Os submarinos russos devem dominar o Pacífico em breve

09 de agosto de 2016

Por: Rakesh Krishnan Simha

Fonte: RBTH

Uma nova geração de  silenciosos submarinos, mais rápidos e  letais está prestes a entrar em serviço para reforçar as unidades da Marinha russa.

Os submarinos russos voltaram a operar no oceano Pacífico, de onde se ausentaram por mais de uma década. Pela primeira vez desde a Guerra Fria, a Frota russa do Pacífico está operando submarinos mais silenciosos, armados e poderosos.

De acordo com um estudo intitulado “O reequilíbrio asiático da Rússia” pelo Instituto Lowy de Política Internacional da Austrália, a transposição do foco da Rússia para a Ásia provocou uma renovação em grande escala da sua Frota do Pacífico, que durante a próxima década irá atingir o seu valor mais elevado em meios navais.

“Foram atribuídos a esta frota novos submarinos portadores de mísseis balísticos e caçadores/assassinos (submarinos nucleares de ataque), o que dará um grande impulso para as aspirações do potencial,  de projeção de poder de Moscou na região”, diz o estudo.

De acordo com o analista militar russo Dmitri Gorenburg, “a frota do Pacífico poderia tornar-se a maior frota de Rússia durante a próxima década devido à crescente importância geopolítica da região e à concentração de poderes navais nesta área”.

Mudança de foco

Durante a Guerra Fria, a Marinha soviética era conhecido por suas armas poderosas, como o submarino classe Typhoon (termo adotado pela OTAN, para os soviéticos e seus herdeiros, o nome da classe é Akula).

Com um deslocamento de 48.000 toneladas, foi quase tão grande quanto um porta-aviões e eclipsando o maior submarino da Marinha dos EUA por uma margem de 20.000 toneladas. Este leviatã soviético poderia jogar 200 ogivas nucleares contra cidades e instalações militares do inimigo em um único ataque.

Agora a prioridade é expandir a frota, especialmente com os submarinos da classe Borei. Embora tenha metade do tamanho do Typhoon, o Borei é um grande avanço em relação à escola soviética de construção de submarinos. A classe Borei representa a nova geração de submarinos russos extremamente silenciosos. É mais barato e exige uma tripulação bem menor. Ao mesmo tempo, não nada em termos de potencial de ataque, pois é capaz de lançar entre 16 e 20 mísseis nucleares com até oito ogivas orientadas de forma independente.

A Rússia espera substituir seus submarinos (SSBN) da Guerra Fria, com um total de 12 submarinos de mísseis balísticos da classe Borei indica Gorenburg.

Potencial e projeção

O aumento de tamanho, poder de fogo e gama dos submarinos russos, estão em sintonia com o novo boom  (crescimento) da Rússia. Durante a Guerra Fria, a Marinha dos EUA ostentava submarinos muito mais silenciosos, algo que o governo soviético reservadamente nunca se preocupou em refutar.

No entanto, com a abertura da Rússia, eles estão descobrindo as verdadeiras capacidades dos seus submarinos. A tripulação de submarinos russos muitas vezes contam histórias sobre como eles chegaram quase a arranhar a barriga dos navios dos EUA sem que os americanos soubessem deles. Tais histórias podem estar mais perto da verdade do que os especialistas acreditam (ou gostariam).

Almirante Mark Ferguson, comandante das Forças Navais dos EUA na Europa, disse à CNN que “(…) a Rússia está implantando submarinos de combate (SSN) e mísseis (SSBN) a um ritmo difícil de seguir para os Estados Unidos. Moscou criou novos submarinos que são mais difíceis de controlar e detectar pela Marinha dos Estados Unidos”.

“(…) Eles são mais silenciosos, mais bem armados e têm um alcance maior”, disse Ferguson. “Vemos que os russos têm sistemas de armas mais avançados, sistemas de mísseis que podem atacar as áreas terrestres a longa distância e também ver que o seu funcionamento e capacidade está a melhorar à medida que se afastam das suas águas”.

O almirante reformado James Stavridis, ex-comandante da OTAN, acrescentou: “Nós não podemos ter 100% de certeza sobre a atividade subaquática da Rússia, hoje”.

Perspectivas para o futuro

Atualmente, existe um plano para desenvolver um submarino nuclear de uma classe multiuso , a fim de construir algo mais barato e de menor tamanho do que a classe Yasen. Este seria submarino nuclear de ataque cujo armamento seria ao menos comparável aos mísseis presentes na classe Virginia dos EUA. A Marinha russa espera começar a construção destes submarinos o mais rápido possível, já  em 2016, e tem como objetivo construir um total entre 16 e 18 unidades.

Enquanto isso, a Marinha dos EUA tem um estoque de 53 submarinos, mas devido a decisões de desativação e corte no orçamento, este número cairá para 41 unidades no final da década de 20 (2020-2029).

Gato e rato

Durante décadas, os submarinos soviéticos, depois russos e norte-americanos brincaram de gato e rato sob os oceanos do mundo. Agora, parece que quaisquer que sejam os submarinos silenciosos da Marinha dos Estados Unidos, os russos os pegam o tempo todo e em todos os lugares.

Em um relatório da Stratege Page de 18 de Fevereiro de 2015 afirma: “No início de 2014 especialistas em detecção de submarinos da Marinha dos Estados Unidos ficaram alarmados quando um navio de reconhecimento electrónico russo da classe Vishnya foi avistado por várias vezes a distância junto a costa leste da Flórida, perto de várias bases aeronavais e de submarinos”.

O Vishnya avistado na Flórida foi acompanhado por um rebocador. Ambos os navios seguiram para reabastecer portos cubanos. Os dois navios estavam a ser visto pela primeira vez em Cuba, em fevereiro do corrente ano.

“O que mais assustou os tripulantes de sonar, de detecção submarina, foi dar-se conta que os computadores se tornaram poderosos e baratos o suficiente para detectarem submarinos por sinais fracos, como as ligeiras alterações nas superfície das águas, causadas pelos seus navios. Sabiam da existência desses sinais por décadas, bem como a possibilidade de que com aparelhos poderosos e sensíveis o bastante, este método poderia ser utilizado para rastrear submarinos em tempo real”.

Durante a Guerra Fria, a maior parte do potencial dissuasivo dos submarinos soviéticos no Pacífico constituiu-se de submarinos de ataque (SSN e SSK). Projetado para encontrar e destruir submarinos inimigos, suas principais tarefas eram para evitar que submarinos de mísseis balísticos inimigos viessem a lançar um ataque nuclear, além de destruir submarinos inimigos ataque antes que estes encontrassem um dos submarinos lançadores de mísseis soviéticos (SSBN). No teatro de operações submarinas do século, a frota do Pacífico será mais poderosa e terá uma proporção maior de submarinos de mísseis balísticos, o suficiente para manter em alerta a poderosa USNAVY.

SSBN (do inglês: Ship Submersible Ballistic missile Nuclear powered ).

SSN: (do inglês: Ship Submersible Nuclear powered).

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