McCaim na terra dos sonhos

 

 

Por: César A. Ferreira

O mundo gira e a indignação seletiva, ao que parece, não é uma instituição unicamente brasileira. Em uma semana, onde um casal imbuído da doutrina extrema do proselitismo wahhab abre fogo em um centro comunitário californiano, junto com as vozes indignadas dos cidadãos norte-americanos não se vê nada, opinião que seja, contra o Senador e Presidente da Comissão Militar do Senado dos EUA, John McCaim, de equipar os rebeldes “moderados” da Síria com meios anti-aéreos. Como se sabe, McCaim os conhece, pessoalmente, conforme admitiu, aliás. Admissão esta, convenhamos, forçada pela divulgação das imagens do encontro tido por ele no norte da Síria, onde sua presença sorridente ao lado de chefes notórios do Estado Islâmico, caso de Muahmmad Noor e Abu Bakr Al-Baghdadi, mostra-se reveladora das intenções deste senhor, que é um importante representante dos interesses de grandes corporações, no tocante ao Oriente Médio.  Para McCaim, quanto mais o mundo queimar, melhor.

Dá-se que um Senador dos EUA não é, não pode ser, como interlocutor considerado “qualquer um”, jamais será “Zé Ninguém”, ou coisa que o valha. Apesar de ser republicano e o governo dos EUA democrata, ainda assim é e será um representante oficial dos EUA, dado que é um Senador legitimamente eleito, de posse plena das suas prerrogativas legislativas. Portanto, não se pode ter da visita de McCaim uma leitura inconsequente, ingênua, como se fosse um lunático da política norte americana, pois ele não é. McCaim prega a tempos que se deve armar com o que há de melhor no arsenal dos EUA os “combatentes moderados”, todavia, sempre foi independente disto, um propugnador do confronto direto com a Rússia, Seja no Oriente Médio, seja na Ucrânia.

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McCaim em reunião com líderes terroristas no norte da Síria. Em destaque: Abu Bakr Al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico. O assunto tratado era venda de armas e munições. Imagem: internet.

Portanto, percebe-se, devido às ações de McCaim, como é cristalina a posição dos Estados Unidos da América, que de fato protege o Estado Islâmico, algo muito mais amplo do que a “exploração das consequências das suas ações”, como tentam justificar alguns. Não bastasse a ineficácia da campanha de bombardeio ao Estado Islâmico, por parte da chamada “Coalizão Ocidental”, que em 14 meses sequer arranhou a capacidade do EI em fazer a guerra, agora lança a Turquia como elemento posicional no jogo expresso de poder naquela região do mundo. A Turquia assume ao invadir com forças terrestres tanto o território da Síria, como do Iraque, a posição análoga a do peão no tabuleiro de xadrez, que é a de ocupar o espaço para evitar a movimentação livre das peças do oponente. O interessante, entretanto, é o fato de que desta maneira a Turquia realça a cupidez e a hipócrita forma como o “Ocidente” encara o drama da Guerra Civil da Síria, pouco lhe importando o custo em vidas humanas, ou da destruição da infraestrutura necessária para as mais básicas necessidades diárias. Isto não importa, nunca importará.

O que importa, isto sim, é a manipulação das paixões religiosas em prol dos interesses geopolíticos, confessos e inconfessos na região, detentora das mais extensas reservas de petróleo do globo, óleo de ótima qualidade, pois leve ou extremamente leve, e de reservas de gás extensas, muitas delas recém descobertas. O domínio da região se torna mandatária na mente dos senhores do mundo, casta da qual McCaim acredita fazer parte, não só pelos estoques energéticos como pela característica da região, dado que o escoamento destes recursos passam, necessariamente, por estreitos e golfos, todos eles fáceis de serem obstruídos por entidades políticas opositoras, ou reativas. Por isso a sofreguidão com que as ditas “nações centrais” buscam conter, derrubar ou minar aqueles regimes políticos nos quais a manipulação por estas não possa ser total, satisfatória. Esta é a missão da vida de John McCaim, ser um porta – voz, inadvertidamente cômico, dos interesses inconfessáveis dos EUA, interesses estes registrados de forma clássica nas imagens sorridentes de McCaim com os líderes islâmicos da Jihad sanguinária no norte da Síria em maio de 2013, onde negociava a entrega de armas.  Por isso faz-se necessária a pergunta clássica: você acredita, realmente, no interesse dos EUA, bem como dos seus sócios da OTAN, em combater o Estado Islâmico? Se acreditar nisto, com toda força do seu espírito, então, seja bem vindo ao incrível mundo dos sonhos… De John McCaim.

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4 comentários sobre “McCaim na terra dos sonhos

  1. Não é a Turquia que compra o petróleo do Estado Islâmico, a Turquia é só o guichê pagador. Uma vez pago dado o petróleo à Turquia o Estados Unidos concede créditos em armas ao Estado Islâmico e Rebeldes. Quem cruzar a fronteira com mais petróleo recebe mais armamento.O petróleo passa a ser vendido com um valor maior na Turquia e os EUA e a Turquia dividem os lucros.

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