RPDC lança novo míssil com sucesso

Por: César Antônio Ferreira

A República Popular Democrática da Coréia, mais conhecida como Coréia do Norte, realizou no alvorecer do dia 14 de maio último, o lançamento bem sucedido de um míssil balístico.

Este artefato, considerado como de alcance médio, ganhou o batismo “Hawsong-12” e segundo comunicado oficial emitido teve o seu desenvolvimento ultimado recentemente.

O míssil Hawsong-12 foi apresentado junto com o seu veículo transportador na parada militar realizada em comemoração ao 105º aniversário do fundador Kim Il Sun avô do atual líder Kim Jong Un. O míssil foi disparado na madrugada de 14 de maio, mais precisamente as 04:58 (04h58min), atingindo o apogeu de 2.111,5 km, tendo acertado a área delimitada em alto-mar (mar do Japão) a 787 km de distância do ponto de lançamento. O voo teve a duração de 30 minutos, aproximadamente.

O lançamento realizado com sucesso teve por missão confirmar os parâmetros do projeto, qualificando o vetor como sistema de arma viável, visto que as características de estabilidade, estrutura e resistência compressiva, navegação (inercial) e confiabilidade do motor foguete (sólido) mostraram-se adequadas, ou seja, dentro dos parâmetros esperados.

Observa-se que o teste em questão realizou-se com lançamento visando um apogeu extremo, elevado, com intuito de não alongar distância para a área-alvo, levando em conta, desta maneira, a segurança dos países vizinhos no tocante à navegação aérea e naval..

O míssil Hawsong-12 é capaz de levar uma ogiva nuclear, todavia, não houve por parte do regime a revelação de dados técnicos relativos à carga útil capaz de ser lançada pelo vetor. É interessante notar que o lançamento teve lugar em um local ermo, tendo o vetor sido transportado pelo seu veículo transportador dedicado, realizado em horário singular,  além de o ser acompanhado pelo líder nacional Kim Jong Un, que testemunhou o sucesso do teste.

 

A Coréia do Norte não é um problema

Por: César A. Ferreira

Após mais um teste com o seu submarino lançador de mísseis balísticos, algo que vem a ser um dos pilares dissuasivos do regime norte-americano, diga-se, houve na impressa brasileira, que acompanha a mídia ocidental, um mar de notas sobre a Coréia do Norte e a sua postura “agressiva” contra a sua rival do sul da península. Estas considerações midiáticas, invariavelmente, apontavam para o risco de conflito, que seria iniciado, segundo tais fontes, necessariamente pela república nortista.

Pode-se respeitar a tais análises, mas dar-lhes crédito será uma tarefa mais difícil, pois qualquer um que se tenha debruçado sobre assuntos militares, de defesa, saberá que a formação de um arsenal nuclear tem uma função dissuasiva, e que esta é por injunção lógica natural a sua função primária. De fato, até ao advento dos testes de ogivas atômicas pela república norte-coreana, o que se tinha era uma concentração absurda de pesadas peças de artilharia na fronteira, com vista a obliterar os subúrbios de Seul, caso houvesse a abertura das hostilidades.

A razão da Coreia do Norte buscar sofregamente um meio dissuasivo nuclear tem a ver com a necessidade de o regime tem em conservar-se no poder. A nação voltou a exibir taxas de crescimento, e pretende mantê-la via introdução de capital estrangeiro. O que faz o cenário de conflito algo indesejável. Todavia, o que se vê é justamente o cenário não desejado, porém não recusado, dado que o regime norte-coreano é por demais altivo quando se trata de enfrentar a maior potência do planeta. O arsenal nuclear assume, desta maneira, a salvaguarda do regime, no tocante a sua soberania, como um símbolo de conquista tecnológica, e sem distinção acaba por ensejar uma questão afeita ao debate.

O regime colhe agora um momento econômico favorável, quando comparado com as décadas passadas e não busca suicidar-se em um conflito, que não lhe seria favorável hoje. A Coréia do Sul exibe uma pujança militar a qual o regime de Pyongyang demonstra grave dificuldade em acompanhar. A defasagem é notória no campo aéreo, menor no terrestre e naval, mas lá está, é persistente e pior, crescente. Por isso, a troca de acusações, rotineiras, está afeita ao comportamento de salvar a face, que basicamente pode ser entendido pelos ocidentais como a necessidade de dar a última palavra. O arsenal nuclear, portanto, compreendido no esforço de miniaturização das ogivas, bem como pela concepção de um vetor de lançamento submarino, tem como função assegurar a existência do regime, pautar negociações futuras e questionar a desenvoltura do rival sulista por um custo razoável.