USAF reflete sobre sucessor do F-35

Por: César A. Ferreira

A Força Aérea dos EUA (USAF-ing); concluiu dia 18 último um estudo que versa sobre o domínio do ar para a década de trinta e além, deste século. O estudo prevê as bases conceituais, bem como as armas que deverão compor a nova família de aeronaves de caça, isto, segundo o informante da Agência Reuters, um “Oficial Sênior” da referida Força Aérea, creditado como Tenente General Mike Holmes1 (“Vice Chefe”2 do Estado Maior da Força Aérea dos EUA), em matéria de autoria de Andrea Shalal, com edição de Leslie Adler . O estudo em questão, é importante dizer, precede as análises formais de alternativas, que por sua vez antecede aquelas dedicadas para aquisição de novos vetores. A ser apresentado no próximo mês aos principais pares da USAF, este estudo, por si, revela-se uma “saia justa”.

Dá-se que este estudo aborda, de fato, aquele que será o substituto do F-35, produto da Lockheed Martin Corp., cujo desenvolvimento, marcado por custos astronômicos acabou-se de ultimar. Esta aeronave encontra-se em produção, estando suas primeiras unidades entregues aos seus esquadrões por agora, após 15 anos de desenvolvimento, todavia, os avanços em tecnologia de detecção, por parte da Rússia e da China, forçaram a liderança militar dos EUA a pensar toda uma nova geração de aeronaves de combate para além daquilo que o F-35 representa.

“It won’t be just one airframe that comes out of it. It’ll be a family of systems that helps us make sure we can guarantee the air superiority that the joint force depends on”, afirmou o Tenente General Holmes, após discurso proferido na Air Force Association.

O militar informante deixou escapar que havia a intenção de explorar todo o potencial pertinente às capacidades de guerra eletrônica, como parte do esforço geral na concepção da nova família de aeronaves de caça/ataque. Ora, isto é uma espécie de “revolução” dado que a partir da adoção do perfil “Stealth” em suas aeronaves, o pensamento da USAF era a da penetração passiva, ou seja, sem emissão alguma de frequências, dado que a confiança recaia sobre os perfis antirreflexivos. Agora, maior atenção será dada à guerra eletrônica, justamente o pensamento dominante à leste dos montes Urais…

A matéria de Andrea Shalal traz outras informações. Segundo o oficial informante, a USAF planeja adquirir 62 helicópteros UH-1N, produto da Bell Helicopter (Textron Inc)., para comporem o sistema de segurança dos silos dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM-ing) Minuteman III (LGM-30), bem como para servir ao transporte VIP.

Notas
1 : “Lieutenant General Mike Holmes”.

2: Segundo em Comando.

Severodvinsk: o cabeça da classe Yasen

Por: César A. Ferreira

O submarino nuclear Severodvinsk é o cabeça da nova classe de submarinos de ataque da Marinha da Federação Russa, que o comissionou na data de 30 de dezembro de 2013, do calendário gregoriano, sendo, por óbvio, o primeiro da classe Yasen, ou Projeto 885, que recebe da OTAN a denominação Graney.

Submarino cuja construção iniciou-se em 1993 nos estaleiros Sevmash, foi lançado ao mar no dia 15 de junho de 2010, e iniciou os seus testes de aceitação em 12 de setembro de 2011. Os seus ensaios duraram mais do que 100 dias de mar, no qual se verificou a ocorrência de mais do que 2000 defeitos a serem solucionados. Estes foram variados, envolvendo do desempenho acústico do submarino, aos sistemas de armas. Durante os esforços para solução, executou o submarino um período de ensaios de lançamento subaquático de mísseis de cruzeiro. O Severodvinsk realizou três campanhas de lançamento de mísseis, uma delas resultou em falha, as demais, em sucesso, sendo o alvo móvel naval destruído.

Em conjunto com torpedos pesados e minas, o K-329 Severodvinsk é capaz de portar até 24 mísses P-800 Oniks, também conhecidos como Yakhont (OTAN: SS-N-26), ou Kalibr, também conhecidos como 3M54 Klub (OTAN: SS-N-27). Ambos possuem um alcance da ordem de 300 km, sendo o Oniks consideravelmente mais pesado (3000 kg, contra 2300 kg do Klub), além de mais veloz, com uma velocidade de 2,7 Mach. O Kalibr possui uma velocidade de cruzeiro subsônica, sendo a fase terminal realizada em velocidade supersônica na sua versão 3M54-1. Além destas armas, fazem parte do seu arsenal possível, o afamado torpedo auto-cavitante VA-111 Shkval. Esta arma de 8,2 metros de comprimento e 533 mm de diâmetro, detém a velocidade recorde de 200kts para uma arma subaquática, e atinge alvos distantes até 13.000 metros, sendo a sua cabeça de guerra de 210 kg.

A belonave carrega uma tripulação de 90 especialistas, 58 marinheiros e 32 oficiais. O seu deslocamento, submerso, é da ordem de 13.800 toneladas, e capaz de submergir até a profundidade de 600 metros, as suas dimensões são as de 119 metros de comprimento, boca de 9,4 metros, vela de 4,1 metros (13,5 metros do diâmetro com a vela). Dispõe de eixo único e sua unidade propulsora é um reator de água pressurizada KPM, de 200 MW de potência. No tocante a sensores, além de radares para uso na superfície, exibe um sonar esférico de baixa frequência (MGK-500), grandes sonares de flanco de ultra baixa frequência, além de um sonar rebocado.

O segundo e terceiros submarinos desta classe, Yasen, denominados como Kazan e Novosibirsk, estão em construção, e o total planejado é de oito submarinos, todavia as unidades contratadas somam quatro. Concebido para ser um caçador/destruidor, tanto de submarinos como de belonaves de alto valor militar, apresentando taxas de discrição baixíssimas, possuem sensores extremamente sensíveis. A classe acaba por exibir, todavia, um custo tido como proibitivo, devido à alta exigência e sofisticação, por isso pretendem os executores russos a adoção de uma classe intermediária, mais simples, ainda que menos capaz.

Avakov teria sido recrutado em prisão italiana

Por: César A. Ferreira

Segundo entrevista cedida por Igor Marlov ao Moskovsky Komsomolets, o Ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, é um agente estrangeiro recrutado, no caso, pelos serviços de inteligência italianos. Isto teria se dado quando Avakov esteve preso, por breve período em prisões italianas. Markov afirma com propriedade, que a Ucrânia é manipulada “cegamente” pelos italianos, dado que o “Chefe” do Ministério do Interior da Ucrânia tem o costume de recorrer, constantemente, à sua amizade com o seu homólogo italiano: “Que saiba, o Ministro do Interior, Arsen Avakov, é de fato um cidadão italiano. Ele lá está como grande empresário, proprietário de grandes empresas. Investidor sério com recursos roubados do povo da Ucrânia; Ele comprou uma enorme planta de processamento de laticínios e uma casa no valor de € 14 milhões. Aparentemente ele está a preparar um refúgio para migrar em uma emergência”.  

Fato é que Avakov, tendo sido detido em solo italiano permaneceu encarcerado por menos de duas semanas. O delator, Markov, afirma que isto se deu devido ao recrutamento de Avakov pelos serviços italianos, que por sua vez seguiam instruções dos seus congêneres norte-americanos. Ademais, Avakov, pessoa sem formação jurídica alguma, recebeu como presente político o Ministério do Interior da Ucrânia, onde exerce o seu poder ministerial via… Facebook.  Pode parecer estranho, mas é desta forma que Avakov administra o cotidiano ministerial. O seu desempenho abaixo da crítica, dentre outros fatos escandalosos que o envolve, como molestamento de menores, atestam, segundo o denunciante, um apoio externo a Avakov, algo crível em vista da fragilidade e dependência da Ucrânia como Estado Nacional.

O pouco empenho de Avakov em fazer valer o “Império da Lei”, pelo menos naquilo que foge aos seus interesses imediatos, aliado ao modo caricato de agir, em que exige alinhamento automático indissoluto aos seus postulados políticos, apresenta claramente a característica ambiciosa dos arrivistas. Independente disto, Avalov demonstra pouco tato, mais parecendo um chefe mafioso dado a atos de comicidade explícita, tal como o famoso comunicado via Facebook onde reprimia o uso das fitas de São Jorge por parte dos funcionários públicos:

 “Eu recebi um vídeo mostrando em Lugansk um carro-patrulha com a fita colorida. Fizemos uma verificação. Recebi o relatório do chefe distrital da polícia: ‘Realizamos uma inspeção a todos os carros de serviço. Quem quiser usar outros símbolos, além dos símbolos nacionais nos uniformes e nos veículos, foi convidado a abandonar a polícia e a pendurar suas fitas sem limitações’(.)”.

O denunciante aponta Avakov como corrupto, uma acusação corriqueira, diga-se, para todos os oligarcas ucranianos, acusando ser de origem ilícita todos os recursos que formaram a fortuna de Avakov, avaliada em cerca de US$ 189,000,000.00 em 2014. Uma quantia modesta em termos de oligarcas ucranianos, predadores econômicos vorazes. Paira, também sobre o Ministro do Interior, que na divisão administrativa ucraniana é responsável pela aplicação da justiça, a acusação de ter planejado a morte de um correligionário político, no caso a pessoa de Alexander Muzychko. Isto após a sua conta de e-mail ter sido revelada pela Cyberberkut. Alexander Muzychko foi morto em uma operação policial, e como moeda de troca política, Avakov prometeu “a cabeça” dos policiais envolvidos na ação ao líder político do Setor Direita, Dmitri Yarosh.

Ao leitor pode parecer estranho que uma agência de inteligência tenha se esmerado em recrutar um ser tão caricato e violento, que exibe dentre acusações até a de abuso sexual de menor. Todavia, entre os senhores do poder na Ucrânia isto é comum. O uso da força, se não é legitimado por leis o é pela prática. De qualquer maneira, agência de inteligência alguma deste mundo se pauta por razões morais, mas sim pela praticidade, e recrutar políticos influentes em nações alvo faz parte do manual de qualquer uma digna de ser reconhecida como tal. Além disto, Avakov não é o único político ucraniano de expressão sobre o qual paira a suspeita de ter sido recrutado por uma agência estrangeira.  Igor Kolomoisky, cuja transliteração do seu nome pode também resultar em Ihor Kolomoyskyi, cuja fortuna é avaliada em US$ 1.280.000.000,00, tem sobre sua cabeça a suspeita de ter sido recrutado por uma agência estrangeira: o Mossad. A suspeita recai devido aos extensos contatos que possui em Israel, onde adquiriu imóveis e internou parte de sua fortuna.

Como se vê muitos interesses são atendidos em terras ucranianas, destes quase nenhum, para não dizer absolutamente, versam sobre as demandas populares. Assim, de farsa, em farsa, segue a Ucrânia como “nação independente”.

Aleppo: ponto de inflexão da guerra Síria?

Por: César A. Ferreira

A atitude do ocidente, encimados pelos lamentos da Chanceler germânica Angela Merkel, é elucidativa, lamentos pela iminente derrota das forças insurgentes em Aleppo, disfarçada de preocupação para com os refugiados, preocupação, diga-se, inexistente nos anos anteriores. Em outras palavras, prova maior do alinhamento ocidental com os insurgentes não poderia haver… Independente disto segue a guerra, pessimamente coberta pela mídia do ocidente, brasileira inclusa, omissa quanto aos esforços sírios e russos, em prol da existência da Síria, como nação.

Ao que parece, mesmo em meio ao desespero que a perda de Aleppo possa significar, ou seja, a perda de uma cidade que é um nó logístico vital para o norte e centro da Síria,  baixou nas mentes ocidentais um discernimento mínimo. A proposta ventilada de invasão turca da Síria, parece ter sido substituída por uma invasão terrestre de tropas dos Emirados Árabes Unidos e do Reino da Arábia Saudita. Com isto, evita-se o problema quase incontornável de se ter um membro da OTAN adentrando a um campo de batalha onde vetores russos estão presentes e atuantes. Ademais, pode-se dizer com toda certeza, que os insurgentes são, antes de tudo, uma obra do CCG – Conselho de Cooperação do Golfo…

Não deixa de ser interessante, entretanto, que tanto a Arábia Saudita, quanto os Emirados, atolados no confronto contra o paupérrimo Iêmen, onde suas forças regulares demonstram péssima prontidão e desempenho, se prestem a enviar efetivos superiores a 150.000 combatentes para a Síria, para enfrentar um exército calejado, e suportado pelo atuante grupo aéreo russo. É algo para se pensar, afinal, o contingente árabe, caso enviado, certamente iria engrossar, sem que isso viesse a surpreender qualquer um dos atores da guerra síria, as forças insurgentes. Isto seria o álibi perfeito para que o Irã pudesse enfrentar os sauditas abertamente, ou seja, o envio de forças regulares do reino saudita se refletiria na concretização de uma resposta persa, na forma do envio dos Pasdarán (Guarda Revolucionária Iraniana). Em suma, um agravamento do conflito, que arrastaria os dois contendores regionais: Arábia Saudita e o Irã; é uma impressão minha, ou isto não seria o sonho dourado dos fabricantes de armas, do mercado de petróleo e afins?

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Combatentes curdos do YPG/YPJ dentro de Dayr Jamal. Imagem: internet.

Independente disto, o Exército Árabe da Síria não perde tempo, em conjunto com os seus aliados, a milícia libanesa Hezzbolah e as forças curdas do YPG/YPJ, dão combate sistemático aos insurgentes, sem trégua, nos limites das suas forças.  Ao norte de Aleppo o avanço curdo culminou na conquista da importante localidade de Dayr Jamal, importante entroncamento viário, cuja tomada forçou os insurgentes a se dirigirem do entorno de Kiffin, para Kafr Nayah. Kiffin já é um alvo das tropas do Exército Árabe da Síria, que persegue este destino provindo do sul. Dar combate em Kiffin não é para os insurgentes uma posição confortável, posto que estão desequilibrados pela sombra dos combatentes curdos em Dayr Jamal. Assentar-se em Kafr Nayah, como linha de resistência, tampouco, posto que o eixo subsequente do avanço das formações do YPG/YPJ aponta, justamente, em direção de Taall Rifat, localidade de grande importância e mais distante. Postar-se em Kafr Nayah seria uma posição de custosa defesa, visto que poderia sofrer um acosso por eixos diferentes: Khirbat al Hayat e Dayr Jamal.

Outra localidade capturada e de grande importância tática é Maraanaz, que juntamente com as também recentemente capturadas Al Alqamiyeh e Ajar, permitiriam uma mudança do eixo ofensivo, infletindo as forças provindas de Al Alqamiyeh/Ajar, aquelas de Maraana em um ponto convergente: a base aérea de Minaq (Menagh). É importante lembrar que o encontro das forças do EAS – Exército Árabe da Síria, com aquelas da milícia Hezzbolah, havido na captura das localidades de Niblo (também traduzida como Nubbol, Nubbal, ou Nübel) e Zahran (também nominada como Al-Zahraa, Zaharan, ou az-Zakhra), que se deu dias atrás, foi o ponto nevrálgico desta ofensiva, pois cortou a via de acesso logístico que ligava a Turquia à Aleppo. Neste presente momento, o EAS e o Hezzbolah, alargam o corredor compreendido entre Niblo e a cidade industrial de Sheik Najjar, enquanto avançam no eixo de Kafr Nayah.

O eixo do avanço em direção a Kiffin, desequilibra a posição insurgente em Kafr Nayah, abrindo caminho para Taall Rifat, que seria, então, um objetivo perseguido por duas frentes, a do exército, provindo do sul e do YPG/YPJ, que se lançaria a partir de Dayr Jamal. O objetivo final seria Azaz, nodo logístico importante para o abastecimento de todas as frentes insurgentes ao norte de Aleppo.

Na região próxima a Aleppo, propriamente, espera-se a formação de dois pequenos cercos, um deles formado a partir da conquista da base de Kuweires, com uma ponta Barlehiyah e a outra pinça provinda de Shamir, ambas convergindo em Suran. Esta ofensiva deverá ocorrer nas próximas horas…

Outra, cuja execução seria de extremar dificuldade, necessitaria da conquista de Ard Al Mallah, tendo o ponto de convergência em Kafr Hamra, com a outra pinça partindo da cidadela de Aleppo… Percebe-se, pois, a dificuldade da execução, pois a pinça que partisse de Ard Al-Mallah teria o seu flanco muito exposto, e a aqueles da cidadela de Aleppo teriam uma frente urbana marcada por edifícios destruídos, ou semi-destruídos, como obstáculo defensivo a ser vencido ante a arrancada. Em suma, o mapa lhe diz uma coisa, o terreno outra.

Entende-se o desespero ocidental…

Atenção: entre a redação desta matéria e a publicação deu-se a queda de Kiffin. A localidade foi capturada por ação empreendida pela 154ª Brigada do Exército Árabe da Síria, em conjunto com a 4ª Divisão Mecanizada, ambas as formações apoiadas por infantes da milícia Hezzbolah. A 4ª Divisão Mecanizada é uma formação histórica do EAS, com um histórico de combates que vai do Líbano ao Golan. Além disto, a ação que visa o cerco a partir de Barlehiyah, já se iniciou.

LAR – Lancha de Ação Rápida

A presente matéria foi por mim redigida e originalmente publicada no site Portal Defesa, na data de 01.05.2015; local onde permanece com maior riqueza de imagens.

LAR – Lancha de Ação Rápida

Por: César A. Ferreira

No campo informativo, sobre aquilo que versa sobre Defesa, as armas como mísseis, aeronaves supersônicas, submarinos e carros de combate são aqueles que galvanizam a atenção do público em geral, devido ao desempenho superlativo desses sistemas, impositivo no campo de batalha, além da impressão de poder que transmitem.  Entretanto, cada teatro operacional traz consigo particularidades, por vezes únicas, que exigem a concepção de meios simples, porém essenciais, para que se possa travar o combate e levar temor ao inimigo. Este é o caso do meio fluvial, do conflito ribeirinho, onde lanchas se fazem tão necessárias como a água, ou o pão…

Tendo em mente as condições amazônicas, a Marinha do Brasil concebeu e produziu nas instalações da Base Naval Val de Cães, Organização Militar da Marinha do Brasil subordinada ao Comando do 4º Distrito Naval, sediada em Belém (PA), a LAR – Lancha de Ação Rápida, com o objetivo de proporcionar aos fuzileiros navais e demais forças da nação de um meio capaz de levar adiante grupos de combate em braços de rios e ribeirões. Dotada de um casco planador em alumínio naval, possui resistência e uma autonomia para operar a 200 milhas de sua base. É capaz de levar além do oficial náutico, outros 14 combatentes armados, que graças a facilidade para abicagem da LAR, podem desembarcar com presteza e agilidade, minimizando desta maneira as possíveis baixas por fogo inimigo.  A motorização escolhida é Volvo Penta KAD-43P/ DP, com  230 hp, a diesel, proporcionando a embarcação 35 nós em perseguição e 25 nós em cruzeiro com carga plena.

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LAR – Lancha de Ação Rápida, modelo de cabine fechada. Foto: R7.

A LAR possui duas versões: cabine aberta e fechada. A versão de cabine fechada possui proteção balística para todos os ocupantes, sendo a sua concepção voltada para o trabalho de policiamento, fiscalização naval e disciplinamento do tráfego fluvial realizado por meio de vistorias nas embarcações fluviais, que recebem ordem de parada para abordagem. Dado que em algumas abordagens de embarcações suspeitas podem resultar em disparos repentinos por parte dos meliantes, contrabandistas e outros que se veem desnudados da sua “cobertura civil”, a Marinha do Brasil, pensando na proteção dos seus tripulantes e combatentes projetou uma cabine fechada revestida de blindagem à base de polímero, no caso, de polietileno de ultra-elevado peso molecular (UHMWPE), que oferece proteção de nível III, e atende a norma ABNT NBR 15000. Assim protegidos pela estrutura da lancha, que possui seteiras, os combatentes impõem uma situação de pronta resposta, imunes que estão a uma ação de surpresa por parte do revistado, evitando assim uma ação de inopino da parte deste, garantindo a realização da missão da melhor maneira possível.

A versão fechada possui o posto do condutor da lancha à frente, com os combatentes dispostos atrás, em fileiras, dotadas de blindagem transparente e seteiras. A Marinha do Brasil dispôs desta lancha no Lago de Itaipu, Rio Paraná, onde se fez presente em operações do Ministério da Defesa e em outras ações em favor do Ministério da Justiça, tais como “Fronteira Sul”, “Ágata” e “Sentinela”. Já a versão de cabine aberta, anterior, exibe extrema agilidade e é vocacionada para o assalto ribeirinho, dado a velocidade e o baixíssimo calado, típico do casco hidrodinâmico planador, que proporcionam, também, grande manobralidade e estabilidade, necessárias para os combatentes embarcados efetuarem fogo contra o inimigo.

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LAR, modelo de cabine aberta, dedicada ao assalto. A lancha da imagem está dotada de uma metralhadora frontal. Foto: R7.

As características da LAR, são as que seguem:

Comprimento (total):  7,55 metros.

Boca (Máxima): 2,30 metros.

Calado: 40 centímetros. Com a Bolina, 60 centímetros.

Deslocamento (padrão): 3 toneladas.

Deslocamento (leve): 1,3 toneladas.

Tonelagem bruta de registro: 3,2 toneladas.

Tanque de Óleo Diesel: 500 litros.

Velocidade máxima: 35 nós.

Velocidade de cruzeiro: 25 nós.

Raio de ação: 200 milhas.

Autonomia: 1 dia distante da base (24 horas).

Extensão máxima de percurso: 400 milhas.

Motor: (1) Volvo Penta KAD-43/DP.

Potência: 230 hp.

Equipagem: 1 piloto náutico e 14 combatentes, ou dois tripulantes e 13 combatentes.

Radar de Vigilância BRADAR SABER M60

Esta matéria foi redigida originalmente para o site Portal Defesa e publicada na data de 08.09.2014.

Por: César Antônio Ferreira

A Embraer Defesa & Segurança, por meio da sua subsidiária, BRADAR, demonstrou na última mostra BID BRASIL o seu carro – chefe: o radar de vigilância de campo contra incursões de baixa altura BRADAR M60. O radar em questão é desmontável, capaz de ser transportado por veículos off-road leves, caso do Agrale Marruá AM-21 (3/4 ton), pois o peso total do conjunto é pouco maior do que 364 kg, ocupando 15 minutos de trabalho de uma equipe de três especialistas para ser montado. O radar é capaz de ser montado em qualquer tipo de terreno e opera sobre severas condições climáticas, exibindo flexibilidade e robustez.

A importância de dotar o Exército Brasileiro de um radar de vigilância e varredura de alvos aéreos, notadamente incursores de baixa altura, está refletida na recente cadeia de eventos do leste ucraniano, onde a Força Aérea da Ucrânia sofreu baixas exorbitantes entre as suas aeronaves de ataque disponíveis em rampa, devido a insistência em ataques à baixa altura, contra uma força dotada de um respeitável estoque de MANPADS e de canhões de tiro rápido. O radar de vigilância avisa aos artilheiros a direção da ameaça, preparando-os para o combate. Esta é a função do radar SABER M60.

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Antena rotativa do Radar Saber M60, desdobrada no Campo. Foto: internet.

O SABER M60 é um radar 3D, ou seja, é tridimensional, de estado sólido, modular e Pulso Doppler, possui a capacidade de rastreio de até 40 alvos, simultâneos, que por ventura estejam dentro do seu alcance de detecção. O cilindro que representa o seu alcance de detecção compreende um raio de 60 km de distância, com altura de até 5 km. Opera na Banda L (Frequência de 950 MHz a 1450 MHz, com Comprimento de Onda de 23 cm), sendo capaz de distinguir se a ameaça é um vetor de asas fixas (caça – bombardeiro), ou rotativas (helicóptero).

O processamento dos sinais é digital, e a interface do sistema é amigável, baseada que é em arquitetura aberta (Linux), portanto, adaptável às necessidades e requerimentos dos clientes, passível de ser instalado em computadores portáteis, exibindo a notável robustez do software. A transmissão se dá por cabo, ou conexão segura de rádio. Estes dados são enviados, recebidos e trabalhados por um COAAe – Centro de Operações de Artilharia Antiaérea, que é um módulo transportável, equipado com equipamentos de radiocomunicação, comando e controle, interceptação e monitoramento, que permite ao operador uma centralização de dados em vista de facilitar a consciência operacional. O COAAe dispõe de facilidades como telas de LCD, computadores, roteadores e ar-condicionado, entre outros.

Especificações Técnicas

Características físicas

Peso Total: 364,25 kg.

Comprimento Total em Operação: 3,20 m.

Largura Total em Operação: 3,20 m.

Altura Total em Operação: 2,85 m.

Alimentação do Sistema

Bateria: 28V, CC.

Comercial: 90-230V, CA, 50-60 Hz.

Gerador: Customizado (orgânico).

Radar

Alcance: 60 km.

Teto Máximo Aproximado: 5000 m.

Rotação da Antena: 7,5 ou 15 RPM.

Transmissor

Tipo: Estado Sólido; Pulso Doppler.

Frequência:Banda L.

Potência Média: 50 W.

Potência de Pico: 500 W.

Processamento de Sinais

MTI: Digital.

Rússia realiza 311 surtidas em 11 dias

Por: César A. Ferreira

A mídia brasileira, notadamente aquela não especializada, tende a refletir e emular a mídia empresa do ocidente, motivo este que explica a ausência do esforço russo na síria, passado o impacto inicial das primeiras e espetaculares ações. Entretanto, repete, vez por outra, as ações da USAF, ou dos Rafales da Armée de l’ Air, ou da Marine Nationale. É de assombrar que tão parcas ações tenham tamanha repercussão, mas compreensível, quando lembramos que a preguiçosa mídia brasileira se compraz em reproduzir as notas da Reuters, AP, UPI, DW, FP…

Motivo outro não há, portanto, para a ausência da notícia última sobre a guerra na Síria, no tocante ao que envolve o efetivo aéreo da Federação Russa desdobrado na Síria, notadamente na base aérea de Hmeymin. O informe destaca, simplesmente, que nestes primeiros 11 dias de 2016, a VKS, Força Aeroespacial da Federação Russa, realizou nada mais, nada menos do que 311 surtidas que resultaram na destruição de 1097 alvos e instalações de insurgentes extremistas islâmicos em território sírio. Isto resulta em uma média de 29 missões diárias, o que para um efetivo reduzido como é o russo corresponde a um feito notável.

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Su-24M2 com Afterburner ligado rola pela pista para dar início a mais uma surtida noturna. Foto: internet.

Dentre os alvos, o Estado Maior da VKS listou as instalações para refino e estocagem de óleo cru, infraestrutura em poder dos extremistas insurgentes, tais como depósitos e pátios, locais de concentração de combatentes e de caminhões cisternas, bem como de equipamentos militares. Segundo informações do Tenente General Sergei Rudskoy, as armas do Exército Árabe da Síria efetuam neste momento uma ofensiva vitoriosa em cinco províncias, a saber: Latakia, Aleppo, Homs, Hama e Raqqa. O número de localidades libertadas, cidades, vilas e vilarejos, somam mais de que 150.

O Exército Árabe da Síria, em conjunto com unidades aliadas do Hezzbolah, além de um número não especificado de voluntários iranianos, aos quais agregam as forças curdas do YPG/YPJ, estas últimas notadamente ao norte, realizam operações distintas em várias partes do país. Na província de Latakia, o objetivo principal foi a conquista e ocupação das elevações características do local, que dominam as vias de acesso em direção à fronteira com a Turquia, bem como o avanço em direção a fronteira propriamente dita, selando assim a passagem fronteiriça e desta forma asfixiando naquela área o fluxo de abastecimento dos insurgentes. O objetivo estratégico e comprimir e cercar as forças inimigas de encontro com as tropas curdas, mais além. Na província de Allepo, segue o grande movimento de pinça ao sul da cidade do mesmo nome, enquanto os combates prosseguem na zona urbana com vistas a aumentar a =área em poder governamental, já na província de Homs, o destaque ficou por conta da retomada da cidade de Mahrin.

Outro dado interessante é o aumento de efetivos do Exército Árabe da Síria. A partir do início da intervenção do efetivo aéreo da VKS houve de maneira crescente, mas contínua, um engrossar de fileiras nas forças governamentais. Além da Brigada de soldados cristãos, outra brigada, esta de mulheres combatentes, foi formada. Ao que parece, a injeção de ânimo provocada pela presença russa foi primordial, para que jovens sírios passassem a vislumbrar a possibilidade de vitória contra a barbárie, e desta maneira trocar a fuga pela luta.

Para quem não tem ideia de quão pequena é a presença russa, segue uma lista do efetivo aéreo:  8 aeronaves SU-24M, e 3 aeronaves SU-24M2, 10 SU-25 SM, 2 SU-25 UM, 4 SU-30 SM, 4 SU-34 (acrescidos de outros seis), 12 helicópteros de ataque modelo Mi-24P  (acrescidos de unidades Mi-35M)e 3 Mi-8 AMTsh.  Para se ter uma ideia mais ampla, pode-se visitar a matéria O Esforço Russo na Síria.

Isso e nada mais.

Para se ter uma ideia mais ampla, pode-se visitar a matéria O Esforço Russo na Síria.

Inteligência russa caça chechenos no exterior

Federação Russa é a suspeita de efetuar assassinatos flagrantes no exterior, principalmente na Turquia.

Por: César A. Ferreira

Não importa o que digam sobre as ações de inteligência nestes tempos modernos, tal como as afirmações de que são as análises de interceptações eletrônicas a prioridade, ou a razão de existir das agências atualmente, o fato é que como antes, da antiguidade aos nossos dias, a inteligência efetuada por operadores é, e sempre será fundamental.

A antiga KGB, como se sabe, era mestra em trabalhar com o elemento humano. Ao que parece tal habilidade não foi esquecida pelas suas agências sucessoras, herdeiras do serviço de inteligência, a FSB (Serviço Federal de Segurança) e a SVR (Serviço de Inteligência no Exterior), além da igualmente eficiente e aparentemente eterna GRU (Inteligência Militar).  Dentre as atribuições da inteligência, aparte a óbvia coleta de informações, está a eliminação de personagens chave, cujo desaparecimento se faz necessário para o bem do Estado.  Os serviços de inteligência eslavos sempre foram reputados neste pormenor, não que fossem os ocidentais ineptos, ou desatenciosos no tocante à eliminação de indesejáveis, mas, fora o trabalho efetuado pelos serviços soviéticos aqueles que receberam a atenção da história, sendo o exemplo maior o assassinato de Trotsky por Ramón Mercader.

Os serviços atuais, FSB/SVR mostram-se muito atuantes nesta modalidade, como visto no caso Alexander Litvinenko (Alexander Valterovich Litvinenko), ex-coronel da FSB que havia desertado para o “Ocidente”. Foi alcançado pelo longo braço dos seus ex-colegas no Reino Unido ao tomar um simples chá verde… Batizado com Polônio! A morte de Litvinenko, foi um recado, pois o Polônio é um elemento radioativo mortal quando em contato com tecido vivo, visto que basta uma micrograma para matar uma pessoa com oitenta quilos de peso, emissor de partículas alpha, pode por isso ser transportado com facilidade, visto que as partículas alpha são facilmente contidas, um frasco simples já é suficiente… No caso de Litvinenko a morte lhe foi servida na forma de um adoçante… Dado o fato que o Polônio 210 possui uma vida de apenas 138 dias, e que a sua obtenção, em função da sua raríssima ocorrência na natureza deriva do intenso fluxo de neutros sobre o Bismuto (Bi-209), percebe-se que a intenção era dar um recado: que o Reino Unido era incapaz de proteger quem quer que fosse.

Não é um assombro, portanto, que haja operações para eliminação de inimigos declarados da Federação Russa, e que muitas destas ações venham a ocorrer em solo turco. Serviços de informações, como se sabe, acabam por ter maior afinidade em suas ações de uma maneira mais efetiva em algumas nações do que em outras. Os motivos são vários, desde uma identidade cultural próxima, proximidade, ou compartilhamento de fronteiras até a conivência entre governos. É fato, todavia, que os russos sentem-se bem nas operações centradas na Anatólia, e isso desde a Guerra-Fria, quando a unidade política atendia pelo nome de União Soviética e o braço de segurança pelo nome de KGB…  Istambul, como se sabe, é uma capital cosmopolita, com grande fluxo de pessoas/turistas e isto por certo facilita qualquer operação. Portanto, os casos de emboscadas mortais, como a que vitimou Abdulvakhid Edelgireyev, devem ser encaradas, sempre, como de reais possibilidades de ocorrer, independente do tempo, evento, ou mesmo do local.

O assassinato de Abdulvakhid Edelgireyev, diga-se, foi cinematográfico. Em visita a cidade para fazer compras com sua sobrinha, logo após ter adentrado ao carro e acomodado a criança de três anos de idade no assento do passageiro, sofreu uma colisão intencional em seu carro. De imediato abaixou a sobrinha no assento, empurrando-lhe a cabeça entre as pernas, para então empreender fuga e desabrida correria. Todavia, balas são mais rápidas… Crivado, ensanguentou no chão até a chegada dos paramédicos, que só fizeram atestar a sua morte. Cinco perfurações foram contabilizadas.

Abdulvakhid Edelgireyev não era um terrorista qualquer, por anos percorreu as montanhas da Chechênia e do Daguestão, promovendo surtidas rápidas eivadas de sangue. Planejamentos de ataques suicidas em Moscou e no Aeroporto Domodedovo lhe são atribuídos, além disso soma-se a sua participação no conflito sírio, em associação à Frente Al-Nusra. Portanto, percebe-se que Abdulvakhid Edelgireyev não era um alvo qualquer, mas sim de grande valor, o que explica a emboscada, elaborada com a monitoração dos seus movimentos em Istambul, notadamente do seu apartamento em Kayasehir. A escolha do momento para ação é notável: o passeio com a sobrinha de três anos de idade, um momento de estrema vulnerabilidade do alvo, dado a ligação emocional deste para com a criança; algo que comprovou-se no evento. Notável profissionalismo da equipe operativa, não só pela escolha do momento de vulnerabilidade da vítima, mas pela execução rápida e consequente evasão, que se deu em rota pré-planejada, dado a proximidade de uma delegacia de polícia do local escolhido para a emboscada.

Outros alvos foram eliminados em Istambul, o que não surpreende, visto que a cidade tornou-se base para refugiados chechenos, e dentre estes muitos líderes insurgentes. É notória a chacina da casa de chá, 2011, quando três chechenos foram mortos a tiros de calibre não usual, 9 x 39mm, disparados de um fuzil bullpup Groza, arma e munição que não são encontrados com facilidade para serem comercializados nas sombras dos mercados negros. Investigações efetuadas pelas autoridades turcas apontaram a participação de nove pessoas, todas elas ingressas na Turquia com passaportes falsos. Estes, deixados para trás em fuga.

Não só de ações violentas são os alvos vitimados, ações mais sutis são empreendidas para eliminá-los. Dado que existe uma comunidade chechena na cidade, Istambul, uma capital populosa com ares cosmopolitas, a possibilidade de infiltração existe e é aproveitada. O envenenamento de alimentos tem se mostrado como uma modalidade apreciada pelos agentes operativos, tanto, que está foi a forma adotada para eliminar o “emir” Umarov, líder religioso responsável pela conversão de inúmeros jovens chechenos à insurgência armada. Esta, dentre outras ações, acabou por alarmar a comunidade chechena em Istambul, forçando-os a adotar hábitos de discrição e proteção, tal como andar em grupos, abastecer o carro em um postos de combustíveis determinados, em estreita vigilância, restrição de deslocamento pela cidade de membros proeminentes, ou de insurgência ativa na comunidade, restrição esta que se estende aos familiares. Medidas compreensíveis, diga-se, mas pouco efetivas contra os métodos das agências de inteligência, seja de onde for.

Os curdos renegados do Estado Islâmico

Por: César A. Ferreira

Toda história tem dois lados, duas vertentes, narrativas contraditórias, dispersas, poucas vezes convergentes, mas que na maior parte das vezes espelham-se, ou se sobrepõem. O conflito sírio, complexo, não linear, nos brinda com acontecimentos e eventos acima de qualquer concepção ficcional, e como tal, tem-se o caso anacrônico dos membros curdos da jihad.

Os curdos, povo de origem centro-asiática, caucasianos, que lutam por séculos em prol de uma pátria, do solo que lhes permitam serem reconhecidos como Estado-Nação, pelos demais estados do globo. Altivos e ferozes como guerreiros, laicos, ou bem perto disso, igualitários a ponto de terem mulheres em suas fileiras combatentes em pé de igualdade com os homens, possuem também eles, elementos dissidentes, que neste caso, especificamente, significa a adesão aos grupos extremistas islâmicos de orientação wahabbita. Portanto, são curdos que combatem curdos, dado a situação da região.

Agregam-se, principalmente ao Estado Islâmico, outros poucos, a Al-Nusra. São acompanhados de perto pelos líderes curdos, que se informam da forma que podem sobre estes terroristas convertidos. O Governo Regional do Curdistão (KRG) esforça-se para rastrear um número restante de 70 terroristas,  oriundos da adesão anterior de aproximadamente 500 combatentes ao Estado Islâmico, sendo que deste número, cerca de 270 foram mortos em combate contra as forças Peshmerga e combatentes do YPG/YPJ, bem como outros 150, que se renderam aos seus compatriotas. A rendição, neste caso é bastante interessante, dado que se rendem aos seus antigos compatriotas, sendo que o inverso, caso viesse acontecer, não se daria com a detenção, mas com a execução..

Em entrevista cedida ao órgão informativo “Bas News”, o Chefe de Mídia e Comunicação do Ministério de Assuntos Religiosos, Marivan Naqshbandi, afirmou a ocorrência de uma execução de combatentes da jihad, cerca de 31 terroristas agregados ao Estado Islâmico, pelas forças de segurança deste mesmo califado, sob a alegação de serem “espiões” que estariam a colaborar com as forças de seguranças curdas, bem como com forças estrangeiras (iraquianos, sírios, russos e americanos). Um destino assaz irônico, diga-se, para quem traiu o seu povo.

Como informado, restam cerca de 70 a 80 combatentes curdos nas fileiras do Estado Islâmico, a maior parte já veterana de combates, posto que o período de grande adesão de curdos ao EI deu-se em 2014. Ainda assim não se distinguiram em combates, a ponto de gerar algum herói midiático, ou de angariarem respeito por ações extraordinárias em combate. Ao que parece, os curdos valentes se encontram do outro lado da cerca, onde não existem 72 virgens à espera.

Após S-400, americanos evaporam, britânicos paralisam.

Original: Russian Insider (06-01-2015).

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Após a instalação por parte da Rússia de Sistemas de Artilharia Antiaérea de longo alcance na Síria, a campanha de bombardeio dos EUA desaparece e os ataques britânicos tornam-se inoperantes.

A mídia britânica confirma a total paralisação das ações britânicas nos céus sírios. A imprensa dos EUA, informa que a campanha aérea no norte da Síria foi detida, após a implantação dos sistemas antiaéreos russos.

Semanas antes, o Russian Insider publicou um texto em que se afirmava que todo o trovejar flamejante da Grã-Bretanha, ensejada na decisão do governo Cameron em bombardear a Síria, seria de extrema inutilidade, pois a contribuição militar britânica para a guerra na síria seria em termos militares, irrelevante.

Os eventos subsequentes suportam integralmente a opinião do editor. A soma total do envolvimento militar britânico na Síria equivale a três míseras missões de ataque, todas estas realizadas no prazo de cinco dias, contados após aprovação parlamentar que concedeu autorização para tanto. Parece, que não mais que 19 bombas foram lançadas na totalidade dos ataques – menos que a carga de um TU-22M3 portada em um único ataque. E isto levando-se em conta que um Tu-22M3 possa carregar carga de bombas muito mais pesadas que um bombardeiro britânico Tornado.

Todas as bomabas foram lançadas em uma única instalação – o campo de extração de petróleo Omar – alvo bombardeado no mês anterior pelos EUA. Em artigo publicado pelo britânico Daily Telegraph, percebe-se a extensão do fiasco, bem como a confirmação de que não houve ataque de bombardeiros britânicos em solo sírio desde 06 de dezembro de 2015. O fato de todos os três únicos ataques britânicos terem se dado no campo petrolífero de Omar, aliás, evidencia que não podem ter sido aviões do Reino Unidos os responsáveis pelo ataque aéreo sobre a base aérea síria em Deir az Zor.

Russia deploys S-400 air defence missile system in Syria
Sistema S-400 desdobrado no entorno da Base Aérea de Hmeymim, 26-11-2015. Foto: Dmitriy Vinogradov/Sputnik.

O governo britânico não ofereceu explicação alguma que fosse para a ausência de qualquer ataque sobre o Estado Islâmico na Síria, desde o início teórico da Campanha Britânica de Bombardeios. A verdade é que dada a grande extensão dos ataques efetuados pela Rússia, e pelos EUA, a contribuição britânica e aquela da França e Alemanha não passam de ações de cunho simbólico. No entanto, a escala absurdamente patética dos ataques britânicos sugere que há mais do que isso.

O artigo do Daily Telegraph aponta que não é apenas o esforço de ataque britânico que tornou-se virtualmente paralisado. O artigo informa que entre os dias 01 e 22 de dezembro de 2015, a coalizão liderada pelos EUA realizou apenas 148 ataques aéreos na Síria. Isto, comparado às 164 missões de combate realizadas pela VKS (Rússia), durante o período de três dias em dezembro (entre os dias 25 e 28), bem como as mais de 5.200 saídas em missões de combate levadas à cabo desde o início da campanha russa de bombardeio (30 de setembro de 2015).

Afirma o Daily Telegraph que esta ausência de surtidas de bombardeiros norte-americanos e dos seus aliados no céus sírios se dá em virtude da ausência de alvos, além da preocupação, suposta, de evitar danos e vitimar civis. A explicação mais plausível, apesar dos desmentidos, é a atualização por parte da Rússia das defesas aéreas, russas e sírias, ocorridas após o evento da derrubada do Su-24M2 pela Turquia, em novembro. Os russos não só teriam implantado o sistema antiaéreo S-400, mas também fornecido aos militares sírios o avançado sistema antiaéreo BuK, modernizando de forma significativa os dispositivos antiaéreos da Síria.

A presença de “conselheiros” russos assistindo os seus equivalentes sírios é provável, para que os segundos possam operar estes sistemas. Um artigo publicado pela mídia Bloomberg implica a responsabilidade pela operação dos sistemas BuK1 (referidos pela designação de código da OTAN como “SAM-17”) recaindo sobre os ombros dos militares russos.

A Bloomberg expõe que os jatos de ataque dos EUA em missões nos céus sírios foram rastreados e plotados por radares associados ao sistema BuK, fazendo com que os EUA viessem a suspender completamente os bombardeios em um a parte norte do solo sírio. Se assim se deu, então, tal explicação pode ser estendida para a paralisação britânica.

Dada a constatação que a admissão de ser a presença de elementos russos o fator impeditivo do bombardeio dos EUA e da Grã-Bretanha em solo sírio, algo completamente embaraçoso, compreende-se o afã dos representantes dos EUA, consultados pelo Daily Telegraph não os terem citado, e ao invés, emitir desculpas esfarrapadas como dizer que estão a ficar sem alvos. Independente da  verdadeira razão para o fracasso da campanha de interdição britânica, e daquela dos EUA, percebe-se agora, mais claro do que nunca, que os únicos a combater o Estado Islâmico e os demais grupos de Jihadistas na Síria são os russos, os sírios e os seus aliados (Irã), e mais ninguém.

 

[1] Nota do tradutor: 9K317 BuK-M2. Código OTAN: SA-17 “Grizzly”.

Considerações sobre a execução de Ruqia Hassan

Por: César A. Ferreira

Um dos problemas da juventude é a falta de sabedoria. O jovem, por força da natureza acredita ser capaz de tudo fazer, e quando instruído, embebe-se da soberba, da arrogância do absoluto saber, como se incapaz de cometer um erro fosse. Entender-se a si, ao demais e ao mundo a partir de uma observação simples da realidade parece ser algo impossível, vale antes a interpretação modelada pelas crenças próprias. Estes são, entre outros, os pecados da juventude.

Não é de assustar perceber que a maioria esmagadora dos insurgentes islamitas que afligem a Síria e o Oriente Médio, sejam em imensa maioria, jovens. O islã na vertente sunita wahabitta tornou-se a ideologia da contestação deste século XXI, por mais anacrônico que possa parecer. O que assusta, diga-se, é a ingenuidade daqueles que possuem a formação necessária para entender a si, aos outros e ao mundo, ter idade suficiente para aprender com sua vivência, e ainda sim, de maneira típica das pessoas advindas das classes desapegadas ao labor, revoltar-se contra quem lhe permite viver… Este é o caso da bela Ruqia Hassan, assassinada por membros do Estado Islâmico na cidade de Raqqa.

Ruqia Hassan, 30 anos de idade, formada em Filosofia na cidade de Aleppo, dedicava-se a escrever sobre o cotidiano da cidade de Raqqa, submetida pelas hostes do Estado Islâmico. Costumava postar mensagem curtas no Twitter, com o pseudônimo de Nisan Ibrahim, algumas delas com senso de humor fino, quase britânico. Uma delas, por exemplo, dizia: “As pessoas no mercado esbarram umas nas outras… não porque sejam muitas… mas porque têm os olhos colados ao céu(.)” (em virtude dos ataques aéreos). Sua oposição ao Estado Islâmico era declarada, se não explicitamente, ao menos de forma objetiva, tal como na declaração: “Está começando outro ataque aéreo, que Deus proteja os civis e leve os restantes”. Dado a importância que o Estado Islâmico dá aos meios de comunicação e a propaganda, não surpreende que tivessem Ruqia como alvo. Ruqia foi detida e executada sob a acusação de ser uma espiã do Exército Livre Sírio.

De fato, a ilustrada Ruqia Hassan havia aderido ao Exército Livre Sírio, ou seja, ela havia se tornado um membro da oposição em armas à República Árabe da Síria, avessa ao líder Bachar Al-Assad, a quem chamava de ditador… A mesma república, cujo regime permitiu que se educasse e tivesse a liberdade de ir e vir, contrair matrimônio e divorciar-se, adquirir bens, enfim… De viver. Ruqia, apesar de ter estudado filosofia, pouco uso fez do conhecimento adquirido, pois, com a mentalidade pseudo-cosmopolita engrossou a oposição à Assad, na sigla do ELS, cuja função ninguém sabe ao certo, pois diz combater ao Estado Islâmico e ao regime republicano, o que leva a pergunta: combate pelo quê?

Por favor, não me venham com os chavões de sempre, como Democracia, Estado Democrático de Direito e coisas do tipo. No atual estado de coisas da Síria isto é uma piada, e de muito mal gosto. Em termos práticos o Exército Livre da Síria não conseguiu outra coisa do que viabilizar a guerra santa promovida pelos extremistas wahabittas na Síria. Seus guerreiros mudam de lado como quem muda de camisa, e as armas e suprimentos que lhes são entregues pela OTAN, acabam alegremente nas mãos do Estado Islâmico. Não existe meio termo possível, o conceito de “Rebelde Moderado” é um absurdo que só pode ser levado adiante por quem é hipócrita, ou idiota. Neste conflito só existe duas opções: apoio a República Árabe da Síria, e ao seu regime, o que significa uma estrutura estatal e de responsabilidade, ou apoio aos grupos insurgentes, cujo significado é dar suporte ao medievalismo escravagista, perdido no tempo, e expandido via proselitismo do terror.

Ruquia ao aderir ao ESL fez a sua escolha, da qual, talvez, estivesse dolorosamente consciente, ao retratar com viés resignado, ligeiramente pessimista, o cotidiano de Raqqa. Ela que por lá ficou, quando da queda da cidade em mãos dos extremistas do Estado Islâmico, talvez alimentasse no íntimo um sentimento de frustração e amargor, a consciência do erro cometido… Não teve como escolher, preferiu, então, morrer. Sabia do seu erro, que fora de não entender o seu mundo. Por isso retratava o cotidiano de Raqqa, e manteve sua atitude frente às ameaças de morte… Até que ela se consumou.

Não vamos apontar, dizer, afirmar, que foi um ato de coragem. Antes, de resignação. Coragem tem o batalhão feminino do Exército Árabe Sírio, que em armas combatem os extremistas insurgentes, estas sim, independente da formação, do grau de instrução, entendem o seu país, os seus semelhantes e o que se passa no mundo, escolheram, portanto, defender a nação e os cidadãos, mesmo tendo a ciência do destino terrível que lhes aguarda caso sejam cercadas e capturadas. Às combatentes dedico o termo coragem. Merecem.

YaK-130: o LIFT do século XXI

Esta matéria sobre o jato de treinamento e ataque YaK-130 foi por mim concebida, especialmente,  para o site Portal Defesa. Publicada no dia 02.06.2014, trouxe para os leitores um panorama amplo deste projeto, extremamente dinâmico e moderno, que acabou por ser tornar o ícone atual das aeronaves LIFT.

YaK-130: o LIFT do século XXI

Por: César Antônio Ferreira

Gênese

A antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas tinha em mãos no final dos anos oitenta um problema de monta, caças avançados (MiG-29 e SU-27) com capacidade de manobra em ângulos elevados entravam em linha de voo em grande quantidade, todavia, os jatos de treinamento disponíveis não correspondiam em desempenho, e a frota destes em serviço começava descortinar o fim do tempo útil em serviço. Em função desta necessidade a então Aviação Militar Frontal Soviética acabou por lançar em janeiro de 1991, os requerimentos para a substituição dos treinadores tcheco-eslovacos então em uso: Aero Vodochody L-29 Delfin e L-39 Albatroz. Dava-se início para a gênese do Yak-130.

Em resposta ao requerimento quatro propostas foram apresentadas: Sukhoy – SU – 54, Myasishchev M-200, Mikoyan – Gurevich 821 e Yakovlev UTS. Os projetos apresentados eram bem diversos entre si. As propostas da MiG e do redivivo OKB Myasishchev possuíam um aspecto mais convencional, algo surpreendente em se tratando do OKB Myasishchev, enquanto as propostas da Yakovlev e Sukhoy se mostravam ousadas, em especial a proposta da Sukhoy, que empregava pequenos canards, derivas duplas inclinadas e um só motor, Lyulka série Al-31, sem pós combustão. Em sequência, em julho de 1992, os modelos MiG – 821, agora denominado MiG-AT e Yalovlev UTS, foram declarados como selecionados para ensaios. Antes dos respectivos primeiros voos dos protótipos, o projeto da Yakovlev foi declarado como mais promissor.

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Concepção do Yak-UTS. Notar as entradas de ar, circulares e a frente das asas, então dotadas de winglets. Imagem: Yakovlev Design Bereau.

 Ambas as aeronaves realizaram as suas primeiras decolagens em 1996. O MiG-AT realizou o seu primeiro voo em março de 1996, e o Yak-130 em abril do mesmo ano. Os ensaios subsequentes mostraram que o YaK-130 confirmava a impressão que o seu desenho passara, de que era um projeto bem concebido e com um envelope de voo extremamente elástico. Com asas enflechadas, LERX –Loading-Edge Root Extensions, motores eslovacos DV-2S, deriva única alta e afilada, sobressaía-se sobre o seu oponente, que apresentava asas com bordo de ataque reto, deriva convencional e motores franceses Larzac.

Desenvolvimento e a associação entre o Bureau Yakovlev e a Aermacchi.

A URSS findou-se em 1991 e o período que se seguiu foi negro para a grande herdeira, a jovem Federação Russa, como para as demais repúblicas, tanto é assim que a década seguinte à dissolução da URSS é conhecida como Catastroika. Neste contexto, a empresa Aermacchi visava o desenvolvimento de um novo treinador a jato, que pudesse rivalizar com o conceito MAKO, que fora encampado pela gigante EADS. Sendo o projeto Yakovlev promissor, e melhor, em vistas de terminar o seu desenvolvimento, que de fato deu-se em setembro de 1993, a Aermacchi procurou formar uma joint venture com a Yakovlev.

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YaK-130 nos seus primeiros anos. Notar a logo da Aermacchi na deriva do aparelho, que ainda contava com winglets. Imagem: Portal Defesa.

  Firmada a associação, partiu-se para a revisão do projeto, que mudou em pouca coisa visto que a configuração básica do projeto foi mantida, alterando-se o comprimento ao ser encurtado em 41 cm e com a diminuição da envergadura em 94 cm. A aeronave passou a ser conhecida como YaK/AEM-130, com motores ocidentais sendo previstos para equipar a célula. Além disso, os controles, que eram analógicos, bem como os instrumentos, passaram a ser digitais, na forma de mostradores de telas de cristal líquido, multifuncionais. Durante o período vigente da associação, dezembro de 1998, em solo italiano e sob comando de Andrey Sinitsyn, o YaK-130 atingiu pela primeira vez um ângulo de ataque de 41°.

Entretanto, o governo russo exigia, com o intuito de adotá-lo em seus esquadrões, a adoção de motores e instrumentos nacionais, bem como a previsão para uso da aeronave como atacante leve, isto enquanto a Aermacchi pensava no mesmo como um treinador puro. As divergências levaram ao rompimento e o Bureau Yakovlev recebeu como compensação a quantia de US$ 77 milhões, pagos em razão de a Aermacchi permanecer em posse da documentação técnica do projeto. Desta maneira a empresa italiana pôde lançar no mercado a sua versão do avião, batizado como M-346, finalizado com aviônicos ocidentais e motores Honeywell (ITEC F124-GA-200). Uma pechincha, pois os italianos não precisaram passar pela fase dura de concepção e desenvolvimento do projeto, dele participando apenas do refinamento. O divórcio deu-se no mês de dezembro de 1999.

Descrição e características da aeronave YaK-130

O Yakovlev-130 é um aeroplano de asa média com enflechamento de 31° no bordo de ataque, e bordo de fuga, reto. A asa possui recursos para sustentação na forma de slats e flaps Fowler e conta ainda com um extenso LERX que se adianta à frente, junto àsnaceles dos pilotos. A entrada de ar de forma quadrangular com bordas suaves, arredondada na parte inferior, é inclinada e conta com uma vedação de proteção contra a ingestão de objetos estranhos (FOD). Os estabilizadores são integrais, e possuem um dente destacado no seu bordo de ataque, que visa aumentar a corda. A deriva é proporcionalmente alta e enflechada, o que resulta em um perfil característico, próprio da aeronave. O nariz da aeronave, que era achatado nas primeiras versões, acabou por ser afilado, e os assentos são posicionados de forma inclinada, em tandem, e contam com a visibilidade de -16° para a posição dianteira e de 6° para a posição traseira.

 A estrutura é composta por ligas metálicas leves e materiais compostos, estando as ligas metálicas leves compondo a fuselagem, enquanto os materiais compostos, no caso fibra de carbono, se encontram presentes nas superfícies móveis. As superfícies móveis são comandadas por controles digitais assistidos por computador KSU – 130, com redundância quádrupla, ou seja, o YaK-130 é mais uma aeronave a fazer parte do rol FBW (Fly – By –Wire, ou seja, Voo Por Fios, que em linhas gerais significa que os comandos de voo são determinados por impulsos elétricos).

A capacidade militar da aeronave é evidenciada pelos assentos ejetáveis Zveda K-36L-3.5Ya, que são notórios pela qualidade, bem como pelos pontos duros, três pilones por asa, em um total de seis, além dois trilhos para mísseis, um em cada ponta de asa. Somando-se ao ponto central, temos um total de nove pontos para armas e tanques, sendo que o ponto central e os cabides internos de cada asa configuram-se como pontos molhados, ou seja, capazes de receberem tanques externos com combustível.

A aeronave dispõe de uma capacidade interna de combustível de 1.700 kg (3.700 lb). Tanques externos podem ser utilizados nos cabides internos da asa, ou no ponto central. Para os cabides externos a capacidade especificada dos tanques é de até 450 kg (590 litros), por unidade. Com o combustível interno e dois tanques externos a configuração alcança o valor de 2.600 kg (5.700 lb). Existe a previsão para adoção de sonda removível para reabastecimento em voo, com padrão MIL-A-87166, com preparação para operações noturnas.

 No tocante ao desempenho, a velocidade máxima da aeronave é de 1.060 km/h e o teto de serviço é de 12.500 m. O ângulo máximo de ataque é regulado para 35°, entretanto, o YaK-130 já realizou voos com ângulos de 42° em situação controlada. O limite para vento cruzado é de 56 km/h (30 kn).

 A vida útil da célula é prevista para 30 anos, 10.000 horas de voo ou 20.000 ciclos. Conta o Yak-130 com APU modelo TA-14-130 e sistema gerador de oxigênio embarcado (OBOGS – On Board Oxygen Generating System).

Radar

As aeronaves em operação pela VVS não possuem radar, todavia, o fabricante oferece como opção o radar Phazontron NIIR Kopyo-50. Este radar possui como característica a busca e detecção de superficial e encoberta de objetos, mesmo pequenos, como barcos e carros, no seu modo de operação ar-superfície; no modo ar-ar oferece detecção e acompanhamento de até 2 alvos simultâneos, com alcance superior a 50 km, mesmo quando travado contra um alvo sob cobertura do retorno de emissões advindo do solo (retorno de fundo). Interface com miras montadas em capacetes e com mísseis RVV-AE (R-77), R-73E e R-27; no modo de funcionamento ar-superfície, oferece mapeamento de baixa resolução (feixe real), média resolução (feixe Doppler) e de alta resolução (abertura sintética). Além disso, o míssil antinavio Kh-31A também exibe integração com o radar Phazontron NIIR Kopyo-50.

Outra opção que foi citada em publicações especializadas, notadamente aquelas em língua portuguesa, é a utilização do radar Mectron Scipio-01. Este radar interessa ao fabricante por combinar várias características, tais como o pequeno tamanho e os modos variados com que trabalha, como de busca, rastreamento, mapeamento, telemetria, capacidade de rastrear e acompanhar 4 alvos por simultaneamente, detectando alvos aéreos de 5m² em uma distância de 32 km e terrestres com 100m² até 80 km de distância.

 Assentos ejetáveis

Os assentos Zveda da série K-36L-3.5Ya possuem como característica a ejeção segura na faixa de velocidade entre 0 e 1.050 km/h e em altitude de até 13.000 m. Os assentos desta classe preveem ejeção em altitude e velocidade nulas, ou seja 0-0 (V=0/H=0) e rompimento da cobertura transparente plexyglass. O peso do assento é da ordem de 87 kg, incluídos o dossel de seda (paraquedas), sistema de oxigênio de emergência e kit de sobrevivência. A altura do assento compreende a faixa de 681 – 880 mm.

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Zveda K-36L-3.5Ya. Imagem: Portal Defesa.

 Instrumentos

O posto de pilotagem do YaK-130 é moderno, conta com três grande mostradores multifuncionais em telas de cristal líquido, HUD –Head Up Display, e previsão para adoção de miras montadas no capacete System Helmet Mounted, caso seja o desejo do cliente. A aeronave é dotada de receptores para sinais NAVSTAR (GPS) e GLONASS, além de um sistema de referência inercial para navegação precisa. A arquitetura dos aviônicos é aberta (1553 Databus), oferecendo a necessária flexibilidade operacional, reproduzindo desta forma as características existentes nos caças de quarta geração, russos e ocidentais.

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Cockpit do Yak-130. Notar os grandes mostradores digitais. Imagem: Portal Defesa.

O YaK – 130 possui a capacidade de simular o envelope de voo de aeronaves de quarta geração, devido ao seu desempenho e aos softwares que fazem parte do seu sistema de controle de voo. Dotado de um sistema FBW quádruplo, e relação satisfatória empuxo/peso, a aeronave simula as atitudes em módulos de ataque, manobras de dogfight e interceptação, tornando-a singular como aeronave de treinamento.

 Armas

Devido à opção por uma arquitetura aberta e ao uso do barramento 1553, a integração de armamentos ocidentais se vê facilitada. Por isto uma ampla gama de armas podem ser integradas ao YaK-130, tal como os mísseis WVR AIM-9L; Magic 2, Phyton III, IV e V, ou armas ar-superfície como AGM-65 Maverick. Mísseis russos naturalmente fazem parte do arsenal disponível, e entre eles se encontram o Vympel R-73E (designação OTAN AA-11 Archer), e a arma ar-superfície Kh-25 ML (designação OTAN AS-10 Karen), que vem a ser uma arma guiada a laser, para tanto, conta o YaK-130 com um pod Platan ,designador eletro-optico, instalado sob a fuselagem, justamente para permitir o uso de armas guiadas, como a bomba KAB-500 KR, entre as citadas.

As opções para canhões são o pod UPK-23-250 (GSh-23: 23mm) subalar; NSPU-130 (GSh-23: 23mm) sob a fuselagem (ponto central). Ambas as opções comportam 110 cartuchos.

Entre as armas não guiadas o Yak-130 conta com foguetes não guiados B-8M e B-18, bombas de queda livre de 500 kg, 250 kg e 50 kg. Para defesa contra armas de orientação IR (infra-vermelha), o YaK-130 pode ser equipado com pods defensivos UV-23M (26 mm), que são lançadores de chaff/flare.

Motores

O YaK-130 é oferecido hoje ao mercado com duas opções de motorização: Digital Engine Control Progress/Zaporozhye AI-222-25 eDigital Engine Control Progress/Zaporozhye AI-222-28. Ambos os motores dotados de controle computadorizado (FADEC). Sendo o YaK-130 um bi-motor, exibe quando equipado com dois motores AI-222-25 49 kN, ou 11.000 lbf de força, valores estes aumentados caso a aeronave esteja equipada com a versão AI-222-28, quando a oferta de potência dos dois motores combinados é da ordem de 53 kN, ou 12.000 lbf. A relação empuxo peso obtida com a motorização “-25” é de 0,70, que se eleva para 0,77 quando equipado com a combinação de motores “-28”. Para se ter uma ideia da importância desses valores, pode-se compará-los com os valores equivalentes de dois outros treinadores de sucesso: 0,65 para o BAE Hawk 128 e 0,49 para o Aero Vodochody L-159B.

 Os motores são fabricados em plantas ucranianas e russas, sendo responsáveis as empresas Motor Sich (Ucrânia) e Salyut (Rússia)

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Digital Engine Control Progress/Zaporozhye AI-222-25. Imagem: Portal Defesa.

 Proposta ao Brasil e a América Latina

A Rússia ofereceu ao Brasil e aos demais países da América Latina o treinador YaK-130. No caso brasileiro, caso a proposta prospere, a possibilidade da escolha do radar Scipio-01 se faz presente com força, dado ser este radar produzido por uma empresa brasileira, Mectron. Ventila-se a possível opção pela aquisição de 18 aeronaves, que seriam destinados provavelmente ao 2°/5° GAv, Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação, Esquadrão “Joker”. Outras nações da América Latina que procuram aeronaves com desempenho elevado, mas com baixo custo de operação, visto que a realidade orçamentária no continente assim impõe, podem vir a escolher o aparelho, dentre estas o Uruguai, Paraguai e Venezuela são constantemente alvos de notas nas publicações especializadas.

Fabricação

O Yak-130 realizou o seu voo inaugural com o registro RA-431130 em 25 de abril 1996, na base aérea de Zhukovsky. A planta responsável pela produção era a fábrica Sokol, localizada em Nizhny Novgorod. As primeira unidades encomendadas e entregues à VVS (12), foram construídas por esta planta. Em 2004 o Bereau Yakovlev foi adquirido pela Irkut Corporation e esta, em sequência, decidiu a transferência para a linha de produção em Irkutsk. As instalações, modernas, podem fabricar até trinta unidades por ano.

As aeronaves destinadas à exportação terão os instrumentos calibrados em unidades imperiais, ao invés de métricas e textos em inglês. O IFF (Identification Friend or Foe) difere daquele usado pela VVS.

Acidentes e incidentes

O primeiro acidente deu-se com o protótipo Nº 03 em 26 de julho de 2006, quando em voo de teste dos parâmetros de voo. Outro exemplar foi encomendado, ganhando designativo de protótipo Nº 04 e realizou o seu voo em julho de 2008.

O segundo acidente envolveu um exemplar do YaK-130 da VVS com numeração “93” em 29 de maio de 2010. O acidente foi motivado por uma falha operacional não detectada: o técnico de suporte “zerou” os parâmetros existentes no software relativo as atitudes de voo, quando estes valores não eram neutros. Quando da decolagem os sistemas interpretaram as atitudes de voo como excessivas em relação ao permitido e realizou uma correção automática, disto ocasionando o acidente. Como resultado, foram concebidas alterações no software para evitar bugs (problemas) advindos do espaço existente entre a poltrona e o teclado.

 Outro acontecimento não foi um acidente, mais um incidente, hoje folclórico, deu-se na amostra aeronáutica de Farnborough, em 2012, quando os responsáveis pelo tráfego aéreo impediram a decolagem do modelo da Yakovlev, pelo fato deste estar com as entradas de admissão de ar principais fechadas, algo que acontece com normalidade, visto que existem aberturas acima do LERX para alimentar o motor e protegê-lo da ingestão de objetos contaminantes da pista. Algo, que é bom que se diga não é uma novidade, visto que o MiG-29 utiliza o mesmo recurso há mais de três décadas.

Operadores

VVS (Rússia): encomenda de 55 aeronaves; Argélia, 16; Síria 36; Bangladesh, 24. A Rússia anunciou a intenção de ampliar a sua dotação de 55 para 72 unidades.

 

Yak-130. Ficha técnica

Dimensões

Envergadura: 9, 84 m.

Comprimento: 11,49 m.

Altura: 4,76 m.

Área alar: 23,52 m².

Especificações técnicas

Velocidade máxima: 1.060 km/h.

Velocidade de cruzeiro: 887 km/h.

Velocidade de estol: 165 km/h.

Ascensão: 50 m/s.

Relação empuxo/peso (-25)/(-28): 0,70/0,77.

Carga alar:271 kg/m².

Limite de carga G: (-)3 / (+)8.

Limite de Mach:0,91.

Ângulo de ataque máximo:35°.

Teto operacional: 12.500 m.

Raio operacional: 12.600 m.

Alcance de translado: 2.300 km.

Autonomia máxima – com dois tanques externos: 3 horas.

Decolagem (distância): 400 m.

Pouso (distância): 650 m.

Carga bélica (máxima): 3.000 kg.

Peso máximo – decolagem: 7.230 kg.

Conheça o SABER M200

O presente texto foi por mim redigido originalmente para o site Portal Defesa, e publicado na data de 07.09.2014. Em virtude da notícia alvissareira de que o A Diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou aporte financeiro em favor do Exército Brasileiro para investimento na última final do desenvolvimento do radar multimissão SABER M200 (US$ 14,2 milhões), resolvi publicar novamente a matéria no Blog DG, visto ser ela bastante informativa no que toca as qualidades do sensor nacional.  Tendo recebido recursos da ordem de 67 milhões de reais desde 2008 (FINEP), o projeto SABER M200 deverá receber aporte de 17 milhões, oriundos da Pasta do Ministério da Defesa. Capaz de realizar missões no espaço reportado de 200 km de alcance por 20 km de altitude, nas funções de varredura primária, secundária, aquisição e iluminação de alvos, o radar SABER M200 configura-se como um dos projetos de maior refinamento tecnológico em desenvolvimento no campo militar. A matéria em questão abordava um outro cronograma, todavia, resolvi manter sem correção para que possa no futuro servir como uma referência sobre as dilatações de prazos havidas no programa.

Conheça o SABER M200

Por: César A. Ferreira

A empresa BRADAR, componente da Embraer Defesa & Segurança, anunciou durante a 3ª Mostra BID Brasil, realizada nas datas de 2 a 6 de setembro corrente, o seu radar de Abertura Sintética de arquitetura modular SABER M-200, como um produto disponível no próximo ano, 2015.

O radar SABER M200 é fruto do esforço da empresa BRADAR, antiga Orbisat, com intuito de oferecer as armas nacionais um instrumento superlativo em termos de detecção de ameaças aéreas, realizado com tecnologia e mão de obra nacional, impondo uma independência de fato a uma área sensível no ambiente militar. Para tanto, observou-se em sua concepção a modularidade e a compatibilidade de transporte com os meios aéreos já existentes na Força Aérea Brasileira, em dimensões e peso, ou seja, com a cabine de carga da aeronave Lockheed C-130H, o que vale dizer que o radar SABER M200 também o será com o seu substituto, Embraer KC-390, bem como com os meios de transporte terrestre, sendo facilmente portável em uma carreta porta – contêiner, visto que o sistema se encerra, totalmente, em um container padrão de 20 pés.

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Disponibilidade para aerotransporte. Imagem: Portal Defesa.

Com essa característica, o SABER M200 pode ser transportado por qualquer veículo que leve containers, e até mesmo ser camuflado como um container comum.

A modularidade não se reflete como vantajosa apenas no que concerne ao transporte, mas também na manutenção e manejo do radar, ou seja, em sua operação, proporcionando ganhos de economia dos recursos empregados em logística, já que módulos defeituosos podem ser trocados em poucos minutos, facilitando as equipes operativas no que tange ao emprego do radar em situações de emergência, em locais distantes da cadeia logística.

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Modularidade do Radar SABER M200, aqui representada em sua plataforma de transporte. Imagem: Portal Defesa.

Desenvolvido de maneira integral com tecnologia de estado sólido, o SABER M200 foi concebido com o objetivo de vigilância, varredura e orientação para sistemas antiaéreos, e possui a interessante característica de ser facilmente reconfigurado, isto a partir de uma rápida alteração dos parâmetros existentes em seu arquivo de configuração pelo simples fato de ser um radar definido por software. Além disso, o radar se comporta como uma unidade de processamento de considerável desempenho, por deter a capacidade de processamento de mais de 30T flops. Possui em uma só estrutura as funções de radar primário e radar secundário SAR que gera imagens 3D com até 1 metro de resolução.

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Disposição interna dos sistemas. Imagem: Portal Defesa.

O chamado Radar Primário possui como antenas painéis com faces retangulares dispostos em 360ª, e operam na Banda – S, ou seja, na Frequência de 2 a 4 GHz, com Comprimento de Onda de 7.5 a 1.5 cm. já o Radar Secundário situa-se no topo do conjunto e funciona da maneira clássica, sendo recolhido quando em transporte, e estendido quando em operação.

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Componentes do radar primário e secundário. Imagem: Portal Defesa.

 Especificações Técnicas

Radar Primário

Característica física: 4 painéis fixos com feixe eletrônico.

Frequência: Banda – S. (2 ~ 4 GHz).

Altitude/altura: 0 ~ 15 km.

Alcance (seção reta – radar de 2m2 )

Modo Vigilância: 170 km.

Modo Busca: 130 km.

Resolução em alcance: 75 m.

Precisão angular em azimute e elevação: 0,08°.

Ângulo de iluminação em elevação: 60°.

Potência máxima de pico: 83 kW por painel.

Contramedidas eletrônicas: agilidade em frequência e escuta.

Polarização: Circular.

Tempo de varredura:

Modo de Vigilância: 9 s.

Modo Busca: 1 s.

Radar Secundário

Modos: 1, 2, 3A e 4.

Alcance: 200 km.

Tecnologia InSAR

Imagem:  3D.

Resolução:  1 m.

Exército Árabe Sírio avança no Sul

Por: César A. Ferreira

Com as atenções voltadas para o norte da Síria, por onde se dá o tráfego do contrabando de petróleo que sustenta a insurgência do Estado Islâmico, artéria vital que faz com que este grupo, como outros, como Al-Nusra e ESL se esfalfem para manter as comunicações e abastecimento com a fronteira turca, pouca atenção se dá aos combates efetuados no sul, quando muito são noticias, apenas, pela estranhíssima atitude de Israel em assistir combatentes extremistas do Estado Islâmico em termos médicos, inclusive com resgate e remoção dos feridos para atendimento traumatológico especializado junto ao conceituado Ziv Medical Center.

O Exército Árabe da Síria realizou um movimento amplo na província de Dar, ocupando várias localidades no seu avanço que possui como objetivo a capital provincial, neste presente momento, as forças governamentais já travam combates nos subúrbios do norte da capital. Neste processo, o Exército Árabe da Síria, objetivando a manutenção do fluxo logístico e proteção dos acessos, concentrou-se primeiramente em conquistar e manter a estrada Damasco-Dar, e em sequência capturar a base militar localizada junto à cidade de Sheikh al-Max, 90 quilômetros ao sul de Damasco, cujo controle havia sido perdido em janeiro último (2015). Se for considerada a proximidade com a fronteira jordaniana, que é extrema, tornar-se-á fácil perceber o quão importante é esta base, visto que o controle da fronteira sul é tão vital quanto aquele que se almeja na fronteira norte, pois a Jordânia, ao sul, tal como a Turquia, ao norte, permite o transito de extremistas e de suprimentos para os mesmos.

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Exército Árabe da Síria comemora vitória ao sul de Damasco. Imagem: Internet.

O relato contrário, da parte extremista, através da voz de Ahmad al Masalmeh, ativista adepto da oposição armada ao regime sírio, informou que o Exército Árabe Sírio havia tomado apenas uma porção da referida base, portanto, que a mantinham em suas mãos oferecendo combate aos soldados regulares sírios. Todavia, em vista do apoio exercido pela Rússia nesta ofensiva, coadjuvada pela FARAS – Força Aérea da República Árabe da Síria, na forma de mais de 80 ataques aéreos efetuados, além do apoio de infantes do Hezzbolah, altamente motivados e com grande experiência em combate, torna-se difícil manter a versão extremista como digna de crédito, ademais, quando o próprio relata que o Exército Árabe da Síria fez uso intenso de barragem de foguetes, artilharia de tubo e morteiros. Há, no entanto, uma convergência de relatos, ambos os lados apontam combates nas cercanias de Sheikh al-Max.

A principal força contra qual se bate o Exército Árabe da Síria na região é a Frente Al-Nusra, esta, por sua vez, alicerçada por uma miríade de pequenos grupos extremistas.  Contra esta nuvem de combatentes insurgentes, fazem frente soldados regulares do Exército Árabe da Síria, combatentes operativos do Hezzbolah e voluntários iranianos. As forças na região travam uma batalha de nítido valor tático e estratégico, mas também simbólico, pois foi em Dar, que se iniciaram os protestos que desaguariam na revolta armada contra o Presidente Bachar Al Assad.

O Império do Caos prepara mais incêndios em 2016

O texto que segue é de autoria do respeitado colunista brasileiro Pepe Escobar, redigido em inglês na data de 24 de dezembro último (2015) para o prestigiado site RT – Russian Today. Pepe Escobar é ignorado pela mídia brasileira, todavia, os seus textos são reproduzidos pelo mundo afora, em inglês…

O Império do Caos prepara mais incêndios em 2016

Por: Pepe Escobar

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Em seu seminal “A Queda de Roma: E o fim da civilização”, Bryan Ward-Perkins escreve, “(…) romanos antes da queda estavam tão certos quanto estamos hoje que o seu mundo iria continuar para sempre…  Eles estavam errados. Ser-nos-iam  sábios em não repetirmos a sua complacência”.

O Império do Caos, hoje, não versa sobre a complacência. Trata-se de arrogância – e medo. Desde o início da Guerra Fria, a questão crucial foi quem controlaria as grandes redes de comércio da Eurásia – ou “o coração”, de acordo com Sir Halford John Mackinder (1861-1947), o pai da geopolítica.

Poderíamos dizer que, para o Empire of Chaos, o jogo realmente começou com o golpe apoiado pela CIA no Irã, em 1953, quando os EUA finalmente encontraram, face a face, a famosa Eurásia, atravessada durante séculos pelas estradas da seda, e partiu para conquistar todos elas.

Apenas seis décadas após, é claro que não haverá uma Silk Road americana no século 21, mas sim, tal como o seu antiga antecessora, chinesa. A pressão de Pequim para o que foi batizado de “One Belt, One Road”, embute-se no conflito do século 21, entre o império em declínio e a integração Eurasiana. Subtramas chaves incluem a expansão da OTAN, obsessão perene do império na criação de uma zona de guerra fora do Mar do Sul da China.

Rota da seda
Trem inaugurando nova linha férrea na China. Foto: internet.

Com a análise da formada parceria estratégica Pequim-Moscou, as elites oligárquicas que realmente executam o Império do Caos estão debruçadas sobre o cerco da Eurásia – por considerar  que elas podem ser amplamente excluídas do processo de integração baseado em comércio, comércio e links avançados de comunicações.

Pequim e Moscou identificaram claramente provocação após provocação, juntamente com a demonização implacável. Mas, não ficarão retidos, pois ambos estão a jogar uma partida muito longa.

O presidente russo, Vladimir Putin insiste em tratar diplomaticamente com os líderes do Ocidente, tratando-os como “parceiros”. Mas ele sabe, e aqueles que os conhecem na China também sabem, que não são realmente “parceiros”. Não depois do bombardeio de 78 dias da OTAN em Belgrado, no ano de 1999. Não após o bombardeio intencional da Embaixada da China. Não depois do expansionismo non-stop da OTAN. Não após um segundo Kosovo sob a forma de um golpe ilegal em Kiev. Não depois da queda do preço do petróleo pelas monarquias clientes do Golfo, dos petrodólares americanos. Não depois da engenharia da queda do rublo por Wall Street. Não depois das sanções dos Estados Unidos da UE. Não após o esmagamento do mercado de ações na China por operadores em Wall Street. Não depois de non-stop sabre rattling no Mar do Sul da China. Não após a derrubada do Su-24.

É apenas um fio de distância

Um retorno rápido para os momentos que antecederam a preparação para o abate do Su-24 é esclarecedora. Obama reuniu-se Putin. Imediatamente a seguir Putin se reuniu com Khamenei. Sultan Erdogan teve uma síncope; uma aliança russo-iraniana formal foi publicamente anunciada em Teerã. Isso se deu no dia imediatamente anterior ao da derrubada do Su-24.

Hollande, na França, encontrou-se com Obama. Mas, em seguida, Hollande entrevistou-se com Putin. Erdogan estava sob a ilusão de que fabricara o pretexto perfeito para uma guerra da OTAN, a qual seria lançada em observância ao artigo 5º da Carta da OTAN. Não por acaso o estado fracassado da Ucrânia foi o único país a aprovar – com pressa – o abate do Su-24. No entanto, a própria OTAN recuou – um pouco de horror; o império não estava pronto para a guerra nuclear.

Pelo menos ainda não. Napoleão sabia que a história gira em torno de um fio delgado. Tanto quanto Guerra Fria 2.0 permanece em vigor estávamos, e continuará a ser, apenas um fio para longe da guerra nuclear.

Aconteça o que acontecer no chamado processo de paz sírio a guerra por procuração entre Washington e Moscou continuará. A orgulhosa US think-tank land não podem vê-la de outra maneira.

Para os neocons excepcionalistas e neoliberalcons, igualmente, o único fim de jogo digerível é uma partição da Síria. O sistema Erdogan iria devorar a parte de acima, ao norte. Israel ficaria com a parte restante e rica em petróleo do Golan Heights. E os proxies da Casa de Saud iriam devorar o deserto oriental.

Extremistas
Extremistas islâmicos em passeata de ódio. Foto: internet.

Rússia literalmente bombardeou todos estes elaborados planos jogando-os às cinzas, pois o passo seguinte após a partição seria característico.  Ancara, Riad – e o “líder de bastidor” Washington – empurrando uma estrada Jihad  por todo o caminho rumo ao norte do Cáucaso, assim como a Ásia Central adentro e Xinjiang (já há ao menos 300 uigures que lutam pelo EI/ ISIS/ISIL/Daesh.) Quando tudo mais falhar, nada como uma rodovia jihadista mergulhando como um punhal no corpo da integração Eurasiana.

No front chinês, quaisquer que sejam as “criativas” provocações do Império do Caos  e até onde possam ir, não irão obstruir os objetivos de Pequim no Mar do Sul da China – que é uma grande bacia abarrotada de petróleo inexplorado e rica em gás, além de ser uma importante rota naval para a China . Beijing, inevitavelmente, configurar-se-á em 2020 como um haiyang qiangguo um formidável poder naval.

Washington pode fornecer US$ 250 milhões em “ajuda” militar ao Vietnã, Filipinas, Indonésia e Malásia para os próximos dois anos, mas isso é em grande parte irrelevante. Quaisquer que sejam as ideias imperiais “criativas”, estas teriam que ter em conta, por exemplo, o DF-21D, míssil balístico “assassino de porta – aviões”, com um alcance de 2.500 km e capaz de transportar uma ogiva nuclear.

Na frente econômica, Washington-Pequim permanecerá como território privilegiado da guerra por procuração. Washington empurra o TPP – ou OTAN em giro comercial por toda a Ásia? Ainda é um trabalho de Sísifo, porque os 12 países membros precisam ratificá-lo, pelo menos não os EUA, com um Congresso extremamente hostil.

Contra este americana pônei de um truque, Xi Jinping, por sua vez, está implantando uma  complexa estratégia em três frentes; contra-ataque da China ao TPP, a Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico (FTAAP); o imensamente ambicioso “Um Cinturão, Uma Estrada” e os meios para financiar um tsunami de projetos, através do Banco Asiático de infraestrutura e Investimento (AIIB) – aríete chinês contra o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), este controlado por Japão e EUA.

Para o Sudeste da Ásia, por exemplo, os números contam a história. No ano passado, a China foi o principal parceiro da ASEAN, da ordem de US$ 367.000.000.000. Isso irá crescer exponencialmente com uma correia, One Road – que irá absorver $ 200 bilhões em investimento chinês até 2018.

Heart of Darkness – revisitado

As perspectivas para a Europa são nada mais que sombrias. O pesquisador franco-iraniano Farhad Khosrokhavar tem sido um dos poucos a ser capaz de identificar o ponto crucial do problema. Um exército de reserva jihad em toda a Europa continuará a se alimentar de batalhões de jovens excluídos, nas pobres cidades do interior. Não há nenhuma evidência que os neoliberalcons da UE realizarão políticas socioeconômicas de com intuito de extrair essas massas alienadas dos guetos, empregando novas formas de socialização.

Assim, a rota de fuga vai continuar a ser uma versão semelhante ao vírus do Salafi-jihadismo, vendido por aproveitadores “PR-savvy” astutos como um símbolo de resistência; a única contra-ideologia disponível no mercado. Khosrokhavar definiu-a como o neo-umma – uma “comunidade efervescente que nunca existiu historicamente”, mas que agora está a convidar abertamente qualquer jovem europeu, muçulmano ou não, afligido por uma crise de identidade.

Em paralelo, neste nosso caminho de 15 anos completos de uma guerra neocom, sem fim, contra os Estados Independentes do Oriente Médio, o Pentágono sofrerá uma expansão turbo-charging, ilimitada, de algumas das suas bases existentes – a partir de Djibouti, no Corno de África até Erbil, no Curdistão iraquiano – em “hubs”.

Da África sub-saariana para o sudoeste da Ásia, espera-se um hub boom, todos eles alegremente hospedando as Forças Especiais; a operação foi descrita no Pentágono pelo supremo Ash “Império da lamentação” Carter como “essencial”; “Por nós não podermos prever o futuro, tais linfonodos regionais – a partir de Moron, Espanha, para Jalalabad, Afeganistão – irão fornecer a presença logística à vante, capazes de responderem a uma série de crises, de terror e de outros tipos. Permitirão resposta unilateral às crises, operações de contra-terrorismo, ou intervenções em alvos de alto valor”.

Está tudo aqui: o Excepcionalismo unilateral em ação, contra quem se atrever a desafiar os ditames imperiais.

Da Ucrânia à Síria, e em toda a MENA (Médio Oriente e Norte da África), a guerra por procuração entre Washington e Moscou, com apostas cada vez mais altas, não cessará. O desespero imperial sobre a irreversível ascensão chinesa também não diminuirá. Com o Novo Grande Jogo a ganhar velocidade, a Rússia fornece poderes aos eurasianos:  Irã, China e Índia, com sistemas de defesa de mísseis além de tudo que o Ocidente imagina, até se acostumar com a nova normalidade: Guerra Fria 2.0 entre Washington e Pequim/Moscou.

Deixo-vos com Joseph Conrad, escrevendo em Coração das Trevas: “Há uma marca da morte, um gosto ou mortalidade nas mentiras… Era seu desejo rasgar o tesouro para fora das entranhas da terra, sem nenhum propósito de elevado moral nas suas costas quanto há em assaltantes quebrando um cofre… Não poderíamos compreender, pois estávamos longe demais e não se conseguia, porque estávamos viajando na noite das primeiras eras, daquelas eras que já se foram, dificilmente deixando algum sinal – e sem lembranças … “(.)