Cai o véu da hipocrisia

Por: César A. Ferreira

Caso exista alguém que acredite nas declarações do Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, de que os EUA darão combate incessante ao Estado Islâmico, então, caro leitor, chamai tal pessoa de o último ingênuo da face da terra, pois, após dos acontecimentos destas 24 horas passadas, apenas os inocentes da razão poderão crer nas intenções norte-americanas. Digo isto pelo simples fato de que após haver um ataque aéreo da coalizão capitaneada pelos EUA contra as forças do Exército Árabe Sírio, onde o depósito de munições foi destruído, terem os insurgentes do Estado Islâmico realizado um amplo ataque, retomando áreas antes libertadas pelas forças governamentais sírias. Há quem acredite, defenda com paixão as intenções da coalizão ocidental… Ora, iludidos sempre existem e hão de existir.

Sobreviventes
Infantes do Exército Árabe da Síria, sobreviventes do ataque aéreo da OTAN, abrigam-se em uma construção. Imagem: RT.

O ataque deu-se contra as posições do Exército Árabe da Síria, na Província de Deir-ez-Zoir, ou Der Ezzor, destruindo o depósito de munições da 137ª Brigada de Artilharia, provocando 17 baixas, quatro delas fatais. Dentre os feridos os graus das lesões são múltiplos e incapacitantes. Dois elementos da OTAN, ou seja, quatros jatos (o elemento é composto por um líder e o seu ala) lançaram o ataque com armas guiadas ar-terra durante o decorrer da noite deste domingo, dia 06 de dezembro de 2015. Ao menos nove destas armas foram lançadas. Além do depósito cuja destruição foi confirmada, três veículos blindados, quatro outros veículos de apoio e duas metralhadoras teriam sido destruídos, estes dados, todavia, carecem de confirmação. A chancelaria Síria oficial um protesto formal junto ao Conselho de Segurança da ONU, através da sua representação, a nota expressa formalmente: “A Síria condena veementemente o ato de agressão pela coalizão liderada pelos EUA, que contradiz a Carta das Nações Unidas sobre seus objetivos e princípios. O Ministério das Relações Exteriores enviou cartas ao Secretário-Geral da ONU e ao Conselho de Segurança das Nações Unidas”. O interessante, todavia, foi a reação advinda do Comando Militar da Coalizão, que informou a Reuters, em off, que o ataque em questão teria sido efetuado por forças russas. Compreende-se o motivo da fonte se esconder no anonimato, pois o ataque foi registrado nos radares da Defesa Aérea Síria, bem como nas assinaturas dos sinais de IFF (Identification, friend or foe) [1], não quer, portanto, comprometer a sua carreira com um desconhecimento ridículo, apenas cumprir com o “dever da desinformação”, ao qual a Reuters se presta, consciente, ou inconsciente.

Mapasouthfront
Estado Islâmico converge para Ayyash e Bgelia. Mapa: South Front.

Após o ataque dos dois elementos de ataque da OTAN, em rápido avanço sobre o terreno, as forças insurgentes do Estado Islâmico que até então estavam sobre intensa pressão, devido ao fogo de artilharia, notadamente de foguetes, lançou um contra-ataque coordenado contra duas cidades, Ayyash e Bgelia, cujas posições dominantes na via de acesso da província, acabam por dividir as forças do Exército Sírio. Os combates são intensos, e as tropas de infantaria do Exército Sírio não contam mais com a cobertura de artilharia pelos motivos já expostos. A ofensiva do Estado Islâmico possui uma escala grande, como há muito não se via e caso os ganhos territoriais se concretizem, o Exército Árabe da Síria irá se ver em desequilíbrio, onde provavelmente uma retirada forçada se faça necessária, comprometendo desta forma todo o ganho de terreno na província obtido com grande esforço, onde o apoio aéreo russo se fez decisivo.

OBama
Barack Obama com o General Joseph Dunford e o General da Força Aérea Paul Selva. Foto: Zuma/TASS.

Não contentes com o “show” de enganos e perfídias, os norte-americanos resolveram fazer o mundo rir, e isto de forma voluntária. Nesta terça-feira, o eminente Joint Chief Of Staff[2], General Joseph Dunford relatou em uma audiência do Congresso dos EUA: “Graças ao bombardeio da coalizão internacional, sob a liderança dos Estados Unidos durante o último mês contra o grupo terrorista, que perdeu 43 por cento da receita, que o ISIS recebe da venda de petróleo”, a piada, como se percebe foi completa, pois até os mármores das ruínas abandonadas no deserto sabem que a ofensiva contra refinarias, poços de extração e comboios de caminhões cisterna foi fruto da iniciativa russa. Ou seja, nas palavras do General Dunford a iniciativa russa inexiste… Pois, a realidade o confronta, conforme os dados singelos são apresentados. Por exemplo, no dia 17 de novembro ultimo, os russos efetuaram 127 surtidas, com 206 alvos destruídos, já a OTAN realizou 20 surtidas, com 14 alvos relatados como destruídos.

Acreditas ainda nas sinceras palavras dos EUA? Mesmo com as ações acima descritas?
Bom… Papai Noel, então virá do polo norte em seu grande trenó tracionado por renas, uma delas de nariz vermelho, saiba, com presentes apenas para os meninos bonzinhos… Ah, ia me esquecendo: tomando uma coca-cola.

[1] Identificação Amigo – Inimigo.

[2] Chefe do Estado Maior Conjunto.

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