O que os líderes russos aprenderam do colapso da URSS?

Por: Pyotr Akopov

Publicado originalmente (Ru), por: Vzglyad

Data: 27.01.2016

Traduzido para o inglês e publicado no site South Front, por: J. Halk

Traduzido para o português pelo Coletivo da Vila Vudu

Fonte em português: Blog do Alok

Adaptado por: César A. Ferreira/DG.

A Rússia Soviética foi destruída pelo vai-não-vai para todos os lados e para lado algum, pela ausência de visão estratégica, pela fraqueza e pela covardia de Gorbachev (…).

Tendo iniciado a reforma do sistema econômico e político antes de ter construído plano estratégico coerente, tão logo as reformas começaram a gerar mais problemas que soluções, Gorbachev assustou-se e meteu os pés pelas mãos. E daquele momento em diante – cercado por intrigas e dedicado a promover ‘mudanças’ sem qualquer rumo ou sentido nos quadros mais altos do governo –, Gorbachev consumiu todas as próprias forças exclusivamente para preservar a própria autoridade”.

A declaração do secretário do Conselho de Segurança da Rússia Nikolai Patrushev sobre as causas do colapso da URSS é nela e por si mesma muito esclarecedora. Mostra que a liderança russa não apenas compreende corretamente as razões daquela catástrofe, mas tem a vontade política indispensável para responder aos desafios internos e externos. Quanto a isso, sua avaliação da atual situação na Ucrânia é particularmente indicativa.

Durante toda a era Putin, Nikolai Patrushev sempre foi um dos mais importantes líderes nacionais russos. Começou por assumir o lugar de Putin na direção do Serviço Federal de Segurança da Federação Russa (ru. FSB, órgão que substituiu a KGB), e ocupou por oito anos o posto de secretário do Conselho de Segurança.

Ao longo dos últimos quatro anos, o Conselho de Segurança foi-se convertendo na principal instituição coletiva de governança na Rússia. Entre seus membros estão os chefes militares e de segurança e ministros do bloco presidencial, além dos presidentes das Câmaras legislativas.

O Conselho de Segurança lida com conjunto muito vasto de problemas, mas, além disso, Patrushev é um dos quatro cabeças que definem e mantém o curso do país na arena internacional, ao lado de Putin, Sergey Ivanov e Sergey Lavrov. No ocidente, Patrushev é tradicionalmente pintado como “falcão”, mas nada é além de realista sóbrio e homem sem ilusões sobre o “projeto” atlanticista [que quer a integração do país ao “ocidente”, sob o “comando” dos EUA; opõe-se aos “eurasianos soberanistas”, na expressão do Saker, que querem a integração da Eurásia para constituir outro polo, em mundo multipolar (NTs)].

E entre os quatro citados acima não há divisão entre “falcões” e “pombos”, como se vê nos EUA, assim como não há desacordos fundamentais no que tenha a ver com a situação internacional e os objetivos da Rússia. Mas, dos quatro, Patrushev é o que mantém perfil de menor exposição pública. Explica-se pela sua natureza, o tipo de homem que é e por sua biografia, e também pela posição que ocupa no Estado, e que não lhe permite deixar-se distrair com cerimônias e discursos rituais. Por tudo isso, Patrushev serve-se de entrevistas para divulgar suas ideias sobre o país. Mas continua extremamente cuidadoso nas declarações e edita todas as entrevistas depois de redigidas, para remover qualquer formulação que lhe pareça descabida. Também por esse procedimento, pode-se ter certeza de que o que é afinal publicado é realmente o sumo importante do pensamento do entrevistado, mais do que do entrevistador –, como tão frequentemente acontece em entrevistas jornalísticas no ocidente.

Isso, precisamente, é o que acontece na entrevista que Patrushev concedeu, na 3ª-feira, ao jornal Moskovskiy Komsomolets (ru.).

A discussão pós-entrevista ficou centrada nas palavras dele sobre como os EUA, para alcançar dominação global, têm de enfraquecer a Rússia o mais que possam, “e não se deve descartar que trabalhem diretamente com o objetivo de desintegrar a Federação Russa”.

Patrushev disse que “Washington acredita que, sendo necessário, pode servir como catalisador daquele processo”, o que “daria aos EUA acesso à enorme riqueza, em recursos naturais, que, na avaliação dos norte-americanos, a Rússia não mereceria ter”.

É declaração importante, porque define abertamente os objetivos estratégicos do adversário. Mas não traz nenhuma novidade absoluta, porque o mesmo Patrushev já disse isso por várias outras vezes.

No período pós-Crimeia, todos os membros da alta liderança, de Putin a Lavrov, tornaram-se mais, ou menos abertos nas críticas às ações dos EUA. Não porque tenham aprendido alguma coisa nova sobre os planos de Washington, mas porque o relacionamento com os atlanticistas entrou no estágio do conflito geopolítico direto.

Até o extremamente reservado Patrushev fez várias declarações bem duras – mas, afinal, guerra é guerra. Enquanto isso, o Kremlin continua a destacar que não foram os russos que começaram o confronto com os EUA. Patrushev faz lembrar mais uma vez que “os EUA iniciaram o atual conflito. E a Europa submeteu-se ao que os EUA determinaram; e, para neutralizar os membros ‘abertamente’ independentes da OTAN (França, Alemanha e Itália), Washington está usando com habilidade a orientação anti-Rússia nos países do flanco oriental da OTAN”.

De fato, a pressão começou sobre a Rússia em 2011, com as “revoluções coloridas” e os preparativos para as eleições presidenciais na Rússia. Washington não queria saber da volta de Putin, e começou a interferir abertamente em assuntos internos de nosso país. Depois de fracassar, sem conseguir impedir a eleição e a posse de Putin, os EUA passaram a reforçar então a política de contenção da Rússia e de “cercar o país”. E isso, logo depois, levou ao golpe na Ucrânia.

Sobre o conflito na Ucrânia, Patrushev não disse apenas que “a sociedade internacional deveria agradecer-nos pela Crimeia. Graças ao que fizemos ali, muito diferente do que foi feito no Donbass, não houve nenhuma morte na reincorporação da Crimeia”. Patrushev também ofereceu sua visão sobre o futuro da Ucrânia, no trecho que traz as duas declarações mais importantes da entrevista.

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia disse, de fato, que se Kiev continuar no curso em que está hoje, a Ucrânia deixará de existir. Não é ultimato ou ameaça: é simples constatação de um fato. É também uma explanação de como o Kremlin avalia a situação da Ucrânia e de nossa estratégia para aquele estado.

“Nesse momento, a Ucrânia é governada por prepostos dos EUA que implementam o desejo de forças externas que querem afastar a Ucrânia, da Rússia, cada vez mais. Esse é curso absolutamente sem futuro. Se não for alterado em breve, levará ao total colapso da economia ucraniana e à desintegração do país. Sobretudo, a Federação Russa e a Ucrânia são povoadas por, de fato, uma única nação, que está dividida. A Ucrânia inevitavelmente passará pela experiência de repensar o que está acontecendo hoje. Relações normais entre nossos países podem, eventualmente, ser restauradas”.

Não, Patrushev nada disse que sugira que o Kremlin trabalharia sobre a hipótese de que os dois países serão inevitavelmente reunificados no futuro. Nada disse, nem teria por que dizer isso, menos ainda agora, quando as chamas dos dois conflitos – o interno na Ucrânia e o conflito Kiev-Moscou – estão sendo tão ativamente infladas de fora e por dentro.

Não há motivo algum para dar, não importa a quem, subsídios para acusar a Rússia de expansionismo (a reunificação do povo russo e do território russo não é assunto para discussão fora do país, não importa que o ‘interlocutor’ tente impor-se). Hoje, a primeira questão é repelir o ataque que deu aos atlanticistas o controle de Kiev, ao mesmo tempo em que se luta para impedir que os atlanticistas construam uma muralha que venha a separar a Rússia da União Europeia.

Sim, Patrushev menciona que “estamos interessados em preservar a Ucrânia como país unificado e não estamos interessados em que o país seja rachado. Acreditamos que os Acordos de Minsk têm de ser integralmente implementados. A questão é se Kiev está preparada para tudo isso”.

É perfeitamente verdade – a Rússia não quer a Ucrânia quebrada, porque levaria a mais derramamento de sangue e complicaria, embora não a impeça, a futura reunificação com a Rússia. Mas para deter a desintegração da Ucrânia hoje em andamento, é preciso rejeitar o modelo pelo qual a “Ucrânia não é parte da Rússia, mas parte da Europa” (o modelo atlanticista, de orientação anti-Rússia). A atual elite ucraniana rejeitará aquele modelo? Não. Assim sendo, todos os aspectos apontam cada vez mais para o cisma ucraniano.

Por enquanto o Donbass, que está sobre patrocínio e proteção da Rússia, terá de esperar que chegue a hora de reintegrar a Ucrânia como a Malorossia [“Pequena Rússia”] e a Novorrússia.

A referência à “nação ainda dividida” indica que Patrushev partilha a visão de Putin – de que há um grande povo russo, do qual os “ucranianos” são parte e que será reunido. Naturalmente, não diz como nem quando, porque não se pode adivinhar o futuro; mesmo assim, é crucial que a liderança russa trabalhe com o pressuposto de que há um só povo russo e busque a união de todos os russos. A estratégia e as táticas do Kremlin foram e continuam a ser decididas com vistas a alcançar esse objetivo.

Essa política em nada se beneficiaria de excessiva publicidade e só alcançará sucesso se as pessoas que a conduzem se movimentarem sob a firme convicção de que seja a política mais acertada e não tenham medo de tomar decisões. E a questão da responsabilidade dos governantes é, precisamente, tema do segundo pronunciamento mais importante nessa entrevista.

Respondendo uma pergunta sobre a expectativa dos EUA de que a Rússia venha a consumir todos os seus recursos econômicos e renda-se, Patrushev disse que somos país autossuficiente, que pode prover aos próprios cidadãos tudo de que precisem para viver. Na sequência, passou a analisar paralelos que se observam entre o que se passa hoje e o que se passou há um quarto de século:

[Patrushev]Você me perguntou sobre o colapso da URSS. A União Soviética não colapsou por causa de problemas econômicos ou na economia soviética. O que aconteceu foi que os líderes soviéticos simplesmente perderam a cabeça, enlouqueceram. Deixaram de compreender o que tinham de fazer e por quê; não conseguiram ver ou criar saída à frente que superasse os problemas da União Soviética. E o mais grave e decisivo para aquele colapso: a liderança soviética não assumiu a responsabilidade que lhe cabia.

Os últimos líderes soviéticos esqueceram o mais importante princípio do que significa governar um Estado: o governante que toma uma decisão responde por ela. Relembre, por exemplo, a decisão de enviar tropas à Geórgia ou a Lituânia. Será que alguém realmente crê que teria acontecido como aconteceu, por decisão tomada no comando local? Não é possível. Não é explicação séria”.

[Entrevistador] – Concordo que não seja séria. Mas o que isso tem a ver com os problemas econômicos da URSS ou da Rússia contemporânea?

[Patrushev] – “Tem a ver muito diretamente, porque nesse primeiro caso o que se tem é a decadência do sistema de governança do Estado. A liderança da URSS não manifestou qualquer vontade política quando ela era mais necessária, não mostrou qualquer senso de convicção, de autoconvencimento profundo, de confiança em sua própria capacidade para preservar o país; e não tomou as necessárias medidas econômicas.

Hoje, as lideranças russas que comandam o país já comprovaram mais de uma vez que têm forte vontade política e que têm as indispensáveis capacidades para preservar e fortalecer o desenho constitucional, a soberania e a integridade territorial do Estado russo.”

Patrushev, portanto, observa muitíssimo corretamente que o colapso da URSS nada teve a ver com crise econômica, mas, isso sim, com o comportamento irresponsável dos governantes, que levou ao colapso, não da União Soviética, como se o problema tivesse sido os sovietes ou o comunismo, mas do sistema de governança do Estado.

De fato, apesar da inflexibilidade da economia planejada, a Rússia não foi destruída nem pela queda dos preços do petróleo nem, sequer, por reformas econômicas alucinadas, sem qualquer sentido.

O país foi destruído pelo vai-não-vai para todos os lados e para lado algum, pela ausência de visão estratégica, pela fraqueza e pela covardia de Gorbachev, que era quem governava o país naquele momento.

Tendo iniciado a reforma do sistema econômico e político antes de ter construído plano estratégico coerente, tão logo as reformas começaram a gerar mais problemas que soluções, Gorbachev assustou-se e meteu os pés pelas mãos. E daquele momento em diante – cercado por intrigas e dedicado a promover ‘mudanças’ sem qualquer rumo nos quadros mais altos do governo –, Gorbachev consumiu todas as próprias forças exclusivamente para preservar a própria autoridade.

Já sem o apoio do partido, deslocou o centro de gravidade na direção dos sovietes e de expandir os direitos das repúblicas, ao mesmo tempo em que sacrificou a posição internacional do país.

Gorbachev nunca foi particularmente brilhante, mas, pela posição, tinha imenso poder executivo. Seus “parceiros” só se rebelaram contra ele em agosto de 1991, quando afinal se descobriu que Gorbachev já avançara a ponto de ter preparado um tratado que transformaria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas numa confederação – desmontando a unidade do Estado russo. De fato, Gorbachev apoiou a (intenção/interesses) dos “parceiros”, depois que se deu conta de que não lhe restava alternativas. Mas Gorbachev apoiou os “parceiros” de tal modo, que lançou às costas deles responsabilidades que, a rigor, não eram deles, mas suas, de Gorbachev.

“Vão em frente”, disse o presidente da Rússia aos que resolveram criar o Comitê Estatal do Estado de Emergência [ru. sigla, GKChP) em 1991. Mas logo no dia seguinte, deu-se contra de que estava sendo deposto, não por causa de intrigas de Yeltsin, mas por causa dos putschistas (golpistas) que o haviam procurado. O que fez Gorbachev? Correu para casa e gravou uma mensagem a ser distribuída por televisão, denunciando que o presidente havia sido “preso” (caso acontecesse).

Irresponsabilidade, falta de visão do que tinha de ser feito, e falta de confiança nas próprias capacidades e habilidades – eis o que pôs abaixo um grande país. Isso é o que o Kremlin de hoje compreende perfeitamente.

E aí está por que Patrushev diz que os governantes, hoje, assumem plena responsabilidade pelo que decidem; que desejam – com vontade política clara – preservar o Estado russo e torná-lo mais forte; que sabem que a Rússia é país autossuficiente; que acreditam na Rússia e, não menos importante, que conhecem e confiam nas próprias capacidades.

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia fala aí, em primeiro lugar e, sobretudo, embora sem citá-lo nominalmente, do presidente Putin, mas também se refere a mais alta instância de governo do país que, precisamente, se reúne no Conselho de Segurança. As políticas econômicas do governo e os debates a elas associados têm, nessas condições, importância secundária.

Sem negar a enorme importância do que está sendo feito e de quais são as preferências macroeconômicas desses ou de outros ministros do Gabinete como um todo,  a autoconfiança bem informada dos que hoje, no Kremlin, traçam a rota da Rússia e a fazem caminhar por ela é, de longe, muito mais importante.

O que se vê hoje é uma equipe coesa, que navega abaixo de tempestade densa, ajudada por um coro de assessores e conselheiros que vão iluminando o caminho, caminhando abaixo do fogo inimigo, rumo a objetivo bem definido, que todos os membros da equipe conhecem e entendem com perfeita clareza. Essa autoconfiança fundamentada, combinada à vontade política, é indispensável para reparar os buracos que nos fazem as balas do inimigo e para enfrentar as tentativas internas para fazer naufragar o navio e reabrir os buracos no casco.

A responsabilidade que o presidente russo aceita, e assume sobre o trabalho bem coordenado de uma equipe de pessoas que tenham visão comum e ocupem os postos chaves – é item imprescindível. E aí está a diferença crucial, entre a Rússia de hoje e àquela que existiu naqueles tristes anos da perestroika.

Porque a Terceira Guerra Mundial está próxima

Por: Paul Craig Roberts

Tradução: Mberublue

O colapso da União Soviética em 1991 deu origem à perigosa ideologia (norte)americana chamada neoconservadorismo. A União Soviética servia como uma espécie de muro de contenção para as ações unilaterais dos Estados Unidos. Com a remoção dessa contenção contra Washington os neoconservadores declararam sua agenda para a hegemonia (norte)americana. A América do Norte seria agora a “única superpotência”, a “unipotência” que poderia agir sem restrições em qualquer lugar do mundo.

O jornalista neoconservador Charles Krauthammer, do The Washington Post resumia desta maneira a “nova realidade”:

 “Temos um poder global esmagador. Fomos designados historicamente como guardiões do sistema internacional. Quando a União Soviética caiu, algo novo nasceu, algo absolutamente novo – um mundo unipolar dominado por uma potência unitária não limitada por nenhum rival e com um alcance decisivo em qualquer parte do planeta. Trata-se de um desenvolvimento histórico impressionante, não visto desde a queda de Roma. Mesmo Roma não é modelo para o que são hoje os Estados Unidos”.

O impressionante poder unipolar que a história deu a Washington deveria ser protegido q qualquer custo. Em 1992 o funcionário do Pentágono, subsecretário Paul Wolfowitz, escreveu a Doutrina Wolfowitz, que viria a se tornar a base da política externa de Washington.

A Doutrina Wolfowitz estabelece que o “primeiro objetivo” da política externa dos Estados Unidos é “precaver-se contra o ressurgimento (ou surgimento) de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética ou em qualquer outra região do globo, que possa representar uma ameaça [para as ações unilaterais dos EUA] na forma antes representada pela União Soviética. Esta consideração deve ser dominante na nova estratégia de defesa regional e requer esforço no sentido de evitar a emergência de qualquer potência hostil que venha a dominar uma região com recursos aptos para, sob controle consolidado, revelarem-se suficientes para a geração de um poder global” (“Potência Hostil” é qualquer país forte o suficiente para ter uma política externa independente dos ditames de Washington).

A afirmativa do poder unilateral (norte)americano começou a ser levada a sério durante o regime Clinton com as intervenções da Iugoslávia, Sérvia, no Kosovo e na imposição e uma zona de exclusão aérea contra o Iraque. Em 1997 os neoconservadores escreveram seu “Projeto para um Novo Século (norte)Americano”. Em 1998, três anos antes dos acontecimentos de 9/11, os neoconservadores enviaram uma carta ao Presidente Clinton exigindo uma mudança de regime no Iraque e “a remoção de Saddam Hussein do poder”. Lançaram ainda seu programa para remover sete governantes em cinco anos.http://www.globalresearch.ca/we-re-going-to-take-out-7-countries-in-5-years-iraq-syria-lebanon-libya-somalia-sudan-iran/5166

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Fotogramas sequenciais do ataque as torres do WTC. NY, 11 de setembro de 2001. Imagem: internet.

Acordou-se que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 seriam apresentados para o público como se fossem “um novo Pearl Harbour”, o que os neoconservadores achavam necessário para que pudessem lançar suas guerras de conquista no Oriente Médio. O primeiro Secretário de Tesouro do Presidente George W. Bush, Paul O’Neil, declarou publicamente que o primeiro assunto na agenda do primeiro encontro em seu gabinete foi a invasão do Iraque. Esta invasão foi planejada antes de 9/11. Desde 9/11 Washington já destruiu no todo ou em parte oito países e agora está em confronto com a Rússia tanto na Síria quanto na Ucrânia.

A Rússia não pode permitir que um califado jihadista seja estabelecido na área que compreende a Síria e o Iraque, porque isso se tornaria uma base para a exportação de desestabilização para as porções muçulmanas da Federação Russa. O próprio Henry Kissinger declarou este fato, o qual é claro o suficiente para quem quer que tenha um cérebro. No entanto os fanáticos neoconservadores insanos no poder que controlaram Clinton e Bush e controlam agora o regime de Obama, estão tão imbuídos em sua própria soberba e arrogância que se prepararam para provocar a Rússia a ponto de ter o seu fantoche turco derrubado um avião russo e manobraram para expulsar do poder o presidente democraticamente eleito na Ucrânia, que tinha boas relações com a Rússia, substituindo-o por um títere do governo (norte)americano.

Com este pano de fundo podemos entender quão perigosa é a situação pela qual passa o mundo por causa da arrogante política neoconservadora para a hegemonia mundial dos Estados Unidos. As falhas de julgamento e os perigos nos conflitos da Síria e da Ucrânia são em si mesmos consequências da ideologia neoconservadora.

Para perpetuar a hegemonia (norte)americana os neoconservadores ignoraram as garantias dadas por Washington a Gorbachev de que a OTAN não se moveria sequer uma polegada para o Leste. Os neoconservadores tiraram os Estados Unidos do Tratado ABM, que especificava que nem os Estados Unidos nem a Rússia deveriam desenvolver ou instalar mísseis antibalísticos. Os neoconservadores reescreveram a doutrina de guerra dos Estados Unidos e elevaram o papel das armas nucleares de uma força retaliatória para uma força de primeiro ataque preventivo. Os neoconservadores começaram a instalar bases ABM nas fronteiras russas, afirmando que estas bases tinham o objetivo de proteger a Europa de uma inexistente ameaça nuclear de ICBMs iranianos.

A Rússia e seu presidente Vladimir Putin estão sendo demonizados pelos neoconservadores e seus fantoches no governo (norte)americano e na mídia. Por exemplo: Hillary Clinton, candidata a candidata à presidência pelo Partido Democrata chamou Putin de “o novo Hitler”. Um antigo agente da CIA clama pelo assassinato de Putin. Os candidatos presidenciais de ambos os partidos estão competindo para verificar quem consegue ser mais agressivo contra a Rússia e quem consegue insultar o presidente da Rússia mais fortemente.

O efeito foi a destruição da verdade entre as potências nucleares. O governo russo aprendeu que Washington não respeita nem as próprias leis, muito menos as leis internacionais e que não se pode confiar em Washington quanto ao cumprimento de qualquer acordo. Esse descompromisso com a verdade, juntamente com a agressão contínua vomitada por Washington e sua mídia prostituta, estupidamente repetida pelos idiotas nas capitais europeias, prepararam o terreno para uma guerra nuclear. Como não há possibilidade de a OTAN (na realidade os EUA) derrotar a Rússia em uma guerra convencional, e muito menos uma aliança entre China e Rússia resta apenas a opção de uma guerra nuclear. A guerra será nuclear.

Para evitar a Guerra, Putin é não provocativo e moderado em suas respostas às provocações ocidentais. O comportamento responsável de Putin, no entanto, é erroneamente interpretado pelos neoconservadores como um sinal de fraqueza ou medo. Assim, eles pressionam o presidente Obama para que ele coloque cada vez mais pressão sobre a Rússia, que a Rússia cederá. No entanto, Putin tornou muito claro que a Rússia não fará isso. Esta mensagem foi enviada por Putin em várias ocasiões. Por exemplo, em 28 de setembro de 2015, por ocasião do 70º aniversário da fundação das Nações Unidas, Putin disse que a Rússia não poderia mais tolerar o estado de coisas no mundo. Dois dias depois, ordenou a guerra contra o Estado Islâmico na Síria.

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“Tzar Bomb”. O maior artefato nuclear já detonado. 57 megatons. Foto: internet.

Os governantes europeus, especialmente da Alemanha e do Reino Unido, são cúmplices nesta movimentação em direção à guerra nuclear. Aqueles dois estados vassalos facilitam a imprudente agressividade de Washington contra a Rússia ao repetir a propaganda enganosa de Washington e apoiando as sanções impostas pelos Estados Unidos contra outros países. Enquanto a Europa continuar sendo nada mais que lima extensão de Washington, a perspectiva do Armagedom continuará a crescer.

Por estas Alturas, uma Guerra nuclear somente poderá ser evitada de duas maneiras. Uma delas é que a Rússia e a China rendam-se incondicionalmente e aceitem a hegemonia de Washington. A outra é que de repente um líder independente da Alemanha, do Reino Unido ou da França esteja à altura de seu gabinete e se retire da OTAN. Isto poderia dar início a uma debandada de países a deixar a OTAN, que é a principal ferramenta de Washington para causar conflitos contra a Rússia e, consequentemente a força mais perigosa no mundo para qualquer país europeu e para o mundo inteiro. Se a OTAN continuar a existir, esta organização, juntamente com a ideologia neoconservadora da hegemonia (norte)americana tornarão a guerra nuclear inevitável.

Paul Craig Roberts – (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

Fonte em Português: Mberublue – Pensar sem enlouquecer.