Estado Islâmico ameaçado: tropas governamentais se acercam de Palmyra

Por: Renato Velez

Fonte: Al Masdar News

Adaptação: César A. Ferreira

Há pouco o Exército Árabe da Síria (EAS) capturou três pontos chaves, a colina 800, a colina al – Amdan e a colina al – Thar na antiga pedreira , periferia ocidental de Palmira. Desde a semana passada, as tropas do governo moveram-se centenas de metros por dia para a antiga cidade de Palmyra, que está ainda sob a ocupação do Estado Islâmico. Agora, menos de uma milha separa os soldados sírios dos primeiros blocos de edifícios dos distritos a oeste da cidade. No entanto, o Estado Islâmico está disposto a tudo, menos a ceder Palmyra, uma vez que a cidade está situada no coração da Síria. Enquanto alguns consideram que a cidade de Palmira, como um simples troféu, você pode dizer que representa a ligação mais importante entre ricos poços de petróleo do leste e a densamente povoada Costa oeste da Síria.

É por isso que continua a ser vital para o Estado Islâmico manter o controle desta cidade. Em caso de perda, poderia causar um efeito dominó e a eventual derrota do califado em si. Todavia, o governo sírio está mais determinado do que nunca para capturar Palmyra. Como resultado, Damasco mobilizou as Forças Tigre, a 18ª Divisão Blindada, a Brigada “Falcões do Deserto”, juntamente com a milícia iraquiano EDI Imam Al – Ali. Por outro lado, combatentes do Hezzbollah estão em processo de implantação em toda a área adjacente a Palmyra, enquanto a Força Aérea da Rússia realiza dezenas de ataques aéreos contra a cidade todos os dias. Hoje, as forças do governo também capturaram vários pontos estratégicos ao redor da cidade, aproximando-se da área arqueológica ao oeste de Palmyra.

Neste momento, uma grande batalha acontece no “Castelo de Palmyra”, que está localizado sobre a montanha de Jabal Qassoun que domina a cidade do oeste. A histórica cidade de Palmyra, que foi capturada pelo EI em maio de 2015, durante uma ofensiva relâmpago, tem testemunhado a 4000 anos de civilização e sobreviveu a inúmeras batalhas ao longo dos séculos. Mas, infelizmente, o Estado Islâmico demoliu vários dos importantes sítios do Patrimônio Mundial da UNESCO dentro da cidade.

Ao longo prazo, captura de Palmira permitirá o empurrão do Exército Árabe da Síria para Deir Ezzor e romper o cerco imposto pelo Estado Islâmico nos distritos restantes detidos pelo governo dentro da cidade. No entanto, há muitos quilômetros do território ainda por ser arrebatando aos  combatentes do EI para que se possa atingir este objetivo.

Panorama do conflito sírio: 29.02.2016

Fonte: Al Masdar

Autor: Leith Fadel

Adaptação: César A. Ferreira

Corpo de importante comandante do Hezzbollah é recuperado

Durante a semana passada começaram a correr os rumores que se estenderam por todo o Líbano, de que um dos principais comandantes de campo do Hezzbollah havia sido morto durante a batalha por Khanasser, sudeste de Aleppo. Estes rumores foram de confirmado”a “se confirmar” em questão de horas, já que o destino de Ali Fayyadh, também conhecido como Alaa Al-Bosnia, foi debatido por partidários e oponentes.

Entre os rumores que se havia no Líbano e na Síria, estava a suposta captura de Ali Fayyadh pelo Estado Islâmico; estes rumores foram de prontos negados pelos jornalistas favoráveis ao Hezzbollah, mas que foram pelos equivalentes oponentes veiculados à exaustão.

 Pela manhã, elementos da “Força Tigre”, junto com combatentes do Hezzbollah, colocaram a termo estes rumores, quando recuperaram o corpo do comandante Ali Fayyadh, bem como os corpos de outros combatentes sírios, mortos durante a batalha de Al-Hammam, ao sul de Khanasser.

Os jornalistas ligados ao Hezzbollah confirmaram que o corpo do comandante Ali Fayyadh já se encontrava em sua posse (Hezzbollah), e que o mesmo retornava para a sua cidade natal para um enterro apropriado.

Província de Idlib

Comandos sírios aproximam-se da cidade estratégica de Idlib, dela distam 15 km.

Em maio passado (2015), a 87ª Brigada, pertencente à 11ª Divisão Blindada, evadiu-se vergonhosamente da cidade de Jisr Al-Shughour, citando em sua defesa a falta de cobertura aérea como razão principal da sua retirada prematura das cercanias da povoação de Ghaniyah. A realidade era o fato de as Forças Armadas da Síria não estarem preparadas para a ofensiva em grande escala lançada pela Jaysh-al-Fateh (Exército da Conquista) durante a primavera passada; isto foi evidente em sua retirada massiva da província de Idlib após um mês e meio de luta, somente.

Um avanço rápido cinco meses mais tarde: a Força Aeroespacial Russa começou a sua campanha aérea em todo o país para ajudar as Forças Armadas da Síria a recuperar a iniciativa (ofensiva). Sem saber naquele momento, estes ataques seriam mais tardes exitosos, tornando-se o elemento vital do qual necessitava as forças governamentais para retomarem as grandes porções de territórios das províncias de Aleppo e Latakia. Agora, as Forças Armadas da Síria recuperaram quase toda a totalidade das referidas províncias, incluindo vários vilarejos que eram, então, quase intocáveis antes da ofensiva em grande escala. A 103ª Brigada da Guarda Republicana e seus aliados impõem um controle total sobre o vilarejo de Ayn Al-Bayda, que dista uns 15 km do sudoeste de Jisr Al-Shughour.

À medida que derrete a neve no campo, ao noroeste da província de Latakia, Jabal Al-Akrad, montanhas curdas, vê se inundada com soldados do Exército Árabe da Síria. Estes soldados se preparam para aquilo que pode se converter no retorno épico do EAS a Jisr-Al-Shughourt, depois da perda desta cidade a apenas nove meses.

 Província de Aleppo

As forças governamentais reforçam a rota para Aleppo depois da retirada do Estado Islâmico.

Nas últimas 24 horas, a Força Tigre do Exército Árabe da Síria, em estreita coordenação com o Hezzbollah, Liwa Al-Quds (Brigada Jerusalém), Forças de Defesa Nacional (FDN) e a Guarda Republicana, avançaram em silêncio pela estrada Aleppo-Hama, em busca da captura de várias colinas e outros pontos fortes do Estado Islâmico na proximidade do vilarejo de Al-Hammam. No sábado, o EI tentou capturar o vilarejo de Al-Hammam, na forma de um contra-ataque, contra as Forças Armadas da Síria e aliados; todavia, este assalto, intenso, foi repelido após várias horas de enfrentamentos que culminaram em número alto de mortos de ambos os lados (dentre os mortos estava o comandante de campo do Hezzbollah, Ali Fayyadh).

 No dia seguinte (domingo), a Força Tigre e seus aliados aproveitaram a oportunidade para levar a cabo sua própria ofensiva no campo de Al-Hammam; esta contra ofensiva cobriu-se de êxito, pois as forças do governo foram capazes de assegurar Al-Hammam, bem como de aumentar a zona de proteção ao redor da autoestrada Ithriyah-Khanasser. Segundo uma fonte militar da Força Tigre, as Forças Armadas da Síria capturaram as montanhas que delimitam a localidade de Al-Hammam no seu flanco noroeste.

Com estas elevações capturadas, as Forças Armadas da Síria e os seus aliados obtiveram um alívio ao longo da estrada Ithriyah-Khanasser após o perigo de tela cortada e bloqueada, mais uma vez pelo Estado Islâmico. Ao norte de Al-Hammam, ativistas de mídias sociais da “oposição síria” informavam que o Estado Islâmico havia capturado a estratégica localidade de Khanasser. Hoje, entretanto, um correspondente local, em pleno campo de batalha refutou tais afirmações, que se constituíam de pura invencionice.

Exército Árabe Síro abre oficialmente a rota de abastecimento de Aleppo

Apenas 24 horas após declarar que a rota estratégica de abastecimento de Aleppo estava sob o se controle, o Exército Árabe da Síria (EAS), havia aberto tanto a rodovia Ithriyah-Khanasser, como logo após a estrada Sheikh Hilal-Ithriyah, assim que foram retiradas as minas (IED) plantadas pelo Estado Islâmico nas citadas rodovias. Com uma só rota até a província de Aleppo, o governo sírio necessitava reabrir esta estrada devido ao apoio logístico necessário para o Exército Árabe da Síria e permitir a continuação do comércio interior, o comércio civil.

O Estado Islâmico abandonou os arredores de Al-Safira, antes de ser cercado, isto permitiu ao grupo terrorista transferir 800 dos seus combatentes desta zona para fora da planície de Khanesser, donde poderiam lançar uma contra ofensiva contra tropas governamentais na semana passada.

A ofensiva surpresa resultou em algo exitoso para o Estado Islâmico (apesar de efêmero), dado que foram capazes de cortar e bloquear a única rota de abastecimento do governo sírio para Aleppo e província em dois pontos diferentes. Tanto que obrigou o Exército Árabe da Síria a deter o seu avanço a leste e oeste de Aleppo e de Al-Raqqa. Por desgraça as forças governamentais não podem descuidar-se desta área, bloqueada pelo Estado Islâmico mais de uma ocasião, e que fora cortada, oficialmente por duas vezes nestes últimos cinco meses. A Força Tigre e os seus aliados, por agora, se desdobram para ampliar a faixa de proteção ao redor da rodovia, para eliminar a ameaça do Estado Islâmico na região.

Província de Homs

Oito vilarejos foram libertados pelas forças governamentais das mãos do Estado Islâmico.

Na manhã de segunda-feira, no campo oriental da província de Homs, o 18º Batalhão de Carros Blindados, da 67ª Brigada Mecanizada, respaldado por infantes das Forças de Defesa Nacional (FDN) e Kataebat Al-Baas (Batalhões Al-Baas), impôs um controle total sobre mais de oito elevações dos montes Jazal, após violentos combates contra o Estado Islâmico. Segundo um correspondente presente no campo de batalha, nas cercanias das montanhas Al-Shaar, as Forças Armadas da Síria lançaram um assalto inesperado surpreendendo os militantes do EI, que se encontravam nos topos das colinas orientais das montanhas Jazal; este ataque obteve êxito extraordinário em vista que estas oito elevações se encontravam abaixo do tacão do grupo terrorista havia 13 meses.

As montanhas Jazal estão situadas estrategicamente próximas da fronteira entre as províncias de Homs com a de Hama. Sua proximidade com a desértica cidade imperial de Palmira (Tadmur), faz que se torne um objetivo importante para estar sobre controle das Forças Armadas da Síria. Além da libertação destes oito cumes em Jabal Jazal, as Forças Armadas da Síria voltaram a adentrar o pequeno vilarejo de Al-Dawa, nas cercanias de Palmira, após outra intensa batalha com o Estado Islâmico.  Recentemente esta frente desértica e o campo oriental da província de Homs vêm se tornando cenário frequente de enfrentamentos encarniçados entre o EI e as forças governamentais. Isto, após a primeira marcha de assalto ao oeste de Raqqa, três semanas atrás.

00-Ghouta Oriental
Área urbana flagrada durante bombardeio. Imagem: internet,

Província de Damasco

Exército Árabe Sírio captura Al-Fadiyaya, arredores da grande Damasco.

Nesta segunda-feira, na região oriental de Ghouta, Grande Damasco, o 416º Regimento da Guarda Republicana, respaldado por elementos da Força de Defesa Nacional (FDN) e do Exército de Libertação da Palestina (ELP), acabaram por impor o controle total sobre o vilarejo de Al-Fadiyaya, nas proximidades da Base Aérea de Marj al Sultan, após violentos combates com membros da Jaysh al-Islam (Exército do Islã) e Jabhat al-Nusra (Al-Qaeda na Síria). A povoação de Al-Fadiyaya situa-se ao norte da referida base militar e a sua captura acaba por preservar a segurança do flanco norte desta base aérea e do campo de pouso para helicópteros, daquilo que havia se tornado uma fonte de projéteis, disparos de morteiros e de foguetes inimigos.

Como parte deste avanço feito de surpresa, as Forças Armadas da Síria lançaram uma ofensiva de grande escala na região sul do Ghouta Oriental, justamente a área em que há a maior concentração de combatentes da Jabaht al-Nusra, fora de Hajar a-Aswad e das montanhas Qalamoun, na Grande Damasco.

Nota do Editor: Leith Fadel é um correspondente do Al-Masdar News e tem suas reportagens repercutidas como fonte de informação credível do conflito sírio. Nem sempre o faz no formato de matéria jornalística, por comunicar eventos em tempo real no Twiter. O Al Masdar fornece três opções de linguagem para o leitor, inglês, espanhol e russo.