Almirantado argentino sabia das avarias com um dia de antecedência


Informativo argentino Infobae revela em reportagem que o Almirantado da Armada da República da Argentina detinha a informação de graves avarias um dia antes da data do último contato.

Por: César A. Ferreira

O informativo argentino Infobae, através de matéria assinada por Román Lejtman, revela que o comando da Armada Argentina detinha 24 horas antes do último contato a informação que o S-42 teria avarias sérias em um dos seus bancos de baterias, motivado pela ingestão de água do mar pelo snorkel. Apesar do último contato do submarino ter sido na quarta-feira, 14/11/2017, as 07:30, horário de Buenos Aires, informando que um dos bancos de baterias localizado na proa da embarcação se encontrava-avariado, o fato é que segundo o que foi revelado pela matéria, houve um comunicado do capitão, ocorrido na terça-feira, em que relatava a perda de um dos bancos de baterias devido ao contato destas com inundação marinha proveniente da ingestão desta pelo snorkel, que apresentou falha no seu sistema de vedação. Portanto, quando o capitão informa ao Almirantado os seus problemas na quarta-feira ele está relatando novos problemas, que possivelmente poderiam ser extensões daqueles vivenciados 24 horas antes. O periodista relata da seguinte maneira a cadeia de eventos:

“La primera vez que las autoridades en tierra de la Armada Argentina tomaron conocimiento de que el submarino sufría una seria avería fue el martes 14 cerca de la medianoche. En esa comunicación, el capitán del ARA San Juan, Pedro Fernández, le informó a la base de Mar del Plata -desde donde había partido quince días antes- que tenía un “cortocircuito en la batería 3” de la sala de baterías de proa porque le entraba agua por el snorkel.

En los primeros minutos del miércoles 15, el capitán avisó a la base que el inconveniente había sido solucionado. Sin embargo, horas más tarde, volvió a llamar para decir que tenía un problema con las baterías en la proa. Nuevamente, en la madrugada volvió a informar que el inconveniente había sido resuelto.

Cerca de las 6 de la mañana, mediante el teléfono satelital Iridium, el ARA San Juan pidió un cambio de rumbo. A las 7.30 fue la última comunicación de la nave con tierra”.

Em sua reportagem o periodista, em vista dos dados coletados, acaba por assumir uma conclusão, que se adotada daria um destino diferente ao ARA San Juan:

“En el momento en el que el ARA San Juan denunció dificultades se encontraba a una distancia en línea recta con el Golfo San Jorge de menos de 300 kilómetros. Si se le hubiese ordenado que se dirigiera hacia allí, a la velocidad que navegaba a ese momento -entre 15 y 20 kilómetros por hora-, se cree que la nave podría haber alcanzado tierra. Sin embargo, recibió la orden de dirigirse a Mar del Plata”.

Tendo os fatos narrados em mente, vamos ao raciocínio: as avarias sucederam-se, não imediatamente, mas em uma sequencia com intervalo de tempo, o que pode ter levado o capitão a acreditar que as estava superando, tendo-as sobre controle. O fato revelado e de suma importância é a admissão de água pelo snorkel, pois esta é sabidamente uma falha que implica em ocorrências graves em submarinos diesel-elétricos. Em geral, a presença de água junto ao banco de baterias leva a formação de gás de cloro, contaminante reconhecidamente fatal, responsável pela morte de 70 tripulantes do submarino Nº 361 da Marinha do Exército Popular de Libertação da China (é a versão mais aceita, outra admite o sequestro por parte dos motores diesel de todo o ar presente, o que levou a tripulação a sufocar-se)..

Analisando as informações temos o fato que por duas vezes o capitão informou dano nos seus bancos de baterias e igualmente, por outras duas vezes, informou a solução destas avarias, todavia, não obtendo desempenho total, visto que navegava com 50%, ou menos da capacidade advinda das suas baterias. Por certo havia isolado os painéis de baterias que tinha apresentado problemas. O dado interessante é a última comunicação, que não se deu por rádio frequência, mas através de telefone via satélite, cujo serviço é provido pela empresa Iridium. Neste contato, segundo informa o periodista, o comandante pedia uma alteração da derrota prevista, que era para Mar del Plata.

A última comunicação é importantíssima, pois caso seja uma informação verídica, torna -se um elemento elucidativo para que se entenda o quadro contextual da tragédia do S-42 ARA San Juan, pois se percebe o motivo pelo qual se pode entender o porquê de não se ter traçado uma derrota para Comodoro Rivadávia, ou qualquer outro porto mais próximo: simplesmente recebera o comandante uma ordem para ter Mar del Plata como destino. É óbvio que o comandante detinha confiança em sua embarcação, e mesmo com 480 baterias fora de linha, acreditava que poderia navegar até a base de Mar del Plata, lugar onde as facilidades para a manutenção dos submarinos da Flota de Mar se fazem presentes.

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S-42 ARA San Juan. Imagem: internet.

Com o conforto de um observador que analisa os eventos passados, ou seja, que não se vê obrigado a tomar decisões em meio à cadeia de eventos se pode criticar a decisão de o comandante não ter traçado derrota para o Golfo de São Jorge e solicitado a presença de vasos da Armada para formarem piquetes de socorro para o submarino, todavia, é preciso entender as condições de mar, que certamente haviam sido preponderantes na falha do snorkel ao admitir a entrada de água, eram restritivas. Uma condição de mar (Estado de Mar – 6) que, então, apresentava ondas acima dos seis metros, certamente inviabilizaria qualquer faina, ou seja, procedimento marinheiro, em atar cabos para tração (reboque), já que as vagas imensas varreriam a coberta do submarino levando consigo os submarinistas. Daí, que atendendo a sua consciência o Capitán de Fragata Pedro Martín Fernández resolveu prosseguir submerso.

Dá-se que o motor da história humana são as decisões. Algumas delas são infelizes. Não há motivos, no entender deste redator, em se empreender uma cruzada pela busca de culpados, mesmo que se confirme uma ordem clara e objetiva do Almirantado pela manutenção da derrota para Mar del Plata, pelo motivo simples que o capitão detinha autonomia suficiente para decidir-se por outro destino. Ao se decidir por prosseguir em direção à sua base, demonstrou inequivocamente que detinha confiança bastante na sua embarcação, tripulação e em si mesmo para tanto. Todo comandante é escravo das suas ponderações e avaliações e com o comandante Pedro Martin Fernández não foi diferente.

Chicoutimi

A admissão de água pelo snorkel  traça um paralelo possível com um acidente havido com o submarino Chicoutimi, da Royal Canadian Navy. Este evento não terminou em naufrágio, como o caso dos submarinos franceses da classe Daphne, mas, justamente por isso, por ter sobrevivido, existe a riqueza de detalhes, que por sua vez esclarece pontos obscuros para este tipo de acidente.

O Chicoutimi era (ainda é) um submarino diesel-elétrico produzido pela Vickers, com o intuito de ser o cabeça de uma classe destinada a substituir a afamada classe Oberon de submarinos diesel-elétricos da Marinha de Sua Majestade. Esta classe batizada de Upholder, ou Type 2400, devido ao seu deslocamento, não obteve o sucesso esperado colhendo em sua história muitos acidentes, entre eles o do Chicoutimi.

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Chicoutimi: parte de uma classe de submarinos de muito má fama. Imagem: internet.

Tendo zarpado de Faislane no dia 4 de outubro em direção ao Canadá, que havia adquirido da Inglaterra os quatro exemplares da malfadada classe, viu-se obrigado a navegar à superfície marinha, devido as restrições impostas pelo Almirantado Britânico, pelo fato de partir de uma base britânica de submarinos nucleares da OTAN. No dia 5, segundo dia de viagem, enfrentou severas condições de mar com vagas superiores a 8 metros, havendo admissão de grande volume de água na torre. A escotilha impedia a entrada de água, todavia o dreno apresentou falha, não escoando a água presente. Este problema foi percebido quando da abertura da escotilha inferior e logicamente formou-se uma equipe de reparos. Esta equipe, necessitando de uma ferramenta em especial estava a recebê-la através da escotilha quando uma imensa vaga atingiu e cobriu a vela do submarino fazendo-o admitir mais de 500 galões de água do mar. De imediato irromperam curtos-circuitos, arcos elétricos e incêndios. Nove submarinistas ficaram feridos, três seriamente e um veio a falecer em decorrência destes ferimentos. Desprovido de energia, em função da necessidade de combate ao incêndio, o Chicoutimi ficou a deriva até ser encontrado e socorrido pelo patrulheiro irlandês Le Rousin e pela fragata HMS Montrose.

É tentador, portanto, traçar a mesma cadeia de acontecimentos para o S-42 ARA San Juan, onde a admissão de água pelo snorkel, devido as condições de mar, seguido pela formação de arcos voltaicos e incêndios formam o quadro do possível sinistro. Sendo que neste caso o temos de forma sequencial, ou seja, repetitivo, ocorrendo sucessivamente nos dias 14 e 15, onde cada evento debilitou decisivamente o submarino e cuja última ocorrência foi-lhe fatal. Tentador é, mas sei bem que não passa de mais uma especulação. E as especulações não ajudam. Apenas causam maiores dores e sofrimento nos familiares que ficam a formar quadros em suas mentes sobre os últimos momentos dos seus entes queridos. O correto é esperar pelas imagens do submarino, quando este for encontrado, observar as suas condições para então se ter o mínimo embasamento. As tragédias havidas com o Minerve, Eurydice e com o N° 361 servem apenas de parâmetros, não produzem certezas, para estas, só o tempo.

Nota do Editor: acabo de ser informado por uma fonte, que a Armada da República Argentina admitiu a pouco (27/11/2017) que houve a ocorrência de três eventos de suma importância, são estes: a entrada de água, o curto-circuito e o princípio de incêndio a bordo. Ao que parece o paralelo com os eventos enfrentados pelo submarino canadense Chicoutimi se reforça. Entende-se o motivo da Armada Argentina acreditar firmemente que poderia encontrar o S-42 ARA San Juan à superfície, inerte, a deriva, tal como se sucedeu com o Chicoutimi. 

ARA San Juan: evento catastrófico


Por: César A. Ferreira

As últimas informações disponibilizadas levam a crer que o submarino S-42 ARA San Juan, sofreu um evento catastrófico, enquanto realizava derrota prevista para Mar del Plata, evento este acontecido às 10h51min da quarta-feira última, horário local (Buenos Aires) 15 de novembro de 2017. O local apontado para este evento registrado por hidrofones distribuídos pelo atlântico sul, corresponde as coordenadas de -46.12 (latitude) e -59.69 (longitude). Estas coordenadas resultam em cerca de 30 milhas náuticas distantes do ultimo contato do submarino, que se deu às 07h30min do horário local (Buenos Aires) e coincide com o ponto estimado de onde deveria estar o submarino de acordo com as informações passadas pelo comandante (Capitán de Fragata Pedro Martín Fernández), de que navegava à 5 nós com avarias em suas baterias (7 nós, contando com 2 nós de corrente marinha ascendente). A informação foi oficialmente disponibilizada pelo CTBTO – Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization (ing.)  Esta informação foi disponibilizada, inclusive, pelo próprio Secretário Executivo da Organização, Sr. Lassina Zerbo, que afirmou textualmente em comunicado pessoal (Twiter):

 “Our hydroacoustic network detected an unusual signal near the last known position of #missing San Juan #submarine. The signal from an underwater impulsive event was detected 15 Nov 13:51 GMT, Lat -46.12 deg; Long: -59.69 deg. Details & data shared with Argentinian authorities”.

A comunicação pessoal do Secretário Executivo foi confirmada pelo comunicado oficial do órgão disponibilizado para a mídia:

“MEDIA ADVISORY – CTBTO HYDROACOUSTIC DATA TO AID IN SEARCH FOR MISSING SUB SAN JUAN

23 November 2017

On 15 November 2017 two CTBTO hydroacoustic stations detected an unusual signal in the vicinity of the last known position of missing Argentine submarine ARA San Juan.

Hydroacoustic stations HA10 (Ascension Island) and HA04 (Crozet) detected a signal from an underwater impulsive event that occurred at 13:51 GMT on 15 November. The location of the event is as follows: Event Latitude: -46.12 deg; Event Longitude: -59.69 deg which is in the vicinity of the last known location of the ARA San Juan.

Details and data are being made available to the Argentinian Authorities to support the search operations that are underway.

The hydroacoustic stations are part of the CTBTO’s International Monitoring System (IMS) which monitors the globe continuously for signs of nuclear explosions. Low frequency underwater sound, which can be produced by a nuclear test, propagates very efficiently through water. Consequently these underwater sounds can be detected at great distances, even thousands of kilometres, from their source. This is why the IMS requires only eleven hydroacoustic stations to effectively monitor the world’s oceans. HA04 at Crozet Island (France) was certified in June 2017 as the final of these eleven stations.”(…)

O evento comunicado  foi endossado pelo comando da Armada Argentina quem em uma coletiva de imprensa, na pessoa do porta-voz da Armada, oficial Enrique Balbi, realizada nesta manhã, expressou-se de maneira direta aos correspondentes presentes:

“(…) hubo um evento anómalo, singular, corto, violento y no nuclear, consistente com uma explosíon (…)  No conoecemos la causa que produjo em esse lugar, em esa fecha, um evento de essas características”.

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Localização e profundidade relativa do ultimo contato e do local da Anomalia hidroacústica. Infográfico> La Nacion.

A hipótese comentada como a mais tangível dentre todas as especulações, formada a partir das informações das avarias comunicadas pelo capitão, indicam a formação de um arco voltaico advindo do curto-circuito presente no painel de baterias. A formação de um arco elétrico em um ambiente fechado poderia resultar em graves danos e casualidades imediatas, principalmente se houver concentração de hidrogênio advindo das baterias. É evidente, todavia, que apenas uma vistoria pericial no casco sinistrado do S-42 ARA San Juan poderá colocar a termo as reais causas do acidente.

Este presente contexto leva a crer pela infelicidade total da tripulação do S-42 ARA San Juan, vitimada por um naufrágio provocado por catastrófico evento, uma explosão devastadora. O projeto do TR-1700 consiste de duas secções estanques, dianteira e traseira, todavia, tomando que a referida explosão tenha se dado em uma destas, o tempo já decorrido de 8 dias, não é alentador para a possibilidade de qualquer um dos submarinistas que por ventura tenham sobrevivido ao evento. Neste caso, contanto com o realismo, ainda que taxado de pessimismo, por razões compreensíveis, pode-se tratar a presente operação de resgate em andamento como uma operação de recuperação, ou seja, contando-se que cada um dos submarinistas seja agora uma casualidade. Neste dado momento três belonaves da Armada Argentina executam na área designada varredura com sonares no módulo ativo, e um P-3AM da FAB – Força Aérea Brasileira foi convocado para auxílio, pois dispõe do sensor MAD, inexistente nos P-8A da USNAVY.

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Navio de pesquisas oceanográficas Yantar. Imagem: Shipspotting.

Yantar. O presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, ordenou que o navio oceanográfico Yantar, que se encontra na costa africana em missão, se dirija imediatamente para a costa argentina, com o intuito de integrar-se ao esforço de localização do ARA San Juan. Ainda que as possibilidades de resgate sejam irrisórias, o Yantar conta com sensores de varredura lateral, capazes de localizar objetos até a profundidade de 6.000 metros.

Nota do Editor: dado o atual momento, não se entende o motivo da Marinha do Brasil e do Ministério da Defesa de não terem enviado junto com o Navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry”, o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico H-39 “Vital de Oliveira”, que dispõe de um sonar de varredura lateral operativo até a profundidade de 4.000 metros..

Nota do Editor (2): este editor foi informado há pouco, que o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico H-39 “Vital de Oliveira” se encontrava em missão nas águas dos rochedos oceânicos de São Pedro e São Paulo. Este é um motivo suficiente para o não envio deste navio às águas argentinas. Por uma razão de honestidade editorial não foi alterada a primeira nota, mas publicada esta segunda.

O Brasil se junta ao esforço internacional pela busca ao ARA San Juan

Por: César A. Ferreira

As armas nacionais brasileiras se juntaram ao esforço internacional em apoio às buscas ao submarino S-42 ARA “San Juan”, sem contato nestas últimas 72 horas. O Navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry”, levantou âncora e zarpou nesta tarde do dia 18.11.2017. A belonave brasileira, classe fragata Type 22 Bach 1, F-49 “Rademaker”, juntou-se aos navios em missão de busca partindo do porto de Montevidéu, Uruguai. Outro meio flutuante da Marinha do Brasil designado para área de buscas e que se encontra próximo é o Navio Polar (vocacionado para pesquisas marinhas) H-41 “Almirante Maximiano”. A FAB, Força Aérea Brasileira se soma aos trabalhos de busca com duas aeronaves dedicadas: um P-3AM Orion e um.SC-105 SAR. Ambos possuem torretas flir, para busca no espectro infravermelho, e o P-3AM dispõe de um MAD – magnetic anomaly detector (ing), dispositivo que permite a detecção de uma massa metálica quando a aeronave sobrevoa a mesma.

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Navio de Socorro Submarino K-11 “Felinto Perry”. Imagem: internet.

O Navio de Socorro Submarino, NMB NSS K-11 “Felinto Perry” apresenta capacidade nominal de resgate até a profundidade de 300 metros. O navio possui facilidades como Sino Atmosférico de Resgate (300 m), câmera hiperbárica para oito mergulhadores, guindaste com capacidade para 30 toneladas, veículos de operação remota com câmera de vídeo e de sonar, bem como sistema de posicionamento dinâmico Kongsberg AOP 503 Mk.II, que permite que a embarcação permaneça alinhada com o ponto submerso de maneira constante.

Meios internacionais e corporativos

Vários outros meios navais e aéreos foram enviados para comporem os meios de buscas por forças armadas e corporações da América Latina, EUA e Europa. O Uruguai, sabe-se, enviou o ROU 26 “Vanguardia”, navio vocacionado ao salvamento que conta com plataforma para resgate subaquático e capacidade de oferecer energia e ar-comprimido para flutuação, bem como uma aeronave de esclarecimento marítimo King Air B200. O Chile comparece com o envio de uma aeronave CASA-295 ASW Persueder, que tal como o P-3AM da FAB possui um dispositivo MAD, e com o Navio da Armada do Chile AGS-61 Cabo de Hornos, dedicado a pesquisa oceânica, que dispõe de sensores eletroacústicos, sonar unidirecional, grua com capacidade para 30 toneladas e posicionamento dinâmico. Os EUA enviaram uma aeronave P-8A Poseidon (USNAVY). Uma aeronave P-3 que pertence à Nasa, mas que ainda contém um MAD, que estava a realizar pesquisas no sul do continente, incorporou-se as buscas. A USNAVY, por meio da URC – Undersea Rescue Command, prepara o envio por  meio aéreo dos seguintes dispositivos de resgate: SRC (Submarine Rescue Chamber), ROV (Remotely Operated Vehicle) e PRM (Pressurized Rescue Module). Estes meios estão em transporte neste presente momento, via aérea, através de aeronaves C-17 Globemaster III e C-5 Galaxy, pertencentes ao AMC – Air Mobile Command, USAF.Os britânicos, por sua vez, independente da arrastada querela sobre as ilhas Falklands, participam das buscas com o navio de exploração polar HMS “Protector” e com o navio patrulha HMS “Clyde”, além de uma aeronave C-130.

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ROU 26 “Vanguardia” – Marinha do Uruguai. Imagem: internet.

Não só os meios estatais participam das buscas, os meios corporativos, desde pesqueiros a navios de apoio offshore, também o fazem. Dentre estes destaca-se o “Skandi Patagonia”, da empresa Total S.A.

Meios argentinos

Os argentinos destacaram para a área de busca numerosos meios navais e aéreos, tanto da Armada Argentina, como da Fuerza Aérea Argentina. Dentre os meios aéreos foram destacados um Beechcraft King Air B200 de esclarecimento marítimo, um Grumman S-2T Turbo Tracker (matrícula “2-AS-24”), dois helicópteros AS 555FN Fennec (matrículas “3-H-131” e “3-H-132”, um Lockheed P-3B Orion (matrícula “6-P-53”), estes da Aviación Naval. Da FAA tem-se um KC-130H (matrícula “TC-69”), apoiado por um Beechcraft 350ER MPA (matrícula PA-22) da Prefectura Naval.

Entre os meios navais inicialmente destacados pela Armada Argentina estão os navios ARA “Sarandi” (Meko 360), ARA “Rosales” (Meko 140) e ARA “Drummond”.  Nesta manhã navegaram para se juntar aos esforços de busca e resgate, os navios oceanográficos ARA “Austral” e ARA “Puerto Deseado”, com especialistas do CONICET e do Serviço de Hidrografia Naval a bordo, necessários para operararem as sondas multi-feixes e os magnetômetros. Também zarparam as corvetas ARA “Spiro”, ARA “Espora” e ARA “Robinson”, o navio logístico ARA “Patagonia”, o destroyer ARA “Argentina” e o transporte ARA “Bahia San Blas”.  A Prefectura Naval designou o navio GC-28 “Prefect Derbes” e o SB-15 “Tango”. Participa também deste esforço o navio de pesquisas oceanográficas BIP “Victor Angelescu”, que possui sonar de varredura de fundo.

Um detalhe interessante é que se faz uso do satélite de observação marinha, com radar de abertura sintética, pertencente ao CONAE/INVAP concebido de uma iniciativa conjunta da Argentina e da Itália.

Os meios navais tem por base Comodoro Rivadávia, encontro os meios aéreos estão sendo concentrados nas Bases Aeronavales Almirante Zar e Comandante Espora.

 Área de busca

A área de busca delimitada pelo comando da Armada Argentina compreende o polígono definido pelas seguintes coordenadas: Ponto A. 44º-20’S 060º-45’W; Ponto B. 43º-45’S 057º-50’W; Ponto C. 45º-20’S 057º-12’W e Ponto D. 45º-55’S 060º-07’W. As condições estão longe de serem as ideais estando a visibilidade comprometida devido aos ventos intensos, forte precipitação e mar encapelado. O área geográfica exibe Estado de Mar 6, o que significa vagas entre 4 e 6 metros. O porta-voz da Armada Argentina, oficial Enrique Balbi, afirmou que a profundidade da área obedece a uma lâmina d’água de 340 metros. A Armada Argentina por certo conhece muito bem aquele trecho da plataforma continental.

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Polígono de buscas ao ARA San Juan. Fonte: Bing Maps.

O que pode ter acontecido?

Como é natural em ocasiões desta natureza especula-se muito. De fato o que se tem é uma perda de contato com o submarino. Quando um submarino sai em patrulha em tempos de paz é estabelecido um protocolo de comunicação, onde a cada espaço tempo previamente determinado deverá enviar uma mensagem reportando as coordenadas no qual se encontra. O S-42 ARA San Juan rompeu com este procedimento levando o Almirantado a iniciar os seus protocolos de busca. Não se tem certeza sobre nada, além da impossibilidade de contato com o referido submarino e o fato dele não ter sido detectado, o que devido aos meios de esclarecimento marítimo empregados leva a crer que ele esteja submerso. Neste caso não se sabe se este navega submerso, portanto com energia, ou se por acaso se encontra em repouso no leito marinho. A notícia mais recente aponta tentativas de comunicação por meio de telefone via satélite. O informe distribuído pelo Ministério da Defesa da República Argentina diz explicitamente em trecho destacado: “(…) Los intentos indicarían que la tripulación intenta establecer contacto y se trabaja para precisar su localización exacta. Las llamadas, de entre 4 y 36 segundos, fueron recibidas entre las 10.52 y las 15.42 en distintas bases de la Armada, aunque no llegaron a establecer contacto”. Estas chamadas teriam se dado na tarde de sábado, 18.11.2017.

Espera-se que de todas as hipóteses não tenha acontecido o pior cenário, que seria o do naufrágio do S-42 ARA San Juan, pois naufrágios de submarinos tem por costume serem absolutos no que tange às casualidades. Neste contexto, a se confirmar o informe das tentativas de contato de telefone via satélite, o quadro que se forma é de maior alento.

ARA San Juan segue desaparecido

Brasil, Chile, EUA e Grã Bretanha oferecem ajuda para localização e resgate do ARA San Juan

Por: César A. Ferreira

Brasília, 17:36. 17.11.2017

Prosseguem as buscas ao submarino S-42 ARA San Juan, desaparecido quando navegava pelo Golfo de San Jorge, distante 240 milhas náuticas da costa portenha (cerca de 432 km). O estado do mar, tempestuoso, não facilita a busca visual. Estas estão a cargo de uma aeronave S-2T “Turbo Tracker” da Armada Argentina, provindo da Base Comandante Espora e de outra aeronave modelo King Air B200, adaptada para a função de esclarecimento marítimo, baseada em Punto Índio, além das belonaves D-13 ARA Sarandi, P-42 ARA Rosales e P-31 ARA Drummond . As duas primeiras belonaves fazem parte da Flota de Mar, e a terceira da División Patrullado Marítimo.

Solidárias ao drama argentino, as forças navais dos EUA, Chile, Brasil e Grã-Bretanha ofereceram ajuda para localização e resgate dos tripulantes do S-42 ARA San Juan. O oferecimento da ajuda brasileira deu-se a pouco, na forma de comunicado do Sr. Ministro da Defesa Raul Jungmann às 15:28 (17.11.2017). O Brasil dispõe do Navio de Salvamento de Submarinos K-11 Felinto Perry, cuja capacidade nominal de resgate si situa até a profundidade de 300 metros. O navio possui facilidades como Sino Atmosférico de Resgate (300 m), câmera hiperbárica para oito mergulhadores, guindaste com capacidade para 30 toneladas, veículos de operação remota com câmera de vídeo e de sonar, bem como sistema de posicionamento dinâmico Kongsberg AOP 503 Mk.II. Os meios da FAB também foram disponibilizados, caso dos esclarecedores marítimos P-3AM.

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O Navio de Socorro de Submarinos K-11 Felinto Perry é o meio de salvamento da Marinha do Brasil para submarinos sinistrados. Imagem: internet.

O porta-voz da Armada Argentina, Enrique Balbi, declarou que o que se tem até o momento é a incapacidade de comunicação com o submarino, mas que isto não representa necessariamente em um naufrágio. Enfatizou que se realizam buscas por radar e visual, complementando: “(…) que pode estar navegando na superfície (…) tendo um problema de comunicação teve que vir a superfície. Não é que está imerso e não pode vir à superfície”. Declarou o oficial.

Independente dos esforços do referido porta-voz, as críticas aos procedimentos de resgate Armada Argentina se fazem sentir, dado a demora de 48 horas para se constatar e informar aos meios de comunicação platinos sobre a perda de contato com o submarino, bem como as ações para encontrá-lo e resgatá-lo. O submarino ARA San Juan normalmente conta com 37 tripulantes, mas desta vez realizava patrulha com 44 submarinistas, estando entre eles a primeira submarinista mulher da Armada, a oficial Eliana Maria Krawczyk, o que aumenta desnecessariamente a pressão midiática sobre o ocorrido