Ucrânia: deserções e pedidos de dispensa

Por: César A. Ferreira

Em política sabe-se que adiar soluções só é algo proveitoso se existem boas perspectivas no horizonte, entretanto, se as opções são mesquinhas, melhor é adiantar-se e colher o resultado menos danoso.

Este conceito, por hora, é soberbamente ignorado pelo governo da Ucrânia, que já tendo perdido a península da Criméia, faz questão de manter a tensão em uma região de inegável importância econômica, com o cerco as cidades de Lugansk e Donetsk, onde os custos dos efetivos em campo, advindos de uma guerra impopular se fazem sentir gravemente em uma nação depauperada e em inclemente crise econômica.

Todavia, entende-se que apressar o desenlace no Donbass por via da escolha de uma decisão militar pode ser por demais arriscado, visto que o resultado positivo não é assegurado, afinal, para infelicidade do comando ucraniano os separatistas do Donbass possuem uma fronteira comunicável com a Rússia, além da vontade implacável de resistir, mostram-se aguerridos e desenvoltos como combatentes já tendo imposto aos militares ucranianos derrotas desconcertantes..

Pelo lado ucraniano… A vontade de vencer parece não convencer. As deserções nas armas ucranianas avolumam, mesmo entre as formações com capacidades reconhecidas de combate. É o caso da 45ª e 79ª Unidades aerotransportadas (denominadas como Brigadas, mas com valor de Batalhão), bem como da 81ª Brigada aerotransportada[1], todas estas desdobradas na região do Donbass. Estas formações do exército ucraniano receberam cerca de 1.000 pedidos de dispensa, incluindo 170 de oficiais.

De fato, desde março do presente ano, o número de deserções nas armas ucranianas atingem o valor de aproximadamente 8.300 combatentes. Este desfalque corresponde ao valor de duas Brigadas.

É interessante notar que este número tem um peso considerável, visto que as formações ucranianas são pequenas, em geral, formações denominadas como “Brigadas” pelas armas ucranianas possuem o valor de um Batalhão. Portanto, o pedido de dispensa formal de 1.000 combatentes especializados (paraquedistas), somado à deserção de outros 8.000 combatentes, resultam em um desfalque considerável, difícil de ser ignorado pelo comando das Forças Armadas Ucranianas.

Desta maneira a responsabilidade recairá, como algo que já se observa, no colo das formações ideologicamente motivadas da Guarda Nacional da Ucrânia, com todo o mal que uma força pretoriana costuma impor no cotidiano político de uma nação.

Não bastasse a explosão de 138.000 toneladas de munições em Balakliia… Realmente não há opção fácil para Kiev.

[1]: segundo o periódico cibernético News Front.

 

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