Fim da era do Petróleo? Queda dos preços do óleo cru agita a ordem mundial

Fonte: Sputinik News

Tradução: Blog DG.

A queda dos preços do petróleo pode desafiar o status quo geopolítico estabelecido e até mesmo resultar em guerras e turbulência, alertam os especialistas. Será que o mundo centrado no petróleo, desde a metade do século passado, possa vir a ser restaurado, novamente, em breve?

A atual queda nos preços do petróleo afetou empresas petrolíferas gigantes e as empresas auxiliares; ele também ameaça minar economias dos principais países produtores de energia, resultando em um profundo “shake up” na ordem política, de acordo com Michael T. Klare, professor de estudos de paz e segurança mundial no Hampshire College (Massachusetts, Estados Unidos).

O acadêmico norte-americano sente que a depressão contínua dos preços do petróleo pode se estender para a década de 2020 e além.

“De modo geral, os preços do petróleo sobem quando a economia mundial é robusta, a procura mundial está a aumentar, os fornecedores estão bombeando em seus níveis máximos, pouco armazenados, ou com os excessos de capacidade à mão. Eles tendem a cair quando, como agora, a economia global está estagnada, ou em queda, a demanda de energia é morna, os principais fornecedores não conseguem conter a produção em consonância com a queda da demanda, o óleo excedente se acumula e os fornecimentos futuros apareçam assegurados”, o acadêmico americano explica em seu artigo para TomDispatch.com.

Klare refere-se à desaceleração econômica temporária na China, ao aumento da produção de petróleo na América do Norte (até 9,2 milhões de barris por dia), e mais notavelmente a “firme resistência” da Arábia Saudita para diminuir a sua própria produção ou a da Organização dod Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O que se encontra debaixo do pano da recusa saudita em reduzir a sua produção de petróleo? Riyadh estaria, possivelmente, determinada em punir a Rússia e o Irã,  devido ao apoio destes ao governo da Síria, isto segundo as notas acadêmicas norte-americanas. Por outro lado, a Arábia Saudita estaria, aparentemente, fazendo tentativas de conduzir os produtores americanos de xisto fora do mercado de petróleo.

Para adicionar mais combustível ao fogo, Iraque e Irã continuam, também, a aumentar a sua produção. Como Daesh (Estado Islâmico/EI/ISIS/ISIL) está a perder terreno na Síria e no Iraque, espera-se que a produção de petróleo de Bagdá continue a crescer, observa Klare.

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Cavalo de Ferro, Cavalo de Extração ou Cavalo de Petróleo. Foto: internet.

Quanto ao Irã, o seu acordo nuclear com Washington abriu as portas para Teerã entrar novamente no mercado de petróleo. De acordo com a US Energy Information Administration em previsão lançada no mês de agosto de 2015: “O Irã tem a capacidade técnica para aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 600.000 b / d (barris-dia) até o final de 2016”.

“Apenas três desenvolvimentos poderiam concebivelmente alterar o atual ambiente de preços baixos do petróleo: guerra do Oriente Médio que retire um, ou mais, dentre os principais produtores de energia; uma decisão saudita para restringir a sua produção, a fim de impulsionar os preços, ou um inesperado surto mundial por demanda”, acredita Klaire.

O colunista norte-americano James Stafford da Oilprice.com ecoa a suposição de Klare: de acordo com Stafford, um confronto militar direto entre a Arábia Saudita e o seu rival regional de longa data, o Irã, poderia colocar o valor do óleo cru novamente no patamar de “de três dígitos” e chegar até US $ 250 por barril.

“A guerra entre os dois países poderia ocasionar rupturas de abastecimento, com impactos previsíveis sobre os preços”, observa ele, citando Dr. Hossein Askari, professor da George Washington University.

No entanto, Klare e Stafford concordam que, embora não seja impossível neste momento, a guerra entre Arábia Saudita e Irã é uma questão meramente “especulativa”. Klare acrescenta, que tanto uma decisão da Arábia Saudita em não reduzir a sua produção, como um aumento repentino na demanda, parece improvável.

Na verdade, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as taxas de crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento, que representam quase 60 por cento do PIB mundial e 85 por cento da população mundial, são neste momento, negativas.

“Não só os preços do petróleo e dos metais caíram cerca de dois terços do seu pico mais recente, mas fatores de oferta e do lado da procura sugerem que eles estão propensos a permanecer baixo por um longo período”, disse a diretora do FMI, Christine Lagarde no simpósio em Paris em 12 de janeiro de 2016.

O resultado mais provável da desta queda, todavia, é uma onda de inquietação em nações produtoras de petróleo, sugere Klare. O professor americano assume que Nigéria, Venezuela, Argélia e Angola venham a enfrentar perspectivas de turbulência política.

Embora a Arábia Saudita, um dos maiores produtores do mundo, tenha sobrevivido ao choque inicial, devido às suas enormes reservas cambiais, é significativo o fato de Riyadh ter anunciado cortes nos seus gastos públicos, incitando com isso o descontentamento crescente da população deste reino do Golfo.

Em contraste, o establishment russo enfrenta melhor a situação, com o Kremlin a desfrutar amplo apoio popular. Apesar da queda dos preços do petróleo, a liderança da Rússia “de fato move-se ambiciosamente no plano internacional”, observa Klare.

“Aconteça o que acontecer ao petróleo e aos países produtores, a ordem política global que uma vez repousou no preço crescente do petróleo está condenada”, sugere o acadêmico norte-americano.

Nota do Editor do Blog DG: realmente as perspectivas do preço do barril de petróleo não são nada boas, dado que a China, grande consumidora, possui um plano estratégico de investimento em energias renováveis que pretende incluir cerca de 560 gigavatts (GW) em um futuro próximo. Daí, que um crescimento de 6,5% ao ano da economia chinesa, não deverá resultar em um aumento correspondente de demanda por óleo cru. Neste contexto é interessante notar a atitude inexplicável, suicida, da Arábia Saudita, que mantém uma política de superprodução, ao mesmo tempo em que se envolve em um atoleiro no Iêmen, perde-se no seu sonho de grandeza na Síria e no Iraque na medida em que o EI e os seus satélites wahhabitas são escorraçados, enquanto o temido rival regional,  Irã, tem por agora aberta as portas dos mercados ocidentais, com o fim das sanções antes impostas por estes.

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