Após S-400, americanos evaporam, britânicos paralisam.

Original: Russian Insider (06-01-2015).

Tradução e adaptação: César A. Ferreira

Após a instalação por parte da Rússia de Sistemas de Artilharia Antiaérea de longo alcance na Síria, a campanha de bombardeio dos EUA desaparece e os ataques britânicos tornam-se inoperantes.

A mídia britânica confirma a total paralisação das ações britânicas nos céus sírios. A imprensa dos EUA, informa que a campanha aérea no norte da Síria foi detida, após a implantação dos sistemas antiaéreos russos.

Semanas antes, o Russian Insider publicou um texto em que se afirmava que todo o trovejar flamejante da Grã-Bretanha, ensejada na decisão do governo Cameron em bombardear a Síria, seria de extrema inutilidade, pois a contribuição militar britânica para a guerra na síria seria em termos militares, irrelevante.

Os eventos subsequentes suportam integralmente a opinião do editor. A soma total do envolvimento militar britânico na Síria equivale a três míseras missões de ataque, todas estas realizadas no prazo de cinco dias, contados após aprovação parlamentar que concedeu autorização para tanto. Parece, que não mais que 19 bombas foram lançadas na totalidade dos ataques – menos que a carga de um TU-22M3 portada em um único ataque. E isto levando-se em conta que um Tu-22M3 possa carregar carga de bombas muito mais pesadas que um bombardeiro britânico Tornado.

Todas as bomabas foram lançadas em uma única instalação – o campo de extração de petróleo Omar – alvo bombardeado no mês anterior pelos EUA. Em artigo publicado pelo britânico Daily Telegraph, percebe-se a extensão do fiasco, bem como a confirmação de que não houve ataque de bombardeiros britânicos em solo sírio desde 06 de dezembro de 2015. O fato de todos os três únicos ataques britânicos terem se dado no campo petrolífero de Omar, aliás, evidencia que não podem ter sido aviões do Reino Unidos os responsáveis pelo ataque aéreo sobre a base aérea síria em Deir az Zor.

Russia deploys S-400 air defence missile system in Syria
Sistema S-400 desdobrado no entorno da Base Aérea de Hmeymim, 26-11-2015. Foto: Dmitriy Vinogradov/Sputnik.

O governo britânico não ofereceu explicação alguma que fosse para a ausência de qualquer ataque sobre o Estado Islâmico na Síria, desde o início teórico da Campanha Britânica de Bombardeios. A verdade é que dada a grande extensão dos ataques efetuados pela Rússia, e pelos EUA, a contribuição britânica e aquela da França e Alemanha não passam de ações de cunho simbólico. No entanto, a escala absurdamente patética dos ataques britânicos sugere que há mais do que isso.

O artigo do Daily Telegraph aponta que não é apenas o esforço de ataque britânico que tornou-se virtualmente paralisado. O artigo informa que entre os dias 01 e 22 de dezembro de 2015, a coalizão liderada pelos EUA realizou apenas 148 ataques aéreos na Síria. Isto, comparado às 164 missões de combate realizadas pela VKS (Rússia), durante o período de três dias em dezembro (entre os dias 25 e 28), bem como as mais de 5.200 saídas em missões de combate levadas à cabo desde o início da campanha russa de bombardeio (30 de setembro de 2015).

Afirma o Daily Telegraph que esta ausência de surtidas de bombardeiros norte-americanos e dos seus aliados no céus sírios se dá em virtude da ausência de alvos, além da preocupação, suposta, de evitar danos e vitimar civis. A explicação mais plausível, apesar dos desmentidos, é a atualização por parte da Rússia das defesas aéreas, russas e sírias, ocorridas após o evento da derrubada do Su-24M2 pela Turquia, em novembro. Os russos não só teriam implantado o sistema antiaéreo S-400, mas também fornecido aos militares sírios o avançado sistema antiaéreo BuK, modernizando de forma significativa os dispositivos antiaéreos da Síria.

A presença de “conselheiros” russos assistindo os seus equivalentes sírios é provável, para que os segundos possam operar estes sistemas. Um artigo publicado pela mídia Bloomberg implica a responsabilidade pela operação dos sistemas BuK1 (referidos pela designação de código da OTAN como “SAM-17”) recaindo sobre os ombros dos militares russos.

A Bloomberg expõe que os jatos de ataque dos EUA em missões nos céus sírios foram rastreados e plotados por radares associados ao sistema BuK, fazendo com que os EUA viessem a suspender completamente os bombardeios em um a parte norte do solo sírio. Se assim se deu, então, tal explicação pode ser estendida para a paralisação britânica.

Dada a constatação que a admissão de ser a presença de elementos russos o fator impeditivo do bombardeio dos EUA e da Grã-Bretanha em solo sírio, algo completamente embaraçoso, compreende-se o afã dos representantes dos EUA, consultados pelo Daily Telegraph não os terem citado, e ao invés, emitir desculpas esfarrapadas como dizer que estão a ficar sem alvos. Independente da  verdadeira razão para o fracasso da campanha de interdição britânica, e daquela dos EUA, percebe-se agora, mais claro do que nunca, que os únicos a combater o Estado Islâmico e os demais grupos de Jihadistas na Síria são os russos, os sírios e os seus aliados (Irã), e mais ninguém.

 

[1] Nota do tradutor: 9K317 BuK-M2. Código OTAN: SA-17 “Grizzly”.

Anúncios

Um comentário sobre “Após S-400, americanos evaporam, britânicos paralisam.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s