Notícias da guerra síria

Por: César A. Ferreira

De acordo com o divulgado por vários correspondentes que se dedicam à cobrir a guerra síria, podemos nesta data, 15.03.2016, traçar o seguinte panorama:

Contra ataque da Jabah al-Nusra contido em Hama.

O Exército Árabe da Síria conquistou uma vitória retumbante ao deter em campo um ataque do grupo filiado a Al-Qaeda, Jabah Al-Nusra, que tinha como eixo de progressão as aldeias libertadas de Al – Rumliyah e Al – Madajin. O grupo extremista realizou várias ondas de ataque, que foram detidas a toda volta. As forças responsáveis por mais este revés imposto aos extremistas foram a 47º Brigada Mecanizada, parte da 11ª Divisão Blindada (Carros de Combate), do Exército Árabe da Síria, em conjunto com elementos da Força de Defesa Nacional. Informações provindas do setor de comunicação das Forças Armadas Sírias não informam com precisão a contagem de corpos, mas se sabe que os números de extremistas mortos sobem às dezenas. O apoio aéreo fornecido, que foi vital para vitória, esteve a cargo da Força Aérea Árabe da Síria.

Combates intensos no caminho para Palmyra.

As forças governamentais sírias avançam céleres em direção à Palmyra, cidade de inegável importância estratégica nesta guerra. O avanço configura-se como uma pinça, com dois braços, estando o braço norte sob-responsabilidade da 67ª Brigada Mecanizada, componente da 18ª Divisão blindada do Exército Árabe da Síria. Esta força avança em direção da 550ª Brigada de infantaria, enfrentando diuturnamente encarniçados combates contra os extremistas do Estado Islâmico, o que impôs diversas baixas entre o pessoal combatente.

Na vertente sudoeste, a afamada Força Tigre, coadjuvada por elementos da Força de Defesa Nacional, unidade Falcões do Deserto e pela unidade para-militar iraquiana Brigada Iman Al-Ali, irrompem em direção à cidade em combates contínuos contra as forças do Estado Islãmico, impondo a estes a necessidade de retroagirem. Os elementos combativos do EI recuaram em direção à localidade de Al-Dawah, todavia, neste vilarejo os extremistas lograram obter uma posição defensiva com grande sucesso, frustrando os ataques das forças sírias combinadas. Todavia este insucesso não foi suficiente para abater as forças atacantes, que assumiram a colina 853, na área de Jabal Hayyal, cujo controle se encontra quase todo em poder das forças governamentais, estas, por sinal, aproximam-se da Villa Real, onde se encontra um amplo campo de treinamento do EI, distando desta localidade, no momento, três quilômetros.

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General Sírio MajorIssam Zahreddine, herói da resistência em Deir Ez Zoir. Imagem: internet.

Avanço no eixo Deir Ezzor

O front de Deir Ezzor exibiu movimentações intensas, confrontos continuados e selvagens. As forças sírias que combatem neste front são: 104ª Brigada Aerotransportada, 137ª Brigada de Infantaria, parte integrante da 17ª Divisão de Reserva da Força de Defesa Nacional, além de combatentes da tribo Shaytat (confissão sunita).

Violentos combates resultaram na captura das elevações de Thardeh, que se situa a meio caminho entre a localidade de Mayadin e Deir Ezzor, ademais, a elevação domina o trajeto logístico em direção à Deir Ezzor, via arterial necessária ao Estado Islâmico para o abastecimento de munição, armas e víveres. O eixo de ataque das forças sírias, agora, visa o campo petrolífero de Thayyem, cuja perda imporá uma queda drástica de receita ao EI.

Os avanços relatados, principalmente a captura das elevações de Thardeh, cuja posição inviabiliza o corredor logístico do Estado Islâmico, deverão reduzir a pressão sobre os resistentes na Base Aérea de Deir Ezzor, onde forças sírias cercadas na referida base aérea e bairros adjacentes da cidade, resistem a anos ao assédio do Estado Islâmico. A base é essencial, visto que por ela chegam víveres e munições lançados de paraquedas. Esta resistência, heroica, diga-se, em muito se deve a liderança do General Sírio MajorIssam Zahreddine, que manteve o moral de civis e combatentes em um padrão absurdamente elevado nestes longo tempo de cerco (dois anos).

Campo de batalha na Síria, relatório, 26.02.2016

Fonte: Warfiles

Adaptação: César A. Ferreira

 O cessar-fogo na Síria está para começar nesta meia-noite.  A força aérea síria está distribuindo panfletos sobre áreas ocupadas pelo inimigo, onde consta instruções especiais para os comandantes rebeldes sobre aquilo que devem preencher, para então se transferirem ao centro de cessar-fogo de Hmeimim.

Moscou anunciou que os ataques aéreos contra as posições rebeldes continuará até às 10 horas do horário moscovita, o que corresponde à meia-noite, no tempo de Damasco. Eastern Guta, Homs norte, e Aleppo ocidental experimentaram os mais pesados ​​ataques aéreos do dia.

Província de Aleppo

O EAS – Exército Árabe Sírio, liberou totalmente a localidade de Hanasser. Antes da libertação, as forças sírias destruíram um grupo de rebeldes na aldeia de Rasm an-Nafal.

O EI – Estado Islâmico não dormiu muito na noite passada, uma vez que foi continuamente bombardeado por aviões russos que voaram em mais de 30 missões no apoio às tropas sírias.

Após libertar Hanasser, as Forças Tigre,  uma força de comandos, começou a libertar outras cidades ao longo da vitalmente  e importante rota de abastecimento para Aleppo. A brigada de elite apoiada por equipas das Forças Gueopardo 03 e 06, bem como as unidades da Guarda Republicana, do Hezbollah, e das Forças de Defesa Nacional, conseguiram libertar cinco aldeias ao longo destes dois últimos dias.

Nesta manhã, tropas sírias de operações especiais expulsaram o inimigo das aldeias Shilallah al-Saghira, Minaya e Jokhah em operações (de ataque) relâmpago. O eixo de progressão partiu de aldeias recentemente libertadas.

Em seguida, as unidades de elite lançaram um ataque contra Hawaz cuja captura levará à ocupação das elevações existentes no entorno de Raheep. O contra-ataque rebelde contra El-Hammam falhou. Também foi relatado que os últimos vilarejos ao longo da rota Hanasser-Aleppo foram libertados, abrindo assim a estrada que permite o fluxo de abastecimento para Aleppo. O inimigo foi forçado a recuar a partir de Raheeb, Rawahayb, Rasm al-Tineh e Muntar. As formações sírias começaram a varredura para limpar a estrada secundária Sheiha Hilal-Ithriyah, até então bloqueada pelos militantes.

Dá-se que as forças dp EI remanescentes na área poderiam vir a cair em uma armadilha. Eles possuem apenas uma única rota de fuga,  estreita, que os leva para Raqqa, via esta que pode ser cortada a qualquer momento. Se eles estão propensos a sobreviver, terão de recuar, caso contrário, serão mortos pela combinação das armas: de unidades de elite sírias e aeronaves de ataque russas.

A troca de tiros é contínua na própria cidade de Aleppo. Os confrontos mais graves ocorreram nos distritos de Beni-Zeid e Han al-Asal.

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Carro de Combate T-72, do EAS, promove apoio à infantaria. Fonte: Warfiles.

Província de Hama

Não foram realizadas grandes operações terrestres. Aeronaves de ataque sírias lançaram ataques contra a Al-Qaeda (Jabhat al-Nusra) concentrações de militantes perto de Wadi al-Azib, destruindo uma série de posições fortificadas e peças várias de equipamento.

Província de Deir ez-Zor

Os terroristas continuam a sondar as defesas da base aérea. Houve confrontos perto da aldeia de Beit-Dhem e o posto de controle ao sul.

Houve confrontos breves na capital provincial perto de al-Afri e ad-Jbeil. Os terroristas sofreram perdas graves após uma coluna de abastecimento ter sido emboscado.

Província de Homs

Os ataques aéreos sírios atingiram três sedes de militantes, destruindo um número considerável de veículos em Palmira. Jaysh al-Fath (entidade terrorista) foi bombardeada perto de Telbis onde vieram a perder um posto de comando.

Na capital da província ocorreram  escaramuças breves, registradas nos distritos de Al- Arfi e Hell Jbeil . Aqui, os terroristas sofreram perdas severas, especialmente quando foi feito fogo sobre os comboios de abastecimento, então emboscados.

Províncias de Latakia e Idlib

A 103ª Brigada da Guarda Republicana do Exército Árabe Sírio, calaram as últimas resistências nas áreas da fronteira com a província de Idlib. Ain al-Baida, localizada nas montanhas curdas foi libertada na parte da manhã. Os Comandos, desta maneira, acabaram por penetrar no território da província de Idlib, com isto,  as forças sírias avançaram 3 km em direção à fronteira com a Turquia. Os islamitas estão controlando apenas uma pequena área, uma franja de poucos quilômetros quadrados próximo a Kobane e al-Sirmaniyah.

As aeronave da Força Aérea da Síria bombardearam várias bases da Jabhat al-Nusra, destruindo muito da infra-estrutura dos terroristas, além de vários equipamentos (material rodante).