Deir Ezzoir como novo eixo do avanço legalista

Por: César A. Ferreira

Após a vitória estrondosa na cidade de Palmira, e na localidade de Quraytayn, os olhos do mundo passam a acompanhar a campanha do Exército Árabe da Síria em direção ao sítio de Deir Ezzoir, isto, devido ao fato de ser Deir Ezzoir um alvo óbvio a partir de Palmira, ainda que esteja a uma distância considerável, e o Exército Árabe da Síria a exibir alguns sinais de exaustão após a pesada batalha para a libertação de Palmira.

No tocante à exaustão, uma pausa pode restabelecer o status combativo das unidades, entretanto, o tempo pode vir a ser um fator primordial para os combatentes e civis sitiados em Deir Ezzoir, portanto, uma pausa para reagrupamento deve ser medida com extremo cuidado e tempo justo. O fato é que a luta no vasto deserto sírio mostrou-se desgastante, e a resistência das unidades combatentes do Estado Islâmico, percebeu-se, foi pesada, evidenciando a presença de combatentes experimentados o que acabou por valorizar a vitória legalista. O ambiente, severo, impôs severos desgaste nos equipamentos e rebaixou o status combativo das unidades, a infantaria também sofreu com o escaldante deserto, vindo a sofrer baixas operacionais de monta, boa parte delas não sendo alusivas as operações de combate, mas ao clima extremo, ocasionando uma pressão extra ao sistema logístico e sanitário das unidades legalistas.

Como visto no avanço à Palmira, o avanço em direção de Deir Ezzoir deverá se dar em função da estrada que liga as cidades. E tal como antes, o avanço para conquistar os trechos da autopista e garantir o fluxo logístico exige muito do Exército Árabe da Síria, que vê-se obrigado, como lição de guerra, a estender o corredor de proteção deserto adentro e a ocupar qualquer elevação que por ventura exista no campo de visão. As onipresentes viaturas pick up, com metralhadoras pesadas ou canhões de tiro rápido geminados de 23mm não são uma escolha casual, constituem-se na parte integrante da estratégia de interdição de vias de suprimentos por parte do Estado Islâmico, visto que permitem reides, ações rápidas de destruição e evasão acelerada. Foi por se mostrar antes incapaz de defender as estradas, artérias logísticas indispensáveis, que as forças legalistas acabaram por recuar e abandonar Palmira e Raqqa, e ver-se cercadas em Aleppo e Deir Ezzoir. O abandono das posições no deserto profundo deu-se em razão da opção lógica de defender Damasco e as províncias costeiras, onde se encontram 80% da população síria.

O exemplo maior das dificuldades de manter segura uma autoestrada foi o combate realizado em torno da estrada de Khanasser, onde o avanço foi obstado por contra-ataques do Estado Islâmico que além de cobrarem pesado tributo em baixas, evitou as operações que visavam o cerco das suas unidades combatentes ao permitir a fuga e posterior reagrupamento. A luta em um eixo logístico não oferece ao atacante muitas opções táticas, visto que a estrada por si já é o indicativo óbvio do eixo de ataque.

Ka-52-2
Helicópteros de ataque Ka-52 em ação no deserto sírio. Imagem: internet

Estas dificuldades, no entanto, são superadas com o vasto apoio aéreo, não só efetuado pela Força Aérea Árabe da Síria, como pelos helicópteros de ataque, notadamente russos, caso dos novos Mi-28N e Ka-52, que estrearam a pouco no conflito sírio varrendo posições dos extremistas no eixo de Palmira.

O combate em um eixo óbvio de ataque pode parecer inglório, mas o ambiente é inóspito para ambos contendores e se avanço há, isto se dá pela existência de alvos identificados. O Estado Islâmico não pode se furtar a defender os povoados e localidades por ele ocupados pois deles defende o fundamento do seu poder, que é o domínio territorial, razão última para a autodenominação de “Estado”. Ademais, depende em demasia da comercialização do petróleo produzido na província de Raqqa, razão pela qual mantém nas localidades de Tabaqa e Sukhanah grandes formações de combatentes. Tabaqa e Sukhanah são obstáculos consideráveis no eixo de Deir Ezzoir e por isto se tornaram alvos óbvios. O uso de artilharia, de ogivas termobáricas dos foguetes de saturação de área além do apoio aéreo aproximado se farão presentes quando chegar a hora.

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