro do ARA San Juan, o Kursk foi vitimado por uma catástrofe, neste caso a culpa recai em um torpedo de 650mm, modelo 65-76, denominado pelas tripulações como “Gordo” e também chamado de “Baleia”. O seu instável combustível propulsor a base de peróxido de hidrogênio é apontado como responsável pelo desastre.

Fato por muitos conhecido é o abrigo dos sobreviventes no último compartimento do submarino, o compartimento nº 9. Muitos acreditam que estes sobreviventes morreram devido à mortal concentração de dióxido de carbono, por sua vez motivada pela extrema demora no resgate. Não foi bem assim. Os sobreviventes faleceram em grupo, entre as 19 e as 20 horas do dia 12 de agosto de 2000. Ou seja, não muito depois do naufrágio por uma infelicidade da tripulação sobrevivente, que na escuridão e em um compartimento alagado, viu-se forçada a trocar as partes de um aparelho sequestrador de dióxido de carbono, mas cujas partes reagentes inflavam-se na presença de óleo e de água. Houve um incêndio resultante desta reação que consumiu todo o ar respirável. Aqueles que estavam próximos ao procedimento de troca morreram queimados, desfigurados, e os demais caíram inconscientes devido ao envenenamento por monóxido de carbono.

As semelhanças possíveis, creio, param por aqui, visto que no tocante ao S-42 ARA San Juan têm-se apenas especulações, algo bem diferente do Kursk, cujo naufrágio é bem conhecido e narrado pelo motivo simples de ter sido resgatado do fundo do mar em uma operação complexa e custosa, muito custosa, pois sangrou os cofres da Federação Russa em mais de 135 milhões de dólares norte-americanos.

Neste presente momento o ARA San Juan sequer foi localizado, mas como submarino diesel-elétrico compartilha a semelhança com o infortúnio do submarino francês Eurýdice, que também tem em uma explosão a causa do seu naufrágio.

Eurýdice
Eurydice repousando no fundo do Mediterrâneo. Imagem: internet.

Outra hipótese para a tragédia do S-42 ARA San Juan repousa na admissão de água pelo seu snorkel, bem como pela presença de água nas baterias, que resultariam em contaminação do ambiente por gás de cloro. Este foi o fim do submarino chinês “361”, cuja admissão de água salgada nos painéis de baterias resultou em contaminação e morte por asfixia dos 70 submarinistas do referido submarino. Esta hipótese não casa com a explosão “anômala”, mas este redator pensa que tal registro deva servir como indício e não como norte a ser seguido cegamente.

Por fim fica a percepção de que as armadas sul-americanas precisam, urgentemente, de meios para resgate e socorro submarino mais eficiente do que os existentes. O navio “Cabo de Hornos” da Armada do Chile é novo, mas não é dedicado à função, o “Vanguardia” da Armada do Uruguai não consegue manter-se operacional, além de apresentar limitações evidentes e o NSS K-11 “Felindo Perry”, apesar de suficientemente equipado para resgate até a profundidade de 300 metros,  arrastou-se pela costa brasileira até chegar ao “Mar Argentino”. Ter uma frota de submarinos sem meios consistentes de resgate parece ser mais um atropelo da lógica, dentre tantos deste continente.

Nota do Editor: viceja nas redes sociais argentinas a teoria conspiratória de que o ARA San Juan fora torpedeado. Argumentam para isso com a explosão e com a presença dos “buzos tacticos”, que segundo os conspiradores empreenderam uma missão em “las islas Malvinas”, acrescentam que a coordenada da explosão não coincide com a coordenada estimada do submarino de acordo com a velocidade informada de 5 nós…
Desmontando a teoria conspiratória devemos dizer que a posição estimada deve ser calculada com a velocidade acrecida pela corrente ascendente das Malvinas, que dá a embarcação mais dois nós. Nada impede que o capitão tenha seguido a sua derrota acima dos 5 nós informados. No tocante aos interesses britânicos resta saber que ganho teriam em torpedear um submarino argentino, justamente quando o dignitário atual não faz menção em lutar pela soberania das ilhas… Não tem sentido. A pergunta, portanto, que se deve fazer quando se lê, ou se ouve uma barbaridade destas é saber quem ganharia com um ato desta natureza. Ao se perceber que ninguém nada ganharia tem-se a resposta: uma teoria de loucos, para doidos.

O Brasil se junta ao esforço internacional pela busca ao ARA San Juan

Por: César A. Ferreira

As armas nacionais brasileiras se juntaram ao esforço internacional em apoio às buscas ao submarino S-42 ARA “San Juan”, sem contato nestas últimas 72 horas. O Navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry”, levantou âncora e zarpou nesta tarde do dia 18.11.2017. A belonave brasileira, classe fragata Type 22 Bach 1, F-49 “Rademaker”, juntou-se aos navios em missão de busca partindo do porto de Montevidéu, Uruguai. Outro meio flutuante da Marinha do Brasil designado para área de buscas e que se encontra próximo é o Navio Polar (vocacionado para pesquisas marinhas) H-41 “Almirante Maximiano”. A FAB, Força Aérea Brasileira se soma aos trabalhos de busca com duas aeronaves dedicadas: um P-3AM Orion e um.SC-105 SAR. Ambos possuem torretas flir, para busca no espectro infravermelho, e o P-3AM dispõe de um MAD – magnetic anomaly detector (ing), dispositivo que permite a detecção de uma massa metálica quando a aeronave sobrevoa a mesma.

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Navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry”. Imagem: internet.

O Navio de Socorro Submarino, NMB NSS K-11 “Felinto Perry” apresenta capacidade nominal de resgate até a profundidade de 300 metros. O navio possui facilidades como Sino Atmosférico de Resgate (300 m), câmera hiperbárica para oito mergulhadores, guindaste com capacidade para 30 toneladas, veículos de operação remota com câmera de vídeo e de sonar, bem como sistema de posicionamento dinâmico Kongsberg AOP 503 Mk.II, que permite que a embarcação permaneça alinhada com o ponto submerso de maneira constante.

Meios internacionais e corporativos

Vários outros meios navais e aéreos foram enviados para comporem os meios de buscas por forças armadas e corporações da América Latina, EUA e Europa. O Uruguai, sabe-se, enviou o ROU 26 “Vanguardia”, navio vocacionado ao salvamento que conta com plataforma para resgate subaquático e capacidade de oferecer energia e ar-comprimido para flutuação, bem como uma aeronave de esclarecimento marítimo King Air B200. O Chile comparece com o envio de uma aeronave CASA-295 ASW Persueder, que tal como o P-3AM da FAB possui um dispositivo MAD, e com o Navio da Armada do Chile AGS-61 Cabo de Hornos, dedicado a pesquisa oceânica, que dispõe de sensores eletroacústicos, sonar unidirecional, grua com capacidade para 30 toneladas e posicionamento dinâmico. Os EUA enviaram uma aeronave P-8A Poseidon (USNAVY). Uma aeronave P-3 que pertence à Nasa, mas que ainda contém um MAD, que estava a realizar pesquisas no sul do continente, incorporou-se as buscas. A USNAVY, por meio da URC – Undersea Rescue Command, prepara o envio por  meio aéreo dos seguintes dispositivos de resgate: SRC (Submarine Rescue Chamber), ROV (Remotely Operated Vehicle) e PRM (Pressurized Rescue Module). Estes meios estão em transporte neste presente momento, via aérea, através de aeronaves C-17 Globemaster III e C-5 Galaxy, pertencentes ao AMC – Air Mobile Command, USAF.Os britânicos, por sua vez, independente da arrastada querela sobre as ilhas Falklands, participam das buscas com o navio de exploração polar HMS “Protector” e com o navio patrulha HMS “Clyde”, além de uma aeronave C-130.

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ROU 26 “Vanguardia” – Marinha do Uruguai. Imagem: internet.

Não só os meios estatais participam das buscas, os meios corporativos, desde pesqueiros a navios de apoio offshore, também o fazem. Dentre estes destaca-se o “Skandi Patagonia”, da empresa Total S.A.

Meios argentinos

Os argentinos destacaram para a área de busca numerosos meios navais e aéreos, tanto da Armada Argentina, como da Fuerza Aérea Argentina. Dentre os meios aéreos foram destacados um Beechcraft King Air B200 de esclarecimento marítimo, um Grumman S-2T Turbo Tracker (matrícula “2-AS-24”), dois helicópteros AS 555FN Fennec (matrículas “3-H-131” e “3-H-132”, um Lockheed P-3B Orion (matrícula “6-P-53”), estes da Aviación Naval. Da FAA tem-se um KC-130H (matrícula “TC-69”), apoiado por um Beechcraft 350ER MPA (matrícula PA-22) da Prefectura Naval.

Entre os meios navais inicialmente destacados pela Armada Argentina estão os navios ARA “Sarandi” (Meko 360), ARA “Rosales” (Meko 140) e ARA “Drummond”.  Nesta manhã navegaram para se juntar aos esforços de busca e resgate, os navios oceanográficos ARA “Austral” e ARA “Puerto Deseado”, com especialistas do CONICET e do Serviço de Hidrografia Naval a bordo, necessários para operararem as sondas multi-feixes e os magnetômetros. Também zarparam as corvetas ARA “Spiro”, ARA “Espora” e ARA “Robinson”, o navio logístico ARA “Patagonia”, o destroyer ARA “Argentina” e o transporte ARA “Bahia San Blas”.  A Prefectura Naval designou o navio GC-28 “Prefect Derbes” e o SB-15 “Tango”. Participa também deste esforço o navio de pesquisas oceanográficas BIP “Victor Angelescu”, que possui sonar de varredura de fundo.

Um detalhe interessante é que se faz uso do satélite de observação marinha, com radar de abertura sintética, pertencente ao CONAE/INVAP concebido de uma iniciativa conjunta da Argentina e da Itália.

Os meios navais tem por base Comodoro Rivadávia, encontro os meios aéreos estão sendo concentrados nas Bases Aeronavales Almirante Zar e Comandante Espora.

 Área de busca

A área de busca delimitada pelo comando da Armada Argentina compreende o polígono definido pelas seguintes coordenadas: Ponto A. 44º-20’S 060º-45’W; Ponto B. 43º-45’S 057º-50’W; Ponto C. 45º-20’S 057º-12’W e Ponto D. 45º-55’S 060º-07’W. As condições estão longe de serem as ideais estando a visibilidade comprometida devido aos ventos intensos, forte precipitação e mar encapelado. O área geográfica exibe Estado de Mar 6, o que significa vagas entre 4 e 6 metros. O porta-voz da Armada Argentina, oficial Enrique Balbi, afirmou que a profundidade da área obedece a uma lâmina d’água de 340 metros. A Armada Argentina por certo conhece muito bem aquele trecho da plataforma continental.

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Polígono de buscas ao ARA San Juan. Fonte: Bing Maps.

O que pode ter acontecido?

Como é natural em ocasiões desta natureza especula-se muito. De fato o que se tem é uma perda de contato com o submarino. Quando um submarino sai em patrulha em tempos de paz é estabelecido um protocolo de comunicação, onde a cada espaço tempo previamente determinado deverá enviar uma mensagem reportando as coordenadas no qual se encontra. O S-42 ARA San Juan rompeu com este procedimento levando o Almirantado a iniciar os seus protocolos de busca. Não se tem certeza sobre nada, além da impossibilidade de contato com o referido submarino e o fato dele não ter sido detectado, o que devido aos meios de esclarecimento marítimo empregados leva a crer que ele esteja submerso. Neste caso não se sabe se este navega submerso, portanto com energia, ou se por acaso se encontra em repouso no leito marinho. A notícia mais recente aponta tentativas de comunicação por meio de telefone via satélite. O informe distribuído pelo Ministério da Defesa da República Argentina diz explicitamente em trecho destacado: “(…) Los intentos indicarían que la tripulación intenta establecer contacto y se trabaja para precisar su localización exacta. Las llamadas, de entre 4 y 36 segundos, fueron recibidas entre las 10.52 y las 15.42 en distintas bases de la Armada, aunque no llegaron a establecer contacto”. Estas chamadas teriam se dado na tarde de sábado, 18.11.2017.

Espera-se que de todas as hipóteses não tenha acontecido o pior cenário, que seria o do naufrágio do S-42 ARA San Juan, pois naufrágios de submarinos tem por costume serem absolutos no que tange às casualidades. Neste contexto, a se confirmar o informe das tentativas de contato de telefone via satélite, o quadro que se forma é de maior alento.