TOW-2A VS. T-90: análise detalhada do evento

Por: Viktor Murakhovsky.

Fonte Original : Gazeta.ru  

Adaptação: César A. Ferreira

A Síria tem visto muitos tipos de mísseis anti-tanque, armas guiadas (ATGMs) e armas anti-tanque leves, que estão sendo utilizados no seu território. Há aqueles da era soviética como da série de mísseis FAGOT/ FAKTORIYA e KONKURS, bem como o KORNET , mais moderno, dentro da dotação do EAS – Exército Árabe da Síria. Do outro lado temos o  TOW-2A, fabricado nos EUA, que foi e provavelmente está sendo neste momento entregue para a chamada “oposição moderada”, pelos EUA, e também pela Turquia e Qatar, em favor dos grupos islamitas. Há também os ATGMs chineses e iranianos, que são utilizados por militantes, as forças do governo e combatentes curdos. O RPG-7, leve, é mais amplamente usado pela infantaria em armas, incluindo as suas cópias chinesas e iranianas, além do descartável RPG-22.

Os mísseis TOW-2A, de origem norte americana são sem dúvida alguma, uma das armas mais perigosas usadas contra tanques sírios. Aqueles que são utilizados na Síria proveem de vários lotes de fabricação. Alguns dos anos 90, outros muito mais recentes, exibindo marcações de 2012-2013. Destes, quase todos são da moderna variante TOW-2A dos quais várias dezenas de milhares foram fabricados nos EUA e exportados para vários países. Todos são guiados por fio, exceto a versão Aero-RF orientada por rádio-comando, que não foi vista na Síria. Os insurgentes tendem a filmar o emprego em combate do míssil  TOW como prova, para receber as recompensas oferecidas pela destruição de equipamentos sírios.

O míssil é guiado utilizando um dispositivo de visão optrônica comum. A mira é colocada em alças, o míssil é lançado, e o operador continua a manter a mira no alvo. O dispositivo de vista contém um chamado coordenador, que acompanha o traçado (trajetória) do míssil por uma lâmpada de xenon e um emissor infravermelho, localizado na cauda do míssil. Dependendo do nível de desvio em relação à linha de visada, o coordenador gera correções que são transmitidos através do fio. O carretel de fio situa-se no próprio míssil. Muitos mísseis usam de princípios semelhantes, incluindo aqueles da era soviética. Não há necessidade alguma de iluminar o alvo, ou de marca-lhe a distância. TOW-2A faixa máxima é 3.750 m, que abrange a uma velocidade subsônica de 250-260 metros/s.

O TOW porta um conjunto de carga, na forma de uma ogiva. O nariz exibe uma protuberância, na forma de uma antena que possui a função detonar a blindagem reativa, presente no alvo como elemento de proteção. A carga principal é 152 milímetros de diâmetro e pesa cerca de 6 kg, o que permite uma penetração da ordem de 850-900 mm de uma blindagem homogênea  aço atrás da proteção reativa.

O TOW-2A foi usado para destruir um helicóptero Mi-8 danificado, isto durante a operação de resgate ao piloto do Su-24M2 abatido pela THK. O míssil pode ser usado contra vários tipos de alvos, incluindo helicópteros voando baixo. Os ATGMs contemporâneos, incluindo os russos, possuem rastreadores automáticos de alvos o que permitem ao operador não precisar se preocupar sobre o acompanhamento manual do alvo. Carros de Combate T-72B3 russos, que pode lançar mísseis guiados, têm desses rastreadores. A destruição do alvo na forma de um Carro de Combate é praticamente garantida se ele for atingido por um míssil deste na lateral, ou na parte traseira. Na parte frontal o Carro de Combate, em geral, possui suficiente proteção para suportar tais acertos.

O que vemos no vídeo? Vemos um modelo de 1992 do T-90 com uma torre cast. Isto é muito evidente a partir da presença de Shtora e a forma da escotilha do artilheiro. Os Carros de Combate T-90 do modelo 2004 tem uma torre soldada com um nível mais elevado de proteção. O Carro de Combate é protegido pela Kontakt-5, uma blindagem reativa. A sua aparência e espaço é demandada pela proteção da blindagem disposta em camadas. Pode-se ver que o míssil atingiu “o rosto” da torre, na dianteira esquerda, provocando a detonação da Kontakt-5, mas, aparentemente, não conseguiu penetrar a armadura principal.

A tripulação do tanque havia negligenciado os seus deveres no campo de batalha: as escotilhas estavam abertas, o Shtora não estava ligado. Isto sugere que a tripulação não tenha sido muito bem treinada. Têm-se informações sugerindo que as tripulações sírias não são treinadas na Rússia, mas no local. Há especialistas russos na Síria, mas eles trabalham como instrutores na base Ithriyah. A explosão de uma ogiva 6 kg naturalmente causou explosão considerável pressão que penetrou na escotilha aberta, o que levou o artilheiro atordoado para saltar para fora do tanque. Caso a escotilha estivesse fechada, ele não teria sofrido com o excesso de pressão. A proteção frontal do Carro de Combate é várias vezes maior do que a proteção lateral. Os tanques soviéticos e russos são projetados para suportar acessos por maioria de munições a partir do aspecto frontal, em outras palavras, dentro do arco de 60 graus à frente.

A tripulação do Carro de Combate exibiu falta de treino, e a forma como o tanque estava sendo utilizado deixa muito a desejar. Carros de Combate devem ser parte de equipes de armas combinadas e a operar próximo do apoio proporcionado pela infantaria. Como se pode perceber, a tripulação não detectou o lançamento do míssil. Se, ao menos três tanques, ou um pelotão, estivessem operando em conjunto, mutuamente interligados em seus campos de visão e fogo, e se a infantaria realizasse reconhecimento armado à frente dos tanques, a tripulação míssil teria sido destruída imediatamente após o lançamento. O tanque também não faz nenhuma tentativa para manobrar. Um único Carro de Combate, isolado, como quem está sentado, é um alvo ideal.

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Ilustração de como aparece o míssil no visor, quando do ataque com um míssil  de orientação beam rider. Imagem: Gazeta.ru

O vídeo foi filmado em Sheikh-Akil noroeste de Aleppo, onde os “Falcons” da montanha Zaviya estão operando como parte do 5º Corpo do Exército Livre da Síria. Deu-se um reconhecimento vigoroso por combatentes Khazaras e Afegãos. Houve a tentativa de capturar Sheikh-Akil, mas foram repelidos a toda volta. Os  vídeos posteriores da mesma cidade não mostram o T-90 destruído, embora haja vídeos que mostram a retirada das tropas e dos equipamentos. Isso significa que o tanque permaneceu no campo de batalha, ou dele foi evacuado, retirado. Em termos pessoais creio que o tanque permaneceu móvel e a tripulação tenha sobrevivido, embora seja possível que alguns de seus dispositivos de observação tenham sido danificados.

O Shtora-1 é equipamento padrão em um Carro de Combate T-90. Os dois projetores montados na torre emitem radiação modulada nas partes ópticas e no campo infra-vermelho do espectro. O sistema suprime os coordenadores optrônicos dos ATGM a uma distância de 2-2,5km. Os sistemas de rastreamento dos ATGM recebem sinais falsos dos emissores do Shtora de tal maneira que os mísseis passam a receber correções de curso inadequadas, o que os levam a voar para o lado, ou simplesmente deixar de funcionar. O Shtora tem uma probabilidade de sucesso de cerca de 80-90% contra um ATGM. É muito eficaz contra mais velhos, caso MILAN, HOT, TOW, FAGOT, KONKURS, e outros. Mas o TOW-2A exibe não só uma lâmpada de xénon, mas também um emissor de infra-vermelho, que emite um sinal codificado, fazendo com que o Shtora se torne menos eficaz contra este modelo do míssil. É por isso que Shtora não foi incluído nos modelos mais recentes da Rússia, por exemplo, o modernizado T-90SM ou o T-72B3.

Existem sistema de detecção de lançamento de mísseis modernos que operam no espectro UV, que podem ser instalado em UAVs e em veículos terrestres, mas até agora eles são experimentais. Tais sistemas detectam a pluma de um motor foguete. Podem emitir avisos de lançamento, permitindo que a tripulação aponte as armas do tanque em relação à fonte do lançamento e ejete uma tela de aerossol capaz de esconder o tanque de sistemas de detecção ópticos e de infravermelhos.

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CC T-72 destruído por uma arma guiada anti-carro. Imagem: Gazeta.ru

Os veículos mais modernos, como o Armata, estão equipados com defesas ativas que podem abater o míssil em aproximação, a partir de distâncias da ordem de 3-5 m. Enquanto na luta contra a Síria têm-se visto modelo  T-90 de 1992, há no inventário russo  o modelo de 2004, o T-90A. Os T-72s são mais vulneráveis ​​contra ATGMs com ogivas em tandem. Eles podem ser modernizados utilizando kits applique  desenvolvidos pela Uralvagon, o que lhes aumenta a capacidade de sobrevivência.

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CC T-55 do Exército Árabe da Síria equipado com jameador optrônico de fabricação local. Imagem> Gazeta.ru

Deve-se acrescentar que os Carros de Combate do Exército Árabe Sírio e outros veículos blindados às vezes são equipados com “dazzlers”, ou sistemas desenvolvidos internamente com função semelhante ao Shtora, com a exceção de que fornecem um campo de proteção polivalente. Dado o fato de terem agora os sírios em sua posse vários TOW-2A capturados, podem desenvolver jammers capazes de funcionar contra esses mísseis, pelo fato de se saber as frequências e a variação do espectro na qual estão calibrados os rastreadores do referido ATGM.

A presença de T-90s, ou Su-35s não irá por si trazer um grande avanço na luta, no entanto, se os tanques forem usados ​​com habilidade, em estreita cooperação com outras armas e de forma concentrada, em massa, a eficácia de suas operações irá aumentar.

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3 comentários sobre “TOW-2A VS. T-90: análise detalhada do evento

  1. César para desespero de alguns a Kontakt 5 é inferior a “Relíquia” e a nova armadura do ARAMATA é superior a esta. E é por isto que os alemães e franceses estão desenvolvendo o canhão de 130mm.

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