Washington está em pânico por Putin estar a interromper as rotas de suprimento do EI

Este artigo foi publicado originalmente em alemão no site NEO Press. O autor desta matéria é Von Michael Lehner. O texto foi publicado em inglês no site Russia Insider de onde se obteve a tradução para o português, realizada por H. P. Patriota e publicado no grupo “Rússia e Seus Interesses no Contexto Mundial”.

Washington está em pânico por Putin estar a interromper as rotas de suprimento do EI

Durante anos, a aliança OTAN dirigida pelos EUA tem a certeza que os comboios cheios de comida, armas e outros bens, pertencentes aos grupos terroristas EI e Al-Qaeda trafegam através da fronteira sírio-turca.Pois, os ataques aéreos russos maciçamente impedem este serviço, quando não os levou a um impasse.

Quando os taques aéreos russos atingiram a um desses comboios na cidade síria de Azaz, ao noroeste da fronteira sírio – turca, o jornal diário turco Sabah informou da seguinte maneira:

“Pelo menos sete pessoas morreram, 10 ficaram feridas após um aparente ataque aéreo, supostamente realizados por jatos russos, foi alvejado um comboio de ajuda no noroeste da cidade síria de Azaz perto de uma passagem de fronteira com a Turquia na quarta-feira”.

Estranhamente, este incidente não foi destacado pela imprensa ocidental de alta circulação (mídia-empresa). Isto é bastante atípico, considerando que ambos os lados estão atualmente envolvidos em uma guerra de propaganda. Quase parece que os EUA/OTAN (a), não quer chamar a atenção para a localização desta linha de abastecimento restante, ou não (b) é um comboio de ajuda, mas sim uma rota de abastecimento para o EI.

O relato do diário Sabah continua:

“Em declarações ao diário Sabah, Serkan Nergis do Humanitarian Relief Foundation (IHH) disse que a área alvo está localizado a cerca de 5 quilômetros a sudoeste da Öncüpınar Border Crossing. Nergis disse que IHH tem uma unidade de defesa civil em Azaz e ajudaram os moradores para extinguir as chamas dos caminhões. Caminhões provavelmente estavam transportando suprimentos de ajuda, ou materiais comerciais, Nergis acrescentou”.

Independentemente do tipo de mercadorias que foram transportadas, isto confirma que os terroristas na área perto do Oncupinar Border Crossing estão no comando. Este é o lugar onde a linha de abastecimento da Turquia para EI pode ser encontrada. Já em novembro de 2014, a Oncupinar Border Crossing foi mencionada em um artigo publicado pelo Deutsche Welle (DW), que descreveu uma cena com centenas de caminhões à espera na fronteira para entrar em território sírio. Provavelmente com a aprovação de Ancara. O artigo DW a partir de 2014 tem a seguinte redação:

“Todos os dias, caminhões carregados com alimentos, roupas e outros suprimentos atravessam a fronteira da Turquia para a Síria. Não está claro quem está pegando as mercadorias. Os caminhoneiros acreditam que a maior parte da carga vai para a milícia ‘Estado islâmico’. Petróleo, armas e soldados também estão sendo contrabandeados através da fronteira, e os voluntários curdos estão patrulhando a área, em uma tentativa de conter os suprimentos”.

Já no ano passado uma pergunta legítima teria que ser feita: se o plano era destruir, por que os EUA não simplesmente bombardearam a rota, uma vez que são operações que levam abastecimento para dentro da Síria? (porque de fato, nunca foi o plano destruir EI). Especialmente se esses ataques eram considerados menos perigosos e (b), a logística para os atentados foram à direita na área (base aérea turca).

Fazer as perguntas mais óbvias seria suficiente para colocar uma coroa sobre a política de mentiras do Ocidente:

Porque estes comboios não foram parados enquanto eles ainda estavam em território turco?
Por que os condutores não foram detidos e presos na Turquia, e “as fontes para os suprimentos” rastreadas até as suas origens?

Porque eles simplesmente  assim não o queriam?

Ao responder a essas perguntas, ela tem que ser óbvia para todos – mesmo para aqueles que não dão muita atenção – que há de real intenção por trás disso, e que EUA / OTAN propositadamente forneciam suprimentos periodicamente.

É aqui onde a Rússia entra. Todo país que quer lutar ISIS irá fazê-lo atuando contra as  linhas de abastecimento. Esta tem sido uma estratégia militar empregada por séculos. Os bombardeios da Rússia dos caminhões de abastecimento, perto da fronteira (de modo que o menor número de produtos possíveis possam ser descarregados e redistribuídos por outros meios) são lógicos, pois,  caso os suprimentos forem barrados em postos de fronteira controlados, irão acabar todos nas mãos dos terroristas.

Este desenvolvimento não agrada nenhum pouco aos estrategistas de Washington e é provavelmente a razão para a derrubada do caça russo. Enquanto as forças sírias e curdas controlarem a fronteira leste do Eufrates, o corredor Afrin-Jarabulus é o último caminho restante para o abastecimento do EI. O exército sírio também iniciou uma campanha (a partir de Aleppo) e avançou para o leste. Eventualmente eles vão começar a balançar em direção à fronteira sírio-turca no Jarabulus. Mais ou menos ao mesmo tempo, o exército sírio começou sua campanha, a Rússia começou a bombardear na área ao redor Afrin, promontório de Dana, e Azaz, para cortar a rota de abastecimento.

As interações dos ataques aéreos russos, junto a ofensiva do exército sírio no terreno têm o potencial para se livrar do EI. Este é um pesadelo sem paralelo para os planejadores em Washington. Ao Fechar este corredor de oferta, dar-se-ia a completa derrota dos terroristas do EI, Al -Nusra & companhia, por significar a restauração da soberania síria e das estruturas governamentais nesta área. Isto poderia explicar a “atividade” súbita do Ocidente em enviar forças especiais para a Síria, como já mencionado, a razão para a filmagem da derrubada do avião de combate.

Em resumo, torna-se evidente que a “guerra civil” síria nunca foi na realidade uma delas. Ao invés disso, os terroristas foram apoiados pelo Ocidente, desde o início, com o objetivo claro de derrubar o governo de Assad (como eu escrevi em artigos anteriores). Quando confrontados com uma derrota do terrorismo, os patrocinadores deverão jogar todo o seu peso político por trás dos terroristas, não importa o que venha a custar.

Em última análise, esta é a prova de que as ambições hegemônicas dos EUA/Ocidente nesta região foram à razão básica por trás da criação do EI. Nunca houve uma luta contra EI. Era antes o alvo (objetivo), de planejamento, da criação intencional do extremismo islâmico, sob a forma daquilo que agora chamamos de “O Estado Islâmico”.

McCaim na terra dos sonhos

 

 

Por: César A. Ferreira

O mundo gira e a indignação seletiva, ao que parece, não é uma instituição unicamente brasileira. Em uma semana, onde um casal imbuído da doutrina extrema do proselitismo wahhab abre fogo em um centro comunitário californiano, junto com as vozes indignadas dos cidadãos norte-americanos não se vê nada, opinião que seja, contra o Senador e Presidente da Comissão Militar do Senado dos EUA, John McCaim, de equipar os rebeldes “moderados” da Síria com meios anti-aéreos. Como se sabe, McCaim os conhece, pessoalmente, conforme admitiu, aliás. Admissão esta, convenhamos, forçada pela divulgação das imagens do encontro tido por ele no norte da Síria, onde sua presença sorridente ao lado de chefes notórios do Estado Islâmico, caso de Muahmmad Noor e Abu Bakr Al-Baghdadi, mostra-se reveladora das intenções deste senhor, que é um importante representante dos interesses de grandes corporações, no tocante ao Oriente Médio.  Para McCaim, quanto mais o mundo queimar, melhor.

Dá-se que um Senador dos EUA não é, não pode ser, como interlocutor considerado “qualquer um”, jamais será “Zé Ninguém”, ou coisa que o valha. Apesar de ser republicano e o governo dos EUA democrata, ainda assim é e será um representante oficial dos EUA, dado que é um Senador legitimamente eleito, de posse plena das suas prerrogativas legislativas. Portanto, não se pode ter da visita de McCaim uma leitura inconsequente, ingênua, como se fosse um lunático da política norte americana, pois ele não é. McCaim prega a tempos que se deve armar com o que há de melhor no arsenal dos EUA os “combatentes moderados”, todavia, sempre foi independente disto, um propugnador do confronto direto com a Rússia, Seja no Oriente Médio, seja na Ucrânia.

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McCaim em reunião com líderes terroristas no norte da Síria. Em destaque: Abu Bakr Al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico. O assunto tratado era venda de armas e munições. Imagem: internet.

Portanto, percebe-se, devido às ações de McCaim, como é cristalina a posição dos Estados Unidos da América, que de fato protege o Estado Islâmico, algo muito mais amplo do que a “exploração das consequências das suas ações”, como tentam justificar alguns. Não bastasse a ineficácia da campanha de bombardeio ao Estado Islâmico, por parte da chamada “Coalizão Ocidental”, que em 14 meses sequer arranhou a capacidade do EI em fazer a guerra, agora lança a Turquia como elemento posicional no jogo expresso de poder naquela região do mundo. A Turquia assume ao invadir com forças terrestres tanto o território da Síria, como do Iraque, a posição análoga a do peão no tabuleiro de xadrez, que é a de ocupar o espaço para evitar a movimentação livre das peças do oponente. O interessante, entretanto, é o fato de que desta maneira a Turquia realça a cupidez e a hipócrita forma como o “Ocidente” encara o drama da Guerra Civil da Síria, pouco lhe importando o custo em vidas humanas, ou da destruição da infraestrutura necessária para as mais básicas necessidades diárias. Isto não importa, nunca importará.

O que importa, isto sim, é a manipulação das paixões religiosas em prol dos interesses geopolíticos, confessos e inconfessos na região, detentora das mais extensas reservas de petróleo do globo, óleo de ótima qualidade, pois leve ou extremamente leve, e de reservas de gás extensas, muitas delas recém descobertas. O domínio da região se torna mandatária na mente dos senhores do mundo, casta da qual McCaim acredita fazer parte, não só pelos estoques energéticos como pela característica da região, dado que o escoamento destes recursos passam, necessariamente, por estreitos e golfos, todos eles fáceis de serem obstruídos por entidades políticas opositoras, ou reativas. Por isso a sofreguidão com que as ditas “nações centrais” buscam conter, derrubar ou minar aqueles regimes políticos nos quais a manipulação por estas não possa ser total, satisfatória. Esta é a missão da vida de John McCaim, ser um porta – voz, inadvertidamente cômico, dos interesses inconfessáveis dos EUA, interesses estes registrados de forma clássica nas imagens sorridentes de McCaim com os líderes islâmicos da Jihad sanguinária no norte da Síria em maio de 2013, onde negociava a entrega de armas.  Por isso faz-se necessária a pergunta clássica: você acredita, realmente, no interesse dos EUA, bem como dos seus sócios da OTAN, em combater o Estado Islâmico? Se acreditar nisso, com toda força do seu espírito, então, seja bem vindo ao incrível mundo dos sonhos… De John McCaim.